Tag: Cédula de Produto Rural

  • FPA pede R$ 27 bilhões para equalização de juros no Plano Safra 2025/26

    FPA pede R$ 27 bilhões para equalização de juros no Plano Safra 2025/26

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) entregou ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, um conjunto de demandas para o próximo Plano Safra. O principal pedido é que os recursos destinados à equalização de juros cheguem a R$ 27 bilhões. Ou seja, o dobro dos R$ 13,5 bilhões alocados no ciclo atual.

    Na prática, a equalização de juros permite que produtores rurais acessem crédito com taxas mais baixas do que as praticadas pelo mercado. O governo cobre a diferença entre os juros de mercado e os que o produtor efetivamente paga. O mecanismo também serve ao desenvolvimento tecnológico e à infraestrutura do setor.

    Governo contabiliza recursos privados e “mascara” desempenho real, diz FPA

    Um dos principais pontos de atrito entre a bancada e o governo é a inclusão de recursos privados no total do Plano Safra. Desde o ano passado, o Executivo passou a somar ao montante oficial os valores movimentados pela Cédula de Produto Rural (CPR). Para a FPA, essa metodologia distorce a leitura do desempenho das linhas oficiais de crédito.

    Os números confirmam a preocupação. Apesar de os balanços do Mapa apontarem crescimento geral nas contratações, os programas subvencionados encolheram: o Moderfrota caiu 54,8% e o Proirriga recuou 56,2% na comparação com o ciclo anterior.

    Margens comprimidas e inadimplência elevam pressão por linha emergencial

    O cenário de custos altos, margens apertadas e inadimplência crescente levou a FPA a pedir também a criação de uma linha emergencial de custeio para o próximo ciclo.

    O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), alertou sobre outro risco: que o debate sobre dívidas rurais comprometa as negociações em torno do novo programa de crédito. “Nossa preocupação é que o endividamento não contamine o Plano Safra”, disse Lupion ao ministro.

    Mapa prevê anúncio para 1º de julho; R$ 200 bilhões solicitados

    O ministério prevê divulgar o novo Plano Safra no dia 1º de julho. Os bancos já concluíram o envio das demandas necessárias para operacionalizar o crédito. O montante solicitado, considerando os recursos equalizados, totaliza cerca de R$ 200 bilhões. Portanto, quase o dobro do ciclo atual, que ficou em torno de R$ 113 bilhões.

    Internamente, o Mapa já reconhece que esse volume dificilmente será alcançado, mas trabalha para superar o ciclo anterior.

    FPA quer apoio político para projetos de dívidas e seguro rural

    A bancada também pediu ao ministério apoio político a dois projetos de lei: o PL 5.122/2023, sobre renegociação de dívidas rurais, e o PL 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. O pedido é que o Mapa lidere a articulação junto a outros ministérios.

    Lupion descartou aceitar uma Medida Provisória como alternativa para tratar do endividamento no campo. “Nós, como FPA, teremos uma resistência extremamente contundente caso venha uma Medida Provisória depois de tanta negociação”, afirmou. Para ele, o agro “está desesperado” diante do agravamento das dívidas rurais.

    Leite em pó argentino e uruguaio entra na pauta sem medida antidumping

    A reunião também abordou a decisão do governo de não adotar medidas antidumping contra a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Lupion classificou a postura como surpreendente, já que o próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reconheceu a prática de dumping por parte dos países vizinhos.

    “Houve o reconhecimento por parte do MDIC que há a prática de dumping do leite importado da Argentina e do Uruguai, e a decisão foi simplesmente não fazer nada”, criticou o deputado.

  • Projeto limita execução extrajudicial e protege imóvel rural produtivo

    Projeto limita execução extrajudicial e protege imóvel rural produtivo

    A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 5686/25, da deputada Any Ortiz (Cidadania-RS), que estabelece novas regras para proteger produtores rurais em processos de execução extrajudicial de contratos de crédito rural. A proposta altera a forma como credores, como bancos, podem retomar bens dados como garantia.

    Deputada Any Ortiz (Cidadania-RS). Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O texto prioriza garantias agrícolas específicas, como o penhor de safra e a Cédula de Produto Rural (CPR), em detrimento da execução de imóveis. O projeto assegura ao produtor a manutenção da posse do imóvel durante processos vinculados a essas garantias, preservando a função social da propriedade e a continuidade da atividade produtiva.

    Mediação obrigatória antes da execução

    Antes de executar bens rurais extrajudicialmente, o agente de garantia poderá submeter o caso à mediação ou arbitragem. O objetivo busca acordo entre as partes, evita a perda imediata da posse produtiva e preserva a subsistência do produtor e sua família.

    Durante negociação, mediação ou arbitragem, o projeto proíbe a alienação, oneração ou transferência do imóvel rural, salvo com consentimento expresso do produtor.

    O texto também garante ao produtor o direito à revisão contratual em caso de valores ou encargos abusivos, além da possibilidade de pagamento parcelado ou renegociação da dívida.

    Clima adverso suspende execução

    O projeto proíbe a execução extrajudicial de hipoteca para produtores rurais e cooperativas que comprovarem prejuízo em duas ou mais safras consecutivas por eventos climáticos adversos. A regra vale para casos como estiagem, enchentes, granizo, geada e vendaval, desde que reconhecidos por decreto de calamidade pública ou emergência.

    Nessas situações, o agente de garantia deve promover mediação, renegociação ou reestruturação do crédito, conforme normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central.

    A deputada Any Ortiz afirmou que eventos climáticos extremos têm afetado a renda rural e ampliado o endividamento dos produtores, especialmente no Rio Grande do Sul. “A conjugação dessas crises tem colocado em risco a função social da propriedade produtiva e a segurança alimentar regional e nacional”, afirmou.

    Mudanças na legislação

    O texto revoga trechos do Código Civil, do Decreto-Lei 911/69 e do Marco Legal das Garantias. As alterações restringem regras sobre execução extrajudicial de garantias e retiram dispositivos que tratam da execução extrajudicial de créditos com hipoteca.

    No Código Civil, o projeto revoga a possibilidade de o agente de garantia usar a execução extrajudicial quando houver previsão em legislação especial. Também elimina a permissão para apenas o credor mais prioritário promover a execução da garantia, salvo acordo entre todos os credores.

    A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Agricultura; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça. Para virar lei, precisa de aprovação na Câmara e no Senado.

  • Novo seguro amplia proteção do crédito agrícola contra riscos climáticos

    Novo seguro amplia proteção do crédito agrícola contra riscos climáticos

    Um novo seguro voltado à cobertura de riscos climáticos promete reforçar a segurança das operações de crédito rural e ampliar a confiança no agronegócio. A solução foi desenvolvida para proteger produtos vinculados à Cédula de Produto Rural (CPR), um dos principais instrumentos de financiamento do setor.

    Segundo o diretor-geral da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), Cesar Henrique Bernardes Costa, a iniciativa fortalece o uso da CPR ao oferecer uma proteção direta ao credor contra perdas climáticas. “É uma resposta concreta à demanda do mercado e um avanço importante para o crédito agrícola brasileiro”, afirmou.

    O produto se diferencia pela forma de indenização: em caso de sinistro, o segurador paga o valor diretamente ao credor da CPR, o que amplia a segurança financeira e reduz os riscos de inadimplência. Além disso, o seguro pode contar com subvenção federal ao prêmio do seguro rural, o que diminui o custo da apólice. No Estado de São Paulo, produtores também têm acesso à subvenção estadual.

    Para o diretor territorial da MAPFRE em São Paulo, Leonardo Marins, o aumento do crédito privado no agronegócio exige uma estrutura de mitigação de riscos mais robusta. “A CPR ganhou protagonismo nessas operações, e diante da maior instabilidade climática, é essencial que o risco esteja coberto. Quando estruturada tecnicamente, a CPR oferece previsibilidade e o mercado passa a confiar mais no título”, destacou.

    Disponibilidade

    A nova modalidade estará disponível em fevereiro de 2026, cobrindo a produção e o financiamento da safra 2026/2027. A iniciativa atende à demanda por instrumentos capazes de reforçar a segurança jurídica e financeira nas operações com CPR, fortalecendo o crédito do agronegócio brasileiro.

    Cesar Henrique Bernardes Costa, diretor geral da BBM e Leonardo Marins, diretor territorial São Paulo da MAPFRE. Foto: Divulgação

    A parceria entre as instituições teve início em 2024, quando lançaram produtos voltados ao seguro florestal com condições diferenciadas. O objetivo é ampliar o acesso a coberturas de risco no campo e oferecer mais soluções de proteção para produtores e financiadores rurais.

  • CPR puxa alta de 31% na captação para custeio da safra

    CPR puxa alta de 31% na captação para custeio da safra

    O mercado de crédito rural demonstra vigor no iníco da safra, com as Cédulas de Produto Rural (CPR) apresentando crescimento expressivo. Dados do Boletim de Desempenho do Crédito Rural, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que os recursos captados por meio de CPR para custeio da safra atingiram R$ 86,2 bilhões entre julho e outubro de 2025. O valor representa um salto de 31% em comparação com o mesmo período de 2024.

    O instrumento consolida-se como uma fonte crucial de financiamento para o agronegócio. A análise considera apenas as CPRs emitidas diretamente por produtores rurais em favor de instituições financeiras, destacando a confiança do setor nesse título.

    Crédito rural mostra sólido crescimento no volume total

    Quando somados os recursos do custeio tradicional e os captados via CPR, o volume total direcionado ao campo no período chegou a R$ 156,9 bilhões. O montante é 4% superior ao registrado na safra 2024/2025, indicando um ambiente de financiamento robusto.

    No geral, o crédito rural contratado (incluindo todas as finalidades) entre julho e outubro de 2025 totalizou R$ 201,75 bilhões, com uma leve alta de 0,3% ante os R$ 201,16 bilhões do mesmo período do ano anterior.

    Industrialização e armazenagem são outros destaques positivos

    Além do forte desempenho da CPR, outros segmentos do crédito rural também registraram avanços significativos:

    • Industrialização: os recursos contratados para essa finalidade tiveram um crescimento robusto de 29%, alcançando R$ 11,7 bilhões.
    • Armazenagem: o Programa de Construção de Armazéns (PCA), voltado para investimento, registrou desempenho 22% superior ao do período anterior.
    • Procap-Agro: o programa destinado à comercialização da produção agrícola também apresentou alta, de 3%.

    Apesar do crescimento nos valores captados, o relatório do Mapa aponta uma redução em dois indicadores operacionais:

    • Contratos Firmados: houve uma queda de 29% no número total de operações, que passou de 300.346 para 212.801.
    • Valores Efetivamente Concedidos: os recursos que já foram para as mãos dos produtores registraram uma retração de 7%, somando R$ 187,81 bilhões.

    Os dados sugerem uma concentração de valor por operação, onde produtores, especialmente os de maior porte, estão acessando linhas de crédito com volumes individuais mais elevados, com a CPR sendo um instrumento-chave nesse movimento.

  • Sicredi supera marca de R$ 30 bilhões em carteira de CPR

    Sicredi supera marca de R$ 30 bilhões em carteira de CPR

    O Sicredi, uma das principais instituições financeiras cooperativas do país, ultrapassou a marca de R$ 30 bilhões em carteira de Cédula de Produto Rural (CPR). Esse crescimento representa um aumento de 38,71% em um ano, passando de R$ 21,7 bilhões para R$ 30,1 bilhões, com mais de 87 mil operações ativas.

    A CPR é um dos principais instrumentos de financiamento da cadeia produtiva do agronegócio. Portanto, permitindo que os emissores obtenham recursos de maneira ágil para finalidades diversas. Criada pela Lei N. 8.929, de 1994, essa ferramenta tem sido essencial para o setor, especialmente para produtores rurais que buscam financiamento flexível.

    Presença do Sicredi no setor agro

    O Sicredi tem uma forte presença no setor agro, com 777 mil associados. Desses, 83% são da agricultura familiar, 12% produtores de porte médio e 5% de grande porte. “Nosso compromisso é apoiar a atividade dos associados. E a CPR, nos últimos anos, se constituiu como uma importante alternativa que se soma ao amplo portfólio de soluções voltadas ao público agro”, destaca Thiago Rossoni, superintendente de Agronegócio do Sicredi.

    Superintendente de Agronegócio do Sicredi, Thiago Rossoni

    A carteira Agro do Sicredi alcançou o montante de R$ 101 bilhões em 2024, um valor 21% superior ao do ano anterior. A instituição é a segunda maior fornecedora de crédito agro no país e a primeira entre as instituições privadas. Os desembolsos do Plano Safra pelo Sicredi cresceram 5,9% no primeiro semestre da safra 2024/25, com destaque para a CPR, que teve um aumento de 57% em relação ao mesmo período da safra passada.

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  • Banrisul anuncia Plano Safra recorde de R$ 12,2 bilhões

    Banrisul anuncia Plano Safra recorde de R$ 12,2 bilhões

    O Banrisul lançou seu maior Plano Safra, disponibilizando R$ 12,2 bilhões em crédito para custeio, investimento, comercialização, industrialização e capital de giro. Esse é o maior volume de recursos já liberado na história do banco. Cerca de 70 mil produtores rurais já têm limites pré-aprovados para acessar as linhas de crédito ofertadas.

    Para apoiar a agricultura familiar, o banco destinará R$ 2,56 bilhões, um aumento de 28% em relação ao ciclo anterior. No ano safra 23-24, a agricultura familiar representou 51% dos contratos realizados. Somando-se os médios produtores, a representatividade supera 84%. O banco disponibiliza R$ 4,41 bilhões para as categorias Pronamp e R$ 5,23 bilhões para demais produtores.

    Novas possibilidades de financiamento para o agro

    O Banrisul lançou a Conta Única Rural, com R$ 500 milhões em capital de giro para empreendedores rurais. Este novo produto oferece condições especiais e garantias adequadas ao segmento agro, com prazo de até cinco anos para pagamento. A linha é renovada automaticamente a cada seis meses, e os limites podem ser movimentados diretamente no aplicativo do Banrisul.

    Além disso, o banco introduziu a CPR – Cédula de Produto Rural, com R$ 1,5 bilhões em recursos. Este instrumento permite financiar atividades da cadeia produtiva do agronegócio por meio de um título representativo de promessa de entrega de produtos rurais. A CPR oferece flexibilidade e contratação rápida, sem necessidade de projeto ou acompanhamento técnico, com prazo de 12 meses e pagamento único.

    Crédito para retomada

    Para apoiar a retomada das atividades produtivas, o banco destinou R$ 1 bilhão para a correção e recuperação de solos de propriedades rurais, através das linhas de investimento Renovagro e Moderagro. Além disso, o Banrisul disponibilizou R$ 643 milhões na linha de Crédito Emergencial Agro para pequenos e médios produtores afetados pelas enchentes. Os produtores que tiveram perdas de pelo menos 30% de sua estrutura produtiva terão condições especiais para financiamento de recuperação de solos, infraestrutura, plantéis de animais, e aquisição de máquinas e equipamentos.

    O presidente do Banrisul, Fernando Lemos, afirmou que a instituição está atenta às demandas dos produtores e busca soluções ágeis. “Queremos garantir que o crédito seja liberado rapidamente para os produtores que precisam reconstruir suas propriedades e revitalizar ou impulsionar sua produção”, destacou.

    Qualificação do atendimento

    Para se aproximar ainda mais do produtor rural, o Banrisul está ampliando e qualificando os espaços de atendimento exclusivos para o setor. Esses espaços estão disponíveis em agências de Bagé, Carazinho, Cruz Alta, Ibirubá, Ijuí, Passo Fundo, Santana do Livramento e Santo Ângelo.

    O banco aumentou seu time de colaboradores focados na carteira de agronegócios, contando agora com 51 gerentes de relacionamento especialistas em produtos agro e mais de 3 mil assistentes técnicos conveniados e capacitados para a realização de projetos e assessoria técnica. Além disso, todas as agências do estado têm equipes treinadas para atender o perfil do agronegócio.

    Visando a excelência no atendimento, o Banrisul renovou a frota de veículos dos gerentes de agronegócio, que prestam suporte técnico e comercial às equipes de vendas, visitando clientes e entidades do setor. “A capacitação contínua e nosso olhar atento para o setor agro nos permite oferecer produtos e serviços adequados, entendendo profundamente as necessidades e desafios de cada produtor”, afirmou Fernando Postal, diretor de Desenvolvimento.