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  • Mercado mundial de açúcar perde fôlego: usinas brasileiras apostam no etanol

    Mercado mundial de açúcar perde fôlego: usinas brasileiras apostam no etanol

    O superávit global de açúcar encolheu significativamente na temporada 2025/26 (outubro a setembro). Novas revisões nas estimativas de produção reduziram o saldo mundial para menos de 1 milhão de toneladas. Um patamar bem abaixo do que o mercado projetava há alguns meses. Os dois principais fatores por trás do ajuste são o desempenho abaixo do esperado da safra indiana e a reorientação das usinas brasileiras em direção ao etanol.

    Dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros, mostram que o saldo global caiu de 2,9 milhões de toneladas para cerca de 870 mil toneladas no ciclo atual. A Índia concentrou a maior parte da revisão: sua produção passou de 32,3 milhões para 29,7 milhões de toneladas, reflexo de uma safra mais curta no estado de Maharashtra e de produtividade abaixo do esperado em Uttar Pradesh. Ainda assim, o volume representa crescimento anual de cerca de 14%.

    “Apesar dos cortes recentes nas estimativas de produção de países importantes como Índia e Brasil, o mercado internacional ainda trabalha com um pequeno superávit. Isso tem limitado movimentos de alta mais consistentes nos preços, principalmente diante de sinais de demanda global mais fraca”, afirma Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de Inteligência de Mercado.

    Oferta ainda abastecida, mas demanda fraca pesa nas cotações

    Nem toda notícia do período foi negativa para a oferta. A safra europeia de beterraba superou as expectativas e entregou cerca de 2 milhões de toneladas a mais do que as estimativas anteriores, com destaque para ganhos de produtividade na União Europeia e na Ucrânia. No México, a produção subiu de 5,1 milhões para 5,4 milhões de toneladas, impulsionada por melhoras nos canaviais.

    Mesmo assim, o mercado internacional enfrenta uma combinação desfavorável: importações mais lentas nos grandes mercados consumidores e estoques elevados mantêm as cotações pressionadas. O preço do açúcar segue próximo de 14 centavos de dólar por libra-peso.

    “Hoje o mercado vive uma combinação de oferta ainda relativamente confortável e demanda menos dinâmica. Esse contexto ajuda a explicar por que as cotações seguem próximas da faixa de 14 centavos de dólar por libra-peso no mercado internacional”, explica Di Bonifácio.

    Um fator externo pode mudar esse cenário: a alta recente do petróleo tende a estimular a produção de etanol e pode dar suporte indireto às cotações do açúcar nos próximos meses.

    Brasil prioriza etanol diante de açúcar mais barato

    No Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, as usinas já começam a redirecionar a produção. Para a safra 2026/27 do Centro-Sul, as estimativas apontam moagem de 620,5 milhões de toneladas de cana, com leve expansão na área colhida e recuperação parcial da produtividade.

    O mix açucareiro, no entanto, recuou de 49,3% para 48,7%. Sinal de que as usinas preferem transformar mais cana em etanol diante da menor atratividade do açúcar no mercado externo. Com isso, a produção de açúcar deve ficar próxima de 40 milhões de toneladas. Ou seja, cerca de 700 mil toneladas abaixo da projeção anterior.

    “Com o açúcar menos valorizado no mercado internacional, muitas usinas tendem a priorizar o etanol no início da safra. Esse movimento reduz o mix açucareiro e acaba limitando o crescimento da oferta de açúcar no Brasil”, explica Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado.

    A safra 2025/26 em curso deve encerrar com produção próxima de 40,4 milhões de toneladas e mix estimado em 50,5%.

    Etanol pode bater recorde histórico em 2026/27

    No mercado de biocombustíveis, o cenário é de expansão. A produção total de etanol no Centro-Sul pode alcançar 37,2 bilhões de litros em 2026/27, avanço de 10,2% na comparação anual e novo recorde histórico. O crescimento vem, em grande parte, da expansão do etanol de milho.

    Para Borges, esse movimento reforça a flexibilidade estratégica do setor sucroenergético brasileiro. “O aumento da produção de etanol, especialmente de milho, amplia a capacidade do setor de reagir rapidamente aos sinais de preço entre açúcar e biocombustível”, destaca.

    O Centro-Sul segue como a principal região produtora de açúcar do mundo. Qualquer mudança relevante no mix ou na produtividade agrícola brasileira tem capacidade de alterar rapidamente o balanço global entre oferta e demanda da commodity.

  • Moagem de cana no Centro-Sul pode bater terceiro maior recorde histórico

    Moagem de cana no Centro-Sul pode bater terceiro maior recorde histórico

    A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil deve crescer 3,6% na safra 2026/27, alcançando 620,5 milhões de toneladas, segundo a primeira estimativa da StoneX, empresa global de serviços financeiros. Esse volume colocaria a região diante da terceira maior moagem da história.

    Esse aumento é sustentado pelo rejuvenescimento do canavial após altas renovações em 2024/25 e 2025/26, expectativa de chuvas dentro da normalidade no período de outubro a março e expansão da área colhida para 8 milhões de hectares, 1,8% maior que o ciclo anterior. Parte desse crescimento recupera áreas prejudicadas por queimadas entre julho e setembro de 2024, quando 420 mil hectares foram afetados.

    Marcelo Di Bonifácio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, destaca que a combinação da recuperação das áreas queimadas com o retorno das chuvas cria um cenário favorável para a safra, que está entre as maiores já registradas no Centro-Sul.

    A produtividade deve subir ligeiramente, chegando a 77,5 toneladas por hectare, mesmo com déficits hídricos persistentes em regiões como Triângulo Mineiro e Sul de Goiás.

    A produção de açúcar está estimada em 42,1 milhões de toneladas, um crescimento de 5,7%. Isso impulsionada pelo maior volume de moagem e pela normalização do Açúcar Total Recuperável (ATR), previsto em 138,8 kg/ton.

    Etanol de milho

    No setor de etanol, destaca-se o aumento da produção total, principalmente pela expansão do etanol de milho, cuja oferta pode chegar a 11,4 bilhões de litros, avanço de 17,5% em relação à safra anterior, respondendo por cerca de um terço do volume da região. O etanol hidratado de cana deve atingir 14,6 bilhões de litros, alta de 8,2%.

    No Norte-Nordeste, a moagem de cana deve permanecer estável em 57,3 milhões de toneladas para 2025/26, com queda de 0,5%. E a produção de açúcar deve cair 1,9%, para 3,65 milhões de toneladas, devido à normalização do ATR.

    O grande destaque na região é o etanol de milho, cuja produção pode chegar a 962 milhões de metros cúbicos, próximo a 1 bilhão de litros. Isso impulsionada pela entrada em operação de novas plantas, como a usina da Inpasa, na Bahia, com capacidade superior a 500 mil metros cúbicos anuais. Além de projetos em Tocantins, Piauí e Rondônia.

    Marcelo Di Bonifácio explica que o etanol de milho ganha importância estratégica no Nordeste. Promovendo diversificação da matriz, segurança no abastecimento e maior competitividade no mercado nacional. Com isso, o etanol de cana deverá perder espaço relativo na região. Especialmente a partir de 2026/27 com a chegada de novos projetos, podendo formar um mix açucareiro em torno de 51% para o próximo ciclo.

  • Alerta – Frio extremo ameaça colheita de café e cana

    Alerta – Frio extremo ameaça colheita de café e cana

    O avanço de frentes frias intensas no Centro-Sul do Brasil preocupa produtores de café e cana-de-açúcar, que enfrentam riscos elevados de prejuízo com a chegada de geadas e temperaturas mínimas. Segundo levantamento da StoneX, eventos climáticos extremos como esses afetam diretamente o metabolismo das plantas, comprometendo a produtividade e a qualidade das safras.

    A intensidade dos danos provocados pelo frio depende de fatores microclimáticos, como topografia do terreno, posição das lavouras e umidade local.

    Carolina Jaramillo Giraldo, Analista de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação Stone X

    “Também influenciam fatores climáticos de grande escala, como os fenômenos El Niño/La Niña e a Oscilação Antártica, que interferem de forma significativa nas condições do tempo no Brasil”, explica a analista de Inteligência de Mercado, Carolina Jaramillo Giraldo.

    Cana-de-açúcar: prejuízo imediato e colheita antecipada

    No caso da cana-de-açúcar, temperaturas abaixo de 5 °C ocorrem ao menos uma vez por ano em grande parte do Centro-Sul. Áreas produtoras do Mato Grosso, por exemplo, registram até sete dias anuais com frio intenso. Quando os termômetros se aproximam de 0 °C, os produtores enfrentam queima de folhas, morte de gemas, paralisação do crescimento e queda na qualidade industrial e produtividade.

    Após a geada, a necessidade de colheita imediata compromete o rendimento, pois muitas vezes a cana ainda não atingiu o ponto ideal. “Na safra 2021/22, a produtividade já vinha em queda devido à estiagem. Com as geadas e, posteriormente, incêndios em agosto, a quebra foi ainda maior. A moagem final ficou em 524,1 milhões de toneladas — cerca de 60 milhões abaixo da expectativa inicial de 580 milhões”, pontua o analista de Inteligência de Mercado, Marcelo Di Bonifácio Filho.

    Marcelo Di Bonifácio Filho, Analista de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação Stone X

    Regiões como o noroeste do Paraná, sudeste de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo apresentam mais de 90% de chance de registrar temperaturas abaixo de 5 °C ao menos uma vez por ano. Áreas do Triângulo Mineiro, centro de Minas Gerais e oeste de Goiás também enfrentam riscos semelhantes.

    Café: histórico de perdas e risco de queda na produção

    A cultura do café arábica já sofreu severamente com geadas ao longo da história. O frio intenso pode causar estresse térmico, abortamento floral e queda expressiva na produção, como ocorreu em 2022.

    “Em 2022, o potencial de produção era de 50 milhões de sacas, mas foram colhidas apenas 39,8 milhões, cerca de 20% abaixo do esperado. Isso teve impacto direto nos preços internacionais”, explica o gerente de Inteligência de Mercado do grupo, Fernando Maximiliano.

    Fernando Maximiliano, Gerente de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação Stone X

    Regiões como sul de Minas, noroeste do Paraná e sul de São Paulo apresentam mais de 90% de probabilidade de registrar ao menos um dia por ano com temperaturas abaixo de 5 °C. Em áreas de altitude no extremo sul de Minas Gerais, o risco de frio intenso é ainda maior, com até 18 dias anuais de temperaturas mínimas abaixo desse patamar em pontos específicos.

    O frio reduz a fotossíntese e coloca as plantas em estado de “hibernação metabólica”, limitando o crescimento e a formação de gemas florais. Quando o frio ocorre durante a florada, o risco de abortamento floral aumenta, dificultando a previsão de perdas.

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  • Moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul avança 12,99% na segunda quinzena de junho

    Moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul avança 12,99% na segunda quinzena de junho

    Na segunda quinzena de junho, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 48,80 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Um aumento de 12,99% em comparação com a safra 2023/2024, quando foram moídas 43,19 milhões de toneladas no mesmo período.

    No acumulado desde o início da safra 2024/2025 até 1º de julho, a moagem atingiu 238,40 milhões de toneladas. Foram 210,48 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 2023/2024 – um avanço de 13,27%.

    Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA “o avanço de moagem registrado até o momento está relacionado à antecipação de início das operações nos primeiros meses da safra. Especialmente, à condição climática que tem favorecido a colheita no atual ciclo”.

    Ao término da segunda metade de junho, 256 unidades estavam em operação no Centro-Sul. 238 unidades com processamento de cana-de-açúcar, nove empresas que fabricam etanol a partir do milho e nove usinas flex.

    O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registrado na segunda quinzena de junho atingiu 139,96 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 133,10 kg por tonelada na safra 2023/2024 – variação positiva de 5,16%.

    No acumulado da safra, o indicador marca 128,31 kg de ATR, o mesmo índice registrado no ciclo anterior em igual posição.

    Produção de açúcar e etanol

    A produção de açúcar na segunda quinzena de junho totalizou 3,25 milhões de toneladas, registrando aumento de 20,11% na comparação com a quantidade registrada em igual período na safra 2023/2024 (2,70 milhões de toneladas).

    No acumulado desde o início da safra até 1º de julho, a fabricação do adoçante totalizou 14,20 milhões de toneladas, contra 12,27 milhões de toneladas do ciclo anterior (+15,70%).

    Ainda segundo Rodrigues, “até o momento o crescimento da fabricação do adoçante atingiu 1,93 milhões de toneladas. 1,63 milhões decorre do avanço na moagem de cana-de-açúcar e apenas 300 mil toneladas associada à mudança no mix de produção das unidades produtoras”.

    Na segunda metade de junho, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 2,31 bilhões de litros.  Destes, 1,42 bilhão de litros (+32,84%) de etanol hidratado e 887,96 milhões de litros (+1,06%) de etanol anidro.

    No acumulado desde o início do atual ciclo agrícola até 1º de julho, a fabricação do biocombustível totalizou 11,02 bilhões de litros (+13,52%), sendo 7,06 bilhões de etanol hidratado (+27,27%) e 3,96 bilhões de anidro (-4,83%).

    Vendas de etanol crescem 10,95% em junho

    No mês de junho, as vendas de etanol totalizaram 2,84 bilhões de litros. Isso representa uma variação positiva de 10,95% em relação ao mesmo período da safra 2023/2024.

    O etanol hidratado registrou crescimento de 27,84% (1,81 bilhão de litros), enquanto o anidro apresentou queda de 10,02% no volume comercializado (1,03 bilhão de litros).

    No mercado interno, o volume de etanol hidratado vendido pelas unidades do Centro-Sul totalizou 1,77 bilhão de litros em junho deste ano. Um aumento de 33,95% em relação ao mesmo período da safra anterior.

    A venda mensal de etanol anidro atingiu a marca de 978,52 milhões de litros, retração de 10,10%.

    No acumulado desde o início da safra até 1º de julho, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 8,65 bilhões de litros, registrando crescimento de 22,13%.