Tag: carcinicultura

  • Pesquisador ensina truque para extrair mais sabor do camarão

    Pesquisador ensina truque para extrair mais sabor do camarão

    O camarão figura entre os frutos do mar preferidos dos brasileiros, mas o preparo ainda gera dúvidas na cozinha. Muita gente erra na limpeza e descarta partes que concentram sabor e nutrientes. Fábio Sussel, pesquisador científico do Instituto de Pesca (IP), uma das sete unidades da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, reuniu orientações para mudar esse cenário.

    Uma limpeza bem-feita mantém a qualidade do camarão sem prejudicar sabor ou textura, segundo Sussel. O processo exige a retirada do trato digestório, a popular “veia” do camarão, e cuidados no descongelamento e no armazenamento, sempre respeitando a cadeia do frio.

    “Conhecendo a matéria-prima, fica fácil entregar qualidade em termos de sabor e textura. Meu trabalho é entender profundamente o camarão e mostrar como preservar essa qualidade desde o processamento até o preparo”, explica o pesquisador.

    Cabeça e carcaça concentram até 30% do sabor

    Muita gente descarta a cabeça e a carcaça do camarão durante a limpeza. Sussel discorda dessa prática: essas partes concentram grande parte do sabor do animal e rendem caldos, molhos e risotos mais saborosos.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    “A cabeça não é lixo. Ela concentra muito sabor e pode ser utilizada em diferentes preparos. Respeitar os animais de produção também significa aproveitar integralmente aquilo que foi produzido”, afirma.

    A cabeça representa cerca de 30% do peso total do camarão. Descartá-la aumenta o desperdício de alimentos e desperdiça uma matéria-prima valiosa para a gastronomia. O caldo extraído dessas partes agrega aroma e intensidade às receitas. E ainda reduz a necessidade de temperos industrializados.

    Pesquisas miram produção e consumo consciente

    O Instituto de Pesca conduz as orientações dentro de pesquisas sobre qualidade do camarão cultivado e processamento do alimento. O trabalho integra estudos sobre carcinicultura brasileira, entre eles o projeto “Viabilidade Técnica e Econômica da Produção de Camarão Marinho Longe do Mar”, que avalia sistemas intensivos de recirculação de água e tecnologias adaptadas ao interior do país.

    Além de avançar na produção, as pesquisas também ampliam o conhecimento da população sobre boas práticas de manipulação, conservação e aproveitamento do camarão. A meta é contribuir para uma alimentação mais sustentável e reduzir o desperdício de alimentos nas cozinhas brasileiras.

    A aquicultura brasileira já produz cerca de 230 mil toneladas de camarão marinho por ano, enquanto a pesca extrativa soma aproximadamente 60 mil toneladas. Esse crescimento da produção aquícola amplia a oferta de proteína de qualidade no país e reforça a importância de difundir conhecimentos que garantam o melhor aproveitamento do alimento até a mesa do consumidor.

  • Produção de camarão em água salobra cresce e gera renda

    Produção de camarão em água salobra cresce e gera renda

    A produção de camarão em águas interiores ganha espaço no Piauí como alternativa para diversificação da renda rural e fortalecimento da aquicultura. O tema reuniu especialistas, produtores e técnicos no I Seminário de Carcinicultura em Águas Interiores, realizado em maio, em Parnaíba (PI).

    Promovido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o evento destacou soluções sustentáveis, inovação tecnológica e estratégias para expandir a atividade no estado.

    O seminário ocorreu na Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) e reuniu cerca de 300 participantes, entre produtores rurais, pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes de empresas do setor aquícola.

    Evento destaca inovação e manejo produtivo

    A programação incluiu palestras, mesas-redondas e um Dia de Campo. Os debates abordaram temas como manejo produtivo, cultivo em água de poço salobra, políticas públicas de incentivo, desenvolvimento regional e experiências práticas da carcinicultura familiar.

    A 7ª Superintendência Regional da Codevasf, responsável pela organização, conduziu as discussões com apoio do escritório técnico da companhia em Parnaíba.

    O superintendente regional da Codevasf, Anderson Oliveira, ressaltou o papel estratégico do seminário para o setor.

    “O encontro fortalece a troca de conhecimentos e amplia a difusão de experiências sustentáveis. Reunimos diferentes atores para discutir caminhos que gerem mais renda e desenvolvimento para os produtores piauienses”, afirmou.

    Carcinicultura em águas interiores mostra potencial de expansão

    Durante o evento, especialistas destacaram o potencial da carcinicultura em águas interiores como alternativa viável no Nordeste, especialmente em áreas com disponibilidade de água salobra.

    A atividade tem avançado com o uso de tecnologias adaptadas e sistemas produtivos mais eficientes, o que amplia as oportunidades para pequenos e médios produtores.

    Produtor relata experiência com água de poço salino

    Um dos destaques do seminário foi a apresentação do produtor Giuseppe da Silva, presidente da Associação dos Produtores Rurais da Planície Litorânea. Ele compartilhou a experiência com a carcinicultura familiar no litoral do Piauí.

    Segundo o produtor, o principal desafio no início foi a falta de conhecimento técnico sobre a atividade. “A Codevasf teve papel fundamental. Com apoio técnico, estruturamos o projeto e hoje já estamos no quinto ciclo de produção”, relatou.

    Giuseppe explicou que análises da água e o aproveitamento de uma estrutura já existente para piscicultura viabilizaram a adaptação do sistema. “O que começou como teste virou fonte de renda. Identificamos que a água tinha potencial e conseguimos inserir a atividade na propriedade”, disse.

    Além das atividades teóricas, os participantes realizaram uma visita técnica a unidades de produção. A iniciativa permitiu acompanhar, na prática, sistemas de cultivo em águas interiores e ampliar o intercâmbio de conhecimento entre produtores, técnicos e instituições.

  • Expansão da carcinicultura impulsiona debates sobre produção de camarão no Piauí

    Expansão da carcinicultura impulsiona debates sobre produção de camarão no Piauí

    A carcinicultura ganhou destaque no Piauí durante o I Seminário de Carcinicultura em Águas Interiores. O evento ocorreu nesta semana na UFDPar, em Parnaíba. Ele reuniu especialistas, gestores e produtores do setor aquícola.

    O encontro discutiu a expansão da criação de camarão para o interior do estado. O foco principal ficou no semiárido e no sul do Piauí. A iniciativa também buscou fortalecer a produção em águas interiores e salobras.

    A Codevasf promoveu o seminário em parceria com universidades e instituições públicas. A Adapi participou ativamente das discussões. O evento também contou com apoio de entidades ligadas ao setor produtivo.

    O Piauí possui apenas 66 quilômetros de litoral. Esse fator torna a interiorização da atividade estratégica. Por isso, especialistas defenderam o avanço da produção no interior.

    No semiárido, a água de poços apresenta alta salinidade. Além disso, a vazão é considerada adequada para o cultivo de camarão. Esses fatores favorecem a expansão da atividade aquícola.

    No sul do estado, os rios Gurguéia e Parnaíba ampliam as possibilidades de produção. Esses recursos hídricos reforçam o potencial da região. Assim, o setor ganha novas áreas de desenvolvimento.

    Integração e inovação no setor aquícola

    Durante o seminário, os participantes também destacaram o policultivo. Esse sistema integra a criação de camarão e tilápia. Ele aumenta a produtividade e diversifica a renda dos produtores.

    A Adapi participou com técnicos da área de sanidade animal. Entre eles estiveram Idilio Moura e Janílson Lima. Eles acompanharam os debates ao longo dos dois dias de evento.

    Os participantes discutiram sanidade animal, produção e comercialização. Eles também abordaram a expansão da cadeia produtiva. O encontro reforçou a importância da organização do setor.

    Instituições como Embrapa, IFs, UFDPar, UFC e UFPE participaram do evento. O IBGE e outras entidades públicas também estiveram presentes. Produtores e estudantes completaram o público.

    Para os organizadores, a integração entre instituições e produtores é essencial. Essa união pode gerar empregos e renda, além de fortalecer o desenvolvimento econômico do Piauí.

  • Produção de camarão atinge 2 toneladas semanais e pode chegar a 13 toneladas

    Produção de camarão atinge 2 toneladas semanais e pode chegar a 13 toneladas

    O produtor rural José Ivaldo Oliveira trocou a agricultura pela criação de camarão há 11 anos, em Pernambuco. Desde então, ele transformou a atividade em uma fonte sólida de renda. Atualmente, ele produz cerca de duas toneladas por semana, com apoio do filho, o engenheiro de pesca Emerson Oliveira.

    Além disso, a família encontrou em Feira Nova, no Agreste setentrional, condições ideais para o cultivo. Assim, José Ivaldo se tornou o primeiro produtor de crustáceos do município. A experiência abriu espaço para o crescimento da atividade na região.

    Segundo Emerson, o sistema utiliza o chamado camarão cinza, muito valorizado no mercado nacional.

    “Esse é o camarão cinza, camarão de praia. É o maior camarão produzido aqui no Brasil e é muito versátil com as características zootécnicas dele. Se adapta muito bem às nossas condições, tanto às condições de água quanto também de qualidade do solo”, afirmou.

    Além disso, o produtor projeta ampliar a produção nos próximos meses. “Até o final do ano, a nossa previsão é de 13 toneladas”, destacou Emerson. Para a comercialização, o camarão precisa atingir pelo menos 10 gramas, peso mínimo exigido para venda.

    Por outro lado, a atividade segue em expansão no município. Hoje, Feira Nova reúne cerca de 20 produtores. Juntos, eles alcançam aproximadamente 200 toneladas, segundo dados da Secretaria de Agricultura local. Dessa forma, a carcinicultura se consolida como uma atividade econômica relevante na região.

    Integração do setor no Nordeste e no Piauí

    Além do avanço em Pernambuco, o setor também se fortalece em outras regiões do Nordeste. No Piauí, especialistas e produtores discutem a expansão da criação de camarão para o interior do estado. Durante seminário recente em Parnaíba, instituições como Adapi, Codevasf e universidades destacaram o potencial do semiárido. Assim, a atividade avança como alternativa de renda, inovação e desenvolvimento regional no Nordeste.

  • Produção de camarão cresce no interior impulsionada por novas tecnologias

    Produção de camarão cresce no interior impulsionada por novas tecnologias

    A interiorização da carcinicultura no Brasil avança impulsionada por soluções nutricionais que viabilizam o cultivo de camarão em diferentes níveis de salinidade. Tradicionalmente concentrada no litoral do Nordeste, a atividade ganha espaço no interior de estados como Ceará e Rio Grande do Norte, ampliando a produção nacional e diversificando as áreas de cultivo.

    Em 2025, o Brasil produziu cerca de 230 mil toneladas de camarão cultivado, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC). O crescimento ocorre principalmente devido à abertura de novas fronteiras produtivas fora do litoral. Produtores adotam tecnologias que permitem o cultivo em ambientes com alta ou baixa salinidade, o que fortalece a segurança alimentar, gera renda e descentraliza a atividade.

    A criação em regiões interiores, no entanto, exige atenção ao equilíbrio nutricional dos animais, sobretudo em águas de baixa salinidade. Para enfrentar esse desafio, empresas ampliam investimentos em pesquisa e desenvolvimento de rações funcionais capazes de reduzir perdas e melhorar o desempenho produtivo.

    Segundo Ricardo Garcia, gerente de Produtos de Aquicultura da ADM, a expansão para o interior acompanha as demandas do setor. “A interiorização da carcinicultura avança com base na oportunidade de produção em regiões com baixa salinidade. Trabalhamos para apoiar a sustentabilidade econômica dos produtores, com soluções que reduzem o impacto ambiental, aumentam a rentabilidade e promovem o bem-estar animal”, afirma.

    Expansão

    O executivo destaca ainda que esses fatores são essenciais para consolidar a atividade em novos territórios. “Nosso objetivo é contribuir para uma produção mais eficiente e responsável, apoiando o desenvolvimento dos camarões em diferentes sistemas de cultivo”, acrescenta.

    camarão
    Foto: Divulgação ADM

    O Brasil ocupa atualmente a quarta posição entre os maiores consumidores de camarão do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Japão. A espécie mais cultivada no país, o Litopenaeus vannamei, apresenta alta adaptabilidade a ambientes de baixa salinidade, o que favorece a expansão da atividade para longe do litoral.

    A interiorização da carcinicultura também contribui para diversificar a produção, ampliar a oferta no mercado interno e fortalecer cadeias produtivas regionais. Ao distribuir a atividade em diferentes localidades, o setor se torna mais resiliente e sustentável, reduzindo a dependência exclusiva das áreas costeiras.

  • Veja o erro que os brasileiros cometem com camarão no inverno

    Veja o erro que os brasileiros cometem com camarão no inverno

    O camarão é tradicionalmente associado ao verão, às praias e às férias. Mas especialistas alertam: essa mentalidade pode estar fazendo você perder uma oportunidade nutricional valiosa nos meses mais frios do ano. Segundo o Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o camarão é uma excelente fonte de proteína e nutrientes essenciais que deveria fazer parte do cardápio durante todo o ano.

    A preferência sazonal dos brasileiros pelo camarão está diretamente relacionada ao turismo e ao clima quente. Nas regiões litorâneas do sudeste, onde a movimentação nas praias diminui consideravelmente com a chegada do frio, o consumo de frutos do mar despenca. Essa variação no consumo interfere significativamente no comércio do produto, prejudicando toda a cadeia produtiva.

    De acordo com dados da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), em 2024, a área de berçário de camarão no Brasil somou 35 mil hectares e a produção nacional totalizou 210 mil toneladas. A produção de camarão no Brasil atingiu 127,5 mil toneladas em 2023, com o Rio Grande do Norte entre os maiores produtores, figurando em 2º lugar a nível nacional.

    Brasil: uma potência emergente na carcinicultura

    O Brasil tem se consolidado como uma força na carcinicultura mundial. Tomando como referência o ano de 2016 (60.000 toneladas), o ano passado apresentou um incremento de 150% (150.000 toneladas), com um detalhe muito importante: de um total de 382.000 toneladas produzidas entre 2020 a 2022, apenas 618 toneladas (0,16%) foram exportadas.

    A Região Nordeste concentra quase 100% da produção nacional, que em 2020 alcançou 63 mil toneladas, sendo que os estados do Rio Grande do Norte e do Ceará se destacam na criação desse crustáceo, representando cerca de 70% da produção brasileira. Isso significa que praticamente toda a produção nacional está voltada para o mercado interno, criando oportunidades para ampliar o consumo durante todo o ano.

    Por que incluir camarão no cardápio de inverno

    Rico em selênio, vitamina B12, zinco e ômega-3, o camarão contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico. Além de auxiliar na saúde cardiovascular e possui baixo teor de gordura. Para quem deseja manter uma alimentação equilibrada no inverno, é uma excelente alternativa para variar o consumo de proteínas tradicionais, como carnes vermelhas e frango.

    “Os dias frios de fato trazem uma tendência natural de escolhas por proteínas que tragam maior sensação de saciedade, como a suína e a bovina. Mas saúde é algo que devemos cuidar o ano todo. Moqueca e caldo de cabeça de camarão, por exemplo, são opções ricas em ômega-3. E que caem muito bem no período do inverno”, explica o pesquisador científico do IP Fábio Sussel.

    Por sua versatilidade, o camarão pode ser incluído em receitas mais aconchegantes, ideais para os dias frios. Risotos cremosos, moquecas aromáticas, caldos reconfortantes e escondidinhos saborosos são apenas algumas das opções que transformam este fruto do mar em pratos perfeitos para o inverno.

    Apoio à economia nacional

    Incluir o camarão no cardápio de inverno é também uma forma de apoio. Produtores e comerciantes dependem da cadeia do pescado ao longo de todo o ano. Com 3.500 produtores atuaram na carcinicultura, sendo 2.450 microprodutores (70%), o setor representa uma importante fonte de renda para milhares de famílias brasileiras.

    Apostar em pratos com frutos do mar pode trazer novos sabores à mesa e ainda proporcionar benefícios importantes à saúde, enquanto contribui para a estabilidade econômica de um setor em crescimento no país.

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