Tag: cereais

  • Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida ainda passa por consulta pública antes de uma decisão final, prevista para julho de 2026.

    O USTR estabeleceu um cronograma para o processo: interessados devem solicitar participação em audiência até 22 de junho. O envio de comentários escritos vai até 1º de julho, e a audiência pública ocorre em 6 de julho. O prazo legal para adoção das medidas termina em 15 de julho.

    Lista de exceções inclui alimentos, fertilizantes e aeronaves

    A proposta inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos ou com oferta insuficiente no mercado americano. Entre os itens isentos estão materiais informativos e doações, além de produtos agrícolas e industriais.

    A lista menciona carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes e fertilizantes. Também aparecem aeronaves e peças, minerais de terras raras, produtos químicos orgânicos e itens farmacêuticos.

    USTR aponta práticas comerciais e ambientais como justificativa

    O relatório do USTR reúne críticas ao Brasil em diferentes frentes. O documento cita decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, com alegações de ordens sigilosas para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas e restrições a ativos.

    O órgão também questiona regras de pagamento eletrônico e aponta suposto favorecimento a empresas locais.

    Etanol, acordos comerciais e reciprocidade entram no radar

    Os Estados Unidos também criticam acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Segundo o USTR, o Brasil aplica tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem oferecer tratamento equivalente aos EUA.

    O relatório destaca ainda o setor de etanol. O órgão afirma que, desde 2017, o Brasil não mantém reciprocidade no acesso ao mercado.

    Outros pontos levantados incluem desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. O USTR avalia que o Brasil não aplica de forma eficaz sua legislação ambiental.

    O documento também critica a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes. E aponta falhas no enfrentamento a práticas de suborno e corrupção.

    A Amcham Brasil emitiu uma nota oficial agora pela manhã

    Nota

    O relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicado em 1º de junho no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo práticas comerciais do Brasil, recomenda, em caráter preliminar, a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

    Ao mesmo tempo, o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas.

    “O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    A Amcham acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

    Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países.

    A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com a continuidades das negociações e apoiar iniciativas que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.

  • Queda nos preços de leite e cereais reduz inflação dos supermercados

    Queda nos preços de leite e cereais reduz inflação dos supermercados

    Leite e cereais se destacaram entre os principais responsáveis por conter a inflação de 2025, ao aliviar o orçamento das famílias brasileiras. Os dados fazem parte do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

    Os produtos semielaborados encerraram o ano com queda média de 4,85%, impulsionados sobretudo pelos cereais e lácteos, que registraram as maiores reduções de preço.

    Os cereais acumularam deflação de 18,85% em 2025, resultado das fortes quedas nos preços do arroz (-25,65%) e do feijão (-6,16%). Segundo o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o cenário reflete uma melhora significativa na oferta.

    “O mercado de grãos viveu um ano de supersafra, com aumento da produção nacional e maior disponibilidade global, em um contexto de demanda interna e externa mais fraca. Essa combinação levou à queda expressiva dos preços”, explica Queiroz.

    Além disso, a subcategoria dos lácteos também apresentou recuo relevante. Ela teve uma redução anual de 12,06%, puxada pelo leite longa vida, o tipo mais consumido do País. “O excesso de oferta e a demanda moderada mantiveram os preços em baixa”, afirma o economista.

  • Preços globais de alimentos caem pelo terceiro mês seguido, aponta FAO

    Preços globais de alimentos caem pelo terceiro mês seguido, aponta FAO

    Os preços globais de alimentos voltaram a cair em novembro e completaram três meses seguidos de recuo. Isso segundo o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O indicador, que mede uma cesta de commodities alimentares negociadas internacionalmente, ficou em 125,1 pontos, queda de 1,2% em relação a outubro.​

    Com o resultado, o índice está 2,1% abaixo do nível de novembro de 2024. E 21,9% abaixo do pico registrado em março de 2022, logo após o início da guerra na Ucrânia. O patamar atual também representa a menor leitura desde janeiro deste ano, o que sinaliza algum alívio nas cotações internacionais.​

    A FAO explica que a baixa em novembro refletiu quedas nos subíndices de lácteos, carnes, açúcar e óleos vegetais, que mais do que compensaram a alta dos cereais. Açúcar liderou o recuo, com tombo de 5,9% frente a outubro e preços no menor nível desde dezembro de 2020. Isso pois foi mpulsionado por expectativa de oferta abundante, com boa safra no Centro-Sul do Brasil, início positivo da colheita na Índia e melhora nas perspectivas de produção na Tailândia.​

    O índice de lácteos recuou 3,1% no mês, na quinta queda consecutiva, em meio a aumento da produção de leite e maior oferta exportável em grandes regiões produtoras. As cotações de carnes e de óleos vegetais também diminuíram, contribuindo para suavizar os custos globais de importação de alimentos.​

    Cereais sobem

    Na direção oposta, o subíndice de cereais subiu cerca de 1,8% em relação a outubro, mas ainda permanece mais de 5% abaixo do nível de um ano antes. O movimento reflete ajustes nas cotações de trigo, milho e arroz, influenciados por condições climáticas em grandes produtores, competição entre exportadores e novos acordos comerciais.​

    Especialistas ouvidos por agências internacionais avaliam que a tendência recente traz algum respiro para países importadores, mas não elimina riscos. Eles lembram que choques climáticos, tensões geopolíticas e mudanças em políticas de comércio e biocombustíveis podem voltar a pressionar os preços, em especial em mercados mais sensíveis como o de cereais.​

  • Icafolin-metil: novo herbicida promete combater resistência de plantas daninhas

    Icafolin-metil: novo herbicida promete combater resistência de plantas daninhas

    A Bayer acaba de submeter pedidos de registro para seu novo herbicida Icafolin-metil na União Europeia. A empresa já havia protocolado solicitações no Brasil, Estados Unidos e Canadá. Este produto representa o primeiro mecanismo de ação inédito em mais de três décadas para controle pós-emergencial de plantas daninhas.

    O mercado global projeta vendas de aproximadamente € 750 milhões para o Icafolin. A Bayer planeja o lançamento comercial a partir de 2028. O Brasil será o primeiro país a receber o produto.

    O Icafolin pertence a uma classe química completamente nova. Suas propriedades únicas permitem aplicações com doses reduzidas e direcionamento específico. O produto também apresenta perfil excepcional de segurança ambiental.

    A molécula funciona como complemento ao glifosato e outros herbicidas existentes. Esta característica oferece solução inovadora contra a crescente resistência de plantas daninhas. O problema ameaça diretamente a produção global de alimentos.

    “As plantas daninhas ameaçam a segurança alimentar e a subsistência dos agricultores”, explica Mike Graham, líder global de P&D da divisão agrícola da Bayer. “Investir em inovações disruptivas como o Icafolin é vital para o futuro da agricultura.”

    Brasil receberá primeiro lançamento comercial em 2028

    A resistência de ervas daninhas avança globalmente nos últimos anos. Essas espécies competem com culturas agrícolas por luz, água e nutrientes. O resultado impacta negativamente o rendimento e a qualidade da produção.

    O Icafolin foi desenvolvido inicialmente para soja, cereais, leguminosas e oleaginosas. O produto também atende cultivos de frutas de caroço, pomar, nozes, uvas e cítricos.

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    O mecanismo de ação único “congela” as plantas daninhas tratadas nos campos. Estas param de competir com as culturas, mas permanecem no local por mais tempo. A cobertura formada previne erosão e retém umidade no solo.

    Produto reduz necessidade de preparo do solo

    O controle eficaz de ervas daninhas diminui a necessidade de preparo mecânico do solo. Esta característica apoia práticas de agricultura regenerativa. O resultado melhora a saúde do solo a longo prazo.

    As propriedades intrínsecas do Icafolin favorecem aplicações localizadas. O produto também permite o uso de doses menores que herbicidas convencionais.

    Rachel Rama, vice-presidente global sênior da Bayer, destaca a importância da tecnologia CropKey. “Não estamos apenas respondendo aos desafios agrícolas atuais”, afirma. “Estamos sendo proativos e antecipando necessidades futuras.”

    Inteligência artificial acelera desenvolvimento

    O CropKey representa a abordagem inovadora de P&D da Bayer. A tecnologia otimiza formulações considerando múltiplas dimensões simultaneamente. Os critérios incluem eficácia, segurança, sustentabilidade e conveniência para o agricultor.

    A inteligência artificial acelera significativamente a jornada do conceito ao mercado. Esta velocidade permite que agricultores tenham acesso mais rápido a produtos eficazes e ambientalmente responsáveis.

    O Icafolin é o primeiro produto desenvolvido completamente com a metodologia CropKey. A tecnologia continuará acelerando o desenvolvimento de moléculas futuras. O foco será proteínas específicas em plantas daninhas, pragas e doenças de cultivos.

    Após o lançamento no Brasil em 2028, a Bayer prevê comercializar o Icafolin nos Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outras regiões. A expansão global ocorrerá nos anos subsequentes.

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  • Silagem de inverno é alternativa para produção de leite na Região Sul

    Silagem de inverno é alternativa para produção de leite na Região Sul

    A silagem de cereais de inverno desponta como uma solução eficiente para reduzir custos e garantir alimentação de qualidade ao rebanho leiteiro na Região Sul do Brasil. Segundo a Embrapa Trigo, o uso de silagem produzida a partir de aveia, cevada, triticale, trigo e centeio pode suprir a demanda alimentar dos animais nos períodos críticos, como durante o inverno ou em dias consecutivos de chuva que dificultam o pastejo.

    A alimentação representa o principal custo na produção leiteira. E a silagem de inverno oferece uma fonte garantida de energia e proteína, aproveitando áreas ociosas no período frio. Renato Fontaneli, pesquisador da Embrapa Trigo, destaca que, embora o milho seja tradicionalmente usado para silagem, sua produção no verão tem sido limitada pela concorrência com a soja. “Utilizar cereais de inverno para silagem permite o aproveitamento integral da área produtiva, assegurando volumoso essencial para a produção de leite”, explica.

    A Embrapa já disponibilizou 15 cultivares forrageiras de inverno, com potencial para produzir até 30.000 kg de matéria verde por hectare. O que pode resultar em até 20 litros de leite por vaca por dia com manejo adequado. Em termos nutricionais, 1 kg de matéria seca de silagem de trigo pode gerar 1,1 kg de leite. Enquanto a cevada e o triticale podem produzir 1,2 kg e 1,3 kg, respectivamente.

    Como utilizar a silagem de inverno na alimentação

    Em propriedades familiares, a silagem costuma compor cerca de um terço da dieta de vacas que produzem entre 20 e 30 litros de leite por dia. Em sistemas de confinamento, a silagem pode representar até 40% da alimentação, geralmente combinada com milho e outros cereais. Na ausência do milho, os cereais de inverno podem ser usados integralmente, compensando a menor concentração energética (até 10% inferior ao milho) com maior teor proteico (25% superior).

    O momento da colheita é crucial para garantir a qualidade nutricional da silagem. A melhor fase para cortar os cereais vai do grão leitoso ao grão em massa firme, quando a energia líquida para lactação está no pico. A digestibilidade diminui com o avanço da maturidade, e atrasos na colheita reduzem o consumo, a digestibilidade e a produção de leite.

    Benefícios adicionais da silagem de inverno

    Além de garantir alimento nos períodos de escassez, a silagem de inverno contribui para a manutenção do solo coberto, reduz riscos climáticos e libera áreas para outros cultivos no verão. A diversidade de espécies aptas a ensilar e o potencial produtivo elevado tornam essa prática uma alternativa sustentável e econômica para a produção leiteira na Região Sul.

    Por que fazer silagem de cereais de inverno?

    • Aproveitamento de área para produção de volumoso no inverno;
    • Redução dos riscos de falta de alimento por intempéries climáticas;
    • Liberação da área para outros cultivos no verão;
    • Excelente valor nutricional;
    • Manutenção do solo coberto por mais tempo;
    • Grande diversidade de espécies aptas a ensilar: trigo, cevada, aveia, centeio e triticale;
    • Potencial de produção: 15 a 40 toneladas de silagem/ha.

    Veja as vantagens da silagem com cereais de inverno no vídeo da Embrapa Trigo.

    https://www.youtube.com/watch?v=tsNrIH8P05w&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.embrapa.br%2F&source_ve_path=OTY3MTQ

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  • Etanol de trigo é destaque em capacitação de cooperativas

    Etanol de trigo é destaque em capacitação de cooperativas

    A Embrapa Agroenergia reuniu 25 técnicos ligados à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) para encerrar a capacitação “Embrapa e Sistema OCB em trigo tropical”, promovida pela Embrapa Trigo (Passo Fundo-RS) em 2024. O encontro, realizado em Brasília, abordou o potencial do trigo como matéria-prima para etanol, no contexto da transição energética.

    Recebidos pelo chefe-geral Alexandre Alonso, os participantes discutiram a crescente utilização de grãos e cereais para biocombustíveis. Segundo Alonso, o uso do trigo para produção de etanol representa uma oportunidade para unir segurança alimentar, energética e novos negócios para produtores e cooperativas.

    Bruno Laviola, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, destacou a importância do encontro para debater desafios e oportunidades do trigo tropical no setor bioenergético. Além disso, ele enfatizou que a transição energética exige fontes renováveis para substituir combustíveis fósseis, reduzindo emissões de gases de efeito estufa.

    Durante sua apresentação, Laviola ressaltou o potencial da agricultura brasileira para impulsionar a transição energética por meio da produção sustentável de biomassa. Já Giovani Faé, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, explicou que a capacitação com cooperativas ocorre há uma década, mas 2024 marca o primeiro foco no trigo tropical.

    Faé afirmou que a diversificação da cadeia do trigo e o mercado emergente de etanol amiláceo abrem oportunidades estratégicas para o setor. Ou seja, ele destacou que iniciativas como essa ajudam produtores a obter mais liquidez e aproveitar os benefícios ambientais dessa cultura.

    Em resumo, as palestras, conduzidas pelos pesquisadores Maurício Lopes e Félix Siqueira, abordaram desafios como o controle de micotoxinas em grãos crus no processo produtivo de etanol. Luan Pivatto, técnico da Cooperativa Alfa de Dourados-MS, considerou a capacitação produtiva, especialmente pelas informações sobre biomassa de bambu.

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    Parcerias estratégicas em foco

    Além das discussões técnicas, o evento abriu espaço para possíveis parcerias entre cooperativas e Embrapa Agroenergia. Juliana Evangelista, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia, apresentou os modelos de colaboração, como o programa “Portas Abertas” e o credenciamento junto à Embrapii.

    Portanto, essas iniciativas permitem às empresas utilizar a infraestrutura da Embrapa e receber aporte financeiro para inovação industrial. Segundo Juliana, os recursos da Embrapii podem custear até um terço do valor de cada projeto, com o restante dividido entre a indústria parceira e a Embrapa.

    O evento encerrou com uma visita técnica aos laboratórios e áreas experimentais da Embrapa Agroenergia, liderada pelo supervisor Felipe Carvalho. A capacitação reforçou a importância do trigo tropical na agenda de bioenergia e abriu caminho para novas oportunidades no setor.

  • Alimentos sem glúten; Embrapa lança linha de produtos

    Alimentos sem glúten; Embrapa lança linha de produtos

    A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) desenvolveu uma nova linha de alimentos sem glúten, unindo cereais integrais, como arroz e milheto, com pulses, como grão-de-bico e feijão-carioca.

    Entre as novidades estão snacks aerados, farinhas pré-cozidas, massas alimentícias e pão pita (árabe ou sírio). Para colocar os produtos no mercado, a instituição busca parceiros para codesenvolvimento, validação e licenciamento.

    Os novos alimentos foram desenvolvidos por meio da extrusão termoplástica, tecnologia que permite o cozimento rápido e preserva os nutrientes dos grãos.

    De acordo com Carlos Piler, pesquisador da Embrapa, o processo permite utilizar o grão inteiro, evitando o refinamento. “Com isso, as enzimas que causam rancificação são inativadas, prolongando a vida útil do produto”, explica Piler.

    Além disso, os snacks possuem 12,8% de proteína e 9% de fibras, enquanto o pão pita contém 10,5% de proteínas e 10% de fibras. Ambos alcançaram índice de aceitação sensorial de 70%, indicando boa receptividade pelo público.

    Seleção das matérias-primas e massa rica em proteínas e fibras

    A escolha dos ingredientes se baseou na disponibilidade no mercado e em características nutricionais. Além disso, Piler aponta o arroz e o feijão-carioca como grãos amplamente cultivados no Brasil, justificando sua escolha.

    Ele menciona também o grão-de-bico, elogiando seu sabor neutro. Entretanto, quanto ao milheto pérola, Piler ressalta suas qualidades nutricionais e compostos bioativos.: “Esse cereal contém compostos fenólicos de destaque e é amplamente cultivado no Brasil, garantindo segurança alimentar”.

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    Outro destaque é a massa alimentícia em formato fusilli, desenvolvida a partir de milheto pérola e grão-de-bico, ambos integrais.

    A pesquisadora Melicia Galdeano explica que o uso de farinha pré-cozida e a extrusão a frio proporcionaram um produto com 13% de proteínas e 11% de fibras. “Essa combinação melhora as propriedades tecnológicas do produto e oferece uma alternativa saudável para pessoas com intolerâncias ao glúten e ao trigo”, ressalta Galdeano.

    Parcerias para comercialização

    A Embrapa está em busca de parcerias para validar e licenciar os alimentos sem glúten, tendo portanto, objetivo de ajustar formulações e promover a exploração comercial.

    “Nosso foco é atender ao nicho de saudabilidade, diversificando as opções de alimentos sem glúten no mercado”, conclui José Ascheri, pesquisador da instituição.