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  • Conheça o cavalo Crioulo, avaliado em R$ 2,5 milhões

    Conheça o cavalo Crioulo, avaliado em R$ 2,5 milhões

    O mercado da raça Crioula voltou a demonstrar força no Sul do país. O Remate dos Sonhos II, promovido pela GAP Genética, negociou 34 lotes de cavalos Crioulos e registrou média geral de R$ 97 mil durante evento realizado neste domingo (14), em Uruguaiana (RS).

    A comercialização contou com a atuação da Trajano Silva Remates entre as leiloeiras responsáveis pelos negócios. No entanto, o grande destaque ficou por conta de GAP São Pedro, cuja venda de uma participação de 10% por R$ 250 mil resultou em uma avaliação de mercado estimada em R$ 2,5 milhões para o animal.

    O resultado evidencia a valorização de exemplares com histórico consolidado em critérios genéticos, morfológicos e funcionais, características cada vez mais observadas por criadores e investidores do segmento.

    Planejamento genético

    Segundo o diretor da Trajano Silva Remates, Marcelo Silva, a oferta reuniu animais desenvolvidos a partir de um criterioso planejamento genético conduzido pela GAP Genética.

    “São animais sonhados, pensados, e nas últimas edições têm saído muitos campeões funcionais e morfológicos. O mercado está realmente muito firme, muito demandado. Foram 34 lotes e fizeram praticamente média de R$ 100 mil”, afirmou.

    Além disso, o dirigente relacionou o sucesso do remate aos resultados alcançados pela cabanha nas pistas e na Copa dos Criadores.

    “O leilão faz jus ao nome, porque são animais sonhados. Acho que o remate também pode se chamar Remate da Realidade”, acrescentou Silva.

    Filho de Del Oeste Mutante com Pampeana do Retiro do Ouro, Fantástico de São Pedro tem mais de 500 filhos registrados e metade deles é premiada, incluindo finalistas do Freio de Ouro e campeões da FICCC — Foto: GAP Genética

    Destaques do leilão

    Entre os machos inteiros, o destaque foi GAP Senhor, negociado por R$ 200 mil, tornando-se o exemplar mais valorizado da categoria. A média dos machos alcançou R$ 66.590,00.

    GAP Senhor é um cavalo crioulo de destaque, filho de Fantástico de São Pedro com Hortencia, da GAP — Foto: Reprodução/Instagram

    Já entre as fêmeas, GAP Soraia liderou as vendas ao atingir R$ 155 mil. A categoria registrou média de R$ 93.166,00, demonstrando liquidez e interesse dos compradores pelos animais ofertados.

    Soraia é filha de Fantástico de São Pedro e Linda de São Pedro — Foto: Reprodução/Instagram

    As cotas comercializadas também apresentaram desempenho expressivo, com média de R$ 141.250,00. O maior valor ficou concentrado justamente na negociação da participação de GAP São Pedro, responsável pela avaliação milionária do cavalo e pelo principal destaque financeiro do remate.

     

  • Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bi e ganha terreno no esporte

    Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bi e ganha terreno no esporte

    O Cavalo Crioulo, aquele símbolo que atravessa porteiras, charqueadas e pistas de rodeio, não se limita mais ao chimarrão, ao sul, ou à brisa fria da campanha gaúcha. A nova fotografia econômica da raça, divulgada pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulos (ABCCC) em parceria com a Esalq/USP, mostra outra cena: um animal que virou negócio gigante — R$ 5,36 bilhões ao ano. Dinheiro vivo circulando. Dinheiro que muda paisagem de cidades, mantém cuidadores, ergue selarias, gera carreiros de emprego.

    O estudo detalha que esse valor inclui não só a compra e venda de animais, mas um universo que vai de remédios veterinários a turismo rural, de ração premium às provas esportivas que inflamam arquibancadas. Ferraduras batem no chão. E o mercado vai longe. Aliás, o chamado Complexo do Cavalo Crioulo engloba até indumentárias, serviços, comércio artesanal — tudo isso movendo economia real, de verdade. Além disso, o país conta hoje com 508.080 animais registrados, cada um deles responsável por R$ 10.549,93 ao ano. Um cavalo, um PIB.

    Geração de empregos

    Há mais: o Crioulo emprega. Gera 31,3 mil vagas diretas e mais de 130 mil indiretas. Põe comida na mesa de mais de 160 mil famílias. A raça pulsa. “Esses dados nos trazem uma radiografia setorial essencial para fundamentar nossos planos de expansão. O cavalo é mais do que uma paixão do Sul do Brasil ou uma ferramenta de trabalho no campo. Hoje, é a base de empresas lucrativas, ferramenta para tratamento de saúde mental, sem falar no mundo do esporte”, disse o presidente da ABCCC, André Rosa. Ele assumiu o comando no último dia 1º e quer acelerar competições pelo país. O antecessor, César Hax, abriu caminho; Rosa promete engrenar a marcha nos próximos dois anos.

    Cavalo Crioulo avança com o esporte

    As pistas explicam muito. Três de cada quatro criatórios do país têm foco esportivo — 75%. A modalidade estrela segue sendo o Freio de Ouro e a Morfologia, mas Laço Comprido e Doma de Ouro, essas sim, puxam o público, arrastam caminhadas de trailer pelas estradas. Poeira sobe. Corda estica. A segunda principal destinação da raça ainda é o trabalho de campo (22,56%), mas o esporte virou a porta de entrada. Não por acaso. “O esporte é a mola de expansão das criações nos estados do Sudeste e Centro-Oeste. A raça é muito adaptada para uso em rodeios e acreditamos em um avanço consistente nos próximos anos”, afirmou Gérson de Medeiros, gerente de expansão da ABCCC. Ele opera, de São Paulo, a expansão para a chamada Região 8 — Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O plano? Chegar a 2026 com 15% mais provas nesses territórios.

    Nem tudo, porém, é simples de mapear. A equideocultura brasileira, como explica o pesquisador da Esalq/USP Roberto Arruda de Souza Lima, não funciona como cadeia industrial clássica. São várias engrenagens soltas, um organismo. Por isso os dados são fragmentados, raros — quase como rastrear cavalo ao luar. Segundo ele, apesar de sustentarem negócios e mão de obra, os equídeos ainda não são vistos como animais de produção em muitos levantamentos oficiais. A pesquisa também mediu o perfil das propriedades criadoras: fazendas com média de 440 hectares, das quais 92 são reservados às tropas. Quem cria, geralmente planta e cria também — 64,95% têm agricultura como atividade principal; 22,45%, pecuária.

    Sul, o berço do Crioulo

    Foto: Divulgação/Fagner Almeida

    No mapa, o sul domina. O Rio Grande do Sul concentra 80% de tudo — renda e animais. São R$ 4,28 bilhões e 412 mil cavalos. O estado, berço histórico da raça, mantém hegemonia em cada mancha do mapa, dos 497 municípios ao pampa fronteiriço. Em seguida aparecem Santa Catarina, com 33,7 mil animais, e o Paraná, com 31,8 mil. O centro do país ainda engatinha, mas cresce.

    “O Rio Grande do Sul segue como berço da raça e como uma região com expressão de criatórios e qualidade genética. A força do cavalo Crioulo ecoa por todos os 497 municípios gaúchos, garantindo pulverização de renda e emprego. Os dados também mostram um grande potencial de expansão de uso desse animal no resto do Brasil. Não há limites para as manadas de Crioulos no Brasil e no mundo”, reforçou André Rosa, recém-chegado de uma agenda internacional da raça na Itália.

    A cena futura parece quase premeditada. Campo e pista se cruzam. Dinheiro entra. Ferraduras brilham. A raça, que antes era sinônimo de tradição, agora lateja como indústria — ainda que com passos firmes, quase como quem sente o chão antes de galopar.