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  • Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    Azeites europeus vendidos como extravirgens podem esconder fraude fiscal, aponta denúncia

    O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.

    A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.

    Análises judiciais motivaram a denúncia

    O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.

    O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.

    Entidade defende separação entre categorias

    O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.

    Olivas. Foto: Divulgação

    Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.

    Diferença tributária ganha peso na discussão

    Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.

    A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.

    Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”

    Ibraoliva pede apuração à Receita Federal

    Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.

    Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.

    O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”

    Entidade propõe mudanças na tributação

    Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.

    Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.

  • Programa de inovação aberta conecta startups a gigantes do agronegócio

    Programa de inovação aberta conecta startups a gigantes do agronegócio

    Startups de base científica e tecnológica já podem se candidatar à quarta edição do AptaHub Conecta, programa nacional de inovação aberta que conecta soluções tecnológicas a desafios propostos por grandes empresas do agronegócio. Nesta edição, Nestlé, Carrefour e Ourofino apresentam demandas estratégicas voltadas ao desenvolvimento de novas tecnologias para o setor agroalimentar.

    As inscrições permanecem abertas até 31 de agosto e contemplam startups em estágio de validação, operação ou tração, desde que possuam um Produto Mínimo Viável (MVP) desenvolvido ou em fase final de desenvolvimento.

    Programa já viabilizou seis provas de conceito

    Desde sua criação, o AptaHub Conecta capacitou 95 startups, empresas e pesquisadores, promoveu 27 conexões de negócios e viabilizou seis provas de conceito (POCs) e contratos entre os participantes.

    Empreendedores que já passaram pelo programa destacam o impacto direto no amadurecimento da tecnologia e do modelo de negócio. Um dos participantes afirma que o AptaHub Conecta representou o primeiro programa específico do setor agro do qual fez parte, e que as mentorias e a aproximação com grandes empresas impulsionaram significativamente a evolução do seu negócio.

    Nestlé quer monitoramento de safra mais preciso

    A Nestlé busca tecnologias que tornem o monitoramento da safra de café mais contínuo, preciso e orientado por dados. A empresa pretende integrar diferentes fontes de informação para apoiar a tomada de decisão, aumentar a confiabilidade das análises e reduzir a subjetividade das avaliações realizadas em campo.

    Entre as soluções esperadas estão ferramentas de digitalização da coleta de dados, monitoramento frequente das lavouras, geração de relatórios automatizados e tecnologias que ampliem a rastreabilidade das informações.

    Carrefour busca automação na inspeção de rótulos

    O Carrefour propõe um desafio voltado à verificação inteligente de rótulos e à inspeção de produtos. A rede procura soluções que automatizem a validação da conformidade das informações presentes nas embalagens, tornando o processo mais rápido, padronizado e confiável.

    A empresa espera reduzir erros operacionais, otimizar o tempo das análises e apoiar a tomada de decisão das equipes responsáveis pela inspeção.

    Ourofino aposta em alternativas à ractopamina na suinocultura

    A Ourofino busca soluções inovadoras para aumentar a eficiência produtiva na suinocultura sem o uso de ractopamina. As tecnologias devem substituir total ou parcialmente os efeitos da substância e manter o desempenho dos animais sem comprometer a segurança alimentar, o bem-estar animal e a competitividade da produção.

    Interessam ao desafio soluções aplicadas à nutrição animal, biotecnologia, ingredientes funcionais, aditivos naturais, modulação metabólica e outras abordagens. Desde que contribuam para uma produção suína mais eficiente e alinhada às novas demandas do mercado.

    Como funciona a jornada do programa

    Após a inscrição, as startups passam por uma etapa de diagnóstico que avalia o nível de aderência aos desafios propostos. As selecionadas seguem para uma trilha de preparação, que inclui mentorias para apresentação das soluções. E culmina em rodadas de negócios e reuniões individuais durante o Conecta Open. Este evento reúne startups e representantes das empresas parceiras.

    Depois do evento, a equipe do AptaHub acompanha o desenvolvimento das conexões estabelecidas. E também apoia a evolução das negociações, das provas de conceito e de possíveis parcerias.

    As inscrições podem ser feitas até 31 de agosto pelo site do programa: inovacao.agricultura.sp.gov.br/aptahub/conecta.

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  • Multinacional fecha contrato de R$ 1 bilhão em energia solar no MS

    Multinacional fecha contrato de R$ 1 bilhão em energia solar no MS

    O Grupo Carrefour Brasil acaba de assinar um dos contratos de energia mais relevantes já registrados no varejo nacional, e o Mato Grosso do Sul está no centro da operação. Um acordo de longo prazo avaliado em R$ 1 bilhão com a Casa dos Ventos vai garantir ao grupo o equivalente a 25% de todo o seu consumo de eletricidade a partir de 2027, proveniente de um complexo solar a ser instalado no estado sul-mato-grossense.

    O contrato é apontado como o maior acordo de autoprodução de energia já firmado por um varejista no Brasil.

    240 MW reservados para o grupo no Complexo Paraíso

    O empreendimento que viabiliza o negócio é o Complexo Fotovoltaico Paraíso, em construção no Mato Grosso do Sul. No total, o projeto terá capacidade instalada de 640 megawatts (MW). Desse volume, 240 MW serão destinados exclusivamente às operações das bandeiras Atacadão, Carrefour e Sam’s Club. O fornecimento começa em 2027 e se estende por dez anos.

    Para quem acompanha o setor de energia no campo, a escala chama atenção. Afinal, 640 MW é um número expressivo mesmo para usinas voltadas ao agronegócio. No entanto, o comprador final aqui não é uma cooperativa ou indústria de alimentos, é uma rede varejista. Isso demonstra uma tendência clara: grandes consumidores de diferentes segmentos estão adotando as mesmas soluções energéticas que o agro já utiliza há anos.

    Energia: a segunda maior despesa do grupo e um problema familiar ao setor rural

    A eletricidade é a segunda maior despesa operacional do Carrefour Brasil. Rodrigo Monteiro, gerente de Compras da empresa, afirma que o acordo traz maior previsibilidade de custos e reforça a estratégia de transição energética da companhia. A situação não é diferente para produtores rurais e agroindústrias, que enfrentam reajustes tarifários recorrentes e volatilidade no custo da energia elétrica utilizada em pivôs de irrigação, câmaras frias, beneficiadoras e plantas industriais.

    O modelo adotado pelo Carrefour, chamado de autoprodução, é o mesmo que cooperativas e usinas sucroalcooleiras já utilizam há anos no Brasil. A empresa entra como sócia indireta da geração, protegendo-se da variação das tarifas do mercado cativo. A estrutura foi assessorada pela CELA (Clean Energy Latin America), consultoria especializada em energia limpa.

    “O projeto também contribui diretamente para o cumprimento das nossas metas públicas de operar com 100% de eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2030 e atingir as metas de redução de escopos 1 e 2 em cerca de 60% até o fim da década.”

    — Rodrigo Monteiro, gerente de Compras do Grupo Carrefour Brasil

     

    A conexão com o agronegócio: Mato Grosso do Sul como polo renovável

    A escolha do Mato Grosso do Sul para sediar o Complexo Paraíso não é por acaso. O estado tem se consolidado como um dos principais destinos de investimentos em energia renovável no Centro-Oeste, beneficiado pela alta irradiação solar, disponibilidade de terra e proximidade com grandes centros de carga. A região é também um dos motores do agronegócio nacional, com forte produção de soja, milho, carne bovina e cana-de-açúcar.

    A instalação de um complexo fotovoltaico dessa escala gera impactos econômicos relevantes para o entorno: empregos na fase de obras, aumento da arrecadação municipal e movimentação de fornecedores locais. Para o setor agro, é mais um sinal de que o interior do Brasil deixou de ser apenas produtor de commodities para se tornar também produtor de energia limpa.

    Casa dos Ventos, TotalEnergies e o mercado corporativo de energia

    Para a Casa dos Ventos, um dos maiores players de energia renovável do Brasil, o contrato com o Carrefour representa a consolidação de sua estratégia de atender grandes consumidores corporativos. A empresa conta com a joint venture formada com a TotalEnergies, multinacional francesa de energia, o que permitiu ampliar para o Brasil um relacionamento já existente entre o Carrefour e a TotalEnergies na Europa.

    “A parceria não é apenas uma transação comercial, é uma prova de que a transformação energética é vantajosa para empresas de qualquer setor da economia. Estamos transformando a matriz de um gigante do varejo, entregando competitividade em escala através de uma solução customizada que une baixo custo e valor ambiental positivo.”

    — Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos

    Brasil já ultrapassa 20 GW de energia solar instalada

    O contrato entre Carrefour e Casa dos Ventos acontece em um momento de expansão acelerada da solar no Brasil. Com investimentos que já superam R$ 87 bilhões, o país ultrapassou a marca de 20 gigawatts de potência instalada em energia fotovoltaica, volume que coloca o Brasil entre os maiores mercados solares do mundo.

    No campo, a energia solar já transformou a economia de irrigação em diversas regiões. De fato, produtores que instalaram sistemas fotovoltaicos relatam reduções expressivas na conta de luz. Além disso, o retorno do investimento tem chegado em prazos cada vez menores. Portanto, a tendência é de expansão. Nesse contexto, o movimento de grandes empresas como o Carrefour, em direção a contratos de longo prazo com geradoras, tende a aquecer ainda mais esse mercado. Como resultado, novas oportunidades devem surgir para o setor rural.

     

  • Com medo de reação do Brasil, Danone lança comunicado

    Com medo de reação do Brasil, Danone lança comunicado

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a recepção de uma carta do vice-presidente executivo da Danone, Laurent Sacch, e da presidente na América Latina, Silvia Dávilla, esclarecendo informações sobre a compra de soja de origem brasileira.

    O documento reafirma o compromisso da empresa com a soja brasileira em suas operações locais e internacionais, em conformidade com as regulamentações vigentes.

    A carta destaca: “Confirmamos e ratificamos que a Danone continua consumindo soja brasileira em suas operações locais e internacionais. Se qualquer menção de executivos do Grupo levou a entendimentos errados sobre a sustentabilidade da soja brasileira, pedimos as mais sinceras desculpas.”

    Ministério reitera padrão de qualidade nacional

    O Mapa aproveitou a oportunidade para reiterar os altos padrões de qualidade, sanidade e sustentabilidade da produção agropecuária no Brasil. A pasta também elogiou o trabalho do setor e seu compromisso com práticas sustentáveis.

    O Brasil mantém boas relações diplomáticas que resultaram em conquistas significativas para o agronegócio. Nos últimos dois anos, o país conquistou 284 novos mercados em 62 destinos, ampliando seu portfólio de produtos agropecuários.

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    Esse contexto reforça os benefícios advindos da conclusão das negociações do acordo Mercosul-União Europeia, inaugurando uma nova fase próspera nas relações entre os países do bloco.

    A Danone enfatizou a importância da soja brasileira como insumo essencial na cadeia de fornecimento de ração animal para suas operações de laticínios em todo o mundo. No Brasil, a maior parte desse volume é adquirida por meio do Centro de Compras da empresa e disponibilizada a produtores de leite parceiros.

    Além disso, a empresa se comprometeu a garantir que a soja provenha de fontes sustentáveis e livres de desmatamento, incentivando seus produtores parceiros a adquirir ração apenas de fornecedores que respeitem esse compromisso.

    Agricultura sustentável

    A Danone também reconheceu o esforço do governo brasileiro em preservar as florestas locais e seus programas dedicados à proteção da Amazônia e ao avanço da agricultura sustentável. A carta ressalta ainda o trabalho das associações comerciais e dos agricultores brasileiros comprometidos com práticas inovadoras e sustentáveis no campo.

    Por fim, a Danone reafirmou seu compromisso com todos os parceiros no Brasil, incluindo fornecedores, agricultores, governo e consumidores.

    O envio da carta pode ser uma tentativa de evitar o mesmo boicote que o grupo Carrefour sofreu ao atacar a qualidade do produto nacional. Isso significa que a reação dos produtores e do governo as inúmeras tentativas de prejudicar o nome do produto brasileiro foi válida. E que em um mundo competitivo, essa defesa do interesse nacional tem que ser cada vez mais enfática. E firme.

  • CNA promete ação contra Carrefour e empresas francesas

    CNA promete ação contra Carrefour e empresas francesas

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciou que tomará medidas contra o Carrefour e outras empresas francesas. Ou seja, a entidade reagiu à decisão dessas empresas de suspender a compra de carne de países do Mercosul, afirmando que a atitude prejudica a imagem do produto brasileiro.

    Brasil: maior exportador mundial

    O presidente da CNA, João Martins, criticou a posição do grupo francês e destacou a qualidade da carne exportada pelo Brasil. “Fomos surpreendidos pela atitude do Carrefour e de outras empresas. Alegam que nossa carne não atende aos padrões europeus, o que não é verdade. Somos os maiores exportadores do mundo, fornecendo para Estados Unidos, Europa, Oriente Médio, China e Ásia”, declarou.

    Além disso, Martins informou que a CNA acionará seu escritório em Bruxelas, na Bélgica, e um escritório de advocacia local para adotar as medidas necessárias. Em resumo, a intenção é esclarecer a situação e defender o setor brasileiro no mercado europeu.

    Ao mesmo tempo, o consultor jurídico da CNA, Carlos Bastide Horbach, detalhou os próximos passos. “Estamos avaliando essa ação do Carrefour e de outras empresas francesas, que contam com o apoio do governo da França. A recente declaração da ministra da Agricultura francesa reforça o alinhamento. Portanto, a CNA formalizará uma reclamação junto aos órgãos da União Europeia, apontando possíveis violações às regras de defesa da concorrência”, explicou.

    A entidade busca garantir a liberdade econômica e proteger a produção brasileira na União Europeia, destacando que as ações visam preservar a imagem e a competitividade da carne brasileira no mercado internacional.

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    Retratação

    O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, enviou uma carta de retratação sobre suas recentes declarações que geraram uma crise entre a rede varejista e o agronegócio brasileiro. Desde que Bompard anunciou, no dia 20 de novembro, que as lojas da empresa na França deixariam de comercializar carne proveniente do Mercosul, a reação do setor agropecuário brasileiro foi imediata e contundente. Frigoríficos como JBS, Marfrig e Masterboi chegaram a suspender o fornecimento de carne ao Carrefour Brasil, resultando em uma possível escassez de produtos nas prateleiras da rede. Porém, após a retratação, os frigoríficos brasileiros voltaram a fornecer carne para o Carrefour.

  • Saída à francesa: CEO do Carrefour envia carta de retratação

    Saída à francesa: CEO do Carrefour envia carta de retratação

    O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, enviou uma carta de retratação sobre suas recentes declarações que geraram uma crise entre a rede varejista e o agronegócio brasileiro. Desde que Bompard anunciou, no dia 20 de novembro, que as lojas da empresa na França deixariam de comercializar carne proveniente do Mercosul, a reação do setor agropecuário brasileiro foi imediata e contundente. Frigoríficos como JBS, Marfrig e Masterboi suspenderam o fornecimento de carne ao Carrefour Brasil, resultando em uma possível escassez de produtos nas prateleiras da rede.

    Em nota, o Carrefour Brasil lamentou a situação e afirmou que a suspensão do fornecimento impacta seus clientes, mas negou que haja desabastecimento nas lojas. No entanto, especialistas alertam que a falta de carne pode se tornar evidente em breve, dado o curto tempo de reposição dos produtos nas gôndolas. A empresa está em diálogo constante para restabelecer o abastecimento.

    A decisão de Bompard foi vista como uma resposta à pressão de agricultores franceses que temem a concorrência desleal com produtos sul-americanos, especialmente no contexto das negociações do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Essa posição protecionista reflete um descontentamento crescente na Europa com relação às importações agrícolas e as exigências ambientais que diferem entre os continentes.

    A Embaixada da França entrou em contato com o Ministério da Agricultura do Brasil para discutir a situação. Isso evidencia a importância do tema nas relações comerciais entre os dois países. O ministro Carlos Fávaro tem se mostrado solidário ao movimento de boicote dos frigoríficos e criticou a postura do Carrefour como desproporcional.

    Leia a íntegra da carta publicada pelo grupo

    Ao Excelentíssimo Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Senhor Carlos Fávaro.

    A declaração de apoio do Carrefour França aos produtores agrícolas franceses causou discordâncias no Brasil. Como diretor-presidente do Grupo Carrefour e amigo de longa data do país, venho, respeitosamente, esclarecê-la.

    O Carrefour é um grupo descentralizado e enraizado em cada país onde está presente, francês na França e brasileiro no Brasil.

    Na França, o Carrefour é o 1º parceiro da agricultura francesa: compramos quase toda a carne que necessitamos para as nossas atividades na França, e assim seguiremos fazendo. A decisão do Carrefour França não teve como objetivo mudar as regras de um mercado amplamente estruturado em suas cadeias de abastecimento locais, que segue as preferências regionais de nossos clientes. Com essa decisão, quisemos assegurar aos agricultores franceses, que atravessam uma grave crise, a perenidade do nosso apoio e das nossas compras locais

    Do outro lado do Atlântico, no Brasil, compramos dos produtores brasileiros quase toda a carne que necessitamos para as nossas atividades, e seguiremos fazendo assim. São os mesmos valores de criar raízes e parceria que inspiram há 50 anos nossa relação com o setor agropecuário brasileiro, cujo profissionalismo, cuidado à terra e produtores conhecemos.

    O Grupo Carrefour Brasil é profundamente brasileiro, com mais de 130 mil colaboradores, se desenvolveu e continua se desenvolvendo sob minha presidência em parceria com produtores e fornecedores do Brasil, valorizando o trabalho do setor produtivo e sempre em benefício de nossos clientes. Nos últimos anos, o Grupo Carrefour Brasil acelerou seu desenvolvimento, dobrando tanto o volume de seus investimentos no país quanto suas compras da agricultura brasileira. Mais amplamente, o Brasil é o país em que o Carrefour mais investiu sob minha presidência, o que confirma nossa ambição e nosso comprometimento com o país. Assim seguiremos prestigiando a produção e os atores locais e fomentando a economia do Brasil.

    Sabemos que a agricultura brasileira fornece carne de alta qualidade, respeito as normas e sabor. Se a comunicação do Carrefour França gerou confusão e pode ter sido interpretada como questionamento de nossa parceria com a agricultura brasileira e como uma crítica a ela, pedimos desculpas.

    O Carrefour está empenhado em trabalhar, na França e no Brasil, em prol de uma agricultura próspera, seguindo nosso propósito pela transição alimentar para todos. Asseguro, senhor ministro, nosso compromisso de longo prazo ao lado da agricultura e dos produtores brasileiros.

    Aproveito a oportunidade para renovar os protestos de estima e consideração.

    Atenciosamente,

    Alexandre Bompard

    Diretor-presidente do Grupo Carrefour

    Crise Brasil-Carrefour

    A crise começou em 20 de novembro, quando Alexandre Bompard anunciou que o Carrefour na França não compraria mais carne do Mercosul, gerando indignação no Brasil. Frigoríficos brasileiros reagiram suspendendo o fornecimento de carne ao Carrefour Brasil, levando a uma potencial escassez nos pontos de venda.

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    O governo brasileiro criticou as declarações do CEO francês como protecionistas e sem fundamento. Enquanto isso, a Embaixada da França procurou o governo brasileiro para tratar do assunto. A situação destaca as tensões em torno das negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. E também os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro em um mercado global competitivo.

    As exportações de carne para a França tem numeros insignificantes para o agronegócio brasileiro, mas essa união entre os setores para proteger o nome do produto nacional tem um peso muito grande. Que continue assim.

  • JBS e Masterboi suspendem fornecimento para Carrefour e Atacadão

    JBS e Masterboi suspendem fornecimento para Carrefour e Atacadão

    A JBS e o Masterboi, dois dos maiores frigoríficos do Brasil, suspenderam o fornecimento de carne ao Grupo Carrefour e ao Atacadão em resposta às declarações do CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard. Na última quarta-feira (20), Bompard anunciou que a rede francesa deixaria de comercializar carne proveniente do Mercosul, alegando que esses produtos não atendem às exigências do mercado francês. Essa decisão gerou uma onda de retaliação por parte das indústrias brasileiras, que já afeta cerca de 150 lojas do Carrefour no Brasil.

    A suspensão do fornecimento começou a ser implementada na quinta-feira (21) e se intensificou nos dias seguintes, com a expectativa de que o desabastecimento das lojas ocorra em até três dias, devido à natureza perecível dos produtos. As empresas envolvidas, incluindo a JBS — que fornece a marca Friboi — e a Marfrig, não comentaram oficialmente sobre a situação. No entanto, fontes da indústria afirmam que a Friboi é responsável por 80% do volume de carne fornecido ao Carrefour.

    A reação das indústrias foi apoiada pelo governo brasileiro, que pediu ações enérgicas contra o boicote da rede. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressaram apoio às medidas tomadas pelos frigoríficos. Diversas associações do agronegócio, em uma nota conjunta, reafirmaram o compromisso com a produção responsável e sustentável e destacaram que, se o mercado francês não considera o Mercosul um fornecedor adequado, outros países também deveriam adotar o mesmo posicionamento.

    Atacadão e Carrefour – outro lado

    O Carrefour, por sua vez, negou a ocorrência de desabastecimento em suas lojas no Brasil, mas não comentou sobre a interrupção do fornecimento. A situação gerou descontentamento entre os produtores brasileiros, que veem essa medida como uma desvalorização dos produtos nacionais.

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    A crise se insere em um contexto mais amplo de tensões comerciais relacionadas ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Agricultores franceses têm protestado contra o acordo, temendo que produtos brasileiros possam prejudicar sua competitividade no mercado europeu. Assim, a declaração de Bompard reflete uma tentativa de alinhar-se com os interesses dos agricultores franceses em meio a essas preocupações.

    Enquanto isso, as entidades representativas do setor agropecuário brasileiro continuam a pressionar por uma retratação pública do Carrefour em nível global. E enfatizam a importância da carne brasileira nos mercados internacionais e sua contribuição para a segurança alimentar.

  • Entidades sugerem boicote ao Carrefour e Atacadão no Brasil

    Entidades sugerem boicote ao Carrefour e Atacadão no Brasil

    Entidades do agronegócio e da indústria de alimentos no Brasil se uniram em uma nota de repúdio às declarações do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard. Ele anunciou a decisão da rede de supermercados de não comercializar mais carnes provenientes do Mercosul nas lojas da França.

    O comunicado foi assinado por importantes organizações, incluindo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). E pode ser lida no final do site.

    A nota destaca o compromisso das entidades com uma produção agropecuária responsável e sustentável, ressaltando que os produtos brasileiros atendem aos padrões exigidos em mercados internacionais, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, China e Japão. “Se o CEO do Carrefour acredita que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês, então não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país”, afirmam as entidades na nota.

    Declaração polêmica

    Bompard fez sua declaração em resposta à insatisfação dos agricultores franceses em relação ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Em sua carta, ele expressou preocupação com a possibilidade de que produtos que não atendem aos requisitos europeus invadam o mercado francês. Além disso, o governo francês tem sido um forte opositor desse acordo, pressionado pelos produtores locais.

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    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, criticou a posição do Carrefour, considerando-a uma ação orquestrada contra o Brasil. Além disso, ele enfatizou que a agropecuária brasileira é comprometida com práticas sustentáveis e respeita as legislações internacionais. Fávaro também mencionou que essa atitude poderia prejudicar as relações comerciais entre o Brasil e o Carrefour.

    Enquanto isso, o Grupo Carrefour Brasil afirmou que suas operações no país não serão afetadas pela decisão anunciada na França. E garantiu que continuará a adquirir carne do Mercosul. A situação gerou reações no setor, com alguns líderes estaduais sugerindo boicotes à rede de supermercados em resposta à declaração de Bompard.

    Federação sugere boicote ao Carrefour e Atacadão

    A FHORESP (Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo) condena veementemente as declarações de Alexandre Bompard e a decisão do Carrefour, que, sob alegações infundadas e sem comprovação técnica, optaram por uma ação meramente protecionista. Essa postura não apenas desrespeita a qualidade das carnes brasileiras,reconhecidas globalmente por sua excelência. Além disso, prejudica toda a cadeia produtiva nacional, que é um pilar da economia do país.

    Convocamos o setor de Hospedagem e Alimentação a agir com reciprocidade! Nossa Federação representa mais de 500 mil empresas no estado de São Paulo e convocamos todas a deixarem de comprar nas redes Carrefour, Atacadão e Sam’s Clube, do Grupo Carrefour. Solicitamos o engajamento e a adesão nessa campanha de boicote, mostrando a força e a união do nosso setor em defesa da economia nacional e do respeito aos nossos produtos.

    Nota de repúdio do agronegócio do Brasil para o grupo Carrefour

    Em resposta às alegações do CEO Global da rede de supermercados Carrefour, Alexandre Bompard, as entidades abaixo assinadas manifestam o repúdio aos ataques proferidos contra a produção agropecuária no Mercosul. A produção de proteína do bloco econômico sulamericano chega a todos os países do mundo. Isso inclui os mercados mais exigentes, entre eles as maiores economias mundiais, como Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, China e Japão.

    Periodicamente as empresas são auditadas e certificadas por centenas de missões sanitárias internacionais e também por clientes que confirmam a segurança de alimentos do que vai para cada destino. Entre as certificações obtidas por empresas do Mercosul destacam-se as do BRC (British Retail Consortium), principal referência global em qualidade quando o assunto é produção de proteína.

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    O bloco é líder mundial em exportação de carne de frango e bovina e está entre os principais na suína. Foram necessárias décadas para que o Mercosul por inteiro avançasse em sua reputação internacional como produtor de carnes. Com responsabilidade, o setor na região foi o principal fornecedor para todos os mercados durante a maior crise global de saúde pública neste século, a pandemia do coronavírus em 2020 e 2021.

    Excelência da produção

    Tudo isso demonstra a excelência da produção na região, num comprometimento que as entidades e associações que representam os 29 milhões de trabalhadores no agronegócio no Brasil reforçam dia a dia com a segurança alimentar e a qualidade do que chega aos consumidores em todo o mundo.

    Portanto, se o CEO Global do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, entende que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês – que não é diferente do espanhol, belga, árabe, turco, italiano –, as entidades abaixo assinadas consideram que, se não serve para abastecer o Carrefour no mercado francês, não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país.

    Assim sendo, reafirmamos o compromisso do setor com a produção responsável, sustentável e com a segurança alimentar.

    ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes)

    ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal)

    ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio)

    CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)

    SRB (Sociedade Rural Brasileira)

    FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

    Pelo visto, essa história ainda vai render, com descobramentos no mercado. Por outro lado, mostra a união do setor contra uma declaração no mínimo infeliz. Que essa união continue, portanto.

  • Governador sugere boicote ao Carrefour e Atacadão

    Governador sugere boicote ao Carrefour e Atacadão

    O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, sugeriu um boicote aos supermercados Carrefour e Atacadão após o CEO da rede francesa, Alexandre Bompard, anunciar que a empresa não comprará mais carnes provenientes dos países do Mercosul. A declaração de Bompard foi feita em uma carta à Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores da França e divulgada em suas redes sociais.

    Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Mendes afirmou que deixará de comprar nas lojas da rede e pediu à população que faça o mesmo “para honrar o país”. Ele argumentou que a decisão do Carrefour é uma resposta ao fato de que os produtores franceses não conseguem competir com o agronegócio brasileiro. O governador também criticou o presidente francês, Emmanuel Macron, chamando seu discurso ambientalista de “conversa fiada”.

    Mauro Mendes destacou que a posição do Carrefour reflete uma postura protecionista. E afirmou que se o Brasil não é considerado apto para fornecer carne à rede, a empresa não deve ser bem vista no país. O CEO do Carrefour expressou preocupações sobre a possibilidade de uma “inundação” no mercado francês com carne que não atende às exigências locais, o que gerou reações negativas entre os produtores brasileiros.

    Decisão local

    A decisão do Carrefour afeta apenas as operações na França, enquanto as lojas no Brasil continuarão a vender carne de frigoríficos brasileiros. O governo brasileiro e representantes da indústria de carnes criticaram a declaração de Bompard, classificando-a como infundada e contrária aos princípios do livre mercado. O Ministério da Agricultura do Brasil reafirmou o compromisso com práticas agrícolas sustentáveis e a qualidade dos produtos brasileiros.

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    O boicote proposto por Mendes sinaliza um aumento das tensões em torno do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que enfrenta resistência tanto na Europa quanto na América do Sul. A situação destaca as complexidades das relações comerciais internacionais e as preocupações com a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Importação para Franca de carne é insignificante

    Segundo dados do site Farmnews, a França importou menos de 40 toneladas de carne bovina in natura do Brasil entre janeiro e outubro de 2024. Isso representa apenas 0,002% do total exportado pelo país no período, que foi de 1,41 milhão de toneladas. Em contrapartida, a União Europeia como um todo desempenha um papel mais relevante, embora ainda modesto. Ela importa cerca de 2,2% das exportações brasileiras de carne bovina no mesmo intervalo.

    Essa disparidade evidencia que, embora a representatividade das exportações para a França seja praticamente nula, declarações críticas sobre a qualidade da carne brasileira podem prejudicar a imagem do setor agropecuário. Isso pode levar outras empresas e mercados a questionarem a credibilidade da proteína brasileira. Desta forma, afetando negativamente a moral dos produtores e, possivelmente, influenciando futuras negociações comerciais.

  • Ministério da Agricultura, ABPA, Angus e ApexBrasil reagem a declaração de CEO do Carrefour

    Ministério da Agricultura, ABPA, Angus e ApexBrasil reagem a declaração de CEO do Carrefour

    Representantes do governo brasileiro e da indústria de carnes reagiram à declaração do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard. Ele anunciou que a rede varejista na França não comprará mais carnes provenientes dos países do Mercosul. O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Associação Brasileira de Proteína Animal avaliaram o posicionamento do executivo como infundado e protecionista.

    Bompard fez a afirmação em uma carta endereçada à Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores da França. Ela foi amplamente divulgada após ele compartilhar uma imagem do documento em seu perfil no LinkedIn.

    Na carta, o CEO expressa preocupações sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. E fala do “risco de inundação” do mercado francês com carne que, segundo ele, não atende às exigências e normas estabelecidas.

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    O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e a APBA – Associação Brasilera de Proteina Animal, que representa a indústria de carnes, criticaram a postura do Carrefour. Segundo eles, a decisão carece de fundamento técnico e representa um protecionismo que pode prejudicar as relações comerciais.

    A resposta oficial destaca o compromisso do Brasil com as boas práticas agrícolas. E também a conformidade com as legislações internacionais, reiterando a qualidade das carnes brasileiras.

    Leia a nota do Ministério da Agricultura e Pecuária

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reitera a qualidade e compromisso da agropecuária brasileira com a legislação e as boas práticas agrícolas, em consonância com as diretrizes internacionais.

    Diante disso, rechaça as declarações do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, quanto às carnes produzidas pelos países do Mercosul.

    No que diz respeito ao Brasil, o rigoroso sistema de Defesa Agropecuária do Mapa garante ao país o posto de maior exportador de carne bovina e de aves do mundo, mantendo relações comerciais com aproximadamente 160 países, atendendo aos padrões mais rigorosos, inclusive para a União Europeia que compra e atesta, por meio de suas autoridades sanitárias, a qualidade e sanidade das carnes produzidas no Brasil há mais de 40 anos.

    Vale reiterar que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e atua com transparência no setor. Apresentou à União Europeia propostas de modelos eletrônicos que contemplam as etapas iniciais do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), demonstrando compromisso com uma produção rastreável e transparente, sendo que os modelos privados de rastreabilidade são amplamente reconhecidos e aprovados pelos mercados europeus.

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    O Mapa lamenta tal postura que, por questões protecionistas, influenciam negativamente o entendimento de consumidores sem quaisquer critérios técnicos que justifiquem tais declarações.

    O posicionamento do Mapa é de não acreditar em um movimento orquestrado por parte de empresas francesas visando dificultar a formalização do Acordo Mercosul – União Europeia, debatido na reunião de cúpula do G20 nesta semana. O Mapa não aceitará tentativas vãs de manchar ou desmerecer a reconhecida qualidade e segurança dos produtos brasileiros e dos compromissos ambientais brasileiros.

    Mais uma vez, o Mapa reitera o compromisso da agropecuária brasileira com a qualidade, sanidade e sustentabilidade dos alimentos produzidos no Brasil. E também para contribuir com a segurança alimentar e nutricional de todo o mundo.

    Nota da ABPA

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) lamenta a infeliz e infundada declaração do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, em nota publicada na rede social X. Ele se utiliza de argumentos equivocados ao dizer que as carnes produzidas pelos países-membros do Mercosul não respeitam os critérios e normas do mercado francês.

    A argumentação é claramente utilizada para fins protecionistas. E ressoa uma visão errônea de produtores locais contra o necessário equilíbrio de oferta de produtos de seu próprio mercado. Isso se faz por meio da complementariedade, com produtos de alta qualidade e que atendam a todos os critérios determinados pelas autoridades sanitárias dos países importadores, como é o caso da proteína brasileira.

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    A manifestação de Bompard foge à lógica de uma organização global, com forte presença no Brasil. Que deve atuar dentro dos princípios da competividade e respeito ao livre mercado.

    Por fim, a ABPA lembra que o protecionismo é, também, uma atitude de desrespeito aos princípios de sustentabilidade. Ao impulsionar o bloqueio injustificado à produtos provenientes de regiões com melhor capacidade de produção com respeito às questões ambientais, o Senhor Bompard coloca os consumidores de suas lojas em uma lógica de consumo com mais emissões e sob maior pressão inflacionária e menor acesso às classes menos favorecidas.

    Angus vê com grande preocupação declaração de CEO do Carrefour na França

    A Associação Brasileira de Angus e Ultrablack vê com extrema preocupação a manifestação do CEO do Carrefour na França, Alexandre Bompard, publicada em rede social, desqualificando as carnes produzidas pelos países membros do Mercosul.

    Trata-se de uma declaração improcedente e que acarreta sérios prejuízos à imagem e à reputação da proteína brasileira, produzida a partir de um trabalho sério e responsável feito por criadores e empresas do setor. E ainda mais grave quando a mesma é proferida por um executivo de uma companhia global com ampla ligação com o nosso país.

    No caso específico do Angus, há 21 anos estimulamos os criadores a investirem em melhoramento genético, qualidade, padronização e sustentabilidade. Isso  para oferecer aos consumidores um produto diferenciado, que atenda a altos padrões de excelência.

    Hoje, o Programa Carne Angus Certificada é referência para o mundo em produção de carne premium. Está presente nos mais exigentes mercados como China, Chile, Holanda e Arábia Saudita, nossos maiores compradores. Igualmente, criamos certificações para o varejo e de sustentabilidade, reforçando ainda mais a qualidade do produto que chega às mesas de todo o Brasil e diferentes nações.

    Quando líderes mundiais discutem a fome e a ampliação do acesso de mais e melhores alimentos, medidas protecionistas como a anunciada pelo executivo colocam em risco esses esforços.

    Reiteramos a qualidade da carne Angus do Brasil e esperamos que o bom senso prevaleça, em respeito à proteína produzida pelo Mercosul, ao trabalho de milhares de pessoas e ao livre mercado.

    Nota oficial da ApexBrasil

    A ApexBrasil considera lamentável declaração feita nesta quarta-feira pelo CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, de que a empresa não comercializará mais carne proveniente do Mercosul.
    Em nossa missão de promover as exportações brasileiras, temos participado dos esforços do governo e do setor privado que tornaram o Brasil e seus parceiros do Mercosul os principais fornecedores de proteína animal do mundo. Assegurando a segurança alimentar de populações dos mais diversos países.
    Entendemos não haver motivos razoáveis para restrições à carne produzida no Mercosul. Seguimos os mais rigorosos padrões sanitários e ambientais, que garantem sua qualidade em todas as operações de venda de proteína brasileira ao exterior. Qualidade reconhecida por mais de 160 países, inclusive pela União Europeia.
    A ApexBrasil vem trabalhando, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), no estímulo ao crescimento das exportações brasileiras do setor e na abertura de novos mercados mundo afora.
    Muito estranhamos tal movimento por parte da gigante do varejo francês, em meio a pressões protecionistas em seu país. Isso no momento em que Mercosul e União Europeia estão próximos de fechar o ambicionado acordo que formará o maior mercado do planeta. Beneficiando enormemente as populações dos países signatários.

    Próximos capítulos

    Com o tamanho da repercussão da fala do CEO, e os impactos que isso pode ter no mercado, podemos esperar novas falar de todos os lados durante a semana.

    A França mantém um histórico de proteger seus produtos do agronegócio. E, considerando que a declaração pode prejudicar a imagem do Carrefour no Brasil, é possível uma reviravolta, assim como ocorreu recentemente com a Danone.

    Acompanhe o Agro em Campo para descobrir os desdobramentos dessa situação nos próximos dias.