Tag: Cerrado Mineiro

  • Colheita de arábica salta a 87% no Cerrado Mineiro; entenda o que preocupa os produtores agora

    Colheita de arábica salta a 87% no Cerrado Mineiro; entenda o que preocupa os produtores agora

    Tempo firme e ausência de chuvas favorece avanço da colheita nas propriedades associadas à Expocacer, mas técnicos pedem atenção redobrada ao café de chão

    A colheita de café arábica avançou para 87% no Cerrado Mineiro até a última sexta-feira, 21 de agosto, segundo levantamento da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). O ritmo ficou levemente atrás do observado no mesmo período do ano passado, quando uma safra menor permitiu que os produtores associados concluíssem 90% da colheita.

    Do total colhido até agora, os produtores já beneficiaram cerca de 70% da produção, com rendimento médio de 495 litros por saca de 60 kg beneficiada.

    Técnicos de campo da Expocacer atribuem o avanço dos trabalhos à estabilidade do tempo. Condições firmes e a ausência de chuvas nas últimas semanas permitiram maior continuidade das operações de colheita nas lavouras da região.

    Qualidade do café e colheita de chão exigem atenção

    Na semana passada, a cooperativa registrou um elevado percentual de catação nos cafés recebidos reflexo direto do avanço da colheita de chão. O indicador voltou a subir e já supera 20% no período.

    Diante desse cenário, os técnicos orientam os produtores a priorizar a colheita do café que caiu no chão nas próximas semanas. Eles recomendam aproveitar o período de tempo seco para concluir essa etapa antes do retorno das chuvas. O que reduz o risco de perdas de produção e de qualidade dos frutos.

    “É importante aproveitar o período de tempo firme para avançar e, sempre que possível, concluir essa operação antes de um eventual retorno das chuvas, reduzindo os riscos de perdas de produção e de qualidade dos frutos que permanecem no solo”, explicam os técnicos.

    Os especialistas também recomendam que os produtores acompanhem de perto as previsões meteorológicas.

    Manejo da irrigação pede ajustes neste período

    Nas áreas irrigadas, a cooperativa recomenda atenção redobrada ao manejo da irrigação, com ajuste das lâminas de acordo com a evapotranspiração e as condições de cada propriedade.

    Segundo os técnicos da Expocacer, este período do ano concentra elevada demanda hídrica e altas taxas de evapotranspiração. Por isso, um fornecimento adequado de água se torna essencial para manter o vigor das plantas. Além de preservar o enfolhamento e garantir boas condições para o pegamento da próxima florada.

    Os técnicos também recomendam que os produtores monitorem e controlem pragas com potencial de causar desfolha, preservando a área foliar das plantas para o próximo ciclo produtivo.

    Como estão as condições climáticas no Cerrado Mineiro

    O período mais recente manteve o cenário predominantemente seco na região de atuação da Expocacer, sem registro de chuvas nos municípios acompanhados. O quadro reforça a baixa disponibilidade hídrica observada nas últimas semanas.

    Para os próximos dias, a previsão não indica mudanças significativas no padrão meteorológico, sem chuvas esperadas até 25 de agosto. As temperaturas máximas devem variar entre 23°C e 32°C, e as mínimas entre 15°C e 20°C. O período deve registrar uma leve elevação das mínimas em alguns dias e uma tendência de queda das máximas até 26 de agosto.

  • Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro já chega a 81%

    Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro já chega a 81%

    A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro avançou para 81% até o dia 14 de agosto, segundo o boletim técnico semanal da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). O predomínio de tempo seco e firme favoreceu as operações no campo e garantiu mais continuidade e agilidade aos trabalhos.

    Os produtores já beneficiaram cerca de 63% do café colhido na região, com rendimento médio de 500 litros de café em coco para cada saca de 60 kg beneficiada. O tempo seco da semana passada permitiu que as operações de campo ganhassem ritmo, sem as interrupções comuns em períodos chuvosos.

    Café de chão preocupa e exige atenção redobrada

    Os técnicos da Expocacer registraram novo aumento no percentual de café de cataçã, ou seja, aquele colhido diretamente do chão, que já representa pouco mais de 20% do total da safra. Esse crescimento acompanha o avanço da colheita nas etapas finais em diversas áreas da região.

    Diante desse cenário, os especialistas recomendam que os produtores priorizem a retirada dos frutos ainda presentes nas plantas e intensifiquem o recolhimento dos grãos caídos no solo. Segundo eles, essas ações se tornam ainda mais urgentes com a possibilidade de retorno das chuvas, já que o aumento da umidade pode comprometer tanto o andamento dos trabalhos quanto a qualidade final do produto.

    Pós-colheita e monitoramento de pragas entram no radar

    Os técnicos da cooperativa reforçam também a importância de executar os manejos pós-colheita no momento certo. Essa é uma etapa fundamental para a recuperação das plantas e a preparação delas para o próximo ciclo produtivo.

    O monitoramento de pragas ganha destaque neste período. Isso porque a combinação de tempo seco com temperaturas mais altas favorece o desenvolvimento e o crescimento das populações no campo. Os especialistas pedem atenção especial ao bicho-mineiro e ao ácaro-vermelho, com acompanhamento frequente das lavouras para identificar focos logo no início e definir o manejo mais adequado para cada situação.

    Nas áreas irrigadas, a baixa disponibilidade hídrica e as temperaturas elevadas exigem cuidado redobrado com o manejo da irrigação. Os técnicos orientam os produtores a monitorar a umidade do solo e a demanda hídrica das plantas, ajustando lâminas e turnos de rega conforme as condições de cada área. Uma estratégia que otimiza o uso da água e prepara melhor as lavouras para o ciclo seguinte.

    Previsão do tempo reforça tendência de estiagem

    Na semana passada, o tempo firme predominou na região de Patrocínim, com baixa ocorrência de chuvas. Entre os municípios monitorados pela Expocacer, apenas Uberaba registrou precipitação, com um acumulado de 0,3 milímetro.

    A previsão indica continuidade do tempo seco até o dia 20 de agosto, sem chuvas para os municípios acompanhados. As temperaturas máximas devem variar entre 28°C e 30°C, enquanto as mínimas seguem em queda gradual, oscilando entre 8°C e 15°C nos próximos dias.

    Esse padrão climático favorece tanto a conclusão da colheita quanto o processo de secagem dos grãos. Ou seja, permitindo que produtores mantenham o ritmo das atividades no campo e nos terreiros. Os técnicos reforçam ainda que este é o momento ideal para retirar os frutos remanescentes das plantas e recolher o café de chão, aproveitando a janela de tempo seco.

    Por outro lado, a extensão do período sem chuvas pode intensificar a perda de umidade do solo. Um fator que exige atenção especial nas áreas mais suscetíveis ao déficit hídrico.

  • Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    A colheita de café arábica atingiu 40% da área de atuação da Expocacer, no Cerrado Mineiro, até 10 de julho. O clima seco acelerou os trabalhos e favoreceu a qualidade das operações. A cooperativa informou que 22% do café colhido já passou pelo beneficiamento. Além disso, o rendimento médio alcançou cerca de 520 litros por saca beneficiada.

    Nas lavouras, 35% dos frutos permanecem no estágio cereja. Esse ponto é considerado ideal para a colheita de café arábica. Mesmo com o avanço, a colheita segue atrás do ritmo registrado em 2025. No mesmo período do ano passado, os trabalhos já alcançavam 45% da área. O atraso ocorreu porque a safra de 2026 é maior. Além disso, as chuvas de junho reduziram o ritmo da colheita de café arábica. Para esta temporada, a cooperativa estima uma produção de 2,859 milhões de sacas de 60 quilos.

    Influência do clima

    O boletim semanal da Expocacer destaca que o tempo seco registrado na última semana acelerou a colheita e a pós-colheita. As condições climáticas também favoreceram a secagem dos grãos nos terreiros e o beneficiamento.

    A cooperativa informou que o índice médio de catação permanece próximo de 15%. No entanto, parte dos lotes ainda apresenta reflexos das chuvas anteriores. Esses cafés tiveram dificuldades durante a secagem nos terreiros. Por isso, alguns lotes registraram índices de catação próximos de 25%.

    Em contrapartida, a classificação por peneiras confirma a boa formação dos grãos. Os técnicos destacam o elevado percentual de cafés classificados nas peneiras 17 e 18.

    Chuva preocupa

    Agora, a maior preocupação envolve a previsão de chuva no Cerrado Mineiro. As precipitações previstas para esta semana exigem atenção dos produtores durante a pós-colheita. Segundo a Expocacer, o manejo correto na secagem e no armazenamento será decisivo para preservar a qualidade do café arábica e reduzir perdas.

    Os modelos meteorológicos indicam aumento da instabilidade nos próximos dias. A previsão inclui chuvas em Patrocínio, Araxá, Uberaba, Serra do Salitre, Patos de Minas e Monte Carmelo. Caso as precipitações se confirmem, elas poderão atrasar a colheita de café arábica, o transporte e a secagem dos grãos. O impacto será maior nas áreas com café espalhado nos terreiros.

    Diante desse cenário, a Expocacer recomenda que os produtores antecipem, sempre que possível, o recolhimento do café dos terreiros. A cooperativa também orienta o planejamento das operações de colheita, transporte e secagem para preservar a qualidade dos lotes e evitar atrasos no campo.

     

     

     

     

     

  • Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

    Chuvas atrasam colheita de café e preocupam produtores

    A colheita de café segue em ritmo mais lento nas principais regiões produtoras do Brasil. O motivo são as chuvas registradas no fim de junho. Em Minas Gerais, estado responsável por cerca de metade da produção nacional, apenas 30% da safra foi colhida. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a média histórica para este período é de 40%.

    Além do atraso, o excesso de umidade preocupa produtores. Isso porque as condições climáticas podem reduzir a qualidade dos grãos e afetar a próxima safra.

    Chuvas dificultam a colheita

    As precipitações atingiram principalmente o Cerrado Mineiro e o Sul de Minas. Como resultado, o avanço das máquinas ficou mais lento. Além disso, aumentou a queda de frutos no chão.

    Segundo a Emater-MG, novas chuvas podem ocorrer nos próximos dias devido aos efeitos do El Niño. Caso isso aconteça, os cafezais podem florescer antes do período ideal. Durante a colheita, essas flores acabam sendo derrubadas. Dessa forma, o potencial produtivo da próxima safra pode diminuir.

    Apesar desse cenário, a expectativa ainda é positiva. A Emater-MG projeta uma produção de 31,8 milhões de sacas em Minas Gerais. O volume continua superior às 25,7 milhões de sacas registradas na temporada passada.

    Beneficiamento também avança lentamente

    O coordenador técnico da Emater-MG, Sérgio Regina, afirma que ainda é cedo para medir as perdas de qualidade. Segundo ele, apenas uma pequena parte do café beneficiado chegou ao mercado.

    Depois das chuvas, muitos produtores interromperam a colheita temporariamente. O objetivo foi recolher os grãos que caíram no solo e iniciar a secagem. No entanto, esse processo é mais caro e exige mais tempo. Por isso, toda a operação acaba sendo atrasada.

    Colheita nacional segue abaixo do ano passado

    De acordo com a Safras & Mercado, a colheita brasileira alcançou 52% da safra 2026/27 até 1º de julho. No mesmo período de 2025, o índice já era de 60%.

    Embora o ritmo tenha acelerado na última semana, a oferta do café ainda permanece limitada. Isso acontece porque grande parte da produção continua em fase de secagem e beneficiamento.

    Cooperativas também registram atraso

    A Cooxupé informou que a colheita atingiu 24,9% da área dos cooperados até o fim de junho. No mesmo período do ano passado, o índice era de 31,4%.

    Já a Expocacer informou que os trabalhos chegaram a 32% da produção estimada até o início de julho. Ainda assim, o desempenho permanece abaixo do registrado em 2025.

    Assim, os números mostram que o atraso ocorre nas principais regiões produtoras do país.

    Produtores relatam perdas e queda na qualidade

    No Sul de Minas e no Cerrado Mineiro, agricultores relatam aumento da queda de grãos. Além disso, enfrentam dificuldades para operar máquinas devido ao excesso de umidade.

    Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a qualidade do café. Muitos produtores afirmam que houve aumento de grãos fermentados. Como consequência, cresce a presença de cafés classificados como riado e rio, categorias que possuem menor valor comercial.

    Em algumas propriedades, parte dos grãos permaneceu no solo por mais tempo. Por isso, houve casos de mofo e deterioração. Nesses casos, o café torna-se impróprio para consumo.

    Indústria acompanha cenário com preocupação

    Para representantes da indústria cafeeira, o maior problema não é apenas o atraso da colheita. A principal preocupação é a qualidade dos primeiros lotes produzidos.

    Segundo o Sindicato da Indústria de Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), já existem registros de cafés com fermentação logo no início da safra. Esse cenário acende um alerta para produtores, cooperativas e exportadores.

    Se o clima úmido continuar nas próximas semanas, os impactos poderão ser maiores. Nesse caso, a rentabilidade tende a diminuir. Além disso, a oferta de cafés de maior qualidade destinados à exportação também poderá ser reduzida.

  • ExpoCerrado 2026 movimenta R$ 50,9 milhões e bate recorde no Cerrado Mineiro

    ExpoCerrado 2026 movimenta R$ 50,9 milhões e bate recorde no Cerrado Mineiro

    A ExpoCerrado 2026 alcançou um resultado histórico ao movimentar R$ 50,9 milhões em negócios no Cerrado Mineiro. O valor supera o desempenho de 2025, quando a feira registrou R$ 50,3 milhões, e consolida o evento como um dos principais da cafeicultura brasileira.

    Realizada nos dias 5 e 6 de maio, em Patrocínio (MG), a feira reuniu mais de 2,4 mil participantes e bateu recorde de público. O crescimento ocorre em um momento desafiador para o agronegócio. Segundo o Agropec Futuro, o mercado de insumos agrícolas recuou entre 10% e 15% nesta safra, pressionado pelo aumento do preço do gás natural, conflitos internacionais e gargalos logísticos.

    A ExpoCerrado integrou a feira de negócios da Expocacer ao 25º Fórum de Mercado e Políticas do Café da Acarpa. O evento reuniu produtores, empresas, especialistas, autoridades e instituições, com foco em geração de negócios, inovação e fortalecimento da cafeicultura do Cerrado Mineiro, referência mundial em café de qualidade e origem controlada.

    A realização contou com parceria entre Expocacer, Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Acarpa e Prefeitura de Patrocínio. A iniciativa reforça a atuação conjunta entre cooperativas, entidades e poder público no desenvolvimento regional.

    Durante a abertura, lideranças do setor destacaram a importância da integração entre produtores, cooperativas e empresas. Para Mariana Heitor, presidente do Conselho de Administração da Expocacer, o evento evidencia a força do cooperativismo e a capacidade de adaptação do agro diante de cenários adversos.

    Negócios impulsionam a feira

    A área de negócios concentrou grande parte dos resultados da ExpoCerrado 2026. Empresas de máquinas, insumos, tecnologia e serviços movimentaram mais da metade do faturamento total, o que reforça o papel da feira como plataforma estratégica para o produtor rural.

    Mesmo com a redução nas operações de barter e o aumento dos custos, o evento manteve alto nível de negociações. As operações de barter e mercado futuro representaram 16,77% do total, com queda de R$ 13,8 milhões em 2025 para R$ 8,5 milhões em 2026.

    O segmento financeiro respondeu por 24% do volume negociado, o que mostra a relevância do crédito rural e do relacionamento com instituições financeiras no atual cenário.

    Segundo Wellis Caixeta, coordenador da feira, o produtor adotou uma postura mais estratégica. Ele priorizou investimentos com retorno direto em produtividade, qualidade e eficiência, o que indica decisões mais técnicas e foco no longo prazo.

    Conteúdo técnico e tendências

    O 25º Fórum da Acarpa levou conteúdo técnico ao público, com debates sobre mercado, inovação e gestão no campo. Entre os destaques, Miguel Cavalcanti abordou tendências e desafios do agronegócio.

    Especialistas como Luiz Otávio Viana, Rodolfo San Juan, Alexandrius Barbosa, Leonardo Pedron e Marcos Kim apresentaram práticas voltadas à produtividade, qualidade e tomada de decisão na cafeicultura.

    Segurança, reconhecimento e experiência

    A feira também trouxe iniciativas voltadas ao campo. O lançamento do Programa Safra Segura reuniu forças de segurança e produtores para ampliar a proteção durante a colheita.

    Outro momento marcante foi a homenagem ao produtor Osvaldo Aparecido Ninin, reconhecido por sua contribuição à cafeicultura da região.

    A presença de influenciadores e comunicadores ampliou o alcance do evento, conectando o agro a novos públicos. No encerramento, o sorteio de uma Fiat Strada 0 km premiou o cooperado José Carlos da Cunha.

    Parcerias ampliam alcance

    A edição de 2026 também avançou ao integrar a programação da Femcafé (Feira Mundial do Café), o que amplia a relevância nacional do evento e fortalece a conexão entre diferentes agendas do setor.

    Empresas e instituições participaram em diferentes cotas de patrocínio, contribuindo diretamente para o sucesso da feira. A diversidade de parceiros reforça a ExpoCerrado como uma plataforma estratégica de negócios, inovação e conexão na cadeia produtiva do café.

  • O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    Se você cresceu no Brasil, provavelmente ouviu isso em casa: o café bom vai todo para exportação e o refugo fica para o brasileiro. Durante décadas, essa afirmação tinha fundamento. Nos anos 80, a ABIC revelou que cerca de 30% do café vendido no mercado interno era fraudado com milho torrado, cevada e cascas. O consumidor brasileiro tomava uma bebida amarga achando que era café puro. Na maioria das vezes, não era.

    O Brasil produz café desde o século XIX. Contudo, a lógica comercial era simples: os melhores grãos iam para exportação, e o mercado interno ficava com grãos defeituosos, quebrados e misturados com matérias estranhas. Não havia fiscalização efetiva nem selo de qualidade. Muitos brasileiros cresceram convictos de que café era naturalmente amargo e ruim. Afinal, nunca tinham provado o verdadeiro.

    O programa que virou o jogo

    A virada começou nos anos 90, quando a ABIC criou o Programa de Qualidade do Café. O objetivo era combater fraudes, estabelecer padrões mínimos de pureza e oferecer um selo que identificasse produtos genuínos. Torrefadoras que vendiam café adulterado foram obrigadas a se adaptar ou perder espaço no mercado. O índice de fraude caiu drasticamente, e o café que chegava à mesa do brasileiro começou a ser, de fato, café.

    Enquanto a qualidade básica melhorava, os cafés especiais brasileiros ganhavam força. Regiões como Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Sul de Minas passaram a produzir grãos avaliados acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association. Cafeterias de terceira onda se espalharam pelas capitais e o consumidor brasileiro passou a valorizar origem, altitude e perfil sensorial. O mesmo país que misturava milho no café do próprio povo agora disputa, em igualdade, com cafés da Etiópia, Colômbia e Guatemala.

    A frase que ficou presa no tempo

    A crença de que o melhor café vai todo para fora tem raízes reais, mas ficou presa nos anos 80 enquanto o mercado evoluiu. Hoje, o Brasil é simultaneamente o maior produtor e o segundo maior consumidor da bebida do mundo. Cafés especiais que antes eram exclusivos para exportação estão disponíveis em torrefadoras locais, supermercados e cafeterias em todo o país. A narrativa ainda circula, mas os dados não a sustentam mais.

    Nos anos 80, até 30% do café vendido tinha adulteração. Em 2026, o consumidor brasileiro acessa cafés especiais premiados internacionalmente, com rastreabilidade de origem e perfil sensorial definido. Essa transformação foi resultado de fiscalização, programas de qualidade e um consumidor que passou a exigir mais. O maior produtor de café do mundo aprendeu a beber de verdade, e a história continua sendo escrita a cada nova safra.

  • R$ 200 Mil: conheça a saca de café mais cara da história

    R$ 200 Mil: conheça a saca de café mais cara da história

    Durante o 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro (RCM), uma saca de 60 kg de café cereja descascado foi arrematada por impressionantes R$ 200 mil. Esse é o maior valor já registrado para esta categoria em leilões nacionais.

    O café recordista, que recebeu nota sensorial de 90,59 pontos, é produzido por Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Nenem, em Presidente Olegário (MG). O lance vencedor partiu de consórcio formado por Expocacer, Veloso Green Coffee, Marex e Nucoffee, empresas que reconheceram a excelência dos cafés de origem controlada da região.

    Leilão solidário movimenta mais de meio milhão

    Conduzido por Mauro Lúcio dos Santos, da Investbras, o Leilão Solidário arrecadou R$ 562 mil com nove lotes das categorias premiadas, alcançando média extraordinária de R$ 62.444,44 por saca. O evento reuniu os melhores cafés das categorias Natural, Cereja Descascado, Fermentado e Doce Cerrado Mineiro.

    Aproximadamente 40% do valor arrecadado, cerca de R$ 224,8 mil, será destinado ao projeto Escola de Atitude, iniciativa que promove a formação cidadã de jovens nas comunidades produtoras da região.

    O segundo maior lance da noite, de R$ 100 mil, foi dado pela multinacional Louis Dreyfus Company, que adquiriu o café campeão da categoria Natural, produzido pela Agropecuária São Gotardo Ltda.

    Produtor é o maior vencedor da história do prêmio

    Eduardo Pinheiro Campos é figura central na história do Prêmio Região do Cerrado Mineiro. Em 11 das 13 edições do prêmio, ele esteve no pódio, demonstrando consistência e compromisso permanente com a qualidade.

    Foto: Divulgação

    “É uma honra e um orgulho enorme para nossa equipe alcançar esse resultado”, declarou o produtor. Ele ressaltou que a Fazenda Dona Nenem completa 20 anos de trabalho focado em qualidade e inovação, período que coincide com os 20 anos de Indicação Geográfica do Cerrado Mineiro.

    Cerrado Mineiro: potência cafeeira nacional

    A Região do Cerrado Mineiro foi a primeira Denominação de Origem para café reconhecida no Brasil. A área abrange 55 municípios, cerca de 250 mil hectares cultivados, sendo 100 mil irrigados, e reúne 4.500 produtores certificados.

    A região produz aproximadamente 6 milhões de sacas por safra, equivalentes a 25,4% da produção mineira e 12,7% da produção nacional. É considerada referência global em rastreabilidade, governança e sustentabilidade na produção de cafés especiais.

    Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, destacou a importância histórica do momento: “Celebrar esse recorde no ano em que completamos 20 anos como Indicação Geográfica reforça a força da nossa região. Isso demonstra que o Cerrado Mineiro segue liderando o movimento de valorização, origem controlada e qualidade no Brasil”.

    Prêmio reconhece sustentabilidade e educação

    Além de premiar os melhores cafés, o evento celebrou práticas sustentáveis com o Troféu Atitude Sustentável, concedido ao produtor Claudio Nasser de Carvalho, da Auma Cafés, por seu projeto de boas práticas ambientais e manejo responsável.

    O Troféu Escola de Atitude foi para a Escola Municipal Henriqueta Cassimira de Menezes, pelo projeto sobre os encantos, sabores e riquezas do Cerrado Mineiro, inscrito pela cooperativa Carpec.

    O 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro é promovido pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado, com apoio do Sebrae Minas, das cooperativas Carmocer, Carpec, Coocacer Araguari, Coopadap, Expocacer e MonteCCer, e patrocínio das empresas Syngenta, C6 Bank, Sicoob, Pinhalense e Rabobank.

    Os resultados do leilão consolidam o protagonismo do Brasil no mercado internacional de cafés especiais e evidenciam o crescente reconhecimento pela qualidade excepcional dos grãos produzidos no Cerrado Mineiro.

  • Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais destaca bioeconomia sustentável na COP30 em Belém

    Minas Gerais reforça seu protagonismo na agenda da sustentabilidade na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA) até 21 de novembro.

    A participação do estado ocorre por meio da loja colaborativa “Brasil BioMarket”, instalada na Green Zone e na Entrepreneurship Zone do Parque Urbano Belém Porto Futuro, que abriga 250 micro e pequenas empresas de 21 estados, com cerca de 750 produtos.

    Entre os destaques mineiros estão castanha de baru, beneficiada e comercializada pela Cooperativa da Agricultura Familiar (Copabase). Também o café do Cerrado Mineiro, o primeiro com Denominação de Origem (DO) do Brasil. As caixas de buriti bordadas da marca coletiva Urucuia Grande Sertão Veredas. E a tradicional cerâmica com moringas, flores e bonecas do Vale do Jequitinhonha; e produtos em fibra de bananeira oriundos do projeto Gente de Fibra.

    O Sebrae Minas, responsável pela organização da participação, reforça o compromisso com o fortalecimento dos pequenos negócios sustentáveis e a valorização dos territórios mineiros. Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, ressalta que a iniciativa demonstra que a inovação pode surgir da tradição, unindo economia, meio ambiente e identidade cultural.

    Rota do Café do Cerrado

    O café do Cerrado Mineiro integra uma rede que alia qualidade, rastreabilidade e turismo sustentável. Como a Rota do Café do Cerrado com 26 experiências ligadas a fazendas e cafeterias. Já o baru, destaque do Noroeste de Minas, tem conquistado certificações internacionais que ampliam mercados e incentivam investimentos na agroindústria local.

    Na área de artesanato, o Vale do Jequitinhonha e o Noroeste mineiro recebem apoio do Sebrae para desenvolver governança, vendas online e design. Consolidando marcas coletivas que protegem os artesãos e fortalecem a identidade regional. A cooperativa Gente de Fibra, em Maria da Fé, destaca-se pela produção de peças sustentáveis em papel machê e fibra de bananeira. Valorizando os saberes locais e a reutilização ambientalmente consciente.

    A iniciativa em Belém une esforços de associações e empresas focadas em sociobioeconomia, tornando Minas Gerais referência nacional em sustentabilidade aplicada à bioeconomia, cultura rural e inovação.

  • Cafés do Cerrado Mineiro ganham avaliação inédita

    Cafés do Cerrado Mineiro ganham avaliação inédita

    O 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro marca um momento histórico para o setor cafeeiro brasileiro ao se tornar o primeiro concurso de qualidade a adotar o Coffee Value Assessment (CVA) como ferramenta principal de avaliação. A iniciativa posiciona o Brasil na vanguarda da inovação em análise sensorial de cafés especiais.

    A implementação do novo protocolo acontece por meio de parceria entre a região produtora e a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), In-Country Partner oficial da Specialty Coffee Association (SCA) no Brasil. O objetivo é valorizar a característica mais marcante dos cafés do Cerrado Mineiro: a doçura.

    CVA: o novo padrão para avaliar cafés especiais

    “Presentear quem faz Cerrado com cara de Cerrado” é como Maryana Castro, coordenadora de Qualidade da Região do Cerrado Mineiro, define o propósito da mudança. Segundo ela, a adoção do sistema CVA coloca o concurso como o maior evento mundial a utilizar a metodologia desenvolvida pela SCA.

    “A escolha foi motivada pela necessidade de medir objetivamente a intensidade da doçura, critério central da competição e legado histórico dos cafés brasileiros. O CVA foi selecionado por ser o primeiro protocolo desenvolvido especificamente para essa finalidade”, explica a coordenadora.

    Brasil lidera inovação em cafés especiais

    A chegada do sistema CVA ao Brasil foi oficializada em abril, quando BSCA e SCA assinaram um memorando de entendimento durante a Specialty Coffee Expo, em Houston (EUA). O acordo consolidou o país como líder global em inovação no setor de café especial e estabeleceu um novo modelo nacional para avaliação de qualidade.

    Como In-Country Partner da SCA, a BSCA assumiu a missão de promover, gerenciar e capacitar a comunidade brasileira de cafés especiais, adotando o CVA como protocolo oficial para avaliação dos cafés do país.

    “Em termos de volume, o concurso do Cerrado Mineiro se torna o maior global a utilizar o CVA até o momento. Reforçando nossa posição como líder na aplicação de ferramentas inovadoras. E nosso papel em ditar tendências para a comunidade mundial”, afirma Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA.

    Categoria “Doce Cerrado Mineiro” em destaque

    O protocolo CVA será aplicado exclusivamente na categoria “Doce Cerrado Mineiro”, uma das quatro do Prêmio. Criada para identificar e premiar os cafés mais doces da região na safra 2025/26, a categoria valoriza características sensoriais típicas como notas de chocolate, caramelo, amêndoas e acidez cítrica.

    Os produtores devem processar os cafés concorrentes pelo método natural, colhendo e secando os grãos com casca, técnica que potencializa a doçura e a complexidade sensorial.

    A cerimônia de divulgação dos vencedores do 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro está prevista para 19 de novembro de 2025, em Patrocínio (MG). O concurso encontra-se em fase final de análise das amostras inscritas.

    O Cerrado Mineiro é reconhecido mundialmente pela qualidade de seus cafés. A região é a primeira do Brasil a receber Denominação de Origem. E é conhecida pela produção de grãos com alta doçura e perfil sensorial marcante.

  • Trigo tropical avança no Cerrado

    Trigo tropical avança no Cerrado

    O cultivo de trigo tropical tem transformado o Cerrado brasileiro em um dos novos polos estratégicos para a triticultura nacional. Em 2024, a área plantada atingiu aproximadamente 450 mil hectares, um crescimento que reflete a adaptação do cereal às condições desafiadoras da região.

    Com forte presença nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal, o trigo tropical desponta como solução sustentável para rotação de culturas. E como alternativa econômica para os agricultores.

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre 2018 e 2024, a área plantada com trigo tropical cresceu 119%, enquanto a produção aumentou 95%. Esse desempenho impressionante resulta do desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima quente e seco do Cerrado, aliado à introdução de técnicas modernas de manejo.

    Empresas de pesquisa e assistência técnica foram fundamentais para disponibilizar essas tecnologias e orientar os produtores na adoção de práticas mais eficientes.

    Rotação de culturas

    O trigo tornou-se uma cultura estratégica na região, especialmente por seu papel na rotação com grãos e hortaliças. Desta forma, ajudando a interromper ciclos de pragas e doenças no solo e contribuindo para a recuperação da fertilidade.

    Em Goiás, por exemplo, a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) promoveu o slogan “Plante trigo para colher feijão”, incentivando o uso do cereal de inverno em sistemas integrados.

    O engenheiro agrônomo Cláudio Malinski, da Coopa-DF, destaca que a introdução do trigo na região não apenas viabilizou o cultivo do feijão, mas também trouxe benefícios significativos para outras culturas, como a soja. “Os resultados mostram um aumento de até seis sacas de soja por hectare após o cultivo de trigo, além do controle de plantas daninhas como buva e capim-amargoso”, explica.

    Adaptação às necessidades dos produtores

    Produtores como Paulo Bonato, de Cristalina (GO), demonstram na prática os ganhos com o trigo tropical. Com 30 anos de experiência no cultivo do cereal, Bonato relata que o trigo começou como uma alternativa para rotação de culturas e hoje ocupa um papel central na estratégia agrícola da família. “Nos anos 1990, tínhamos apenas 50 hectares com trigo irrigado. Agora, são 200 hectares, ajustados anualmente conforme a rotação dos pivôs”, afirma o produtor.

    Apesar dos desafios, como o aumento da incidência de doenças, especialmente a brusone, ajustes no calendário de semeadura e investimentos em tecnologias de irrigação têm ajudado a mitigar os impactos. Na safra de 2023, a produtividade alcançou 138 sacas por hectare no trigo irrigado, enquanto o trigo de sequeiro, embora menos produtivo (27 sacas por hectare), mostrou-se vantajoso por seus custos mais baixos e pela formação de palhada, que contribui para o controle de plantas daninhas e a preservação do solo.

    Luis Felipe Bonato, filho de Paulo, destaca que a família investiu em sensores para monitorar a umidade do solo, otimizando o uso de água nos pivôs de irrigação. “Com um consumo de cerca de 500 mm de água por hectare no trigo irrigado, sistemas mais eficientes são fundamentais para reduzir custos e preservar recursos”, explica.

    Integração com culturas

    No Cerrado mineiro, o trigo tropical encontrou um nicho promissor ao integrar sistemas de rotação com hortaliças de alto valor agregado, como cenoura, alho, batata e cebola. Em São Gotardo (MG), cidade conhecida como a “capital nacional da cenoura”, cooperados da Coopadap utilizam o trigo irrigado para melhorar a saúde do solo e reduzir custos.

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    “O trigo aproveita o residual de adubo deixado pelas hortaliças. Enquanto suas raízes profundas, que chegam a quase um metro, ajudam na descompactação do solo, favorecendo o próximo ciclo produtivo”, explica Luciel Dezordi, gerente de pesquisa da Coopadap. Em 2023, os cooperados cultivaram 3.800 hectares de trigo irrigado, além de 2.900 hectares destinados a hortaliças. Portanto, consolidando um modelo que combina eficiência agronômica e sustentabilidade econômica.

    Os desafios do clima

    Apesar do avanço técnico, o clima continua sendo o principal adversário da triticultura tropical. A seca severa em 2024 impactou fortemente os rendimentos. Em Ponta Porã (MS), a média de produtividade no trigo de sequeiro caiu de 50 para 15 sacas por hectare. Isso devido à baixa precipitação e às altas temperaturas.

    “Tivemos apenas 70 mm de chuva durante o ciclo. Algumas áreas precisaram ser replantadas, mas o trigo segue essencial no sistema de rotação. Especialmente para manter a produtividade da soja no verão”, comenta Rodrigo do Amaral, técnico agrícola da Fazenda Jaguarandi.

    No trigo irrigado, os custos também aumentaram com o calor, devido à maior evaporação da água. Marcelo Guerra, da Coopadap, ressalta ainda os desafios no armazenamento. “As temperaturas mais altas favoreceram a infestação por carunchos, exigindo investimentos inéditos em controle de pragas nos grãos”.

    Indústria e mercado aquecidos

    O trigo tropical tem atraído a atenção da indústria moageira. Em Dourados (MS), a Talita Alimentos instalou uma planta em 2021 para processar 90 toneladas de trigo por dia. Já no Triângulo Mineiro, o Moinho Sete Irmãos utiliza 95% de trigo local, impulsionando a economia regional. “Há dez anos, a produção do Cerrado era de 80 mil toneladas. Hoje, supera 450 mil toneladas, garantindo a logística eficiente e gerando renda para os produtores locais”, afirma Max Mahlow, gerente comercial do moinho.

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    Além disso, cooperativas como a Cooperalfa, com sede em Santa Catarina, veem no trigo do Cerrado uma oportunidade para diversificar a produção de grãos. E também atender demandas em anos de quebra de safra no Sul do país.

    Melhoramento genético

    O desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao calor e à seca é uma prioridade nos programas de melhoramento genético. A cultivar BRS 404, lançada em 2015, já apresenta rendimentos 12% superiores em condições de déficit hídrico. Por outro lado, o trigo irrigado continua sendo uma aposta com o uso de variedades como a BRS 264, que economiza água e antecipa a colheita.

    Pesquisadores como Joaquim Soares Sobrinho, da Embrapa Trigo, acreditam que o futuro da triticultura tropical está na combinação de genética avançada e novas tecnologias. “Estamos desenvolvendo marcadores moleculares e cultivares transgênicas que devem revolucionar a produção no Cerrado”, afirma.

    Com o uso de apenas 1% da área destinada ao milho safrinha, Mato Grosso do Sul poderia adicionar 210 mil hectares de trigo por ano, segundo estimativas do pesquisador Claudio Lazzarotto. “O objetivo não é substituir o milho, mas diversificar as gramíneas no inverno para garantir a sustentabilidade do sistema produtivo”, conclui.

    O avanço do trigo tropical no Cerrado é mais do que uma alternativa econômica. Ele representa uma transformação estratégica, com impacto positivo na sustentabilidade dos sistemas agrícolas, no desenvolvimento regional e na consolidação de uma nova fronteira para a triticultura brasileira.