O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a tabela de preços mínimos para os produtos da sociobiodiversidade na safra 2026. A medida garante valores de referência para extrativistas, cooperativas e comunidades tradicionais, oferecendo proteção contra a instabilidade do mercado e sustentando o planejamento da produção.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lidera a análise técnica de mercado para propor esses valores, que integram o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade e do Extrativismo (Sociobio Mais). Os preços servem como base oficial para instrumentos de apoio à renda e evitam perdas quando as cotações ficam abaixo de um patamar justo.
Confira os principais preços mínimos para a safra 2026:
Castanha-do-Brasil com casca: R$ 7,58/kg
Castanha-do-Brasil sem casca: R$ 21,44/kg
Borracha beneficiada (CVP): R$ 9,55/kg
Amêndoa de babaçu: R$ 3,43/kg
Pequi em amêndoa: R$ 13,74/kg
A atualização anual desses parâmetros consolida operações mais estáveis para a política agrícola e reforça o desenvolvimento das cadeias produtivas. Preços previsíveis ajudam as comunidades a organizar a colheita, investir no beneficiamento dos produtos e manter a renda familiar, promovendo a conservação da floresta em pé.
As regras definem valores para outros produtos extrativistas, fortalecendo atividades econômicas sustentáveis que dependem da sociobiodiversidade brasileira.
Rio Branco recebe de 28 de setembro a 2 de outubro a terceira edição do Exporta Mais Amazônia. O programa da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) conecta empresas brasileiras a compradores internacionais em rodadas de negócios focadas em produtos sustentáveis.
A edição 2025 marca a maior expansão do programa desde 2023. Mais de 60 empresas da região Norte encontram 22 compradores estrangeiros de cinco continentes. Os importadores chegam ao Brasil interessados em produtos amazônicos sustentáveis.
Programa já movimentou R$ 85 milhões em negócios
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destaca o papel estratégico da iniciativa. “Criamos esse programa para reforçar o protagonismo da região amazônica na promoção de negócios sustentáveis”, afirma. “Demonstramos que é possível gerar oportunidades de exportação que impulsionam cadeias produtivas compatíveis com a floresta.”
O Exporta Mais Amazônia comprova seu impacto significativo. Duas edições anteriores movimentaram mais de R$ 85 milhões em negócios. A primeira edição (2023) reuniu 35 empresas nortistas e importadores de 15 países no Acre. A segunda (2024) aconteceu em Belém com 33 empresas participantes e 15 compradores de 12 países, totalizando 231 reuniões de negócios.
Empresas oferecem produtos florestais autênticos
As empresas participantes apresentam açaí e frutas processadas, castanha-do-brasil, café robusta, artesanato, carnes suína e bovina, além de farinha de mandioca. Todos os produtos seguem práticas compatíveis com a floresta e beneficiam centenas de famílias extrativistas, agricultores e artesãos regionais.
Os 22 compradores representam China, Bulgária, Indonésia, Irlanda, Holanda, Reino Unido, Rússia, Suíça, Colômbia, África do Sul, Peru, Chile, Japão, Índia e Moçambique. Os escritórios internacionais da ApexBrasil selecionaram e convidaram esses importadores.
Experiência imersiva aproxima compradores da realidade amazônica
Pedro Netto, representante do Escritório Regional Norte da ApexBrasil, explica a estratégia diferenciada. “Aproximamos compradores internacionais da realidade amazônica”, afirma. “Mostramos que os produtos da região carregam muito mais do que qualidade: eles representam modos de vida compatíveis com a floresta.”
Os compradores participam de visitas a indústrias alimentícias locais e comunidades extrativistas. A experiência imersiva reforça o caráter sustentável e cultural da iniciativa.
Rodadas de negócios acontecem no Sebrae Acre
Igor Celeste, gerente Regional da ApexBrasil, destaca o momento principal do evento. “As rodadas de negócios representam uma grande oportunidade para que empresas brasileiras apresentem seus produtos, negociem preços e contem suas histórias”, explica. O contato direto facilita a concretização de negócios e fortalece relações de confiança.
As rodadas acontecem nos dias 30 de setembro e 1º de outubro no auditório do Sebrae Acre. No dia 29 de setembro, o evento Diálogos reúne autoridades e especialistas para discutir oportunidades e desafios do comércio internacional.
Empresas locais se preparam para exportar
A Fruit Life, empresa de Rio Branco especializada em polpas de açaí, exemplifica o sucesso do programa. Fundada em 2020, a empresa participou do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) entre 2024 e 2025.
“Nos sentimos prontos para a exportação após a qualificação oferecida pela Apex”, afirma Patrícia Coelho Galdino, sócia da empresa. “Nossa expectativa é apresentar os produtos, formalizar propostas e caminhar para efetivar as exportações com foco inicial no mercado latino-americano.”
Biojoias amazônicas conquistam mercado italiano
A Seiva Amazon Design, de Ananindeua (PA), transforma borracha amazônica nativa em biojoias sustentáveis. Lídia Abrahim, artesã e empreendedora, lidera a empresa em parceria com 40 mulheres de comunidades ribeirinhas.
Lídia Abrahim e artesãs da Seiva Amazon Design. Foto: João Albuquerque
“Nosso primeiro cliente de exportação foi conquistado através da rodada de negócios de artesanato em Mato Grosso do Sul”, conta Lídia. A empresa atualmente produz pedidos para um cliente italiano com envio previsto para outubro.
A participação no programa elevou o padrão de produção e fortaleceu a rede de artesãs envolvidas. Para esta edição, Lídia prevê boas oportunidades no mercado europeu. “Essa clientela entende bem nosso produto e a questão sustentável, além de se identificar com o design das peças”, ressalta.
A safra 2024-2025 da castanha-do-Pará, também conhecida como castanha-da-amazônia ou castanha-do-brasil, enfrenta uma forte queda devido a condições climáticas extremas. Especialmente uma seca severa agravada pelo fenômeno El Niño, que afetou os principais estados produtores da região Norte do Brasil. Segundo a Embrapa, a baixa umidade do solo, alta radiação solar e temperaturas elevadas comprometeram a floração e a formação dos frutos das castanheiras. Resultando em uma quebra significativa da produção.
A estimativa preliminar aponta para a pior safra já registrada na história recente, superando o declínio de 70% ocorrido no biênio 2016-2017, também causado por eventos climáticos extremos. A seca prolongada afetou diretamente a fisiologia das castanheiras e a atividade das abelhas polinizadoras, essenciais para a frutificação da oleaginosa. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou que 70% dos municípios da Amazônia sofreram com estiagem em 2024, agravando o cenário para os extrativistas.
O impacto imediato da crise foi sentido no mercado, onde os preços da castanha dispararam. Chegaram a alcançar em março de 2025 o recorde de R$ 220,00 por lata de 20 quilos. Um aumento de 266% em relação ao preço usual de R$ 60,00. Apesar da alta, especialistas alertam para o risco de retração das compras por parte da indústria, como ocorreu na última grande quebra de safra em 2017. Nesse período, o aumento dos preços levou à redução da demanda e prejuízos para os produtores.
Próxima safra
Pesquisadores da Embrapa indicam que a próxima safra (2025-2026) pode registrar uma recuperação e até mesmo uma superprodução. Um fenômeno conhecido como “efeito compensatório” das castanheiras, que tendem a frutificar mais intensamente após anos de baixa produtividade. Esse aumento também pode ser favorecido pelo fenômeno climático La Niña, que traz condições mais úmidas à região amazônica.
No entanto, o setor enfrenta desafios estruturais, como a necessidade urgente de manejo adequado e renovação dos castanhais, já que muitas árvores mais velhas estão morrendo, o que pode comprometer a sustentabilidade da produção a médio e longo prazo. A adoção de medidas de adaptação climática e investimentos em pesquisa e tecnologia são fundamentais para garantir a qualidade e a continuidade da cadeia produtiva da castanha-do-Pará.
Desenvolvimento sustentável
A castanha-do-Pará é um produto estratégico da bioeconomia amazônica. Sendo importante para a geração de renda de milhares de famílias extrativistas e para o desenvolvimento sustentável da região Norte. O Pará é o maior produtor nacional, com cerca de 9.390 toneladas produzidas em 2023. Isso conforme dados do IBGE, concentrando a maior parte da produção brasileira.
A crise atual evidencia a vulnerabilidade do setor diante das mudanças climáticas e reforça a necessidade de políticas públicas e investimentos que promovam a resiliência dos sistemas produtivos da Amazônia.
A castanha, fruto da imponente árvore Bertholletia excelsa Bonpl., é um dos símbolos da sociobiodiversidade da Amazônia. Conhecida por diversos nomes – castanha-do-pará, castanha-do-brasil, castanha-da-amazônia –, a discussão sobre qual denominação é a mais adequada ganhou destaque em 2025, após uma polêmica envolvendo o ator manauara Adanilo no programa É de Casa, da Rede Globo.
Durante a preparação de uma tapioca caboquinha, prato típico amazonense, Adanilo referiu-se ao ingrediente como “castanha-da-amazônia”, gerando uma intervenção da apresentadora Talitha Morete, que destacou o uso do termo “castanha-do-pará” no Sudeste. O debate se estendeu às redes sociais, ganhando ainda mais força com a defesa do nome “castanha-do-pará” pela ex-BBB paraense Alane Dias.
Nomes populares versus nomenclatura oficial
A diversidade de nomes reflete aspectos históricos, culturais e identitários das regiões onde o fruto é consumido. No entanto, no âmbito comercial, a denominação mais utilizada é “castanha-do-brasil”, estabelecida pelo Decreto Federal nº 51.209, de 1961, que regulamenta a classificação e fiscalização da exportação do produto.
Historicamente, o termo “castanha-do-pará” surgiu no período colonial, quando a antiga província do Grão-Pará era o principal centro de exportação do fruto. Já o nome “castanha-do-brasil” foi adotado oficialmente na década de 1960, visando padronizar a nomenclatura para fins técnico-científicos. E também alinhar o produto à terminologia internacional, onde é conhecido como Brazil nut.
Identidade regional e inclusão
A ampla distribuição da castanheira pela Amazônia brasileira e outros países sul-americanos tem motivado a busca por uma denominação mais abrangente. O termo “castanha-da-amazônia” tem sido defendido por cientistas e produtores locais por refletir melhor a origem e a importância do produto para a região. A pesquisadora Patricia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente, ressalta que a espécie ocorre em diversos estados da Amazônia brasileira e em países como Bolívia, Peru e Colômbia. “O Amazonas é o maior produtor no Brasil, mas a Bolívia superou o país como maior exportador de amêndoas desde 1998/1999”, afirma.
A pesquisadora Kátia Emídio, da Embrapa Amazônia Ocidental, reforça que o nome “castanha-da-amazônia” representa melhor a ocorrência ampla do fruto na região. No entanto, a força do nome “castanha-do-brasil” no mercado internacional tem dificultado a adoção de uma nova nomenclatura.
A Assembleia Legislativa do Amazonas recebeu o Projeto de Lei nº 913/2024, proposto pelo deputado Sinésio Campos (PT), que visa adotar a denominação “castanha-da-amazônia” para produtos e derivados no estado. A medida busca valorizar a produção local e fortalecer a identidade amazônica.
Além disso, o projeto NewCast, liderado pela Embrapa, está revisando as normativas relacionadas à nomenclatura e aos padrões de qualidade do fruto. A pesquisadora Lúcia Wadt, da Embrapa Rondônia, explica que, embora haja um sentimento de inclusão em torno do nome “castanha-da-amazônia”, o termo “castanha-do-brasil” permanece consolidado internacionalmente. “Há um receio de que a mudança gere confusão entre os consumidores globais”, afirma.
A importância para a Amazônia e o mundo
A história da amêndoa da Amazônia é marcada por uma rica interação entre aspectos culturais, históricos e comerciais. Independentemente da nomenclatura, o fruto é fundamental para a sociobioeconomia, a cultura e a biodiversidade da região. Projetos como o NewCast, que busca fortalecer a cadeia produtiva e promover o desenvolvimento sustentável, destacam a relevância não apenas para a Amazônia, mas para o mundo.
Para mais informações sobre a história e a nomenclatura do fruto, confira o livro da Embrapa: Castanha da Amazônia.
A castanha-do-Pará, também conhecida como castanha-do-Brasil, destaca-se entre os principais produtos do agroextrativismo no país, sustentando uma cadeia produtiva que envolve milhares de famílias. Este setor movimenta, no mínimo, R$ 130 milhões por ano, de acordo com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A extração e comercialização são fundamentais para a economia de diversas comunidades na região amazônica. O cultivo sustentável da castanha não só proporciona renda, mas também promove a preservação ambiental, pois incentiva a manutenção das florestas nativas.
Benefícios para a Saúde
Além do seu impacto econômico, a castanha-do-Pará é conhecida por seus inúmeros benefícios para a saúde. Rica em selênio, um poderoso antioxidante, ela contribui para a manutenção da função cerebral e a prevenção de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer. Estudos indicam que o consumo regular de castanha-do-Pará melhora a memória e a função cognitiva.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de castanha-do-Pará. Grande parte da produção é destinada à exportação, com os principais mercados sendo Estados Unidos, União Europeia e China. Segundo a Associação Brasileira de Exportadores de Castanhas e Derivados (ABNC), o volume exportado gera significativa receita, contribuindo para a balança comercial do país.
O setor de agroextrativismo da castanha-do-Brasil continua a crescer, com novas iniciativas voltadas para a certificação e a agregação de valor aos produtos derivados. O objetivo é garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva e melhorar a qualidade de vida das famílias envolvidas no processo.