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  • Castanha-da-amazônia: indígenas são remunerados por cuidar da floresta

    Castanha-da-amazônia: indígenas são remunerados por cuidar da floresta

    A castanha-da-amazônia produzida por povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, ganhou um diferencial inédito na safra 2025/2026: pela primeira vez, a produção recebeu pagamento por serviços ambientais (PSA). A remuneração adicional reconhece o papel das comunidades na conservação da floresta, na proteção da biodiversidade e na manutenção dos ecossistemas locais.

    Castanha da amazonia
    Foto: Joze Medeiros/Embrapa

    A iniciativa nasceu de uma parceria entre a empresa Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação Ltda. e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb). O acordo se desenvolveu dentro do projeto “Novas soluções tecnológicas e ferramentas para agregação de valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia” (NewCast), coordenado pela Embrapa.

    A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do NewCast, Patrícia da Costa, explica que o projeto desenvolve e articula soluções tecnológicas para agregar valor à cadeia produtiva da castanha. Segundo ela, a experiência mostra que a integração entre tecnologia, organização social e mecanismos de valorização econômica fortalece as organizações locais e reconhece os serviços ambientais prestados pelas comunidades que conservam a floresta.

    A União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) também apoiou as negociações com a empresa compradora. O que fortaleceu o diálogo comercial e a representação da cooperativa indígena no processo.

    Boas práticas elevam a qualidade e reduzem perdas na produção

    A adoção da tecnologia de Boas Práticas para produção de castanha-da-amazônia, desenvolvida pela Embrapa, contribuiu diretamente para a qualidade do produto comercializado. As orientações abrangem desde a coleta até o transporte, a lavagem, a seleção, a pré-secagem e o armazenamento das castanhas, o que reduz perdas e evita contaminações.

    O extrativista indígena Dalton Tupari destaca que essas práticas foram decisivas para a valorização da produção e para a negociação com a empresa compradora. Segundo ele, as recomendações orientam todo o processo, da coleta até a entrega. E agregam qualidade a um produto que já carrega a vantagem de estar associado à conservação da floresta.

    Na safra atual, a Coopirb comercializou cerca de sete toneladas de castanha-da-amazônia com pagamento adicional vinculado ao PSA. Para Tupari, o retorno econômico reforça a importância do trabalho das comunidades indígenas, que coletam e preservam a natureza e agora recebem valor diferenciado por isso. Uma prova de que conservar a floresta também gera renda para as famílias.

    Pesquisa, mercado e conhecimento tradicional se encontram na Amazônia

    A pesquisadora da Embrapa Rondônia Lúcia Wadt avalia que o resultado evidencia a importância de unir pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado. Ela lembra que a Embrapa apoia os povos Tupari e Aruá da Terra Indígena Rio Branco desde 2015 com a tecnologia de Boas Práticas, primeiro por meio do Pacto das Águas e, mais recentemente, do NewCast. Na safra 2025/2026, essas ações resultaram na valorização do produto pela qualidade e pelo serviço ambiental prestado pelas comunidades.

    Produtores são orientados quanto a cuidados desde a coleta até o transporte, lavagem, seleção, pré-secagem e armazenamento das castanhas. Foto: Lucia Wadt/Embrapa

    O contrato entre a Castanhas Ouro Verde e a Coopirb abrange comunidades indígenas de diferentes etnias em uma área de aproximadamente 236 mil hectares. Além do valor comercial da castanha, o acordo prevê pagamento adicional de 20% destinado à organização indígena, como reconhecimento pelos serviços ambientais prestados.

    A cooperativa gerencia os recursos de forma coletiva, com aplicação em ações comunitárias como infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhoria das condições de produção. Esse modelo mantém parte do valor gerado pela cadeia produtiva dentro dos territórios indígenas, beneficiando diretamente as famílias extrativistas.

    Cooperativismo amplia o acesso das comunidades ao mercado

    A experiência reforça o papel estratégico das cooperativas na organização da produção e na ampliação do acesso a mercados. A atuação coletiva da Coopirb permite reunir a produção das comunidades, padronizar procedimentos, fortalecer a gestão comercial e ampliar a capacidade de negociação.

    Os resultados demonstram a importância da integração entre pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado. Foto: Joze Medeiros/Embrapa

    A iniciativa também demonstra a relevância de compradores comprometidos com práticas sustentáveis e com a valorização da origem dos produtos florestais. Ao reconhecer a qualidade da castanha produzida com boas práticas e remunerar os serviços ambientais ligados à conservação, a Castanhas Ouro Verde ajuda a consolidar um modelo de comercialização que une atividade econômica, inclusão produtiva e conservação ambiental.

    NewCast projeta um novo horizonte para a cadeia da castanha

    O projeto NewCast articula soluções tecnológicas, organizacionais e comerciais para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. A experiência na Terra Indígena Rio Branco mostra que a combinação entre tecnologia, organização social, cooperativismo, mercado estruturado e pagamento por serviços ambientais pode ampliar a renda das comunidades. Além de reduzir perdas, melhorar a qualidade do produto e valorizar os territórios indígenas da Amazônia.

    Válido para a safra 2025/2026, o acordo entre a Castanhas Ouro Verde e a Coopirb representa um avanço concreto na construção de modelos de negócios sustentáveis para produtos da sociobiodiversidade. Mais do que comercializar castanha, a iniciativa reconhece o papel dos povos indígenas na conservação da floresta. E mostra que produzir com qualidade e preservar a Amazônia podem caminhar juntos.

  • Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    Um estudo recente conecta a riqueza da Amazônia com oportunidades no mercado internacional. Segundo ele, o Brasil explora apenas 1% do mercado global de produtos florestais sustentáveis

    O estudo identifica cinco produtos com maior potencial de expansão no mercado internacional: castanha-da-Amazônia, café, açaí, cacau e pescados. O manejo sustentável permite explorar esses itens, que se destacam pela importância econômica, ambiental e simbólica. Juntos, eles formam um retrato da nova economia da floresta, que alia tradição, inovação e conservação.

    Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destaca que a floresta pode gerar renda e oportunidades. “A Apex contribui com dados, estudos e estratégias para transformar produtos amazônicos em motores de uma nova economia. Que é sustentável do ponto de vista social, ambiental e econômico”, afirma.

    “O mundo movimenta cerca de US$ 300 bilhões em produtos compatíveis com a floresta. O Brasil, que tem a maior floresta tropical do planeta, participa com apenas 1% desse total. Isso mostra o tamanho da oportunidade que temos”, explica Viana.

    O presidente da ApexBrasil calcula que o país pode expandir significativamente sua presença no mercado. “Se conseguirmos ampliar a participação dos nossos produtos da biosocioeconomia e da floresta, podemos transformar a realidade da Amazônia. Em vez de movimentar cerca de US$ 300 milhões, poderíamos gerar mais de US$ 2 bilhões aqui na região”, acrescenta.

    Castanha-da-Amazônia enfrenta desafio de agregação de valor

    A castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) representa um dos produtos mais emblemáticos da Amazônia. Além de seu alto valor nutricional e econômico, a castanheira funciona como espécie-chave para a floresta. A árvore alimenta a fauna e sustenta modos de vida tradicionais há séculos.

    As castanheiras vivem mais de mil anos. A lei proíbe o corte dessas árvores — uma conquista histórica para a conservação. Jorge Viana alerta, porém, que “ainda falta uma política de incentivo ao plantio de castanheiras. A regeneração natural é lenta e precisamos garantir que essa cadeia continue viva.”

    O Brasil exporta cerca de US$ 20 milhões em castanha atualmente. O valor fica pequeno quando comparado à Bolívia, que ultrapassa US$ 100 milhões. Viana identifica o desafio: agregar valor, ampliar o beneficiamento local e fortalecer cooperativas. A Cooperacre serve como referência em industrialização sustentável do produto.

    Café amazônico combina produtividade com preservação

    O café entrou no Brasil pela Amazônia em 1727. Quase 300 anos depois, a região protagoniza uma nova fase com o café amazônico, que a Embrapa desenvolveu em Rondônia.

    A Embrapa adaptou essa variedade ao clima tropical. A alta produtividade representa uma oportunidade única para pequenos produtores e para a recuperação de áreas degradadas.

    “O café amazônico é um produto compatível com a floresta, que pode ser 50 a 100 vezes mais rentável que a pecuária. Ele simboliza uma nova economia amazônica, que gera renda sem destruir”, destaca Viana.

    Rondônia e Acre lideram o avanço desse café, com exportações superiores a US$ 130 milhões. O produto alia tecnologia, sustentabilidade e alto potencial no mercado de cafés especiais.

    Açaí evolui de alimento regional para superalimento global

    O açaí (Euterpe oleracea) evoluiu de alimento tradicional das populações ribeirinhas para o status de superalimento global. O fruto representa o exemplo mais bem-sucedido de um produto compatível com a floresta. A Amazônia toda cultiva açaí, e o fruto movimenta cadeias produtivas que envolvem milhares de famílias, sobretudo no Pará e no Amapá.

    Jorge Viana coloca o açaí como peça central na agenda climática: “Com a COP30 no Brasil, teremos recursos inéditos para restauração florestal e sistemas agroflorestais. O açaí precisa estar no centro dessas políticas.”

    Além de ativo econômico, o açaí desempenha papel estratégico na recuperação de áreas degradadas. O fruto consolida sistemas agroflorestais (SAFs), que combinam produção e conservação. O Brasil também avança em soluções tecnológicas e sanitárias para ampliar exportações e agregar valor.

    Cacau amazônico busca reconquistar mercado global

    A floresta amazônica originou o cacau (Theobroma cacao), uma das bases da biosocioeconomia brasileira. Embora a produção africana tenha transformado o fruto em seu símbolo — Costa do Marfim e Gana respondem por cerca de 70% da produção mundial —, a Amazônia guarda as raízes genéticas e culturais do cacau.

    Viana destaca uma distorção no mercado: apenas 6% a 7% do valor do chocolate global permanece com os produtores de cacau. Indústrias da Europa e dos Estados Unidos capturam a maior parte. “Isso precisa mudar. O produtor amazônico precisa receber melhor remuneração, e o Brasil tem que voltar a ocupar seu espaço como referência em cacau de origem”, defende.

    Após décadas de retração causada pela vassoura-de-bruxa, o setor vive um renascimento. O Brasil voltou a produzir centenas de milhares de toneladas. O país investe em tecnologias de cultivo a pleno sol, inovação que pode revolucionar o setor e ampliar a produção nacional.

    O cacau amazônico compõe sistemas agroflorestais junto com o açaí e a castanha. Esse tripé de sustentabilidade une recomposição florestal e geração de renda local. “O cacau está vivendo uma nova fase: é cultura, é economia e é inclusão social”, resume Viana.

    Piscicultura amazônica representa fronteira econômica inexplorada

    A Amazônia detém 12% da água doce do planeta e um dos maiores potenciais pesqueiros do mundo. Com 4 mil quilômetros de rios navegáveis e 25% da biodiversidade global, a região funciona como berço natural de espécies e alimentos sustentáveis.

    Jorge Viana defende que o Brasil transforme esse patrimônio em nova fronteira econômica sustentável: “Se temos 12% da água doce do planeta, precisamos manejar essa água para produzir proteína.”

    Espécies emblemáticas como pirarucu, tambaqui e tilápia sustentam a piscicultura amazônica. A atividade representa uma fonte estratégica de renda, alimentação e exportação, ainda pouco explorada.

    A ApexBrasil apoia o avanço dessa cadeia. A agência promove o pescado brasileiro em novos mercados e integra projetos-modelo de manejo sustentável, especialmente na Bacia dos Solimões. Comunidades extrativistas já lideram exemplos de sucesso na região.

    “A piscicultura pode se tornar o maior ativo econômico da Amazônia, unindo conservação da água, produção de proteína e geração de renda local”, conclui Viana.

    COP30 abre janela de oportunidade para biosocioeconomia

    O trabalho da ApexBrasil com esses produtos exemplifica a visão de uma biosocioeconomia de floresta em pé. Essa abordagem une saber tradicional, inovação tecnológica e acesso a mercados internacionais.

    Com a COP30 em Belém, o mundo volta seus olhos à Amazônia. O Brasil tem a oportunidade de mostrar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos. “A floresta pode ser nossa maior fonte de riqueza e de equilíbrio climático. Cabe a nós transformar esse potencial em realidade”, finaliza Jorge Viana.

  • AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    A Embrapa Meio Ambiente lançou o AgroTagMFE, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite mapear, registrar e monitorar em tempo real práticas sustentáveis de manejo florestal, com foco na castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade amazônica. A tecnologia integra o sistema AgroTag e oferece transparência para mercados nacionais e internacionais. Além de agregar valor à cadeia produtiva da castanha, um dos principais pilares da bioeconomia na região.

    Desenvolvido a partir do módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo), o AgroTagMFE atende projetos como “Manejo Florestal Extrativismo: criando referências para o desenvolvimento territorial na Amazônia” e “NewCast – Novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia”. O aplicativo conta com formulários específicos para espécies como açaí, andiroba, babaçu, bacuri, pau-mulato, pracaxi e, especialmente, a castanha-da-amazônia. Assim, possibilitando a coleta detalhada de dados espaciais e temporais das áreas manejadas.

    Segundo a pesquisadora Luciana Spinelli, o sistema registra informações com fotos, desenhos, coordenadas geográficas e dados sobre as etapas de pré-coleta, coleta e pós-coleta. Esses dados são sincronizados em uma plataforma online com mapas interativos (WebGIS). Isso permite gerar relatórios, cruzar informações com imagens de satélite e realizar análises robustas sobre a sustentabilidade das áreas extrativistas e as boas práticas adotadas.

    A rastreabilidade da castanha-da-amazônia é fundamental para garantir acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Especialmente após o Brasil perder espaço para a Bolívia na exportação do produto, devido a normas da União Europeia sobre aflatoxinas. Enquanto a Bolívia se adaptou rapidamente, o Brasil viu sua produção com casca ser exportada e processada no país vizinho.

    Cadeia produtiva

    Patricia Costa, também da Embrapa, destaca que cerca de 60 mil famílias amazônicas, entre indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, dependem da castanha para sua subsistência. A cadeia produtiva envolve mais de 100 organizações comunitárias e 60 empresas. Sendo, portanto, uma importante alternativa de renda e um vetor de conservação ambiental, ao valorizar a floresta em pé, evitar o desmatamento e contribuir para a regulação climática e o sequestro de carbono.

    Além de organizar dados, o AgroTagMFE oferece provas consistentes sobre a origem e qualidade do produto, promovendo ética, sustentabilidade e comércio justo. O sistema digital evita perdas de informações durante a coleta, enviando os dados diretamente a um servidor online. Outra inovação é a incorporação da espectroscopia de reflectância para análise físico-química das amostras de castanha. Essa técnica reduz custos e resíduos laboratoriais e fortalece a comprovação da origem e sanidade do produto, essencial para recuperar mercados externos.

    O sistema está em constante aprimoramento, com previsão de novas funcionalidades, como áreas de trabalho independentes para grupos parceiros e ampliação da rede de usuários, fortalecendo a colaboração entre instituições, comunidades locais e pesquisadores. A rastreabilidade é um caminho irreversível para os produtos da sociobiodiversidade. E gera confiança no mercado e mais renda para as comunidades extrativistas.

    O AgroTagMFE insere-se no contexto do fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, modelo de desenvolvimento que aposta no uso sustentável da biodiversidade como motor econômico e social. Com a castanha-da-amazônia como símbolo desse movimento, o Brasil busca recuperar seu protagonismo e transformar a floresta em uma aliada do progresso sustentável.

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  • Castanha-do-Pará: produção despenca e preços disparam

    Castanha-do-Pará: produção despenca e preços disparam

    A safra 2024-2025 da castanha-do-Pará, também conhecida como castanha-da-amazônia ou castanha-do-brasil, enfrenta uma forte queda devido a condições climáticas extremas. Especialmente uma seca severa agravada pelo fenômeno El Niño, que afetou os principais estados produtores da região Norte do Brasil. Segundo a Embrapa, a baixa umidade do solo, alta radiação solar e temperaturas elevadas comprometeram a floração e a formação dos frutos das castanheiras. Resultando em uma quebra significativa da produção.

    A estimativa preliminar aponta para a pior safra já registrada na história recente, superando o declínio de 70% ocorrido no biênio 2016-2017, também causado por eventos climáticos extremos. A seca prolongada afetou diretamente a fisiologia das castanheiras e a atividade das abelhas polinizadoras, essenciais para a frutificação da oleaginosa. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou que 70% dos municípios da Amazônia sofreram com estiagem em 2024, agravando o cenário para os extrativistas.

    O impacto imediato da crise foi sentido no mercado, onde os preços da castanha dispararam. Chegaram a alcançar em março de 2025 o recorde de R$ 220,00 por lata de 20 quilos. Um aumento de 266% em relação ao preço usual de R$ 60,00. Apesar da alta, especialistas alertam para o risco de retração das compras por parte da indústria, como ocorreu na última grande quebra de safra em 2017. Nesse período, o aumento dos preços levou à redução da demanda e prejuízos para os produtores.

    Próxima safra

    Pesquisadores da Embrapa indicam que a próxima safra (2025-2026) pode registrar uma recuperação e até mesmo uma superprodução. Um fenômeno conhecido como “efeito compensatório” das castanheiras, que tendem a frutificar mais intensamente após anos de baixa produtividade. Esse aumento também pode ser favorecido pelo fenômeno climático La Niña, que traz condições mais úmidas à região amazônica.

    No entanto, o setor enfrenta desafios estruturais, como a necessidade urgente de manejo adequado e renovação dos castanhais, já que muitas árvores mais velhas estão morrendo, o que pode comprometer a sustentabilidade da produção a médio e longo prazo. A adoção de medidas de adaptação climática e investimentos em pesquisa e tecnologia são fundamentais para garantir a qualidade e a continuidade da cadeia produtiva da castanha-do-Pará.

    Desenvolvimento sustentável

    A castanha-do-Pará é um produto estratégico da bioeconomia amazônica. Sendo importante para a geração de renda de milhares de famílias extrativistas e para o desenvolvimento sustentável da região Norte. O Pará é o maior produtor nacional, com cerca de 9.390 toneladas produzidas em 2023. Isso conforme dados do IBGE, concentrando a maior parte da produção brasileira.

    A crise atual evidencia a vulnerabilidade do setor diante das mudanças climáticas e reforça a necessidade de políticas públicas e investimentos que promovam a resiliência dos sistemas produtivos da Amazônia.

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  • IA identifica mais de 600 castanheiras nativas  na Amazônia

    IA identifica mais de 600 castanheiras nativas  na Amazônia

    O uso de inteligência artificial (IA) e drones vem revolucionando os inventários florestais na Amazônia. Em um sobrevoo de pouco mais de duas horas, a metodologia Netflora, desenvolvida pela Embrapa Acre, identificou 604 castanheiras-da-amazônia (Bertholletia excelsa) e mais de 14 mil outras árvores em uma área de 1.150 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas.

    Essa inovação representa um salto de eficiência em comparação aos métodos tradicionais, que exigem 73 dias de trabalho e uma equipe de cinco profissionais para cobrir a mesma área.

    O projeto, conduzido em fevereiro de 2025, integra o Projeto Geoflora, uma parceria da Embrapa Amazônia Ocidental com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema/AM), financiada pelo Fundo JBS pela Amazônia.

    Segundo o pesquisador Evandro Orfanó, da Embrapa Acre, o uso de IA no inventário florestal permite uma gestão mais sustentável dos castanhais nativos e de outras espécies, conectando o conhecimento científico aos sistemas tradicionais de uso da terra.

    Aplicativo facilita coleta e monitoramento de castanhais

    Os moradores da RDS do Uatumã terão acesso a um inventário digital por meio de um aplicativo de celular. A ferramenta disponibiliza planilhas, mapas dinâmicos e localização precisa das árvores, otimizando o trabalho dos extrativistas.

    “Será possível navegar na floresta como fazemos em cidades usando aplicativos de mapas, cada árvore mapeada terá um endereço único, representado por coordenadas geográficas”, explica Orfanó.

    Divulgação

    Além de melhorar a coleta, o sistema de georreferenciamento diminui o esforço físico, reduzindo as longas caminhadas dos extrativistas e contribuindo para a preservação dos recursos naturais.

    Netflora já mapeou mais de 70 mil hectares na Amazônia

    Tradicionalmente, uma equipe precisa de um dia inteiro para mapear cerca de 20 hectares. Com a metodologia Netflora, é possível mapear até 3.500 hectares por dia, produzindo informações detalhadas sobre a floresta a uma velocidade de 2 hectares por segundo.

    De acordo com Orfanó, essa inovação já mapeou mais de 70 mil hectares e permitiu a construção de um amplo banco de dados de imagens de espécies florestais, captadas por drones com câmeras RGB. Além disso, a tecnologia reduz em cerca de 90% os custos operacionais.

    Castanha-da-amazônia e a valorização do extrativismo sustentável

    A coleta da castanha-da-amazônia é fundamental para a economia das comunidades locais, integrando práticas de bioeconomia e sustentabilidade.

    A pesquisadora Kátia Emídio da Silva, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, coordena o projeto Otimização da Coleta Extrativista da Castanha-do-Brasil no Amazonas, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

    A inovação reduz cerca de 90% dos custos em relação a inventários florestais tradicionais. Ao mesmo tempo em que aumenta a precisão e a eficiência do monitoramento ambiental. Foto: Caio Alexandre Santos/Embrapa

    O projeto visa instalar cabos aéreos (semelhantes a tirolesas) para transportar castanhas em áreas de difícil acesso. Assim, diminuindo o esforço físico e prevenindo problemas de saúde entre os extrativistas.

    “Com o apoio do Netflora, conseguimos mapear as castanheiras e planejar melhor a instalação dos cabos. Ampliando as áreas de coleta e tornando a atividade menos exaustiva”, afirma Silva.

    Jovens e novas oportunidades para o extrativismo

    A introdução de novas tecnologias, como o Netflora e os cabos aéreos, também busca atrair jovens para o extrativismo, atividade que muitos evitam devido ao esforço físico exigido.

    Além da castanha, a varredura do Netflora identificou outras espécies de interesse comercial, como breu, baru e copaíba. Que agora também poderão ser manejadas de forma sustentável na RDS do Uatumã.

    castanheira
    Cerca de um ano após o seu lançamento, Netflora já mapeou mais de 70 mil hectares de florestas na Amazônia. Imagem: Evandro Orfano

    A ampliação do banco de dados do Netflora tem sido fundamental para o reconhecimento automático de espécies. Atualmente, os algoritmos processam dados de diversas regiões, conseguindo identificar padrões regionais e espécies semelhantes, mesmo em áreas nunca antes analisadas.

    “Já conseguimos reconhecer a copa de uma palmeira da região Nordeste em áreas distintas, o que demonstra a capacidade de generalização dos algoritmos”, destaca Orfanó.

    O cruzamento de imagens captadas pelos drones com dados existentes também possibilitou a identificação de clareiras, árvores mortas e novas espécies. Ampliando significativamente o conhecimento sobre a diversidade da floresta amazônica.

    Como acessar e utilizar o Netflora

    O Netflora está disponível gratuitamente no repositório do GitHub. E pode ser utilizado por meio de um Notebook Colab, plataforma colaborativa hospedada na nuvem do Google.

    Não é necessário ter conhecimento avançado para utilizar a ferramenta. Um curso gratuito, “Detecção de espécies florestais com uso do Netflora”, está disponível na plataforma e-Campo da Embrapa, oferecendo um passo a passo para sua implementação.

    Para mais informações e para acessar os algoritmos, basta visitar a página oficial do Netflora.

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  • Crise climática afeta produção de castanha-da-amazônia

    Crise climática afeta produção de castanha-da-amazônia

    A produção de castanha-da-amazônia — também conhecida como castanha-do-brasil ou castanha-do-pará — enfrenta uma das maiores quedas das últimas décadas na safra 2024/2025. O fenômeno está diretamente ligado aos efeitos da seca severa na região amazônica e ao aumento das temperaturas, intensificados pela atuação do El Niño. A perspectiva de recuperação para a próxima safra é considerada promissora, mas especialistas alertam: é urgente a adoção de medidas de adaptação para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva.

    A Amazônia registrou, entre agosto de 2023 e maio de 2024, uma das secas mais intensas dos últimos 40 anos. O prolongamento do fenômeno El Niño, associado à baixa nebulosidade, alta radiação solar e queimadas recorrentes, provocou uma queda drástica na umidade do solo e impactou diretamente o ciclo reprodutivo das castanheiras.

    “A floração da castanheira-da-amazônia ocorre no fim da estação seca e início da chuvosa, podendo durar até seis meses. Já a maturação dos frutos leva entre nove e treze meses. Todo esse processo é sensível às variações climáticas extremas”, explica Carolina Volkmer de Castilho, pesquisadora da Embrapa Roraima.

    A situação remete à crise de 2017, quando o El Niño de 2015/2016 também comprometeu fortemente a produção. “A seca intensa reduziu a atividade de polinizadores, como as abelhas, e prejudicou a floração, resultando em forte queda na produção de castanhas”, relembra Lucieta Guerreiro Martorano, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA). Raimundo Cosme de Oliveira Junior, colega de Martorano, destaca que foi a primeira vez que se registrou uma redução generalizada da produção em toda a bacia amazônica.

    Expectativa de recuperação para 2025/2026, mas com riscos

    Apesar do cenário adverso, técnicos da Embrapa apontam para uma possível superprodução na safra 2025/2026, impulsionada pelos efeitos do fenômeno La Niña e pela tendência natural das castanheiras de compensar ciclos de baixa produtividade. “No entanto, essa oscilação pode causar instabilidade nos preços e afetar o mercado”, afirma Patrícia da Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

    Especialistas recomendam medidas de regulação e suporte ao setor, para evitar perdas financeiras no longo prazo. Foto: Felipe Sa/Embrapa

    Em 2017, o preço da lata de castanha (20 litros) chegou a R$ 180,00. No ano seguinte, a superprodução associada à queda da demanda industrial, desencadeada pelos preços elevados, provocou um colapso: o valor da lata despencou para R$ 25,00. “Esse ‘efeito ressaca’ gera perdas severas e instabilidade para os extrativistas”, adverte Costa. Atualmente, em março de 2025, o produto voltou a ficar escasso, e a lata já atinge o valor de R$ 220,00.

    Medidas de manejo e tecnologias de apoio são fundamentais

    A adoção de práticas sustentáveis e o manejo adequado dos castanhais surgem como estratégias essenciais. Pesquisas da Embrapa indicam que o corte de cipós em árvores infestadas pode aumentar em até 30% a produção. “Estudos de mais de uma década comprovaram os benefícios da técnica, que também melhora a saúde fisiológica das castanheiras”, ressalta Lúcia Wadt, pesquisadora da Embrapa Rondônia.

    A regeneração natural da espécie também pode ser favorecida por práticas agroextrativistas. Um exemplo é a técnica de produção de mudas em miniestufas, tema de cursos à distância promovidos pela Embrapa. Além disso, o modelo “Castanha na Roça”, desenvolvido na Resex Cajari (AP), tem mostrado sucesso ao integrar agricultura itinerante com o cultivo de castanheiras, aumentando a regeneração da espécie fora da floresta madura.

    Segundo Marcelino Carneiro-Guedes, da Embrapa Amapá, “a estratégia permite formar novos castanhais em áreas já antropizadas, promovendo a resiliência da cadeia produtiva frente às mudanças climáticas”.

    Cuidados com a qualidade e armazenamento do produto

    Com a expectativa de aumento de produção na próxima safra, a garantia de qualidade da amêndoa se torna prioridade. Um dos maiores riscos está na contaminação por aflatoxinas — toxinas produzidas por fungos em condições inadequadas de armazenamento e que podem causar câncer.

    Alta temperatura e falta de chuvas prejudicaram a floração e a formação dos frutos das castanheiras. Foto: Vitor Alberto de Matos Pereira/Embrapa

    Boas práticas como secagem uniforme das amêndoas, armazenamento em locais secos e arejados, e transporte adequado são fundamentais. “Esses cuidados são essenciais para preservar a qualidade do produto, garantir segurança alimentar e agregar valor à produção extrativista”, reforça Cleisa Brasil, da Embrapa Acre.

    Pesquisa genética e seguro-extrativismo ganham destaque

    O Programa de Melhoramento Genético da Castanheira, da Embrapa, também está selecionando matrizes mais resistentes a variações climáticas, com maior potencial produtivo. Paralelamente, avança a discussão sobre a criação de um seguro extrativista. A proposta visa proteger financeiramente os extrativistas em anos de baixa produção, reduzindo os impactos socioeconômicos causados por eventos climáticos extremos.

    Napoleão Ferreira de Oliveira, da Associação Apavio (Resex Médio Purus, AM), defende a iniciativa: “Nossa economia depende do extrativismo. Sem chuva, a produção de castanha e açaí despenca. É preciso criar mecanismos de proteção social, como um abono semelhante ao concedido a outras atividades do setor primário”.

    Rede Kamukaia e o fortalecimento da cadeia produtiva

    Há quase duas décadas, a Rede Kamukaia, coordenada pela Embrapa, reúne pesquisadores, ONGs e comunidades amazônicas para estudar e desenvolver tecnologias voltadas à sustentabilidade do extrativismo. Um de seus projetos mais recentes é o NewCast, lançado em 2024, com duração de três anos.

    “O objetivo do NewCast é ampliar a base produtiva da castanha, melhorar sua qualidade e fortalecer as comunidades extrativistas”, afirma Patrícia da Costa, que coordena a iniciativa. O projeto conta com financiamento da Finep, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e envolve unidades da Embrapa nos estados amazônicos e no Sudeste.

    Impacto na renda e risco de abandono da atividade extrativista

    A crise já afeta diretamente a renda de extrativistas em regiões como o Amapá e Rondônia. Elziane Ribeiro, da Resex Cajari (AP), relata que a produção caiu drasticamente. “Um castanhal que rendia 180 barricas não chegou a 10 este ano”, lamenta. Em Rondolândia (MT), Paulo César Nunes, da Cooperativa do Povo Indígena Zoro, alerta que a quebra de safra comprometeu contratos e empregos.

    “A indústria de base comunitária precisa ser fortalecida. Sem ela, o extrativismo pode entrar em colapso”, afirma Nunes. Ítalo Tonetto, diretor da Castanhas Ouro Verde (RO), reforça a necessidade de comunicação transparente com os clientes: “Mesmo com os avisos sobre a quebra de safra, muitos não acreditaram. A próxima safra pode melhorar, mas o impacto já está dado”.

    Sustentabilidade e conservação em risco

    A castanha-da-amazônia é o produto florestal não-madeireiro mais importante da região em termos de geração de renda. A adoção de políticas públicas, como o seguro extrativista, é vista por especialistas como essencial para evitar a migração das comunidades para atividades que contribuem para o desmatamento.

    A crise atual evidencia que investir em adaptação climática, fortalecimento comunitário e conservação ambiental é urgente para garantir o futuro da castanheira-da-amazônia — espécie-chave para a biodiversidade, a segurança alimentar e a cultura dos povos da floresta.

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  • Por que a castanha da Amazônia tem tantos nomes?

    Por que a castanha da Amazônia tem tantos nomes?

    A castanha, fruto da imponente árvore Bertholletia excelsa Bonpl., é um dos símbolos da sociobiodiversidade da Amazônia. Conhecida por diversos nomes – castanha-do-pará, castanha-do-brasil, castanha-da-amazônia –, a discussão sobre qual denominação é a mais adequada ganhou destaque em 2025, após uma polêmica envolvendo o ator manauara Adanilo no programa É de Casa, da Rede Globo.

    Durante a preparação de uma tapioca caboquinha, prato típico amazonense, Adanilo referiu-se ao ingrediente como “castanha-da-amazônia”, gerando uma intervenção da apresentadora Talitha Morete, que destacou o uso do termo “castanha-do-pará” no Sudeste. O debate se estendeu às redes sociais, ganhando ainda mais força com a defesa do nome “castanha-do-pará” pela ex-BBB paraense Alane Dias.

    Nomes populares versus nomenclatura oficial

    A diversidade de nomes reflete aspectos históricos, culturais e identitários das regiões onde o fruto é consumido. No entanto, no âmbito comercial, a denominação mais utilizada é “castanha-do-brasil”, estabelecida pelo Decreto Federal nº 51.209, de 1961, que regulamenta a classificação e fiscalização da exportação do produto.

    Historicamente, o termo “castanha-do-pará” surgiu no período colonial, quando a antiga província do Grão-Pará era o principal centro de exportação do fruto. Já o nome “castanha-do-brasil” foi adotado oficialmente na década de 1960, visando padronizar a nomenclatura para fins técnico-científicos. E também alinhar o produto à terminologia internacional, onde é conhecido como Brazil nut.

    Identidade regional e inclusão

    A ampla distribuição da castanheira pela Amazônia brasileira e outros países sul-americanos tem motivado a busca por uma denominação mais abrangente. O termo “castanha-da-amazônia” tem sido defendido por cientistas e produtores locais por refletir melhor a origem e a importância do produto para a região. A pesquisadora Patricia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente, ressalta que a espécie ocorre em diversos estados da Amazônia brasileira e em países como Bolívia, Peru e Colômbia. “O Amazonas é o maior produtor no Brasil, mas a Bolívia superou o país como maior exportador de amêndoas desde 1998/1999”, afirma.

    A pesquisadora Kátia Emídio, da Embrapa Amazônia Ocidental, reforça que o nome “castanha-da-amazônia” representa melhor a ocorrência ampla do fruto na região. No entanto, a força do nome “castanha-do-brasil” no mercado internacional tem dificultado a adoção de uma nova nomenclatura.

    A Assembleia Legislativa do Amazonas recebeu o Projeto de Lei nº 913/2024, proposto pelo deputado Sinésio Campos (PT), que visa adotar a denominação “castanha-da-amazônia” para produtos e derivados no estado. A medida busca valorizar a produção local e fortalecer a identidade amazônica.

    Além disso, o projeto NewCast, liderado pela Embrapa, está revisando as normativas relacionadas à nomenclatura e aos padrões de qualidade do fruto. A pesquisadora Lúcia Wadt, da Embrapa Rondônia, explica que, embora haja um sentimento de inclusão em torno do nome “castanha-da-amazônia”, o termo “castanha-do-brasil” permanece consolidado internacionalmente. “Há um receio de que a mudança gere confusão entre os consumidores globais”, afirma.

    A importância para a Amazônia e o mundo

    A história da amêndoa da Amazônia é marcada por uma rica interação entre aspectos culturais, históricos e comerciais. Independentemente da nomenclatura, o fruto é fundamental para a sociobioeconomia, a cultura e a biodiversidade da região. Projetos como o NewCast, que busca fortalecer a cadeia produtiva e promover o desenvolvimento sustentável, destacam a relevância não apenas para a Amazônia, mas para o mundo.

    Para mais informações sobre a história e a nomenclatura do fruto, confira o livro da Embrapa: Castanha da Amazônia.

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