Tag: câncer

  • Comprou lombo suíno recentemente? Anvisa recolhe lote por risco à saúde

    Comprou lombo suíno recentemente? Anvisa recolhe lote por risco à saúde

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (17/8) a suspensão da venda, da distribuição e do consumo do Lombo Tipo Canadense 1 kg, da marca Suinco, pertencente à Linha Cozinha Premiada. A medida atinge especificamente o lote 070726 e consta na Resolução nº 3.243/2026, publicada no Diário Oficial da União.

    Lombo Tipo Canadense 1 kg, da marca Suinco
    Foto: Divulgação

    A Suinco – Cooperativa de Suinocultores Ltda. (CNPJ 06.067.949/0003-57) comunicou à Anvisa que o lote apresentou concentração de nitritos e nitratos acima dos limites estabelecidos pela legislação sanitária brasileira. Diante da irregularidade, a própria empresa decidiu recolher o produto de forma voluntária das prateleiras.

    Nitritos e nitratos são aditivos amplamente usados na indústria de carnes processadas para prolongar a validade, evitar a proliferação de micro-organismos e manter a coloração avermelhada característica de produtos como presunto, salame e lombo defumado. Quando ingeridos em quantidade acima do recomendado, porém, esses compostos podem se converter no organismo em substâncias N-nitrosas, associadas por estudos científicos a maior risco de câncer, principalmente colorretal e gástrico.

    Consumidores devem verificar o lote em casa

    Quem já comprou o produto deve conferir a embalagem antes de consumir. Os dados de identificação são:

    • Produto: Lombo Tipo Canadense 1 kg – Linha Cozinha Premiada
    • Marca: Suinco
    • Lote: 070726
    • Data de fabricação: 7/7/2026
    • Data de validade: 5/10/2026

    A Anvisa orienta que consumidores que tenham o lote em casa não consumam o produto e procurem o ponto de venda para orientações sobre troca ou devolução, conforme os canais de atendimento da fabricante.

    Recolhimentos de alimentos se tornam mais frequentes em 2026

    O caso da Suinco se soma a uma série de recolhimentos determinados pela Anvisa ao longo de 2026. Em janeiro, a agência havia mandado recolher um lote de molho de tomate da marca Passata di Pomodoro De Puglia após identificar a presença de pedaços de vidro no produto, depois de um alerta da rede europeia de segurança alimentar RASFF. Já  junho, a Anvisa também suspendeu a fabricação, a divulgação e o uso de suplementos alimentares da Sanibras Medicamentos e Nutrição após uma inspeção sanitária encontrar falhas graves e sistêmicas nas boas práticas de fabricação da empresa.

    Em maio, produtos de limpeza da marca Ypê também entraram na lista de recolhimentos, com risco de contaminação por micro-organismos. Já em julho, a agência havia determinado o recolhimento de um lote de repelente por reprovação em teste de eficácia.

    Esse aumento no número de ações reforça a importância de os consumidores conferirem regularmente comunicados da Anvisa sobre produtos alimentícios, cosméticos e de higiene. Especialmente antes de itens perecíveis chegarem à mesa.

    O que diz a ciência sobre nitrito e nitrato em excesso

    Segundo pesquisas citadas por entidades de saúde, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde, classifica as carnes processadas como comprovadamente associadas ao aumento do risco de câncer colorretal. O órgão francês de segurança sanitária ANSES recomenda, inclusive, limitar o consumo desse tipo de alimento a no máximo 150 gramas por semana. Isso justamente pela presença desses conservantes.

    Por isso, órgãos reguladores como a Anvisa fixam limites máximos de nitrito e nitrato permitidos em produtos cárneos, justamente para reduzir a exposição da população a esses compostos ao longo da vida.

  • Lenços do Agro mobiliza rede de apoio a pacientes com câncer

    Lenços do Agro mobiliza rede de apoio a pacientes com câncer

    A campanha Lenços do Agro deu início à mobilização para a edição 2026 com um novo chamado à solidariedade. Neste ano, o movimento destaca a importância da rede de apoio formada por empresas, entidades, profissionais e voluntários que atuam ao lado de pacientes em tratamento contra o câncer. Além disso, a iniciativa celebra 12 anos de atuação nacional, consolidando-se como uma das principais ações sociais ligadas ao agronegócio brasileiro.

    Criado em 2014 por Andrea Cordeiro, o Lenços do Agro nasceu com o objetivo de arrecadar lenços para mulheres em tratamento oncológico. Desde então, a campanha ampliou sua atuação e passou a reunir doações de acessórios, perucas, sutiãs, próteses mamárias externas e itens voltados ao bem-estar. Com isso, fortaleceu uma corrente de acolhimento que beneficia instituições assistenciais em diferentes regiões do País.

    Solidariedade cresce junto com o movimento

    Ao longo de sua trajetória, o Lenços do Agro reuniu mais de 190 empresas apoiadoras e 25 entidades representativas. Além disso, participou de mais de 220 eventos e desenvolveu ações que atenderam diretamente mais de 27 instituições assistenciais.

    A campanha também ultrapassou a marca de 14 mil lenços arrecadados. Somam-se a esse resultado mais de 15 mil peças de bijuterias e acessórios, mais de 300 sutiãs e próteses mamárias externas, mais de 85 perucas e mais de 20 mil itens destinados ao autocuidado e ao acolhimento de pacientes.

    Entretanto, os organizadores ressaltam que o principal legado da iniciativa vai além dos números. Ao longo de 12 anos, o movimento aproximou empresas, cooperativas, indústrias, tradings, entidades, organizadores de eventos, profissionais da comunicação e voluntários em torno de uma causa comum.

    Segundo Andrea Cordeiro, idealizadora da campanha, o Lenços do Agro passou a representar um patrimônio construído de forma coletiva.

    “Há 12 anos idealizei o Lenços do Agro. Hoje, tenho a alegria de ver que ele se transformou em um patrimônio afetivo do agronegócio brasileiro. A campanha é de todos aqueles que doam seu tempo, sua voz, seus recursos, seu conhecimento e seu coração para levar acolhimento a quem mais precisa.”

    Rede de apoio será o tema da edição 2026

    Neste ano, a campanha adota como tema central Rede de Apoio. A proposta presta homenagem às pessoas que acompanham pacientes durante o tratamento e contribuem para transformar desafios em esperança.

    De acordo com Andrea Cordeiro, a escolha do tema reflete a própria história do movimento. Afinal, a campanha cresceu graças ao envolvimento de pessoas e organizações comprometidas com a solidariedade.

    “Ninguém faz nada sozinho. E talvez essa seja uma das maiores lições que o próprio Lenços do Agro nos deixou ao longo de sua trajetória. Ao longo desses anos vimos uma verdadeira rede de apoio ser construída pelo agronegócio brasileiro, pela comunicação, pelas instituições, pelos voluntários e por milhares de pessoas que escolheram fazer a diferença na vida de outras pessoas.”

    Agora, durante o mês de julho, o movimento inicia oficialmente as ações da edição 2026. Além disso, abrirá em 15 de julho o cadastro de empresas, entidades, eventos, veículos de comunicação, lideranças e parceiros interessados em integrar a campanha.

    Como participar da campanha

    Empresas, entidades, organizadores de eventos, profissionais, veículos de comunicação e voluntários interessados em integrar a edição 2026 do Lenços do Agro podem obter informações ou manifestar interesse pelos canais oficiais da campanha.

    WhatsApp: (41) 98775-7171

    Instagram: @mulheresdoagronegociobrasil

  • Animal encontrado por cientistas no fundo do mar pode ser a solução no combate ao câncer

    Animal encontrado por cientistas no fundo do mar pode ser a solução no combate ao câncer

    Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade do Mississippi pode abrir novos caminhos no combate ao câncer. Cientistas identificaram um composto presente no pepino-do-mar, um invertebrado marinho encontrado nas profundezas do oceano, capaz de bloquear uma enzima ligada ao avanço da doença.

    O estudo, publicado na revista científica Glycobiology, aponta que a substância pode ajudar a impedir a proliferação de células cancerígenas. Além disso, os pesquisadores acreditam que o composto apresenta vantagens importantes em relação a tratamentos já utilizados atualmente.

    O pepino-do-mar produz moléculas raras, praticamente inexistentes em outros organismos terrestres. Segundo a pesquisadora Marwa Farrag, essa exclusividade despertou o interesse da equipe científica.

    “Os compostos de açúcar em pepinos-do-mar são únicos. Eles não são vistos em outros organismos. Por isso, são valiosos para estudo”, afirmou a doutoranda e autora principal da pesquisa.

    Como o composto age no organismo

    As células humanas possuem estruturas chamadas glicanos, responsáveis por diversas funções, como comunicação celular e respostas imunológicas. No entanto, células cancerígenas alteram determinadas enzimas, entre elas a Sulf-2, favorecendo o crescimento do câncer.

    O professor associado de farmacognosia Vitor Pomin explicou que bloquear essa enzima pode representar um avanço importante no tratamento da doença.

    “As células do nosso corpo são cobertas por ‘florestas’ de glicanos”, destacou o pesquisador. “Enzimas alteram a função dessa floresta. Se pudermos inibir essa enzima, em tese, combatemos a proliferação do câncer.”

    Para chegar ao resultado, os cientistas utilizaram testes laboratoriais e modelagem computacional. A equipe descobriu que um açúcar conhecido como sulfato de condroitina fucosilado, encontrado na espécie Holothuria floridana, conseguiu inibir a enzima Sulf-2.

    De acordo com Robert Doerksen, os resultados obtidos em laboratório coincidiram com as simulações computacionais, aumentando a confiabilidade da descoberta.

    Composto não apresentou efeitos colaterais graves

    Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi a ausência de interferência na coagulação sanguínea. Muitos medicamentos que atuam sobre a enzima Sulf-2 podem provocar sangramentos intensos como efeito adverso.

    O professor associado de farmacologia Joshua Sharp explicou que esse diferencial torna a substância ainda mais promissora: “Se você está tratando um paciente com uma molécula que inibe a coagulação do sangue, um dos efeitos pode ser sangramento não controlado”, afirmou. “É promissor que esta molécula específica com que estamos trabalhando não tenha esse efeito.”

    Além disso, os cientistas ressaltaram que a extração do composto em animais marinhos apresenta menor risco de contaminação por vírus e outros agentes, problema que pode ocorrer em substâncias retiradas de animais terrestres.

    Segundo Pomin, o pepino-do-mar representa um recurso mais limpo e benéfico para pesquisas farmacêuticas.

    Próxima etapa da pesquisa

    Apesar da descoberta animadora, os pesquisadores explicam que ainda existem desafios antes que o composto possa se transformar em medicamento. O principal obstáculo está na baixa quantidade de pepinos-do-mar disponíveis para produção em larga escala.

    Por isso, a próxima fase do estudo será desenvolver uma forma de sintetizar o composto em laboratório. Assim, os cientistas poderão iniciar testes em animais futuramente.

    “Um dos desafios no desenvolvimento como medicamento seria a baixa produção, pois não se consegue toneladas de pepinos-do-mar”, explicou Pomin. “Então, precisamos de uma rota química, e quando a desenvolvermos, podemos começar a aplicar isso em modelos animais.”

    O estudo também contou com pesquisadores das áreas de química, farmacognosia e biologia computacional da Universidade de Georgetown. Para os cientistas envolvidos, a união entre diferentes áreas do conhecimento é essencial para encontrar novas formas de combater doenças complexas como o câncer.

  • Crise judicial: Bayer negocia novo acordo sobre Roundup

    Crise judicial: Bayer negocia novo acordo sobre Roundup

    A Bayer, multinacional alemã do setor químico e farmacêutico, enfrenta uma crise sem precedentes desde a aquisição da Monsanto em 2018. Após comprar a empresa por US$ 63 bilhões, a Bayer passou a responder por mais de 67 mil processos judiciais nos Estados Unidos. A maioria relacionada ao herbicida Roundup, acusado de causar câncer em usuários.

    Desde o início das ações, a Bayer já desembolsou mais de US$ 11 bilhões em indenizações, valor que representa o maior acordo da história da indústria farmacêutica. Apesar disso, milhares de processos seguem ativos, principalmente no Missouri, estado onde a Monsanto tem sede. A empresa ainda mantém cerca de US$ 6,2 bilhões em provisões legais. Mas o montante pode não ser suficiente diante do volume de litígios e das recentes derrotas em tribunais americanos, incluindo sentenças superiores a US$ 1,5 bilhão em danos punitivos.

    Estratégias: acordo judicial ou recuperação judicial da Monsanto

    A Bayer negocia um novo acordo coletivo para encerrar as ações pendentes. Mas caso não obtenha sucesso, prepara-se para solicitar a recuperação judicial da Monsanto nos EUA, utilizando o Chapter 11, mecanismo semelhante à recuperação judicial brasileira. Essa estratégia permitiria concentrar os processos em um tribunal de falências, suspendendo temporariamente as ações e ganhando tempo para reestruturação financeira.

    Grandes empresas como Johnson & Johnson e 3M já tentaram manobras semelhantes, mas enfrentaram resistência da Justiça americana. O cenário para a Bayer é desafiador. O valor de mercado da empresa caiu para cerca de US$ 25 bilhões, menos da metade do que foi pago pela Monsanto.

    Desde a aquisição, o valor de mercado da Bayer despencou 80%. Em 2024, a empresa registrou prejuízo líquido de € 2,55 bilhões, com queda nas vendas da divisão agrícola e forte concorrência dos genéricos asiáticos. Para enfrentar a crise, a Bayer obteve autorização dos acionistas para diluir suas ações em até 35%. E assim,  captar US$ 9 bilhões, buscando recursos para lidar com as indenizações e manter suas operações.

    Roundup no centro da controvérsia

    O Roundup é um herbicida à base de glifosato. Ele é amplamente utilizado em lavouras de soja, milho e algodão nos EUA. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, cerca de 300 milhões de libras de glifosato são aplicadas anualmente no país. A Bayer defende a segurança do produto, citando pareceres da Agência de Proteção Ambiental (EPA), que não encontrou evidências conclusivas de relação entre o glifosato e o câncer. No entanto, tribunais americanos têm decidido em sentido contrário, responsabilizando a Monsanto por não alertar sobre possíveis riscos à saúde.

    A Bayer aguarda uma decisão da Suprema Corte dos EUA, prevista para junho de 2025, sobre a admissibilidade de um novo recurso relacionado aos processos do glifosato. Paralelamente, a empresa intensifica o lobby junto ao Congresso americano para aprovar leis que limitem sua responsabilidade civil futura. A expectativa é encerrar ou estabilizar os litígios nos próximos 12 a 18 meses, segundo executivos da companhia.

    Posição no Brasil

    Entramos em contato com a assessoria da Bayer no Brasil, para saber se essa mudança afetaria o Brasil. Publicamos a resposta na integra abaixo.

    “Apesar do histórico científico claro, a indústria de litígios dos EUA continua a usar informações enganosas para questionar a segurança do glifosato em busca de retornos financeiros. A luta contra a indústria de litígios já custou mais de US$ 10 bilhões até o momento, sem uma resolução clara. Uma coisa é certa: não podemos continuar a vender um produto já aprovado e perder bilhões de dólares fazendo-o. Infelizmente, estamos nos aproximando de um ponto em que os esforços da indústria de litígios vão nos forçar a parar de vender este produto.

    E por mais que glifosato seja o assunto hoje, não há dúvidas de que todos os produtos de proteção de cultivos podem ser alvo da indústria de litígios. É por isso que, nos EUA, estamos ativamente engajados em esforços legislativos, nas esferas federal e estaduais, para apoiar políticas que protejam o acesso de agricultores a um produto essencial de proteção de cultivos. A agência regulatória americana (EPA) tem afirmado repetidamente que o glifosato é seguro para uso conforme instruções de bula. E a legislação que apoiamos reforça o a autoridade da EPA em suas decisões rigorosas e embasadas em ciência. Essa consistência garante que o rótulo segue a lei, ajudando a eliminar as premissas infundadas dos ataques legais que têm solicitado uniformidade nos rótulos nos EUA.

    Nenhuma decisão foi tomada até aqui. E nós não trabalhamos com um cronograma específico. Conforme mencionamos na nossa mais recente divulgação de resultados, estamos focados em uma série de itens prioritários neste ano para contermos o litígio relacionado a glifosato. Esperamos que possamos encontrar uma solução para que não sejamos obrigados a interromper as vendas desse produto.”

    Desafio

    A crise envolvendo Bayer, Monsanto e Roundup representa um dos maiores desafios jurídicos e financeiros já enfrentados por uma multinacional do setor químico e agrícola. O desfecho das negociações e possíveis mudanças na legislação americana devem definir o futuro da empresa e do mercado global de defensivos agrícolas nos próximos anos.

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  • Câncer de pele: perigo para trabalhadores do agronegócio

    Câncer de pele: perigo para trabalhadores do agronegócio

    Os trabalhadores do agronegócio enfrentam um risco elevado de desenvolver câncer de pele devido à intensa exposição à radiação ultravioleta (UV). Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer de pele é a neoplasia mais comum no Brasil, com aproximadamente 180 mil novos casos diagnosticados anualmente. A situação é alarmante, especialmente para aqueles que trabalham ao ar livre, como agricultores e pecuaristas, que estão expostos ao sol por longas horas.

    Diante desse cenário preocupante, o Hospital de Amor, em parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, lançou o Projeto “Retrate”. O objetivo é realizar um trabalho de rastreamento do câncer de pele entre a população rural, especialmente em regiões como Barretos, onde a agricultura é predominante.

    Projeto Retrate

    O Projeto Retrate já identificou quase 2 mil casos com risco aumentado para o desenvolvimento de melanoma. A iniciativa promove campanhas de busca ativa voltadas a grupos de risco e inclui capacitações para profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) rurais. Além disso, fornece equipamentos necessários para melhorar o atendimento e eliminar barreiras ao acesso à prevenção e tratamento.

    Parceria entre Secretaria de Agricultura e Hospital de Amor rastreia câncer de pele na população rural.

    Um dos maiores desafios enfrentados pelo projeto é a resistência cultural à adoção de medidas de proteção, como o uso regular de roupas apropriadas e protetor solar. Desde abril de 2024, o projeto tem promovido ações informativas sobre a doença e atendimentos dermatológicos para rastreamento do câncer de pele.

    “Nossa atuação não é fácil. A população rural é muito receosa, até mesmo por questões culturais, tornando difícil dar o primeiro passo para buscar o diagnóstico”, afirma Rolando Salomão, diretor técnico da CATI Regional de Barretos.

    Resultados e expansão do projeto

    Até o momento, o Projeto Retrate recebeu mais de 7 mil imagens de lesões de pele enviadas por meio das diferentes abordagens implementadas. Essas imagens foram avaliadas via teledermatologia, resultando no agendamento de aproximadamente 700 consultas presenciais e no encaminhamento de 173 pacientes para biópsia.

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    O projeto atua atualmente em 18 municípios da Diretoria Regional de Saúde V (DRS-V) e está desenvolvendo propostas para expandir suas atividades para outras localidades.

    O diagnóstico precoce é crucial, especialmente para o melanoma, que é uma forma agressiva da doença. Raquel Descie, pesquisadora e doutora em Oncologia pelo Hospital de Amor, destaca que muitos trabalhadores rurais passaram a vida inteira sem usar roupas adequadas ou protetor solar. “Enfrentamos o desafio de combater crenças equivocadas sobre a gravidade do câncer de pele. É fundamental ressaltar que alguns tipos são extremamente agressivos e apresentam alta mortalidade”, afirma Descie.

    A saúde dos trabalhadores do agronegócio é essencial não apenas para sua qualidade de vida, mas também para a produtividade do setor agrícola. Iniciativas como o Projeto Retrate são fundamentais para aumentar a conscientização sobre os riscos do câncer de pele e garantir que os trabalhadores tenham acesso a cuidados preventivos e tratamentos adequados. O apoio contínuo à saúde rural é crucial para proteger aqueles que sustentam a produção agrícola do país.

  • Substância na goiaba pode ajudar no combate ao câncer

    Substância na goiaba pode ajudar no combate ao câncer

    Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do Centro Universitário de Valinhos estão explorando o potencial anticancerígeno da goiaba, especificamente através do licopeno, um carotenoide encontrado em abundância na fruta. Estudos recentes indicam que essa substância pode ser eficaz no combate a diversos tipos de câncer, incluindo o câncer de mama e o câncer de próstata.

    O licopeno é conhecido por suas propriedades antioxidantes, que ajudam a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres. De acordo com a nutricionista Danielle da Rosa Amaral, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF), “a goiaba é rica em licopeno. É uma substância protetora que defende as células contra patologias como câncer e doenças degenerativas”. Além disso, a goiaba é uma fonte significativa de vitaminas A e C, além de minerais como cálcio, fósforo e potássio.

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    O estudo realizado pela UnB destaca que o licopeno extraído da goiaba vermelha apresenta uma ação antioxidante superior. Isso em comparação ao licopeno encontrado em outras fontes, como tomate e melancia. O coordenador da pesquisa, professor José Roberto Leite, enfatiza que “o Nano Guava se mostrou efetivo ao atuar de forma seletiva, matando as células tumorais sem afetar as células normais associadas”.

    Avanços na pesquisa

    A pesquisa sobre a goiaba faz parte do projeto “Nano Guava”, que visa desenvolver novas aplicações para a substância. O produto está na fase de pesquisa clínica em humanos e pode oferecer uma alternativa promissora para o tratamento do câncer nos próximos anos. Os testes realizados até agora demonstraram que o extrato da goiaba pode inibir o crescimento tumoral entre 20% e 30%, com eficácia maior em doses menores.

    Além do potencial anticancerígeno, a goiaba também possui propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias. O uso das folhas da goiabeira tem sido associado à cicatrização acelerada e ao tratamento de problemas intestinais.

    “A goiaba se tornou uma matéria prima da molécula porque em rendimento ela se torna superior. Então você tem uma substância com propriedades antioxidantes. Inclusive com propriedades antioxidantes superiores ao que existe no mercado. E também um alto rendimento da molécula a partir da matéria-prima”, explica a professora nos cursos de Saúde e Ciências Biológicos do Centro Universitário UDF, Andreanne Gomes Vasconcelos.

    Os resultados das pesquisas sobre a goiaba não apenas reforçam a importância dessa fruta na dieta brasileira. Elas também abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos eficazes no combate ao câncer. Com a crescente evidência científica sobre seus benefícios à saúde, a goiaba pode se consolidar como um aliado valioso na luta contra doenças graves.

    Esses avanços científicos destacam a necessidade de mais estudos sobre produtos naturais e suas aplicações terapêuticas. Isso pode contribuir para um futuro mais saudável e sustentável na medicina e no agronegócio.

  • Bactéria do bem: conheça a pesquisa brasileira que pode ajudar no combate ao câncer

    Bactéria do bem: conheça a pesquisa brasileira que pode ajudar no combate ao câncer

    Pesquisadores brasileiros e americanos trabalham em conjunto para criar uma bactéria que pode combater doenças e resolver problemas ambientais. Imagine uma bactéria que, ao invés de fazer mal, é capaz de percorrer o organismo entregando fármacos para combater doenças como o câncer, diretamente nas células afetadas. Ou então que possa “comer” o plástico nos oceanos, resolvendo assim um dos principais problemas ambientais da atualidade.

    A pesquisa desse tipo de microrganismo acaba de dar um passo importante, no Brasil. “Mostramos, em artigo científico, como a JCVI-syn3. A é um organismo versátil e robusto, que pode ser usado para investigar interações entre bactérias e células de mamíferos”, explica a pesquisadora Daniela Bittencourt, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – DF.

    A JCVI-syn3.A, uma célula sintética derivada da JCVI-syn3.0, é capaz de crescer em laboratório e pode ser usada para investigar interações entre bactérias e células de mamíferos. Além disso, “a JCVI-syn3.A tem 19 genes a mais do que a JCVI-syn3.0. Esses genes foram inseridos de volta para deixar a célula com morfologia e processo de divisão mais próximos ao natural. Sendo assim, facilita a manipulação em laboratório”, afirma a pesquisadora brasileira.

    A célula mínima é capaz de carregar um genoma 100% sintético e tem apenas o necessário para manter-se viva e se multiplicar em ambiente controlado. Sendo assim, a JCVI-syn3.A é uma ferramenta importante para o desenvolvimento de vacinas e fármacos, e pode ser usada para combater doenças como o câncer.

    No caso da linhagem JCVI-syn, foi utilizada como base genética o genoma da bactéria Mycoplasma mycoides, subespécie capri, uma espécie patogênica que causa pneumonia em caprinos.

    Criação de uma célula sintética

    A célula Mycoplasma possui um genoma pequeno, sendo assim os cientistas a utilizaram como modelo para sintetizar todo o genoma em laboratório. Portanto, nascia a JCVI-syn1.0, da qual foram retirados apenas alguns genes, transformando-a em uma célula mais inofensiva. Depois de sintetizar esse genoma, os pesquisadores conseguiram introduzi-lo dentro de uma outra célula, de uma espécie prima, a Mycoplasma capricolum, que ficou com dois genomas: o natural e o sintético.

    “O genoma sintético foi para um lado e o natural para o outro, quando essa célula se dividiu. Só que o genoma sintético possui um gene que confere resistência ao antibiótico tetraciclina. Foi colocado o antibiótico no meio e então a célula filha que recebeu o genoma natural morreu e apenas a com o genoma sintético sobreviveu. Assim, criou-se a primeira célula com genoma 100% sintético”, explica Bittencourt.

    Biologia sintética

    “É possível usar o conhecimento da biologia a nosso favor. Ou seja: pegar todos os mecanismos biológicos que conhecemos e sintetizar as partes genéticas responsáveis por eles para construir um organismo com uma função específica. Daí o termo biologia sintética”, reforça a pesquisadora.

    O objetivo a longo prazo é aprender as metodologias de síntese de genoma e de desenvolvimento de células com genoma sintético. Portanto será capaz de produzir bactérias e outros microrganismos que possam ser usados como bioinsumos.

    Pequisa no Brasil

    Daniela Bittencourt, pesquisadora da Embrapa. Divulgação – Embrapa/Cláudio Bezerra

    Os trabalhos no Brasil estão sendo desenvolvidos pelo Laboratório de Biologia Sintética da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com o J. Craig Venter Institute e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

    “O INCT BioSyn inseriu a C&T do Brasil no mapa mundial da biologia sintética”, afirma Bittencourt. Essa tecnologia tem o potencial de revolucionar a biotecnologia e melhorar a vida das pessoas.