Tag: celulose

  • Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Enquanto as seleções do Brasil e Escócia se enfrentam pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo nesta quarta-feira (24), uma relação construída muito além dos gramados segue ganhando força.

    Segundo estimativas da HM Revenue & Customs, órgão do governo britânico, o comércio bilateral entre Brasil e Escócia movimenta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano.

    O agronegócio, ao lado do setor de bebidas, está entre os principais pilares dessa parceria econômica.

    Relação histórica

    Os laços entre os dois países remontam ao século XIX, quando imigrantes escoceses chegaram ao Brasil em busca de oportunidades econômicas.

    A influência escocesa alcançou diferentes setores da economia e até mesmo o esporte brasileiro. Um dos exemplos mais conhecidos é Charles Miller, descendente de escoceses responsável por introduzir o futebol no Brasil após retornar de seus estudos na Inglaterra na década de 1890.

    Com sangue escocês, Charles Miller foi o ‘pai do futebol brasileiro’ — Foto: Divulgação

    A presença escocesa também ajudou a moldar a indústria nacional. A Antarctica, atualmente pertencente à Ambev, foi fundada em 1888 com participação do escocês William Mackenzie.

    Agro lidera a relação comercial

    De acordo com James Mor-Bell, copresidente do Comitê de Agronegócios da Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), o intercâmbio comercial tem apresentado crescimento consistente desde 2021.

    “As economias do Brasil e do Reino Unido são diferentes, mas o comércio bilateral cresce em ritmo acelerado desde 2021 e, consequentemente, os negócios com a Escócia também avançam de maneira consistente.”

    Em 2023, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como mercado único.

    No mesmo período, as exportações da Escócia para o Brasil alcançaram 925 milhões de libras esterlinas.

    Principais produtos exportados pelo Brasil

    Entre os produtos brasileiros enviados à Escócia estão:

    • Café
    • Minério de ferro
    • Açúcar
    • Carnes
    • Celulose

    O que a Escócia vende ao Brasil

    Os principais produtos escoceses exportados para o mercado brasileiro incluem:

    • Scotch Whisky
    • Equipamentos para petróleo e gás
    • Tecnologias offshore
    • Bens industriais
    • Serviços especializados

    “A exportação escocesa mais conhecida pelos brasileiros, especialmente por quem vai assistir ao jogo, eu presumo, é o whisky. Há muitos anos ele figura entre os principais produtos enviados ao Brasil e aparece com destaque nas estatísticas, assim como o gin, uma bebida tradicional produzida a partir de insumos agrícolas.”

    O whisky escocês é feito de grãos e envelhecido em barris de carvalho por no mínimo 3 anos — Foto: Divulgação

    Mercado britânico abre espaço para o agro brasileiro

    Para os próximos anos, o agronegócio deve continuar sendo um dos principais motores da relação entre Brasil e Escócia. Apesar do tamanho reduzido do mercado escocês, o Reino Unido representa uma oportunidade mais ampla para exportadores brasileiros.

    “O país importa cerca de metade dos alimentos que consome e busca diversificar seus fornecedores.”

    Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil tem espaço para ampliar sua participação no mercado britânico.

  • Produção de eucalipto cresce 14% e impulsiona riqueza no campo

    Produção de eucalipto cresce 14% e impulsiona riqueza no campo

    O eucalipto ampliou sua relevância no agronegócio paulista e passou a integrar o grupo das culturas mais valiosas do estado. O avanço da produção e da geração de renda no campo fortalece uma cadeia produtiva estratégica, que abastece a indústria, impulsiona exportações e estimula o desenvolvimento regional.

    Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) mostram que a produção de eucalipto em São Paulo cresceu 14%. O desempenho elevou o Valor da Produção Agropecuária (VPA) da cultura para R$ 2,9 bilhões, acima do registrado no ano anterior.

    A cadeia do eucalipto atende diferentes segmentos da economia. A produção abastece as indústrias de papel e celulose, energia por biomassa e carvão vegetal, além da construção civil e do setor moveleiro. A cultura também fornece matéria-prima para óleos essenciais e se destaca pelo rápido crescimento e alta capacidade de renovação.

    Principal espécie da silvicultura paulista, o eucalipto ocupa mais de 77% da área de florestas plantadas no estado, com pouco mais de 1 milhão de hectares cultivados. São Paulo figura como o terceiro maior produtor nacional, atrás de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A produção alcançou 23,9 milhões de metros cúbicos, alta de 14,6% em relação ao ciclo anterior.

    Polos

    As regiões sudoeste paulista, centro-oeste e o Vale do Paranapanema concentram os principais polos de cultivo. Municípios como Agudos, Itapetininga, Itatinga, Angatuba, Botucatu, Lençóis Paulista, Bofete, Cabrália Paulista, Capão Bonito, Itararé e Paranapanema lideram a produção, favorecidos por condições edafoclimáticas adequadas e disponibilidade de áreas.

    O crescimento da silvicultura também reforça a balança comercial do agro paulista. Os produtos florestais ocupam a terceira posição nas exportações do estado, atrás apenas do complexo sucroalcooleiro e do setor de carnes. Em abril de 2026, o segmento somou US$ 1,14 bilhão em exportações, com participação de 13,6% do total. A celulose respondeu por 66,3% desse valor, enquanto o papel representou 27,9%.

    Para o setor, o avanço da produção reflete a competitividade e a capacidade de agregação de valor da cadeia florestal. A presidente da Câmara Setorial de Produtos Florestais de São Paulo e diretora-executiva da Florestar, Fernanda Abilio, destaca que o estado reúne produtividade, indústria e logística, fatores que mantêm o segmento entre os mais estratégicos do agro.

    “A indústria florestal paulista possui base produtiva consolidada, sustentável e altamente tecnificada, com predominância do eucalipto. O crescimento do VPA e da produção demonstra a capacidade do setor de gerar empregos, ampliar exportações e fornecer matéria-prima renovável para diferentes cadeias industriais”, afirma.

    Integração e sustentabilidade

    Além do avanço produtivo, o eucalipto ganha espaço em sistemas integrados de produção. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento apoia pesquisas conduzidas pela APTA Regional, com foco na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), em unidades como Brotas, Itapetininga e Tietê.

    O modelo integra o cultivo de eucalipto com lavouras e pecuária, promove a recuperação de áreas degradadas e amplia a rentabilidade no campo. As árvores também contribuem para o conforto térmico dos animais, reduzem os impactos do calor e favorecem o desempenho produtivo de rebanhos, como o Nelore.

  • Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    Pesquisa brasileira transforma resíduo de celulose em defensivo agrícola

    O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa a patente nº BR 102024018669-9, oficializando uma tecnologia que pode mudar o manejo de pragas em lavouras de soja e milho. A invenção protege formulações pesticidas de liberação controlada desenvolvidas a partir da lignina, um polímero natural abundante na biodiversidade brasileira.

    Os pesquisadores Silvio Vaz Júnior, da Embrapa Agroenergia, Ângelo Aparecido Barbosa Sussel, da Embrapa Cerrados, e a bolsista de pós-doutorado Flávia Augusta Dias Galarza assinam a inovação. A patente, expedida em 12 de maio de 2026, garante à Embrapa a propriedade da tecnologia por 20 anos, contados a partir de setembro de 2024.

    Da fábrica de celulose para o campo

    A matéria-prima da tecnologia é a lignina Kraft, coproduto da indústria de papel e celulose que normalmente vai para a queima em caldeiras. Ao transformar esse resíduo em suporte para defensivos, os pesquisadores inserem o material na lógica da economia circular e ampliam seu valor tecnológico.

    “O principal objetivo é reduzir os impactos ambientais causados pelos pesticidas sintéticos convencionais”, afirma Silvio Vaz Júnior. Nos métodos tradicionais de pulverização, perdas chegam a 30% por degradação imediata dos princípios ativos. O que leva agricultores a aumentar as doses e contaminar solos e recursos hídricos.

    A lignina atua como matriz protetora: encapsula o pesticida e o libera de forma lenta e gradual nas lavouras. Ela também oferece proteção contra a radiação ultravioleta, que frequentemente degrada pesticidas quimicamente instáveis antes de cumprirem sua função.

    Como a tecnologia funciona

    Para viabilizar o encapsulamento, os pesquisadores submeteram a lignina a modificações químicas, gerando duas variantes: lignina Kraft acetilada (LKA) e lignina Kraft aminada (LKAM). Nos testes laboratoriais, essas versões atingiram índices de encapsulamento entre 80% e 100%.

    As nanopartículas resultantes medem entre 150 e 300 nanômetros, tamanho que favorece a adesão e a absorção pelas plantas. Essa precisão em escala nanométrica garante que o princípio ativo chegue exatamente onde e quando o produtor precisa, com menos desperdício.

    Resultados nos campos de soja e milho

    Em lavouras de soja, o alvo dos testes foi a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença da cultura no Brasil. A formulação TBZ-LKA reduziu em até 84,85% o número de lesões causadas pelo fungo. Um desempenho comparável ao dos produtos líderes de mercado Tebufort® e Fox Xpro®.

    No milho, os pesquisadores testaram o controle da helmintosporiose (Exserohilum turcicum). O destaque foi a formulação PTZ-LKA, que reduziu a incidência da doença em 97% na primeira avaliação. Mesmo 45 dias após a aplicação, sob condições climáticas favoráveis ao fungo, a tecnologia continuou protegendo as folhas, superando fungicidas comerciais em longevidade e redução de pústulas.

    Além da eficácia prolongada, a análise comparativa mostrou que as formulações de lignina demandam menor massa de fungicida por hectare. “Reduzimos significativamente a carga tóxica lançada no ecossistema”, destaca Silvio.

    Alinhamento com as metas globais de sustentabilidade

    A patente se encaixa nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — especificamente o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e o ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). A tecnologia responde à demanda por “intensificação sustentável”: produzir mais alimentos sem ampliar o impacto ambiental.

    O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de celulose, o que garante oferta abundante e barata de lignina Kraft. Esse cenário torna a fabricação das nanoformulações economicamente viável e estrategicamente relevante para a indústria nacional de defensivos.

  • Empresa de celulose amplia espaço para mulheres em cargos de liderança

    Empresa de celulose amplia espaço para mulheres em cargos de liderança

    A Bracell, uma das maiores produtoras globais de celulose solúvel e especial, intensifica ações para ampliar a presença feminina em cargos de liderança e promover a equidade de gênero. Com políticas de inclusão e programas de desenvolvimento estruturados, a companhia colhe resultados concretos na valorização das mulheres em suas operações no Brasil.

    O programa Cultivando Potenciais, lançado em 2025, se destaca entre as iniciativas de aceleração de carreira. O projeto tem duração de oito meses e identifica profissionais com potencial para assumir posições de gestão a curto e médio prazo. Dentro da iniciativa, a empresa criou uma trilha exclusiva para mulheres, com 24 horas de formação sobre autoconfiança, síndrome da impostora, estereótipos de gênero, negociação, liderança estratégica e networking.

    O programa também promoveu rodas de conversa com homens, abordando vieses inconscientes e o papel de aliados na promoção da equidade. Todas as promoções concedidas durante a edição de 2025 beneficiaram colaboradoras.

    Na unidade da Bracell na Bahia, a empresa mantém uma estratégia clara para fortalecer o protagonismo feminino. Após oferecer uma turma exclusiva de Inglês para Mulheres em 2024, o programa passou a destinar 50% das vagas a mulheres a partir de 2025.

    Histórias

    Essas ações já transformam histórias dentro da companhia. A engenheira de produção Jéssica Resende, primeira mulher a ocupar o cargo de coordenadora de fábrica da Bracell, exemplifica esse avanço. Com 17 anos de carreira, ela ingressou na empresa há nove anos e hoje atua na coordenação fabril após participar do Programa de Desenvolvimento do Bracell Learning Institute.

    “Quando uma mulher ocupa um cargo de representatividade, ela representa muitas outras. A Bracell tem investido na diversidade e criado mais espaço para nós na indústria”, afirma Jéssica.

    Além de iniciativas de liderança, a Bracell oferece medidas de apoio em diferentes fases da vida profissional e pessoal das colaboradoras. A empresa participa do programa Empresa Cidadã, que estende a licença-maternidade a seis meses e a licença-paternidade a 20 dias. O programa Pessoinhas prepara futuras mães e pais para a chegada dos filhos, enquanto as salas de amamentação e campanhas como o Outubro Rosa integram as ações permanentes de bem-estar.

    Na atração de talentos, a Bracell orienta que toda shortlist de vagas a partir do nível de analista inclua ao menos uma mulher. No setor de G&A, 100% das listas de recrutamento contam com candidatas, e programas como os de trainee e formação mantêm vagas afirmativas para mulheres, reforçando o compromisso da empresa com a diversidade.

    Equidade salarial

    A Bracell também realiza análises de equidade salarial para garantir igualdade entre homens e mulheres em remuneração e crescimento de carreira. Em 2025, a unidade da Bahia registrou 33% de contratações femininas, com 88 mulheres entre 288 admissões.

    A companhia incentiva líderes homens a participarem das pautas de inclusão com treinamentos, palestras e programas sobre liderança inclusiva e vieses inconscientes. Grupos de afinidade e comitês internos atuam como parceiros estratégicos do RH na promoção da representatividade e na criação de políticas mais justas.

    Na Bahia, o reconhecimento externo chegou com o Selo Lilás, concedido pelo Governo do Estado a empresas que promovem equidade de gênero, diversidade e combate à discriminação.

    Atualmente, as mulheres ocupam 27,7% dos cargos de liderança na Bracell Celulose. A meta é alcançar 30% até 2030, consolidando um ambiente ainda mais diverso e inclusivo

  • Porto do Rio Grande atrai R$ 24 Bi em investimento

    Porto do Rio Grande atrai R$ 24 Bi em investimento

    O Porto do Rio Grande vive um marco histórico. O governo federal e a empresa CMPC assinaram, nesta terça-feira (20), o contrato para um Terminal de Uso Privado (TUP) que integra o Projeto Natureza, um pacote de investimentos de R$ 24 bilhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, participaram da cerimônia que posiciona o porto gaúcho como peça-chave na exportação de celulose e no desenvolvimento logístico do país.

    O megainvestimento financiará uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro e toda a infraestrutura para exportação pelo Rio Grande. O terminal no porto começará a operar com capacidade para movimentar até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano, podendo atender dois navios ao mesmo tempo.

    Geração de empregos e desenvolvimento regional

    O governador Eduardo Leite classificou o anúncio como “o maior investimento privado já realizado no estado”. O Projeto Natureza deve impactar mais de 75 municípios. Gerando cerca de 12 mil empregos durante a obra e 1,5 mil vagas diretas após a conclusão. Só a construção e operação do TUP no porto criará mais de 400 empregos diretos e cerca de 2.100 indiretos.

    Lula destacou o papel estratégico do investimento. “Porto forte significa emprego, renda, indústria funcionando”, afirmou o presidente. O ministro Silvio Costa Filho reforçou que a ação promove “um salto de eficiência logística”, reduz custos e fortalece a competitividade das exportações brasileiras.

    Renovação da frota naval e moradia

    O evento também serviu para a assinatura de contratos do Programa Mar Aberto, da Petrobras, no valor de R$ 2,8 bilhões. Os recursos financiarão a construção de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores em estaleiros do RS, Amazonas e Santa Catarina, com potencial de gerar mais de 9 mil postos de trabalho.

    A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o movimento fortalece a estratégia de reconstrução da indústria naval nacional. A programação no Rio Grande também incluiu a entrega de 1.276 unidades do Minha Casa, Minha Vida, integrando desenvolvimento logístico e política social.

  • EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose brasileira

    EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose brasileira

    O governo dos Estados Unidos retirou a tarifa de 10% sobre a celulose brasileira exportada ao país desde abril. A medida, segundo analistas, pressionava produtores americanos que dependem da matéria-prima para fabricar papéis “tissue”, como papel higiênico e lenços umedecidos.

    A fibra já havia escapado da alíquota adicional de 40%. Na sexta-feira (5), o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva sobre política tarifária. A Casa Branca publicou o novo documento na segunda-feira (8), redefinindo parâmetros para negociações comerciais.

    Detalhes da isenção

    O Anexo II da ordem atualizou a lista de produtos isentos da tarifa de 10%. O texto incluiu três descrições de celulose no SH4 4703: 4703.11.00, 4703.21.00 e 4703.29.00. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), essas categorias representam mais de 90% do volume exportado em 2024. O total enviado foi de 3 milhões de toneladas.

    O novo decreto não alterou tarifas adicionais sobre papéis em geral e painéis de madeira, como MDF e MDP. Esses produtos seguem com alíquotas de 50% (10% + 40%) e 40%, respectivamente.

    O anúncio das tarifas em abril movimentou o mercado global de celulose. Os preços perderam fôlego e clientes adiantaram pedidos para reduzir custos. Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras para os EUA caíram 15,2% em valor e 8,5% em volume, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Apenas em maio, a queda em valor chegou a 35%.

     

  • Minas Gerais pode liderar a silvicultura no Brasil

    Minas Gerais pode liderar a silvicultura no Brasil

    Minas Gerais pode se tornar a nova referência nacional em silvicultura. Um estudo técnico inédito, encomendado pelo Governo de Minas, aponta alto potencial para expansão da base florestal no estado.

    Em resumo, a pesquisa identificou 22 milhões de hectares viáveis para investimentos. Desses, 7 milhões podem abrigar projetos brownfield, com arrendamento ou compra de florestas já existentes. Outros 15 milhões são áreas adequadas para projetos greenfield, com plantio de florestas e instalação de novas plantas industriais.

    As regiões Norte, Noroeste e Central concentram as maiores oportunidades. O levantamento foi conduzido pelo Grupo Index, referência no setor, com apoio da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif). A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e a Invest Minas contrataram o estudo.

    Condições estratégicas

    Segundo os especialistas, Minas reúne condições estratégicas para atrair grandes investimentos. Ou seja, o estado oferece disponibilidade hídrica, logística favorável, terras com preços competitivos e um regime tributário especial. Além disso, Minas já é líder nacional em área plantada com eucalipto. São 2,2 milhões de hectares, o que representa cerca de 40% a mais do que o Mato Grosso do Sul. A silvicultura já está presente em 811 dos 853 municípios mineiros.

    A secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, reforça o potencial. “O estudo mostra que podemos equilibrar produtividade e preservação. Estamos prontos para receber novos investimentos”, afirma. Outro destaque está no Valor de Terra Nua (VTN), que torna o investimento ainda mais atrativo. Em Minas, o custo médio é de R$ 9,8 mil por hectare. Nas áreas com maior potencial, esse valor cai para R$ 2,8 mil por hectare.

    Clima favorável

    Além do preço competitivo, o clima favorável garante produtividade elevada em comparação a centros tradicionais, que já estão quase saturados. Isso projeta Minas como próximo polo de grandes investimentos florestais no país. Para Lucas Ferreira, gerente de cadeias produtivas da Invest Minas, o cenário é positivo. “Minas é referência em florestas plantadas. O estudo mostra o potencial de cada região para novos negócios”, explica.

    Ao mesmo tempo, o levantamento também destaca o crescimento global do mercado de celulose, impulsionado por embalagens sustentáveis e papel tissue. A tendência de substituição do plástico por materiais biodegradáveis favorece ainda mais Minas Gerais. Além disso, as metas ambientais da ONU e os compromissos brasileiros até 2030 também elevam o valor estratégico do estado no setor.

    Adriana Maugere, presidente da Amif, ressalta o rigor técnico do trabalho. “É um estudo imparcial, com diagnóstico realista. Chega em um momento oportuno para o setor”, destaca. Segundo ela, o material cruza dados como solo, clima e precipitação para identificar as áreas mais promissoras. “É uma análise precisa, que oferece base sólida para investimentos”, completa.

    Superação de desafios

    Em geral, o governo estadual já atua para superar os desafios apontados no estudo. Entre eles, a melhoria da malha viária e a formação de mão de obra qualificada. Portanto, o programa “Caminhos para Avançar” prevê a recuperação de 5,5 mil quilômetros de rodovias em todo o estado. Já o “Trilhas de Futuro” formou 70 mil jovens desde 2021 e mantém 110 mil estudantes em capacitação.

    A Invest Minas é a agência responsável por atrair novos negócios e promover a geração de empregos em Minas Gerais. Acesse o estudo completo e saiba mais no site da instituição.

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  • Exportações do agronegócio somam US$ 15,6 bilhões em março

    Exportações do agronegócio somam US$ 15,6 bilhões em março

    O Brasil exportou US$ 15,6 bilhões em produtos do agronegócio em março de 2025. Esse foi o segundo maior valor registrado para o mês desde o início da série histórica. Em geral, as exportações cresceram 12,5% em relação a março de 2024.

    A força do agronegócio

    O agronegócio respondeu por 53,6% de todas as vendas externas do país. O avanço foi puxado pelo aumento dos volumes embarcados, que cresceram 10,2%. Além disso, os preços médios dos produtos subiram 2,1% no período. Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os resultados reforçam a força do agro na economia nacional. “Esses números confirmam que promovemos o crescimento do agro com responsabilidade e sustentabilidade. Estamos atentos a novos mercados e produtos com maior valor agregado”, afirmou o ministro.

    Principais produtos agro exportados em março

    Entre os principais produtos exportados em março, a soja em grãos liderou com US$ 5,7 bilhões, alta de 7%. Em seguida, o café verde alcançou US$ 1,4 bilhão, com expressivo aumento de 92,7%. A carne bovina in natura gerou US$ 1,1 bilhão, crescimento de 40,1%. Já a celulose rendeu US$ 988 milhões (+25,4%) e a carne de frango in natura, US$ 772,3 milhões (+9,6%).

    Segmentos em crescimento

    Além dos produtos tradicionais, o governo tem estimulado segmentos com alto potencial de crescimento. Ou seja, itens como gelatinas, café solúvel, óleo essencial de laranja, pimenta-do-reino e rações para pets bateram recordes de exportação. Esses produtos vêm ganhando espaço em mercados da Ásia, Europa e América do Norte. Portanto, a expectativa é de que conquistem ainda mais destaque nos próximos meses.

    Primeiro trimestre de 2025

    No acumulado do primeiro trimestre de 2025, as exportações do agronegócio somaram US$ 37,8 bilhões. O valor é 2,1% maior do que o registrado no mesmo período de 2024. Ou seja, é o maior resultado já alcançado para o primeiro trimestre. O superávit do setor foi de US$ 32,6 bilhões, com alta de 2,1%.

    Principais compradores

    China, União Europeia e Estados Unidos permaneceram como os principais compradores. Juntos, responderam por mais da metade das exportações do agronegócio brasileiro. Outros países asiáticos também ampliaram suas compras. Vietnã, Turquia, Bangladesh e Indonésia importaram mais soja, algodão, celulose e carnes.

    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, destacou o papel estratégico do setor. “Os dados mostram o fortalecimento do agro brasileiro no cenário global, mesmo em um contexto de tensões comerciais. Buscamos ampliar nossa presença em mercados de nicho com produtos de maior valor agregado. Com qualidade, sanidade e competitividade, o Brasil se firma como parceiro confiável”, disse o secretário.

    A abertura de novos mercados e a valorização de produtos não tradicionais fortalecem a economia. Ao mesmo tempo, geram empregos, atraem divisas e reduzem riscos econômicos. Em resumo, esse movimento também incentiva investimentos em inovação, promove a sustentabilidade e amplia parcerias internacionais.

    Segundo o Ministério da Agricultura, os avanços são resultado da união entre os setores público e privado. Em geral, o foco está na abertura comercial, segurança sanitária e promoção dos produtos brasileiros.

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  • Brasil bate recorde em exportações em janeiro de 2025

    Brasil bate recorde em exportações em janeiro de 2025

    O agronegócio brasileiro iniciou 2025 com um salto estratégico: US$ 11 bilhões em exportações em janeiro, segundo maior valor já registrado para o período, e a abertura de 24 novos mercados internacionais. A alta foi impulsionada pela valorização de commodities como café, celulose e algodão, que compensaram a queda nas vendas de soja e milho, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura (Mapa).

    Crescimento de 5,3% nos preços e alta em setores como café, celulose e algodão impulsionam receita de US$ 11 bilhões, segundo maior valor para o mês na história.

    O índice geral de preços das exportações subiu 5,3% em janeiro, reflexo da demanda internacional por produtos-chave:

    • Café verde: Receita de US$ 1,3 bilhão (+79,4%), com preços 63,8% maiores.
    • Celulose: Vendas ultrapassaram US$ 1 bilhão (+44,1%), com destaque para China (+53,3%) e UE (+60,2%).
    • Algodão: Alta de 47,5% (US$ 710,7 milhões), sustentado por safra recorde e demanda do Paquistão e Vietnã.

    Seis setores superaram a marca de US$ 1 bilhão em exportações, incluindo carnes (18,9% do total) e complexo sucroalcooleiro (10%).

    Países emergentes ganham destaque

    A política de expansão do Mapa, liderada pelo ministro Carlos Fávaro, ampliou a presença brasileira em mercados emergentes:

    • Paquistão: +166,3% nas importações.
    • Bangladesh: +85,1% (país recebeu um dos 11 novos postos de adidância do Brasil).
    • Turquia: +122,7%.

    Parceiros tradicionais também cresceram: a União Europeia aumentou compras em 39,5% (US$ 1,89 bilhão), enquanto a China manteve relevância com alta de 53,3% em celulose.

    Frutas e produtos não convencionais: o novo foco

    Enquanto commodities tradicionais lideram, nichos como frutas tropicais e produtos não convencionais ganham espaço:

    • Exportações de gergelim para a Índia cresceram 250,6%.
    • Óleo essencial de laranja teve alta de 19,5%, com a UE superando os EUA como maior comprador.
    • Frutas brasileiras foram vendidas para 137 países, somando US$ 1,3 bilhão em 2024.

    A expectativa é que a abertura do mercado chinês para gergelim e a participação do Brasil na maior feira de frutas do mundo (Berlim) ampliem oportunidades.

    Visitas presidenciais e ferramentas de apoio

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará Japão e Vietnã em fevereiro para reforçar acordos comerciais, com foco em proteína animal e frutas. Paralelamente, plataformas como AgroInsights e Passaporte Agro, lançadas pelo Mapa, ajudam produtores a identificar demandas globais.

    “Estamos qualificando nossa inserção internacional, diversificando produtos e destinos para gerar emprego e renda no interior”, afirma Luís Rua, secretário de Comércio do Mapa.

    Perspectivas para 2025: Com a valorização de commodities, investimento em nichos e abertura de mercados, o Brasil consolida-se como peça central no tabuleiro global do agronegócio. A próxima parada: consolidar as frutas brasileiras como símbolo de qualidade e sustentabilidade.

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  • Suzano inaugura fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul

    Suzano inaugura fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul

    A Suzano inaugurou a maior fábrica de celulose do mundo, na cidade de Ribas do Pardo – MS. O empreendimento representa o maior investimento da história da empresa, totaliza R$ 22,2 bilhões e é considerado um dos maiores investimentos privados do Brasil entre 2021 e 2024.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração. “Eu sempre digo que a gente só consegue colher aquilo que a gente planta. Se a gente semear bem, se a gente adubar bem, se a gente colocar água, a gente vê crescer uma floresta”, afirmou Lula.

    A nova unidade terá capacidade para produzir cerca de 2,55 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano. Ou seja, a produção total da empresa irá aumentar para 13,5 milhões de toneladas anuais, um crescimento de 20%.

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    Durante a cerimônia, o presidente ressaltou o papel fundamental dos “trabalhadores que plantam, semeiam e produzem” na Suzano para o crescimento da empresa e da economia brasileira. Ele destacou que “a massa salarial cresceu 11,9%. É o maior crescimento desde que começamos a medir”, enfatizando a importância desse progresso.

    A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também participou do evento e declarou que a inauguração representa “uma verdadeira revolução para a região”. Sendo assim, sugeriu até mesmo mudar o nome do estado para “estado da celulose”, ressaltando a relevância da nova fábrica.

    Maior fábrica de celulose do mundo

    Lula comentou em suas redes sociais: “Inauguramos a maior fábrica de celulose do mundo, no Mato Grosso do Sul. Quando dissemos que voltaríamos para reindustrializar o Brasil, não estávamos brincando. Estamos valorizando a geração de empregos e as empresas privadas que querem investir na cadeia produtiva”.

    A nova unidade deve gerar mais de 3 mil postos de trabalho diretos nas áreas industrial, florestal e logística. A Suzano passa a ter três fábricas em Mato Grosso do Sul, totalizando uma capacidade produtiva instalada de 5,8 milhões de toneladas anuais.

    O ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacou, portanto, que “a massa salarial alcança o maior valor na história desse país. Cerca de 8 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza e a pobreza. Esse empreendimento contribui com isso não só na construção, mas agora com 3 mil empregos diretos e mais outros tantos indiretos”.