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  • Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    Caulim reduz em até 59% a infestação de psilídeo e o greening nos pomares de citros

    O controle do psilídeo representa um dos maiores desafios da citricultura brasileira. O inseto é o principal vetor do greening, doença que não tem cura e compromete a produtividade dos pomares, e seu manejo envolve fatores biológicos, ambientais, econômicos e sociais. Para enfrentar esse problema, o Fundecitrus pesquisa desde 2015 o uso do caulim como barreira física contra o inseto, com resultados que apontam reduções expressivas tanto na população do psilídeo quanto na incidência da doença.

    O caulim é um mineral natural composto principalmente por silicato de alumínio. Quando pulverizado sobre as folhas dos citros, forma uma película branca que altera a aparência visual da planta. E é exatamente essa mudança que interfere no comportamento do inseto.

    “O psilídeo depende primariamente da visão para localizar as plantas para reprodução e alimentação. Ao alterar a aparência da planta, o caulim confunde o inseto e interfere diretamente no seu comportamento de selecionar o hospedeiro. Se ele não consegue pousar para se alimentar, também não é capaz de transferir a bactéria causadora da doença para a planta sadia nem depositar seus ovos”. É o que explica Marcelo Miranda, pesquisador do Fundecitrus e coordenador da pesquisa.

    Experimentos em pomares comerciais confirmam eficiência do caulim

    A partir de 2019, com apoio da Fapesp, o Fundecitrus conduziu experimentos de grande escala nas bordas de três pomares comerciais de laranjeira-doce no interior de São Paulo. Os resultados variaram conforme o tipo de pomar e o protocolo de aplicação, mas confirmaram o potencial do mineral como ferramenta complementar aos inseticidas químicos.

    No primeiro experimento, em um pomar em formação na região de Casa Branca, a combinação de caulim a 2% a cada 15 dias com inseticidas a cada 10 dias resultou em redução de 59% na população de psilídeos e 52% na incidência de greening, em comparação com a área tratada apenas com inseticidas.

    No segundo, em um pomar em produção na região de Borborema, pulverizações mensais de caulim a 2% no primeiro semestre e quinzenais no segundo, associadas a inseticidas a cada 10 dias, reduziram em 25% a infestação do inseto e 40% a incidência da doença.

    O terceiro experimento, em um pomar recém-implantado em Pirajuí, revelou uma condição importante: a frequência de aplicação faz diferença. O uso quinzenal de caulim apenas no segundo semestre dos dois primeiros anos não foi suficiente para reduzir a população do psilídeo nem a incidência de greening. Quando os pesquisadores passaram a aplicar o produto ao longo de todo o ano, a 1% no primeiro semestre e 1,5% no segundo, os resultados melhoraram significativamente: após três anos, a infestação caiu 48% e a incidência de greening, 46%.

    “Esses experimentos em pomares comerciais permitiram acompanhar de perto a evolução do psilídeo e da doença em diferentes cenários. Contribuindo para gerar informações práticas ao citricultor”, diz Miranda.

    Nem todo caulim é igual: como escolher o produto certo

    Estudos mais recentes do Fundecitrus, com apoio da Givaudan Foundation, avaliaram diferentes produtos à base de caulim e compostos semelhantes, comparando pH, cobertura foliar, resistência à chuva e repelência ao psilídeo. Os resultados mostraram diferenças relevantes entre os produtos disponíveis no mercado.

    Produtos à base de silicato de alumínio, em geral, não alteram significativamente o pH da calda de pulverização. O que é desejável, já que variações de pH podem comprometer a eficácia dos inseticidas aplicados na mesma mistura. Já o hidróxido de cálcio, o hidróxido de magnésio e o carbonato de cálcio elevam o pH da calda, o que pode ser um problema quando há combinação com outros defensivos.

    “É importante que os produtos confiram uma tonalidade visualmente mais branca à superfície da planta, apresentem boa cobertura foliar e resistência à lavagem pela chuva. Produtos com essas características reduzem de forma mais significativa a quantidade de psilídeos na planta”, afirma Wellington Ivo Eduardo, pesquisador do Fundecitrus.

    Ao escolher um produto, o citricultor deve priorizar formulações específicas para pulverizações agrícolas, com granulometria fina (igual ou inferior a 2 micrômetros), fácil diluição em água, ausência de substâncias tóxicas, baixo poder abrasivo. E sobretudo capacidade de deixar a superfície foliar com coloração esbranquiçada.

    Como aplicar o caulim corretamente

    A concentração recomendada é de 3% na pulverização inicial e 2% nas aplicações de manutenção, podendo variar conforme a indicação do fabricante. A sequência de diluição, porém, exige atenção.

    “Produtos à base de caulim e minerais afins devem ser diluídos primeiro, adicionados lentamente ao tanque ou ao pré-misturador, sempre com agitação constante. Isso reduz o risco de o produto decantar ou permanecer na superfície da calda”, orienta Eduardo.

    Quando houver aplicação conjunta com outros produtos,  inseticidas, acaricidas ou fungicidas, o citricultor deve seguir a ordem de mistura. E priorizando os produtos que exigem maior tempo de agitação, seguidos dos de diluição mais rápida.

    Caulim também promete contra o cancro cítrico

    Além do psilídeo e do greening, o Fundecitrus investiga, desde 2021, o desempenho do caulim no controle do cancro cítrico. Essa pesquisa conta também com apoio da Givaudan Foundation.

    Em experimentos de casa de vegetação, o caulim (produto Surround WP) reduziu a severidade da doença em 80%, resultado semelhante ao do cobre, principal defensivo utilizado hoje para o cancro. O mecanismo de ação envolve dois efeitos combinados. A camada física sobre a folha atua como barreira contra a bactéria causadora da doença. E o caulim ainda reduziu em até 50% o tempo de secagem da folha após simulação de chuva, diminuindo o período favorável à infecção.

    Em pomares comerciais de laranja Natal, os resultados foram menos expressivos, mas ainda relevantes. Aplicado isoladamente a cada 21 dias, o caulim reduziu em até 44% a incidência de folhas com cancro cítrico. Alternado com cobre, o controle subiu para até 75% em relação às plantas não tratadas. Um resultado semelhante ao do tratamento exclusivo com cobre. Nos frutos, a combinação dos dois produtos atingiu redução de até 37%.

    Para o pesquisador Franklin Behlau, do Fundecitrus, o uso do caulim no manejo do psilídeo pode trazer um benefício adicional indireto: reduzir a quantidade total de cobre nos pomares.

    “O caulim pode ajudar a aumentar o intervalo entre aplicações de cobre para cancro cítrico, principalmente em áreas com menor favorabilidade da doença. Isso representa um avanço importante do ponto de vista ambiental, pois ajudaria a reduzir o acúmulo desse metal no solo e o risco de seleção de bactérias resistentes”, afirma Behlau.

    Os pesquisadores são enfáticos. O caulim não substitui o cobre, mas pode atuar como aliado em estratégias integradas de manejo, conciliando eficiência agronômica e sustentabilidade ambiental.

  • Embrapa desenvolve embalagem biodegradável que revoluciona aplicação de fertilizantes

    Embrapa desenvolve embalagem biodegradável que revoluciona aplicação de fertilizantes

    Uma solução que estava escondida em laboratórios de São Carlos pode transformar a forma como agricultores aplicam fertilizantes no campo. Pesquisadores da Embrapa Instrumentação e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram sachês de amido reforçados com nanopartículas capazes de acondicionar fertilizantes em pó ou granulados. A tecnologia promete substituir polímeros derivados de petróleo e resolver um problema antigo: o desperdício de nutrientes no solo.

    “O agricultor geralmente joga no campo uma quantidade elevada de fertilizante para garantir absorção”, explica o químico João Otávio Donizette Malafatti, primeiro autor do estudo publicado no Journal of Inorganic and Organometallic Polymers and Materials. “Mas a planta não consegue absorver tudo de imediato. Esse excesso vira perda econômica e pode contaminar o ambiente adjacente.”

    Os sachês funcionam como uma espécie de saquinho de chá biodegradável. A diferença é que, ao invés de folhas secas, eles carregam nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio,o famoso trio NPK. A liberação acontece de forma gradual, permitindo que raízes absorvam apenas o necessário em cada fase do crescimento.

    Zeólita com cobre garante resistência e combate fungos

    O amido, por ser biodegradável, apresenta um desafio: degrada rápido demais. Para resolver isso, Malafatti processou os sachês com ureia, ácido cítrico e zeólita rica em íons de cobre. A zeólita é um mineral poroso com alta capacidade de adsorção de íons.

    “O cobre tem dupla função”, detalha o pesquisador. “Apresenta propriedade antimicrobiana forte, tanto para fungos quanto bactérias, e ainda funciona como micronutriente mineral que a planta absorve depois.” Testes mostraram que a presença de cobre controlou crescimento do fungo Alternaria alternata, comum em cultivos.

    A pesquisadora da Embrapa Elaine Cristina Paris, que supervisionou o trabalho, compara a zeólita a uma esponja microscópica. “Ela armazena água por ser muito porosa e hidrofílica. Em períodos de seca, isso ajuda a manter umidade localizada no solo”, explica.

    O grupo testou várias concentrações e chegou ao ponto ideal: 3% de zeólita em relação ao amido. Acima disso, partículas se aglomeram e fragilizam o filme. Na dosagem certa, houve ganho significativo de resistência mecânica — requisito essencial para suportar transporte, armazenamento e aplicação no campo.

    Sistema versátil se adapta a diferentes culturas

    A versatilidade impressiona especialistas. Os sachês tanto aumentam solubilidade de fertilizantes pouco solúveis quanto controlam liberação de fontes altamente solúveis. Tudo depende da formulação escolhida.

    Em trabalho anterior, também supervisionado por Paris, a doutoranda Camila Rodrigues Sciena usou hidroxiapatita como fonte de fósforo. Para aumentar solubilidade desse composto, o grupo acidificou o meio com pectina na composição dos sachês. O resultado funcionou: a hidroxiapatita nanoparticulada teve solubilidade aumentada.

    “Com água, o amido fica gelatinoso e segura o fertilizante no solo disponível para a planta”, diz Sciena. “Isso minimiza perdas com chuva ou vento. O objetivo é reduzir percolação e arraste do fertilizante.”

    No caso do estudo de Malafatti, o grupo trabalhou com fertilizante altamente solúvel. “Aqui a intenção é disponibilizar de modo gradual, evitando perdas por lixiviação ou dispersão aérea”, complementa Paris.

    Testes de liberação mantiveram sachês em meio aquoso por 30 dias. Resultados demonstraram liberação parcial de íons de cobre (7 mg/L) e ureia (300 mg/L). As propriedades hidrofílicas favoreceram contato com meio externo, ajudando permeação da água e liberação controlada do cloreto de potássio.

    Citotoxicidade baixa abre caminho para uso agrícola

    Antes de qualquer aplicação comercial, a equipe precisava garantir segurança ambiental. Testes de citotoxicidade realizados em raízes de agrião mostraram 92% de viabilidade de germinação após uma hora de exposição à zeólita de cobre.

    Testes de solubilidade foram conduzidos em água com pH neutro e em ácido cítrico. A eficácia de dessorção do cobre aumentou em meio ácido, saltando de 5% para 45% do total esperado. Isso indica que, em solos mais ácidos, a liberação de micronutrientes ocorre de forma mais intensa.

    Customização permite adaptar sachês para cada plantação

    “A uva tem necessidades diferentes do tomate”, resume Sciena. “É uma fertilização customizada. Você pode adequar mistura de nutrientes desejáveis e também tipo de sache, um mais ácido para potencializar solubilização de fertilizante pouco solúvel, outro menos ácido para solubilizar lentamente o que já é solúvel.”

    Outra vantagem prática: o fertilizante adicionado não afeta processamento do sachê em sua formulação ou formato. “Qualquer fertilizante granulado ou particulado pode ser inserido”, ressalta Malafatti. Isso facilita incorporação pela indústria e ainda evita manipulação direta de partículas por trabalhadores do setor agrícola.

    Próximos passos: reduzir custos e escalar produção

    Segundo Paris, as pesquisas agora buscam alternativas para baratear processos e materiais. “O amido é matéria-prima promissora, embora adição de componentes extras possa influenciar custo final”, pondera.

    No trabalho atual, a equipe usou amido comercial. Mas Paris vê margem para redução de custos. “Para fertilização do solo não é necessário amido de alta pureza como da indústria alimentícia. O objetivo é baratear ao máximo para que a agroindústria consiga incorporar.”

    A tecnologia ainda está em escala laboratorial. Aplicação imediata aconteceria em paisagismo, jardinagem, hidroponia ou estufas. Para grandes produções agrícolas, são necessárias otimizações de escalonamento e viabilidade econômica, próximas etapas planejadas pelo grupo.

    O trabalho recebeu apoio da FAPESP por meio de bolsas de iniciação científica, pós-doutorado no Brasil e no exterior. Se os planos derem certo, agricultores brasileiros podem ter em breve uma alternativa nacional, sustentável e eficiente para aplicação de fertilizantes, reduzindo desperdícios, custos e impactos ambientais.

    Por Karina Ninni | Agência FAPESP

  • Hiperacumuladoras: conheça as plantas que ‘comem’ metal

    Hiperacumuladoras: conheça as plantas que ‘comem’ metal

    Nos últimos anos um grupo de pesquisadores vinculados ao Departamento de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife, tem percorrido áreas de preservação ambiental de mineradoras e também os principais herbários do país buscando identificar espécies de plantas raras e de alto interesse econômico. São as hiperacumuladoras de metais – espécies de plantas que absorvem níquel, zinco, cobre, manganês e outros minérios de alto valor comercial do solo em concentrações centenas ou milhares de vezes maiores em comparação com outras.

    Em razão dessa capacidade, elas têm sido utilizadas para promover a chamada agromineração. Ou seja,  o uso de plantas para extrair metais de ambientes contaminados e comercializá-los, atendendo aos preceitos da economia circular.

    “O trabalho de identificar essas plantas é como tentar encontrar agulha no palheiro”, comparou Clístenes Williams Araújo do Nascimento, professor da UFRPE e pioneiro no desenvolvimento da técnica no Brasil, durante palestra proferida segunda-feira (14/07) na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até sábado (19/07) no campus da UFRPE, em Recife.

    “Mas já encontramos algumas espécies de plantas hiperacumuladoras de níquel, zinco e manganês no país. E isso incluindo algumas novas, que eram desconhecidas. E que, portanto, estão disponíveis para iniciarmos testes em casa de vegetação e em campo para levarmos até as mineradoras e implantarmos em tecnossolos [substratos minerais produzidos a partir de rejeitos da mineração]”, afirmou Nascimento, que é engenheiro agrônomo graduado pela Universidade Federal da Paraíba com doutorado em solos e nutrição de plantas pela Universidade Federal de Viçosa e pós-doutorados pela University of Massachusetts e pela North Carolina State University.

    Raridade

    De acordo com Nascimento, estima-se que as hiperacumuladoras de metais representem apenas 0,2% de todas as plantas conhecidas atualmente – um universo de 350 mil a 400 mil espécies catalogadas. Duas dessas espécies, como a Pycnandra acuminata, já participam de processos comerciais de agromineração em países como a Albânia, a Malásia e a Indonésia.

    “Essas espécies são adaptadas ao clima temperado e tropical. No Brasil ainda não identificamos uma hiperacumuladora ideal e estamos promovendo uma verdadeira caça por todo o país, que tem grande potencial para essa área porque tem a maior biodiversidade de plantas do planeta”, disse Nascimento.

    Na concepção da agromineração, as plantas hiperacumuladoras ideais são aquelas que apresentam alto poder de bioconcentração. Ou seja, são capazes de reter níquel, por exemplo, em teor comparável ao encontrado no solo. Além disso, precisam ter alta capacidade de translocação dos metais para a parte aérea (porção que se desenvolve acima do solo, incluindo caule, folhas, flores e frutos). E também alta produção de biomassa para serem incineradas – o minério é então extraído de suas cinzas.

    “Não adianta uma planta concentrar muito metal mas ser pequena. No caso do níquel, para ser considerada eficiente para agromineração, uma espécie de planta candidata precisa permitir produzir 10 toneladas por hectare”, explicou Nascimento.

    Por meio de estudos de campo realizados em Niquelândia, em Goiás, os pesquisadores identificaram algumas espécies de interesse. Algumas das limitações, contudo, é que não crescem em outros ambientes que não o Cerrado, produzem pouca biomassa e acumulam pouca quantidade do metal.

    “Elas atingem o limiar de concentração de níquel para serem consideradas hiperacumuladoras de mil ppm [partes por milhão] do metal na parte aérea, mas não alcançam a meta de 10 mil ppm, que as tornariam interessantes para uso comercial”, disse Nascimento.

    Caça às hiperacumuladoras

    A fim de tentar identificar candidatas a hiperacumuladoras de metais ideais no Brasil, os pesquisadores têm feito parcerias com as principais mineradoras do país. Pesquisadores realizam esses estudos em campo, especialmente em áreas de mineração e em regiões onde ocorrem os chamados solos ultramáficos. Ou seja, originados de rochas muito ricas em níquel, cromo e cobalto, por exemplo.

    De acordo com o pesquisador, esse tipo de solo ocupa entre 1% e 3% da superfície terrestre, tem baixos teores de nutrientes essenciais para as plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio, e alta relação de magnésio. “Para um solo ser viável para a agricultura ele precisa, geralmente, ter mais cálcio do que magnésio. No caso dos solos ultramáficos, essa relação é inversa: têm maiores proporções de magnésio do que cálcio”, explicou o pesquisador.

    Clístenes Williams Araújo do Nascimento, professor da UFRPE. Foto: Elton Allison/Agência FAPESP

    “Não adianta uma planta concentrar muito metal mas ser pequena. No caso do níquel, para ser considerada eficiente, uma espécie candidata precisa produzir 10 toneladas por hectare”, diz o pesquisador.

    Especiais

    “Por isso, as plantas que conseguiram se adaptar a esses ambientes, ao longo de milhões de anos, são muito especiais. Porque algumas conseguem evitar a absorção desses metais disponíveis nesses solos, como níquel, cromo, cobalto e ferromanganês. Já outras, como as hiperacumuladoras, desenvolveram a habilidade de crescer nesses solos pobres em nutrientes, ricos em metais pesados tóxicos para outras espécies e absorvê-los em altas concentrações.”

    Para ser considerada hiperacumuladora, uma espécie de planta precisa apresentar a capacidade de absorver mais de 100 microgramas por grama de cádmio. Ou mais de 300 de cobalto, mais de mil de níquel, 3 mil de zinco e 10 mil de manganês, apontou Nascimento.

    “Algumas teorias sobre as razões de essas plantas terem desenvolvido a capacidade de hiperacumulação de metais focam a proteção do ataque de patógenos e pragas ou a ocupação de nichos ambientais. Poderia ser uma vantagem para elas crescerem em um ambiente onde outras espécies não resistiriam”, detalhou o agrônomo.

    Busca em herbários

    Outros lugares onde os pesquisadores têm procurado identificar essas espécies de plantas são nos principais herbários do país. Por meio de análises realizadas nesses espaços, eles identificaram em Pernambuco, em 2024, uma espécie de planta conhecida popularmente como feijão-bravo-preto ou folha-dura (Capparidastrum frondosum). Ela é capaz de acumular grandes quantidades de zinco. “Essa planta também possui grande quantidade de biomassa”, afirmou Nascimento.

    Para medir a concentração de metais em expedições em campo ou herbários, os pesquisadores usam um equipamento portátil de fluorescência de raios x. Com ele é possível estimar, em até 30 segundos, a concentração de metais nas folhas e nos caules das plantas. “Por meio desse equipamento é possível analisar mais de 300 espécies de plantas por dia disponíveis nas coleções dos herbários”, disse Nascimento.

    Os pesquisadores já visitaram e estão analisando as coleções dos herbários da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da UFRPE, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, da Embrapa Recursos Genéticos e Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto deste ano vão iniciar o mesmo trabalho no herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia, e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, considerado o maior do país. “Até o momento já fizemos a análise de mais de 8 mil exsicatas [amostras de partes de plantas desidratadas] presentes nessas coleções”, afirmou Nascimento.

    Impulso

    O trabalho deve ganhar maior impulso com a recente aprovação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da criação do Instituto Nacional de Biotecnologias para o Setor Mineral (Inabim), coordenado por Nascimento e sediado na UFRPE. Um dos objetivos do Inabim é buscar soluções para desafios nacionais, como a recuperação de áreas degradadas pela mineração, o aproveitamento de resíduos e a produção de novos materiais.

    O instituto terá a participação de pesquisadores vinculados à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). E também da Universidade Estadual Paulista (Unesp), entre outras instituições, sublinhou o pesquisador. “Também pretendemos analisar o herbário da Esalq a fim de identificar espécies de plantas candidatas para agromineração”, antecipou Nascimento à Agência FAPESP.

    Por Elton Alisson, de Recife | Agência FAPESP

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  • Doenças agrícolas ameaçam lavouras no Brasil

    Doenças agrícolas ameaçam lavouras no Brasil

    As lavouras brasileiras enfrentam uma série de doenças agrícolas que comprometem a produtividade e a qualidade das colheitas. A ferrugem asiática, por exemplo, continua sendo uma das maiores ameaças à soja, principal cultura agrícola do Brasil. Já a mancha da ramulária afeta severamente o algodão, enquanto o cancro cítrico é um desafio constante para os produtores de laranjas e outros cítricos.

    Outras doenças agrícolas igualmente preocupantes incluem a ferrugem do cafeeiro, que reduz a qualidade e a quantidade da produção de café, e a mancha de alternária, que afeta tomates, trazendo prejuízos econômicos e impactando a cadeia de abastecimento.

    O manejo eficaz dessas doenças é crucial para garantir a sustentabilidade da agricultura brasileira, que desempenha um papel vital na segurança alimentar global.

    Avanços no manejo integrado e novas soluções no mercado

    Para enfrentar esses desafios, agricultores têm investido cada vez mais em práticas de manejo integrado, que combinam defensivos biológicos, produtos químicos e técnicas de cultivo sustentável. Nesse contexto, uma nova solução chegou ao mercado com a proposta de ampliar a eficácia no controle de doenças e reduzir os impactos ambientais.

    Um dos destaques dessa nova abordagem é um produto à base de cobre e enxofre, Triunfe®, o novo multissítio da Vittia, desenvolvido para atuar em doenças-chave como a ferrugem asiática, o cancro cítrico e a ferrugem do cafeeiro. Sua fórmula exclusiva garante alta eficácia, ao mesmo tempo em que reduz o risco de resistência devido à atuação em múltiplos sítios.

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    Além da ação preventiva, curativa e irradiante, o produto se destaca por sua formulação concentrada, que facilita a aplicação e minimiza a dispersão de ingredientes ativos no ambiente. Sua compatibilidade com defensivos biológicos também o torna uma opção versátil para o manejo integrado de lavouras.

    Com alta estabilidade e fixação duradoura nas folhas, a solução oferece proteção prolongada, auxiliando os agricultores no combate a doenças e na preservação da produtividade. Essa inovação reflete a tendência de soluções tecnológicas que aliam eficiência e sustentabilidade, respondendo às demandas de uma agricultura moderna e ambientalmente responsável.