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  • Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

    Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

     O painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar” será realizado em 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O encontro será realizado no Nubank Parque, em São Paulo.

    Na ocasião, serão discutidas medidas capazes de ampliar a produção de alimentos e reduzir os riscos enfrentados por produtores e consumidores. Além disso, serão analisados temas como crédito, seguro rural, infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade, tecnologia e previsibilidade regulatória.

    Produção é pressionada

    A segurança alimentar passou a receber mais atenção no cenário internacional. Entre os fatores responsáveis estão o crescimento populacional, as mudanças climáticas e os conflitos geopolíticos.

    Além disso, a volatilidade dos mercados de commodities e a necessidade de aumento da produtividade também são apontadas como fontes de pressão sobre o setor agropecuário.

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá chegar a aproximadamente 9,7 bilhões em 2050.

    Ao mesmo tempo, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 estima que a produção agrícola e pesqueira mundial precisará crescer 13% na próxima década.

    Diante desse cenário, políticas públicas de longo prazo serão discutidas como instrumentos para melhorar as condições de produção, estimular investimentos e ampliar o acesso a tecnologias.

    Riscos serão debatidos

    Durante o painel, deverão ser avaliadas medidas voltadas à garantia de uma oferta mais regular de alimentos. Para isso, serão considerados mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.

    Entre os temas previstos, serão abordados:

    • acesso ao crédito
    • seguro rural
    • infraestrutura
    • comércio internacional
    • sustentabilidade
    • incorporação de tecnologias
    • previsibilidade regulatória

    Dessa forma, também deverão ser analisados os fatores que afetam a competitividade do produtor, o abastecimento e os preços dos alimentos.

    A participação de Roberto Rodrigues foi destacada por Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO:

    “É uma honra para o evento contar com a participação de uma das principais referências do agro brasileiro e uma voz fundamental no debate sobre o futuro da produção de alimentos, o ex-ministro Roberto Rodrigues,” ressalta Nastari.

    Programação terá três palcos

    O painel será integrado à programação do evento. Segundo a organização, mais de 35 painéis serão realizados, com a participação de mais de 100 palestrantes.

    As atividades serão distribuídas em três palcos simultâneos. Paralelamente, serão promovidas ações relacionadas à feira de negócios, à gastronomia e ao entretenimento.

    Em 2026, duas edições do evento serão realizadas no Brasil. A programação de São Paulo ocorrerá nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque.

  • China acelera compra de carne bovina da Argentina e já consome 50% da cota anual

    China acelera compra de carne bovina da Argentina e já consome 50% da cota anual

    A China atingiu um novo marco nas importações de carne bovina da Argentina. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o país asiático já utilizou 50% da cota de 511 mil toneladas destinada às compras sob o regime de salvaguarda. O volume divulgado nesta quarta-feira (5) não considera as cargas que ainda estão em trânsito, cuja viagem entre os dois países leva cerca de 45 dias.

    O avanço das aquisições evidencia que a demanda chinesa continua aquecida, mesmo diante das medidas adotadas por Pequim para controlar o ritmo das importações e fortalecer a produção doméstica.

    Cota anual é menor que a registrada em 2025

    O governo chinês estabeleceu para 2026 um limite de 2,69 milhões de toneladas de carne bovina importada. O volume é inferior às 2,80 milhões de toneladas adquiridas ao longo de 2025, indicando uma estratégia para reduzir a oferta externa e ampliar o espaço para os produtores locais.

    Apesar da limitação, os números mostram que as compras seguem em ritmo acelerado. Entre janeiro e junho de 2026, a China importou 1,53 milhão de toneladas de carne bovina, resultado 17,5% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

    Demanda chinesa impulsiona preços internacionais

    O forte interesse dos importadores chineses, aliado às restrições regulatórias impostas pelo governo, já começa a provocar reflexos no mercado internacional da carne bovina.

    De acordo com relatório do Rosgan, ligado à Bolsa de Comércio de Rosário, os preços da carne bovina nos portos argentinos apresentaram valorização entre US$ 200 e US$ 300 por tonelada nas últimas semanas.

    A alta demonstra que, mesmo com o controle sobre as importações, a necessidade de abastecimento do mercado chinês continua sustentando a valorização da proteína bovina exportada pela Argentina.

    Mercado segue atento aos próximos movimentos

    A evolução das compras chinesas deverá continuar sendo acompanhada de perto pelo mercado internacional, já que o país permanece como o principal destino das exportações globais de carne bovina.

    Caso a demanda permaneça elevada ao longo dos próximos meses, analistas avaliam que os preços internacionais poderão seguir pressionados, especialmente para fornecedores estratégicos como a Argentina, um dos principais parceiros comerciais da China no segmento.

  • Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    Governo endurece posição contra exigência da UE para exportação de carnes

    O Ministério da Agricultura endureceu o discurso contra a União Europeia e classificou como “inaceitável” a exigência de uma comprovação prévia do controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes. Em nota divulgada nesta quinta-feira (24), a Pasta também defendeu a permanência do Brasil na lista de países habilitados a exportar para o bloco europeu.

    Segundo o ministério, o reconhecimento do sistema sanitário brasileiro deve ser mantido, mesmo que parte da produção ainda precise de tempo para cumprir os novos requisitos exigidos pela União Europeia. Além disso, o governo afirmou que a implementação das medidas ocorre de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

    Ministério critica exigências europeias

    O Ministério da Agricultura afirmou que as relações sanitárias internacionais devem ser baseadas na confiança e na transparência entre as autoridades responsáveis pelos sistemas oficiais de fiscalização. Por isso, considerou inadequada a exigência de uma comprovação integral antes da conclusão do processo de adaptação.

    Recentemente, o governo passou a fiscalizar todo o ciclo de produção das diferentes cadeias pecuárias em relação ao uso de antimicrobianos. Na bovinocultura, por exemplo, a certificação de animais livres das substâncias proibidas pela União Europeia pode levar pelo menos dois anos. Já na avicultura, esse período é de aproximadamente 40 dias.

    “O Brasil defende a manutenção deste sistema e considera inaceitável a exigência de comprovação prévia da implementação integral de medidas cuja execução ocorre de forma progressiva ao longo dos ciclos produtivos”, afirmou o Ministério da Agricultura.

    Além disso, a Pasta destacou que os sistemas oficiais de fiscalização têm a responsabilidade de verificar o cumprimento das normas e certificar apenas os produtos que atendem integralmente às exigências sanitárias.

    “As relações sanitárias internacionais são estruturadas sobre um princípio fundamental: confiança e transparência entre autoridades competentes. O reconhecimento internacional dos sistemas oficiais de controle sanitário baseia-se na capacidade demonstrada pelo país de estabelecer normas, fiscalizar seu cumprimento, adotar medidas corretivas e certificar, com credibilidade, os produtos que atendem aos requisitos acordados bilateralmente”, informou a nota.

    Governo mantém diálogo técnico com o bloco

    Enquanto as negociações continuam, o Ministério da Agricultura informou que segue em tratativas técnicas com a União Europeia sobre os critérios sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

    Ao mesmo tempo, a Pasta reforçou que o Brasil não solicitou flexibilização das normas europeias. Pelo contrário, reafirmou o compromisso de atender integralmente às exigências impostas pelos mercados importadores.

    Representantes da indústria frigorífica e do setor pecuário avaliam que a posição do governo fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. Segundo fontes do setor, o país deve permanecer na lista de exportadores da União Europeia, mesmo que ainda não existam animais aptos para atender imediatamente aos novos critérios.

    Outro representante do setor disse que o governo adotou uma postura mais firme durante as negociações. Segundo ele, o Brasil não aceitará que a confiabilidade do sistema sanitário nacional seja colocada em dúvida.

    Permanência na lista não libera exportações automaticamente

    O Ministério da Agricultura esclareceu que integrar a lista de países autorizados não significa que todos os produtos brasileiros estejam automaticamente aptos para exportação.

    Na prática, esse reconhecimento demonstra que o país possui um sistema oficial considerado confiável para certificar apenas os produtos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pelo mercado europeu.

    Além disso, a Pasta explicou que a disponibilidade de produtos varia conforme o ciclo produtivo de cada cadeia. Portanto, o tempo necessário para atender às exigências pode ser diferente entre bovinos, aves e outras produções.

    Segundo o ministério, a credibilidade do sistema está justamente na capacidade de impedir a certificação de produtos que ainda não atendem às normas estabelecidas.

    Comissão Europeia retirou o Brasil da lista em maio

    Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão ocorreu após questionamentos sobre a comprovação do não uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas brasileiras.

    Depois do anúncio, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento dessas substâncias como forma de demonstrar o compromisso do Brasil com as exigências europeias. No entanto, estimativas do setor indicam que a medida poderia elevar os custos da pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, principalmente com alimentação e medicamentos.

    Exportações movimentam US$ 1,8 bilhão

    A União Europeia importou 128 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, volume que movimentou aproximadamente US$ 1 bilhão. Ao considerar todas as proteínas animais, o comércio entre Brasil e União Europeia alcançou US$ 1,8 bilhão no período.

    Além disso, o Ministério da Agricultura informou que já encaminhou à Comissão Europeia uma documentação técnica detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação adotados nas cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca.

    Segundo a Pasta, os documentos demonstram como o sistema brasileiro garante o cumprimento dos requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu. Entretanto, as autoridades da União Europeia ainda não apresentaram uma manifestação conclusiva sobre o material enviado.

    Por fim, o ministério reafirmou o compromisso do Brasil com o atendimento integral das exigências sanitárias internacionais. Também destacou que continuará mantendo diálogo técnico com a União Europeia com base na ciência, na transparência e na cooperação entre as autoridades competentes.

  • Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Apesar de a China ser o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, produtores e moradores da fronteira agrícola demonstram maior confiança nos Estados Unidos do que no país asiático.

    A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela FGV RI (Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas) em municípios da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil no fim de 2025.

    O levantamento revela uma diferença significativa entre dependência econômica e confiança política.

    Dependência comercial não significa confiança

    A China concentra atualmente cerca de 80% das exportações brasileiras de soja e 86% das vendas externas de carne bovina.

    Mesmo assim, os entrevistados demonstraram maior confiança nos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisa:

    21,8% consideram os EUA “muito confiáveis”;

    12,6% atribuem a mesma avaliação à China.

    A diferença supera nove pontos percentuais.

    O estudo também aponta que a confiança na China caiu quase 20 pontos percentuais em comparação com 2017, período em que as relações comerciais entre os dois países continuaram avançando.

    Segundo os pesquisadores, o resultado mostra que laços econômicos e alinhamentos políticos seguem caminhos distintos.

    “A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirmou Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores do estudo.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    União Europeia gera percepção dividida

    A pesquisa também avaliou como os entrevistados enxergam as exigências ambientais da União Europeia para produtos agrícolas.

    De um lado, 74,3% acreditam que atender às normas ambientais europeias fortalece a reputação internacional do Brasil.

    Por outro:

    66,9% afirmam que as exigências reduzem a competitividade dos produtos brasileiros;

    61,5% entendem que as regras atendem principalmente aos interesses econômicos da própria União Europeia.

    Segundo os pesquisadores, essas avaliações não são contraditórias.

    A interpretação é que o setor vê as exigências como uma condição necessária para manter acesso a um mercado estratégico, mesmo sem compartilhar integralmente os valores defendidos pelo bloco europeu.

    Fronteira agrícola tem perfil mais conservador

    O levantamento também traçou um panorama político dos moradores da região.

    De acordo com os dados:

    83,5% se identificam como de direita ou centro;

    16,5% se declaram de esquerda.

    A pesquisa aponta ainda que:

    55,9% acreditam que o governo interfere excessivamente na vida das pessoas;

    64,3% avaliam que a regulação estatal gera mais efeitos negativos do que positivos para os negócios.

    Segundo os autores, essas percepções influenciam a forma como a população da fronteira agrícola avalia parceiros internacionais como Estados Unidos, China e União Europeia.

    Peso político do agro pode crescer

    O estudo destaca ainda o aumento da relevância eleitoral da fronteira agrícola brasileira.

    Os estados que compõem essa região representam aproximadamente 15% do eleitorado nacional.

    Para os pesquisadores, esse crescimento pode ampliar a influência das preferências regionais nos debates sobre política externa e nas relações do Brasil com Washington, Pequim e Bruxelas.

    “Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, concluiu Matias Spektor.

    Leia mais: Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

  • Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo brasileiro enviará aos EUA os dados mais recentes sobre a redução do desmatamento no país. A medida ocorre em meio às discussões envolvendo uma possível ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

    Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, Lula disse que as informações serão encaminhadas ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

    Segundo o presidente, o governo pretende apresentar os avanços ambientais alcançados pelo Brasil para contestar argumentos utilizados por autoridades americanas ao defenderem medidas tarifárias contra o país.

    “Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, declarou.

    Além disso, Lula afirmou que o governo fará comparações entre os indicadores ambientais brasileiros e os resultados registrados pelos Estados Unidos.

    “Agora é a hora da comparação. Eles mentiram na primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit muito alto em 15 anos”, pontuou.

    “É muito mais barato a gente trabalhar para evitar o desmatamento”, afirma o presidente — Foto: Ricardo Stuckert/PR

    Dados ambientais

    De acordo com o presidente, parte das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil estaria baseada no desconhecimento das políticas implementadas para combater o desmatamento.

    O tema ganhou ainda mais relevância após o governo americano recomendar, na semana passada, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida com base em investigações conduzidas pela Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

    Entre os pontos analisados pelo órgão estão questões relacionadas ao desmatamento, ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao comércio popular da Rua 25 de Março.

    Na quarta-feira (10), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, Lula voltou a criticar as medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump e questionou as críticas feitas ao desempenho ambiental brasileiro.

    “Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores [dos EUA] têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por causa do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, afirmou durante discurso.

    Desmatamento em queda

    Segundo um levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento registrou queda tanto no Cerrado quanto na Amazônia em maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

    No Cerrado, a redução foi de 12,2%. Já na Amazônia, a retração alcançou 61,4%.

    Lula classificou os números como um resultado “extraordinariamente positivo” e destacou a importância da cooperação entre governos federal, estaduais e municipais. Além disso, defendeu o fortalecimento da estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

    Ministério do Meio Ambiente descarta motivação política

    O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a divulgação dos indicadores ambientais não teve o objetivo de responder diretamente ao governo americano.

    Segundo ele, a publicação dos dados segue uma política de transparência adotada pelo Brasil há anos.

    Ao comentar os resultados, entretanto, o ministro afirmou que a redução do desmatamento enfraquece as acusações feitas pelos americanos.

    “Põe por terra definitivamente a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos”, declarou, ao se referir ao uso da questão ambiental como justificativa para a adoção de tarifas.

    Capobianco também rebateu críticas relacionadas à exportação de madeira brasileira. De acordo com o ministro, toda a madeira destinada ao mercado externo passa por sistemas de monitoramento.

    “O Brasil não está promovendo desmatamento ilegal; Brasil não está exportando madeira ilegal”, afirmou.


    A rastreabilidade da madeira é uma exigência crescente dos mercados internacionais e tem ganhado importância nas exportações brasileiras — Foto: Ibama

    Dados devem subsidiar negociações comerciais

    As informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente poderão servir como base técnica para as negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com autoridades norte-americanas.

    Com isso, o governo espera utilizar os resultados ambientais mais recentes como argumento para fortalecer a posição brasileira nas discussões comerciais e reduzir pressões sobre as exportações do país, especialmente de setores ligados ao agronegócio, à bioenergia e às commodities agrícolas.

  • Saiba como o acordo EUA-China abre oportunidades ao agronegócio brasileiro

    Saiba como o acordo EUA-China abre oportunidades ao agronegócio brasileiro

    O recente acordo entre Washington e Pequim, pelo qual a China se compromete a ampliar a compra de produtos agrícolas norte-americanos, pode abrir uma janela estratégica para o Brasil. Especialistas do setor avaliaram, na segunda-feira (18), que, à medida que os EUA concentram suas exportações no principal parceiro comercial brasileiro, o Brasil tende a ocupar os espaços deixados em outros mercados.

    Ainda que as estimativas sobre o impacto direto no agronegócio nacional sejam consideradas prematuras, a competitividade estrutural do país coloca o Brasil em posição favorável para avançar sobre novas frentes comerciais.

    Os números reforçam esse cenário: em 2025, o Brasil exportou US$ 55,22 bilhões em produtos agrícolas para a China, o equivalente a cerca de um terço de todas as vendas externas do setor. A soja liderou com folga, movimentando US$ 34,5 bilhões, enquanto a carne bovina somou US$ 9,82 bilhões.

    Além disso, a Stag International aponta que, se a Casa Branca confirmar compras adicionais chinesas de 25 milhões de toneladas métricas de soja norte-americana, o Brasil provavelmente redirecionará seus fluxos comerciais para suprir compradores fora da China. Com uma safra recorde projetada em mais de 180 milhões de toneladas para 2026, o país reúne condições concretas para sustentar essa expansão.

    Carne bovina: O Brasil pode ganhar até no mercado americano

    Por outro lado, o cenário também reserva uma oportunidade menos óbvia, e ainda mais relevante. Se os EUA direcionarem mais carne bovina à China para cumprir o acordo, o país norte-americano enfrentará uma oferta interna ainda mais apertada. Nesse contexto, o Brasil poderia ampliar suas exportações de carne justamente para os Estados Unidos.

    Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo, explica que a renovação das licenças de plantas norte-americanas pela China, confirmada pela alfândega chinesa após a cúpula Trump-Xi em Pequim, que reativou mais de 400 autorizações vencidas, pode reacender o interesse americano em reconquistar fatia no mercado chinês.

    Contudo, Mustefaga lembra que tanto os EUA quanto o Brasil operam sob cotas de exportação impostas pelas salvaguardas chinesas, o que deve conter qualquer expansão abrupta das vendas norte-americanas a Pequim e, portanto, manter abertas as oportunidades para o Brasil em ambas as direções.

  • Brasil bate recorde histórico com US$ 348,7 bilhões em exportações em 2025

    Brasil bate recorde histórico com US$ 348,7 bilhões em exportações em 2025

    O Brasil registrou exportações recordes de US$ 348,7 bilhões em 2025, superando em US$ 9 bilhões a marca anterior de 2023. A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgou os dados nesta terça-feira (6/1), consolidando os três últimos anos como os melhores da história da balança comercial brasileira.

    As exportações cresceram 3,5% em valor e 5,7% em volume comparado a 2024. O crescimento volumétrico supera em mais do dobro a previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC) para o comércio global em 2025, estimada em 2,4%.

    Mais de 40 mercados batem recordes de compras

    O país conquistou novos patamares em mais de 40 mercados internacionais, incluindo Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega.

    “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirma o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin. “O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil (NIB) e com o Plano Brasil Soberano”.

    Importações e corrente de comércio alcançam recordes históricos

    As importações atingiram US$ 280,4 bilhões em 2025, valor 6,7% superior ao ano anterior e quase US$ 8 bilhões acima do recorde de 2022. A corrente de comércio somou US$ 629,1 bilhões, o maior patamar da série histórica, com crescimento de 4,9% sobre 2024.

    O superávit comercial fechou em US$ 68,3 bilhões, terceiro maior da história, ficando atrás apenas dos resultados de 2023 e 2024.

    O último mês do ano trouxe exportações recordes de US$ 31 bilhões, crescimento de 24,7% em relação a dezembro de 2024. As importações somaram US$ 21,4 bilhões (+5,7%), gerando saldo de US$ 9,6 bilhões (+107,8%), também recorde para o mês. A corrente de comércio alcançou US$ 52,4 bilhões (+16,2%).

    Indústria de transformação lidera com US$ 189 bilhões

    A indústria de transformação cresceu 3,8% em valor e registrou aumento de 6% em volume, atingindo o montante recorde de US$ 189 bilhões. O setor estabeleceu recordes nas exportações de diversos produtos:

    • Carne bovina: US$ 16,6 bilhões
    • Carne suína: US$ 3,4 bilhões
    • Alumina: US$ 3,4 bilhões
    • Veículos para transporte de mercadorias: US$ 3,1 bilhões
    • Caminhões: US$ 1,8 bilhões
    • Café torrado: US$ 1,2 bilhões

    A indústria extrativa aumentou 8% o volume exportado. Minério de ferro (416 milhões de toneladas) e petróleo (98 milhões de toneladas) bateram recordes de embarque.

    Agronegócio mantém força nas exportações

    Os bens agropecuários cresceram 3,4% em volume e 7,1% em valor. O café verde alcançou valor recorde de US$ 14,9 bilhões, enquanto a soja registrou volume histórico de 108 milhões de toneladas. O algodão em bruto também estabeleceu marca com 3 milhões de toneladas exportadas.

    As exportações para a China cresceram 6% e atingiram US$ 100 bilhões, impulsionadas por soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa. A União Europeia registrou crescimento de 3,2%, com destaque para café, carne bovina, minério de cobre, milho e aeronaves.

    A Argentina apresentou salto de 31,4% nas compras de produtos brasileiros, puxado pelo setor automotivo.

    Estados Unidos reduzem compras em 6,6%

    As exportações para os Estados Unidos caíram 6,6% no ano, concentrando a redução entre agosto e dezembro. O governo norte-americano impôs tarifas sobre parte dos produtos brasileiros, gerando a maior queda em outubro (-35,4%). Dezembro mostrou recuperação, com redução de apenas 7,2% e embarques de US$ 3,4 bilhões.

    Nas importações, os bens de capital registraram o maior aumento (+23,7%), seguidos por bens intermediários (+5,9%) e bens de consumo (+5,7%). As importações de combustíveis recuaram 8,6%.

    O Brasil aumentou as compras originárias da China (11,5%), Estados Unidos (11,3%) e União Europeia (6,4%). A importação de produtos argentinos recuou 4,7%.

  • Brasil amplia presença na Ásia com gergelim e feijão-mungo

    Brasil amplia presença na Ásia com gergelim e feijão-mungo

    O crescimento das exportações de gergelim e feijão-mungo recolocou o Brasil no centro da estratégia de abastecimento asiática e abriu espaço para um novo ciclo de negócios no agronegócio. Dados do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE) mostram que, até setembro de 2025, o País embarcou 349,6 mil toneladas de gergelim e 171 mil toneladas de feijão-mungo, avanços que superaram 60% em relação ao mês anterior e consolidaram uma rota comercial em expansão.

    Esse movimento está ligado à combinação entre tecnologia de produção, rastreabilidade e maior demanda do mercado asiático por alimentos com origem comprovada.

    A ampliação de estabelecimentos brasileiros habilitados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reforça esse cenário: já são 61 plantas autorizadas a exportar gergelim para a China, responsável por cerca de 38% do consumo mundial do produto.

    Para entender o impacto desse reposicionamento e os próximos passos do setor, o Portal Agro em Campo conversou com Daniel Pinheiro Barbosa, CEO da FEX Agro, empresa que atua no mercado de insumos e comercialização de grãos.

    A seguir, ele explica como o Brasil se tornou um parceiro de confiança da Ásia e por que culturas antes secundárias agora ganham protagonismo.

    “O Brasil deixou de ser apenas fornecedor e passou a ser parceiro estratégico”

    Como o senhor avalia o aumento das exportações de gergelim e feijão-mungo registradas em 2025?

    Esse crescimento mostra que o Brasil entrou em uma nova fase. Essas culturas tinham participação pequena na pauta exportadora e, de repente, passaram a conectar o produtor ao mercado asiático de forma muito mais direta. Quando o IBRAFE aponta um salto de mais de 60% em um único mês, isso revela um nível de confiança que não existia antes.

    Daniel Pinheiro Barbosa, CEO da Fex Agro – Arquivo Pessoal

    O que explica esse avanço tão rápido?

    Há dois fatores. Primeiro, a demanda asiática está mais sofisticada. O consumidor quer saber origem, manejo, sustentabilidade e estabilidade de fornecimento. Segundo, o Brasil tem capacidade de entregar isso. Produzimos com tecnologia, possuímos áreas adaptadas ao cultivo e garantimos volume com regularidade. Esse conjunto cria vantagem competitiva.

    Como a habilitação de 61 estabelecimentos para exportar gergelim à China impacta o setor?

    Essa habilitação é um marco. A China responde por quase 40% do consumo global e, para acessar esse mercado, é preciso ter credibilidade sanitária e institucional. Quando o MAPA amplia as plantas autorizadas, envia um recado claro: o Brasil é confiável e está alinhado aos padrões internacionais.

    Rastreabilidade e governança puxam novo ciclo de confiança

    A Fex Agro adotou a rastreabilidade como base do modelo operacional. Por quê?

    Porque a Ásia valoriza segurança alimentar. Quando apresentamos origem, lote, análise, histórico do produtor e logística, mostramos respeito pelo comprador. A rastreabilidade virou a nova moeda de confiança. Ela reduz ruído, diminui risco e fortalece relações de longo prazo.

    Os produtores estão preparados para essa nova exigência?

    Sim. O produtor brasileiro é tecnificado e sabe que rastreabilidade não é obstáculo — é ferramenta comercial. Muitos já entenderam que quem entrega transparência se posiciona melhor no mercado internacional.

    O gergelim e o feijão-mungo podem se tornar culturas permanentes no calendário nacional?

    Com certeza. São culturas eficientes, rentáveis e bem adaptadas ao clima. Além disso, dialogam com janelas estratégicas de plantio no Centro-Oeste, o que ajuda a melhorar a renda e distribuir melhor o uso do solo.

    “A Ásia já não vê o Brasil apenas como vendedor, mas como parceiro”

    Como o senhor enxerga essa relação nos próximos anos?

    Vejo como uma parceria madura. A Ásia não está buscando apenas toneladas. Ela busca previsibilidade, segurança e compromisso ambiental. O Brasil tem capacidade de entregar tudo isso — e tem feito isso cada vez melhor. Por isso o relacionamento evoluiu: deixou de ser transacional e se tornou estratégico.

    O que ainda falta para consolidar essa posição?

    Continuar investindo em governança, comunicação e coordenação da cadeia produtiva. Cada grão exportado carrega a reputação do País. Quando mantemos padrão, mostramos que somos mais do que um celeiro mundial: somos guardiões da segurança alimentar global.

  • Brasil é berço de fungo que ameaça sapos e rãs no mundo

    Brasil é berço de fungo que ameaça sapos e rãs no mundo

    A história começa bem antes do que imaginávamos. Enquanto cientistas ao redor do mundo tentavam entender porque populações inteiras de sapos, rãs e pererecas estavam desaparecendo, a resposta estava escondida em museus brasileiros desde 1916. Um fungo microscópico, silencioso e letal, já habitava nosso território décadas antes de se tornar uma ameaça global.

    O vilão da história tem nome científico complicado: Batrachochytrium dendrobatidis, chamado simplesmente de Bd pelos pesquisadores. Esse fungo quitrídio causa uma doença devastadora chamada quitridiomicose, que já levou ao declínio de pelo menos 500 espécies de anfíbios anuros ao redor do planeta.

    Mas não é qualquer linhagem do fungo que está no centro desta descoberta. É especificamente a Bd-Brazil, uma variante genética que, como o nome sugere, nasceu aqui. E um estudo publicado recentemente na revista Biological Conservation finalmente comprova o que pesquisadores brasileiros suspeitavam há anos: essa linhagem se originou mesmo no Brasil e se espalhou para o mundo todo.

    A polêmica sobre a origem do fungo

    A jornada para confirmar a origem brasileira da linhagem não foi simples. Em 2012, quando os cientistas identificaram essa variante pela primeira vez no país, batizaram ela de Bd-Brazil. Parecia óbvio, certo? Nem tanto.

    Em 2018, um artigo na prestigiada revista Science contestou essa origem. Os autores argumentaram que a linhagem poderia ter vindo da Península Coreana, propondo até renomear o genótipo como Bd-Asia-2/Bd-Brazil. Foi uma reviravolta que colocou em xeque a hipótese brasileira.

    Mas os pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) não desistiram. Liderados por Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia, e com trabalho de doutorado de Luisa P. Ribeiro, a equipe reuniu evidências de múltiplas fontes para resolver essa controvérsia de uma vez por todas.

    “Esse genótipo tem alta prevalência em diferentes espécies nativas do Brasil, com registros muito antigos”, explica Ribeiro, primeira autora do estudo apoiado pela FAPESP. “Quando olhamos em outros lugares, os registros são bem mais recentes e ocorrem apenas em rãs-touro e outras espécies exóticas.”

    O trabalho de detetive científico

    Para provar que a Bd-Brazil realmente se originou aqui, os pesquisadores viraram verdadeiros detetives. Eles cruzaram dados de várias fontes: literatura científica antiga, amostras de anfíbios preservados em museus desde o século 19, análises genéticas de rãs criadas em ranários brasileiros e investigações sobre o comércio internacional de carne de rã.

    Colaboradores estrangeiros examinaram nada menos que 2.280 espécimes de anfíbios coletados entre 1815 e 2014, guardados em museus de zoologia ao redor do mundo. Quarenta deles testaram positivo para o Bd.

    Microscopia do fungo quitrídio Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), agente causador da quitridiomicose, mostra zoosporângios e zoósporos responsáveis pela infecção em anfíbios. Foto: Mariana Pontes/Fapesp/LEAD Technologies Inc. V1.01

    O registro mais antigo de infecção? Um sapo da espécie Alytes obstetricans, coletado em 1915 nos Pireneus franceses. Mas o segundo mais antigo veio de um sapo brasileiro da espécie Megaelosia goeldii, presente no Rio de Janeiro, coletado em 1964.

    Aqui está o detalhe crucial: a Bd-Brazil já estava presente no Brasil em 1916, duas décadas antes das primeiras rãs-touro norte-americanas chegarem ao país. Isso já tinha sido indicado em um artigo de 2014 na Molecular Ecology, mas agora as evidências ficaram ainda mais robustas.

    As rãs-touro: vetores involuntários da tragédia

    Se o fungo é brasileiro, como ele se espalhou pelo mundo? A resposta está nos ranários e no apetite global por carne de rã.

    A rã-touro (Aquarana catesbeiana), espécie norte-americana, foi introduzida no Brasil pela primeira vez em 1935. Uma segunda população chegou nos anos 1970. Os criadores brasileiros descobriram que esse animal de grande porte e carne saborosa era perfeito para a aquicultura comercial.

    O problema é que as rãs-touro criadas em ranários brasileiros carregavam a Bd-Brazil. E quando essas rãs começaram a ser exportadas para diversos países, levaram o fungo junto.

    Os pesquisadores analisaram impressionantes 3.617 rotas do comércio internacional de carne de rã, envolvendo 48 países. Apenas 12 foram identificados como exportadores, 21 como importadores e 15 faziam os dois papéis.

    Ranário brasileiro dedicado à criação de rãs-touro (Aquarana catesbeiana). Uso de água do entorno sem tratamento e alta densidade de animais podem contribuir para infecção por fungo presente no ambiente. Foto: Luisa Ribeiro

    O Brasil exportou diretamente para os Estados Unidos entre 1991 e 2009. Os americanos, por sua vez, exportaram para a Coreia do Sul em 2004 e 2008. A linhagem foi detectada em todos esses países, mas sempre em datas posteriores à sua presença confirmada no Brasil.

    “Não poderíamos identificar exatamente a linhagem em uma grande amostra de anfíbios depositados em museus, uma vez que a conservação nem sempre é a desejável para manter essa informação”, reconhece Toledo. “Por isso, identificamos apenas presença ou ausência do fungo nesses indivíduos e buscamos outras evidências que pudessem indicar ou não a origem brasileira.”

    Por que isso importa?

    A Bd-Brazil é prevalente no Brasil, com mais da metade das ocorrências em alguns ranários. Paradoxalmente, ela é menos virulenta que outras linhagens, como a Bd-GPL, provavelmente originária da Ásia.

    Aqui no Brasil, o fungo está presente tanto em criações comerciais quanto na natureza. Algumas espécies nativas até carregam o patógeno sem desenvolver a doença. Mas quando exportado para outros ecossistemas, o fungo encontra anfíbios sem defesas evolutivas contra ele.

    O resultado? Declínio catastrófico de populações em diversos países.

    Ribeiro, que atualmente realiza pós-doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressalta a importância da descoberta: “Mesmo sem sabermos a linhagem em todos os casos, encontramos registros mais antigos do que os reportados anteriormente na literatura e apresentamos uma revisão de registros históricos de Bd no mundo.”

    O alerta dos cientistas

    O estudo, que integra o projeto “Da história natural à conservação dos anfíbios brasileiros”, traz um recado urgente para autoridades sanitárias e ambientais globalmente.

    Os autores ressaltam a necessidade urgente de medidas de prevenção robustas: controles rígidos de importação, triagem sistemática de patógenos em animais comercializados e protocolos rigorosos de quarentena. Tudo isso com regulamentação e monitoramento em escala global para salvaguardar as espécies nativas.

    A descoberta também levanta questões sobre nossa responsabilidade. Se um patógeno brasileiro se espalhou pelo mundo através do comércio, que outros riscos invisíveis podem estar viajando nas cargas de animais vivos que cruzam fronteiras diariamente?

    Por enquanto, os cientistas conseguiram resolver um mistério de décadas. A Bd-Brazil nasceu aqui, cresceu aqui, e daqui partiu para se tornar uma ameaça global aos anfíbios. Resta agora usar esse conhecimento para proteger as espécies que ainda restam.

    Sobre a pesquisa: O estudo “Origin and global spread of an endemic chytrid fungus lineage linked to the bullfrog trade” foi publicado na revista Biological Conservation com apoio da FAPESP. O trabalho contou com colaboração internacional e analisou milhares de espécimes preservados em museus ao redor do mundo.

    André Julião | Agência FAPESP

  • Exportações chinesas crescem 8,3% em setembro apesar de tarifas dos EUA

    Exportações chinesas crescem 8,3% em setembro apesar de tarifas dos EUA

    As exportações da China registraram crescimento de 8,3% em setembro de 2025, superando as expectativas do mercado e fortalecendo a posição do presidente Xi Jinping na disputa comercial com os Estados Unidos. O resultado representa o ritmo mais acelerado de crescimento em seis meses.

    De acordo com dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas nesta segunda-feira, as vendas ao exterior atingiram US$ 328,6 bilhões — o maior volume mensal de 2025. O desempenho ficou acima da projeção mediana de 6,6% estimada por economistas consultados pela Bloomberg.

    Os números demonstram resiliência da economia chinesa mesmo diante do tarifaço dos Estados Unidos, que mantém taxas elevadas sobre produtos do país asiático.

    Queda nas vendas para os EUA é compensada por outros mercados

    Embora os embarques para território americano tenham despencado 27% — marcando o sexto mês consecutivo de quedas superiores a dois dígitos —, a China conseguiu compensar essa retração através da diversificação de destinos.

    As exportações para mercados fora dos Estados Unidos avançaram 14,8%, o maior crescimento desde março de 2023. A estratégia de buscar parceiros comerciais alternativos tem se mostrado eficaz para manter o fluxo de produtos chineses.

    União Europeia lidera crescimento das exportações

    Entre os destaques, as vendas para a União Europeia cresceram mais de 14%, representando o maior aumento em três anos. Outros mercados também apresentaram expansão significativa:

    • África: alta de 56%, o ritmo mais rápido desde fevereiro de 2021
    • América Latina: crescimento de 15,2%, revertendo quedas anteriores
    • Sudeste Asiático: avanço de quase 16%
    • Vietnã: aumento de 25% nas importações de produtos chineses

    “As exportações da China permaneceram resilientes apesar das tarifas americanas, graças à diversificação de mercados e à forte competitividade”, afirmou Michelle Lam, economista para a Grande China do Societe Generale SA.

    Vietnã como centro de redirecionamento comercial

    A Capital Economics identificou o Vietnã como “principal centro de redirecionamento” de produtos chineses. Analistas apontam que empresas têm utilizado o país do Sudeste Asiático como rota alternativa para fazer produtos chegarem indiretamente ao mercado americano.

    As importações chinesas também surpreenderam positivamente, com alta de 7,4% em setembro, impulsionadas por compras do Japão, Coreia do Sul, Países Baixos e Taiwan.

    Com o forte desempenho tanto nas exportações quanto nas importações, o superávit comercial da China atingiu US$ 90,5 bilhões, crescimento de quase 11% na comparação anual.

    O superávit com os Estados Unidos chegou a aproximadamente US$ 23 bilhões — uma alta em relação a agosto, mesmo com a China reduzindo compras de produtos americanos como soja.

    Tensões comerciais entre China e EUA persistem

    As relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo continuam tensas. Na semana passada, a China anunciou controles globais de exportação sobre minerais de terras raras, levando Donald Trump a ameaçar cancelar reunião com Xi Jinping, a primeira em seis anos.

    O presidente americano também anunciou planos para impor tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, além de restrições a softwares críticos.

    Posteriormente, o governo Trump sinalizou abertura para acordo, embora tenha alertado que os controles de exportação chineses representam obstáculo às negociações.

    Próxima rodada de negociações prevista

    O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que uma nova rodada de negociações ocorrerá em Frankfurt, na Alemanha, antes de 10 de novembro — data de expiração da trégua tarifária atual.

    Segundo a Bloomberg Economics, tarifas de 100% elevariam as taxas efetivas sobre produtos chineses para cerca de 140%, nível que praticamente paralisaria o comércio bilateral.

    Os bons resultados nas exportações trazem alívio para a economia doméstica chinesa, que enfrenta deflação e dificuldades no setor imobiliário.

    A China deve divulgar os dados do terceiro trimestre no dia 20. Apesar da expectativa de desaceleração, o país segue no caminho para atingir a meta oficial de crescimento de 5% em 2025.

    “O ambiente externo atual continua sombrio e complexo. O comércio exterior enfrenta incertezas e dificuldades crescentes”, alertou Wang Jun, vice-chefe da autoridade alfandegária em Pequim.

    Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING Bank NV, observa que a exposição limitada ao mercado americano em setores de alto crescimento — como baterias de lítio, navios e veículos elétricos — deve facilitar para Pequim conter novas disrupções comerciais.

    “Até agora neste ano, a China tem mostrado que, embora não deseje uma guerra comercial, está disposta a revidar conforme necessário diante de escaladas. A resiliência das exportações provavelmente reforçará a confiança nessa abordagem”, concluiu Song.