Eventos climáticos extremos voltaram a atingir o Brasil com força no fim de julho e reforçaram o alerta para a chegada de um El Niño mais intenso entre 2026 e 2027. Apesar do cenário preocupante, especialistas afirmam que a magnitude dos desastres não depende apenas do fenômeno climático, mas principalmente das ações de prevenção adotadas pelo poder público.
Na última quarta-feira (29), um tornado provocou danos severos em municípios do Rio Grande do Sul. No Sudeste, rajadas de vento chegaram a 90 km/h no Rio de Janeiro e a 120 km/h em São Paulo, causando transtornos e mortes.
No mesmo dia, cientistas e autoridades discutiram estratégias para enfrentar eventos extremos durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O encontro marcou o avanço de um programa voltado à preparação das cidades brasileiras para os impactos do El Niño.
O fenômeno ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e deve ganhar intensidade nos próximos meses. Ainda assim, o pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), afirma que eventos mais severos não significam, necessariamente, mais destruição.
Prevenção
Segundo ele, a resposta está na prevenção. “Pode chover muito em uma região, mas, se houver planejamento, obras de contenção e manutenção urbana, como limpeza de bueiros, o impacto diminui”, explica.
Marengo reforça que o aumento das chuvas intensas é esperado, mas os desastres ocorrem principalmente quando há ocupação de áreas de risco e falhas na proteção de populações vulneráveis. Idosos e moradores de regiões suscetíveis, por exemplo, enfrentam maior dificuldade para reagir a alertas emergenciais.
O especialista também destaca que nem todos os eventos extremos estão diretamente ligados ao El Niño. O aquecimento global tem papel crescente na intensificação de fenômenos climáticos severos.
Historicamente, o El Niño provoca efeitos distintos no Brasil. O Sul tende a registrar chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes. Já o Norte e o Nordeste enfrentam redução das precipitações, com possibilidade de secas prolongadas que podem atingir a Amazônia e o Pantanal até 2027.
Diante desse cenário, o Cemaden tem ampliado o suporte a autoridades estaduais e municipais, oferecendo análises e orientações para reduzir riscos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o governo reconstruiu as comportas do Lago Guaíba após falhas registradas durante as enchentes de 2024.
Apesar dos avanços, Marengo pondera que a eficácia das medidas ainda dependerá da execução. “Já existem planos de prevenção e contingência. O lado positivo é que o tema ganhou atenção e o governo começou a agir”, afirma.
O avanço do El Niño de intensidade moderada a forte, conhecido como “Super El Niño”, tem gerado preocupação em diversos setores da economia. No campo, produtores acompanham atentamente os possíveis reflexos do fenômeno climático, que deve influenciar as condições meteorológicas em São Paulo.
De acordo com a meteorologista Maria Clara Sassaki, da TempoOK, os principais efeitos esperados para o estado incluem o atraso na regularização das chuvas e a manutenção de temperaturas acima da média durante a primavera e o verão. Além disso, há potencial para a ocorrência de ondas de calor mais intensas, o que pode afetar atividades agrícolas, recursos hídricos e o planejamento das safras.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse processo ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, responsáveis por influenciar a circulação atmosférica global. Como consequência, diferentes regiões do planeta registram alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura.
Enquanto áreas do sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil costumam enfrentar condições mais secas, outras localidades registram aumento das precipitações. Esse é o caso da África Oriental, do sul dos Estados Unidos, do Peru e do Equador.
Mais intenso já registrado
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta que o El Niño 2026/2027 pode se tornar o mais intenso já registrado na história moderna.
Segundo Maria Clara Sassaki, a distribuição das chuvas tende a ficar desequilibrada durante o fenômeno.
“As chuvas ficam concentradas no Sul e demoram muito para avançar de forma continental, organizando o corredor de umidade que seria típico desta época: com o ar mais seco, a atmosfera mais aquecida e as temperaturas também ficam mais elevadas.”
Dessa forma, produtores rurais devem acompanhar os boletins meteorológicos e reforçar estratégias de manejo para reduzir possíveis impactos provocados pela falta de chuva e pelo aumento do calor.
Por outro lado, os efeitos do fenômeno também exigem atenção da população em geral. A especialista recomenda evitar longos períodos de exposição ao sol, manter a hidratação adequada e utilizar protetor solar com frequência.
Além disso, os recursos hídricos também podem sofrer pressão adicional caso o período seco se prolongue.
“O nível dos reservatórios pode ficar baixo, então os cuidados que normalmente são tomados no período de seca devem ser mantidos até a regularização do nível dos reservatórios”, afirmou Maria Clara.
Assim, especialistas reforçam que o monitoramento constante das condições climáticas será fundamental para minimizar impactos sobre a produção agropecuária, o abastecimento de água e a rotina da população paulista.
Novas previsões climáticas divulgadas em maio aumentaram a preocupação de especialistas sobre a formação de um El Niño forte nos próximos meses. Apesar disso, cientistas alertam que ainda é cedo para afirmar que o fenômeno atingirá níveis extremos, conhecidos informalmente como “super El Niño”.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status para “alerta de El Niño” e apontou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026. Além disso, a probabilidade de ele continuar ativo até o início de 2027 chega a 96%.
Modelos meteorológicos internacionais também passaram a indicar um aquecimento mais intenso das águas do Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, o fenômeno deve atingir pelo menos intensidade forte.
Mesmo com os novos alertas, pesquisadores pedem cautela. A cientista atmosférica Kimberley Reid explicou que previsões feitas nesta época do ano ainda apresentam muitas incertezas.
“O histórico mostra que previsões feitas nesta época do ano ainda carregam incertezas importantes”, afirmou à BBC.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em várias partes do planeta.
Enquanto o El Niño aquece as águas do Pacífico, o La Niña provoca o efeito contrário, com temperaturas mais frias do que a média.
Anomalia de temperatura no Oceano Pacífico. Valores em graus Celsius — (Dados divulgados pelo CPC/NOOA em 11/05/2026)
Segundo especialistas, os sinais atuais já mostram um aquecimento consistente no oceano. A NOAA informou que o aquecimento das águas subsuperficiais aumentou pelo sexto mês consecutivo.
O pesquisador José Marengo afirmou que o fenômeno realmente está se formando, mas destacou que ainda não é possível prever sua intensidade final.
“Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”, disse.
Meteorologistas monitoram especialmente a região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem mais de 1,5 °C acima da média durante vários meses, o evento costuma ser considerado muito forte.
Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo já indicam possibilidade de aquecimento acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério norte. Algumas projeções mais extremas sugerem temperaturas superiores a 3 °C.
Mesmo assim, os cientistas reforçam que previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”.
Quais podem ser os impactos?
Especialistas alertam que um El Niño forte pode elevar ainda mais a temperatura global e aumentar o risco de recordes de calor em 2027.
Além disso, o fenôeno costuma provocar secas severas em países como Austrália, Indonésia e Filipinas. Já regiões da América do Sul, especialmente Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.
No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam clima mais quente e seco.
Segundo nota técnica do Cemaden, o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos no Sul do país. Ao mesmo tempo, Norte e Nordeste podem sofrer com seca e incêndios florestais.
Marengo afirmou que autoridades já deveriam iniciar medidas preventivas: “Independentemente de o El Niño ser moderado, forte ou muito intenso, nós teremos impactos”, destacou. “Ainda não sabemos exatamente a magnitude, mas já conhecemos, com base em eventos anteriores, quais regiões podem ser mais afetadas.”
O setor produtivo brasileiro já monitora com atenção as projeções para o próximo ciclo. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica uma probabilidade de 80% de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano. Com intensidade prevista de moderada a forte, o fenômeno deve elevar a temperatura dos oceanos em cerca de 1,5 °C, o que impacta diretamente o desenvolvimento da safra 2026/27.
O aquecimento da superfície do Oceano Pacífico na região Niño 3.4 define a força do fenômeno. Embora a confirmação exata da intensidade deva ocorrer entre agosto e setembro, especialistas recomendam atenção imediata.
Gilberto Coelho, engenheiro agrícola, professor e diretor de Meio Ambiente da UFLA. Foto: Divulgação
Atualmente, o campo conta com aliados poderosos para antecipar esses cenários. O uso de Inteligência Artificial (IA), redes neurais e modelos físico-matemáticos elevou a precisão das previsões meteorológicas. Segundo o engenheiro agrícola Gilberto Coelho, a evolução das imagens de satélite e a expansão das estações meteorológicas garantem resultados muito mais assertivos do que no passado, permitindo um planejamento estratégico robusto.
O El Niño desenha um mapa de contrastes para o Brasil: chuvas acima da média na região Sul e estiagens severas no Centro-Norte e Nordeste. Já o Sudeste e o Centro-Oeste devem enfrentar maior instabilidade e ondas de calor intensas.
Felipe Schwerz, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Foto: Divulgação
A principal preocupação dos especialistas não é apenas o volume total de chuva, mas a sua distribuição. Felipe Schwerz, professor da UFLA, alerta que a precipitação pode se concentrar em poucos períodos, gerando lacunas hídricas em fases sensíveis das culturas. Essa falta de água, somada ao calor excessivo, prejudica processos vitais das plantas, como a fotossíntese, o crescimento e o florescimento.
Estratégias para proteger a produtividade
Diante de um cenário de custos elevados e margens pressionadas, a gestão profissional da propriedade torna-se indispensável. Para mitigar os riscos, os produtores devem focar em:
Monitoramento constante de dados agrometeorológicos.
Escolha criteriosa de insumos e cultivares tolerantes ao déficit hídrico.
Contratação de seguro agrícola
Além da gestão, a biotecnologia oferece soluções diretas contra o estresse térmico. Renato Menezes, da Agroallianz, destaca que tecnologias como Osmobetan e Amino 75 ajudam a manter o equilíbrio metabólico das plantas mesmo sob condições extremas. Essas ferramentas preservam processos como o pegamento de flores e o desenvolvimento de grãos, garantindo maior estabilidade para o produtor em safras marcadas pela instabilidade climática.
Imagem gerada por IA
Com as mudanças no clima, o sucesso da agricultura brasileira depende, cada vez mais, da capacidade do produtor em aliar tecnologia e planejamento preventivo.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir R$ 100 milhões em estudos que fundamentarão um plano nacional para enfrentar desastres naturais no Brasil. A instituição financeira formalizou na sexta-feira (7) um protocolo de intenções com a Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para desenvolver essa cooperação estratégica.
A solenidade aconteceu em Belém, no interior do navio Atlântico, atracado no porto da capital paraense. O evento também prestou homenagem ao militar português Pedro Teixeira, figura histórica do período colonial que liderou a primeira expedição fluvial subindo o rio Amazonas e contribuiu decisivamente para estabelecer as fronteiras atuais no norte do país.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a diretora do Cemaden, Regina Célia Alvalá, e a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participaram da cerimônia.
O navio Atlântico, conhecido informalmente como Gigante da Marinha, servirá como base de operações das Forças Armadas durante a COP30. A embarcação executa tarefas de controle de áreas marítimas e missões humanitárias, incluindo o auxílio a vítimas de desastres naturais.
O protocolo responde ao crescimento na frequência e intensidade de desastres no país nos últimos anos, especialmente aqueles associados às mudanças climáticas. Esses eventos ameaçam vidas e causam perdas significativas ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro. As instituições unem esforços técnicos, científicos e institucionais para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, monitoramento e resposta.
“Desastres extremos ocorrem com cada vez mais frequência e intensidade. Desenvolvemos esforços de prevenção, com programa de descarbonização e outras iniciativas. Mas também precisamos nos preparar para a resposta: salvar vidas em primeiro lugar e recuperar as estruturas, as comunicações, a economia”, afirma Mercadante.
Experiência do Rio Grande do Sul inspira plano nacional
O presidente do BNDES destacou a atuação da instituição após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio de 2024. “Recuperamos a economia gaúcha. O Rio Grande do Sul cresceu 4,9% em 2024, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. O estado cresceu mais porque o acesso ao crédito que liberamos impediu que empresas quebrassem e que ocorresse desemprego em massa. Precisamos estudar essas experiências e criar um plano nacional para enfrentar desastres naturais”, declarou.
Foto: Rafael Silva / BNDES
Mercadante projeta que os estudos subsidiarão a conclusão do plano nacional até outubro de 2025. O documento indicará caminhos para adaptação e reconstrução em situações extremas. “O Estado precisa chegar com ciência e pesquisa. Como responder à urgência e emergência? Quais providências tomar? Como chegar nas regiões afetadas? Além de salvar vidas, o que reconstruir? Comunicação, infraestrutura? Como recuperar melhor? Qual o tamanho do investimento necessário? Precisamos estudar isso para as áreas mais críticas”, explicou.
Cada instituição contribui com sua expertise
O protocolo valoriza as vocações específicas de cada instituição. A Marinha do Brasil oferece seu conhecimento e experiência como braço operacional do Estado, por meio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil. O Cemaden, vinculado ao MCTI, contribui com sua experiência no monitoramento de desastres e na modelagem de dados preditivos. O BNDES aporta sua capacidade técnica e financeira para construir soluções emergenciais e viabilizar ações conjuntas.
As três instituições iniciarão a formação de uma rede que poderá expandir futuramente e agregar institutos de pesquisas, especialistas em proteção civil e representantes do setor produtivo.
O Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, considera que o protocolo reforça o compromisso brasileiro com o fortalecimento da resiliência nacional diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”, destacou.
Mudanças climáticas exigem resposta coordenada
A ministra Luciana Santos considera a atuação coordenada fundamental para o sucesso na execução de políticas públicas. Segundo ela, as mudanças climáticas já intensificam as chuvas, tornam as enchentes mais frequentes e agravam as ondas de calor, atingindo sobretudo as comunidades vulneráveis. “Só com pesquisa, ferramentas adequadas e conhecimento aplicado teremos respostas realmente efetivas diante desse cenário”, completou.
Regina Célia Alvalá destacou que o Cemaden acumula quase 15 anos de experiência e emite alertas de desastres com bastante antecedência. Para ela, a soma de esforços resultará em ampliação do conhecimento e inovações tecnológicas. “Fazemos parte dessa parceria com muita alegria. Esperamos avançar ainda mais, sempre com o objetivo de salvaguardar vidas e contribuir para que o meio ambiente sofra menos impactos”, disse a diretora do Cemaden.
O protocolo também busca contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, estabelecidos na Agenda 2030, e reforçar as ações brasileiras como signatário do Marco de Sendai, criado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR).
Homenagem a Pedro Teixeira Resgata história da soberania amazônica
A cerimônia homenageou Pedro Teixeira, militar português do período colonial que participou da fundação de Belém, onde viveu e morreu. Suas expedições fluviais contribuíram para a incorporação da Amazônia ao território nacional. O BNDES entregou ao Comando da Marinha uma placa de metal em reconhecimento ao legado do militar.
O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira da Silva, participou da homenagem e anunciou a criação de uma comissão de estudos sobre a história de Pedro Teixeira. “É uma honra muito grande colocar a universidade à disposição do Brasil para desenvolver pesquisas e reflexões sobre esse país”, declarou.
Pedro Teixeira atuou contra incursões de franceses, ingleses e holandeses na região. Com apoio de índios tupinambás, construiu uma estrada ligando Belém ao Maranhão e abriu caminhos que fortaleceram a ocupação e defesa do território. Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei do senador Beto Faro (PT-PA) que propõe reconhecer o legado de Pedro Teixeira e incluir seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
A expedição mais memorável conduzida por Teixeira durou mais de dois anos e começou em 1637. Com cerca de 50 grandes canoas, 70 soldados e mais de 1,2 mil indígenas, subiu o Rio Amazonas e o Rio Negro em uma façanha sem precedentes para sua época.
“No início do século 20, defendiam que a Amazônia é patrimônio da humanidade e que os brasileiros não têm condição de administrá-la. Defendiam a internacionalização da gestão da Amazônia. E nós respondemos: a Amazônia é reconhecidamente brasileira. Muito do fato de ela ser brasileira se deve a Pedro Teixeira”, afirmou Mercadante.
A safra 2024-2025 da castanha-do-Pará, também conhecida como castanha-da-amazônia ou castanha-do-brasil, enfrenta uma forte queda devido a condições climáticas extremas. Especialmente uma seca severa agravada pelo fenômeno El Niño, que afetou os principais estados produtores da região Norte do Brasil. Segundo a Embrapa, a baixa umidade do solo, alta radiação solar e temperaturas elevadas comprometeram a floração e a formação dos frutos das castanheiras. Resultando em uma quebra significativa da produção.
A estimativa preliminar aponta para a pior safra já registrada na história recente, superando o declínio de 70% ocorrido no biênio 2016-2017, também causado por eventos climáticos extremos. A seca prolongada afetou diretamente a fisiologia das castanheiras e a atividade das abelhas polinizadoras, essenciais para a frutificação da oleaginosa. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou que 70% dos municípios da Amazônia sofreram com estiagem em 2024, agravando o cenário para os extrativistas.
O impacto imediato da crise foi sentido no mercado, onde os preços da castanha dispararam. Chegaram a alcançar em março de 2025 o recorde de R$ 220,00 por lata de 20 quilos. Um aumento de 266% em relação ao preço usual de R$ 60,00. Apesar da alta, especialistas alertam para o risco de retração das compras por parte da indústria, como ocorreu na última grande quebra de safra em 2017. Nesse período, o aumento dos preços levou à redução da demanda e prejuízos para os produtores.
Próxima safra
Pesquisadores da Embrapa indicam que a próxima safra (2025-2026) pode registrar uma recuperação e até mesmo uma superprodução. Um fenômeno conhecido como “efeito compensatório” das castanheiras, que tendem a frutificar mais intensamente após anos de baixa produtividade. Esse aumento também pode ser favorecido pelo fenômeno climático La Niña, que traz condições mais úmidas à região amazônica.
No entanto, o setor enfrenta desafios estruturais, como a necessidade urgente de manejo adequado e renovação dos castanhais, já que muitas árvores mais velhas estão morrendo, o que pode comprometer a sustentabilidade da produção a médio e longo prazo. A adoção de medidas de adaptação climática e investimentos em pesquisa e tecnologia são fundamentais para garantir a qualidade e a continuidade da cadeia produtiva da castanha-do-Pará.
Desenvolvimento sustentável
A castanha-do-Pará é um produto estratégico da bioeconomia amazônica. Sendo importante para a geração de renda de milhares de famílias extrativistas e para o desenvolvimento sustentável da região Norte. O Pará é o maior produtor nacional, com cerca de 9.390 toneladas produzidas em 2023. Isso conforme dados do IBGE, concentrando a maior parte da produção brasileira.
A crise atual evidencia a vulnerabilidade do setor diante das mudanças climáticas e reforça a necessidade de políticas públicas e investimentos que promovam a resiliência dos sistemas produtivos da Amazônia.
As chuvas devem reduzir as temperaturas, mas o calor permanecerá. Ou seja, segundo o Cemaden, as frentes frias nesta época do ano trazem dias abafados e precipitações mais intensas, sem a chegada de ar frio significativo.
São Paulo
No Estado de São Paulo, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta para chuvas volumosas e ventos fortes na região oeste. Além disso, na área central, incluindo a capital, há risco de temporais, que podem causar alagamentos e transtornos urbanos.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a região serrana está em alerta para tempestades. Em resumo, na capital e no restante do Estado, a previsão é de chuva moderada a forte.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, o sul do Estado apresenta alto risco de temporais. Na região central, incluindo Belo Horizonte, a chuva deve ser moderada a forte durante a noite. Além disso, no domingo (1/12), a capital mineira pode registrar máxima de 29 °C, segundo o Inmet.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, as chuvas mais intensas devem atingir Goiás e Mato Grosso do Sul, com acumulados de até 100 milímetros. Já Mato Grosso e o Distrito Federal terão precipitações mais leves.
No Norte, as chuvas ocorrem de forma isolada, especialmente no Acre, em Rondônia e no oeste do Amazonas. Em Manaus, as temperaturas continuam elevadas, acima dos 29 °C.
No Nordeste, não há previsão de chuva para o fim de semana. Municípios do interior de Pernambuco, Maranhão e Piauí podem registrar máximas próximas de 40 °C.
Região Sul terá temporais localizados
No Sul, a previsão indica temporais no norte do Rio Grande do Sul, especialmente no domingo. Chuvas fortes podem atingir Santa Catarina e Paraná, mas tempestades não devem ocorrer.