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  • Inseto usa “perfume de flor” para enganar abelhas e roubar colmeias

    Inseto usa “perfume de flor” para enganar abelhas e roubar colmeias

    Uma estratégia incomum da natureza tem chamado a atenção de pesquisadores nos últimos anos. Uma larva parasita desenvolveu a capacidade de imitar o cheiro de flores e, dessa forma, consegue atrair abelhas e facilitar sua entrada nas colmeias.

    Esse comportamento, por sua vez, permite que o inseto explore diretamente os recursos produzidos pelas abelhas. Assim, ele aumenta suas chances de sobrevivência ao se aproveitar de um ambiente protegido e rico em alimento.

    Engano começa pelo cheiro

    Diferente de outras formas de camuflagem, a larva não depende da aparência para enganar suas presas. Em vez disso, ela produz compostos químicos semelhantes aos liberados por flores.

    Como resultado, as abelhas, que utilizam o olfato como principal ferramenta para localizar alimento, acabam sendo facilmente atraídas. Ao identificar o odor, elas se aproximam acreditando que encontraram uma fonte de néctar.

    Dessa maneira, o inseto transforma um comportamento natural das abelhas em uma oportunidade de aproximação.

    Entrada na colmeia facilita ação do parasita

    A partir desse contato inicial, a larva consegue ser transportada pelas próprias abelhas até o interior da colmeia.

    Uma vez dentro do ambiente, o parasita passa a se beneficiar diretamente dos recursos disponíveis. Além disso, ele consome alimentos essenciais para o desenvolvimento da colônia, o que pode comprometer o equilíbrio do grupo.

    Em alguns casos, essa presença também interfere na dinâmica interna da colmeia, já que reduz a disponibilidade de alimento para as abelhas.

    Estratégia revela adaptação evolutiva

    Esse tipo de comportamento representa um exemplo claro de adaptação evolutiva. Ao longo do tempo, a larva desenvolveu mecanismos capazes de explorar o sistema sensorial das abelhas.

    Esse fenômeno é conhecido como mimetismo químico. Ou seja, uma espécie imita sinais químicos de outra para obter vantagens no ambiente.

    Além disso, esse tipo de estratégia mostra como a evolução pode favorecer soluções altamente específicas para sobrevivência.

    Impacto nas abelhas acende alerta

    As abelhas desempenham papel essencial na polinização e na produção de alimentos. Por isso, qualquer fator que afete sua sobrevivência gera preocupação entre especialistas.

    Nos últimos anos, por exemplo, pesquisadores têm observado diferentes ameaças às colônias. Entre elas estão mudanças climáticas, uso de pesticidas e o avanço de parasitas.

    Nesse contexto, a atuação dessa larva reforça a complexidade das interações naturais e amplia os desafios enfrentados pelas abelhas.

    Fenômeno amplia debate sobre equilíbrio ambiental

    Por fim, casos como esse ajudam a ampliar o entendimento sobre o funcionamento dos ecossistemas.

    Ao explorar os sentidos das abelhas, a larva demonstra como pequenas adaptações podem gerar impactos significativos. Ao mesmo tempo, o fenômeno reforça a importância de estudos contínuos sobre a biodiversidade.

    Assim, compreender essas relações se torna fundamental para preservar o equilíbrio ambiental e garantir a manutenção de espécies essenciais para a produção agrícola.

  • Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    A produção de mel no Amapá vive um novo ciclo. Entre florestas preservadas e comunidades rurais dedicadas, apicultores do Estado têm aumentado produtividade e qualidade, graças à adoção de práticas mais eficientes e à organização cooperativa. A mudança, que começou nos municípios de Porto Grande e Itaubal, tem transformado o modo de trabalho e fortalecido a economia local.

    Nos últimos meses, produtores ligados à Coopermel Amapá passaram a utilizar kits de produção com equipamentos modernos para manejo das colmeias, extração e armazenamento. O que antes dependia de processos manuais e demorados agora flui com mais eficiência e segurança, permitindo maior aproveitamento da safra e melhor conservação do produto.

    Segundo Júlio Avelar, presidente da cooperativa, a inovação representa um divisor de águas para quem vive da apicultura. “Antes, tudo era mais lento e difícil. Agora produzimos mais, armazenamos melhor e mantemos o ritmo da colheita. O produtor se sente valorizado e acredita mais no próprio trabalho”, relata.

    Mel de qualidade e processo sustentável

    O avanço tecnológico não apenas impulsionou a produção, mas também elevou o padrão de qualidade do mel amapaense, que hoje começa a se destacar no mercado regional. Para Edicleuma Santana, apicultora e integrante da agroindústria local, os ganhos vão além do volume produzido. “Os equipamentos trouxeram mais segurança no processamento e garantem um produto de excelência. Isso é essencial para conquistar o consumidor e abrir novos mercados”, destaca.

    Foto: Divulgação Júlio Avelar

    Ela reforça que a base desse sucesso está na assistência técnica e nas boas práticas de manejo, garantindo que o mel mantenha características naturais e seguras desde o campo até o envase.

    Cooperação e sustentabilidade

    A organização dos produtores através da Coopermel tem sido fundamental para enfrentar desafios logísticos e naturais da Amazônia. A cooperativa já reúne dezenas de apicultores em expansão por diferentes municípios, fortalecendo a cadeia produtiva e criando oportunidades de renda.

    Além do impacto econômico, a atividade tem papel direto na preservação ambiental. Como depende das abelhas e da conservação da flora nativa, a apicultura incentiva o cuidado com a floresta e contribui para o equilíbrio do ecossistema amazônico.

    Com resultados cada vez mais visíveis, o mel do Amapá se consolida como símbolo de resistência, qualidade e sustentabilidade. Mostrando que inovação e cooperação podem transformar comunidades rurais e abrir novas perspectivas para o campo amazônico.

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Abelhas mais saudáveis ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas

    Abelhas mais saudáveis ajudam a preservar o equilíbrio dos ecossistemas

    Durante a entressafra, quando há menor oferta de néctar e pólen, as abelhas sofrem com a falta de nutrientes essenciais. Esse cenário pode comprometer a saúde dos enxames e reduzir a eficiência da polinização, processo vital para a reprodução de mais de 70% das espécies de plantas cultivadas no mundo.

    Um suplemento nutricional desenvolvido por uma empresa do Rio Grande do Sul está ajudando a manter colmeias saudáveis e ativas durante períodos de escassez de flores, contribuindo diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas e a produtividade agrícola no Brasil.

    Segundo Cesar Souza, diretor executivo da Védera, empresa responsável pelo desenvolvimento do suplemento em pó, a baixa oferta de nutrientes naturais reduz o metabolismo das abelhas, enfraquece os enxames e ameaça o papel desses polinizadores no ciclo ecológico. “Preservar a saúde das abelhas significa preservar cadeias inteiras de vida, do alimento ao solo”, destaca Souza.

    Resultados positivos no campo

    O apicultor Alisson Paulinelli, dos Apiários Paulinelli (RS), utiliza o suplemento há dois anos em suas 220 colmeias e relata melhorias significativas. “Na entressafra e também no final da primavera, percebo aumento na postura das rainhas e maior atividade dos enxames. As abelhas permanecem ativas, o que mantém o ciclo ecológico funcionando”, afirma.

    Já o professor Eduardo Ferreira, do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Santa Teresa, criador de abelhas sem ferrão, destaca que o suplemento Melero evita a queda de postura mesmo nos períodos mais secos. “Conseguimos manter a saúde das colmeias em níveis semelhantes aos da primavera, o que é raro nessa época. Isso impacta diretamente a continuidade da polinização.”

    Preservação ambiental e produtividade

    Com mais de 2 milhões de colmeias, o Brasil é um dos maiores produtores de mel do mundo. No entanto, além da produção, o país enfrenta o desafio de conservar sua biodiversidade, na qual as abelhas desempenham papel fundamental. Investir na saúde desses polinizadores é garantir a sustentabilidade dos ecossistemas e a segurança alimentar do futuro.

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  • Apicultura migratória: abelhas turbinam a produção de maçã

    Apicultura migratória: abelhas turbinam a produção de maçã

    As abelhas fazem mais do que produzir mel: elas polinizam 73% das espécies agrícolas cultivadas no mundo, garantindo a alimentação da humanidade. No Brasil, o trabalho das abelhas gera um impacto econômico de R$43 bilhões na produção de alimentos. Um exemplo claro está na produção de maçã, cultura altamente dependente da polinização. Em 2023, Santa Catarina, maior produtor brasileiro da fruta, colheu 628 mil toneladas, somando R$1 bilhão. Desse total, R$988 milhões resultam diretamente da ação das abelhas.

    A importância da polinização faz com que a presença de colmeias cresça nos pomares catarinenses. Alguns fruticultores investem em apiários próprios próximos às plantações, enquanto outros alugam colmeias durante o período de floração. Essa prática, chamada apicultura migratória, gera renda extra para os apicultores, que recebem em média R$125 por colmeia alugada.

    Segundo a Epagri, das 358 mil colmeias em produção no estado, cerca de 51,9 mil servem para polinizar macieiras. Esse serviço movimenta aproximadamente R$6,4 milhões por ano e beneficia tanto apicultores quanto produtores de maçã. Rodrigo Durieux da Cunha, coordenador de apicultura da Epagri, explica que apicultores do Litoral Sul levam suas colmeias para a serra durante a floração das macieiras, aproveitando para gerar renda extra em períodos em que a produção de mel no litoral diminui. Em anos com clima seco ou chuvoso, o aluguel das colmeias ajuda a compensar perdas na safra de mel.

    Polinização e qualidade da maçã

    A polinização influencia diretamente a qualidade e simetria das maçãs. André Sezerino, pesquisador da Epagri na Estação Experimental de Caçador, destaca que maçãs bem polinizadas apresentam de oito a dez sementes, são mais redondas e alcançam classificações superiores.

    Os fruticultores confirmam que o investimento no aluguel de colmeias traz ganhos financeiros, melhora a produtividade e aumenta a durabilidade dos frutos. Rodrigo ressalta ainda que a prática reduz o uso de agrotóxicos, já que os produtores passam a aplicar esses insumos de forma correta para proteger os polinizadores.

    Renan Lima Pereira, fruticultor de São Joaquim, iniciou na apicultura em 2019 após perceber a importância da polinização para a maçã. Antes, ele contava com oito colmeias naturais, sem manejo específico. Após orientação da Epagri, passou a usar de 8 a 10 colmeias por hectare, seguindo recomendações técnicas.

    Além de produzir mel e maçã, Renan aluga colmeias para polinização

    Renan observa que a produtividade aumenta entre 20% e 25% com a polinização adequada, além de obter maçãs mais simétricas e com maior resistência a podridões durante o armazenamento. Ele e o irmão Breno também mantêm o Apiário Flor de Altitude, com 450 colmeias que produzem cerca de 8 toneladas de mel por ano. Além disso, alugam entre 250 e 300 colmeias anualmente para produtores da região, faturando cerca de R$47 mil por ano com o serviço.

    Antes de instalar as colmeias, Renan realiza mapeamento aéreo e planeja a distribuição, considerando que as abelhas atuam melhor num raio de 300 metros. O aluguel varia entre R$150 e R$175 por colmeia, que permanece no pomar durante um mês. Ele destaca o apoio técnico da Epagri, fundamental para o sucesso do manejo.

    Apoio técnico e políticas públicas

    A Epagri promove capacitações e assistência técnica para apicultores e fruticultores, reforçando a importância da polinização. Em 2024, a instituição realizou 2.073 atendimentos nas regiões produtoras de maçã em Santa Catarina, como Lages, São Joaquim e Videira.

    Em 2023, Santa Catarina lançou o programa Poliniza SC, a primeira política pública estadual para incentivar a polinização migratória. O programa oferece crédito de até R$10 mil para fruticultores alugarem colmeias, com prazo de pagamento de cinco anos e sem juros. A Epagri elabora os projetos de crédito nos municípios para facilitar o acesso das famílias rurais.

    André Sezerino ressalta que o manejo da polinização deve começar antes da implantação do pomar, envolvendo escolha das variedades, preparo do solo, arranjo das plantas e tratos culturais até a época da floração e manejo das abelhas.

    A polinização cruzada, que transfere pólen entre variedades como Fuji e Gala, é essencial para a qualidade da maçã. Por isso, recomenda-se plantar cultivares diferentes próximos uns dos outros.

    A pesquisa indica o uso mínimo de seis colmeias com abelhas com ferrão por hectare. Abelhas nativas complementam a polinização, especialmente porque voam melhor sob as telas antigranizo usadas nos pomares. Usar de 10 a 12 colmeias de abelhas nativas por hectare pode aumentar a produção em até 5 toneladas por hectare comparado a áreas sem telas e sem abelhas sem ferrão.

    O manejo correto do pomar e das colmeias gera mais renda e contribui para o meio ambiente. Mais abelhas significam mais polinização nos pomares e nas matas próximas, pois esses insetos buscam fontes variadas de alimento e resinas para seus enxames. Com a parceria dos agricultores, as abelhas fortalecem sua missão essencial de alimentar o planeta.

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