Tag: cannabis

  • ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    A quarta edição da ExpoCannabis Brasil será realizada entre os dias 20 e 22 de novembro, em São Paulo, reunindo representantes do agronegócio, da ciência, da indústria, da pesquisa e da inovação para discutir o crescimento da cadeia produtiva da cannabis e do cânhamo industrial no país.

    O evento ocorre em um momento de expansão do setor, impulsionado pelos avanços regulatórios envolvendo o cultivo de cânhamo industrial para fins medicinais e industriais no Brasil.

    Segundo a CEO da feira, Larissa Uchida, a regulamentação abriu espaço para novas oportunidades de negócios e fortaleceu o interesse de diferentes segmentos econômicos.

    “O mercado amadureceu e a feira acompanhou essa transformação. Hoje a ExpoCannabis é um ambiente onde ciência, indústria, inovação e negócios se encontram”, afirma.

    Mercado da cannabis cresce no Brasil

    Dados da consultoria Kaya Mind mostram que o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 971 milhões em 2025, atendendo cerca de 873 mil pacientes.

    Quando somados os segmentos de growshops, headshops e marcas especializadas, o mercado legal alcançou aproximadamente R$ 1,94 bilhão.

    Em um cenário de regulamentação mais ampla, a consultoria estima que essa cadeia produtiva poderá movimentar até R$ 51 bilhões por ano.

    Agronegócio amplia interesse pelo cânhamo industrial

    A edição deste ano da ExpoCannabis Brasil deve reunir entre 45 mil e 50 mil visitantes.

    A organização prevê um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.

    Além da indústria farmacêutica, o evento contará com representantes do agronegócio, biotecnologia, universidades, construção civil, medicina veterinária, tecnologia, cosméticos, alimentos, comunicação, moda e serviços especializados.

    Embrapa reforça participação na cadeia produtiva

    Entre as instituições confirmadas está a Embrapa, que trabalha em estudos para ampliar a competitividade do Brasil na produção de cânhamo industrial.

    Segundo Larissa Uchida, a participação da empresa pública fortalece a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva segura, sustentável e baseada em evidências.

    A presença da Embrapa também reforça o interesse crescente do agronegócio por culturas alternativas voltadas à bioeconomia e à inovação agrícola.

    Evento discutirá experiências internacionais

    A programação também incluirá debates sobre os diferentes modelos regulatórios adotados em diversos países.

    Especialistas apresentarão experiências relacionadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis, incluindo políticas públicas, pesquisa científica, produção agrícola e regulamentação.

    Entre os destaques está o modelo adotado pelo Uruguai, considerado uma das principais referências internacionais na regulamentação da cannabis.

    Setor atrai novos investimentos

    Segundo Larissa Uchida, a cannabis deixou de ser vista exclusivamente como um tema ligado à saúde e passou a despertar interesse de diferentes setores da economia.

    “A cannabis deixou de ser vista apenas como uma pauta medicinal. Hoje ela desperta interesse da indústria, do agro, da pesquisa, da tecnologia e dos investidores”, conclui.

    Essa expansão acompanha o avanço das discussões sobre inovação, bioeconomia e novas cadeias produtivas que podem ganhar espaço no agronegócio brasileiro, especialmente com o desenvolvimento do mercado de cânhamo industrial.

  • Cannabis avança e projeta mercado de R$ 1,2 bilhão no Brasil

    Cannabis avança e projeta mercado de R$ 1,2 bilhão no Brasil

    O avanço da cannabis medicinal no Brasil tem impulsionado investimentos e ampliado áreas de cultivo. Um dos exemplos é a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que se prepara para operar na maior área de cultivo de cannabis medicinal do país.

    Há pouco mais de um ano, o empresário Cassiano Gomes investiu R$ 1 milhão na aquisição de um terreno de 17 hectares no município de Conde (PB), na região metropolitana de João Pessoa. A nova estrutura deverá consolidar a Abrace, uma das principais referências nacionais no setor.

    Embora seja uma organização sem fins lucrativos, a Abrace opera de forma integrada, controlando todas as etapas da cadeia produtiva, desde o cultivo até a distribuição dos medicamentos. Atualmente, a entidade conta com 100 colaboradores e atende aproximadamente 60 mil pacientes.

    O canabidiol (CBD), composto extraído da cannabis, tem eficácia em tratamentos relacionados à ansiedade, dor crônica, epilepsia e distúrbios do sono — Foto: Divulgação

    Segundo Cassiano Gomes, a associação está na reta final para obter uma autorização especial de funcionamento que poderá abrir novas oportunidades de mercado.

    “Estamos em fase final para conseguir um alvará especial de funcionamento. Depois, vamos atrás do certificado de boas práticas, que nos tornaria aptos a participar de licitação ou venda direta para o governo. Esse não é nosso objetivo principal, mas como temos essa capacidade de fornecimento, vejo isso como uma forma até de baratear os medicamentos para os nossos associados”, afirmou.

    Regulamentação impulsiona expansão

    O crescimento da Abrace reflete a expansão de um novo mercado no Brasil. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a regulamentação para o plantio e a comercialização de cannabis medicinal, medida que aumentou a visibilidade do segmento e trouxe maior segurança jurídica para as entidades que atuam na área.

    Dados da Kaya Mind, startup especializada em inteligência de mercado para cannabis, mostram que o setor movimentou R$ 970 milhões em 2025, valor 14% superior ao registrado no ano anterior. Além disso, a expectativa é que o mercado alcance R$ 1,2 bilhão até 2027.

    Expansão da produção

    A Abrace foi a primeira organização brasileira a obter autorização judicial para cultivar cannabis medicinal, em 2017. Há três anos, a produção era realizada em uma área de quatro hectares em Campina Grande (PB). Agora, dos 17 hectares adquiridos em Conde, sete hectares serão destinados ao cultivo da planta.

    Além das lavouras, o novo espaço receberá o laboratório da associação, atualmente instalado em João Pessoa. A mudança permitirá reduzir custos operacionais, incluindo despesas de aluguel que hoje chegam a R$ 40 mil por mês. O projeto completo para implantação da nova estrutura exigirá investimentos estimados em R$ 8 milhões.

    Única entidade autorizada a plantar maconha no país fica na Paraíba — Foto: Divulgação/Abrace

    Apepi aposta em crescimento planejado no RJ

    Enquanto isso, no interior do Rio de Janeiro, a Associação de Apoio à Pesquisa e a Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi) também amplia sua capacidade produtiva.

    “Nossa intenção no início não era fornecer o óleo, sobretudo cobrar por ele. A associação nasce como um coletivo de mães para conseguir acesso ao produto importado. Eu plantava em casa para tratar minha filha, e o que sobrava dava para quem precisava”, relembrou Margarete Brito, fundadora.

    Ideia surgiu a partir de um grupo de mães que buscava tratamentos alternativos para seus filhos — Foto: Apepi

    A propriedade rural da Apepi possui 70 hectares, dos quais um hectare é destinado atualmente ao cultivo da cannabis. Outros seis hectares são utilizados para culturas agrícolas como girassol, crotalária e feijão-de-porco, empregadas no manejo e recuperação do solo.

    Planejamento agrícola e manejo sustentável

    De acordo com Marcelo Marega Vinhel, gerente de produção da Apepi, a entidade trabalha com planejamento revisado a cada seis meses e pretende ampliar gradualmente a área cultivada.

    “Pretendemos nos próximos cinco anos, ou talvez antes, ocupar toda a área agrícola da fazenda com cannabis. Mas isso não será feito sem planejamento. Não dá para só tirar a maconha do pé sem colocar nada no lugar. Eu tenho que deixar o solo descansar e rotacionar essa cultura”, explicou.

    A fundadora da Apepi avalia que a regulamentação da Anvisa trouxe maior respaldo para as associações e pode acelerar o crescimento da atividade em diferentes regiões do país. No entanto, ela alerta para os riscos de expansão desordenada.

    “Todo segmento novo tem esse boom no começo e depois uma queda até o mercado se estabilizar. Se isso acontecer vai sobrar mais planta do que a gente consegue consumir, ainda mais no Brasil, com toda essa quantidade de terras que tem”, afirmou.

    Apesar das perspectivas positivas para o mercado, Margarete Brito destaca que a entidade pretende preservar sua atuação focada no atendimento aos pacientes e descarta, por enquanto, alianças com grandes grupos industriais.

    Mercado pode alcançar 6,9 milhões de consumidores

    O levantamento da Kaya Mind identificou um novo impulso na criação de associações ligadas à cannabis medicinal. O movimento é resultado do aumento de profissionais especializados, da ampliação das autorizações judiciais para cultivo e da regulamentação publicada pela Anvisa.

    Atualmente, o Brasil possui 315 CNPJs ativos de associações ligadas à cannabis medicinal, sendo que 47 entidades têm autorização para cultivar a planta. Juntas, essas organizações ocupam aproximadamente 21 hectares de cultivo.

    Hoje, o mercado brasileiro atende cerca de 870 mil pessoas, mas o potencial de crescimento é muito superior. Segundo as projeções, o número de consumidores poderá alcançar 6,9 milhões de pessoas no longo prazo.

  • Entenda por que a cannabis entrou oficialmente na pauta da pesquisa agrícola

    Entenda por que a cannabis entrou oficialmente na pauta da pesquisa agrícola

    É realidade: Embrapa ganha sinal verde da Anvisa para tratar cannabis sativa como cultura agro comum. Assim, a empresa foca em genética, manejo, rastreabilidade e produtividade, colocando o cânhamo industrial no mesmo patamar de soja ou milho. Por outro lado, com R$ 971 milhões movimentados anualmente em importações medicinais, o Brasil desperdiça uma cadeia produtiva própria.

    Autorização inédita impulsiona ciência agro

    A Anvisa liberou pesquisas exclusivas em janeiro de 2026, sem comercialização imediata. A partir daí, a Embrapa avança em três frentes principais: conservação genética, agronomia medicinal e pré-melhoramento de cânhamo para fibras e sementes. Além disso, produtos finais ficam restritos a outras instituições autorizadas.

    Italo Coelho, pioneiro em habeas corpus desde 2017, vê validação clara nesse movimento. “Isso precisa ser organizado institucionalmente”, afirma ele sobre a transição da judicialização para políticas públicas sólidas. Em contraste, países como China e Canadá já exportam em escala, enquanto o Brasil ainda importa conhecimento técnico.

    Produtos que diversificam o campo

    A cannabis sativa rende muito além do medicinal. Por exemplo, fibras dos caules viram têxteis resistentes, alimentos, cosméticos, bioindústria e remédios. Da mesma forma, o cânhamo (com THC <0,3%) produz bioplásticos e hempcrete sustentável para construção.

    As sementes, ricas em proteínas, alimentam rações animais, enquanto raízes recuperam solos degradados em 28 milhões de hectares de pastagens. No entanto, projeções mostram salto de 27 para 15 mil hectares cultivados assim que a regulação se consolidar. Assim, seu ciclo curto, baixo uso de água e sequestro de 15 t de CO2 por hectare ao ano a tornam aliada perfeita da bioeconomia.

    Potência global

    Regiões como o Nordeste e áreas de pastagens degradadas lideram a aptidão natural para o cultivo. Além disso, a Anvisa propõe resoluções para pesquisa, comercial medicinal e sandbox regulatório para associações, com vigência seis meses após publicação no DOU. Por outro lado, o STJ estende o prazo regulatório até 2026, dando fôlego ao setor.

    Eventos como a Expoagro Afubra 2026 já debatem cannabis como alternativa resiliente ao agro. Nesse contexto, Italo Coelho amplia sua agenda estratégica: “O Brasil possui vantagens competitivas no setor agrícola”.

    Tabu cede à economia agro

    O preconceito ainda trava avanços rápidos, mas os dados falam mais alto. Desta forma, a Embrapa estrutura a base científica necessária para cortar importações bilionárias. Assim, o Brasil decide seu caminho: cultura estratégica inovadora ou perda irreparável de mercado agro?

    “A cannabis já é uma realidade. O que falta é o Brasil decidir como vai se posicionar diante disso”, afirma Italo, advogado que antecipou o debate da cannabis no Brasil antes mesmo da regulação.

  • Cannabis pode virar a nova potência do agro no Brasil

    Cannabis pode virar a nova potência do agro no Brasil

    A cannabis ganhou espaço no agronegócio brasileiro e passou a integrar a agenda de inovação no campo.

    Com o avanço das pesquisas, a cultura aparece como uma nova alternativa produtiva. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais produtores globais da planta.

    Autorização abriu caminho para pesquisas

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, em novembro de 2025, que a Embrapa iniciasse pesquisas com o cultivo de cannabis.

    A decisão permitiu que pesquisadores avançassem em estudos científicos no país. Desde então, equipes trabalham no desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima brasileiro e analisam diferentes usos da planta.
    Além disso, os estudos avaliam aplicações industriais, medicinais e ambientais.

    Foto: Reprodução/David Valle

    Nova fronteira agrícola

    A cannabis já ocupa espaço nas discussões sobre o futuro do agro.

    Pesquisadores destacam que o Brasil possui clima favorável, solo produtivo e experiência em agricultura em larga escala. Por isso, o país pode assumir protagonismo nesse mercado nos próximos anos.

    Além disso, o potencial econômico chama atenção. A cultura permite diferentes aplicações e pode estruturar uma cadeia produtiva completa.

    Aplicações vão além do medicinal

    Embora o uso medicinal seja mais conhecido, a cannabis apresenta diversas utilidades.

    O cânhamo industrial, por exemplo, entra na produção de fibras, tecidos, cosméticos e alimentos. Além disso, a planta pode contribuir para a recuperação de solos e projetos ambientais.
    Com isso, o interesse se expande e envolve diferentes setores do agronegócio.

    Pesquisa busca adaptação ao clima

    Os pesquisadores agora focam na adaptação da planta às condições tropicais.

    Fatores como temperatura, luminosidade e tipo de solo influenciam diretamente o desenvolvimento da cultura. Por isso, os estudos buscam variedades mais produtivas e estáveis.

    Ao mesmo tempo, o cultivo segue regras rigorosas, com controle das áreas e limites definidos para substâncias específicas.

    Setor ainda depende de regulamentação

    Apesar do avanço científico, o mercado ainda enfrenta limitações.

    Hoje, o Brasil não possui regulamentação ampla para o cultivo comercial da cannabis. Por isso, muitos produtos ainda chegam por importação, o que eleva os custos.

    No entanto, o avanço das pesquisas e o interesse do mercado indicam mudanças nos próximos anos.

    Agro vê oportunidade de diversificação

    Diante desse cenário, produtores começam a avaliar a cannabis como alternativa de diversificação.

    Além disso, a cultura pode gerar novas fontes de renda, principalmente em nichos de maior valor agregado.
    Assim, a cannabis entra no radar do agro não apenas como uma nova cultura, mas como uma oportunidade de transformação produtiva no campo.

  • Divulgadas regras para produção de cannabis medicinal

    Divulgadas regras para produção de cannabis medicinal

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta terça-feira (3/2) no Diário Oficial da União (DOU) um conjunto de resoluções que regulamentam pela primeira vez a produção de cannabis medicinal em território nacional. As normas, que entrarão em vigor em seis meses, representam um marco histórico para pacientes que dependem de tratamentos à base de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC).

    As Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) foram aprovadas na primeira reunião pública de 2026, realizada em 28 de janeiro, e atendem a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em novembro de 2024 reconheceu a legalidade da produção de cannabis “para fins exclusivamente medicinais e/ou farmacêuticos atrelados à proteção do direito à saúde”.

    Três pilares da nova regulamentação

    A RDC 1.013/2026 estabelece critérios rigorosos para a produção comercial de cannabis medicinal. Apenas empresas com Autorização Especial (AE) poderão cultivar a planta, mediante inspeção sanitária prévia obrigatória. A norma exige sistemas de rastreabilidade completa, controle permanente das instalações e mecanismos de segurança reforçados. Com previsão de suspensão imediata das atividades em caso de irregularidades.

    Para o setor científico, a RDC 1.012/2026 regulamenta a pesquisa com cannabis no país. Instituições de ensino credenciadas poderão obter autorização especial, desde que cumpram requisitos específicos de segurança. A resolução exige que pesquisadores importem produtos com concentração de THC superior a 0,3% somente após autorização prévia da Anvisa e em conformidade com as exigências da ONU.

    Já a RDC 1.014/2026 cria um instrumento específico para associações de pacientes sem fins lucrativos. Embora não permita comercialização, a norma estabelece plano de monitoramento, indicadores de qualidade e rastreabilidade desde o cultivo até a dispensação aos pacientes cadastrados.

    Ampliação do acesso terapêutico

    A RDC 1.015/2026 atualiza o marco regulatório de fabricação e importação de produtos de cannabis, instituído originalmente pela RDC 327/2019. A principal mudança é a inclusão de portadores de doenças debilitantes graves – como fibromialgia e lúpus – entre os pacientes autorizados a utilizar produtos com concentração de THC acima de 0,2%.

    Outra novidade relevante é a ampliação das vias de administração permitidas. Além das formas tradicionais, agora são autorizadas apresentações dermatológicas, sublinguais, bucais e inalatórias, visando melhorar a adesão ao tratamento de pacientes com necessidades especiais.

    Farmácias magistrais aguardam regulamentação específica

    Embora a Anvisa tenha reconhecido a possibilidade de manipulação de produtos à base de cannabis por farmácias magistrais, a agência decidiu elaborar uma norma complementar específica sobre o tema. Com essa decisão, a Anvisa busca garantir que essa modalidade chegue à população brasileira de forma segura e controlada.

    As resoluções representam uma resposta regulatória baseada em evidências científicas. E sinalizam um novo cenário para pacientes, indústria farmacêutica e associações de apoio. Portanto, consolidando o Brasil como referência na regulamentação de cannabis medicinal na América Latina.

    As normas publicadas têm prazo de seis meses para entrada em vigor. Período no qual empresas, instituições de pesquisa e associações deverão se adequar aos novos requisitos estabelecidos pela Anvisa.

  • Anvisa libera cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    Anvisa libera cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28) mudanças históricas na regulamentação da Cannabis medicinal no Brasil. As novas resoluções expandem as formas de uso terapêutico, autorizam a venda de canabidiol em farmácias de manipulação e estabelecem regras para o cultivo nacional da planta para fins medicinais e de pesquisa.

    A resolução aprovada amplia significativamente as possibilidades de tratamento com Cannabis. Agora, medicamentos de uso bucal, sublingual e dermatológico poderão ser comercializados no país. Anteriormente, apenas produtos para uso oral e inalatório eram permitidos pela agência reguladora.

    A medida também flexibiliza o acesso a produtos com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2% para pacientes com doenças debilitantes graves. Antes restrita a casos paliativos ou terminais, a nova regra pode beneficiar pessoas com condições como dor neuropática crônica, segundo análises técnicas da Anvisa.

    O fitofármaco canabidiol poderá ser vendido em farmácias de manipulação, decisão tomada após voto do diretor Thiago Campos, que havia suspendido a votação em dezembro.

    Cultivo nacional: nova era para cannabis medicinal

    Em cumprimento a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Anvisa deve votar três resoluções que regulamentam o plantio de Cannabis no Brasil. O prazo estabelecido pela Justiça é março de 2025 para apresentação do regulamento completo.

    As novas normas estabelecem critérios rigorosos de controle:

    • Plantas para produção medicinal devem apresentar teor de THC igual ou inferior a 0,3%
    • Cultivo obrigatoriamente em locais controlados com coordenadas georreferenciadas
    • Estimativa de produção e planos de segurança para evitar desvio de produtos
    • Para pesquisas, não há limite de THC, mas exige-se monitoramento por câmeras e controle rigoroso de acesso

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já recebeu autorização em novembro de 2025 para realizar pesquisas com a planta.

    Impactos na agricultura brasileira

    A liberação do cultivo de Cannabis medicinal pode representar uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro. O país, reconhecido mundialmente por sua expertise agrícola e condições climáticas favoráveis, poderá desenvolver uma nova cadeia produtiva regulamentada.

    Benefícios potenciais para a agricultura:

    • Diversificação de culturas e geração de renda para produtores rurais
    • Desenvolvimento de tecnologia agrícola nacional para cultivo especializado
    • Redução da dependência de importações de medicamentos canabinoides
    • Criação de empregos na cadeia produtiva, desde o plantio até a industrialização
    • Impulso à pesquisa agropecuária com apoio de instituições como a Embrapa
    • Atração de investimentos em biotecnologia e farmacologia vegetal

    A testagem controlada em pequena escala, incluindo associações de pacientes, permitirá avaliar a viabilidade técnica e econômica do cultivo nacional antes da expansão comercial.

    Mercado

    Segundo dados divulgados pela Anvisa em dezembro, existem atualmente 33 produtos de canabidiol e 16 extratos de Cannabis autorizados para venda no Brasil. Muitos pacientes, no entanto, ainda dependem da importação excepcional de medicamentos não avaliados pela agência ou de autorizações judiciais para cultivo próprio.

    As mudanças regulatórias prometem ampliar significativamente o acesso aos tratamentos, reduzir custos para pacientes e impulsionar a indústria farmacêutica nacional voltada para produtos de origem vegetal.

    A Anvisa mantém a regulamentação desde 2015, quando autorizou a primeira importação excepcional de produtos à base de Cannabis. O marco regulatório de 2019, agora atualizado, permitiu o registro de terapias para venda em farmácias – um avanço histórico que se consolida com as decisões desta quarta-feira.

  • Anvisa autoriza Embrapa a realizar pesquisas com cultivo de Cannabis

    Anvisa autoriza Embrapa a realizar pesquisas com cultivo de Cannabis

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (19) uma autorização excepcional que permitirá à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) conduzir estudos sobre o cultivo da planta Cannabis sativa. A permissão é restrita à pesquisa científica e segue normas rígidas de segurança e rastreabilidade.

    Antes do início dos experimentos, a Embrapa passará por inspeção presencial da Anvisa e deverá comprovar o cumprimento de protocolos técnicos destinados ao controle e à integridade do material. Todo o processo será monitorado pela Agência, que poderá exigir ajustes adicionais sempre que necessário.

    A decisão proíbe a comercialização de qualquer produto ou derivado obtido durante os estudos. O material vegetal só pode ser enviado a outras instituições de pesquisa credenciadas e autorizadas especificamente a trabalhar com Cannabis.

    Ciência e autonomia tecnológica

    Para o diretor da Quinta Diretoria da Anvisa e relator do processo, Thiago Lopes Cardoso Campos, a medida reforça o compromisso da Agência com a ciência, a inovação e a segurança sanitária. “É a ciência quem deve guiar o país. Essa autorização permite que o Brasil produza conhecimento próprio, fortaleça sua autonomia tecnológica e cumpra seu dever com a saúde pública e o desenvolvimento nacional”, afirmou.

    Campos destacou também que pesquisas voltadas a desafios reais do país são fundamentais para gerar tecnologia própria, reduzir dependências externas e ampliar a competitividade brasileira no cenário global.

    Três linhas principais de pesquisa

    A autorização concedida à Embrapa contempla três frentes de investigação:

    • Conservação e caracterização de germoplasma, conduzida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O germoplasma é o material genético essencial para estudos de diversidade e melhoramento de espécies vegetais.
    • Bases científicas e tecnológicas para o uso medicinal da Cannabis, a cargo da Embrapa Clima Temperado.
    • Pré-melhoramento do cânhamo para produção de fibras e sementes, desenvolvido pela Embrapa Algodão.

    A Embrapa justificou o pedido destacando o crescimento do interesse internacional pela planta, que reúne potencial econômico, social, ambiental e medicinal. A empresa afirmou ainda estar preparada para atender todas as exigências técnicas e de biossegurança definidas pela Anvisa.

  • Anvisa proíbe produtos de Cannabis  e dipirona. Conheça as marcas restritas

    Anvisa proíbe produtos de Cannabis  e dipirona. Conheça as marcas restritas

    Nesta quinta-feira, 6 de novembro de 2025, a Anvisa determinou a proibição da comercialização e divulgação dos produtos de Cannabis oferecidos pela empresa Ricardo Pimenta Bastos Guimarães/CBD Brasil, registrada sob o CNPJ 50.762.809/0001-29. A medida suspende a venda de todos os lotes das linhas Rare Cannabinoid, Canna River e CBDFX.

    A agência explica que a CBD Brasil não possui autorização para importar e comercializar esses produtos, apesar de anunciá-los em seu site.

    Dipirona com lote adulterado tem comercialização suspensa

    Além da proibição dos produtos de Cannabis, a Anvisa ordenou o recolhimento do lote 26585333 do medicamento Dipirona 500 mg/ml Solução Injetável (CT 120 AMP VD AMB X 2 ml), fabricado pelo Laboratório Teuto Brasileiro S/A. A suspensão abrange a comercialização, distribuição e uso deste lote.

    O lote apresenta alteração na cor, ficando amarelado após aspiração, caracterizando desvio de qualidade, conforme o artigo 4º da RDC 658/2022.

    Profissionais de saúde que identificarem o lote irregular devem informar a Anvisa pelos canais oficiais ou denunciar à Vigilância Sanitária local, acessível via portal da agência reguladora.

  • Cultivo de Cannabis medicinal: Anvisa define próximos passos da regularização

    Cultivo de Cannabis medicinal: Anvisa define próximos passos da regularização

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou nesta quarta-feira (8/10) uma atualização sobre as medidas que desenvolve para atender à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) relacionada ao cultivo de Cannabis para fins medicinais e farmacêuticos. A apresentação ocorreu durante a 16ª Reunião Pública da Diretoria Colegiada da Agência.

    O STJ reconheceu, em novembro de 2024, o direito de pessoas jurídicas importarem sementes da planta, além de plantarem, cultivarem e comercializarem o cânhamo industrial (hemp) destinado exclusivamente a finalidades medicinais e industriais farmacêuticas. O tribunal definiu que a variedade da Cannabis com teor de tetrahidrocanabinol (THC) inferior a 0,3% não pode ser considerada proibida.

    Agência busca mais tempo para regulamentação completa

    O diretor relator do tema na Anvisa, Thiago Campos, revelou que a Agência pretende avançar na proposta de regulamentação e cobrir pontos que a minuta inicial não contemplou, devido ao prazo restrito estabelecido para regulamentar a questão. A Advocacia-Geral da União (AGU) já solicitou ao STJ uma extensão do prazo para a regulamentação.

    “A expectativa é que possamos elaborar uma norma mais completa, que atenda de forma adequada todas as necessidades em torno do assunto”, destacou o diretor.

    Pontos críticos em discussão

    As equipes técnicas da Anvisa já trabalham em diversos questionamentos que a norma deve abordar:

    • Cumprimento integral da decisão judicial
    • Definição clara sobre pesquisa científica com Cannabis
    • Possíveis impactos da regulamentação sobre decisões judiciais já proferidas e sobre a judicialização
    • Prazos necessários para adequação normativa e operacionalização interna
    • Consequências da fixação de um percentual máximo de THC para medicamentos e produtos de Cannabis já registrados pela Agência com teor superior ao limite estabelecido

    Limite de THC gera preocupação

    Segundo Thiago Campos, a discussão sobre o limite percentual de THC representa um dos pontos centrais do processo regulatório. O relator alertou que a definição desse percentual não pode se tornar um obstáculo à pesquisa e ao desenvolvimento de novos medicamentos.

    A preocupação surge porque diversos produtos de Cannabis já registrados pela Anvisa podem conter teores de THC superiores ao limite de 0,3% estabelecido para o cânhamo industrial.

    A Anvisa realizou recentemente dois encontros estratégicos com setores envolvidos no tema. O primeiro reuniu representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pauta incluiu a pesquisa com a planta Cannabis sativa e o papel da instituição no desenvolvimento da tecnologia de plantio e cultivo no Brasil.

    O segundo encontro aconteceu em setembro com associações de pacientes. Os participantes discutiram necessidades terapêuticas, acesso aos produtos de Cannabis e a judicialização no setor.

    Em maio deste ano, a AGU apresentou ao STJ um plano de trabalho para atender à decisão judicial. O plano envolve órgãos relacionados ao tema, como Anvisa, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e Ministério da Saúde.

    No dia 30 de setembro, a AGU solicitou oficialmente uma prorrogação do prazo. O objetivo é permitir que a avaliação e a elaboração da regulamentação atendam de forma mais completa as necessidades identificadas pelos órgãos técnicos e pela sociedade civil.

  • Embrapa e Anvisa alinham pesquisa para impulsionar cultivo de cannabis

    Embrapa e Anvisa alinham pesquisa para impulsionar cultivo de cannabis

    Em um passo significativo para a agenda de inovação no agronegócio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se reuniu com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar da autorização de pesquisas com o cultivo de Cannabis sativa. O objetivo central do encontro, realizado na sede da Anvisa, foi alinhar os procedimentos para a construção de uma base científica sólida sobre o tema no país.

    A reunião destacou o potencial da Cannabis para a agricultura brasileira, indo além do uso medicinal. Clênio Pillon, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, apresentou à diretoria da Anvisa as diversas aplicações da planta. Incluindo a produção de cânhamo para fibras industriais. Pillon afirmou que a pesquisa agronômica sobre o cultivo está totalmente alinhada com a missão institucional da Embrapa. Que é desenvolver soluções tecnológicas para o desenvolvimento socioeconômico do campo.

    “Reforçamos a potencialidade da Cannabis sp. para o Brasil, com aplicações que vão desde o uso medicinal até o cânhamo industrial. Nossa missão é gerar conhecimento e tecnologia para o país”, explicou o diretor da Embrapa.

    Do lado da Anvisa, o diretor Thiago Campos, da Quinta Diretoria (Dire5), agradeceu a visita e reconheceu a importância e a complexidade do tema. Campos lembrou a existência de uma decisão judicial que determina a atuação da Anvisa na esfera do uso medicinal da Cannabis. E ressaltou a necessidade de as instituições públicas avançarem na produção de conhecimento técnico-científico.

    Por que essa reunião é importante?

    A aproximação entre a principal empresa de pesquisa agropecuária do país e o órgão regulador responsável por controlar substâncias como a Cannabis é vista como um movimento crucial. Especialistas do setor acreditam que a geração de dados científicos nacionais sobre variedades da planta, técnicas de cultivo e adaptação ao solo brasileiro é fundamental para:

    • Reduzir a dependência de importações de produtos à base de Cannabis medicinal.
    • Explorar o potencial econômico do cânhamo para indústrias têxteis, de cosméticos e de biocombustíveis.
    • Estabelecer um marco regulatório seguro e eficiente para futuros produtores rurais.

    A reunião contou com a presença de técnicos e pesquisadores especializados de ambas as instituições, indicando o caráter técnico da discussão. O desdobramento desses diálogos deve pavimentar o caminho para a liberação de autorizações específicas para que a Embrapa e outras instituições de pesquisa possam, de fato, iniciar os estudos de campo.