Tag: cerveja artesanal

  • Por que a cerveja de Bariloche tem sabor único? A resposta está nas montanhas

    Por que a cerveja de Bariloche tem sabor único? A resposta está nas montanhas

    Quando a neve cobre as montanhas da Patagônia Argentina, ela não apenas muda a paisagem de Bariloche. Meses depois, o degelo da Cordilheira dos Andes alimenta rios, lagos e nascentes que fornecem a matéria-prima responsável pela fama cervejeira da cidade: a água.

    A cidade celebra o Dia Internacional da Cerveja, data que cai na primeira sexta-feira de agosto, como uma oportunidade para apresentar um dos sabores mais característicos de Bariloche. Ao longo das últimas décadas, o destino consolidou-se como um dos principais polos de cerveja artesanal da Argentina.

    Água do degelo garante equilíbrio às receitas

    A água proveniente do degelo se destaca pela baixa concentração de minerais, uma característica que mestres cervejeiros valorizam bastante. Essa composição oferece uma base mais neutra e permite que maltes, lúpulos e leveduras expressem seus aromas e sabores com maior equilíbrio.

    Esse ingrediente representa cerca de 90% da composição da cerveja. Portanto, explica sua importância central no processo produtivo. A água do degelo andino favorece a produção de diferentes estilos, preserva aromas e cria harmonia entre malte, lúpulo e leveduras.

    Imigração europeia molda a tradição cervejeira local

    O patrimônio natural da região, somado ao clima frio da Patagônia e à forte influência de imigrantes alemães, suíços e austríacos, impulsionou o desenvolvimento de uma tradição cervejeira que hoje integra a identidade gastronômica de Bariloche.

    Foto: Emprotur

    Assim, a cidade reúne dezenas de cervejarias artesanais, que produzem estilos clássicos como Pilsen, IPA, APA, Porter e Stout. Muitos mestres cervejeiros também criam receitas exclusivas com ingredientes típicos da região. Frutas vermelhas patagônicas, mel e variedades locais de lúpulo aparecem em rótulos que traduzem a biodiversidade da Patagônia em novas experiências sensoriais.

    Brewpubs conectam produção artesanal e turismo gastronômico

    Experimentar a produção local já faz parte do roteiro turístico de Bariloche. Brewpubs espalhados pela cidade permitem que os visitantes acompanhem o processo de fabricação enquanto degustam cervejas harmonizadas com pratos típicos da Patagônia, como cordeiro, truta, embutidos artesanais e tábuas de queijos.

    A cerveja artesanal vai além de uma atração gastronômica: ela integra a experiência completa de visitar Bariloche. Depois de um dia de esqui no Cerro Catedral, uma caminhada pelos bosques ou um passeio pelos lagos da região, muitos visitantes fazem das cervejarias uma parada obrigatória para descobrir os sabores da Patagônia. Essa combinação entre natureza, aventura e gastronomia forma um dos grandes diferenciais que tornam Bariloche um destino completo em qualquer época do ano.

    Inverno reforça o clima acolhedor das cervejarias

    No inverno, a experiência ganha um charme especial. Depois de um dia nas pistas de esqui ou explorando as paisagens nevadas, bares e cervejarias se transformam em pontos de encontro para moradores e turistas em busca de um ambiente acolhedor para apreciar os sabores da região.

    Segundo o Emprotur Bariloche, o turismo gastronômico tem conquistado cada vez mais espaço entre os visitantes brasileiros, que buscam experiências capazes de conectar natureza, cultura e gastronomia. Nesse cenário, a cerveja artesanal deixou de ser apenas uma bebida para se tornar uma expressão da identidade patagônica.

    Produzida com a água do degelo da Cordilheira dos Andes e fruto de uma tradição construída ao longo de décadas, a cerveja artesanal representa um dos sabores mais autênticos de Bariloche. Ao unir paisagens naturais, esportes de montanha e uma rica cultura gastronômica, o destino oferece aos visitantes uma forma única de conhecer a Patagônia. Portanto, um brinde que começa na neve e continua muito além dela.

  • Seminário internacional debate futuro da cerveja artesanal

    Seminário internacional debate futuro da cerveja artesanal

    Juiz de Fora recebe, no dia 26 de agosto, o 1º Seminário Internacional das Cervejarias Mineiras, evento que vai discutir tendências, desafios e oportunidades do mercado cervejeiro no Brasil. A iniciativa, organizada pelo Sebrae Minas e pela Associação das Cervejarias da Zona da Mata Mineira (Unicerva ZM), reúne produtores, especialistas e representantes da cadeia produtiva para analisar o cenário atual do setor.

    O seminário integra a programação da Semana da Cerveja Mineira 2026, que acontece entre os dias 24 e 30 de agosto na cidade. A agenda inclui o Concurso Mineiro de Cervejas, a Feira Tecnológica, com fornecedores de equipamentos, insumos e soluções, e o Festival da Cerveja Mineira, que reúne cervejarias, gastronomia e atrações musicais.

    A programação do seminário inclui palestras e mesas-redondas sobre temas estratégicos, como comportamento do consumidor, inovação, avanços técnicos e posicionamento de mercado. O evento prioriza a troca de conhecimento, o networking e a qualificação dos participantes.

    Especialistas internacionais

    O evento contará com a presença de dois especialistas europeus: Luc de Raedemaeker, da Bélgica, e Henri Reuchlin, da Holanda. Eles vão apresentar experiências de mercados cervejeiros mais maduros e contribuir com referências sobre qualidade, cultura cervejeira e inserção internacional.

    Luc de Raedemaeker dirige o Brussels Beer Challenge e preside a Associação de Lambic da Bélgica. Ele abordará temas como produção cervejeira e cervejas monásticas. Já Henri Reuchlin, fundador da BIERburo, da plataforma StiBON e do Dutch Beer Challenge, falará sobre concursos internacionais, cultura cervejeira e o cenário europeu.

    Segundo o analista do Sebrae Minas, Gustavo Magalhães, o seminário deve gerar insights sobre mudanças no consumo, novos formatos de venda e estratégias de posicionamento. A proposta, segundo ele, é fortalecer a identidade e a competitividade das cervejarias artesanais brasileiras.

    O coordenador-geral da Semana da Cerveja, João Cleber Gonçalves, destaca que o evento também vai estimular conexões e parcerias no setor. A expectativa é ampliar a relevância da região no mercado cervejeiro nacional.

    Rota turística cervejeira

    Durante o seminário, os organizadores vão apresentar o pré-lançamento da Rota Turística Caminhos e Cervejas. O projeto reúne cervejarias artesanais, atrativos turísticos, gastronomia e hospedagem em um roteiro integrado de turismo de experiência.

    A rota conecta 24 estabelecimentos em três polos cervejeiros: Juiz de Fora (12), Petrópolis (9) e Três Rios (3). A iniciativa busca impulsionar o turismo qualificado, valorizar a cultura local e ampliar a competitividade regional.

    Polo cervejeiro em crescimento

    Juiz de Fora se consolidou como um dos principais polos de cerveja artesanal em Minas Gerais. Entre 2018 e 2022, o número de cervejarias registradas no Ministério da Agricultura dobrou, passando de 15 para 30 unidades.

    Atualmente, o município ocupa a segunda posição no estado e a sétima no país em número de cervejarias. Desde 2017, Juiz de Fora possui o статус de Arranjo Produtivo Local (APL), reconhecimento que reforça sua relevância na cadeia cervejeira.

    O setor movimenta cerca de R$ 48 milhões por ano na cidade, com geração de aproximadamente 120 empregos diretos e 600 indiretos. A produção mensal chega a 400 mil litros de cervejas especiais, segundo maior volume de Minas Gerais.

    Histórico do evento

    Realizada anualmente, a Semana da Cerveja Mineira atrai público crescente. Em 2025, o evento reuniu cerca de 20 mil pessoas e registrou o consumo de 20 mil litros de chope.

    O concurso contou com 60 cervejarias de 22 cidades mineiras. Já a Feira Tecnológica reuniu 17 expositores e 42 cervejarias de Minas Gerais e da região serrana do Rio de Janeiro.

    Serviço
    • Data: 26 de agosto
    • Horário: 12h às 18h
    • Local: Cultural Pub (Av. Eugênio do Nascimento, 815 – Aeroporto, Juiz de Fora)
    • Informações: (32) 99911-9991 (Unicerva) | (32) 99986-0262 (Sebrae Minas)
    • Site: www.cervejamineira.com.br
  • Cervejaria do interior conquista prêmio internacional com cerveja de trigo

    Cervejaria do interior conquista prêmio internacional com cerveja de trigo

    A cervejaria Ashby, de Amparo, no interior de São Paulo, conquistou medalha de prata com a Ashby Weiss na Copa Cervecera Mitad del Mundo, considerada a principal competição de cervejas artesanais do Equador. O resultado integra a lista de vencedores da décima edição do evento, divulgada recentemente.

    Fundada em 1993, a Ashby atua como uma das pioneiras na produção de cervejas especiais no Brasil. Com mais de três décadas de mercado, a marca acumula premiações nacionais e internacionais, consolidando sua presença no setor.

    A Copa Cervecera Mitad del Mundo reúne cervejarias de diversos países da América Latina e conta com avaliação de jurados especializados, incluindo profissionais internacionais do segmento cervejeiro. A premiação ocorre tradicionalmente durante o verão equatoriano.

    Clássica

    Inspirada nas receitas clássicas da Baviera, na Alemanha, a Ashby Weiss utiliza maltes de trigo e cevada em sua composição. A cerveja não passa por filtragem, característica típica do estilo Weissbier, o que garante aparência turva e presença de leveduras no fundo da garrafa.

    Cerveja Ashby Weiss
    Foto: Divulgação Ashby

    No perfil sensorial, a bebida apresenta sabor levemente adocicado, com baixo amargor e presença marcante de especiarias. No aroma, destacam-se notas de cravo e banana, características tradicionais do estilo. A recomendação de consumo inclui o uso do copo Weizen, com capacidade mínima de 500 ml, ideal para servir toda a garrafa e preservar a experiência sensorial.

    O estilo Weissbier surgiu na Alemanha, no século XV, associado a uma família nobre da Baviera. O nome deriva do alemão, em que “Weiss” significa branco e “bier”, cerveja. E é uma referência à coloração mais clara em comparação a outros estilos da época. Com a imigração alemã para o Brasil, especialmente para a região Sul, o estilo se popularizou e ganhou versões nacionais.

    Além da recente medalha de prata, a Ashby Weiss já acumula mais de dez premiações internacionais, incluindo medalha de ouro na edição de 2024 da mesma competição. A cerveja harmoniza com pratos condimentados, já que a alta carbonatação contribui para limpar o paladar entre as degustações.

    Segundo Scott Ashby, fundador da cervejaria, a inspiração para a receita veio das tradicionais cervejarias do sul da Alemanha. “Buscamos referência nas grandes cervejarias da Baviera e desenvolvemos uma receita autêntica. Mesmo competindo com rótulos renomados de diversos países, conquistamos essa medalha e mostramos que o Brasil tem qualidade no setor cervejeiro”, afirma.

  • Sorgo vira matéria-prima de cerveja artesanal sem glúten

    Sorgo vira matéria-prima de cerveja artesanal sem glúten

    O brasileiro bebe, em média, 69 litros de cerveja por ano. Com o aumento da conscientização sobre a doença celíaca, cresce também a demanda por cervejas artesanais sem glúten. E cervejarias buscam substituir trigo e cevada por ingredientes alternativos como arroz, milho, milheto e, mais recentemente, o sorgo. Nutritivos, sustentáveis e capazes de gerar novos sabores, esses grãos impulsionam o potencial de crescimento desse nicho de mercado.

    Para explorar esse cenário, a Advanta Seeds Brasil firmou parceria técnica com a cervejaria paulista X Craft Beer e desenvolveu um lote experimental de cerveja à base de sorgo. Com receita exclusiva, o projeto comprova, na prática, a versatilidade do cereal como ingrediente estratégico para a indústria de bebidas.

    Mudar a percepção do sorgo

    O principal objetivo da iniciativa foi demonstrar o potencial técnico e sensorial do grão ancestral, ampliando sua percepção além dos usos tradicionais. Aline Silva, responsável pela área de inteligência de mercado da Advanta, explica a motivação: “O sorgo ainda é muito associado a uma cultura secundária, utilizada em safrinha, com destinação a ração ou biocombustíveis. Com essa iniciativa, buscamos provocar uma mudança de percepção, mostrando que ele também pode ser protagonista em produtos inovadores, conectando agricultura, indústria e consumidor final.”

    A cerveja experimental não está disponível comercialmente, mas cumpre seu papel como demonstração técnica das possibilidades do cereal.

    Parceria nasceu em evento do agronegócio

    Presente na história da humanidade há milênios, o sorgo já serve de base para bebidas fermentadas em regiões da África e da Ásia. No Brasil, a ideia de produzir uma cerveja com o grão era um projeto antigo da Advanta, inspirado em uma iniciativa realizada pela empresa na Argentina. E encontrou o momento ideal para tomar forma após a conexão com a X Craft Beer em um evento do agronegócio em São Paulo.

    A X Craft Beer atua há 12 anos no mercado, possui fábrica própria há cinco e conta com um portfólio de mais de 30 rótulos registrados. Alexandre Lewis Xerxenevsky, cervejeiro com 16 anos de experiência e formação no Canadá e nos Estados Unidos, lidera a empresa e assumiu o desafio técnico do projeto.

    Desafio técnico exigiu processo específico

    A parceria resultou em uma cerveja experimental com mais de 50% de sorgo não maltado. A meta é chegar a um produto final com 100% do cereal. “Esse projeto vai além do produto: trata de inovação e sustentabilidade. Ao explorar o sorgo em uma bebida artesanal moderna, unimos tradição e tecnologia, valorizando um grão com herança cultural e grande potencial para cadeias produtivas sustentáveis”, destaca Aline.

    O processo utilizou condução enzimática e técnicas modernas de brassagem. Xerxenevsky explica o desafio: “O sorgo não maltado não possui naturalmente as enzimas necessárias para converter o amido em açúcares fermentáveis. Foi preciso desenvolver um processo específico, com controle rigoroso de temperatura, pH e uso de enzimas, garantindo eficiência na conversão e qualidade final da cerveja.”

    Para o estilo, o cervejeiro optou por uma Pale Ale com lúpulos americanos e adição mínima de cevada. “O resultado foi surpreendente. Chegamos a uma cerveja leve, refrescante, com baixo teor alcoólico e características únicas de aroma e sabor”, afirma.

    Receptividade positiva abre caminho para novos lotes

    Os primeiros lotes chegaram a colaboradores, parceiros e fornecedores durante eventos da Advanta e geraram receptividade positiva, incluindo pedidos por novas produções.

    Foto: Divulgação

    Aline ressalta que a intenção da empresa não é entrar no mercado de bebidas em escala, mas sim movimentar a cadeia produtiva. “Demonstramos que, quando a indústria identifica oportunidades, é possível desenvolver produtos inovadores e diferenciados. Além disso, o sorgo representa uma alternativa interessante para o público que busca opções sem glúten mais acessíveis e de qualidade”, conclui.

  • Vai encarar? Cerveja é feita a partir de dejetos suínos

    Vai encarar? Cerveja é feita a partir de dejetos suínos

    Embrapa Suínos e Aves, sediada em Concórdia (SC), desenvolveu uma cerveja artesanal produzida com água obtida a partir do tratamento de dejetos de suínos, em um experimento que mira a sustentabilidade e o reúso hídrico na suinocultura e no agronegócio. O produto não tem fins comerciais, mas foi criado como prova de conceito para mostrar o potencial tecnológico de transformar um resíduo problemático em recurso de alto valor agregado e seguro para uso, inclusive em aplicações de contato direto com o consumo humano.

    Divulgação – Embrapa/Jairo Backes

    O ponto de partida do projeto é o sistema de tratamento de efluentes da suinocultura, capaz de separar sólidos, recuperar energia e nutrientes e gerar uma água que já atende padrões legais para reúso agrícola e descarte em corpos d’água. A partir dessa etapa, os pesquisadores submeteram o efluente tratado a um processo adicional de purificação, com clarificação, filtração e análises rigorosas, até alcançar parâmetros de potabilidade compatíveis com os das estações de tratamento de água convencionais.

    Só então essa água foi utilizada na produção de uma cerveja artesanal experimental, em bateladas pequenas, da ordem de dezenas de litros, voltada a degustações técnicas, eventos científicos e ações de comunicação. O objetivo é ilustrar, de forma extrema e didática, a eficiência dos processos de tratamento.

    Reforçando que, do ponto de vista sanitário, a água resultante pode atingir qualidade similar à de fontes tradicionais, desde que submetida a protocolos adequados de controle.

    Prova de conceito para economia circular na suinocultura

    Embora a “cerveja de dejetos” chame a atenção pela estranheza, a Embrapa enfatiza que o foco central do trabalho é a sustentabilidade da suinocultura, um dos segmentos mais intensivos em uso de água e geração de resíduos no campo. Ao mostrar que a água oriunda dos dejetos pode ser elevada ao padrão de potabilidade, o projeto reforça a lógica da economia circular, em que o que antes era visto como passivo ambiental passa a ser insumo estratégico.

    Na prática, a aplicação mais imediata dessa água não é a fabricação de bebidas. Mas o reúso em processos produtivos, como irrigação, lavagem de instalações, resfriamento de equipamentos e até apoio a sistemas integrados, como piscicultura. Em paralelo, o avanço de tecnologias de gerenciamento hídrico já permite reduzir significativamente o consumo de água nas granjas, com ajustes de manejo, equipamentos mais eficientes e reaproveitamento planejado de efluentes, diminuindo custos e pressão sobre os mananciais.

    Reúso de água no agro ganha visibilidade

    O experimento da Embrapa ocorre em um momento em que o reúso de água ganha importância estratégica no agronegócio, diante de eventos climáticos extremos, competição por recursos hídricos e exigências ambientais mais rigorosas. Embora o Brasil tenha avançado em normas de reúso para contextos urbanos e industriais, o campo ainda carece de marcos regulatórios específicos e claros para a utilização segura de efluentes tratados em diferentes etapas da produção.

    Iniciativas como a cerveja experimental ajudam a colocar o tema no centro do debate público. E aproximar a discussão técnica da percepção do consumidor e da sociedade em geral. Ao explorar um exemplo que mexe com o imaginário, como transformar dejetos em cerveja, os pesquisadores abrem espaço para discutir riscos reais, barreiras culturais, limites regulatórios e, principalmente, o potencial de tecnologias limpas para tornar a suinocultura mais competitiva, eficiente e alinhada às demandas de sustentabilidade.

    Desafios de aceitação e próximos passos

    Se, do ponto de vista científico, o principal desafio é comprovar a segurança e a robustez dos processos de tratamento, na esfera social pesa a resistência à ideia de consumir qualquer produto associado a dejetos, mesmo que a água final seja quimicamente idêntica à de outras fontes. Especialistas em comunicação e percepção de risco apontam que esse tipo de reação é esperada e que a construção de confiança passa por transparência, divulgação de dados e participação de órgãos reguladores.

    Para a Embrapa, a experiência com a cerveja serve também como plataforma para dialogar com formuladores de políticas públicas, indústria, produtores e consumidores sobre a necessidade de atualizar normas, padronizar parâmetros de qualidade e criar ambientes regulatórios que incentivem o reúso seguro. Em um cenário de crescente pressão por eficiência hídrica, projetos que demonstram, na prática, o potencial de tecnologias de tratamento tendem a ganhar espaço. E também influenciar desde investimentos privados até linhas oficiais de crédito e programas de fomento à inovação no agro.

  • Cervejaria artesanal de Santos recebe selo Carbono Neutro inédito no estado

    Cervejaria artesanal de Santos recebe selo Carbono Neutro inédito no estado

    A Santos Cervejeiros se tornará a primeira cervejaria artesanal do Estado de São Paulo a receber o selo Carbono Neutro, certificação que atesta a compensação integral das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações da empresa.

    A entrega oficial acontece na próxima terça-feira (28), às 16h, na fábrica-bar da marca, localizada na Rua Santos Dumont, 78, bairro Macuco. E contará com presença a do secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello.

    Neutralização de 32 toneladas de CO₂e

    A certificação é resultado de auditoria conduzida pela AKVO ESG, startup especializada em medição e compensação de carbono. O processo validou a neutralização de aproximadamente 32 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) geradas pela operação da cervejaria ao longo do período avaliado.

    A análise abrangeu emissões diretas e indiretas (escopos 1 e 2) e parte das emissões relacionadas ao transporte (escopo 3), incluindo consumo de energia, uso de gás e logística de insumos e resíduos. A compensação foi realizada por meio de créditos de carbono certificados, resultando em impacto líquido zero.

    Práticas sustentáveis na produção artesanal

    Desde 2024, a Santos Cervejeiros implementou programa contínuo de sustentabilidade com foco na redução da pegada ambiental. Entre as iniciativas adotadas estão o reaproveitamento de resíduos orgânicos e grãos de malte para panificação artesanal e compostagem, diminuindo significativamente o envio de materiais a aterros sanitários.

    A empresa também utiliza parte da energia elétrica proveniente de fonte solar por meio de assinatura, contribuindo para a redução das emissões no processo produtivo. “Ser carbono neutro vai muito além de obter um selo. É a comprovação de que é possível crescer sem perder a essência artesanal. E sem abrir mão da responsabilidade ambiental”, afirma Mariana Nogueira, sócia e gerente de marketing da cervejaria.

    O reconhecimento chega em momento estratégico para o município. Segundo levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), Santos ocupa a primeira posição no ranking nacional de sustentabilidade, entre 404 municípios avaliados com base em indicadores ESG (ambientais, sociais e de governança corporativa).

    Tradição artesanal e inovação

    Fundada pelo mestre cervejeiro Jefferson Omelczuk, em parceria com Wilber Gadi e Mariana Nogueira, a Santos Cervejeiros produz entre 1.800 e 2.000 litros mensais, com maturações que variam de 30 a 40 dias. O portfólio conta com mais de 20 estilos, incluindo Pilsen, American IPA, Berliner Weisse, Dortmunder, Maibock, Australian Sparkling Ale, Red Rye Ale, Belgian Blond, English Porter e Weiss.

    Entre as criações recentes destaca-se o chope de vinho branco, primeiro do tipo produzido no Estado de São Paulo, e a cerveja Maibock, inspirada na primavera alemã, com notas marcantes de malte e aroma equilibrado de lúpulo. “Cada ingrediente abre novas possibilidades. Nenhuma receita é apenas técnica; cada criação nasce com propósito e afeto”, explica Wilber Gadi, químico e responsável técnico pela produção.

    Expansão com identidade regional

    Com a certificação Carbono Neutro, a cervejaria planeja fortalecer seu posicionamento sustentável e ampliar a distribuição. A partir de dezembro, lançará linha de latas temáticas inspiradas em pontos turísticos de Santos, como a Igreja do Embaré, a Cadeia Velha e a orla da praia, unindo referências medievais à identidade visual da marca.

    A empresa também tem expandido sua atuação em eventos corporativos, casamentos e festivais, consolidando presença no segmento premium. “Nosso objetivo é crescer com coerência: manter o artesanal, inovar nos produtos e avançar em sustentabilidade”, conclui Gadi.

    Serviço:
    • Evento: Entrega do selo Carbono Neutro à Santos Cervejeiros
    • Data: Terça-feira, 28 de janeiro
    • Horário: 16h
    • Local: Rua Santos Dumont, 78 – Macuco, Santos/SP
  • Lúpulo de São Paulo cresce 203% e conquista cervejarias artesanais do Brasil

    Lúpulo de São Paulo cresce 203% e conquista cervejarias artesanais do Brasil

    O cultivo de lúpulo em São Paulo vive momento de expansão acelerada. A planta essencial para fabricação de cerveja conquista espaço crescente na produção artesanal brasileira. O Estado concentra cerca de 30 produtores ativos que impulsionam o mercado nacional.

    Lúpulo Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A produção nacional alcançou 88 toneladas em 2023. Os números representam crescimento de 203% em relação ao levantamento anterior. A expansão resulta do aumento da área cultivada e do crescimento no número de produtores.

    Aguaí e Mococa lideram produção paulista com qualidade premiada

    Cidades como Aguaí e Mococa ganharam reconhecimento nacional pela qualidade do lúpulo produzido. Os produtores dessas regiões conquistaram premiações importantes que elevaram o prestígio do produto paulista.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Picapes do agro brilham entre os 50 carros mais vendidos de julho
    + Agro em Campo: Perigo – piranhas atacam peixe no anzol em Tocantins

    O lúpulo utiliza especificamente as flores femininas da espécie Humulus lupulus. Essas flores conferem amargor, aroma e atuam como conservante natural da cerveja. O processo envolve plantio, desenvolvimento, colheita e processamento das flores.

    As flores também contribuem para a estabilidade da espuma. Elas garantem a preservação adequada da bebida durante o armazenamento.

    Produtores fazem até duas safras anuais com tecnologia de suplementação luminosa

    O Brasil apresenta vantagem competitiva única no cultivo de lúpulo mundial. O país permite realizar mais de uma safra por ano graças às condições climáticas favoráveis.

    “O Brasil é um dos únicos lugares do mundo onde se consegue fazer mais de uma safra por ano porque ele precisa de um fotoperíodo específico, dias compridos. E aqui fazemos isso com suplementação luminosa”, explica o produtor Murilo Ricci, de Aguaí.

    A tecnologia de suplementação luminosa compensa as limitações naturais do fotoperíodo. Essa inovação fortalece a competitividade brasileira no mercado internacional.

    Cultivo gera alta rentabilidade em pequenas propriedades

    Ricardo Mason, especialista agropecuário da CATI de São João da Boa Vista, destaca o alto valor agregado da cultura. A atividade não exige grandes extensões de terra para gerar renda significativa ao agricultor.

    “O cultivo de lúpulo proporciona retorno de capital no decorrer do tempo, podendo ser uma alternativa tanto para grandes produtores como, em especial, para a agricultura familiar”, afirma Mason.

    O especialista projeta grande potencial para São Paulo. O Estado pode se tornar polo produtor capaz de atender demanda local, nacional e internacional.

    Parcerias com cervejarias artesanais impulsionam vendas nacionais

    As cervejarias artesanais lideram a demanda por lúpulo brasileiro. O produtor rural Mário Mancuso, de Mococa, confirma que parcerias com esses estabelecimentos impulsionaram o crescimento da produção.

    Mancuso iniciou a produção em 2021, mas começou a comercialização apenas no ano passado. “Nossa prioridade era garantir um produto de qualidade para oferecer às cervejarias. Nesse período, fizemos muitos testes e firmamos parcerias estratégicas”, relata.

    As parcerias se mostraram fundamentais tanto para o desenvolvimento do produto quanto para a divulgação. As cervejarias artesanais ajudaram a ampliar a produção e levar o produto além do mercado regional.

    As premiações conquistadas pelos produtores paulistas contribuíram para alavancar as vendas. Mancuso explica que os reconhecimentos transformaram o alcance comercial da produção.

    “Deixamos de atuar apenas em um comércio localizado e hoje fornecemos lúpulo para vários estados. Nossa meta agora é, em alguns anos, atingir o mercado internacional”, projeta o produtor.

    Instituto Biológico desenvolve pesquisas contra pragas e viroides

    O crescimento da produção trouxe novos desafios fitossanitários. O Instituto Biológico (IB-Apta) da Secretaria de Agricultura desenvolve estratégias para prevenir infestação e alastramento de pragas.

    O pesquisador Marcelo Eiras coordena trabalhos focados principalmente em viroides e vírus. Essas pragas podem comprometer a sanidade e produtividade das lavouras de lúpulo.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    “Os viroides podem causar sintomas como redução do desenvolvimento das plantas, seca dos ponteiros e podridão de raízes”, explica Eiras. Muitas infecções ocorrem sem sintomas visíveis, mas alteram significativamente os compostos responsáveis pelo aroma e sabor da cerveja.

    Laboratório oferece diagnóstico e estudos avançados

    O laboratório do IB atende diretamente produtores e viveiristas que comercializam mudas. O foco principal é o diagnóstico de viroides e vírus em lúpulo e citros.

    A instituição realiza estudos aprofundados sobre diversidade genética, interações moleculares, epidemiologia e sanidade vegetal. Dois projetos financiados pela FAPESP e CNPq estão em desenvolvimento.

    As pesquisas buscam avançar no conhecimento sobre vírus e viroides que afetam o lúpulo. Os cientistas trabalham para criar métodos de detecção mais sensíveis e avaliar a resistência de variedades.

    Os projetos incluem produção de plantas livres de patógenos e análise do impacto socioeconômico da cultura. Os pesquisadores também estudam compostos em variedades infectadas para desenvolver soluções preventivas.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Isenção do suco na tarifa dos EUA alivia o setor

    + Agro em Campo: Venezuela retoma isenção para produtos brasileiros após tarifação inesperada

  • Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024 – Cerveja está com inscrições abertas

    Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024 – Cerveja está com inscrições abertas

    O Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024 – Cerveja está com inscrições abertas até 15 de setembro. O concurso é promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com Sebrae, Abracerva, Sindicerv e Papo de Sommelière.

    Premiação por categorias

    O concurso premiará as cervejas nas categorias Ale (alta fermentação) e Lager (baixa fermentação). Além disso, cada produtor pode inscrever dois rótulos, um em cada categoria. O prêmio contempla produtores com produção anual de até cinco milhões de litros. Entretanto, para participar, é necessário preencher e assinar o Termo de Autodeclaração de volume de produção anual de cerveja e estar em conformidade com a legislação brasileira.

    Brasil é o terceiro maior consumidor

    O Brasil, segundo o “Anuário da Cerveja” do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), conta com 1.847 cervejarias registradas. Em 2023, o número de estabelecimentos aumentou 6,8%. Atualmente, o país é o terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, com quase 15 milhões de quilolitros consumidos. No consumo per capita, o Brasil ocupa a 25ª posição global, com 69,3 litros por habitante, conforme o Relatório Global de Consumo de Cerveja.

    Eduarda Lee, assessora técnica da CNA, destaca a importância da agricultura na produção de cerveja. “A cevada é a principal matéria-prima da cerveja, seguida por lúpulo, trigo, arroz e centeio”, explica. A produção anual de cevada no Brasil é de aproximadamente 500 mil toneladas, sendo a maior parte destinada à produção de cerveja. O país também possui mais de 100 produtores de lúpulo, com mais de 40 variedades cultivadas. Em 2023, a produção de lúpulo alcançou quase 100 toneladas, um aumento de 203% em relação ao ano anterior, segundo a Aprolúpulo.

    Eduarda ainda ressalta a importância de outras culturas na produção de cervejas artesanais, como café, mandioca, batata-doce, coentro e frutas como maracujá, laranja, abacaxi, frutas vermelhas e cacau, por exemplo. O “Anuário da Cerveja” aponta que, em 2023, foram produzidos mais de 15 bilhões de litros de cerveja no Brasil, com a Lager Leve Clara correspondendo a 51,4% da produção nacional. São Paulo lidera com 410 cervejarias registradas, seguido pela região Sudeste, que concentra 46,3% dos estabelecimentos.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja
    + Agro em Campo: Preços do café sobem e frio intenso preocupa produtores

    Etapas de avaliação

    O concurso terá três etapas de avaliação. Na primeira, um júri técnico analisará as amostras sem identificação, classificando as dez com as maiores notas, cinco de cada categoria. Logo depois, na segunda fase, o júri popular escolherá os melhores produtos. Finalmente, a última etapa avaliará as histórias dos produtores.

    Fernanda Regina, assessora técnica da CNA e organizadora do prêmio, destaca dois diferenciais da iniciativa. “O júri técnico fornecerá análises detalhadas aos produtores, ajudando-os a melhorar a qualidade. O júri popular permitirá que os consumidores finais votem nos produtos”, explica. Ou seja, os dez produtos selecionados receberão certificados e prêmios, e os três primeiros colocados ganharão o Selo de Participação Ouro, Prata e Bronze.

    Dessa forma, o Prêmio CNA Brasil Artesanal, realizado desde 2019, visa valorizar pequenos e médios produtores, incentivando a profissionalização e agregação de valor aos alimentos produzidos. 

  • Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja

    Aprenda a cultivar lúpulo, planta essencial para a produção de cerveja

    O uso do lúpulo está intimamente ligado à indústria cervejeira, na qual é utilizado para conferir amargor e aroma às diferentes tipos de cervejas.

    Os compostos importantes do lúpulo são encontrados nas inflorescências de plantas femininas, chamadas de cones.

    Nesses cones são produzidas resinas peculiares ao lúpulo, que não são encontradas em nenhuma outra espécie de plantas.

    As resinas são produzidas em glândulas de lupulina presentes nos tricomas das brácteas das inflorescências.

    Inflorescências de plantas femininas possuem grande quantidade de lupulina, enquanto plantas masculinas também possuem glândulas de lupulina, mas em pequena quantidade. Por esse motivo, em plantios comerciais são utilizadas somente plantas femininas.

    A história do lúpulo no Brasil remonta à década de 1950, quando o austríaco Roland Hoblik começou a cultivar e vender cones para as cervejarias da época no município de Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha.

    A área plantada de lúpulo no Brasil é relativamente pequena, com apenas cerca de 20 hectares distribuídos em sete estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

    A maioria das variedades plantadas são de origem americana e alemã, como a ‘Cascade’, ‘Centennial’, ‘Fuggle’, ‘Magnum’, ‘Hallertau’, ‘Northern Brewer’ e ‘Nugget’, todas registradas no Ministério da Agricultura.

    Embora a cultura do lúpulo esteja em crescimento no Brasil, a dependência de importações permanece um desafio para o setor.

    Conheça mais sobre a cultura do lúpulo em estudo produzido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) – Clique aqui