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  • Paula Fernandes chega a Barretos com look ousado e cavalo coberto de glitter

    Paula Fernandes chega a Barretos com look ousado e cavalo coberto de glitter

    Paula Fernandes chamou atenção ao fazer uma entrada marcante na Festa do Peão de Barretos, na noite desta quinta-feira (27). A cantora surgiu na arena montada em um cavalo coberto de glitter e com flores na crina, enquanto apostou em um look branco repleto de recortes florais.

    Paula Fernandes deu um show de bom gosto, moda e autenticidade na arena do Barretão (Foto: Reprodução/Instagram)

    A produção escolhida pela sertaneja também ganhou botas brancas com aplicações, em uma vibe country. A combinação com o cavalo ornamentado rapidamente se tornou um dos elementos de destaque de sua passagem pela arena.

    Montada no animal, Paula Fernandes interpretou ‘Ave Maria’ antes do início das competições e emocionou o público presente no Parque do Peão.

    https://www.instagram.com/reel/DckQGeBNPOy/?igsi=bWowb2J5MWViY21p

    O momento também teve um significado especial para a artista. A apresentação marcou o retorno de Paula à Festa do Peão de Barretos depois de uma longa década longe do evento.

    Paula Fernandes volta ao palco de Barretos no aniversário

    A passagem da cantora pela festa continua nesta sexta-feira (28), justamente no dia em que Paula Fernandes comemora seus 42 anos.

    A sertaneja retorna ao palco de Barretos para apresentar o projeto ‘30 & Poucos Anos’, criado para celebrar suas três décadas de carreira e revisitar diferentes momentos de sua trajetória brilhante na música.

  • Conheça o cavalo Crioulo, avaliado em R$ 2,5 milhões

    Conheça o cavalo Crioulo, avaliado em R$ 2,5 milhões

    O mercado da raça Crioula voltou a demonstrar força no Sul do país. O Remate dos Sonhos II, promovido pela GAP Genética, negociou 34 lotes de cavalos Crioulos e registrou média geral de R$ 97 mil durante evento realizado neste domingo (14), em Uruguaiana (RS).

    A comercialização contou com a atuação da Trajano Silva Remates entre as leiloeiras responsáveis pelos negócios. No entanto, o grande destaque ficou por conta de GAP São Pedro, cuja venda de uma participação de 10% por R$ 250 mil resultou em uma avaliação de mercado estimada em R$ 2,5 milhões para o animal.

    O resultado evidencia a valorização de exemplares com histórico consolidado em critérios genéticos, morfológicos e funcionais, características cada vez mais observadas por criadores e investidores do segmento.

    Planejamento genético

    Segundo o diretor da Trajano Silva Remates, Marcelo Silva, a oferta reuniu animais desenvolvidos a partir de um criterioso planejamento genético conduzido pela GAP Genética.

    “São animais sonhados, pensados, e nas últimas edições têm saído muitos campeões funcionais e morfológicos. O mercado está realmente muito firme, muito demandado. Foram 34 lotes e fizeram praticamente média de R$ 100 mil”, afirmou.

    Além disso, o dirigente relacionou o sucesso do remate aos resultados alcançados pela cabanha nas pistas e na Copa dos Criadores.

    “O leilão faz jus ao nome, porque são animais sonhados. Acho que o remate também pode se chamar Remate da Realidade”, acrescentou Silva.

    Filho de Del Oeste Mutante com Pampeana do Retiro do Ouro, Fantástico de São Pedro tem mais de 500 filhos registrados e metade deles é premiada, incluindo finalistas do Freio de Ouro e campeões da FICCC — Foto: GAP Genética

    Destaques do leilão

    Entre os machos inteiros, o destaque foi GAP Senhor, negociado por R$ 200 mil, tornando-se o exemplar mais valorizado da categoria. A média dos machos alcançou R$ 66.590,00.

    GAP Senhor é um cavalo crioulo de destaque, filho de Fantástico de São Pedro com Hortencia, da GAP — Foto: Reprodução/Instagram

    Já entre as fêmeas, GAP Soraia liderou as vendas ao atingir R$ 155 mil. A categoria registrou média de R$ 93.166,00, demonstrando liquidez e interesse dos compradores pelos animais ofertados.

    Soraia é filha de Fantástico de São Pedro e Linda de São Pedro — Foto: Reprodução/Instagram

    As cotas comercializadas também apresentaram desempenho expressivo, com média de R$ 141.250,00. O maior valor ficou concentrado justamente na negociação da participação de GAP São Pedro, responsável pela avaliação milionária do cavalo e pelo principal destaque financeiro do remate.

     

  • Beleza e força: conheça o cavalo Appaloosa

    Beleza e força: conheça o cavalo Appaloosa

    Poucos animais conseguem chamar tanta atenção no campo quanto o cavalo Appaloosa. Basta ele aparecer no pasto para virar assunto. As manchas espalhadas pelo corpo parecem desenhadas à mão, enquanto a musculatura firme denuncia uma característica que vai muito além da estética: resistência.

    Não é exagero dizer que o Appaloosa carrega uma das identidades mais marcantes da equinocultura mundial. Ao longo das décadas, a raça deixou de ser apenas símbolo de tradição nos Estados Unidos para conquistar espaço também em fazendas, haras e provas equestres brasileiras.

    No Brasil, o animal ganhou admiradores principalmente entre criadores ligados ao trabalho rural e às competições funcionais. Afinal, o cavalo une aquilo que muitos produtores buscam: rusticidade, agilidade e temperamento equilibrado.

    Origem marcada pela resistência

    A história do Appaloosa atravessa séculos. A raça ficou conhecida graças ao povo indígena Nez Perce, no noroeste dos Estados Unidos, que selecionava os animais mais resistentes e velozes para o trabalho e para deslocamentos em terrenos difíceis.

    Foto: Apaaloosa Horse Club UK

    Com o tempo, aqueles cavalos de pelagem exótica passaram a despertar curiosidade por onde passavam. Não demorou para que virassem símbolo do Velho Oeste americano.

    A principal marca do animal está justamente na pelagem manchada, que pode variar bastante. Alguns apresentam manchas pequenas e discretas. Outros parecem carregados de tinta branca sobre o corpo escuro. É exatamente essa imprevisibilidade visual que ajuda a transformar cada Appaloosa em um animal praticamente único.

    Força que vai além da aparência

    Quem olha apenas para a beleza pode acabar se enganando. Por trás da aparência elegante existe um cavalo conhecido pela resistência física e pela inteligência.

    Foto: Apaaloosa Horse Club UK

    Criadores relatam que o Appaloosa costuma apresentar facilidade de aprendizado e boa adaptação a diferentes tipos de manejo. Isso ajuda a explicar por que a raça ganhou espaço tanto em cavalgadas quanto em provas esportivas.

    No campo, o animal também demonstra versatilidade. Consegue atuar no manejo do gado, suporta longas distâncias e mantém desempenho consistente mesmo sob calor intenso. Não à toa, muitos pecuaristas passaram a enxergar o cavalo como parceiro de trabalho, e não apenas como animal de exposição.

    Aliás, em regiões de forte tradição rural, o Appaloosa frequentemente rouba a cena em eventos agropecuários. Entre um relincho e outro, vira atração para crianças, fotógrafos e criadores experientes.

    Mercado cresce no Brasil

    Nos últimos anos, a criação de Appaloosa ganhou força no País. Haras especializados começaram a investir em genética, treinamento e participação em leilões, acompanhando o avanço do mercado de cavalos voltados tanto ao esporte quanto ao lazer.

    Foto: Apaaloosa Horse Club UK

    Segundo entidades do setor, a raça também passou a despertar interesse entre famílias que buscam animais dóceis para iniciação equestre. O comportamento geralmente equilibrado ajuda nesse processo.

    Além disso, o crescimento do turismo rural e das provas funcionais ampliou a procura por cavalos resistentes e visualmente marcantes. Nesse cenário, o Appaloosa acabou encontrando terreno fértil.

    Um cavalo que carrega identidade

    Por fim, o Appaloosa não impressiona apenas pela aparência. Existe algo quase cinematográfico no animal. Quando cruza o campo ao amanhecer, levantando poeira sob a luz dourada, ele parece carregar uma mistura de liberdade, tradição e força bruta.

    E talvez seja exatamente por isso que a raça continue despertando fascínio em diferentes gerações. Em meio à mecanização crescente do agronegócio, o Appaloosa segue lembrando que o campo ainda guarda espaço para beleza, personalidade e conexão com a terra.

  • Lavradeiro: conheça o cavalo selvagem do Brasil que pode desaparecer

    Lavradeiro: conheça o cavalo selvagem do Brasil que pode desaparecer

    Nas savanas do extremo norte do Brasil, um cavalo diferente de qualquer outro galopa há mais de dois séculos. Os cavalos lavradeiros habitam as regiões do Lavrado, um ecossistema característico do nordeste de Roraima, abrangendo municípios como Amajari, Uiramutã, Normandia e Pacaraima. Formados pela seleção natural mais severa (seca prolongada, pastagem pobre e isolamento geográfico), esses animais carregam uma herança genética que o Brasil corre o risco de perder para sempre.

    https://www.instagram.com/p/DVGKZQyDj5L/?img_index=10&igsh=MTgzaGhpMXlwdTZ6dA%3D%3D

    Em 1789, cavalos vindos da Europa chegaram à região durante o início do povoamento de Roraima, quando o comandante Lobo D’Almada introduziu a pecuária na área. Alguns desses animais fugiram, e com o tempo foram se reproduzindo livremente, formando manadas de 200 a 300 animais. Desse processo nasceu o Lavradeiro, não por escolha humana, mas pela força da natureza.

    Os animais descendem de raças como garrano e andaluz. Há ainda uma participação considerável do puro-sangue inglês na formação do ecótipo, já que Roraima faz divisa com a Guiana, antiga colônia inglesa. Ao longo de gerações, apenas os mais resistentes sobreviveram. O resultado é um animal compacto, veloz e extraordinariamente adaptado. Os lavradeiros mantêm velocidade média de 60 quilômetros por hora durante 30 minutos. Um desempenho notável para um animal que se alimenta basicamente de capim de baixo valor nutritivo.

    Um patrimônio à beira do desaparecimento

    A população de cavalos lavradeiros está estimada em apenas 200 exemplares puros, número que vem diminuindo por causa das pressões da expansão humana. Queimadas, desmatamento e cruzamentos com outras raças comprometem a sobrevivência desse patrimônio genético.

    Atualmente, apenas 15% do universo de cavalos que se multiplicam livremente pelo lavrado atendem ao padrão do tipo lavradeiro. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) considera em “estado vulnerável” qualquer raça equina com menos de cinco mil fêmeas em reprodução. No caso dos lavradeiros, a estimativa é de que 60% dos 3.150 cavalos existentes sejam éguas em reprodução, o equivalente a apenas 1.890 fêmeas.

    O cavalo Lavradeiro não tem reconhecimento oficial como raça, mas sim como ecótipo, um tipo animal daquele ecossistema específico. Por não ter uma associação que determine suas características, tampouco registro oficial, o animal acaba tendo pouco valor comercial, o que reduz a atenção destinada à sua preservação, explica o veterinário e pesquisador da Embrapa Ramayana Menezes.

    A Embrapa na linha de frente

    Desde 1983, a Embrapa estuda os cavalos lavradeiros. Além disso, hoje, a Embrapa Roraima mantém um Núcleo de Conservação do cavalo Lavradeiro na Fazenda Resolução, no município de Amajari, a cerca de 170 km da capital Boa Vista, com 43 animais mantidos junto a rebanhos de criadores particulares. Seis garanhões foram transferidos para o campo experimental Fazenda Água Boa para adaptação e manejo.

    Foto: Jorge Macêdo/Divulgação

    O trabalho inclui caracterização genética, fenotípica e histórica dos animais, além de sensibilização de produtores e comunidades sobre o valor cultural e biológico do ecótipo. Com a conservação em bancos genéticos, por meio de amostras de sêmen e DNA, aliada à manutenção dos animais em núcleos de criação, a Embrapa busca garantir que esse tesouro genético continue sendo símbolo das futuras gerações de Roraima e do Brasil.

    Mas pesquisadores alertam que o esforço institucional ainda não é suficiente. Para o pesquisador Ramayana Menezes, é imprescindível a criação de uma associação de criadores do Lavradeiro para reduzir o risco de extinção desse importante patrimônio genético e cultural, com a implementação de formas concretas de conservação.

    Atualmente, as comunidades indígenas e pequenos produtores rurais são os principais responsáveis pela conservação e continuidade do ecótipo em Roraima. Proteger o Lavradeiro, portanto, vai além da preservação animal. É resgatar dois séculos de história brasileira gravados no DNA de um cavalo que aprendeu a sobreviver sozinho.

  • Brasil ganha primeira central especializada em genética equina de alta performance

    Brasil ganha primeira central especializada em genética equina de alta performance

    O mercado brasileiro de equinocultura está prestes a dar um salto tecnológico. Em janeiro de 2026, entra em operação no interior de São Paulo a primeira Central de Coleta e Processamento de Sêmen (CCP) equino do país nos moldes internacionais, oferecendo aos criadores nacionais acesso a serviços e infraestrutura comparáveis aos melhores centros dos Estados Unidos e Europa.

    Localizada em Itatinga, a nova unidade representa um investimento de R$ 10 milhões e promete revolucionar a produção, coleta e armazenamento de material genético de cavalos no Brasil. A estrutura foi projetada com foco em dois pilares fundamentais: alta performance reprodutiva e bem-estar animal.

    Tecnologia a serviço da reprodução

    As instalações contam com equipamentos de última geração para análise e processamento de sêmen. O laboratório de criopreservação utiliza sistemas como CASA (Computer Assisted Sperm Analysis) e microscopia de fluorescência, que permitem análises detalhadas desde a integridade da membrana plasmática até a motilidade dos espermatozoides.

    Um diferencial importante é o processo de congelamento personalizado, com diluidores e curvas de congelação ajustadas às características individuais de cada garanhão. Essa customização garante maior viabilidade e fertilidade do material genético preservado.

    A central também oferece tecnologias avançadas como sêmen sexado, que permite aos criadores escolher previamente o sexo do potro, e suporte para produção de embriões por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides).

    Rastreabilidade e transparência

    A operação incorpora blockchain para registrar cada etapa do processo, da coleta à entrega do material. Os criadores têm acesso a um portal exclusivo onde podem acompanhar o status do estoque. Além de consultar dados detalhados sobre o material genético adquirido, garantindo total rastreabilidade.

    A estrutura foi pensada para proporcionar conforto e saúde aos garanhões. As baias individuais possuem sistema de ventilação cruzada e controle de temperatura com ventiladores e nebulização. Além de janelas internas e telas frontais que permitem interação visual entre os animais, criando um ambiente mais natural.

    Entre os recursos inovadores estão o rodador elétrico para exercícios regulares e controlados, baias almofadadas para descanso confortável e prevenção de lesões, e uma enfermaria equipada para monitoramento constante. A unidade também conta com área de quarentenário para cavalos importados, seguindo protocolos rigorosos para atender mercados internacionais.

    O manejo nutricional é individualizado, com acompanhamento de nutricionistas equinos e veterinários experientes. A alimentação é formulada especificamente para otimizar a qualidade do sêmen, com rações concentradas enriquecidas com suplementos vitamínicos ajustados à rotina de cada animal.

    Sustentabilidade nas operações

    A nova central incorpora práticas sustentáveis em toda a operação. O sistema de hidratação utiliza bebedouros de sete litros em cada baia, abastecidos com água pura de poços semiartesianos e armazenada em reservatório com capacidade para 50 mil litros, garantindo temperatura ideal e qualidade constante.

    A unidade oferece portfólio completo de serviços: comercialização de sêmen fresco, semiconservado e congelado; atendimento técnico especializado; logística de transporte seguro do material genético; acompanhamento veterinário e nutricional; além de consultoria para otimização dos processos reprodutivos nos criatórios.

    Impacto no setor

    A inauguração desta central representa um marco para a equinocultura brasileira. Até então, criadores que buscavam serviços deste nível de especialização precisavam recorrer a centros no exterior ou trabalhar com estruturas menos sofisticadas.

    Com a nova infraestrutura disponível no país, espera-se maior eficiência nos programas de melhoramento genético. Além de redução de custos operacionais para criadores e aceleração nos resultados dos plantéis. A iniciativa também posiciona o Brasil de forma mais competitiva no mercado internacional de genética equina.

    A entrada em operação está prevista para janeiro de 2026, quando a central começará a atender criadores das principais raças de cavalos do país, oferecendo soluções que aliam tecnologia de ponta, rigor científico e respeito ao bem-estar animal.

  • Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bi e ganha terreno no esporte

    Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bi e ganha terreno no esporte

    O Cavalo Crioulo, aquele símbolo que atravessa porteiras, charqueadas e pistas de rodeio, não se limita mais ao chimarrão, ao sul, ou à brisa fria da campanha gaúcha. A nova fotografia econômica da raça, divulgada pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulos (ABCCC) em parceria com a Esalq/USP, mostra outra cena: um animal que virou negócio gigante — R$ 5,36 bilhões ao ano. Dinheiro vivo circulando. Dinheiro que muda paisagem de cidades, mantém cuidadores, ergue selarias, gera carreiros de emprego.

    O estudo detalha que esse valor inclui não só a compra e venda de animais, mas um universo que vai de remédios veterinários a turismo rural, de ração premium às provas esportivas que inflamam arquibancadas. Ferraduras batem no chão. E o mercado vai longe. Aliás, o chamado Complexo do Cavalo Crioulo engloba até indumentárias, serviços, comércio artesanal — tudo isso movendo economia real, de verdade. Além disso, o país conta hoje com 508.080 animais registrados, cada um deles responsável por R$ 10.549,93 ao ano. Um cavalo, um PIB.

    Geração de empregos

    Há mais: o Crioulo emprega. Gera 31,3 mil vagas diretas e mais de 130 mil indiretas. Põe comida na mesa de mais de 160 mil famílias. A raça pulsa. “Esses dados nos trazem uma radiografia setorial essencial para fundamentar nossos planos de expansão. O cavalo é mais do que uma paixão do Sul do Brasil ou uma ferramenta de trabalho no campo. Hoje, é a base de empresas lucrativas, ferramenta para tratamento de saúde mental, sem falar no mundo do esporte”, disse o presidente da ABCCC, André Rosa. Ele assumiu o comando no último dia 1º e quer acelerar competições pelo país. O antecessor, César Hax, abriu caminho; Rosa promete engrenar a marcha nos próximos dois anos.

    Cavalo Crioulo avança com o esporte

    As pistas explicam muito. Três de cada quatro criatórios do país têm foco esportivo — 75%. A modalidade estrela segue sendo o Freio de Ouro e a Morfologia, mas Laço Comprido e Doma de Ouro, essas sim, puxam o público, arrastam caminhadas de trailer pelas estradas. Poeira sobe. Corda estica. A segunda principal destinação da raça ainda é o trabalho de campo (22,56%), mas o esporte virou a porta de entrada. Não por acaso. “O esporte é a mola de expansão das criações nos estados do Sudeste e Centro-Oeste. A raça é muito adaptada para uso em rodeios e acreditamos em um avanço consistente nos próximos anos”, afirmou Gérson de Medeiros, gerente de expansão da ABCCC. Ele opera, de São Paulo, a expansão para a chamada Região 8 — Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O plano? Chegar a 2026 com 15% mais provas nesses territórios.

    Nem tudo, porém, é simples de mapear. A equideocultura brasileira, como explica o pesquisador da Esalq/USP Roberto Arruda de Souza Lima, não funciona como cadeia industrial clássica. São várias engrenagens soltas, um organismo. Por isso os dados são fragmentados, raros — quase como rastrear cavalo ao luar. Segundo ele, apesar de sustentarem negócios e mão de obra, os equídeos ainda não são vistos como animais de produção em muitos levantamentos oficiais. A pesquisa também mediu o perfil das propriedades criadoras: fazendas com média de 440 hectares, das quais 92 são reservados às tropas. Quem cria, geralmente planta e cria também — 64,95% têm agricultura como atividade principal; 22,45%, pecuária.

    Sul, o berço do Crioulo

    Foto: Divulgação/Fagner Almeida

    No mapa, o sul domina. O Rio Grande do Sul concentra 80% de tudo — renda e animais. São R$ 4,28 bilhões e 412 mil cavalos. O estado, berço histórico da raça, mantém hegemonia em cada mancha do mapa, dos 497 municípios ao pampa fronteiriço. Em seguida aparecem Santa Catarina, com 33,7 mil animais, e o Paraná, com 31,8 mil. O centro do país ainda engatinha, mas cresce.

    “O Rio Grande do Sul segue como berço da raça e como uma região com expressão de criatórios e qualidade genética. A força do cavalo Crioulo ecoa por todos os 497 municípios gaúchos, garantindo pulverização de renda e emprego. Os dados também mostram um grande potencial de expansão de uso desse animal no resto do Brasil. Não há limites para as manadas de Crioulos no Brasil e no mundo”, reforçou André Rosa, recém-chegado de uma agenda internacional da raça na Itália.

    A cena futura parece quase premeditada. Campo e pista se cruzam. Dinheiro entra. Ferraduras brilham. A raça, que antes era sinônimo de tradição, agora lateja como indústria — ainda que com passos firmes, quase como quem sente o chão antes de galopar.

  • Conheça o cavalo do Papa Leão XIV: puro-sangue árabe

    Conheça o cavalo do Papa Leão XIV: puro-sangue árabe

    Um cavalo branco, de crina sedosa e olhar sereno, agora pasta tranquilo nos jardins de Castel Gandolfo, antiga residência de verão dos papas. O nome dele é Proton, um puro-sangue árabe de 12 anos que cruzou mares e fronteiras para se tornar o mais novo hóspede ilustre do Vaticano.

    O presente chegou das mãos do criador polonês Andrzej Michalski, de Kołobrzeg-Budzistowo, e foi entregue pessoalmente durante a audiência geral do Papa Leão XIV, no dia 15 de outubro. Inspirado por uma antiga foto em que o então cardeal, hoje Papa, aparecia montado a cavalo no Peru, Michalski decidiu oferecer um exemplar digno da batina branca. “Um cavalo que fosse puro e luminoso como o Papa”, disse ele em entrevista ao Vatican News.

    O Santo Padre, surpreso e visivelmente encantado, segurou as rédeas de Proton e chegou a conduzir o animal por alguns passos. Enquanto os flashes disparavam e os aplausos ecoavam na praça, a cena transformou-se numa metáfora viva do encontro entre fé e natureza — o líder da Igreja guiando, com suavidade e firmeza, um símbolo de força, graça e paz.

    Foto: Vatican Media

    Raça que atravessa séculos

    O cavalo árabe puro-sangue é uma das raças mais antigas do mundo. Desde tempos imemoriais, há registros de sua presença nas areias do deserto, datando de mais de 4 mil anos. Os beduínos criavam os cavalos árabes como membros da família, permitindo que dormissem junto às tendas. Eles escolhiam os animais pela lealdade e pela resistência demonstradas nas longas travessias do deserto.

    Com o passar dos séculos, o árabe ganhou fama mundial por sua elegância natural. Com o pescoço arqueado, as orelhas pequenas e a cauda erguida como bandeira ao vento, ele é um retrato de harmonia e nobreza. Além disso, graças à sua incrível resistência, consegue percorrer longas distâncias sem demonstrar cansaço e reage com docilidade a quem o trata com confiança. Não por acaso, a raça árabe serviu de base genética para o desenvolvimento de várias outras raças modernas, especialmente as voltadas a competições de resistência e adestramento.

    Linhagem nobre

    Proton, o cavalo presenteado ao Papa, descende de uma linhagem respeitada. Seu pai é oriundo dos Estados Unidos, enquanto sua mãe pertenceu à princesa Alia Al Hussein, da Jordânia. Criado inicialmente em uma tradicional fazenda polonesa, Proton foi treinado com paciência, técnica e cuidado, até se tornar o presente ideal, símbolo de pureza, força e diplomacia entre nações.

    Agora, o animal permanecerá sob os cuidados da Santa Sé, no centro equestre de Castel Gandolfo, na Itália. Lá, Proton será tratado por veterinários e cuidadores especializados, em um ambiente de tranquilidade e natureza exuberante. Assim, o presente do criador polonês se transforma em um novo capítulo na convivência entre fé e criação. Proton é um cavalo que não apenas galopa, mas inspira.

    Um presente com significado

    A entrega de Proton não foi apenas um gesto de cortesia. Carrega um simbolismo profundo: a união entre culturas, a continuidade das tradições e o reconhecimento da espiritualidade como ponte entre povos.
    Para Michalski, oferecer um cavalo branco ao Papa foi uma forma de “transformar uma imagem antiga em ato de gratidão”. Para o Vaticano, o gesto ecoa como lembrança de simplicidade e humildade — virtudes que o próprio Leão XIV costuma pregar.

    Foto: Vatican Media

    Enquanto Proton relincha baixinho nos estábulos de Castel Gandolfo, há quem veja ali mais do que um presente. É um lembrete de que, às vezes, o sagrado se manifesta nas formas mais inesperadas — até no trote compassado de um cavalo árabe ao pôr do sol.

  • Marwari: o cavalo que carrega um coração nas orelhas

    Marwari: o cavalo que carrega um coração nas orelhas

    No deserto do Rajastão, na Índia, o ar tem cheiro de poeira e eternidade. O vento canta nas dunas e, de longe, o som dos cascos chega antes da imagem. Surge, então, um cavalo de perfil esguio, crina ao vento, olhar firme: o Marwari, herdeiro de reis e lendas.

    Ele é mais do que um animal. É um traço de história viva que ainda respira entre os templos e os palácios esquecidos da Índia. Quando levanta a cabeça, algo mágico acontece: suas orelhas se curvam para dentro até quase se tocar, formando um coração. Um coração de carne, osso e poeira, feito à imagem da terra que o criou.

    O deserto como berço

    O Marwari nasceu sob o sol impiedoso do deserto do Thar, onde as sombras são curtas e as distâncias longas. Por séculos, foi o companheiro dos guerreiros rajput, cavalos e homens que lutavam lado a lado.

    Reprodução: Horse & Country TV

    Conta-se que, quando o guerreiro caía, o cavalo voltava sozinho para casa, um gesto de lealdade tão puro que virou mito. Talvez seja por isso que, até hoje, os criadores falem desses animais com devoção. Para eles, o Marwari é um deus em forma de cavalo, guardião das rotas que cruzam o vazio.

    As orelhas que escutam o vento

    As orelhas do Marwari são seu segredo e sua assinatura. Longas, curvas, desenhadas como dois parênteses que se abraçam, elas parecem ouvir mais do que o som: captam o silêncio entre as notas.

    A Universidade Estadual de Oklahoma, em seu registro da raça, descreve o detalhe que fascina o mundo: “As orelhas de tamanho médio curvam-se para dentro nas pontas e frequentemente se tocam. Elas podem girar até 180 graus”.

    A ciência explica com frieza: a curvatura ajudaria a detectar ruídos distantes, vitais no deserto. Mas os camponeses de Marwar preferem acreditar que é o formato do amor, a marca da fidelidade que o cavalo leva gravada no corpo.

    Quando o vento sopra, as orelhas se tocam e emitem um leve “tchic tchic”, como se o deserto cochichasse histórias antigas.

    O exílio e o retorno

    Durante o domínio britânico, o Marwari quase desapareceu. Naquele tempo, chamaram-no de exótico demais, rebelde demais, indiano demais. Enquanto isso, os ingleses preferiam cavalos europeus, de temperamento controlado. Afinal, o Marwari era puro instinto.

    Foto: Fei.org

    Por pouco, a raça não virou lenda extinta. No entanto, um punhado de criadores decidiu resgatá-lo da poeira do esquecimento. Com paciência e devoção, criaram registros, preservaram linhagens e convenceram o governo a protegê-lo. Graças a esse esforço, o cavalo que quase se perdeu na história renasceu entre as dunas e voltou a ser símbolo de orgulho nacional. Hoje, a All India Marwari Horse Society mantém o padrão da raça, e o animal voltou às feiras, aos casamentos e às telas de Bollywood.

    O coração que não se rende

    De perto, o Marwari parece saber que carrega um símbolo. Seus olhos escuros têm algo de antigo, uma mistura de bravura e melancolia. Quando caminha, é como se o chão se curvasse em respeito.

    Nos festivais do Rajastão, ele surge adornado de sinos, tecidos bordados e flores. Cada passo é um compasso de tambor, cada movimento, uma lembrança de que a beleza também pode nascer do deserto.

    Há quem diga que o formato das orelhas é uma mensagem: duas metades que se encontram para formar um coração que escuta o mundo. Talvez seja exagero, talvez poesia. Mas quem já viu um Marwari de perto jura que, por um instante, o vento realmente para.

  • Morre Del Oeste Zorrino, cavalo que mudou a raça Crioula

    Morre Del Oeste Zorrino, cavalo que mudou a raça Crioula

    A última rédea se soltou para Del Oeste Zorrino, cavalo que não só brilhou nas pistas como moldou o futuro da raça Crioula. Com o título de Grande Campeão e Melhor Exemplar da FICCC (Federação Internacional de Criadores de Cavalos Crioulos), Zorrino entra definitivamente no panteão dos imortais — não como lenda inventada, mas como marco real de uma linhagem que jamais será a mesma.

    “Existem cavalos que mudam o rumo de uma raça”, diz Evaldo Rosa, da Estância Liberdade, em texto despedida de quem sabe o tamanho da perda. “São cavalos que modificam parâmetros, que elevam o sarrafo de tal maneira que não se volta mais atrás.”

    Criado no campo, mas talhado como monumento vivo da genética equina, Zorrino não se contentou em ser campeão. Ele virou referência. Seus descendentes povoam as cocheiras dos sonhos de qualquer criador. E sua história virou capítulo obrigatório para quem respira a tradição campeira.

    Um cavalo, cinco filhos, um feito inédito

    Na Argentina, na pista de Palermo, Zorrino protagonizou um feito histórico. Pela primeira vez, os cinco garanhões finalistas no grande campeonato da raça Crioula eram todos filhos de um único garanhão: ele. Um feito digno de nota, mas que, segundo os criadores, é só a superfície do impacto deixado por esse cavalo fora de série.

    “No Brasil, estamos recém domando sua primeira geração”, explica Rosa. “São potros e potras que confirmam toda sua beleza, qualidade e potencial genético.”

    Não é só no exterior que o nome de Zorrino ecoa. Por aqui, cada tropeada dele reverbera como um trovão nas invernadas gaúchas. Seu temperamento dócil, sua força, sua agilidade e, claro, sua conformação impecável fazem dele um símbolo máximo do que o cavalo Crioulo representa: resistência, equilíbrio e tradição.

    Mais que um título, uma revolução morfológica

    Zorrino não apenas venceu. Ele redefiniu o que se entende por excelência na morfologia do cavalo Crioulo. Segundo os jurados e técnicos que acompanharam sua trajetória, o garanhão estabeleceu novos padrões — e obrigou todos a recalibrarem seus olhos.

    “Zorrino foi descrito como um cavalo perfeito como indivíduo”, destaca Rosa. “Por causa dele, subimos alguns degraus na seleção genética da raça.”

    Em tempos de tecnologias e laboratórios, Zorrino era puro campo e alma. Sua expressão racial, sua elegância nos movimentos e o olhar firme, que mais parecia saber que tinha nascido para ser lenda, marcaram uma geração de criadores e apaixonados.

    Um símbolo que atravessa fronteiras

    Originário dos cavalos espanhóis trazidos ao continente no século XVI, o cavalo Crioulo, desde então, tornou-se o retrato vivo do que é ser sul-americano: resistente, guerreiro e leal. Em suas veias, corre não apenas o sangue dos ancestrais, mas também a história das pampas, das lidas campeiras, dos galopes sob o frio cortante da serra e sob o sol escaldante da campanha.

    Pois bem, Zorrino carregava tudo isso no corpo e mais. Carregava, sobretudo, esperança. Por isso mesmo, sua morte comoveu criadores de todo o continente. Afinal, não se perde apenas um cavalo. Perde-se um símbolo.

    “Hoje é um dia de despedida e tristeza para todos nós na Estância Liberdade”, escreveu Rosa nas redes sociais. “Mas optamos por lembrar de todas as alegrias e momentos felizes que esse campeão da América nos proporcionou. Por causa dele, fizemos amigos que levaremos para toda a vida, além das fronteiras.”

    Um cavalo que segue retoçando na memória

    O galpão está mais silencioso. O pasto parece maior. Mas quem conheceu Del Oeste Zorrino garante: ele segue vivo em cada passo dos filhos, em cada olhar dos netos, em cada sonho de um novo campeão.

    “Temos a certeza de que o melhor e mais bonito sempre está por vir, no sangue do Zorrino que retoça numa invernada da Estância Liberdade”, escreveu Rosa, como quem se despede sem dizer adeus.

    E assim, entre sorrisos saudosos e lágrimas de reconhecimento, o Crioulo mais campeão da história se transforma em eterno.

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    Fotógrafo flagra cavalo em meio a espetáculo da física

    O dia mal havia clareado quando o fotógrafo Mycchel Legnaghi apontou a lente para o campo coberto de branco, na Serra Catarinense. O que viu pela frente foi mais que um cavalo pastando na neblina: era como se a natureza soprasse poesia gelada sobre o Vale do Caminhos da Neve, em São Joaquim. No instante do clique, o frio virou espetáculo, e o bicho, moldura viva de um fenômeno raro e silencioso:  a sublimação.

    Foto: Mycchel Legnaghi

    Com os termômetros despencando a -5,6°C no centro do Caminhos da Neve, segundo dados da Epagri/Ciram, e -7,3°C na estação Corujas, o amanhecer de segunda-feira (1º) congelou até o tempo. Os açudes ficaram rígidos, os lagos endureceram e o orvalho sequer teve chance de virar água: virou vapor direto. O chão, coberto por cristais finíssimos, parecia sussurrar em branco. E lá estavam eles, os cavalos, imóveis por um segundo, como se soubessem que algo ali era maior do que o frio.

    Foto: Mycchel Legnaghi

    “Foi um daqueles momentos que te deixam sem palavras ao ver os animais”, disse Mycchel. “Essa névoa de ouro que transforma o frio nesse espetáculo. Fenômeno sutil, mas grandioso quando a ciência do frio encontra luz”.

    Sublimação: a física por trás da beleza

    A tal dança tem nome científico: sublimação. Acontece quando o gelo vira vapor sem passar pelo estado líquido, fenômeno comum em condições extremas como as da manhã congelante em São Joaquim. A cidade, que já é famosa pelas baixas temperaturas, viveu mais um capítulo do seu inverno rigoroso, desses que congelam não só a água, mas também o tempo.

    Entre cavalos serenos e o vapor que subia do chão como um véu, a paisagem parecia saída de um conto nórdico. Só que era bem aqui, no coração do Sul do Brasil.

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