Tag: Canola

  • Pesquisa revela potencial da canola brasileira para descarbonizar a aviação

    Pesquisa revela potencial da canola brasileira para descarbonizar a aviação

    Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) aponta que o combustível sustentável de aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel) produzido a partir de canola de segunda safra no Brasil tem potencial de reduzir em até 55% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em relação ao querosene fóssil convencional Jet-A1. O resultado depende do cenário de adoção e considera toda a cadeia produtiva, do cultivo da oleaginosa até a queima do combustível na aeronave.

    A metodologia adotada pelos pesquisadores é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), abordagem que mapeia os impactos ambientais em cada etapa do processo produtivo. “O setor aéreo precisa de alternativas tecnicamente viáveis para cumprir metas climáticas globais. E o SAF é hoje a principal estratégia de curto e médio prazo”, afirma Giulia Lamas, doutoranda da UnB e colaboradora da Embrapa Meio Ambiente. “Nosso diferencial foi analisar a canola cultivada como segunda safra no Brasil, em rotação com a soja, sob condições tropicais ainda pouco representadas na literatura internacional”, acrescenta.

    Potencial real, mas com limites regulatórios

    A analista da Embrapa Meio Ambiente Priscila Sabaini esclarece que a redução de 55% representa um potencial máximo, calculado em um cenário hipotético e otimista, ainda inviável na prática. Uma das principais barreiras é técnica e regulatória: o SAF do tipo HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), produzido a partir de óleos e gorduras vegetais, só pode compor até 50% da mistura com o querosene convencional. Ou seja, a substituição integral do combustível fóssil ainda não é possível.

    O estudo avaliou três cenários para a produção de um megajoule (MJ) de bioquerosene. Uso exclusivo de Jet-A1 fóssil; mistura de 50% SAF com 50% Jet-A1; e 100% SAF. Os resultados dialogam com diretrizes internacionais como o programa Corsia, da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). E com políticas nacionais como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.

    Agricultura concentra a maior parte das emissões

    Os dados mostram que a fase agrícola responde pela maior parcela das emissões ao longo do ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo gera aproximadamente 34,2 g de CO₂ equivalente por MJ, volume impulsionado principalmente pela produção de fertilizantes e pelas emissões de óxido nitroso (N₂O) do solo. A etapa de conversão industrial via HEFA, quando utiliza hidrogênio de origem fóssil, adiciona cerca de 12,8 g de CO₂ eq./MJ.

    “A produção e o uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, representam o principal ponto crítico do sistema”, alerta Alexandre Cardoso, pesquisador da Embrapa Agroenergia. Ele destaca que os bioinsumos surgem como uma alternativa promissora para reduzir as emissões na produção da canola. O estudo também classifica os impactos dos fertilizantes em categorias como eutrofização (excesso de nutrientes em ambientes aquáticos que provoca proliferação de algas e queda nos níveis de oxigênio)  e toxicidade humana.

    “A análise evidencia que a sustentabilidade do SAF depende tanto de avanços industriais quanto de melhorias nas práticas agronômicas”, complementa o professor Edgar Amaral Silveira, da UnB, orientador e coautor do estudo.

    Hidrogênio verde muda o jogo

    A origem do hidrogênio utilizado na produção do combustível emerge como um dos fatores mais determinantes para o desempenho ambiental do SAF. Quando o hidrogênio fóssil cede lugar ao hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis, como energia solar e eólica, as emissões na etapa industrial caem entre 86% e 94%. Em cenários mais avançados, com integração de hidrogênio de baixo carbono, o combustível final apresenta intensidade de carbono significativamente menor do que o querosene fóssil.

    “A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma importante a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação”, destaca Silveira.

    Vantagem brasileira: canola que não compete por terra

    O Brasil reúne uma característica que diferencia positivamente o SAF nacional no cenário global. A canola ocupa áreas já utilizadas, como segunda safra de inverno em rotação com a soja, sem disputar espaço com outras culturas principais.

    “Aqui a canola não entra como cultura principal que ‘disputa’ área, mas como opção de segunda safra no inverno e na safrinha, em sistemas integrados de rotação”, explica Bruno Laviola, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia e pesquisador responsável pela tropicalização da canola. Segundo ele, essa característica melhora o desempenho de sustentabilidade da canola brasileira frente a regiões onde produtores a cultivam como safra única.

    O estudo aponta, contudo, que as emissões associadas à mudança indireta do uso da terra (iLUC) ficaram fora do escopo da análise,. Lacuna que os autores identificam como oportunidade para pesquisas futuras.

    Canola ainda está fora do RenovaCalc

    Os resultados também têm implicações diretas para o mercado de biocombustíveis no Brasil. Atualmente, a canola não integra a rota HEFA do RenovaCalc, ferramenta do programa RenovaBio para certificação da intensidade de carbono e emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs). A inclusão da oleaginosa nessa plataforma pode ampliar as opções de certificação e refletir melhor a diversidade agrícola do país.

    Os pesquisadores reforçam que a análise ambiental precisa ir além das emissões de CO₂. “A redução das emissões climáticas deve vir acompanhada de melhorias no uso de fertilizantes e na mitigação de impactos sobre água e ecossistemas”, afirma Sabaini. “O Brasil reúne condições favoráveis para integrar produção agrícola e energia renovável. O que pode ampliar ainda mais os benefícios climáticos do SAF”, acrescenta a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Marilia Folegatti.

    O estudo é fruto de uma colaboração entre o Laboratório de Energia e Ambiente (LEA) da UnB, a Embrapa Agroenergia (DF) e a Embrapa Meio Ambiente (SP), e contribui para o debate internacional sobre a descarbonização da aviação.

  • Crescimento da canola impulsiona diversificação e renda no campo

    Crescimento da canola impulsiona diversificação e renda no campo

    O cultivo de canola vem conquistando espaço no Brasil e se destaca como uma opção rentável de diversificação agrícola. A oleaginosa, tradicional em países de clima temperado, mostra excelente adaptação ao Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as condições climáticas favorecem o plantio na entressafra de soja e milho.

    Atualmente, o estado concentra cerca de 90% da área nacional, com semeadura entre março e maio. Segundo José Geraldo Mendes, engenheiro agrônomo e responsável pela área de supply chain da Advanta Seeds, o crescimento da cultura vai além do retorno financeiro. “A canola contribui para a rotação de culturas, melhora a estrutura do solo e reduz pragas e doenças, agregando valor ao sistema produtivo”, explica.

    Expansão acelerada e novas fronteiras

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área plantada com canola atingiu 211,8 mil hectares em 2025, alta de 43% em relação ao ano anterior. A produção também cresceu: o país colheu cerca de 195 mil toneladas em 2025, com expectativa de 300 mil toneladas em 2026.

    Mendes projeta que a área cultivada deve ultrapassar os 300 mil hectares na safra 2026, acompanhando o aumento da demanda. Além do Sul, novas iniciativas despontam em regiões como o entorno de Brasília, que apresenta solos e altitude favoráveis à cultura.

    Mercado aquecido e demanda por biocombustíveis

    O mercado de canola ganha força com o aumento do consumo global de seus derivados. O óleo de canola, reconhecido pelo baixo teor de gordura saturada, cresce na alimentação humana e na indústria de biodiesel. O farelo, rico em proteína, é cada vez mais utilizado na nutrição animal.

    O avanço dos biocombustíveis e do combustível sustentável de aviação (SAF) tende a elevar ainda mais a demanda. “Se o uso do óleo de canola em SAF se confirmar, veremos mais liquidez e incentivo ao plantio”, afirma Mendes.

    Investimento em genética e tropicalização

    Para sustentar o crescimento, o setor investe no fortalecimento da cadeia produtiva, ampliando o acesso a sementes de qualidade e tecnologia. A Advanta Seeds lidera pesquisas para adaptar materiais genéticos ao clima tropical, por meio de programas de tropicalização da canola.

    “Já contamos com híbridos desenvolvidos na Austrália que se adaptaram bem às condições brasileiras. Além disso, iniciamos a produção nacional de sementes, o que abre caminho para o Brasil se tornar polo exportador para países como Paraguai, Uruguai e África do Sul”, destaca o engenheiro agrônomo.

  • Algas marinhas podem ajudar grãos do Cerrado a resistirem à seca

    Algas marinhas podem ajudar grãos do Cerrado a resistirem à seca

    Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, em Brasília (DF), estão avaliando o potencial de algas marinhas brasileiras como base para um bioestimulante agrícola capaz de aumentar a tolerância de culturas como trigo e canola ao estresse hídrico. Em testes realizados em casa de vegetação, os cientistas observaram incrementos de até 160% na formação de síliquas da canola. E crescimento radicular até 12% maior no trigo, características essenciais para a manutenção da produtividade em períodos de seca.

    O projeto, chamado Algoj, conta com parceria da CBKK e recebe apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). As pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão coordenam a iniciativa desde 2023 e consideram os resultados preliminares promissores. A próxima etapa prevê testes em campo, onde fatores ambientais não sofrem controle.

    Algas brasileiras: bioinsumo e geração de renda

    Além do impacto agronômico, o projeto busca valorizar a biodiversidade marinha nacional. As algas utilizadas são cultivadas em diferentes pontos da costa brasileira, contribuindo para a geração de emprego e renda a comunidades pesqueiras. “É uma oportunidade para unir sustentabilidade, adaptação climática e valorização de recursos naturais do Brasil”, destaca Mendonça.

    Nos dois primeiros anos de pesquisa, os cientistas analisaram quatro espécies de algas e selecionaram três com maior potencial biotecnológico. O foco foi extrair metabólitos secundários, conhecidos como fitormônios, que atuam como sinalizadores químicos capazes de estimular respostas benéficas nas plantas.

    Após vários testes de secagem e extração, quatro extratos foram selecionados a partir de ensaios com mudas de tomate da variedade BRS Zamir, desenvolvida pela própria Embrapa.

    Resultados positivos em grãos do Cerrado

    Em seguida, o projeto avançou para experimentos com trigo e canola, culturas de inverno em expansão no Cerrado, bioma que enfrenta estiagens cada vez mais severas.

    Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves/Embrapa

    Nos testes com canola, uma das formulações de algas antecipou o florescimento e aumentou a produtividade sob limitação de água, resultados superiores aos obtidos com produtos comerciais de referência. No trigo de sequeiro, a aplicação promoveu crescimento de raízes até 12% maior, favorecendo o aproveitamento de água no solo.

    O pesquisador Agnaldo Chaves ressalta que os dados referem-se a condições controladas. “Se conseguirmos replicar de 5% a 10% desses resultados em lavouras comerciais, será um avanço importante para a produtividade”, avalia.

    Inovação no transporte e conservação do bioinsumo

    Outro desafio enfrentado pelo grupo foi desenvolver uma formulação que garantisse estabilidade e baixo custo de transporte. Para isso, a equipe criou um extrato seco em pó, obtido pelo processo de spray dryer, com apenas 1,5% de umidade. A técnica preserva os fitormônios sensíveis ao calor e aumenta o rendimento da produção em até 80%.

    Com a fase de testes em casa de vegetação concluída em janeiro de 2026, o projeto busca renovar a parceria e levar os experimentos para o campo experimental e áreas de produtores. Lá, serão definidas doses ideais, épocas de aplicação e a viabilidade comercial do bioestimulante.

    Ainda há pontos em estudo, como a combinação ideal de diferentes espécies de algas e o desempenho do extrato em regiões com regimes de chuva distintos. “Somente os testes em campo vão mostrar o real potencial do produto e sua adaptação às condições climáticas brasileiras”, afirma Mendonça.

    A expectativa é que a tecnologia resulte em um bioinsumo sustentável, produzido com recursos da biodiversidade nacional, capaz de fortalecer a resiliência das lavouras brasileiras à seca e apoiar a adaptação da agricultura às mudanças climáticas.

  • Rio Grande do Sul inicia colheita da canola

    Rio Grande do Sul inicia colheita da canola

    O Rio Grande do Sul deu início à colheita da canola com perspectivas positivas para a safra 2024/2025. A Emater/RS-Ascar divulgou nesta quinta-feira (25/09) que 3% das lavouras já foram colhidas, enquanto 87% permanecem na fase de floração e enchimento de síliquas.

    As condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura. A boa disponibilidade de radiação solar e as temperaturas amenas beneficiaram o florescimento e a formação das síliquas. O estado nutricional das lavouras apresenta-se adequado em toda a região produtora.

    A área cultivada alcança 203.206 hectares, com produtividade projetada de 1.737 kg/ha. Os produtores mantêm o manejo preventivo com fungicidas e inseticidas, especialmente nas áreas em florescimento.

    Na região de Frederico Westphalen, 20% da área encontra-se em florescimento. Outros 70% estão em enchimento de grãos, 8% em maturação e 2% já colhidos. A produtividade projetada atinge 1.600 kg/ha.

    A região de Ijuí apresenta 75% das lavouras em granação, 3% em maturação e 2% colhidas. O rendimento varia entre 1.800 e 2.100 kg/ha. Em Santa Rosa, 12% dos cultivos estão em floração, 65% em enchimento de grãos, 20% em maturação e 3% colhidos.

    Trigo enfrenta desafios após chuvas intensas

    As lavouras de trigo gaúchas mantêm desenvolvimento satisfatório, apesar da variabilidade climática regional. As chuvas volumosas do último fim de semana (20 e 21/09) geraram apreensão entre os produtores.

    Os produtores intensificaram o manejo fitossanitário após o período de molhamento prolongado. As aplicações de fungicidas aumentaram para prevenir doenças nas áreas em floração e enchimento de grãos.

    Atualmente, 35% das lavouras estão em floração e outros 35% em enchimento de grãos. O restante divide-se entre desenvolvimento vegetativo (25%) e maturação (5%). A área cultivada atinge 1.198.276 hectares, com produtividade estimada em 2.997 kg/ha.

    Aveia-branca e cevada mantêm perspectivas positivas

    A aveia-branca beneficia-se da alternância entre dias ensolarados e precipitações regulares. Contudo, o excesso hídrico aumentou a pressão de doenças fúngicas e pragas.

    O quadro fenológico mostra 10% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 25% em floração, 42% em enchimento de grãos, 17% em maturação e 6% colhidas. A área projetada alcança 401.273 hectares, com produtividade de 2.254 kg/ha.

    A cevada apresenta desenvolvimento adequado, favorecida pelas condições climáticas recentes. Do total cultivado, 37% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 36% em florescimento e 27% em enchimento de grãos.

  • Floração da canola tem início no RS

    Floração da canola tem início no RS

    O Rio Grande do Sul registra o início da floração da canola, mesmo com o plantio da safra de inverno avançando de forma lenta devido ao excesso de umidade no solo. O clima chuvoso tem dificultado o andamento das atividades agrícolas, exigindo o replantio em algumas áreas, especialmente para a cultura da canola.

    Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar em 12 de junho, a região administrativa de Santa Rosa já implantou 84% das áreas previstas para canola. Desses cultivos, 90% estão em fase de desenvolvimento vegetativo e 10% já apresentam florescimento, indicando o início do ciclo reprodutivo da cultura.

    Em São Luiz Gonzaga, onde há grande concentração de áreas cultivadas com canola, empresas do setor têm investido em programas de fomento ao cultivo da oleaginosa. A construção de uma unidade de beneficiamento com capacidade para processar 700 toneladas por dia impulsiona a expectativa e fortalece a cadeia produtiva local.

    Na região de Frederico Westphalen, a canola apresenta o maior crescimento relativo de área para esta safra. Aproximadamente 60% da área prevista já foi semeada, com bom estabelecimento e desenvolvimento das plantas. Em Manoel Viana, na região de Bagé, cerca de 80% da área total prevista de 7.300 hectares está plantada. reescreva a frase sem voz passiva:

    Para a safra 2024, a área cultivada com canola no Rio Grande do Sul atinge 1.331.013 hectares, com produtividade média estimada em 2.781 kg/ha, conforme dados do IBGE.

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  • Canola tropical será realidade com parceria inédita

    Canola tropical será realidade com parceria inédita

    A Embrapa Agroenergia, em Brasília, firmou parceria com a empresa Advanta Seeds. Juntas, vão desenvolver os primeiros híbridos tropicais de canola adaptados ao Brasil. Ou seja, a iniciativa pode transformar a produção da cultura no País. Ela abre oportunidades para produtores na segunda safra e atende à demanda crescente por óleo vegetal e biocombustíveis.

    O acordo originou o projeto BRSCanola, que busca criar cultivares híbridas com alto desempenho agronômico. Elas terão resistência a doenças, tolerância a herbicidas e adaptação ao clima tropical do Centro-Sul. A canola já está presente no Sul do Brasil, mas depende de sementes importadas da Austrália. O novo projeto tem duração de dois anos e integra iniciativas voltadas à produção sustentável.

    Segundo o pesquisador Bruno Laviola, coordenador do projeto, os esforços em pesquisa e inovação fortalecem a cadeia produtiva da canola brasileira. “Vamos unir o conhecimento da Embrapa ao da Advanta, que tem linhagens elite, para gerar cultivares adaptadas ao nosso clima”, afirma Laviola. Ele destaca que o Brasil ainda não possui cultivares comerciais próprias. Por isso, existe potencial para aumentar a produtividade e reduzir a dependência externa. Além disso, os híbridos tropicais serão mais tolerantes às mudanças climáticas, como altas temperaturas e déficit hídrico.

    Linhagens brasileiras e australianas serão cruzadas

    O projeto cruza linhagens da Embrapa com materiais da Advanta, desenvolvidos na Austrália. Os testes vão ocorrer em campo e em casa de vegetação. Em resumo, a pesquisa avaliará tolerância ao estresse hídrico, qualidade dos grãos e resistência a doenças como canela preta, mofo branco e mancha de Alternaria.

    A Advanta contribuirá com materiais genéticos de 40 anos de melhoramento tradicional. Essa colaboração preenche uma lacuna crítica no cultivo da canola tropical. Para Ana Luiza Scavone de Camargo, da Advanta, a união das duas instituições vai acelerar o desenvolvimento de materiais mais produtivos e resilientes. A Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) dará suporte administrativo e financeiro ao projeto.

    Brasil mira protagonismo global em bioeconomia

    Laviola acredita que os híbridos tropicais vão posicionar o Brasil como líder da bioeconomia global. O foco é aplicar ciência com resultados concretos. “Queremos beneficiar o produtor, a indústria de alimentos e o setor de biocombustíveis”, reforça o pesquisador.

    A área plantada de canola saltou de 40 mil hectares em 2021 para 250 mil hectares em 2024. A projeção é alcançar 350 mil hectares em 2026. Esse crescimento está atrelado às políticas públicas que incentivam o uso de biocombustíveis, como Biodiesel, SAF e Diesel Renovável.

    A produtividade ainda precisa melhorar. Para isso, são necessárias cultivares mais adaptadas e o uso de tecnologias sustentáveis.

    Canola cresce como opção de segunda safra

    A canola se consolida como alternativa para rotação de culturas na segunda safra, principalmente no Cerrado. Com ciclo curto e boa adaptação ao clima ameno, a cultura pode ser semeada logo após a soja, otimizando o uso da terra. Laviola destaca o papel da canola na sustentabilidade agrícola. “Ela melhora o solo, quebra ciclos de doenças e gera grãos valiosos para alimentos e biocombustíveis”, explica.

    Estudos mostram que até 20% da área de segunda safra com soja pode ser ocupada pela canola, sem abrir novas áreas agrícolas. Regiões subutilizadas no outono/inverno no Centro-Oeste, Sudeste e Sul têm grande potencial para cultivo. Com híbridos tropicais mais produtivos, o Brasil pode ampliar a oferta de óleo vegetal e avançar na produção de SAF e biodiesel.

    Projetos integram pesquisa e desenvolvimento

    O projeto SAFCanola, voltado ao combustível sustentável de aviação, selecionou linhagens tropicais com produtividade semelhante a híbridos comerciais.

    Essas linhagens formaram a base para o BRSCanola. No Sul, a cultura recebe água ao longo do ciclo. Já no Cerrado, há restrição hídrica na metade final. Para enfrentar esse desafio, SAFCanola desenvolveu estratégias com adubação nitrogenada e bioinsumos. As soluções incluem microrganismos que fixam nitrogênio e reduzem o estresse hídrico. Essas práticas visam sistemas mais sustentáveis, com menor emissão de carbono.

    Outro projeto, o RedeCanola, também liderado por Laviola, promove o desenvolvimento da canola em regiões tropicais. A iniciativa testa cultivares, sistemas de manejo, zoneamento agrícola e métricas de sustentabilidade. As atividades ocorrem em Unidades de Referência Tecnológica em Mato Grosso.

    Foram avaliados aspectos como ciclo da planta, impacto econômico e emissão de carbono. Os dados vão embasar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC Canola 3.0).

    Dados, cursos e aplicativos fortalecem a cadeia produtiva

    A RedeCanola também capacita produtores com cursos online, como o “Produção Sustentável de Canola”, e ferramentas digitais, como o App Mais Canola.

    Além disso, o projeto avaliou 18 híbridos em 14 municípios de sete estados. Os dados ajudarão na seleção de cultivares e regiões mais promissoras. “Queremos tornar a canola mais um exemplo de tropicalização bem-sucedida no Brasil”, conclui Laviola. Ele ressalta que o País já é referência em agricultura tropical e deve ampliar essa liderança com a nova canola híbrida tropical.

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  • Canola: zoneamento climático atualizado impulsiona o cultivo no Brasil

    Canola: zoneamento climático atualizado impulsiona o cultivo no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou nesta terça-feira (14) a atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a canola. A medida inclui novos critérios, como o risco de seca em função do tipo de solo, além dos riscos de geada no estabelecimento e na floração.

    A canola está em expansão no Brasil. Em 2024, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (ABRASCANOLA), a área cultivada alcançou 186.240 hectares. O Rio Grande do Sul lidera a produção, seguido por Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Distrito Federal.

    O agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, destacou que o novo ZARC fortalece a expansão da canola em regiões tropicais. “O movimento da cultura para essas áreas pode ocorrer com maior segurança técnica”, afirmou.

    Produção sustentável e versátil

    Os produtores brasileiros utilizam a canola principalmente para produzir óleo comestível, reconhecido como um dos mais saudáveis para consumo humano. Além disso, eles também aproveitam o grão na produção de biocombustível e ração animal. Globalmente, a canola é a terceira maior oleaginosa, atrás apenas da soja e das palmáceas.

    A canola apresenta vantagens competitivas. Em resumo, enquanto o grão de soja contém 20% de óleo, a canola atinge cerca de 40%. Além disso, a espécie ajuda a melhorar o solo e a quebrar ciclos de doenças, tornando-se uma excelente opção para a rotação de culturas.

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    Histórico do ZARC para a canola

    O primeiro ZARC para a canola foi publicado em 2008, com foco no Rio Grande do Sul e sistema de sequeiro. Em 2021, o estudo incluiu o sistema irrigado em estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A versão atual utiliza uma nova metodologia para avaliar a disponibilidade de água no solo e identifica locais e períodos ideais para o plantio.

    A Rede ZARC Embrapa, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Banco Central desenvolveram o novo ZARC em parceria. Ou seja, a ferramenta ajuda a reduzir perdas, garantir estabilidade na produção e expandir a área cultivada no Brasil.

    Ferramentas de consulta

    Os agricultores podem acessar o ZARC da canola pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível gratuitamente para iOS e Android. Além disso, outra opção é consultar o “Painel de Indicação de Riscos” no site do Ministério da Agricultura e Pecuária.