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  • Fruta nativa ganha espaço nas feiras e chama atenção pela ação anti-inflamatória

    Fruta nativa ganha espaço nas feiras e chama atenção pela ação anti-inflamatória

    A atemoia tem despertado cada vez mais interesse entre fruticultores e consumidores brasileiros. Resultado do cruzamento entre a fruta-do-conde (ou pinha) e a cherimoia, a espécie combina a doçura tropical de uma com a textura cremosa da outra e surpreende pelo sabor.

    Foto: Marta Costa/Agência Agro em Campo

    Benefícios da atemoia

    Rica em vitamina C, potássio e fibras, a atemoia contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e auxilia no bom funcionamento do intestino.

    Além disso, a polpa da fruta contém antioxidantes naturais. Para completar a bonança, a atemoia apresenta baixo teor calórico em comparação a outras frutas tropicais, tornando-se a opção perfeita para dietas equilibradas.

    Produção rentável

    O cultivo da atemoia exige atenção redobrada logo nas primeiras etapas. As mudas costumam ser enxertadas, técnica que une o porta-enxerto (mais resistente e adaptado ao solo) à variedade copa (responsável pela produção dos frutos).

    Esse processo garante maior uniformidade genética e produtividade, mas também exige cuidados específicos no momento do plantio, como profundidade correta, adubação adequada e proteção contra pragas nos primeiros meses.

    O Brasil figura entre os principais produtores mundiais da fruta, com destaque para estados como São Paulo, Bahia e Pernambuco.

    No entanto, apesar do sucesso recente, a atemoia não é uma novidade: pesquisadores desenvolveram os primeiros híbridos ainda no início do século XX, na Flórida (EUA). No Brasil, a fruta ganhou força a partir dos anos 1990, impulsionada por programas de melhoramento genético conduzidos por institutos de pesquisa, como a CATI.

    CATI leva orientação sobre atemoia ao 20º Encontro de Fruticultura em Atibaia

    Nesta sexta-feira (14), Atibaia (SP) recebe o 20º Encontro de Fruticultura, promovido pela Associação Hortifrutiflores de Jarinu.

    O evento reúne produtores, técnicos e demais profissionais do agronegócio em uma programação voltada à troca de experiências, à apresentação de novas tecnologias e à atualização sobre o setor frutícola. Às 7h30, no Sítio Nossa Senhora de Fátima, propriedade do fruticultor Antonio Scareli, os participantes visitam pomares de pêssego e pitaya.

    Programação percorre diferentes cultivos

    Na sequência, nas propriedades dos irmãos Watanabe e Gallo, o público conhece plantios de outras culturas, como atemoia, maçã, morango e as uvas Niagara e Vitória. Durante as visitas, especialistas conduzem apresentações técnicas sobre manejo de pomares e práticas aplicadas à produção.

    O engenheiro agrônomo da CATI Sementes e Mudas, Anderson Tatsuo Watanabe é quem ministra a palestra sobre atemoia durante o encontro.

    “Em nossa exposição, vamos orientar os produtores no manejo pós-recebimento das mudas enxertadas de atemoia da CATI. O foco será a correta implantação no campo, respeitando as exigências do porta-enxerto e o protocolo de plantio. O encontro garantirá o sucesso inicial do pomar, transformando o excelente padrão genético das mudas em alta rentabilidade futura.”

    Avaliação de mudas de atemoia será tema de palestra de técnico da CATI no evento (Foto: Divulgação)

    O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e produtor de uva João Dimas Maia Garcia apresenta as espécies Niagara e Vitória durante o evento. Já o consultor da Holantec Lourenço Nyssen aborda as demais frutas expostas no Dia de Campo.

    O presidente da Associação Hortifrutiflores de Jarinu, Cassiano Contesini, projeta a presença de aproximadamente 250 pessoas no encontro.

    Os interessados podem se inscrever pelo WhatsApp (11) 99795-0832 ou pelo e-mail [email protected].

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  • Seminário discute crise na produção de pinhão e soluções

    Seminário discute crise na produção de pinhão e soluções

    O município de Cunha (SP) recebe, na quinta-feira (30), o Seminário sobre a produção do pinhão em São Paulo – Desafios e oportunidades, evento que reúne produtores, pesquisadores, extensionistas e gestores públicos para discutir o futuro da cadeia produtiva do pinhão e a conservação da araucária no estado.

    Organizado pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e parceiros, o encontro apresenta resultados inéditos de uma pesquisa sobre a produção local e propõe estratégias para fortalecer a sociobiodiversidade, ampliar políticas públicas e impulsionar o desenvolvimento rural sustentável.

    Pesquisa aponta desafios da cadeia do pinhão em SP

    Durante o seminário, a engenheira agrônoma Priscilla Menezes de Souza, da Casa da Agricultura de Cunha, apresenta o estudo sobre os principais gargalos da atividade no município — responsável pela maior produção de pinhão do estado, com cerca de 350 toneladas anuais.

    Segundo a pesquisadora, os desafios incluem:

    • Falta de planejamento no plantio e manejo da araucária
    • Envelhecimento das famílias coletoras
    • Redução da sucessão rural
    • Dificuldades de comercialização
    • Necessidade de políticas públicas integradas

    O estudo também reforça a urgência de ações para conservar a Araucaria angustifolia, espécie símbolo da Mata Atlântica e ameaçada de extinção.

    Araucária tem papel econômico e cultural em Cunha

    Em Cunha, a araucária vai além do valor ambiental. A espécie sustenta práticas tradicionais de coleta, fortalece a identidade cultural local e contribui para a segurança alimentar e a geração de renda.

    Imagem: Divulgação

    O seminário busca integrar conhecimento científico, extensão rural e saberes tradicionais, promovendo diálogo entre universidades, agricultores e instituições públicas.

    Projeto Pinhão SP impulsiona cadeia produtiva

    O evento integra as ações do Projeto Pinhão SP, iniciativa da CATI vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). O projeto incentiva a produção sustentável, valoriza comunidades tradicionais e fomenta políticas públicas voltadas à conservação da araucária.

    De acordo com o engenheiro agrônomo César Frizo, o pinhão surge como alternativa econômica viável para áreas de relevo acidentado e clima frio, comuns na Serra da Bocaina. A proposta também reduz a pressão sobre remanescentes nativos.

    Assistência técnica fortalece produção sustentável

    A Casa da Agricultura de Cunha atua diretamente com produtores e famílias coletoras, oferecendo assistência técnica, articulação institucional e apoio à conservação ambiental.

    Segundo Osmar Felipe, da CATI Regional Guaratinguetá, a integração entre produtores, universidades e instituições tem ampliado o diálogo entre ciência e tradição, fortalecendo a governança territorial e gerando oportunidades no campo.

    O seminário pretende estruturar uma rede colaborativa em torno da cadeia do pinhão paulista. As propostas discutidas serão consolidadas em um fórum até o fim do ano, com diretrizes técnicas e organizacionais para fortalecer a atividade e conservar a araucária.

    Serviço

    Evento: Seminário sobre a produção do pinhão em São Paulo – Desafios e oportunidades

    • Data: 30 de julho de 2026
    • Horário: 9h às 18h
    • Local: Auditório da Câmara Municipal de Cunha
    • Endereço: Rua Dom Lino, 73, Centro, Cunha (SP)
    • Informações: (12) 99676-4130 (WhatsApp)

     

  • Produção de pinhão ganha novo estudo apresentado pela CATI

    Produção de pinhão ganha novo estudo apresentado pela CATI

    A CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral.) lançará, neste sábado (25), o “Documento Técnico 138 – Monitoramento da polinização da araucária” durante o 24º Festival do Pinhão, em Cunha (SP). O município responde por cerca de 70% da produção paulista de pinhão e se consolida como referência na cadeia produtiva da semente.

    Entre abril e maio, a araucária produz pinhão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Em Cunha, a colheita anual chega a aproximadamente 800 toneladas. Parte dessa produção abastece o tradicional Festival do Pinhão, realizado desde 2002 na praça central da cidade e considerado um dos principais eventos do calendário local.

    Durante o evento, a CATI também apresenta o Projeto Pinhão SP, iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP). O projeto incentiva o manejo sustentável da araucária e estimula o plantio de mudas enxertadas, que permitem a produção precoce de sementes.

    Segundo o engenheiro agrônomo da CATI, Cesar Frizo, o projeto amplia as oportunidades de renda para agricultores da Serra da Bocaina. A cultura do pinhão se adapta bem a áreas declivosas e de clima frio, comuns na região, onde outras atividades agropecuárias enfrentam limitações.

    Além de gerar renda, o pinhão contribui para a conservação ambiental. A cadeia produtiva reduz a pressão sobre remanescentes nativos de araucária e fortalece práticas sustentáveis. Parcerias com associações de coletores e iniciativas de extensão rural têm impulsionado o desenvolvimento da atividade em Cunha e em toda a Serra da Bocaina.

    Documento técnico destaca cadeia do pinhão

    O Documento Técnico 138 apresenta uma análise estratégica da produção de pinhão em São Paulo. O material reúne informações sobre manejo, conservação da araucária e políticas de incentivo à cadeia produtiva.

    A publicação também destaca o potencial econômico, ambiental e social do pinhão, além de abordar inovação, geração de renda e preservação ambiental. O estudo reforça o papel das instituições de pesquisa e extensão no fortalecimento da agricultura sustentável no estado.

    Programação inclui oficina e palestra

    A programação do dia 25 começa às 14h, com uma oficina prática de enxertia de araucária conduzida por técnicos da CATI e jovens coletores. Em seguida, ocorre uma palestra sobre o monitoramento da polinização da espécie em Cunha, com apresentação oficial do Documento Técnico 138.

    O evento também contará com o Concurso do Maior Pinhão, organizado pela CATI em parceria com a Associação dos Moradores, Produtores Rurais e Empreendedores da Estrada do Paraibuna (Amprasp).

    Serviço

    • Lançamento do Documento Técnico 138 no 24º Festival do Pinhão
    • Data: 25 de abril de 2026
    • Horário: 15h
    • Local: Praça da Matriz – Rua Dom Lino, 54-118, Cunha (SP)
    • Entrada: gratuita
  • Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    Milho, soja e café devem impulsionar safra 2025/26 em São Paulo

    O otimismo marca a abertura da safra 2025/26 no Estado de São Paulo. Segundo o novo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, as principais culturas de grãos e o café devem puxar o crescimento da produção paulista, enquanto a laranja e a cana-de-açúcar ainda enfrentam retração de área e produtividade limitada.

    O milho de primeira safra desponta como o principal destaque. A produção esperada é de 2,01 milhões de toneladas, alta de 38% em relação ao ciclo anterior. O avanço reflete tanto a expansão de 23,1% da área plantada quanto o aumento de 12,2% na produtividade, que deve alcançar 7.469 kg/ha. Cinco regiões estratégicas concentram 58,6% do total produzido no estado.

    A soja segue o mesmo ritmo positivo. A estimativa aponta para 4,57 milhões de toneladas, crescimento de 11% frente à safra passada. A produtividade média deve atingir 3.663 kg/ha, considerada recorde. A região de Itapeva lidera a produção, com quase 19% do total estadual, seguida por Assis e Ourinhos. Juntas, essas três regiões respondem por 39,7% do volume produzido em São Paulo.

    Café mantém protagonismo e aumenta produtividade

    O levantamento também projeta avanço no setor cafeeiro, com colheita estimada em 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Apesar da redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve subir 5,7%. A regional de Franca mantém a liderança e deve responder por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas.

    Em seguida aparecem São João da Boa Vista, com 1,1 milhão de sacas (23,6%), e Ourinhos, que supera Marília pela primeira vez e assume a terceira posição no ranking paulista.

    Laranja e cana recuam na safra 2024/25

    Os números consolidados da safra 2024/25 mostram dificuldades para a citricultura e a cana-de-açúcar. A produção de laranja fechou em 268,7 milhões de caixas, alta de 2,8% na produtividade (30.965 kg/ha), mas com redução de 9,5% da área cultivada. O recuo está ligado ao avanço do greening, doença que ameaça pomares em todo o mundo, e às variações climáticas registradas durante o ciclo.

    Já a cana-de-açúcar destinada à indústria fechou o período com 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% ante a safra anterior. A área total recuou 4,8%, para 5,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade, de 78.057 kg/ha, cresceu levemente 0,5%. As regionais de São José do Rio Preto (8,2%), Barretos (7,2%) e Ribeirão Preto (6,8%) concentram 22,2% da produção estadual.

    Como o levantamento foi realizado

    O levantamento do IEA-APTA contou com a participação das Casas de Agricultura dos 645 municípios paulistas, entre novembro e dezembro de 2025. O estudo reúne as culturas de maior relevância econômica e avalia o comportamento da área plantada, produtividade e volume produzido. O instituto divulga cinco relatórios anuais com previsões e estimativas sobre a agricultura paulista.

  • Criado pela ciência paulista, feijão carioca completa 60 anos

    Criado pela ciência paulista, feijão carioca completa 60 anos

    O feijão carioca, presença diária no prato de milhões de brasileiros, completa em 2026 seis décadas desde o início de seu desenvolvimento científico pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O grão nasceu de uma observação casual em campo, evoluiu nas mãos da ciência pública e transformou definitivamente a cultura do feijão no Brasil.

    engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI. Foto: Arquivo Cati

    A história começa no início dos anos 1960, em Ibirarema, no Oeste Paulista. O engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI, identificou plantas com grãos diferentes em uma lavoura de feijão chumbinho, variedade tradicional à época. Os grãos apresentavam padrão rajado, com manchas marrons e pretas sobre fundo claro.

    Antunes separou o material e iniciou uma seleção, apostando tratar-se de uma mutação genética natural. O desempenho das plantas surpreendeu os técnicos. Elas demonstravam maior vigor, produtividade elevada, menor suscetibilidade a doenças e excelente qualidade culinária, com cozimento rápido, caldo consistente e sabor marcante.

    1966: quando 30 quilos de sementes chegaram ao IAC

    O marco histórico que completa 60 anos aconteceu oficialmente em 1º de agosto de 1966. Nesta data, a CATI enviou ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, um lote de 30 quilos de sementes. O pesquisador Shiro Miyasaka recebeu o material e o catalogou como I-38700, incorporando-o à coleção de germoplasma do Instituto.

    A partir deste momento, a curiosidade de campo ganhou status de objeto científico. Os pesquisadores Luiz D’Artagnan de Almeida, Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho conduziram as avaliações agronômicas que fundamentariam o futuro lançamento da cultivar.

    Os primeiros resultados confirmaram o potencial excepcional do novo feijão. Ensaios regionais realizados entre 1967 e 1969 registraram produtividade média de 1.670 quilos por hectare, superando variedades tradicionais como bico-de-ouro e rosinha, que produziam cerca de 1.280 quilos por hectare. O grão também apresentava resistência às principais doenças, boa adaptação aos solos paulistas e alta aceitação após o preparo.

    O apelido que veio dos porcos

    O Instituto lançou oficialmente o feijão em 1969 com o nome “carioca”, denominação que gerou confusão por décadas. Ao contrário do que muitos imaginam, o nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro.

    A origem é simples e rural: um trabalhador da fazenda de Antunes comparou o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados. A CATI registrou oficialmente a origem do nome apenas no ano 2000, em publicação comemorativa.

    Campanha de divulgação venceu a resistência inicial

    Os consumidores não aceitaram o feijão carioca imediatamente. Acostumados a grãos de coloração uniforme, viam com desconfiança o aspecto “manchadinho” do novo produto. Pesquisadores do IAC e técnicos da CATI protagonizaram então uma das campanhas de difusão científica e tecnológica mais bem-sucedidas da agricultura brasileira.

    Campanhas de esclarecimento, palestras técnicas, distribuição de sementes, campos de demonstração, materiais educativos e receitas culinárias ajudaram a romper o preconceito estético. A estratégia conquistou produtores e consumidores em poucos anos.

    O feijão carioca espalhou-se pelas lavouras paulistas e, na década seguinte, alcançou praticamente todo o território nacional. Em 1976, menos de uma década após seu lançamento, já era a variedade mais cultivada e comercializada no Estado de São Paulo, tornando-se referência nacional e base para a modernização da cultura do feijão.

    O legado de Luiz D’Artagnan de Almeida

    Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o “pai do carioquinha” e falecido no início de 2026, deixou um legado que ultrapassa a criação de uma cultivar. Seu trabalho estruturou o programa de melhoramento genético do feijão no Brasil, inaugurando uma nova fase da cultura, com ganhos contínuos de produtividade, qualidade e adaptação aos sistemas modernos de produção.

    Engenheiro-agrônomo Luiz D’Artagnan de Almeida. Foto: Arquivo Cati

    Ao longo das últimas seis décadas, o feijão carioca evoluiu continuamente. O Brasil já desenvolveu mais de uma dezena de gerações do material original, com melhorias em porte, precocidade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade culinária. Mais de 60 variedades do tipo carioca surgiram a partir do material original, tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive em programas internacionais de melhoramento.

    IAC mantém programa permanente de pesquisa

    Sessenta anos após o início do desenvolvimento do feijão carioca, São Paulo mantém em operação um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, conduzido pelo Instituto Agronômico (IAC), referência nacional desde 1932.

    O programa cria cultivares produtivas, resistentes a doenças como a antracnose, com grãos claros, rápido cozimento e menor dependência de agroquímicos. As cultivares apresentam maior teor de proteína e ciclos mais precoces, o que representa menor tempo no campo – aspecto que favorece o plantio frente ao estresse climático e biológico.

    Atualmente, cultivares de feijão desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de 13 estados brasileiros. Estudos do Instituto indicam que os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país, com destaque para o tipo carioca, que responde pela maior parte das áreas multiplicadas e licenciadas. O carioca representa aproximadamente 66% das sementes autorizadas, refletindo o padrão de consumo nacional. O feijão preto responde por outros 14%.

    Ciência pública alimenta milhões de brasileiros

    Embora não predomine em todas as regiões – o feijão preto lidera no Sul e o mulatinho no Nordeste -, o carioca tornou-se o principal feijão do mercado interno brasileiro, desempenhando papel central na segurança alimentar do país.

    Rico em proteínas, fibras e minerais, serve como base da alimentação cotidiana, matéria-prima da indústria e aliado das dietas contemporâneas, incluindo vegetarianas e veganas. Mais do que um alimento, representa uma cadeia produtiva estratégica, geradora de renda, emprego e desenvolvimento tecnológico.

    Queda no consumo preocupa pesquisadores

    Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano. O índice caiu continuamente até atingir em 2024 o menor registro da série histórica.

    Mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população explicam a queda, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa.

    “A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC.

    Diversificação e sustentabilidade como resposta

    Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. “Nosso foco é gerar diversidade, com feijões vermelhos, brancos, rajados e materiais voltados ao mercado externo, permitindo alternativas de comercialização e reduzindo a dependência exclusiva do carioca”, explica Chiorato.

    Além da diversificação, os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.

    Segundo Carbonell, a pesquisa também busca reforçar o papel nutricional do grão. “O feijão é uma das proteínas vegetais mais completas e acessíveis. Mostrar sua qualidade, segurança e versatilidade é fundamental para estimular o consumo e enfrentar um problema que já se reflete em saúde pública”, ressalta.

    Sessenta anos após o início de seu desenvolvimento científico, o feijão carioca segue como prova concreta de que o investimento contínuo em pesquisa pública transforma a realidade do campo e da mesa. O grão que acompanha o arroz de milhões de brasileiros nasceu da observação, da persistência e da ciência paulista – um legado que atravessa gerações.

  • Como 400 produtores rurais cultivam alimentos orgânicos em SP

    Como 400 produtores rurais cultivam alimentos orgânicos em SP

    São Paulo esconde entre suas avenidas e edifícios uma vocação agrícola pouco conhecida. No extremo sul da capital, o bairro de Parelheiros mantém uma produção rural ativa que desafia o conceito de metrópole puramente urbana.

    A região abriga aproximadamente 400 produtores que cultivam principalmente frutas e hortaliças, segundo dados da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo. O bairro preserva cerca de 20 quilômetros de estradas rurais e desenvolve uma agricultura sustentável que conecta produtores e consumidores dentro da própria cidade.

    Agricultura familiar prospera a 32 km do centro

    Yumi Murakami nasceu e cresceu em Parelheiros. A produtora de frutas orgânicas dá continuidade ao trabalho iniciado pelo pai e celebra a conquista de manter uma produção familiar na maior metrópole do país.

    “A produção familiar dentro da cidade de São Paulo representa uma vitória. Temos o privilégio de plantar em nossa terra a apenas 32 km do centro, com água limpa e mata preservada ao redor”, afirma Yumi.

    O cultivo começou com bananas e evoluiu ao longo dos anos. Hoje, a propriedade conta com mais de 15 certificações orgânicas, resultado do trabalho sustentável da família.

    Demanda por orgânicos cresce nas feiras da capital

    Yumi participa das feiras livres orgânicas da capital paulista e acompanha o crescimento constante na procura por seus produtos. Os consumidores buscam cada vez mais alimentos voltados à saúde e reconhecem a diferença no sabor e na qualidade das frutas cultivadas naturalmente.

    Yumi Murakami e sua família de produtores agrícolas. Foto: Sec. Agricultura SP

    “Os clientes percebem a diferença e valorizam produtos cultivados com respeito ao meio ambiente e à tradição da agricultura familiar”, destaca a produtora.

    Produção abastece restaurantes e projetos sociais

    Roseilda Lima Duarte, do Sítio Bebedouro Agricultura Orgânica, cultiva hortaliças e frutas com uma atuação que ultrapassa a comercialização. A produtora abastece restaurantes, consumidores locais e destina parte da produção a projetos sociais e iniciativas de educação ambiental.

    Com apoio da Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas), Roseilda escoa os alimentos para restaurantes e institutos voltados à produção orgânica, como Baru, Feira Livre e Chão.

    O sítio também recebe escolas e visitantes interessados em turismo pedagógico. Ao final de cada visita, todos levam uma sacola com produtos frescos da propriedade.

    Proximidade com consumidor final diferencia produção urbana

    A localização de Parelheiros facilita a logística de distribuição e aproxima produtores dos consumidores finais. Muitos clientes moram no próprio bairro ou em regiões próximas, o que reduz o tempo entre colheita e consumo.

    Produtor Luciano Santos em sua propriedade agrícola. Foto: Sec. Agricultura SP

    Luciano Santos, engenheiro agrônomo e produtor de plantas ornamentais, destaca o perfil diferenciado do consumidor urbano. “Nossos principais compradores são varejistas, paisagistas e viveiros da região. A proximidade com o cliente final representa um dos nossos principais diferenciais”, explica o produtor.

    CATI oferece assistência técnica integral

    A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) presta extensão rural aos agricultores urbanos com os mesmos critérios aplicados ao campo. Lucas Volpato, especialista agropecuário da CATI em São Paulo, observa que o perfil do produtor nas áreas urbanas se assemelha ao do produtor rural, mas com uma característica marcante.

    “O produtor urbano tem a questão agroecológica mais enraizada. Ele já produz dessa maneira, já pensa assim. É um agricultor mais focado em mudanças climáticas e questões agroecológicas”, afirma Lucas.

    Fiscalização segue mesmos padrões da zona rural

    A fiscalização e os aspectos legais das produções em áreas urbanas seguem os mesmos critérios do campo. O ponto crucial consiste em verificar se o plantio está em conformidade com as regulamentações municipais.

    “Não há restrições para o plantio em zonas urbanas, exceto para culturas mais restritivas, como a laranja. Em geral, a produção deve apenas respeitar a legislação vigente na cidade de São Paulo”, explica Lucas Volpato.

    A Defesa Agropecuária fiscaliza as áreas cultivadas na capital com os mesmos critérios aplicados às regiões rurais. Para culturas com legislação específica, como banana ou citros, os técnicos aplicam os protocolos correspondentes.

    Durante as vistorias, os fiscais verificam a presença e o uso correto de agrotóxicos, as condições de armazenamento, o uso de equipamentos de proteção individual, as receitas agronômicas e os comprovantes de devolução das embalagens vazias. A equipe também avalia o estado de conservação do solo, conforme procedimentos técnicos definidos para cada situação.

  • Começou a safra da atemoia no Brasil

    Começou a safra da atemoia no Brasil

    A atemoia, fruta híbrida resultante do cruzamento entre a cherimoia e a fruta-do-conde, está em plena safra e ganhando cada vez mais espaço no mercado nacional. Com seu formato de coração, polpa cremosa e sabor equilibrado entre doce e cítrico, a fruta se destaca tanto para consumo in natura quanto para preparações como sucos, sorvetes e sobremesas.

    Originária dos Estados Unidos em 1908, a atemoia chegou ao Brasil na década de 1950, inicialmente cultivada em São Bento do Sapucaí e Caçapava (SP). Hoje, o país se consolida como um dos principais produtores mundiais, com São Paulo e Minas Gerais respondendo por mais de 90% da produção nacional, segundo dados do IBGE (2017).

    Além do sabor agradável, a atemoia é rica em fibras, vitaminas do complexo B e antioxidantes, contribuindo para a digestão e o fortalecimento do sistema imunológico. A Cooperativa Agroindustrial APCC, de Pilar do Sul (SP), revela que 60% da produção é exportada. Mas a demanda interna vem crescendo, podendo inverter essa proporção nos próximos anos.

    Desafios no cultivo: o combate à antracnose

    Apesar do sucesso, os produtores enfrentam um grande desafio: a antracnose, doença causada pelo fungo Colletotrichum theobromicola, que ataca ramos e frutos, reduzindo a produtividade. O problema foi identificado há oito anos em Caçapava (SP). E desde então, CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Instituto Biológico trabalham em conjunto com agricultores para desenvolver estratégias de controle.

    Uma das soluções em teste é o uso de bioinsumos, como bactérias do gênero Bacillus, que podem reduzir a dependência de defensivos químicos. “A combinação balanceada entre produtos biológicos e químicos é a melhor estratégia para o manejo sustentável da doença”, explica Ricardo Harakava, pesquisador do Instituto Biológico.

    Atemoia TEC: tecnologia e cooperação no campo

    Com o objetivo de compartilhar conhecimento e soluções, a equipe organizadora criou o Atemoia TEC, evento anual que reúne produtores, pesquisadores e consultores. A última edição, em março de 2025, em Capão Bonito (SP), atraiu mais de 250 participantes de 28 cidades. Incluindo representantes de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. A próxima edição será em Holambra II (SP), em 2026.

    Com colheita até outubro, a atemoia segue como uma aposta promissora para a fruticultura brasileira, unindo sabor, nutrição e oportunidades de negócio.

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  • Palmito pupunha: produção de palmeira amazônica no interior paulista

    Palmito pupunha: produção de palmeira amazônica no interior paulista

    Em Pires de Cima, bairro rural de colonização alemã em Limeira (SP), os irmãos Douglas e Cassiana Carradas estão escrevendo um novo capítulo na história de sua propriedade familiar centenária. Há três anos, eles decidiram investir na produção sustentável de palmito pupunha, uma cultura incomum na região, com apoio técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    O Sítio Carradas, antes dedicado ao cultivo convencional de grãos, hoje divide espaço com uma plantação de pupunheiras (Bactris gasipaes), palmeira originária da Amazônia. A transição para o Protocolo de Agroecologia — sistema que prioriza práticas sustentáveis e equilíbrio ambiental — contou com orientação da engenheira agrônoma Carla de Meo, da Casa da Agricultura de Limeira.

    Cultura, que não é típica da região, foi implantada com sucesso na propriedade da família, com acompanhamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) por meio de sua Regional local.

    “Queríamos algo alinhado à preservação ambiental. O palmito pupunha surgiu como alternativa viável e rentável”, explica Cassiana Carradas. A escolha não foi ao acaso: a espécie permite colheita contínua por até 10 anos, sem necessidade de replantio, graças ao perfilhamento (brotos laterais), e substitui a extração predatória de palmitos nativos.

    Apoio técnico e investimento

    O projeto exigiu planejamento detalhado. “Estudamos mercado, custos e adaptações, como irrigação por gotejamento, crucial para o desenvolvimento das mudas trazidas do Vale do Ribeira”, relata Carla. A família acessou recursos do Feap Mulher, linha de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, para perfuração de poço, garantindo água para a produção.

    Inicialmente voltada à indústria, a produção migrou para vendas diretas. “O retorno foi surpreendente. Comercializamos em feiras, para restaurantes e clientes finais, com preços que variam conforme o corte — o ‘coração’ do palmito é o mais valorizado”, destaca Douglas.

    A produção dos irmãos Carradas é comercializada em feiras da região e, diretamente, para restaurantes e consumidores.

    A qualidade do produto, colhido no ponto ideal para garantir maciez, conquistou chefs e consumidores. Cada planta rende até 3 kg de palmito, processado artesanalmente no sítio — do cozimento em panela de pressão ao acondicionamento em vidros esterilizados.

    Sustentabilidade que alimenta o futuro

    Além da rentabilidade, os irmãos enxergam na pupunha um legado ambiental. “É uma cultura perene que protege o solo e evita desmatamento”, ressalta Carla. A propriedade serve agora como modelo para outros produtores interessados em transição agroecológica.

    Para os Carradas, o sucesso vai além dos números. “Estamos honrando a história dessa terra, que pertence à família há gerações, mas com olho no futuro”, finaliza Cassiana.

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  • Nota Fiscal Eletrônica se torna obrigatória para produtores rurais

    Nota Fiscal Eletrônica se torna obrigatória para produtores rurais

    A partir de 2025, a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) se tornará obrigatória para todos os produtores rurais no Brasil, substituindo as tradicionais notas fiscais emitidas em papel. Essa mudança visa aumentar a transparência, segurança e controle nas operações do setor agropecuário.

    A NF-e, que existe apenas em formato digital, permite o registro eletrônico das transações e o recolhimento de eventuais taxas. Para emitir a NF-e, os produtores rurais precisarão utilizar seu CPF e a inscrição estadual. A obrigatoriedade será implementada gradualmente: a partir de 3 de fevereiro de 2025, os produtores que obtiverem receita bruta superior a R$ 360.000,00 em 2023 ou 2024 deverão emitir a NF-e. Para os demais produtores, essa exigência começará em 5 de janeiro de 2026. É importante ressaltar que a emissão da NF-e será obrigatória para todas as operações interestaduais, independentemente do faturamento.

    Um ajuste do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), realizado por meio do Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-Fiscais (Sinief), estabelece essas novas diretrizes. Com essa mudança, o uso da Nota Fiscal modelo 4 será proibido.

    Apoio aos produtores

    Marcia Moraes, assessora em Organizações Rurais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), destacou a importância de conhecer os instrumentos disponíveis pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo para facilitar a emissão da NF-e. A CATI tem promovido diversas iniciativas para ajudar os produtores a se adaptarem às novas regras, incluindo palestras sobre o aplicativo Nota Fiscal Fácil.

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    A emissão correta da nota fiscal é fundamental para comprovar a atividade agropecuária e garantir o acesso a benefícios e direitos. Entre as vantagens dessa formalização estão o enquadramento como produtor rural para acesso a crédito rural, participação em programas de políticas públicas de compras governamentais e, futuramente, acesso à aposentadoria especial.

    Aplicativo Nota Fiscal Fácil

    O aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF) está disponível para download e visa simplificar o processo de emissão de documentos fiscais eletrônicos (DF-e) pelos contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). A ferramenta é gratuita e permite que os produtores rurais emitam documentos fiscais por meio de dispositivos móveis, sem necessidade de certificado digital.

    Lejandre Meneses, auditor fiscal da Receita Estadual, ressaltou que o NFF oferece benefícios diretos aos produtores. Isso vai simplificar suas obrigações fiscais e proporcionar mais autonomia na emissão das notas fiscais. “Com o NFF, o produtor ganha praticidade, podendo emitir documentos de forma rápida e acessível. O sistema reduz custos, elimina burocracias e proporciona segurança jurídica nas operações”, afirmou Meneses.

    A implementação da Nota Fiscal Eletrônica representa um avanço significativo na modernização das práticas fiscais no agronegócio brasileiro. Com o apoio das ferramentas digitais disponíveis e as orientações das autoridades competentes, os produtores rurais estarão mais bem preparados para enfrentar as novas exigências legais. Aproveitando desta forma os benefícios associados à formalização de suas atividades.