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  • Pará firma parceria com empresas para impulsionar pecuária sustentável

    Pará firma parceria com empresas para impulsionar pecuária sustentável

    O Governo do Pará anunciou nesta quinta-feira (24) uma aliança estratégica com grandes empresas do setor alimentício para impulsionar o Programa Pecuária Sustentável do Pará. Entre os signatários estão o Grupo Carrefour Brasil, a JBS, e os frigoríficos Rio Maria e Mafrinorte. A iniciativa visa implementar a rastreabilidade individual do rebanho bovino paraense – do nascimento ao abate – até 2026, garantindo transparência e combate ao desmatamento ilegal.

    O programa é pioneiro no Brasil e busca alinhar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e bem-estar social. As empresas envolvidas se comprometem a incentivar a produção de carne livre de desmatamento, apoiar pequenos e médios produtores e informar os consumidores sobre os diferenciais da carne rastreada.

    Investimentos e tecnologia para rastreabilidade

    O Grupo Carrefour Brasil investirá R$ 10 milhões na aquisição de brincos eletrônicos e chips para alimentar o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), lançado em 2024. Além disso, a empresa oferecerá assessoria gratuita para a regularização de fazendas, em parceria com a JBS.

    pecuária sustentável
    Hana Ghassan, Vice-Governadora do Pará; Helder Barbalho, Governador do Pará; Stéphane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil; e Raul Protázio, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará.

    A partir do segundo semestre de 2025, as lojas do Carrefour no Pará serão as primeiras a vender carne com a certificação do programa. “A proteção do planeta e da biodiversidade é um dos pilares da nossa estratégia. Temos um papel fundamental em agendas colaborativas de alto impacto”, afirmou Stéphane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

    Pará como referência em pecuária sustentável

    O Pará possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE (2023). O governador Helder Barbalho destacou que o estado já registra avanços: “Reduzimos o desmatamento sem perder produtividade. Em março, atingimos a menor área desmatada desde 2019. Isso prova que estamos no caminho certo.”

    A JBS, por sua vez, reforçou seu compromisso com a pecuária de baixo carbono no estado, em parceria com ONGs como The Nature Conservancy (TNC). “Estamos investindo em rastreabilidade e regularização ambiental para fortalecer a pecuária sustentável”, disse Bruno Brainer, diretor de operações da Friboi na região Norte.

    Frigoríficos como agentes de transformação

    O Frigorífico Rio Maria, que já participa de um projeto piloto de rastreabilidade, destacou a importância da iniciativa:

    “A rastreabilidade é uma exigência do futuro. Produzir com responsabilidade agrega valor à cadeia da carne e do couro”, afirmou Roberto Paulinelli, presidente da empresa.

    A rastreabilidade é crucial para atender às exigências de mercados como União Europeia e China, que demandam comprovação de origem sustentável. O programa posiciona o Pará como um líder em produção responsável, abrindo portas para novos negócios globais.

    Com essa iniciativa, o estado avança na integração entre produtividade e conservação, reforçando seu papel na agenda climática global.

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  • Carrefour Brasil lamenta declaração de CEO

    Carrefour Brasil lamenta declaração de CEO

    O Carrefour Brasil lamentou a recente declaração do CEO global do grupo, Alexandre Bompard, que gerou polêmica ao afirmar que a rede não venderia mais carne proveniente do Mercosul em suas lojas na França. A posição de Bompard provocou uma onda de boicotes por parte de frigoríficos brasileiros, resultando em relatos de falta de carne nas unidades do Carrefour em São Paulo.

    Desde a declaração, que ocorreu no dia 20 de novembro, frigoríficos como JBS, Marfrig e Masterboi interromperam o fornecimento de carne ao Carrefour no Brasil. A suspensão começou a impactar as prateleiras das lojas, com clientes relatando escassez de produtos. Em uma pesquisa realizada pela Folha de S. Paulo, 34 dos 60 entrevistados afirmaram que notaram a falta de carne nas lojas da rede.

    Em um comunicado, o Carrefour Brasil reconheceu que a suspensão do fornecimento afeta seus clientes, especialmente aqueles que confiam na empresa para abastecer suas casas com produtos de qualidade. “Estamos em diálogo constante na busca de soluções que viabilizem a retomada do abastecimento de carne nas nossas lojas o mais rápido possível”, afirmou a empresa.

    Governo apoia boicote

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, apoiou o boicote dos frigoríficos e criticou a maneira como Bompard abordou a qualidade da carne brasileira, destacando que o Brasil possui um dos melhores sistemas de sanidade alimentar do mundo. Ele ressaltou que as declarações do CEO francês parecem estar alinhadas com interesses protecionistas que têm ganhado força na França, especialmente em meio às discussões sobre um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

    Analistas apontam que a interrupção no fornecimento pode ter um impacto significativo nas vendas do Carrefour Brasil, já que a carne bovina representa cerca de 12% das vendas totais da varejista. A situação é monitorada com preocupação, pois os estoques limitados podem levar à escassez real nos próximos dias.

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    Enquanto isso, surgem especulações sobre uma possível influência do governo francês nas declarações do Carrefour e nas críticas à carne brasileira. O governo francês tem se mostrado contrário ao acordo com o Mercosul, temendo que os produtos sul-americanos possam prejudicar seus agricultores.

    Apesar das dificuldades enfrentadas, o Carrefour Brasil reafirmou seu compromisso com o setor agropecuário brasileiro. E expressou esperança em resolver rapidamente a situação para atender seus clientes com qualidade e responsabilidade.

    Embargo aumenta e inclui carne de frango

    O ministro Carlos Fávaro anunciou que o embargo ao Carrefour no Brasil se estende também à carne de frango.

    Em entrevista à Folha de S. Paulo, Fávaro expressou indignação com a posição do Carrefour e classificou a decisão como um “absurdo” e um pretexto protecionista. “Se ele não quer comprar os produtos brasileiros, é simples, não compra. Agora, dizer que não tem qualidade sanitária? Faz 40 anos que a França compra carne do Brasil”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que a França representa apenas 0,5% das exportações de carne brasileira e que o Brasil possui garantias de qualidade sanitária reconhecidas mundialmente.

    Fávaro enfatizou que “não vamos admitir que questionem a qualidade da nossa carne”. E reiterou que o Brasil possui um histórico sólido na produção de alimentos seguros e de qualidade. A crise atual ressalta as tensões comerciais entre os dois países e levanta questões sobre as futuras relações comerciais no setor agropecuário.