Tag: Codevasf

  • Peixamento e educação ambiental mobilizam comunidade em defesa do Rio São Francisco

    Peixamento e educação ambiental mobilizam comunidade em defesa do Rio São Francisco

    A mobilização em defesa do Rio São Francisco reuniu ações de educação ambiental, peixamento e debates técnicos em Juazeiro, no norte da Bahia. Durante a Semana do Meio Ambiente, milhares de alevinos foram lançados no Velho Chico, enquanto estudantes e especialistas participaram de atividades voltadas à preservação dos recursos hídricos.

    A 6ª Superintendência Regional da Codevasf, com apoio da Prefeitura de Juazeiro e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, promoveu o evento “Viro Carranca em Defesa do Velho Chico”, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente. A iniciativa buscou ampliar a conscientização ambiental e incentivar práticas sustentáveis entre a população ribeirinha.

    Na última semana, estudantes da rede municipal participaram do peixamento no Rio São Francisco. Crianças e adolescentes acompanharam a soltura de alevinos das espécies curimatã e piau, fornecidos pela 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina (PE). Representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Agência Peixe Vivo e do Comitê da Bacia também participaram da ação, com apoio da Capitania dos Portos de Juazeiro.

    Atividades educativas às margens do rio

    Além do peixamento, a programação incluiu atividades educativas às margens do rio. Técnicos e autoridades apresentaram projetos de conservação ambiental, saneamento básico e uso sustentável da água. O evento também contou com atrações culturais, como contação de histórias e apresentação de banda filarmônica escolar.

    No período da tarde, especialistas de universidades, da Embrapa e de outras instituições participaram de uma mesa-redonda sobre preservação ambiental. À noite, estandes exibiram projetos e iniciativas voltados à sustentabilidade na região do São Francisco.

    No espaço da Codevasf, técnicos demonstraram um sistema simplificado de tratamento de água para consumo humano, com apoio de vídeos e maquete. A apresentação atraiu visitantes e destacou soluções acessíveis para comunidades rurais.

    Segundo o superintendente regional da Codevasf, Nino Rangel, a participação em eventos como esse fortalece o diálogo com a sociedade e amplia a divulgação de ações ambientais e de desenvolvimento regional.

    A programação registrou forte participação popular e integrou instituições públicas, organizações civis e moradores locais em torno da preservação do Rio São Francisco.

  • Produção de camarão em água salobra cresce e gera renda

    Produção de camarão em água salobra cresce e gera renda

    A produção de camarão em águas interiores ganha espaço no Piauí como alternativa para diversificação da renda rural e fortalecimento da aquicultura. O tema reuniu especialistas, produtores e técnicos no I Seminário de Carcinicultura em Águas Interiores, realizado em maio, em Parnaíba (PI).

    Promovido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o evento destacou soluções sustentáveis, inovação tecnológica e estratégias para expandir a atividade no estado.

    O seminário ocorreu na Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) e reuniu cerca de 300 participantes, entre produtores rurais, pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes de empresas do setor aquícola.

    Evento destaca inovação e manejo produtivo

    A programação incluiu palestras, mesas-redondas e um Dia de Campo. Os debates abordaram temas como manejo produtivo, cultivo em água de poço salobra, políticas públicas de incentivo, desenvolvimento regional e experiências práticas da carcinicultura familiar.

    A 7ª Superintendência Regional da Codevasf, responsável pela organização, conduziu as discussões com apoio do escritório técnico da companhia em Parnaíba.

    O superintendente regional da Codevasf, Anderson Oliveira, ressaltou o papel estratégico do seminário para o setor.

    “O encontro fortalece a troca de conhecimentos e amplia a difusão de experiências sustentáveis. Reunimos diferentes atores para discutir caminhos que gerem mais renda e desenvolvimento para os produtores piauienses”, afirmou.

    Carcinicultura em águas interiores mostra potencial de expansão

    Durante o evento, especialistas destacaram o potencial da carcinicultura em águas interiores como alternativa viável no Nordeste, especialmente em áreas com disponibilidade de água salobra.

    A atividade tem avançado com o uso de tecnologias adaptadas e sistemas produtivos mais eficientes, o que amplia as oportunidades para pequenos e médios produtores.

    Produtor relata experiência com água de poço salino

    Um dos destaques do seminário foi a apresentação do produtor Giuseppe da Silva, presidente da Associação dos Produtores Rurais da Planície Litorânea. Ele compartilhou a experiência com a carcinicultura familiar no litoral do Piauí.

    Segundo o produtor, o principal desafio no início foi a falta de conhecimento técnico sobre a atividade. “A Codevasf teve papel fundamental. Com apoio técnico, estruturamos o projeto e hoje já estamos no quinto ciclo de produção”, relatou.

    Giuseppe explicou que análises da água e o aproveitamento de uma estrutura já existente para piscicultura viabilizaram a adaptação do sistema. “O que começou como teste virou fonte de renda. Identificamos que a água tinha potencial e conseguimos inserir a atividade na propriedade”, disse.

    Além das atividades teóricas, os participantes realizaram uma visita técnica a unidades de produção. A iniciativa permitiu acompanhar, na prática, sistemas de cultivo em águas interiores e ampliar o intercâmbio de conhecimento entre produtores, técnicos e instituições.

  • Rota do Pescado avança em Minas Gerais e beneficia mais de 15 mil famílias de piscicultores

    Rota do Pescado avança em Minas Gerais e beneficia mais de 15 mil famílias de piscicultores

    A piscicultura no Norte e Noroeste de Minas Gerais ganhou novo fôlego. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e integrantes do Polo de Piscicultura das Gerais receberam, na última semana, a visita técnica de Hugo Carlos Vieira Coelho, consultor do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) responsável por coordenar, em nível ministerial, o Projeto de Cooperação Técnica (PCT) dos Polos de Piscicultura da Rota do Pescado. Uma iniciativa desenvolvida em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

    Foto: Codevasp

    O objetivo da visita foi fortalecer a articulação institucional e ampliar a captação de recursos financeiros voltados, principalmente, a produtores familiares e empreendimentos aquícolas da região.

    “Esses recursos representam oportunidades concretas de melhoria das condições de trabalho, ampliação da geração de renda, fortalecimento da segurança alimentar e estímulo ao desenvolvimento regional sustentável, além de favorecerem a permanência das famílias no campo e a sucessão familiar nas atividades produtivas”, afirmou José Cláudio dos Santos, engenheiro de pesca da Codevasf em Minas Gerais.

    Para o superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Romeu Souto Filho, a piscicultura já transformou a realidade de milhares de famílias mineiras. E pode avançar ainda mais. “Fortalecer a Rota do Pescado é fortalecer o desenvolvimento regional, a segurança alimentar e a permanência das famílias no campo com dignidade e perspectivas de futuro”, declarou.

    Roteiro de visitas

    A comitiva percorreu pontos estratégicos da cadeia produtiva regional. A primeira parada foi o Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias (CIT). Ela é uma unidade de referência da Codevasf na produção e difusão de tecnologias aquícolas. O chefe da unidade, Julimar dos Santos, e o analista Edson Vieira Sampaio apresentaram as instalações e as perspectivas de atuação conjunta no âmbito da Rota do Pescado.

    Em Felixlândia, um dos maiores produtores nacionais de pescado em tanques-rede, a comitiva reuniu-se com a prefeita Aparecida Bernardino. Além de piscicultores, representantes de entidades do Polo de Piscicultura das Gerais e Neide dos Santos, presidente do Comitê Gestor do Núcleo Regional de Buritizeiro da Agência de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável do Brasil (Adesb). O encontro debateu demandas prioritárias para impulsionar a atividade aquícola na região.

     

    A agenda incluiu ainda a visita a um entreposto familiar de beneficiamento e comercialização de pescado no Alto São Francisco. O empreendimento foi criado e é administrado por membros de uma mesma família. E processa mais de uma tonelada de pescado por dia dentro das normas vigentes para o setor.

    Relevância econômica e social

    O Polo de Piscicultura das Gerais reúne representantes de instituições públicas e privadas em 25 municípios mineiros. Eles são organizados em cinco núcleos regionais: Buritizeiro, Bocaiúva, Felixlândia, Janaúba e Taiobeiras.

    A Rota do Pescado conta atualmente com oito polos implantados no Brasil, mas apenas dois operam em plena atividade. O Polo das Gerais é um deles. E beneficia, direta e indiretamente, mais de 15 mil famílias de piscicultores.

  • Rio São Francisco recebe 20 mil alevinos em ação ambiental

    Rio São Francisco recebe 20 mil alevinos em ação ambiental

    A soltura de 20 mil alevinos de curimatã reforçou as ações de preservação do rio São Francisco no município de Santana do São Francisco (SE), durante a realização do projeto “Dia do Chico”. A iniciativa reuniu estudantes, comunidade e instituições em atividades voltadas à educação ambiental e à proteção dos recursos hídricos.

    A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) coordenou a ação, realizada nesta semana na orla do município. O projeto “Dia do Chico” integra uma agenda de educação ambiental promovida pelo Consórcio de Saneamento Básico do Baixo São Francisco Sergipano (Conbasf).

    O Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume, unidade da Codevasf localizada na zona rural de Neópolis (SE), produziu os alevinos utilizados no peixamento.

    Alunos da rede pública municipal participaram diretamente da soltura dos peixes no rio São Francisco. A programação incluiu ainda plantio de mudas e coleta de óleo usado. Além do recolhimento de resíduos no entorno do rio e coleta de amostras de água para análise.

    Papel da comunidade na preservação ambiental

    Segundo a engenheira de pesca Isabel Rivas, analista em Desenvolvimento Regional da Codevasf, a mobilização reforça o papel da comunidade na preservação ambiental. “A participação dos estudantes e moradores fortalece a conscientização ambiental e valoriza o rio São Francisco como patrimônio natural”, afirmou.

    O projeto “Dia do Chico” abrange 13 municípios sergipanos banhados pelo rio São Francisco e ocorre de forma itinerante, com edições em diferentes localidades. A iniciativa conta com apoio da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e de parceiros da iniciativa privada.

  • Expansão da carcinicultura impulsiona debates sobre produção de camarão no Piauí

    Expansão da carcinicultura impulsiona debates sobre produção de camarão no Piauí

    A carcinicultura ganhou destaque no Piauí durante o I Seminário de Carcinicultura em Águas Interiores. O evento ocorreu nesta semana na UFDPar, em Parnaíba. Ele reuniu especialistas, gestores e produtores do setor aquícola.

    O encontro discutiu a expansão da criação de camarão para o interior do estado. O foco principal ficou no semiárido e no sul do Piauí. A iniciativa também buscou fortalecer a produção em águas interiores e salobras.

    A Codevasf promoveu o seminário em parceria com universidades e instituições públicas. A Adapi participou ativamente das discussões. O evento também contou com apoio de entidades ligadas ao setor produtivo.

    O Piauí possui apenas 66 quilômetros de litoral. Esse fator torna a interiorização da atividade estratégica. Por isso, especialistas defenderam o avanço da produção no interior.

    No semiárido, a água de poços apresenta alta salinidade. Além disso, a vazão é considerada adequada para o cultivo de camarão. Esses fatores favorecem a expansão da atividade aquícola.

    No sul do estado, os rios Gurguéia e Parnaíba ampliam as possibilidades de produção. Esses recursos hídricos reforçam o potencial da região. Assim, o setor ganha novas áreas de desenvolvimento.

    Integração e inovação no setor aquícola

    Durante o seminário, os participantes também destacaram o policultivo. Esse sistema integra a criação de camarão e tilápia. Ele aumenta a produtividade e diversifica a renda dos produtores.

    A Adapi participou com técnicos da área de sanidade animal. Entre eles estiveram Idilio Moura e Janílson Lima. Eles acompanharam os debates ao longo dos dois dias de evento.

    Os participantes discutiram sanidade animal, produção e comercialização. Eles também abordaram a expansão da cadeia produtiva. O encontro reforçou a importância da organização do setor.

    Instituições como Embrapa, IFs, UFDPar, UFC e UFPE participaram do evento. O IBGE e outras entidades públicas também estiveram presentes. Produtores e estudantes completaram o público.

    Para os organizadores, a integração entre instituições e produtores é essencial. Essa união pode gerar empregos e renda, além de fortalecer o desenvolvimento econômico do Piauí.

  • Brasil tem 16 polos de irrigação e pode irrigar 60 milhões de hectares; veja onde

    Brasil tem 16 polos de irrigação e pode irrigar 60 milhões de hectares; veja onde

    O Brasil tem hoje cerca de 16 polos de agricultura irrigada reconhecidos pelo Governo Federal. O país planeja ampliar o modelo para outras regiões. Esses polos organizam a gestão da água e impulsionam a produção agrícola onde se instalam.

    Diferente de programas criados “de cima para baixo”, os polos nascem da realidade local. Produtores, técnicos, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes da sociedade se reúnem para planejar a irrigação. Eles consideram as características hídricas e produtivas de cada bacia hidrográfica.

    “A irrigação não se desenvolve no improviso. Ela cresce onde existe organização do uso da água”, afirma Everardo Mantovani, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

    Segundo Mantovani, onde a irrigação se organiza, a região inteira cresce. “A produção aumenta, mas também avançam logística, infraestrutura, armazenagem, tecnologia e geração de oportunidades”, destaca.

    Impacto econômico chega a 256% no PIB per capita

    Uma pesquisa da Abimaq em parceria com a ESALQ/USP analisou quatro polos de irrigação. O levantamento identificou impactos econômicos e sociais relevantes. Em alguns casos, o PIB per capita dessas regiões chega a ser 256% maior do que o de outros municípios rurais.

    O estudo também aponta maior circulação de dinheiro e menor dependência de programas de transferência de renda nas áreas irrigadas. “A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade”, resume Mantovani.

    Onde ficam os polos hoje

    Os polos irrigados ocupam regiões estratégicas da agricultura brasileira:

    • Oeste da Bahia
    • Petrolina/Juazeiro (PE/BA)
    • Alto Paranapanema (SP/PR)
    • Alto Teles Pires (MT)
    • Ibiapaba (CE)
    • Camaquã (RS)
    • Planalto Central de Goiás

    O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconhece oficialmente essas áreas.

    Exemplo goiano: de 14 para 7 cidades com foco em gestão hídrica

    O Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás começou em 2019 com 14 municípios. Após reorganização, o polo concentra ações em sete cidades: Cristalina, Luziânia, Silvânia, Vianópolis, Ipameri, Campo Alegre de Goiás e Catalão. Todas essas regiões têm forte presença da agricultura irrigada e alta demanda por gestão do uso da água.

    Atualmente, o Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares irrigados. Estimativas técnicas apontam potencial para atingir 60 milhões de hectares. Especialistas afirmam que essa expansão depende de planejamento, governança hídrica e eficiência no uso da água.

    “A expansão da agricultura irrigada no Brasil atual ocorre principalmente em regiões com gestão estruturada da água, onde o uso é organizado, monitorado e planejado”, explica Mantovani.

    Dados do setor mostram que 45% dos pivôs centrais do país estão na Bacia do Rio Paraná. Quase 30% ficam na Bacia do São Francisco. Nessas regiões, a gestão dos recursos hídricos é mais consolidada.

    A ABID acompanha esses processos há 50 anos. A entidade contribui tecnicamente com informações, experiências e apoio à construção de políticas públicas para a irrigação.

    “Existe um entendimento cada vez maior de que irrigação não significa desperdício. Pelo contrário: a irrigação moderna depende de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água”, conclui Mantovani.

    Congresso analisa crédito de R$ 33,6 milhões para projetos de irrigação

    O Congresso Nacional analisa proposta que abre crédito suplementar no Orçamento de 2026 de R$ 33,6 milhões para projetos de irrigação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (PLN 5/26).

    De acordo com a mensagem que acompanha o texto, os recursos serão usados para o apoio aos polos e projetos de agricultura irrigada; para a gestão de projetos públicos de irrigação; e para o fomento aos objetivos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

    Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

    As dotações que serão canceladas para fazer a compensação orçamentária estão no programa “Pé-de-Meia”, de manutenção de estudantes do ensino médio na escola.

    O governo afirma que não haverá prejuízos para o programa porque existe uma antecipação do aporte ao Fundo de Custeio da Poupança de Incentivo à Permanência e Conclusão Escolar para Estudantes do Ensino Médio.

    O projeto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento e, em seguida, pelo Plenário do Congresso (sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal). Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    De arroz ao açaí: projeto aposta em diversificação agrícola para fortalecer agricultura familiar

    A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deu início à introdução do açaí nos projetos públicos de irrigação de Alagoas, em consórcio com culturas de ciclo curto como batata-doce, mandioca e milho. A estratégia busca ampliar a renda, reduzir riscos e fortalecer a segurança produtiva dos agricultores familiares da região, onde a rizicultura e a cana-de-açúcar dominam historicamente a produção.

    A Codevasf opera três projetos de irrigação no estado: o Boacica, em Igreja Nova; o Itiúba, em Porto Real do Colégio; e o Marituba, em Penedo. O piloto começou no Projeto Boacica, onde a empresa distribuiu mudas de açaí e implantou sistemas de irrigação por microaspersão em áreas de 0,5 hectare em lotes de produtores que aderiram à iniciativa.

    Alternativa ao preço volátil do arroz

    O superintendente regional da Codevasf em Alagoas, João Paulo Tavares, defende a diversificação como o caminho mais seguro para garantir rentabilidade no campo. “A rizicultura é uma atividade agrícola tradicional no Baixo São Francisco. No entanto, sofre mais intensamente com as variações de preço, o que reduz a margem de lucro dos produtores”, afirmou durante visita técnica aos lotes.

    Para ele, o açaí, cultura com bom valor agregado e mercado consumidor consolidado, representa uma alternativa promissora. “Iniciamos o cultivo do açaí, bastante apreciado pela gastronomia local, em consórcio com outras culturas. Assim, teremos a produção de arroz aliada a outros itens, trazendo maior segurança a quem trabalha no campo”, acrescentou.

    Foto: Codevasf

    Tavares também destacou o peso econômico dos projetos: somente em 2024, as áreas irrigadas da Codevasf em Alagoas injetaram cerca de R$ 57,6 milhões na economia local, contribuindo diretamente para o PIB estadual e municipal.

    Açaí em consórcio resolve o problema do tempo de espera

    Como o açaí leva pelo menos três anos para produzir os primeiros frutos, a Codevasf optou por associar a cultura a itens de ciclo curto, garantindo renda ao produtor enquanto o açaizeiro se desenvolve. O engenheiro agrônomo Cleudson Bernardino, responsável pelo acompanhamento técnico, explica que os agricultores já iniciaram os plantios e testam diferentes variedades.

    “No Projeto Boacica, houve boa adesão. Já temos agricultores cultivando açaí em consórcio com batata-doce, mandioca e milho, além de produtores que pretendem associar a cultura à banana”, relatou. Segundo ele, a produção de arroz e cana-de-açúcar continua como atividade principal. Mas passa a conviver com o açaí e as culturas de ciclo curto na área de policultura dos lotes, separada da rizicultura.

    O agricultor Antônio Messias, que cultiva arroz, cana-de-açúcar, milho e banana no Projeto Boacica, celebra a novidade. “A diversificação de cultivos é muito importante para o produtor rural. Desde que soubemos da proposta, criamos uma grande expectativa, e hoje ela é realidade. Não precisamos viver apenas da cana, podemos investir em outras culturas. No espaço onde estão implantando o açaí, estou cultivando batata-doce e macaxeira”, contou.

  • Projeto de fruticultura irrigada instala estações meteorológicas em Goiás

    Projeto de fruticultura irrigada instala estações meteorológicas em Goiás

    Comunidades rurais de Formosa e São João d’Aliança, no nordeste goiano, receberam estações meteorológicas em agosto para coletar dados climáticos locais. A tecnologia facilita o manejo da irrigação nos cultivos de maracujá e manga em assentamentos rurais atendidos pelo projeto Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã.

    O projeto contempla 41 propriedades em Formosa e sete em São João d’Aliança. Técnicos instalam kits de irrigação e espaldeiras nas áreas selecionadas. Os dados climáticos alimentam o aplicativo “Irrigar para Desenvolver (ID)”, desenvolvido especificamente para auxiliar os agricultores.

    O aplicativo fornece informações diárias sobre o momento ideal e a quantidade correta de água para aplicar nos cultivos. “O objetivo é que os produtores economizem água e energia e aumentem a produtividade”, explica Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e coordenador do projeto.

    Tecnologia a serviço da agricultura familiar

    As estações meteorológicas medem temperatura, chuvas e evapotranspiração em tempo real. Essas informações permitem um manejo preciso da irrigação, otimizando o uso de recursos hídricos e energéticos.

    Inicialmente, apenas participantes do projeto acessam o aplicativo. As secretarias municipais de agricultura fazem o cadastramento dos produtores beneficiados.

    Projeto nasceu em 2023 com foco na reforma agrária

    A iniciativa começou em 2023 para viabilizar a produção irrigada de frutas por famílias assentadas de reforma agrária. Flores de Goiás, Formosa e São João d’Aliança participam do programa no nordeste goiano.

    A Embrapa Cerrados (DF) contribui tecnicamente, enquanto a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa/GO) lidera as ações. Codevasf, Emater Goiás, Senar/GO e prefeituras locais integram a parceria.

    Flores de Goiás iniciou o projeto com 10 famílias que já colhem a segunda safra de maracujá. Os produtores aguardam a primeira produção de manga. Em março de 2024, o município recebeu sua estação meteorológica e os agricultores já utilizam o aplicativo ID.

    Conhecimento como principal legado

    “Quando você aprende a trabalhar com maracujá e manga, ninguém vai lhe tirar isso”, destaca Fábio Faleiro, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados. Ele ressalta a união da população local em torno da iniciativa.

    Faleiro acredita que a fruticultura irrigada melhora a qualidade de vida dos produtores rurais. “Quando isso acontece, toda a comunidade melhora também”, completa.

    A Embrapa oferece capacitação presencial para agricultores e técnicos locais. A instituição também disponibiliza minicursos online gratuitos sobre maracujá e manga na plataforma e-Campo.

    Formosa recebe equipamento com expectativa elevada

    No dia 11 de agosto, autoridades entregaram a estação meteorológica de Formosa na Escola Municipal Fazenda Palmeira. A prefeita Simone Ribeiro participou do evento junto com agricultores e a comunidade local.

    “Estamos inaugurando um equipamento que traz informação e capta diretamente a necessidade de cada produtor rural, que há muito tempo foi esquecido”, declarou a prefeita.

    O município abriga 29 assentamentos de reforma agrária e crédito fundiário com cerca de 2,5 mil famílias. Suzana Borgmann, secretária municipal de Agricultura, explica que alguns produtores já cultivam maracujá, mas a manga chega como novidade.

    Os agricultores formosenses demonstram expectativa elevada com o projeto. Uma cooperativa será criada para apoiar a comercialização das frutas. Em Flores de Goiás, constroem uma agroindústria para beneficiar a produção dos três municípios.

    São João d’Aliança aposta em programas públicos

    A estação de São João d’Aliança foi instalada no Projeto de Assentamento (PA) Mingau e entregue no dia 18. O prefeito Genivan Gonçalves destaca as perspectivas para os produtores locais.

    “Essa estação proporciona uma produção voltada ao aumento da produtividade, com menor gasto de água. Os agricultores vão aumentar a produção e comercializar os produtos agrícolas”, afirma.

    O município planeja apoiar a comercialização através de programas públicos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    A vereadora Lilian Ferreira reforça a importância da iniciativa: “A estação vai agregar muitos benefícios para os produtores do município e incentivar a agricultura familiar, que coloca comida nas nossas mesas”.

    Assentados demonstram otimismo com nova atividade

    Em Formosa, os agricultores já encomendam mudas enquanto as espaldeiras e kits de irrigação são instalados. Edim Alves de Abreu, do PA Fartura, cria bovinos de corte e busca diversificar a renda.

    “Temos uma grande esperança de produzir bem, pagar dívidas e trabalhar com seriedade”, declara, mesmo sem experiência em fruticultura.

    José Cardoso de Sousa, também do PA Fartura, acredita que o projeto agregará valor às propriedades. “Vai melhorar a vida de todos nós e gerar empregos para vizinhos e amigos”, aposta.

    Em São João d’Aliança, Welton Ferreira destaca o exemplo de Flores de Goiás: “Vimos os resultados das colheitas, que o projeto é muito bom e despertou no coração o desejo de seguir esse caminho”.

    Joaquim de Moura Filho, nascido no município, celebra os parceiros envolvidos: “Temos tecnologia avançada da Embrapa, prefeitura abraçando nossa causa e governos federal e estadual como parceiros. Agora vou me tornar um empreendedor”.

    O projeto representa uma oportunidade de transformação para as comunidades rurais do nordeste goiano. Com tecnologia, capacitação e parcerias sólidas, os agricultores assentados vislumbram um futuro mais próspero na fruticultura irrigada.