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  • Urucum: como o Brasil lidera a produção mundial

    Urucum: como o Brasil lidera a produção mundial

    Urucum! Esse nome é conhecido pela maioria dos brasileiros por causa do colorau, ingrediente na cozinha, ou pelas brincadeiras de criança. Mas o papel dessa planta vai muito além do tempero caseiro ou das boas memórias. Da semente é extraída a bixina, pigmento natural usado pela indústria para colorir queijos, embutidos, doces, bebidas e sorvetes, além de aplicações em cosméticos.

    Brasil lidera a produção mundial

    O país é o maior produtor global de urucum, respondendo por cerca de 57% da produção mundial. Segundo dados do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), com base em levantamento do IBGE referente a 2020, o Brasil colheu aproximadamente 13,6 mil toneladas de sementes naquele ano.

    Em território nacional, São Paulo concentra a principal região produtora, com destaque para a Nova Alta Paulista, onde a cultura tem papel relevante na economia agrícola local.

    Safra, preço e manejo

    A safra principal do urucum ocorre entre junho e agosto. Segundo levantamento mais recente disponível junto a produtores, o valor pago pela saca gira em torno de R$ 12,50 a R$ 13,00 por quilo de sementes.

    O urucum é rico em antioxidantes, além de possuir propriedades anti-inflamatórias e protetoras contra raios solares

    Pontos de manejo relevantes:

    Algumas variedades, como o urucum-anão, podem gerar uma segunda safra entre dezembro e março, dependendo da época de plantio e do manejo adotado.

    Por ser uma cultura perene, o estabelecimento da lavoura exige planejamento de médio prazo.

    A recomendação técnica é plantar as mudas entre a primavera e o verão, aproveitando o período de chuvas para o desenvolvimento inicial das plantas.

    Embora seja uma espécie nativa da Amazônia, o urucum se adaptou bem às condições de cultivo em diferentes regiões do país, especialmente em São Paulo.

    Pesquisa busca variedades mais produtivas

    O avanço da cultura no Brasil tem apoio direto de pesquisa científica. Desde a década de 1980, o Instituto Agronômico (IAC-APTA) trabalha no melhoramento genético do urucum, buscando plantas com maior produtividade e teor de bixina nas sementes.

    Segundo a pesquisadora Eliane Fabri, do IAC, o desafio central da pesquisa é reunir essas características em uma única variedade:

    “A maior demanda dos produtores é obter plantas que combinem porte baixo, alta produtividade e elevado teor de bixina. Esse continua sendo o principal foco do nosso trabalho.”

    Além do melhoramento genético, o instituto também estuda manejo, espaçamento entre plantas e adaptação da cultura a diferentes regiões produtoras.

    Maior banco genético de urucum do mundo

    O IAC mantém o maior banco de germoplasma de urucum do planeta, com 378 genótipos catalogados. Esse acervo é a base para o desenvolvimento de novas cultivares mais produtivas e resistentes, sustentando a liderança brasileira na produção da cultura nos próximos anos.

  • Como uma semente amazônica se tornou o corante natural mais usado do mundo

    Como uma semente amazônica se tornou o corante natural mais usado do mundo

    Você provavelmente já temperou um frango ou deu mais cor ao arroz com colorau. Mas poucas pessoas sabem que esse ingrediente tão presente na cozinha brasileira vem de uma planta nativa da Amazônia com aplicações muito além da mesa: o urucum.

    Foto: Instituto Agronômico (IAC-APTA)

    O urucum é a matéria-prima do colorífico, nome técnico do condimento conhecido como colorau. A planta fornece a bixina, um pigmento vermelho que hoje ocupa o posto de corante natural mais utilizado pela indústria de alimentos.

    Queijos, salsichas, linguiças, balas, doces, sorvetes e bebidas ganham a coloração característica graças às sementes dessa planta. A indústria também emprega a bixina na fabricação de vernizes, batons, blushes e outros produtos.

    Safra aquece a economia rural

    A safra principal do urucum ocorre entre junho e agosto, período em que o produtor rural recebe atualmente entre R$ 12,50 e R$ 13,00 por quilo de sementes. Algumas variedades, como o urucum-anão, ainda permitem uma segunda colheita entre dezembro e março, dependendo da época de plantio e do manejo da lavoura.

    A pesquisadora Eliane Fabri, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destaca que o cultivo exige planejamento desde o início. “O urucum é uma planta perene. E a recomendação é que o plantio das mudas seja realizado entre a primavera e o verão, durante o período chuvoso. Dessa forma, a lavoura se estabelece naturalmente, sem necessidade de irrigação no momento do plantio”, explica.

    Embora tenha origem na região Amazônica, o urucum se adaptou muito bem ao clima paulista. Hoje, São Paulo ocupa a liderança da produção nacional, e o Brasil lidera a produção mundial da cultura. A Nova Alta Paulista concentra a principal região produtora do estado, entre os municípios de Tupã e Panorama. Com destaque para São João do Pau D’Alho, Monte Castelo, Tupi Paulista e Irapuru, cidades onde a cultura movimenta boa parte da economia agrícola local.

    A ciência por trás do corante

    Antes de chegar às indústrias e aos supermercados, o urucum passa pelo trabalho silencioso da pesquisa científica. O IAC pesquisa a cultura desde a década de 1980, e dez anos depois o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA) passou a atuar para ampliar as aplicações da matéria-prima e aprimorar a qualidade, a segurança e a sustentabilidade dos produtos derivados.

    O IAC mantém hoje o maior banco de germoplasma de urucum do mundo, com 378 genótipos cadastrados. Um patrimônio genético fundamental para o desenvolvimento de novas variedades. Já o pesquisador Paulo Carvalho, do ITAL, assina dois livros trilíngues dedicados à cultura. Urucum: uma semente com a história do Brasil, referência nacional e internacional sobre os aspectos históricos, agronômicos e tecnológicos da planta, e Urucum: Além do poder corante, que aprofunda os efeitos fitoterápicos da espécie.

    Os pesquisadores do IAC selecionam plantas capazes de produzir mais sementes, com maiores concentrações de bixina e maior resistência a doenças que afetam a cultura, especialmente o oídio. A equipe também investiga o espaçamento entre plantas, o manejo da lavoura, a adaptação de novos materiais às diferentes regiões produtoras e aspectos básicos da genética e da botânica da espécie. No ITAL, os cientistas concentram esforços na otimização de processos industriais e no desenvolvimento de novas tecnologias, como o fracionamento do óleo de urucum para separar frações fitoterápicas.

    Além da cor: potencial farmacêutico

    O trabalho técnico da APTA já identificou no urucum compostos bioativos como tocotrienóis e geranilgeraniol, substâncias de interesse para as áreas farmacêutica e de saúde. Programas de seleção genética hoje buscam aumentar a concentração desses compostos nas plantas, ampliando o potencial da cultura para muito além da produção de corante.

    Para Eliane Fabri, a pesquisa ainda tem muito caminho pela frente. “A maior demanda dos produtores é obter plantas que combinem porte baixo, alta produtividade e elevado teor de bixina. Esse continua sendo o principal foco do nosso trabalho, sem deixar de lado as pesquisas básicas, fundamentais para compreender melhor a planta e permitir novos avanços no melhoramento genético”, detalha.