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  • Cannabis avança e projeta mercado de R$ 1,2 bilhão no Brasil

    Cannabis avança e projeta mercado de R$ 1,2 bilhão no Brasil

    O avanço da cannabis medicinal no Brasil tem impulsionado investimentos e ampliado áreas de cultivo. Um dos exemplos é a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que se prepara para operar na maior área de cultivo de cannabis medicinal do país.

    Há pouco mais de um ano, o empresário Cassiano Gomes investiu R$ 1 milhão na aquisição de um terreno de 17 hectares no município de Conde (PB), na região metropolitana de João Pessoa. A nova estrutura deverá consolidar a Abrace, uma das principais referências nacionais no setor.

    Embora seja uma organização sem fins lucrativos, a Abrace opera de forma integrada, controlando todas as etapas da cadeia produtiva, desde o cultivo até a distribuição dos medicamentos. Atualmente, a entidade conta com 100 colaboradores e atende aproximadamente 60 mil pacientes.

    O canabidiol (CBD), composto extraído da cannabis, tem eficácia em tratamentos relacionados à ansiedade, dor crônica, epilepsia e distúrbios do sono — Foto: Divulgação

    Segundo Cassiano Gomes, a associação está na reta final para obter uma autorização especial de funcionamento que poderá abrir novas oportunidades de mercado.

    “Estamos em fase final para conseguir um alvará especial de funcionamento. Depois, vamos atrás do certificado de boas práticas, que nos tornaria aptos a participar de licitação ou venda direta para o governo. Esse não é nosso objetivo principal, mas como temos essa capacidade de fornecimento, vejo isso como uma forma até de baratear os medicamentos para os nossos associados”, afirmou.

    Regulamentação impulsiona expansão

    O crescimento da Abrace reflete a expansão de um novo mercado no Brasil. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a regulamentação para o plantio e a comercialização de cannabis medicinal, medida que aumentou a visibilidade do segmento e trouxe maior segurança jurídica para as entidades que atuam na área.

    Dados da Kaya Mind, startup especializada em inteligência de mercado para cannabis, mostram que o setor movimentou R$ 970 milhões em 2025, valor 14% superior ao registrado no ano anterior. Além disso, a expectativa é que o mercado alcance R$ 1,2 bilhão até 2027.

    Expansão da produção

    A Abrace foi a primeira organização brasileira a obter autorização judicial para cultivar cannabis medicinal, em 2017. Há três anos, a produção era realizada em uma área de quatro hectares em Campina Grande (PB). Agora, dos 17 hectares adquiridos em Conde, sete hectares serão destinados ao cultivo da planta.

    Além das lavouras, o novo espaço receberá o laboratório da associação, atualmente instalado em João Pessoa. A mudança permitirá reduzir custos operacionais, incluindo despesas de aluguel que hoje chegam a R$ 40 mil por mês. O projeto completo para implantação da nova estrutura exigirá investimentos estimados em R$ 8 milhões.

    Única entidade autorizada a plantar maconha no país fica na Paraíba — Foto: Divulgação/Abrace

    Apepi aposta em crescimento planejado no RJ

    Enquanto isso, no interior do Rio de Janeiro, a Associação de Apoio à Pesquisa e a Pacientes de Cannabis Medicinal (Apepi) também amplia sua capacidade produtiva.

    “Nossa intenção no início não era fornecer o óleo, sobretudo cobrar por ele. A associação nasce como um coletivo de mães para conseguir acesso ao produto importado. Eu plantava em casa para tratar minha filha, e o que sobrava dava para quem precisava”, relembrou Margarete Brito, fundadora.

    Ideia surgiu a partir de um grupo de mães que buscava tratamentos alternativos para seus filhos — Foto: Apepi

    A propriedade rural da Apepi possui 70 hectares, dos quais um hectare é destinado atualmente ao cultivo da cannabis. Outros seis hectares são utilizados para culturas agrícolas como girassol, crotalária e feijão-de-porco, empregadas no manejo e recuperação do solo.

    Planejamento agrícola e manejo sustentável

    De acordo com Marcelo Marega Vinhel, gerente de produção da Apepi, a entidade trabalha com planejamento revisado a cada seis meses e pretende ampliar gradualmente a área cultivada.

    “Pretendemos nos próximos cinco anos, ou talvez antes, ocupar toda a área agrícola da fazenda com cannabis. Mas isso não será feito sem planejamento. Não dá para só tirar a maconha do pé sem colocar nada no lugar. Eu tenho que deixar o solo descansar e rotacionar essa cultura”, explicou.

    A fundadora da Apepi avalia que a regulamentação da Anvisa trouxe maior respaldo para as associações e pode acelerar o crescimento da atividade em diferentes regiões do país. No entanto, ela alerta para os riscos de expansão desordenada.

    “Todo segmento novo tem esse boom no começo e depois uma queda até o mercado se estabilizar. Se isso acontecer vai sobrar mais planta do que a gente consegue consumir, ainda mais no Brasil, com toda essa quantidade de terras que tem”, afirmou.

    Apesar das perspectivas positivas para o mercado, Margarete Brito destaca que a entidade pretende preservar sua atuação focada no atendimento aos pacientes e descarta, por enquanto, alianças com grandes grupos industriais.

    Mercado pode alcançar 6,9 milhões de consumidores

    O levantamento da Kaya Mind identificou um novo impulso na criação de associações ligadas à cannabis medicinal. O movimento é resultado do aumento de profissionais especializados, da ampliação das autorizações judiciais para cultivo e da regulamentação publicada pela Anvisa.

    Atualmente, o Brasil possui 315 CNPJs ativos de associações ligadas à cannabis medicinal, sendo que 47 entidades têm autorização para cultivar a planta. Juntas, essas organizações ocupam aproximadamente 21 hectares de cultivo.

    Hoje, o mercado brasileiro atende cerca de 870 mil pessoas, mas o potencial de crescimento é muito superior. Segundo as projeções, o número de consumidores poderá alcançar 6,9 milhões de pessoas no longo prazo.

  • Anvisa libera cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    Anvisa libera cultivo de cannabis medicinal no Brasil

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28) mudanças históricas na regulamentação da Cannabis medicinal no Brasil. As novas resoluções expandem as formas de uso terapêutico, autorizam a venda de canabidiol em farmácias de manipulação e estabelecem regras para o cultivo nacional da planta para fins medicinais e de pesquisa.

    A resolução aprovada amplia significativamente as possibilidades de tratamento com Cannabis. Agora, medicamentos de uso bucal, sublingual e dermatológico poderão ser comercializados no país. Anteriormente, apenas produtos para uso oral e inalatório eram permitidos pela agência reguladora.

    A medida também flexibiliza o acesso a produtos com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2% para pacientes com doenças debilitantes graves. Antes restrita a casos paliativos ou terminais, a nova regra pode beneficiar pessoas com condições como dor neuropática crônica, segundo análises técnicas da Anvisa.

    O fitofármaco canabidiol poderá ser vendido em farmácias de manipulação, decisão tomada após voto do diretor Thiago Campos, que havia suspendido a votação em dezembro.

    Cultivo nacional: nova era para cannabis medicinal

    Em cumprimento a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Anvisa deve votar três resoluções que regulamentam o plantio de Cannabis no Brasil. O prazo estabelecido pela Justiça é março de 2025 para apresentação do regulamento completo.

    As novas normas estabelecem critérios rigorosos de controle:

    • Plantas para produção medicinal devem apresentar teor de THC igual ou inferior a 0,3%
    • Cultivo obrigatoriamente em locais controlados com coordenadas georreferenciadas
    • Estimativa de produção e planos de segurança para evitar desvio de produtos
    • Para pesquisas, não há limite de THC, mas exige-se monitoramento por câmeras e controle rigoroso de acesso

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já recebeu autorização em novembro de 2025 para realizar pesquisas com a planta.

    Impactos na agricultura brasileira

    A liberação do cultivo de Cannabis medicinal pode representar uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro. O país, reconhecido mundialmente por sua expertise agrícola e condições climáticas favoráveis, poderá desenvolver uma nova cadeia produtiva regulamentada.

    Benefícios potenciais para a agricultura:

    • Diversificação de culturas e geração de renda para produtores rurais
    • Desenvolvimento de tecnologia agrícola nacional para cultivo especializado
    • Redução da dependência de importações de medicamentos canabinoides
    • Criação de empregos na cadeia produtiva, desde o plantio até a industrialização
    • Impulso à pesquisa agropecuária com apoio de instituições como a Embrapa
    • Atração de investimentos em biotecnologia e farmacologia vegetal

    A testagem controlada em pequena escala, incluindo associações de pacientes, permitirá avaliar a viabilidade técnica e econômica do cultivo nacional antes da expansão comercial.

    Mercado

    Segundo dados divulgados pela Anvisa em dezembro, existem atualmente 33 produtos de canabidiol e 16 extratos de Cannabis autorizados para venda no Brasil. Muitos pacientes, no entanto, ainda dependem da importação excepcional de medicamentos não avaliados pela agência ou de autorizações judiciais para cultivo próprio.

    As mudanças regulatórias prometem ampliar significativamente o acesso aos tratamentos, reduzir custos para pacientes e impulsionar a indústria farmacêutica nacional voltada para produtos de origem vegetal.

    A Anvisa mantém a regulamentação desde 2015, quando autorizou a primeira importação excepcional de produtos à base de Cannabis. O marco regulatório de 2019, agora atualizado, permitiu o registro de terapias para venda em farmácias – um avanço histórico que se consolida com as decisões desta quarta-feira.

  • Cientistas brasileiros descobrem canabidiol em erva daninha

    Cientistas brasileiros descobrem canabidiol em erva daninha

    Pesquisadores identificaram o canabidiol (CBD), um composto da canábis, em uma planta brasileira que não é relacionada à cannabis, abrindo novas possibilidades para a produção dessa substância cada vez mais popular.

    O CBD foi encontrado nos frutos e flores da planta Trema micrantha blume, conhecida no Brasil como crindiúva, pau-de-cruz ou pau-de-tucano. Este arbusto é amplamente distribuído pelo território brasileiro e frequentemente considerado uma erva daninha, conforme informou o biólogo molecular Rodrigo Moura Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    O canabidiol tem sido utilizado por algumas pessoas para tratar condições como epilepsia, dor crônica e ansiedade. Juntamente com o tetrahidrocanabinol (THC), que é a substância psicoativa da canábis, o CBD é um dos principais compostos ativos da planta. No entanto, a eficácia do CBD como tratamento médico ainda está sob investigação.

    Canabidiol sem efeito psicoativo

    A análise química revelou que a Trema contém CBD, mas não THC, o que sugere uma nova fonte abundante de canabidiol que não enfrenta os desafios legais e regulamentares associados à canábis, que ainda é proibida em muitos locais, incluindo o Brasil. “É uma alternativa legal ao uso da cannabis”, afirmou Neto. “Essa planta cresce em todo o Brasil e poderia ser uma fonte mais simples e econômica de canabidiol.”

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    Neto mencionou que o CBD já havia sido encontrado em uma planta relacionada na Tailândia. Ele ainda não publicou seus resultados, mas planeja expandir sua pesquisa para identificar os melhores métodos de extração do CBD da Trema e avaliar sua eficácia em pacientes com condições tratadas atualmente com cannabis medicinal.

    Recentemente, sua equipe recebeu uma bolsa de 500 mil reais (aproximadamente 104 mil dólares) do governo brasileiro para financiar a pesquisa. Ele estima que a pesquisa levará pelo menos cinco anos para ser concluída.

    Um estudo da Vantage Market Research estimou que o mercado global de CBD está próximo de US$ 5 bilhões. E projetou um crescimento para mais de US$ 47 bilhões até 2028. Esse crescimento é impulsionado principalmente pelo uso na saúde e bem-estar.