Tag: Comissão de Agricultura da Câmara

  • Câmara debate criação de fundo para fortalecer cadeia do leite no Brasil

    Câmara debate criação de fundo para fortalecer cadeia do leite no Brasil

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realiza, nesta quinta-feira (7), uma audiência pública para discutir a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite. A proposta está prevista no Projeto de Lei 431/2026.

    O debate foi solicitado pelo deputado Welter (PT-PR), autor do projeto, e está marcado para as 10 horas, em plenário ainda a ser definido.

    Segundo o parlamentar, a cadeia produtiva do leite tem grande relevância econômica e social no Brasil, com forte presença da agricultura familiar. O setor também desempenha papel estratégico na segurança alimentar, na geração de renda no campo e no desenvolvimento regional.

    Welter destaca que produtores enfrentam crises recorrentes, impulsionadas por fatores como oscilações no mercado internacional e aumento das importações de produtos lácteos.

    Dados do Poder Executivo, citados pelo deputado, apontam crescimento nas importações de leite e derivados sem a existência de mecanismos estruturados de compensação ou reinvestimento na produção nacional.

    O projeto propõe financiar o fundo com recursos provenientes de uma parcela do Imposto de Importação sobre produtos lácteos. A medida tem como objetivo direcionar parte da arrecadação para o fortalecimento da produção interna.

    De acordo com Welter, a audiência pública deve aprofundar a análise técnica da proposta, avaliar sua viabilidade jurídica e econômica e reunir contribuições para aprimorar o texto em tramitação na Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Falta de verba ameaça controle de doenças e pragas, alerta Comissão da Câmara

    Falta de verba ameaça controle de doenças e pragas, alerta Comissão da Câmara

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados reforçou a necessidade de garantir recursos contínuos para a defesa agropecuária no Brasil. Durante audiência pública realizada na última semana, parlamentares, especialistas e representantes do setor criticaram a recorrente limitação orçamentária, que compromete a prevenção de pragas e doenças.

    A discussão ocorre no contexto do Projeto de Lei Complementar (PLP) 95/24, que propõe proibir o contingenciamento de verbas destinadas à área. A medida busca assegurar previsibilidade financeira para ações consideradas estratégicas à produção agrícola e à segurança alimentar.

    A defesa agropecuária reúne um conjunto de normas e ações voltadas à proteção da saúde animal e vegetal. O sistema atua na prevenção de pragas, fiscalização do uso de defensivos e certificação sanitária de produtos, fatores essenciais para o abastecimento interno e as exportações brasileiras.

    Riscos sanitários preocupam setor

    O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, alertou para quatro ameaças prioritárias no país: a vassoura de bruxa na mandioca, a influenza aviária, a mosca-da-carambola e a monilíase do cacaueiro.

    Segundo ele, todas exigem resposta imediata para evitar prejuízos maiores. Como exemplo, Goulart citou o recente foco da mosca-da-carambola em Manaus, cujo controle demandou um gasto emergencial de R$ 200 mil. Ele destacou que o investimento preventivo gera economia significativa: cada R$ 1 aplicado pode evitar até R$ 34 em custos futuros.

    Orçamento limitado e impacto econômico

    Em 2025, o orçamento da defesa agropecuária somou R$ 214 milhões, com execução superior a 95%. Apesar disso, especialistas apontam que o valor ainda não cobre todas as demandas, especialmente em situações emergenciais.

    O presidente da União Nacional dos Fiscais Agropecuários (Unafa), Diego do Amaral, destacou a insuficiência de recursos para ações nos estados. Ele lembrou o impacto da lagarta Helicoverpa armigera no oeste da Bahia, que causou prejuízo estimado em R$ 1,5 bilhão.

    Para o setor, a falta de previsibilidade orçamentária dificulta respostas rápidas e aumenta o risco de perdas permanentes na produção.

    Projeto busca impedir contingenciamento

    Os participantes da audiência defenderam a aprovação do PLP 95/24 como medida essencial para garantir estabilidade financeira à área.

    Deputado Márcio Honaiser (PDT-MA). Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

    Autor do requerimento do debate, o deputado Márcio Honaiser (PDT-MA) afirmou que a defesa agropecuária tem impacto direto na economia, na segurança alimentar e na imagem do Brasil no mercado internacional.

    O assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Ribeiro de Lima Filho, reforçou que a entidade defende anualmente o fim do contingenciamento tanto para a defesa agropecuária quanto para o seguro rural.

    Assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Ribeiro de Lima Filho. Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

    Segundo ele, a instabilidade nos recursos pode elevar gastos públicos no futuro, pressionar a inflação dos alimentos e afetar a balança comercial.

    Já o representante da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários, Ricardo Aurélio Pinto, defendeu a criação de verba obrigatória para fortalecer o planejamento e garantir o cumprimento de acordos internacionais.

    Ele afirmou que o Brasil precisa manter um sistema sanitário robusto e comparou a defesa agropecuária a uma questão de segurança nacional.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Luiz Nishimori é eleito para presidir a Comissão de Agricultura da Câmara

    Luiz Nishimori é eleito para presidir a Comissão de Agricultura da Câmara

    O deputado Luiz Nishimori (PSD-PR) foi eleito presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados para o ano legislativo de 2026.

    Nishimori destacou a sua afinidade com as pautas ligadas à agropecuária. “Meu compromisso e responsabilidade aumentam cada vez mais. Pode ter certeza do meu comprometimento com as pautas e que nós vamos juntos realizar um excelente trabalho por este setor de grande importância para o nosso país. Um segmento que literalmente sustenta as bases estruturais do nosso país”, disse.

    Perfil

    Luiz Nishimori está em seu quarto mandato como deputado federal. Anteriormente, foi deputado estadual no Paraná por duas legislaturas. Ele também preside o Grupo Parlamentar Brasil/Japão.

    Os presidentes das comissões foram definidos por acordo entre as lideranças partidárias. Os vice-presidentes das comissões ainda não foram eleitos.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Câmara aprova crédito para pesca artesanal e aquicultura familiar com juros reduzidos

    Câmara aprova crédito para pesca artesanal e aquicultura familiar com juros reduzidos

    Na beira do rio, o pescador artesanal faz conta no caderno antes de jogar a rede na água. O motor da embarcação está velho, o tanque de piscicultura precisa de reforma, e o crédito rural quase nunca conversa com a realidade dele. Essa cena, comum em comunidades pesqueiras pelo país, motivou um movimento em Brasília. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que cria uma linha especial de crédito rural para pesca artesanal e aquicultura familiar.

    Na prática, o texto abre uma porta de financiamento mais barata para pescadores artesanais e aquicultores familiares. A nova linha de crédito oferece recursos tanto para custeio do dia a dia da produção quanto para investimentos maiores, com juros menores e prazos mais folgados que os tradicionais. A ideia é tirar o setor da margem do sistema financeiro e colocá‑lo no mapa do crédito rural em condições menos sufocantes.

    Pelo projeto, o crédito de custeio pode chegar a até R$ 50 mil por beneficiario, com juros de 4% ao ano e prazo mínimo de oito anos. Nesse caso, o produtor poderá ter até três anos de carência antes de começar a quitar o financiamento.

    Quem poderá se beneficiar

    O projeto não abre para qualquer perfil. Apenas pescadores artesanais e aquicultores familiares com inscrição regular no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) terão acesso ao crédito. A exigência tenta equilibrar o jogo. De um lado, garantir que o dinheiro chegue mesmo a quem vive da pesca e da aquicultura em pequena escala. De outro, evitar desvio do benefício para grandes operadores que já navegam com mais facilidade no sistema financeiro.

    Na lista do que o pescador ou aquicultor pode comprar com o novo crédito cabem praticamente todos os equipamentos essenciais da atividade. Os recursos podem financiar embarcações, motores, redes, sistemas de aeração, tanques, fábrica de gelo, equipamentos de refrigeração e outros insumos ligados diretamente à pesca artesanal e à aquicultura familiar. É o tipo de investimento que, na prática, decide se o peixe chega fresco na banca da feira ou se perde no meio do caminho por falta de gelo e estrutura adequada.

    O texto aprovado na comissão não é exatamente o mesmo apresentado no início. Os deputados aprovaram um substitutivo do relator, deputado Messias Donato (Republicanos‑ES), ao Projeto de Lei 4643/24, de autoria do deputado Raimundo Costa (Pode‑BA). Donato mexeu em pontos centrais do projeto original. Entre as mudanças, tirou a vinculação da nova linha de crédito do Plano Safra 2024/2025 e redesenhou prazos e taxas de juros para tornar as operações mais atrativas.

    “Os ajustes buscam garantir condições favoráveis aos financiamentos pretendidos. E manter o interesse das instituições financeiras em operar a nova linha de crédito”, afirmou o relator, ao defender o texto. A fala revela uma preocupação dupla: aliviar a vida do pescador artesanal e, ao mesmo tempo, convencer os bancos de que vale a pena colocar dinheiro nesse segmento, frequentemente tratado como de alto risco.

    Recursos

    A engenharia financeira da proposta também vem desenhada no texto. A nova linha de crédito para pesca artesanal e aquicultura familiar terá apoio dos fundos constitucionais nas operações que usarem esses recursos. Já nas operações subvencionadas pela União, o governo federal pretende bancar o custo por meio da realocação de parte do dinheiro hoje usado para equalizar juros de outras modalidades de crédito rural. Em outras palavras, o projeto não cria, pelo menos no papel, uma despesa totalmente nova, mas reorganiza o que já existe.

    Apesar do avanço na Comissão de Agricultura, o caminho até virar lei ainda segue longo. A proposta ainda precisa passar pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Depois disso, o texto só ganha força de lei se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovarem a medida. Até lá, o pescador continua na expectativa. Torce para que, dessa vez, a linha de crédito saia do papel e chegue de verdade no cais, no viveiro escavado e na pequena fábrica de gelo da comunidade.