Tag: Citros

  • Exportações de suco de laranja têm melhor julho em três anos

    Exportações de suco de laranja têm melhor julho em três anos

    As exportações brasileiras de suco de laranja cresceram em julho e alcançaram o melhor resultado para o mês desde 2023. O desempenho ganha relevância porque a demanda global continua enfraquecida, segundo análise do Cepea.

    No primeiro mês da temporada 2026/27, o Brasil exportou 75,2 mil toneladas de suco de laranja. O volume considera o equivalente concentrado e representa alta de 7,3% sobre julho de 2025. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, o resultado reforça o desempenho do setor exportador brasileiro.

    Maior disponibilidade de frutas favorece embarques

    Em julho de 2025, a safra 2025/26 ainda estava no início e tinha pouca fruta disponível. Além disso, a colheita mais tardia reduziu a oferta de matéria-prima para processamento naquele período. Agora, o cenário mudou com a recomposição dos estoques de suco.

    A indústria também conta com maior disponibilidade de frutas de boa qualidade para processamento. Com isso, as empresas conseguem ampliar os embarques, mesmo diante da demanda internacional enfraquecida. O resultado, portanto, representa um início positivo para as exportações brasileiras na temporada 2026/27.

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  • Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    As negociações da safra 2026/27 de laranja para a indústria avançam de forma gradual. No entanto, o ritmo de contratação segue lento. Segundo o Cepea, muitas indústrias ainda priorizam o processamento de frutas próprias. Além disso, algumas empresas já recebem frutas de terceiros por contratos renegociados.

    O Centro de Pesquisas informa que a qualidade e o rendimento industrial condicionam o avanço das negociações. Por isso, as compras ainda ocorrem de forma seletiva. Como grande parte dos pomares não atingiu a maturação ideal, as indústrias concentram aquisições em frutas de meia estação. Essas frutas vêm, principalmente, das regiões mais adiantadas do norte de São Paulo e do Triângulo Mineiro.

    Preferências das processadoras

    Enquanto isso, o percentual de variedades precoces aumenta no campo. Mesmo assim, agentes consultados pelo Cepea relatam preferência das processadoras por frutas de meia estação. As indústrias buscam pomares com estágio mais avançado de desenvolvimento. Dessa forma, tentam garantir melhor qualidade para o processamento.

    Fontes do setor também apontam qualidade abaixo do esperado em áreas fora do cinturão citrícola paulista e do Triângulo Mineiro. O cenário aparece com maior intensidade no Paraná. Como resultado, o potencial de valorização das frutas produzidas no estado paranaense pode ficar limitado neste início de temporada.

    Por outro lado, o Cepea destaca uma retomada gradual das atividades industriais. Com isso, a expectativa é de aumento do número de unidades em operação durante julho.

  • Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na segunda-feira (8), os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul, marcando a chegada de uma das doenças mais devastadoras da citricultura mundial ao estado.

    Um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina, registrou a ocorrência. A rede oficial de laboratórios do Ministério confirmou o caso por meio de análises laboratoriais.

    Monitoramento e resposta rápida

    A detecção do greening no estado é resultado de um programa contínuo de vigilância fitossanitária conduzido desde 2004 pelo Mapa, por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul (SFA-RS), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).

    Nos últimos anos, os órgãos responsáveis intensificaram as ações devido ao avanço da doença em regiões próximas, como a Argentina, o Uruguai e o estado de Santa Catarina, o que aumentou o risco de disseminação para o território gaúcho.

    Equipes técnicas já estão mobilizadas na região afetada para realizar o monitoramento de propriedades vizinhas e implementar medidas emergenciais de contenção.

    Medidas fitossanitárias e controle do vetor

    As ações seguem o Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.

    Entre as principais medidas adotadas estão:

    • Erradicação imediata das plantas infectadas
    • Controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor da doença
    • Intensificação da fiscalização do trânsito de mudas
    • Ampliação da vigilância em pomares comerciais e domésticos

    O Serviço Oficial reforça que o uso de mudas certificadas e de origem regular é fundamental para evitar a disseminação do greening.

    Impactos do greening na citricultura

    O greening é considerado a principal ameaça fitossanitária da citricultura global. A doença não oferece riscos à saúde humana, mas provoca sérios prejuízos econômicos.

    Entre os principais impactos estão:

    • Deformação e queda prematura dos frutos
    • Redução da qualidade e do teor de suco
    • Queda significativa da produtividade
    • Enfraquecimento e morte das plantas

    No Brasil, maior produtor mundial de laranja, a doença já causa prejuízos relevantes, especialmente no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais.

    Alerta para produtores do Sul

    A confirmação no Rio Grande do Sul acende um alerta para produtores da região Sul, onde a citricultura tem papel importante na agricultura familiar e no abastecimento regional.

    Especialistas destacam que a detecção precoce e a adoção rigorosa de medidas sanitárias são essenciais para evitar a disseminação do greening e proteger a cadeia produtiva.

  • Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    O avanço do greening dominou parte dos debates da 51ª Expocitros, que termina nesta sexta-feira (29), em Cordeirópolis (SP). Durante a feira, a Corteva Agriscience apresentou tecnologias voltadas ao controle do psilídeo, inseto responsável pela disseminação da doença. Além disso, reforçou a necessidade de manejo integrado para preservar a produtividade dos pomares brasileiros.

    Realizado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, o evento reuniu produtores, pesquisadores, consultores e empresas do setor. O encontro ocorreu em meio ao aumento da preocupação com os impactos do greening sobre a citricultura nacional. Paralelamente, aconteceu a 48ª Semana da Citricultura.

    Entre os destaques da companhia esteve o inseticida Incitro, desenvolvido para o manejo do psilídeo (Diaphorina citri) e do bicho-furão (Gymnandrosoma aurantianum). A tecnologia foi apresentada como uma ferramenta estratégica no combate à principal ameaça fitossanitária da cultura atualmente.

    Segundo Guilherme Ogata, líder de Portfólio de Citrus, Café e Hortifrúti da Corteva Agriscience, o greening atingiu um nível de criticidade que passou a impactar diretamente a sustentabilidade produtiva e econômica dos pomares.

    “O produtor vive hoje um cenário muito mais complexo. O greening deixou de ser um problema isolado e passou a exigir acompanhamento constante, tomada de decisão rápida e estratégias integradas dentro da propriedade”, afirmou.

    De acordo com o executivo, o principal desafio atual está no controle contínuo do psilídeo. Isso ocorre, principalmente, diante da velocidade de disseminação da praga e das mudanças observadas no comportamento do inseto nos últimos anos.

    Resistência preocupa produtores e exige novas estratégias

    Outro ponto que ganhou destaque durante a feira foi a preocupação crescente com a resistência aos inseticidas tradicionais. Segundo Ogata, o manejo de resistência passou a ser indispensável para manter a eficiência das aplicações ao longo das safras.

    Além disso, o executivo afirmou que o controle contínuo do psilídeo exige maior planejamento dentro das propriedades. Isso porque o comportamento da praga mudou nos últimos anos. Com isso, produtores passaram a intensificar o monitoramento nos pomares.

    Nesse cenário, a Corteva apresentou o Incitro como uma solução desenvolvida especificamente para a citricultura. O inseticida possui a molécula Jemvelva Active, exclusiva da empresa. Segundo a companhia, o produto apresenta um modo de ação único no mercado.

    Entre os diferenciais apontados estão o alto poder de choque, o amplo espectro de controle e o efeito residual prolongado. Além disso, a tecnologia possui seletividade e curto intervalo de segurança. Assim, a colheita pode ser realizada um dia após a aplicação.

    Equipe da Corteva na Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “O produtor precisa de ferramentas eficientes no controle imediato da praga. No entanto, também precisa de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade do manejo no longo prazo”, destacou Ogata.

    A empresa também levou para a Expocitros o Verter SC, inseticida foliar com tecnologia Isoclast active. A solução atua no controle de mosca-branca e pulgões. Além disso, integra as estratégias de manejo do psilídeo.

    Segundo a Corteva, o combate ao greening não depende apenas de novas tecnologias. Pelo contrário. O alinhamento regional entre produtores passou a ser decisivo. Da mesma forma, o monitoramento constante e a eliminação de plantas contaminadas ganharam ainda mais importância.

    “A atuação isolada já não resolve mais. Por isso, o manejo integrado virou peça-chave para preservar a produtividade e reduzir a pressão do greening nos cinturões citrícolas”, reforçou o executivo.

    Citricultura busca preservar competitividade

    A edição de 2026 da Expocitros aprofundou debates sobre sanidade vegetal, bioinsumos, sustentabilidade, energia, inovação tecnológica e gestão dentro das propriedades rurais.

    Além das tecnologias para manejo fitossanitário, a Corteva também apresentou durante o evento a campanha “Puro Suco do Brasil”. A iniciativa foi criada para valorizar a importância econômica da citricultura brasileira.

    A ação destaca a geração de mais de 200 mil empregos e a movimentação anual de cerca de US$ 14 bilhões pelo setor.

    Além disso, a empresa informou que pretende ampliar o relacionamento com produtores e agroindústrias. Para isso, a campanha deve ganhar novas ações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola.

    Para Guilherme Ogata, o futuro da citricultura brasileira dependerá diretamente da capacidade do setor em controlar o avanço do greening nos próximos anos.

    “O Brasil segue como referência mundial na produção de citros. No entanto, o avanço da doença exige respostas rápidas e integradas. Sem controle eficiente, os impactos sobre produtividade, longevidade dos pomares e competitividade tendem a crescer”, concluiu.

  • São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou nesta quinta-feira (28) uma nova resolução com medidas voltadas à prevenção e ao controle do HLB/Greening, considerada a principal doença da citricultura brasileira.

    A pasta oficializou as mudanças por meio da Resolução SAA nº 32 de 2026, divulgada no Diário Oficial do Estado. Além disso, o texto segue as diretrizes da Portaria SDA/MAPA nº 1.326, publicada em julho de 2025 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para reforçar as ações de defesa agropecuária no estado.

    Municípios passam a ter classificação por incidência

    Entre as principais novidades, a resolução cria uma divisão dos municípios paulistas conforme o nível de contaminação pelo greening.

    A partir de agora, cidades com até 10% de pomares contaminados entram na categoria de baixa incidência. Já os municípios que ultrapassarem esse índice passam a integrar a classificação de alta incidência da doença.

    Segundo a secretaria, a medida busca direcionar as estratégias de combate e tornar o controle mais eficiente em cada região produtora.

    Monitoramento do psilídeo será quinzenal

    Além da nova classificação, o governo paulista também determinou o monitoramento quinzenal do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do greening.

    Os produtores deverão acompanhar a presença do inseto em pomares de qualquer idade. Dessa forma, as autoridades pretendem impedir que o psilídeo complete o ciclo entre as fases de ovo e adulto.

    Regra para erradicação de plantas muda em áreas críticas

    A resolução também alterou as exigências para eliminação de plantas contaminadas.

    Nos municípios classificados com alta incidência, produtores que possuem árvores adultas doentes não precisarão mais arrancar essas plantas obrigatoriamente.

    Por outro lado, a erradicação continuará obrigatória para plantas novas com até três anos de idade nessas localidades.

    Enquanto isso, cidades enquadradas como áreas de baixa incidência deverão manter a eliminação de plantas contaminadas em todas as faixas etárias.

    Transporte de frutas terá novas exigências

    O governo paulista também modificou as regras para o transporte interestadual de frutas cítricas.

    A partir da nova norma, produtores e empresas precisarão realizar o processamento e a escovação das frutas antes do envio para outros estados.

    Segundo a secretaria, o objetivo é retirar folhas e ramos que possam transportar vetores da doença durante o trânsito da carga. A única exceção prevista pela medida vale para a Tangerina Ponkan.

    Por fim, a secretaria informou que as novas regras valem para plantas dos gêneros Citrus spp., Fortunella spp. e Poncirus spp.

  • RS abre oficialmente safra de citros

    RS abre oficialmente safra de citros

    A cidade de Montenegro recebe, nesta sexta-feira (29), a 26ª edição da abertura oficial da safra estadual de citros. O evento acontece na localidade de Fortaleza, no interior do município, e deve reunir agricultores, técnicos, lideranças do agronegócio e representantes do governo estadual.

    A programação está marcada para começar às 14h, na propriedade da família Kehl, tradicional produtora da região. Entre as autoridades confirmadas está o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena.

    A cerimônia marca oficialmente o início da colheita de frutas cítricas no Estado, especialmente de bergamotas, laranjas e limões, culturas que possuem forte peso econômico no Vale do Caí.

    RS projeta nova safra robusta de citros

    A expectativa do setor é manter os bons resultados registrados nas últimas colheitas. Em 2025, a projeção para o Rio Grande do Sul foi de cerca de 450 mil toneladas de citros, envolvendo mais de 10 mil famílias produtoras e aproximadamente 25 mil hectares plantados.

    Os citros estão entre as frutas mais produzidas no RS — Foto: MAPA

    O município de Montenegro segue como um dos principais polos da citricultura gaúcha, especialmente na produção de bergamota. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a cidade tem expectativa anual de colher cerca de 54 mil toneladas de bergamotas; 5,5 mil toneladas de laranjas e 400 toneladas de limões.

    Além disso, a região do Vale do Caí concentra uma das maiores produções cítricas do Estado e se destaca pela qualidade das frutas, favorecida pelo clima mais frio do Rio Grande do Sul.

    Setor também monitora avanço do greening

    Outro tema que deve ganhar destaque durante a abertura da safra é a preocupação com o greening, doença considerada uma das maiores ameaças à citricultura mundial.

    Nos últimos anos, produtores e órgãos públicos intensificaram ações de prevenção no Vale do Caí. Em Montenegro, a prefeitura mantém programas de monitoramento e controle para evitar a disseminação da doença nos pomares da região.

    O greening afeta diretamente a produtividade das plantas e pode levar à morte dos pomares, causando prejuízos significativos para os produtores.

  • Citricultura brasileira ganha destaque na Expocitros 2026

    Citricultura brasileira ganha destaque na Expocitros 2026

    A abertura oficial da 51ª Expocitros e da 47ª Semana da Citricultura reuniu autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio brasileiro no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, interior de São Paulo. O evento ocorre entre os dias 26 e 29 de maio de 2026 e conta com 89 expositores. Além disso, reforça o papel da pesquisa, da inovação e da integração da cadeia produtiva para o fortalecimento da citricultura nacional.

    Promovida no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, unidade de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Agronômico (IAC), a cerimônia começou com o hasteamento das bandeiras e a execução do Hino Nacional. O IAC integra a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    Compuseram o palco o secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho; a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad; o ex-ministro da Agricultura e embaixador especial da ONU para Agricultura e Alimentação, Roberto Rodrigues; o diretor da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios da APTA, Carlos Nabil Ghobril; o diretor-geral do Instituto Agronômico, Marcos Lândell; e o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Evento reforça integração da cadeia citrícola

    Durante o discurso inicial, o diretor do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Dirceu Mattos Junior, ressaltou a importância histórica da Expocitros para o setor.

    “Desde o nascimento, nunca foi apenas um evento, mas um sistema integrado de colaboração, em que reunimos essa cadeia de produção e tantos atores do agronegócio brasileiro. É o terceiro evento mais tradicional do Brasil. Continuamos existindo após 52 anos de sua criação e temos como propósito ser melhor que o ano anterior”, afirmou.

    Na sequência, o coordenador-geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Marcos Guimarães de Andrade Lândell, destacou a tradição da pesquisa paulista voltada à citricultura.

    “O Instituto Agronômico trabalha há muito tempo com citros, durante todo o século 20 e continuamos ainda mais forte no século 21. Quero parabenizar a todos os pesquisadores e técnicos que nos apoiam e se dedicam para que as coisas sejam realizadas com excelência para que pudéssemos ter uma citricultura tão forte como a que temos hoje”, declarou.

    A prefeita Cristina Saad afirmou que o município amplia sua presença no cenário nacional e internacional por meio da citricultura.

    “Cordeirópolis abre suas portas não só para o Brasil, mas para o mundo através do Centro de Citricultura da nossa cidade. É um orgulho e um prazer muito grande contribuir com tudo isso”, disse.

    Homenagens reconhecem trajetórias do agro

    A solenidade também contou com homenagens voltadas à pesquisa, ao trabalho social e à trajetória de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da citricultura brasileira.

    Neste ano, a entidade social homenageada foi a Acesac (Ação Social e Educativa da Paróquia de Santo Antônio de Cordeirópolis). A presidente da instituição, Célia Aparecida Evangelista Avi, recebeu uma doação entregue por Afonso Nogueira Filho, diretor comercial da Luma Implementos Agrícolas.

    Outro destaque da cerimônia foi a entrega da Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao ex-ministro Roberto Rodrigues. A honraria reconhece personalidades que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento científico e para o fortalecimento do Instituto Agronômico e do agro paulista.

    Roberto Rodrigues recebe homenagem na abertura da Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Após receber a homenagem, Roberto Rodrigues fez um pronunciamento marcado pela emoção e por reflexões sobre o atual momento do país e do agronegócio brasileiro.

    “Eu tenho recebido algumas homenagens que muito me honram e me orgulham. Eu tenho amor pela agricultura, eu gosto de trabalhar com agricultura. Hoje é emoção pura, estou segurando as pontas aqui”, afirmou.

    O ex-ministro também destacou a ligação histórica com o Instituto Agronômico e com o setor citrícola paulista.

    “Vejo aqui diversas gerações, vejo alunos meus que se tornaram meus amigos, e estar aqui, na casa onde eu nasci, realmente me traz muita emoção”, declarou.

    Roberto Rodrigues alerta para momento de crise

    Ao comentar o cenário econômico e produtivo, Roberto Rodrigues avaliou que o agro atravessa um período desafiador. Ainda assim, reforçou confiança no futuro do setor.

    “Vivemos um momento complicadíssimo no Brasil, mas vai passar. É como um tsunami. O problema é quando a onda volta. Quem não estiver com raízes firmes vai embora com ela”, disse.

    Segundo ele, o cenário atual supera outras crises já enfrentadas pelo agronegócio brasileiro.

    “As crises passam, e essa, particularmente, é a maior que eu já vivi, pois não é uma crise nacional, fruto de problemas internos. É muito maior, mais grave e mais violenta, mas vai passar. O futuro é fantástico, portanto, fiquemos vivos”, afirmou.

    Além disso, o tradicional Dia do Citricultor homenageou José de Alencar Matta, produtor rural que construiu sua trajetória na citricultura a partir do trabalho familiar e da expansão das atividades agrícolas no interior paulista.

    O Prêmio GCONCI – Hall da Fama da Citricultura Brasileira foi entregue ao pesquisador Walter dos Santos Soares Filho. O agrônomo é referência nacional em melhoramento genético de citros e atua na Embrapa Mandioca e Fruticultura.

    Já o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura reconheceu Hamilton Humberto Ramos, pesquisador científico do Instituto Agronômico, com atuação voltada à tecnologia e segurança na aplicação de defensivos agrícolas.

    Pesquisa e inovação ganham espaço no evento

    O Prêmio Centro de Citricultura 2026, com o tema “Inovação para o Futuro da Citricultura”, foi concedido ao AcaroLab, da UNESP/FCAV de Jaboticabal. O laboratório se destaca pelos trabalhos desenvolvidos em manejo integrado de ácaros e pesquisas relacionadas à leprose dos citros.

    Além disso, a programação apresentou resultados inéditos de pesquisas sobre os benefícios do consumo de suco de laranja para a saúde humana. O conteúdo foi exibido em vídeo institucional com participação dos pesquisadores da USP Franco Lajolo e Neuza Hassimotto.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Durante o encerramento da solenidade, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou a importância econômica da citricultura brasileira e o papel estratégico da pesquisa para o avanço do setor.

    “Estar aqui hoje é uma honra, uma satisfação, pela importância do setor, pela importância dos produtores, pelo que a citricultura representa pro Brasil. Estar nesse solo tão fértil, com tanto conhecimento, tecnologia e solução que tanto contribuiu para o agro brasileiro”, afirmou.

    Segundo o secretário, o setor enfrenta um momento delicado, marcado por desafios econômicos e sanitários.

    “O setor como um todo está passando por um momento muito delicado, muito sensível. Produzir nesse momento de crise é algo desafiador, mas envolve pesquisa, tecnologia, acesso a mercado, preços internacionais, sanidade, principalmente contra o greening”, destacou.

    Governo paulista reforça apoio ao produtor

    Geraldo Melo Filho também reforçou a importância do apoio ao produtor rural.

    “O principal papel do Estado é o apoio ao produtor que está exposto a todos os riscos, estar ao lado desse produtor nos momentos de crise e de necessidade”, concluiu.

    Na sequência, a organização realizou o tradicional brinde de encerramento com suco de laranja.

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura seguem até o dia 29 de maio com programação técnica, exposição de tecnologias, debates sobre inovação e apresentações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola brasileira.

  • Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptaram na última semana uma carga de aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O motivo: a presença do inseto Prodiplosis longifila, praga quarentenária ausente no Brasil e com potencial de devastar culturas estratégicas do agronegócio nacional.

    A carga era composta por 200 caixas do produto. Equipes do Vigiagro identificaram o inseto durante a fiscalização de rotina e enviaram amostras ao laboratório no dia 8 de maio. O laudo conclusivo saiu na última quarta-feira (13) após análises que incluíram exame visual, morfologia em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.

    Uma praga com muitos nomes e um só problema

    Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a Prodiplosis longifila é um inseto de difícil controle. Segundo a Embrapa, suas larvas se desenvolvem no interior de tecidos vegetais (botões florais, brotos terminais e frutos jovens) provocando deformações, abortamento de flores e queda de produtividade. O inseto se adapta melhor a climas quentes e úmidos e consegue se dispersar por voo em até 300 metros.

    A espécie, classificada como praga quarentenária A1 no Brasil, já está presente na Colômbia e no Peru e representa uma das maiores preocupações fitossanitárias do país. Pesquisadores da Embrapa apontam que regiões de fronteira, sobretudo aquelas vizinhas a países onde a praga já ocorre, são os pontos de entrada mais vulneráveis ao território nacional.

    Impacto potencial sobre o agronegócio

    A lista de culturas em risco é extensa: tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra, batata e cebola. Estudos publicados em periódico científico registram perdas de até 100% na produção de tomate na Colômbia e de até 60% no Equador. No Peru, o inseto também provoca prejuízos consideráveis nos cultivos de aspargo.

    Nos países onde a praga já está estabelecida, como Peru, Equador e Colômbia, sua chegada causou perdas volumosas nas principais zonas produtoras de tomate e pimentão. Em Manabí, no Equador, a Prodiplosis longifila ocupa o posto de praga mais importante do tomate desde 1996.

    Sem controle adequado, a praga pode provocar perdas de rendimento superiores a 50% em batata, aspargo e outras hortaliças. A maioria dos produtores afetados recorre ao uso intensivo de inseticidas sintéticos como única estratégia de combate. O que eleva custos de produção e gera riscos ambientais.

    No Brasil, uma eventual introdução do inseto poderia afetar diretamente as cadeias produtivas de citros e hortaliças, comprometer mercados de exportação e exigir gastos elevados com programas de contenção. A introdução de pragas quarentenárias, sem medidas fitossanitárias adequadas, provoca impactos sociais, ecológicos e econômicos. Portanto, com elevação dos custos de exportação por barreiras fitossanitárias e gastos com programas de controle oficial.

    O papel do Vigiagro na proteção das fronteiras

    O Vigiagro conta atualmente com 111 Serviços e Unidades de Vigilância Agropecuária distribuídos em portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais. A estrutura realiza a fiscalização de cargas, produtos de origem vegetal e animal e bagagens em trânsito internacional, com o objetivo de impedir o ingresso de pragas ainda ausentes no território nacional.

    O caso de Guarulhos reforça a importância da vigilância ativa nas fronteiras,  especialmente em um país com um dos maiores agronegócios do mundo. A Embrapa coordena um arranjo de pesquisa com 40 projetos voltados à prevenção e ao manejo de pragas quarentenárias, envolvendo 25 centros de pesquisa e parceiros internacionais, com foco em reduzir riscos de entrada e os impactos econômicos dessas ameaças.

  • Safra de laranja 2026/27 avança com incertezas

    Safra de laranja 2026/27 avança com incertezas

    A safra brasileira de laranja 2026/27 se aproxima com dúvidas sobre contratos e preços. A produção ocorre no cinturão de São Paulo e no Triângulo Mineiro.

    Segundo o Cepea, o mercado ainda não sinaliza contratos exclusivos para a nova temporada. Além disso, o setor mantém cautela diante das indefinições sobre volumes e valores negociados.

    A exemplo do ciclo anterior, a safra deve apresentar perfil mais tardio. Nesse cenário, a produção pode se concentrar na segunda florada. Os pesquisadores indicam que o mercado deve definir preços e volumes apenas em 8 de maio. A data coincide com a divulgação do levantamento do Fundecitrus.

    Em termos gerais, o Cepea projeta uma safra ligeiramente menor que a anterior. Ainda assim, o volume total deve permanecer elevado. Por outro lado, o cenário preocupa agentes do setor. O mercado enfrenta dificuldades no escoamento de suco e nos embarques brasileiros.

    Além disso, a safra 2025/26 pode terminar com estoques elevados e suco de boa qualidade. Com isso, a indústria pode limitar a absorção da nova produção. O setor inicia o novo ciclo sem clareza sobre preços e demanda externa. A Europa ainda não comprou os volumes tradicionais até o momento.

  • Acordo Mercosul-UE pode impulsionar citros brasileiros

    Acordo Mercosul-UE pode impulsionar citros brasileiros

    O acordo Mercosul-União Europeia pode ampliar a competitividade do setor citrícola brasileiro no mercado europeu, avalia o Cepea. O pacto deve ser oficializado em 17 de janeiro e representa oportunidade de médio prazo para retomar vendas ao bloco europeu.

    O acordo prevê eliminação gradual de tarifas para o suco de laranja exportado pelo Brasil. Para o suco não concentrado (NFC), o prazo de isenção tarifária chega a quatro anos.

    Já o suco concentrado congelado (FCOJ) terá redução tarifária entre sete e dez anos. Além disso, o acordo inclui salvaguardas e mecanismos de monitoramento das exportações. Estimativas da CitrusBR indicam economia acumulada de cerca de US$ 320 milhões nos primeiros cinco anos.

    Segundo pesquisadores do Cepea, essa redução de custos pode favorecer a retomada dos embarques ao bloco europeu. Na safra 2025/26, as exportações brasileiras de suco de laranja seguem abaixo do registrado no ciclo anterior. Entre julho e dezembro de 2025, o Brasil exportou 423,26 mil toneladas de suco concentrado, em equivalente a 66° brix. O volume representa queda de 5,4% em relação ao mesmo período da safra 2024/25. Os dados são da Comex Stat, do MDIC, analisados pelo Cepea.

    Do total embarcado, 51,9% tiveram como destino os Estados Unidos. A União Europeia respondeu por 41,5% das exportações no período analisado. Essa participação ficou abaixo da registrada até a safra passada. Até então, o bloco europeu absorvia mais de 60% dos embarques brasileiros de suco de laranja.