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  • Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    Brasil garante rota alternativa via Turquia meio à crise no Estreito de Ormuz

    O Brasil garantiu uma rota alternativa para manter o fluxo das exportações do agronegócio diante da crise no Estreito de Ormuz. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu negociação com a Turquia que permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas brasileiras em solo turco, possibilitando que os produtos cheguem ao Oriente Médio e à Ásia Central sem precisar cruzar o Golfo Pérsico.

    A estrutura portuária turca, que já era utilizada por exportadores brasileiros, ganhou um novo respaldo jurídico com a criação do Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário. O documento foi a solução encontrada após o país passou a exigir novas regras sanitárias para produtos de origem animal.

    Na prática, o certificado garante que mercadorias como carnes, lácteos e outros produtos de origem animal possam atravessar o território turco ou ficar armazenadas temporariamente antes de seguir ao destino final. Isso sem burocracia extra e sem riscos de bloqueio sanitário.

    A medida traz mais segurança e previsibilidade ao setor exportador brasileiro em um momento de forte instabilidade nas rotas marítimas internacionais, reforçando a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário em funcionamento.

    Por que o Estreito de Ormuz ameaça as exportações brasileiras?

    A crise que motivou a busca por rotas alternativas tem origem em um dos pontos mais estratégicos do planeta. O Estreito de Ormuz é a única passagem do Golfo Pérsico para o mar aberto, conectando ao sul o Oriente Médio ao Mar Arábico. Ao contrário de canais como o Panamá, Ormuz funciona como um beco sem saída. Portanto, quem entra pelo sul precisa sair pelo mesmo caminho.

    Sua importância econômica é difícil de contabilizar. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que cerca de 25% do comércio global de petróleo passe por Ormuz. Isso é o equivalente a 20 milhões de barris por dia em 2025, com 80% desse volume destinado à Ásia. Além disso, cerca de 19% do comércio mundial de gás natural liquefeito também transita pelo estreito, representando 93% da produção do Catar.

    A crise atual teve início em 28 de fevereiro de 2026. Após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, o Irã fechou o Estreito de Ormuz a navios estrangeiros. A Guarda Revolucionária Islâmica transmitiu avisos proibindo qualquer embarcação de atravessar a passagem.

    O impacto foi imediato nos mercados globais. Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril, e o bloqueio ameaça provocar forte inflação caso se prolongue. Grandes transportadoras como Maersk e Hapag-Lloyd suspenderam operações na área.

    O estreito não está formalmente fechado para todos os países. O chanceler iraniano Seyed Abbas Araqchi declarou que Ormuz segue aberto apenas para nações consideradas amigas do Irã, como China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão. Para cargas com origem ou destino em países aliados dos Estados Unidos, a rota pelo Golfo Pérsico tornou-se inviável.

    Para o agronegócio brasileiro, que tem no Oriente Médio e na Ásia Central destinos estratégicos, o acordo com a Turquia representa uma salvaguarda concreta enquanto a situação geopolítica na região permanece indefinida.

  • Assinatura eletrônica de certificados sanitários ultrapassa 100 mil solicitações

    Assinatura eletrônica de certificados sanitários ultrapassa 100 mil solicitações

    O sistema de assinatura eletrônica para Certificados Sanitários Nacionais (CSN) já registrou mais de 100 mil solicitações desde sua implantação. O primeiro documento assinado eletronicamente foi emitido em 3 de abril de 2024.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desenvolveu o sistema para agilizar a certificação de produtos de origem animal em todo o território nacional. Ou seja, a iniciativa, criada em parceria com a Subsecretaria de Tecnologia da Informação (TI) e a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), visa garantir mais segurança e rastreabilidade ao processo.

    Além disso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou os benefícios da tecnologia. “A certificação eletrônica acelera processos, reduz burocracias e fortalece a qualidade dos produtos de origem animal. Essa marca de 100 mil assinaturas mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.

    Em geral, das 100.118 solicitações registradas, mais de 97 mil já foram processadas. O tempo médio de análise é de dois dias, otimizando a liberação dos documentos.

    Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o CSN digital trouxe mais agilidade ao setor. “Menos burocracia significa mais eficiência e redução de custos, beneficiando toda a cadeia produtiva. O Brasil se consolida como referência na segurança alimentar global”, afirmou.

    Antes da digitalização, os Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) imprimiam, carimbavam e assinavam manualmente o CSN. O transporte físico até o destinatário aumentava custos e prazos. Com a versão eletrônica, a emissão ocorre de forma instantânea, reduzindo despesas logísticas.

    A nova tecnologia permite que empresas acessem o documento online e imprimam cópias conforme necessário. O CSN digital também conta com código de autenticidade e QR Code, garantindo segurança na verificação.

    Certificação sanitária

    A exportação de produtos de origem animal exige a emissão de um Certificado Sanitário. Ou seja, o documento comprova que os produtos atendem aos requisitos sanitários do Brasil e dos países importadores, garantindo rastreabilidade e segurança.

    Existem dois tipos de certificação: um voltado para exportação e outro, o CSN, que regula a circulação de produtos dentro do Brasil. Auditores Fiscais Federais Agropecuários, especializados em medicina veterinária, são responsáveis pelo processo, assegurando a qualidade e prevenindo doenças.

    Portanto, a modernização na emissão de certificados fortalece o setor agropecuário e amplia a credibilidade do Brasil no comércio internacional.

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