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  • El Niño desestimula plantio e pode derrubar safras brasileiras

    El Niño desestimula plantio e pode derrubar safras brasileiras

    A safra brasileira de trigo em 2026 deve registrar forte retração. Além dos preços baixos do trigo, o aumento dos custos de produção e a previsão de um ano marcado pelo El Niño reduziram o interesse dos produtores pelo cultivo.

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada de trigo deve cair 13,4% em relação ao ano passado, totalizando 2,117 milhões de hectares.

    Já a consultoria Safras & Mercado projeta uma redução ainda maior. Nesse cenário, a área cultivada com trigo pode encolher 17%, passando de 2,3 milhões para 1,9 milhão de hectares. Como consequência, a produção de trigo no Brasil poderá recuar quase 27%, refletindo o impacto do El Niño, dos custos elevados e da menor rentabilidade para os produtores.

    El Niño aumenta preocupação no campo

    Além dos fatores econômicos, o clima pesa na decisão dos produtores.

    Segundo especialistas, o El Niño deve provocar temperaturas e chuvas acima da média na Região Sul. Dessa forma, aumentam os riscos de perdas durante o desenvolvimento da lavoura e, principalmente, na colheita.

    O excesso de umidade também pode reduzir a qualidade dos grãos e dificultar os trabalhos no campo.

    Rio Grande do Sul deve registrar maior queda

    O Rio Grande do Sul, principal produtor de trigo do país, deverá apresentar a maior redução de área.

    A Emater-RS estima o plantio de 814 mil hectares em 2026. O número representa uma queda de cerca de 30% em comparação com a safra anterior e corresponde à menor área cultivada desde 2019.

    Além das previsões climáticas, muitos agricultores ainda enfrentam dificuldades financeiras após sucessivas perdas provocadas por eventos climáticos nos últimos anos.

    Produtores reduzem investimentos

    Em Ciríaco (RS), o produtor João Carlos Bilibio decidiu diminuir significativamente o plantio.

    No ano passado, ele cultivou 140 hectares de trigo. Agora, pretende semear apenas 25 hectares.

    Segundo o agricultor, os custos seguem elevados. Além disso, os preços continuam baixos e as dificuldades para contratar seguro rural também desestimulam novos investimentos.

    Rentabilidade perde espaço para outras culturas

    O aumento dos custos dos fertilizantes e a queda dos preços reduziram a competitividade do trigo.

    Por isso, muitos produtores passaram a investir em culturas consideradas mais rentáveis e menos arriscadas.

    Em Santa Bárbara do Sul (RS), por exemplo, o produtor Tales Pezzini decidiu não plantar trigo nesta safra. Segundo ele, o custo de produção supera a receita esperada, tornando o cultivo economicamente inviável.

    Paraná também prevê redução da área

    No Paraná, a expectativa é semelhante.

    De acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Estado deve plantar cerca de 722 mil hectares. O volume representa uma redução de aproximadamente 12% em relação ao ciclo anterior.

    Além disso, muitos produtores passaram a ampliar o cultivo de cevada, considerada uma alternativa mais segura diante das condições climáticas previstas para este ano.

  • Importação de trigo atinge maior nível em 12 anos

    Importação de trigo atinge maior nível em 12 anos

    As importações brasileiras de trigo alcançaram, em 2025, o maior volume desde 2013, apontam dados da Secex analisados pelo Cepea. Os embarques cresceram devido aos baixos preços externos e à ampla oferta mundial do cereal.

    Em dezembro, os portos brasileiros receberam 698,74 mil toneladas de trigo. O volume foi o segundo maior do ano, atrás apenas de janeiro, com 717 mil toneladas importadas. Além disso, dezembro registrou o maior volume mensal desde 2016.

    No acumulado de 2025, o Brasil importou 6,894 milhões de toneladas de trigo. O total representou alta de 3,7% em relação a 2024.

    Com estoques internos confortáveis, empresas iniciaram 2026 com baixa atuação no mercado doméstico. Diante da menor demanda, os preços pagos ao produtor caíram na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Por outro lado, no mercado de lotes, as cotações subiram, com exceção do Paraná. O movimento reflete a retração dos vendedores, que aguardam preços mais atrativos com o avanço da entressafra.