Tag: Clonagem

  • Araucária gigante cai e mobiliza corrida científica para preservar DNA raro

    Araucária gigante cai e mobiliza corrida científica para preservar DNA raro

    A queda da quarta maior araucária do Brasil, na Estação Experimental da Embrapa em Caçador (SC), disparou uma operação de resgate genético contra o relógio. Uma equipe da Embrapa Florestas viajou até o município para coletar material genético e tentar clonar o exemplar. Ele era apelidado carinhosamente de “Pinheirão” por pesquisadores que conviveram com ele por décadas.

    Com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito (DAP), o espécime era o quarto maior da espécie Araucaria angustifolia no país, segundo levantamentos do professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A queda ocorreu nas últimas semanas, mas não há confirmação da data exata.

    A corrida contra o tempo

    Após chegar ao local, a equipe avaliou as condições das brotações na copa do Pinheirão. “O ideal é que a coleta deste tipo de material ocorra entre cinco e dez dias após a queda. No entanto, a equipe encontrou brotações ainda viáveis”, explica o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas.

    O material coletado seguiu para enxertia em laboratório. Os pesquisadores devem confirmar o sucesso do procedimento em cerca de 100 dias. A altura do Pinheirão, que por décadas impediu qualquer intervenção no topo da árvore, só se tornou acessível com o tombamento. “Esse material se encontra no alto, na copa da árvore e, em virtude de sua altura, o procedimento só seria possível por meio de escalada, o que era inviável nesta árvore, ou, infelizmente, com seu tombamento”, explica Paulo César, bolsista da equipe.

    Equipe da Embrapa Florestas se mobilizou para coleta de material genético e tentativa de clonagem da árvore. Foto: Katia Pichelli / Embrapa Florestas

    A iniciativa busca preservar características genéticas raras da espécie, incluindo altura e longevidade excepcionais.

    Vínculo científico e emocional

    Para Anderson Feltrim, gerente da Estação Experimental da Epagri em Caçador, a mobilização vai além do interesse científico. “A mobilização atual reflete não apenas o valor científico da árvore, mas também o vínculo ao longo dos anos de todos nós que convivemos com ela. Assim que constatamos a queda, acionamos a Embrapa, pois entendemos o valor científico de estudá-la”, afirmou.

    A Embrapa Florestas já tem experiência nesse tipo de operação. Em Cruz Machado (PR), a instituição conduziu a clonagem de outra araucária de grande porte após queda semelhante. Um caso que serve de referência técnica para o trabalho atual.

    Uma idade ainda desconhecida

    O Pinheirão nunca revelou sua idade com precisão. O tronco oco inviabilizava a dendrocronologia, técnica que determina a idade de uma árvore pela contagem dos anéis de crescimento no interior do tronco. Em árvores em pé e íntegras, a leitura se faz com um trado que extrai uma amostra de madeira a partir da altura do peito, onde os anéis costumam ser mais regulares e representativos. Com o tombamento, tornou-se possível retirar discos do tronco para contagem direta.

    A equipe, com orientação do técnico Arnaldo Soares da Embrapa Florestas, pretende coletar discos em uma região onde a madeira permanece íntegra, por volta dos cinco metros de altura. A contagem, porém, indicará apenas uma idade mínima: os anos iniciais de crescimento, anteriores ao momento em que o tronco atingiu aquela altura, ficam fora do registro.

    A pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot, do Laboratório de Monitoramento da Embrapa Florestas, acompanhou o Pinheirão desde 2003. Foi quando a equipe instalou experimentos na estação em parceria com professores e alunos da UFPR. “Devido à fragilidade observada no tronco, optou-se por não se proceder a nenhuma investigação para determinar sua idade, mas certamente esta árvore serviu de inspiração para muitos de nossos trabalhos”, conta.

    Além disso, o exemplar também figurava na agenda de visitantes internacionais, como pesquisadores da FAO, da Universidade Politécnica de Madri, do Centro Agronômico de Investigação e Ensino (CATIE, Costa Rica) e da Rede Internacional de Bosques Modelo (Canadá).

    Os últimos registros em vida

    Em novembro de 2025, o fotógrafo Zé Paiva e o cinegrafista Gustavo Fonseca foram os últimos profissionais a documentar o Pinheirão ainda em pé. A dupla estava em Caçador para o projeto “Reinvenção da Natureza”, do SESC, que mapeou 12 árvores gigantes do Sul do Brasil com base no trabalho do prof. Scipioni.

    “É muito forte a sensação de sermos os últimos fotógrafos documentando essa árvore tão impressionante, sentir a força da natureza, mas também o impacto de ver a finitude da vida e que a vida está sempre se renovando”, disse Paiva.

    Últimos registros oficiais do Pinheirão quando ele ainda estava em pé foram feitos em novembro de 2025. Foto: Zé Paiva/Vista Imagens

    O projeto resultará em uma exposição artística multimídia, com vídeos e experiência imersiva sobre a Floresta Ombrófila Mista. A mostra deve estrear no primeiro semestre na galeria do SESC Concórdia e, no segundo semestre, no SESC Itajaí. Acompanhe o perfil @zepaivaphoto para mais informações.

    Scipioni coordena um dos principais levantamentos de árvores gigantes do Sul do Brasil, mapeando exemplares com mais de 1,5 metro de diâmetro, hoje cada vez mais escassos. Além disso, o trabalho envolve expedições a campo, análise de anéis de crescimento e estudo de araucárias e imbuias de grande porte. E tem foco em ecologia, conservação e importância ambiental.

    Clima extremo derruba gigantes

    Em estudo recente, Scipioni investigou a relação entre mudanças climáticas e a queda de árvores monumentais no Sul do Brasil. A pesquisa analisou eventos de 2023 e concluiu que o fator determinante para o tombamento não é o vento, mas a saturação do solo, que perde resistência e compromete a ancoragem das raízes.

    “O peso elevado e as copas largas dessas árvores centenárias as tornam particularmente vulneráveis a essas mudanças climáticas induzidas pelo El Niño”, explica o professor. O aumento das chuvas extremas transforma terrenos argilosos em superfícies instáveis para árvores de grande porte. O que exige, portanto, estratégias urgentes de conservação e monitoramento proativo para proteger esse patrimônio ecológico e cultural.

  • Brasil cria 1º porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS

    Brasil cria 1º porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS

    Criação de porco no Brasil sempre foi sinônimo de prato cheio e exportações recordes, mas agora o setor acaba de ganhar uma função nobre que vai muito além da gastronomia. O país acaba de anunciar o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina focado especificamente em fornecer órgãos para seres humanos via SUS. Essa técnica, chamada de xenotransplante, utiliza o animal como um doador compatível, resolvendo um dos maiores gargalos da saúde pública: a fila de espera por um rim ou coração. A partir daí, o que era ciência de filme de ficção vira realidade dentro dos nossos laboratórios de genética.

    A elite da genética suína a serviço da vida

    Não se trata de um animal comum criado em qualquer granja. Esse suíno passou por modificações genéticas complexas para que seu organismo não sofra rejeição ao ser transplantado para um humano. O processo de clonagem garante que essas características especiais sejam replicadas com perfeição, criando uma linhagem de doadores padronizada. Além disso, a escolha do porco não é por acaso; a anatomia e o tamanho dos órgãos suínos são incrivelmente semelhantes aos nossos. Assim, a pecuária de precisão brasileira mostra que sua expertise em melhoramento genético pode salvar vidas em escala industrial.

    O marco histórico da ciência brasileira em 2026

    O nascimento deste animal é um divisor de águas para a biotecnologia nacional. No entanto, o desafio foi imenso, exigindo anos de estudos para “desligar” os genes que causariam ataques do sistema imunológico humano. O sucesso desse projeto coloca o Brasil em um grupo seleto de nações que dominam o ciclo completo da edição genética animal, provando que o conhecimento gerado no campo tem aplicações infinitas na cidade.

    Do laboratório ao sistema público de saúde

    O impacto dessa inovação no SUS será monumental nos próximos anos. Atualmente, milhares de brasileiros aguardam anos por um doador compatível, e muitos não sobrevivem à espera. Com a possibilidade de “produzir” esses órgãos em ambientes controlados e biosseguros, o cenário muda completamente. Em contraste com o sistema atual de doação voluntária, que é imprevisível, a clonagem para xenotransplante oferece uma oferta constante e segura. Por outro lado, o rigor sanitário na criação desses animais é dez vezes superior ao de uma granja comercial, exigindo instalações de isolamento total.

    O futuro do agro passa pela biotecnologia

    A consequência natural desse avanço é a abertura de um novo mercado para o agronegócio de alta tecnologia. O produtor que investe em genética e biosseguridade já entende que o valor agregado está no conhecimento técnico. Assim, o porco clonado brasileiro não é apenas um feito médico, mas um certificado de competência da nossa ciência animal. Além disso, esse projeto abre portas para que outros animais sejam utilizados na produção de biofármacos, consolidando o Brasil como o verdadeiro hub de soluções biológicas do planeta.

  • Como a ciência quer salvar o pau-rosa na Amazônia

    Como a ciência quer salvar o pau-rosa na Amazônia

    A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve uma pesquisa que pode transformar o futuro do pau-rosa (Aniba rosaeodora) na região amazônica. O projeto trabalha para superar os principais entraves que impedem o cultivo comercial desta árvore nativa, historicamente explorada de forma predatória.

    Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A espécie concentra alto valor econômico em seu óleo essencial, rico em linalol — composto que as indústrias de cosméticos e perfumaria fina utilizam amplamente. No entanto, a produção despencou nas últimas décadas: de 500 toneladas anuais nos anos 1970 para apenas 1.480 quilos em 2021.

    Clonagem por mini estacas promete produção em larga escala

    Os pesquisadores focam em três frentes principais: seleção de matrizes de alta qualidade, desenvolvimento de protocolos de clonagem por estaquia e definição de práticas agronômicas que reduzam perdas no plantio. A equipe também estabelece uma coleção de trabalho com materiais genéticos de diversas procedências, ampliando a base genética para apoiar as atividades de seleção e melhoramento.

    O projeto parte de 80 árvores-matrizes localizadas na propriedade da empresa Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). A equipe selecionou inicialmente as 10 plantas com maior vigor e teor de óleo acima de 1,5% na biomassa, reproduzidas por sementes.

    “Em novembro de 2025, iniciamos a retirada dos galhos dessas plantas para produzir os clones por enraizamento de miniestacas”, explica o pesquisador Edson Barcelos, da Embrapa Amazônia Ocidental, que lidera a iniciativa. O processo utiliza pequenos pedaços de plantas para que criem raízes e se desenvolvam em mudas idênticas à planta mãe.

    Da pesquisa básica à escala comercial

    O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) já estudou a reprodução do pau-rosa, porém ninguém aplicou a técnica em escala comercial. A Embrapa pretende aprimorar o método de enraizamento para viabilizar a produção em larga escala de mudas clonadas, seguindo o modelo de culturas consolidadas como café, eucalipto e erva-mate.

    Essencia e folhas secas de pau-rosa. Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A proposta estabelece um modelo completo que abrange desde a seleção genética até o manejo no campo. Os pesquisadores avaliarão diversos parâmetros agronômicos: época ideal e altura da poda, espaçamento entre plantas, tipos e doses de adubação, além de estratégias para controlar pragas e doenças.

    “Para plantar cinco hectares, precisamos de cinco mil mudas. Mas não encontramos sementes suficientes e, quando há, o material genético apresenta muita heterogeneidade. As plantas crescem de forma desigual e o teor de óleo varia drasticamente”, detalha Barcelos.

    Produção sustentável preserva as árvores

    O óleo essencial do pau-rosa concentra seu valor principalmente no linalol, composto químico que representa mais de 80% do produto e possui diversas aplicações comerciais. A pesquisa da Embrapa foca na produção sustentável voltada para esses usos, extraindo o óleo de folhas e galhos e mantendo a árvore viva.

    Durante décadas, exploradores cortaram o pau-rosa rente ao solo para extrair o óleo, sem replantio ou manejo adequado. Após a inclusão da espécie na lista de ameaçadas de extinção, essa prática foi proibida. No entanto, o Brasil ainda não desenvolveu tecnologia suficiente para o cultivo comercial, cuja área plantada hoje não ultrapassa 50 hectares, concentrados nos municípios amazonenses de Maués, Novo Aripuanã e Itacoatiara.

    Principais desafios do cultivo

    A escassez de mudas de qualidade representa um dos principais obstáculos. Plantios realizados a partir de sementes apresentam taxa de mortalidade entre 70% e 90%, além de grande variabilidade genética, o que compromete a uniformidade das plantas. O teor de óleo pode variar de 0,5% a 2,0%. A limitada experiência com sistemas de plantio e manejo adequados agrava o problema.

    Uma emenda parlamentar de R$ 250 mil permitiu construir estufas, adquirir vasos e equipamentos para um laboratório de extração de óleo. A casa de vegetação já funciona e, nos próximos meses, a equipe começará os testes de enraizamento com diferentes substratos — como terriço, fibra de coco e vermiculita — e hormônios vegetais.

    O projeto também investiga o uso da banana como cultura de sombreamento nos primeiros anos do pau-rosa. A estratégia oferece sombra ideal e retorno econômico para ajudar a custear o plantio. A pesquisa busca definir o melhor espaçamento, época e altura de poda, adubação e controle de pragas.

    “Vamos criar um sistema de produção validado”, acrescenta o pesquisador.

    Agricultores familiares testam cultivo como alternativa

    Agricultores familiares da zona rural de Manaus testam o cultivo do pau-rosa como alternativa à extração em florestas nativas. Em 2012, famílias dos assentamentos no ramal ZF 4 e a Embrapa iniciaram o plantio de 230 mudas em áreas de roçado de mandioca e capoeira. Os produtores consorciaram as mudas com frutíferas perenes e, em 2020, observaram as primeiras florações.

    Apesar da taxa de mortalidade de 47%, atribuída a pragas, sombreamento e estresse hídrico, as plantas consorciadas apresentaram sobrevivência 50% superior em comparação às cultivadas em capoeira e 60% menos mortalidade. Os técnicos recomendaram a poda das plantas sombreadoras para estimular a biomassa e a reprodução, visando a coleta de sementes e a extração de óleo em agroindústrias familiares.

    Burocracia trava comercialização do óleo

    Além da escassez de mudas de qualidade e da alta mortalidade, a burocracia excessiva na comercialização do óleo essencial representa outro entrave importante. Durante o Simpósio de Óleos Essenciais realizado em Manaus, em outubro de 2025, especialistas e empresários propuseram a “Carta do Pau-Rosa”, iniciativa que busca sensibilizar autoridades para destravar processos que dificultam o avanço da cadeia produtiva. As muitas exigências afastam os compradores, que preferem substituir o pau-rosa por outros óleos.

    Com a consolidação do sistema de produção, a expectativa é fortalecer a cadeia produtiva regional, promover a conservação da espécie e gerar novas oportunidades econômicas para comunidades amazônicas e empreendedores.

    “Estamos construindo um modelo que alia ciência, conservação e desenvolvimento regional. O pau-rosa pode voltar a ser símbolo de riqueza, desta vez, com sustentabilidade”, conclui Barcelos.

  • Vaca de R$ 21 milhões é clonada com sucesso no Brasil

    Vaca de R$ 21 milhões é clonada com sucesso no Brasil

    A nelore Viatina-19 FIV Mara Móveis, avaliada em vinte e um milhões de reais, e considerada a segunda vaca mais cara do mundo, acaba de ganhar uma réplica geneticamente idêntica. O clone, nascido tres meses atras em Uberada, Minas Gerais, é fruto de dois anos de tentativas. Essa clonagem representa um marco par a pecuária de elite no país.

    A operação foi realizada pela empresa Geneal, que devem a patente de clonagem bovina no Brasl. O procedimento custou cerda de 100 mil e abre caminho para multiplicar o potencial financeiro e genético de animais de alto valor

    Por que clonar uma vaca milionária?

    A resposta está na genética impecável de Viatina, descendente de pais campeões e dona de características como costela aberta, ossatura forte e aprumos perfeitos. Seus embriões são vendidos por valores milionários.

    Com a clonagem, os criadores esperam dobrar a produção de descendentes, ampliando a comercialização de material genético e garantindo um “seguro” contra perdas acidentais

    A técnica utilizada é a transferência nuclear de células somáticas, mesma usada na ovelha Dolly em 1996. Pesquisadores inseriram células da pele de Viatina em óvulos sem DNA e os estimularam com choques elétricos para simular a fecundação. O embrião resultante foi implantado em uma “barriga de aluguel”, mas o parto precisou ser realizado por cesariana, pois clones não rompem a bolsa amniótica naturalmente. O motivo da bolsa não romper a ciência ainda não decifrou completamente.

    Desafios e riscos da clonagem

    A taxa de sucesso é de apenas 4%, e os primeiros meses de vida do clone são críticos: muitos bezerros morrem por fragilidade. Por isso, a bezerra réplica de Viatina permanece sob monitoramento 24h em uma clínica especializada, com entrega prevista após quatro meses de vida. “É um processo complexo, mas essencial para perpetuar genéticas excepcionais”, explica Lorrany Martins, veterinária da Fazenda Napemo, uma das proprietárias de Viatina.

    A clonagem bovina já produziu mais de 700 animais no Brasil desde 2001, impulsionando raças como nelore, gir e guzerá. A prática foi regulamentada em 2024 pela Lei 15.021, que exige registro público de clones e controle sanitário.

  • Sancionada lei que regula clonagem e material genético animal

    Sancionada lei que regula clonagem e material genético animal

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta semana, a Lei Nº 15.021/2024, a lei da clonagem.  Ela estabelece normas para o controle e a fiscalização de material genético animal e a obtenção de clones de animais domésticos de interesse zootécnico. O Diário Oficial da União publicou a nova legislação, com assinatura do presidente e dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Fernando Haddad (Fazenda).

    Esta sanção representa um marco importante para a zootecnia brasileira, regulamentando a produção, manipulação, importação, exportação e comercialização de material genético animal, incluindo bovinos, caprinos e aves. A lei é oriunda do Projeto de Lei Nº 5.010/2013 e visa garantir maior segurança jurídica e eficiência na aplicação das normas relacionadas à clonagem.

    Definições e fiscalização

    A nova legislação define termos essenciais como clonagem e material genético, e estabelece que o Poder Público federal realizará a fiscalização. Isso inclui aspectos higiênico-sanitários, de segurança e desempenho produtivo em locais como laboratórios e portos.

    A lei determina que somente fornecedores registrados no órgão competente do Poder Público federal podem realizar atividades relacionadas ao material genético animal. A supervisão e emissão de certificados ficarão sob responsabilidade dos serviços veterinários oficiais.

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    Os fornecedores serão responsabilizados por danos causados e devem garantir a qualidade e a identidade do material genético. A circulação e manutenção desse material devem ser documentadas em um banco de dados público. A legislação considera infrações ações que violem suas normas, com penalidades que variam desde advertências até multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão.

    O presidente Lula vetou o artigo 14, § 1º, VIII da lei por inconstitucionalidade. O dispositivo previa a perda de incentivos fiscais sem especificar quais seriam afetados, o que poderia causar insegurança jurídica.

    Objetivos da nova lei

    Com a sanção da lei, espera-se promover avanços significativos na clonagem e manipulação de material genético animal no Brasil. A nova legislação entra em vigor 90 dias após sua publicação.

    Essas medidas visam não apenas regular o setor, mas também responder a questões éticas e ambientais relacionadas ao uso da clonagem na agropecuária. O governo brasileiro busca garantir um controle mais rigoroso sobre as práticas relacionadas ao material genético animal, promovendo um ambiente mais seguro para os produtores.

    Documentação necessária

    A regulamentação da circulação e manutenção de material genético ou de clones no Brasil exige documentação rigorosa e acompanhamento por parte do poder público federal. Um registro genealógico dos clones será realizado sob a supervisão do órgão competente. Os serviços veterinários oficiais serão responsáveis pela emissão de certificados sanitários e de propriedade, além de autorizar o fornecimento de material genético e clones para a produção de novos clones.

    Embora o projeto foque em animais domésticos, a clonagem de animais silvestres nativos do Brasil requer autorização prévia do órgão ambiental federal. Além disso, a liberação no meio ambiente de qualquer clone dependerá da autorização do Ibama, especialmente se os animais tiverem parentes silvestres ou ancestrais diretos que ocorrem nos biomas brasileiros.

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    Durante as discussões em plenário, a relatora, deputada Adriana Ventura, rejeitou emendas de partidos como o PT e o PSB.

    “A gente não está falando de todos os animais, a gente não está falando de cão e gato, a gente está falando de alguns animais que são importantes para a pesquisa, que são importantes para que a gente possa produzir, comercializar e principalmente para manter muitas espécies que têm risco de extinção. O projeto avança no sentido de dar essa segurança, de ter esse banco de dados, de certificar pessoas que comercializam animais,” afirmou a deputada Adriana Ventura.

    A revolução chamada Dolly

    A clonagem de animais, como a aprovada pela Câmara, traz à mente o caso de Dolly. A ovelha se tornou um ícone da ciência em 1996.

    Dolly foi a primeira mamífera a ser clonada a partir de uma célula adulta, um feito revolucionário que desafiou as noções anteriores sobre a biologia e a reprodução. Ou seja, o processo de clonagem de Dolly começou com a extração de uma célula da glândula mamária de uma ovelha adulta.  Além disso, os cientistas inseriram essa célula em um óvulo de outra ovelha, do qual haviam removido o núcleo. Em seguida, realizaram uma série de procedimentos, incluindo a estimulação elétrica para iniciar a divisão celular, e implantaram o embrião resultante em uma terceira ovelha, que deu à luz Dolly.

    Dolly, portanto, não apenas demonstrou a viabilidade da clonagem, mas também levantou questões éticas e científicas sobre o tratamento de animais clonados, a saúde a longo prazo deles e as implicações para a conservação de espécies que em risco de extinção. A história de Dolly continua a influenciar debates sobre clonagem e biotecnologia, destacando a necessidade de regulamentação rigorosa e ética na aplicação dessas tecnologias.

    Animais domésticos

    O primeiro gato doméstico clonado do mundo, chamado “CC”, nasceu em 22 de dezembro de 2001. Seu nome é uma alusão à expressão em inglês “copy cat”, que significa “cópia”, e também à técnica de reprodução de documentos chamada “carbon copy”. Ao contrário de muitos clones, CC não apresentou problemas de saúde e já teve filhotes, destacando-se como um exemplo positivo na clonagem de animais.

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    Em seguida, em 22 de abril de 2005, nasceu Snuppy, o primeiro cão clonado da história, na Coreia do Sul. O processo de clonagem foi desafiador, com 127 tentativas de implantar embriões, das quais apenas três resultaram em gravidez. Após um aborto, apenas dois filhotes sobreviveram ao nascimento, mas infelizmente um deles faleceu. Snuppy, o único sobrevivente, tornou-se um marco na pesquisa sobre clonagem animal e suas implicações.

  • Clonagem de animais é aprovada no Brasil; entenda a lei

    Clonagem de animais é aprovada no Brasil; entenda a lei

    O projeto de lei que regulamenta a clonagem de animais, com foco na pecuária, foi aprovado pela Câmara dos Deputados, em Brasília.

    A proposta, originada no Senado, agora seguirá para sanção presidencial, marcando um passo significativo na biotecnologia animal no Brasil.

    O Projeto de Lei 5010/13 classifica os clones como “animais domésticos de interesse zootécnico”, abrangendo uma variedade de espécies, como bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, equinos, asininos, muares, suínos, coelhos e aves.

    A legislação busca garantir a identificação e o controle dos clones gerados, registrando-os em um banco de dados gerido pelo poder público. Este banco incluirá informações genéticas para assegurar a propriedade e a identidade do material genético animal.

    Para garantir a rastreabilidade, a proposta estipula que todas as informações relacionadas à produção, circulação, manutenção e destinação dos clones serão centralizadas em um banco de dados de acesso público.

    O projeto ainda determina que os clones que estiverem em ciclos de produção fechada, caracterizados por contenção ou confinamento, não poderão ser liberados no meio ambiente.

    Documentação necessária

    A regulamentação da circulação e manutenção de material genético ou de clones no Brasil exige documentação rigorosa e acompanhamento por parte do poder público federal. Um registro genealógico dos clones será realizado sob a supervisão do órgão competente. Os serviços veterinários oficiais serão responsáveis pela emissão de certificados sanitários e de propriedade, além de autorizar o fornecimento de material genético e clones para a produção de novos clones.

    Embora o projeto foque em animais domésticos, a clonagem de animais silvestres nativos do Brasil requer autorização prévia do órgão ambiental federal. Além disso, a liberação no meio ambiente de qualquer clone dependerá da autorização do Ibama, especialmente se os animais tiverem parentes silvestres ou ancestrais diretos que ocorrem nos biomas brasileiros.

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    Durante as discussões em plenário, a relatora, deputada Adriana Ventura, rejeitou emendas de partidos como o PT e o PSB.

    “A gente não está falando de todos os animais, a gente não está falando de cão e gato, a gente está falando de alguns animais que são importantes para a pesquisa, que são importantes para que a gente possa produzir, comercializar e principalmente para manter muitas espécies que têm risco de extinção. O projeto avança no sentido de dar essa segurança, de ter esse banco de dados, de certificar pessoas que comercializam animais,” afirmou a deputada Adriana Ventura.

    A revolução chamada Dolly

    A clonagem de animais, como a aprovada pela Câmara, traz à mente o caso de Dolly. A ovelha se tornou um ícone da ciência em 1996.

    Dolly foi a primeira mamífera a ser clonada a partir de uma célula adulta, um feito revolucionário que desafiou as noções anteriores sobre a biologia e a reprodução. Ou seja, o processo de clonagem de Dolly começou com a extração de uma célula da glândula mamária de uma ovelha adulta.  Além disso, os cientistas inseriram essa célula em um óvulo de outra ovelha, do qual haviam removido o núcleo. Em seguida, realizaram uma série de procedimentos, incluindo a estimulação elétrica para iniciar a divisão celular, e implantaram o embrião resultante em uma terceira ovelha, que deu à luz Dolly.

    Dolly, portanto, não apenas demonstrou a viabilidade da clonagem, mas também levantou questões éticas e científicas sobre o tratamento de animais clonados, a saúde a longo prazo deles e as implicações para a conservação de espécies que em risco de extinção. A história de Dolly continua a influenciar debates sobre clonagem e biotecnologia, destacando a necessidade de regulamentação rigorosa e ética na aplicação dessas tecnologias.

    Animais domésticos

    O primeiro gato doméstico clonado do mundo, chamado “CC”, nasceu em 22 de dezembro de 2001. Seu nome é uma alusão à expressão em inglês “copy cat”, que significa “cópia”, e também à técnica de reprodução de documentos chamada “carbon copy”. Ao contrário de muitos clones, CC não apresentou problemas de saúde e já teve filhotes, destacando-se como um exemplo positivo na clonagem de animais.

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    Em seguida, em 22 de abril de 2005, nasceu Snuppy, o primeiro cão clonado da história, na Coreia do Sul. O processo de clonagem foi desafiador, com 127 tentativas de implantar embriões, das quais apenas três resultaram em gravidez. Após um aborto, apenas dois filhotes sobreviveram ao nascimento, mas infelizmente um deles faleceu. Snuppy, o único sobrevivente, tornou-se um marco na pesquisa sobre clonagem animal e suas implicações.