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  • Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    O calendário agrícola no Sudoeste de Goiás mudou de lógica: já não se fala mais em “safrinha”, mas em segunda safra como parte essencial da renda do produtor. Em 2026, o ciclo começou sob pressão, com atraso de até 15 dias no plantio e mais nove dias perdidos na colheita por excesso de chuvas em fevereiro, cenário que tirou parte das lavouras da janela ideal. Ainda assim, a expectativa é de recuperação com clima favorável em abril e início de maio, mantendo o potencial produtivo das áreas.

    A avaliação é de Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura, que acompanha de perto a dinâmica da região durante a Tecnoshow Comigo 2026, realizada em Rio Verde. Segundo ele, o produtor conseguiu reagir rapidamente aos imprevistos, reduzindo um atraso superior a 20 dias para cerca de uma semana.

    “O agricultor hoje está muito bem estruturado e equipado. Mesmo com adversidades, ele conseguiu encurtar esse intervalo e manter a operação dentro de um limite aceitável”, afirma.

    O impacto inicial veio do atraso no plantio da soja, provocado por chuvas no início da safra e períodos nublados que prolongaram o ciclo da cultura. Isso empurrou a colheita para além da janela ideal, coincidindo com chuvas intensas na primeira quinzena de fevereiro, período crítico para a retirada dos grãos do campo.

    Segunda safra deixa de ser complemento e vira pilar

    Mais do que um ajuste de calendário, a mudança reflete uma transformação estrutural no agronegócio. A segunda safra deixou de ser uma cultura de cobertura e passou a ser determinante para a rentabilidade anual.

    “O produtor não pensa mais em culturas isoladas. Ele trabalha com um calendário produtivo completo, seja soja e milho ou soja e sorgo. A segunda safra é fundamental para fechar essa conta”, explica Castro.

    Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com custos elevados, especialmente de fertilizantes, a margem do produtor está mais apertada. Nesse contexto, manter produtividade nas duas safras tornou-se condição básica para viabilidade econômica.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento reforçam a relevância do estado no cenário nacional. Goiás deve produzir mais de 36 milhões de toneladas de grãos, ocupando posição de destaque no país, embora com leve recuo na produtividade nesta temporada.

    Pressão de pragas cresce com “ponte verde”

    Outro desafio típico da região é a chamada “ponte verde”, resultado da sucessão contínua de culturas ao longo do ano. Esse cenário favorece a sobrevivência e multiplicação de pragas.

    No milho, a cigarrinha segue como principal preocupação, mas divide espaço com um novo protagonista: o pulgão, que ganhou relevância, especialmente em regiões mais quentes do Cerrado.

    “Hoje, o pulgão já está no mesmo nível de importância da cigarrinha. É uma praga que aparece cedo e exige atenção redobrada”, alerta.

    Para enfrentar esse cenário, a aposta está em tecnologia e inovação. Entre as soluções, o inseticida Efficon se destaca pelo efeito imediato no controle de pragas vetoras, reduzindo a transmissão de doenças como o enfesamento. No campo das doenças, o foco está no controle da Bipolaris, com novos fungicidas baseados na tecnologia Revysol.

    Além da proteção química, a escolha de sementes com genética avançada também é estratégica. Cultivares mais resistentes a estresses climáticos e doenças ajudam a garantir estabilidade produtiva, mesmo em anos adversos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Clima pode aliviar pressão no fim do ciclo

    Apesar dos desafios iniciais, a previsão climática traz alívio. A expectativa é de chuvas dentro da normalidade em abril e início de maio, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras que ficaram fora da janela ideal.

    Esse cenário reforça a importância do manejo integrado e da tomada de decisão baseada em dados, prática cada vez mais comum entre produtores da região.

    Durante a feira, considerada uma das principais vitrines tecnológicas do país, empresas apresentam soluções que vão desde sementes até plataformas digitais de monitoramento, consolidando o evento como referência na difusão de conhecimento técnico.

    “A agricultura é dinâmica e cada região tem sua particularidade. Aqui, a intensidade do sistema produtivo exige soluções específicas e um olhar atento para cada detalhe”, conclui Castro.

    A Tecnoshow segue até o dia 10 de abril, reunindo produtores, técnicos e empresas em busca de alternativas para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica das lavouras.