Tag: Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura

  • Escola em João Pessoa consolida legado do cooperativismo

    Escola em João Pessoa consolida legado do cooperativismo

    A força do cooperativismo ganhou forma concreta em João Pessoa com a entrega da Escola Cidadã Integral Técnica Professor Raul Córdula, inaugurada em 2024 por meio de uma parceria entre a Unimed João Pessoa e o Governo da Paraíba. Mais do que uma obra estrutural, o projeto simboliza como os resultados financeiros de uma cooperativa podem retornar diretamente à sociedade em forma de educação, inclusão e desenvolvimento social.

    Fundada em 1971 por um grupo de 106 médicos, a Unimed João Pessoa consolidou-se como a maior operadora de saúde da capital paraibana. Atualmente, reúne 1.906 médicos cooperados, cerca de 2,5 mil colaboradores e mais de 183 mil clientes. Em 2025, a cooperativa atingiu faturamento bruto de R$ 1,386 bilhão, com crescimento acumulado de 47,5% desde 2020.

    Além disso, parte desse desempenho foi convertida em investimento social. A Escola Raul Córdula representa esse conceito: a sobra obtida pela cooperativa sendo revertida em benefício coletivo.

    Nesse contexto, a unidade foi entregue em janeiro de 2024, apenas um ano após o lançamento da pedra fundamental. Construída a cerca de 200 metros da antiga escola estadual, a nova estrutura ampliou a capacidade de atendimento de 320 para 380 estudantes, incluindo Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Educação como resultado do cooperativismo

    Nesse sentido, o projeto foi desenvolvido com base em conceitos de sustentabilidade, acessibilidade e ensino integral. A estrutura conta com 11 salas de aula, laboratórios, quadra poliesportiva coberta, salas multifuncionais, refeitório climatizado e áreas de convivência ampliadas. Também incorpora energia solar e coleta seletiva, além de garantir acessibilidade para pessoas com deficiência.

    Além disso, a entrega ocorreu por meio de uma permuta formalizada entre a cooperativa e o Governo do Estado, aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba. O modelo evidencia a capacidade de articulação do cooperativismo para gerar impacto direto na sociedade.

    Para o presidente executivo do Sistema OCB/Paraíba, André Pacelli, a iniciativa reflete o papel social do cooperativismo. “A Unimed é a maior cooperativa de saúde do mundo. A Unimed João Pessoa é um case de sucesso aqui do Nordeste, emprega mais de 2 mil pessoas, reúne mais de 1.800 cooperados e registra faturamento superior a R$ 1,3 bilhão”, afirmou.

    Presidente executivo do Sistema OCB/Paraíba, André Pacelli – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Além disso, ele destacou o impacto regional. “Oferece qualidade de vida e assistência à saúde a cerca de 180 mil usuários em uma cidade que cresce, sobretudo no turismo, atraindo pessoas em busca de melhor qualidade de vida”, disse.

    Pacelli também ressaltou o avanço estrutural da cooperativa. “Temos três hospitais, com certificações internacionais. O cooperativismo se orgulha dessa parceria e desse momento vivido pela Unimed João Pessoa”, completou.

    Por outro lado, ao abordar o cenário mais amplo, reforçou a expansão do setor. “O cooperativismo da Paraíba vive um momento importante de crescimento. O maior desafio ainda é a desinformação, é preciso mostrar à sociedade o que o cooperativismo faz de bom”, afirmou.

    Inclusão social e desenvolvimento comunitário

    Por sua vez, a atuação social da Unimed João Pessoa vai além da educação formal. Por meio do Instituto Unimed João Pessoa, a cooperativa desenvolve projetos estruturados em pilares como saúde, cidadania, cultura, esporte, educação, preservação ambiental e voluntariado.

    Coral Jovem do Instituto Unimed João Pessoa – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Entre os destaques, por exemplo, está o Coral Jovem, formado por crianças e adolescentes de comunidades locais. Assim, o projeto promove inclusão social por meio da educação musical e do desenvolvimento cidadão.

    Segundo o presidente do Instituto Unimed João Pessoa, Fernando Florêncio, a iniciativa vai além da formação artística. “São cerca de 50 jovens, entre 8 e 18 anos, que participam do coral e recebem toda a assistência, inclusive para suas famílias, nas áreas médica, odontológica e cultural”, explicou.

    Além disso, ele detalha o impacto do programa. “O desenvolvimento ocorre por meio de uma série de práticas voltadas à formação cidadã diferenciada, permitindo a inserção desses jovens na sociedade de forma mais ampla”, afirmou.

    Ao mesmo tempo, a cooperativa mantém o Espaço Vida, com 3.500 metros quadrados dedicados à experiência do cliente, focado em reabilitação em fisioterapia e terapias exclusivas, reforçando sua vocação de cuidado integral.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    A estratégia evidencia um dos princípios do cooperativismo: o interesse pela comunidade. Ao cooperar, laços são criados, ideais se fortalecem e o crescimento ocorre de forma coletiva.

    Por fim, nesse contexto, a Escola Raul Córdula se consolida como símbolo desse modelo. Mais do que números expressivos, o cooperativismo demonstra sua força ao transformar resultados financeiros em legado social concreto, impactando diretamente a vida de centenas de famílias paraibanas.

  • Tecnologia transforma criação de pirarucu no Brasil

    Tecnologia transforma criação de pirarucu no Brasil

    A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia lançou o ArapaimaPLUS, uma tecnologia inovadora que promete transformar a criação de pirarucu (Arapaima gigas) em cativeiro no Brasil. Parte da família AquaPLUS – que já oferece soluções genômicas para tilápia, tambaqui, camarão e truta, a ferramenta traz avanços significativos para a gestão, seleção e melhoramento genético de matrizes do pirarucu.

    Com enfoque na simplicidade, praticidade e baixo custo, a ferramenta oferece aos aquicultores um retorno elevado sobre o investimento, além de atender demandas como rastreabilidade e monitoramento genético de populações selvagens.

    O ArapaimaPLUS é um teste genômico que realiza análises precisas de parentesco, identificação individual e variabilidade genética. Essas funções são essenciais para o gerenciamento genealógico de plantéis de reprodutores, otimizando a formação de casais e minimizando acasalamentos consanguíneos.

    De acordo com Alexandre Caetano, pesquisador da Embrapa, a ferramenta agrega as funções básicas de outras soluções AquaPLUS, mas vai além ao permitir monitorar populações selvagens e integrar processos de rastreabilidade. “A tecnologia é um passo à frente na criação sustentável de pirarucu, alinhando produção e conservação”, afirma.

    Superando desafios da criação em cativeiro

    O pirarucu é conhecido por ser um dos maiores peixes de água doce do mundo, com alta valorização no mercado, mas sua criação em cativeiro enfrenta desafios técnicos e econômicos. Enquanto espécies como a tilápia se reproduzem facilmente em tanques, o pirarucu requer cuidados específicos.

    Comportamentos territoriais dos machos e a necessidade de tanques individuais aumentam os custos e a complexidade da produção. Além disso, a maturidade reprodutiva do pirarucu leva anos para ser alcançada, dificultando a reprodução controlada. A falta de protocolos para indução hormonal e manipulação de gametas agrava o cenário, obrigando os produtores a confiar em métodos naturais de acasalamento.

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    Outro desafio significativo está na instabilidade de preços. Em anos de pesca abundante, o custo de produção em cativeiro pode superar o preço de mercado, tornando a atividade menos competitiva.

    ArapaimaPLUS: inovação com benefícios tangíveis

    O ArapaimaPLUS surge como uma solução prática para esses desafios. A ferramenta auxilia na escolha de matrizes com maior potencial produtivo e na formação de casais geneticamente diversificados, otimizando a produção de alevinos. O resultado é um plantel mais eficiente, com menos perdas e maior retorno econômico.

    Pirarucu
    Nova ferramenta aprimora gestão, uso, seleção e melhoramento genético de matrizes dessa espécie de peixe, de forma simples e prática. Foto: Simone Yokoyama Oliveira/Embrapa

    Além disso, o teste genômico pode ser usado para rastrear populações selvagens e validar a origem de produtos processados, garantindo mais transparência na cadeia produtiva. Isso é especialmente relevante em mercados que valorizam práticas sustentáveis e produtos rastreáveis, como o de alta gastronomia.

    Pirarucu: potencial produtivo e nichos de mercado

    Apesar das dificuldades, o pirarucu possui características que o destacam como uma opção promissora para a piscicultura. Em condições ideais, o peixe pode atingir até 10 quilos no primeiro ano de vida, superando outras espécies em termos de crescimento.

    Produtores próximos a grandes mercados consumidores, como São Paulo, têm explorado o nicho de alta gastronomia, oferecendo carne de pirarucu fresca e de qualidade premium. Mesmo com as limitações de manejo, esses produtores conseguem se posicionar competitivamente, especialmente em regiões onde o mercado valoriza produtos diferenciados.

    Além de beneficiar os produtores, o ArapaimaPLUS também desempenha um papel crucial na conservação ambiental. A ferramenta permite monitorar o impacto da piscicultura na biodiversidade local, como o escape de peixes que podem alterar a genética de populações selvagens.

    “Já identificamos diferenças genéticas significativas entre populações de pirarucu de diferentes bacias hidrográficas. Essa variabilidade precisa ser preservada, e o ArapaimaPLUS oferece meios para isso”, explica Caetano. A tecnologia também é uma aliada de órgãos ambientais e organizações que monitoram a sustentabilidade da pesca e da criação em cativeiro.

    O futuro da piscicultura brasileira

    Com o ArapaimaPLUS, a Embrapa reafirma seu compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável da aquicultura. A empresa já trabalha na validação de soluções genômicas para outras espécies, como pacu e pirapitinga, ampliando as oportunidades para produtores em todo o país.

    “O objetivo é disponibilizar tecnologias que atendam às necessidades de todas as espécies relevantes para a piscicultura nacional. Queremos garantir produtividade e competitividade, sem abrir mão da sustentabilidade”, conclui Caetano.

    Produtores interessados podem entrar em contato com a Embrapa pelo telefone +55 (61) 3448-4662 ou pelo e-mail [email protected].

    Com pesquisa e estudos, a piscicultura brasileira avança em direção a um futuro mais produtivo e sustentável, unindo ciência, tecnologia e inovação para transformar o mercado de pirarucu.

    O que é tecnologia genômica?

    A tecnologia genômica refere-se ao conjunto de ferramentas e métodos que permitem a análise, manipulação e interpretação do genoma de organismos. Essa área da biotecnologia tem avançado significativamente nas últimas décadas, possibilitando uma compreensão mais profunda da estrutura e função dos genes, bem como suas interações e impactos na saúde, agricultura e meio ambiente.

    Principais aspectos da tecnologia genômica

    • Sequenciamento de DNA: O sequenciamento de DNA é um dos pilares da tecnologia genômica. Ele permite determinar a ordem exata dos nucleotídeos (as “letras” do código genético) em um organismo. Técnicas como o sequenciamento de nova geração (NGS) possibilitam sequenciar grandes quantidades de DNA rapidamente e a um custo reduzido.
    • Edição Genética: Ferramentas como CRISPR-Cas9 revolucionaram a edição genética, permitindo que cientistas façam alterações específicas no DNA de organismos. Isso tem aplicações em pesquisa biomédica, desenvolvimento de culturas resistentes a pragas e doenças, e potencial tratamento de doenças genéticas.
    • Análise de Dados Genômicos: A interpretação dos dados gerados pelo sequenciamento requer o uso de bioinformática, que envolve algoritmos e software para analisar grandes volumes de dados genéticos. Isso ajuda na identificação de variantes genéticas associadas a doenças ou características desejáveis em plantas e animais.
    • Genômica Comparativa: Este campo estuda as semelhanças e diferenças entre os genomas de diferentes organismos para entender a evolução, a função gênica e as relações entre espécies.
    • Aplicações em Saúde: Na medicina, a tecnologia genômica é utilizada para identificar predisposições genéticas a doenças, personalizar tratamentos com base no perfil genético do paciente (medicina personalizada) e desenvolver terapias gênicas.
    • Agricultura: Na agricultura, a genômica é aplicada para melhorar características das culturas, como resistência a doenças, tolerância a estresses ambientais (como seca ou salinidade) e aumento da produtividade.

    A tecnologia genômica está transformando diversas áreas do conhecimento, oferecendo novas oportunidades para avanços científicos e aplicações práticas que podem melhorar a qualidade de vida, aumentar a segurança alimentar e contribuir para a conservação ambiental. Com o contínuo desenvolvimento dessas tecnologias, espera-se que seu impacto se expanda ainda mais nos próximos anos.

  • Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    Centro de Pesquisa em Inovação e Sustentabilidade reforça combate ao greening

    O Fundecitrus, a Esalq/USP e a Fapesp uniram forças para criar o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA). O projeto foi apresentado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O objetivo é intensificar o combate ao greening, doença que afeta 44% dos pomares paulistas em 2024.

    Investimento

    O CPA terá um investimento de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos, renováveis por mais cinco. Ou seja, Fundecitrus e Fapesp destinarão R$ 90 milhões em recursos financeiros. O restante será contrapartida não financeira, como infraestrutura e salários de técnicos. Em geral, o centro busca desenvolver pesquisas, transferir tecnologia e difundir conhecimento para fortalecer a citricultura, setor responsável por 8,2% das exportações paulistas e 45 mil empregos no estado.

    Márcio de Castro Silva e Filho, diretor-científico da Fapesp, destacou a relevância histórica da parceria com o Fundecitrus. “Juntos, avançamos na pesquisa e mitigação do greening. Agora, damos um passo transformador para a citricultura paulista”, afirmou. Além disso, a colaboração entre as instituições remonta ao Projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou o genoma da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da CVC (amarelinho).

    Impactos do greening

    A doença, que provoca queda de produtividade e eleva os custos de produção, já reduziu pela metade o número de propriedades citrícolas no estado. Ou seja, de 2008 a 2024, a incidência subiu de 0,6% para 44,4%, condenando 90,7 milhões de árvores só neste ano. Portanto, desde 2004, outras 64 milhões de árvores foram eliminadas na tentativa de controlar a doença.

    Ao mesmo tempo, o aumento da população do inseto vetor, resistente a inseticidas, intensifica o problema. Entre 2019 e 2024, o número de vetores cresceu dez vezes, ampliando os desafios para conter a disseminação. “O CPA foi criado para oferecer respostas eficazes e reduzir os prejuízos à produção”, explicou Lilian Amorim, pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA.

    Em resumo, nas últimas cinco safras, o greening causou a perda de 97,2 milhões de caixas de laranja, totalizando US$ 972 milhões em receita. Algumas regiões já registram mais de 60% de pomares afetados pela doença, que ameaça a sustentabilidade do setor.

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    Pesquisa e transferência de tecnologia

    As pesquisas do CPA abordarão interações entre patógenos, plantas e vetores, com foco em resistência genética e controle integrado. Outras áreas de estudo incluirão nutrição das plantas, avaliação de perdas e impactos econômicos das medidas de manejo.

    Além disso, o CPA atuará na formação de profissionais, com programas de pós-graduação e cursos online. Pesquisadores e técnicos de instituições parceiras, como CATI e Defesa Agropecuária do Estado, farão a transferência de tecnologia.

    Sediado na Esalq/USP, em Piracicaba, o CPA reunirá especialistas de universidades e centros de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre os parceiros estão a UFSCar, Unicamp, Embrapa e instituições de países como França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e Portugal.

    O secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai, reforçou a importância do setor. “A citricultura paulista é referência mundial. O CPA fortalecerá o setor, possibilitando enfrentarmos desafios como o greening com mais eficiência”, destacou.

    Com essa iniciativa, o estado de São Paulo renova seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade da citricultura, promovendo soluções que alavancam a economia e protegem uma das principais cadeias produtivas do Brasil.