Tag: cânhamo industrial

  • ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    ExpoCannabis Brasil destaca avanço da cannabis no agronegócio

    A quarta edição da ExpoCannabis Brasil será realizada entre os dias 20 e 22 de novembro, em São Paulo, reunindo representantes do agronegócio, da ciência, da indústria, da pesquisa e da inovação para discutir o crescimento da cadeia produtiva da cannabis e do cânhamo industrial no país.

    O evento ocorre em um momento de expansão do setor, impulsionado pelos avanços regulatórios envolvendo o cultivo de cânhamo industrial para fins medicinais e industriais no Brasil.

    Segundo a CEO da feira, Larissa Uchida, a regulamentação abriu espaço para novas oportunidades de negócios e fortaleceu o interesse de diferentes segmentos econômicos.

    “O mercado amadureceu e a feira acompanhou essa transformação. Hoje a ExpoCannabis é um ambiente onde ciência, indústria, inovação e negócios se encontram”, afirma.

    Mercado da cannabis cresce no Brasil

    Dados da consultoria Kaya Mind mostram que o mercado brasileiro de cannabis medicinal movimentou R$ 971 milhões em 2025, atendendo cerca de 873 mil pacientes.

    Quando somados os segmentos de growshops, headshops e marcas especializadas, o mercado legal alcançou aproximadamente R$ 1,94 bilhão.

    Em um cenário de regulamentação mais ampla, a consultoria estima que essa cadeia produtiva poderá movimentar até R$ 51 bilhões por ano.

    Agronegócio amplia interesse pelo cânhamo industrial

    A edição deste ano da ExpoCannabis Brasil deve reunir entre 45 mil e 50 mil visitantes.

    A organização prevê um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.

    Além da indústria farmacêutica, o evento contará com representantes do agronegócio, biotecnologia, universidades, construção civil, medicina veterinária, tecnologia, cosméticos, alimentos, comunicação, moda e serviços especializados.

    Embrapa reforça participação na cadeia produtiva

    Entre as instituições confirmadas está a Embrapa, que trabalha em estudos para ampliar a competitividade do Brasil na produção de cânhamo industrial.

    Segundo Larissa Uchida, a participação da empresa pública fortalece a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva segura, sustentável e baseada em evidências.

    A presença da Embrapa também reforça o interesse crescente do agronegócio por culturas alternativas voltadas à bioeconomia e à inovação agrícola.

    Evento discutirá experiências internacionais

    A programação também incluirá debates sobre os diferentes modelos regulatórios adotados em diversos países.

    Especialistas apresentarão experiências relacionadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis, incluindo políticas públicas, pesquisa científica, produção agrícola e regulamentação.

    Entre os destaques está o modelo adotado pelo Uruguai, considerado uma das principais referências internacionais na regulamentação da cannabis.

    Setor atrai novos investimentos

    Segundo Larissa Uchida, a cannabis deixou de ser vista exclusivamente como um tema ligado à saúde e passou a despertar interesse de diferentes setores da economia.

    “A cannabis deixou de ser vista apenas como uma pauta medicinal. Hoje ela desperta interesse da indústria, do agro, da pesquisa, da tecnologia e dos investidores”, conclui.

    Essa expansão acompanha o avanço das discussões sobre inovação, bioeconomia e novas cadeias produtivas que podem ganhar espaço no agronegócio brasileiro, especialmente com o desenvolvimento do mercado de cânhamo industrial.

  • Entenda por que a cannabis entrou oficialmente na pauta da pesquisa agrícola

    Entenda por que a cannabis entrou oficialmente na pauta da pesquisa agrícola

    É realidade: Embrapa ganha sinal verde da Anvisa para tratar cannabis sativa como cultura agro comum. Assim, a empresa foca em genética, manejo, rastreabilidade e produtividade, colocando o cânhamo industrial no mesmo patamar de soja ou milho. Por outro lado, com R$ 971 milhões movimentados anualmente em importações medicinais, o Brasil desperdiça uma cadeia produtiva própria.

    Autorização inédita impulsiona ciência agro

    A Anvisa liberou pesquisas exclusivas em janeiro de 2026, sem comercialização imediata. A partir daí, a Embrapa avança em três frentes principais: conservação genética, agronomia medicinal e pré-melhoramento de cânhamo para fibras e sementes. Além disso, produtos finais ficam restritos a outras instituições autorizadas.

    Italo Coelho, pioneiro em habeas corpus desde 2017, vê validação clara nesse movimento. “Isso precisa ser organizado institucionalmente”, afirma ele sobre a transição da judicialização para políticas públicas sólidas. Em contraste, países como China e Canadá já exportam em escala, enquanto o Brasil ainda importa conhecimento técnico.

    Produtos que diversificam o campo

    A cannabis sativa rende muito além do medicinal. Por exemplo, fibras dos caules viram têxteis resistentes, alimentos, cosméticos, bioindústria e remédios. Da mesma forma, o cânhamo (com THC <0,3%) produz bioplásticos e hempcrete sustentável para construção.

    As sementes, ricas em proteínas, alimentam rações animais, enquanto raízes recuperam solos degradados em 28 milhões de hectares de pastagens. No entanto, projeções mostram salto de 27 para 15 mil hectares cultivados assim que a regulação se consolidar. Assim, seu ciclo curto, baixo uso de água e sequestro de 15 t de CO2 por hectare ao ano a tornam aliada perfeita da bioeconomia.

    Potência global

    Regiões como o Nordeste e áreas de pastagens degradadas lideram a aptidão natural para o cultivo. Além disso, a Anvisa propõe resoluções para pesquisa, comercial medicinal e sandbox regulatório para associações, com vigência seis meses após publicação no DOU. Por outro lado, o STJ estende o prazo regulatório até 2026, dando fôlego ao setor.

    Eventos como a Expoagro Afubra 2026 já debatem cannabis como alternativa resiliente ao agro. Nesse contexto, Italo Coelho amplia sua agenda estratégica: “O Brasil possui vantagens competitivas no setor agrícola”.

    Tabu cede à economia agro

    O preconceito ainda trava avanços rápidos, mas os dados falam mais alto. Desta forma, a Embrapa estrutura a base científica necessária para cortar importações bilionárias. Assim, o Brasil decide seu caminho: cultura estratégica inovadora ou perda irreparável de mercado agro?

    “A cannabis já é uma realidade. O que falta é o Brasil decidir como vai se posicionar diante disso”, afirma Italo, advogado que antecipou o debate da cannabis no Brasil antes mesmo da regulação.

  • Embrapa e Anvisa alinham pesquisa para impulsionar cultivo de cannabis

    Embrapa e Anvisa alinham pesquisa para impulsionar cultivo de cannabis

    Em um passo significativo para a agenda de inovação no agronegócio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se reuniu com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar da autorização de pesquisas com o cultivo de Cannabis sativa. O objetivo central do encontro, realizado na sede da Anvisa, foi alinhar os procedimentos para a construção de uma base científica sólida sobre o tema no país.

    A reunião destacou o potencial da Cannabis para a agricultura brasileira, indo além do uso medicinal. Clênio Pillon, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, apresentou à diretoria da Anvisa as diversas aplicações da planta. Incluindo a produção de cânhamo para fibras industriais. Pillon afirmou que a pesquisa agronômica sobre o cultivo está totalmente alinhada com a missão institucional da Embrapa. Que é desenvolver soluções tecnológicas para o desenvolvimento socioeconômico do campo.

    “Reforçamos a potencialidade da Cannabis sp. para o Brasil, com aplicações que vão desde o uso medicinal até o cânhamo industrial. Nossa missão é gerar conhecimento e tecnologia para o país”, explicou o diretor da Embrapa.

    Do lado da Anvisa, o diretor Thiago Campos, da Quinta Diretoria (Dire5), agradeceu a visita e reconheceu a importância e a complexidade do tema. Campos lembrou a existência de uma decisão judicial que determina a atuação da Anvisa na esfera do uso medicinal da Cannabis. E ressaltou a necessidade de as instituições públicas avançarem na produção de conhecimento técnico-científico.

    Por que essa reunião é importante?

    A aproximação entre a principal empresa de pesquisa agropecuária do país e o órgão regulador responsável por controlar substâncias como a Cannabis é vista como um movimento crucial. Especialistas do setor acreditam que a geração de dados científicos nacionais sobre variedades da planta, técnicas de cultivo e adaptação ao solo brasileiro é fundamental para:

    • Reduzir a dependência de importações de produtos à base de Cannabis medicinal.
    • Explorar o potencial econômico do cânhamo para indústrias têxteis, de cosméticos e de biocombustíveis.
    • Estabelecer um marco regulatório seguro e eficiente para futuros produtores rurais.

    A reunião contou com a presença de técnicos e pesquisadores especializados de ambas as instituições, indicando o caráter técnico da discussão. O desdobramento desses diálogos deve pavimentar o caminho para a liberação de autorizações específicas para que a Embrapa e outras instituições de pesquisa possam, de fato, iniciar os estudos de campo.