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  • Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    Paraguai assina decreto que exige 50% de etanol na mistura dos combustíveis

    O Paraguai acaba de virar a página na sua política energética. O presidente Santiago Peña assinou o decreto que regulamenta a Lei do Etanol, visando impulsionar a industrialização, atrair investimentos e ampliar os empregos na cadeia da cana-de-açúcar.

    A medida estabelece que pelo menos metade do etanol usado na mistura de combustíveis deve ter origem nacional, sinalização clara de proteção ao mercado interno e de valorização do produtor local. Para garantir o cumprimento, o decreto já prevê mecanismos de controle, cronograma de implementação e regime de sanções para quem descumprir as regras.

    Tudo isso com um foco bem definido: priorizar o etanol produzido no próprio país, assegurando que o álcool anidro misturado aos combustíveis fósseis venha, de fato, do campo paraguaio.

    Setor sucroalcooleiro e o movimento paraguaio

    A lógica por trás da medida é criar demanda garantida para o setor sucroalcooleiro paraguaio. A estratégia pretende assegurar demanda contínua para o setor, oferecendo maior previsibilidade aos produtores e consolidando um ambiente de mercado mais estável.

    Além disso, a iniciativa busca estimular um ciclo de crescimento na economia rural, incentivando a industrialização da cana-de-açúcar, agregando valor à produção nacional e reduzindo a dependência de insumos importados.

    Em resumo, o movimento paraguaio chega em um momento em que vários países da América Latina revisitam suas matrizes energéticas e buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O Paraguai posiciona a cana-de-açúcar como componente estratégico da sua política de energia, um caminho que o Brasil já percorreu décadas atrás com o Proálcool e que agora inspira vizinhos.

  • Como as usinas de cana dominam o campo paulista sem serem donas da terra

    Como as usinas de cana dominam o campo paulista sem serem donas da terra

    As usinas de cana-de-açúcar encontraram uma forma silenciosa de dominar o campo paulista: em vez de comprar terras, elas as alugam. Desde os anos 1990, o setor sucroalcooleiro vem expandindo seus canaviais principalmente por meio de arrendamentos, incorporando propriedades de pequenos e médios agricultores sem transferir a posse formal. O resultado é uma concentração intensa no uso da terra no estado de São Paulo, mesmo que os registros cartoriais mostrem um quadro diferente.

    Um estudo publicado no periódico científico Land Use Policy apresenta essa conclusão. O pesquisador José Giacomo Baccarin, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista, câmpus de Jaboticabal, assina o trabalho. E as informações aqui são de  matéria feita por Bruno Vaiano, no Jornal da Unesp.

    São Paulo lidera a produção nacional de cana-de-açúcar, respondendo por 54% da safra brasileira, 62% do açúcar produzido no país e 49% do etanol. O estado também ocupa posição de destaque no cenário mundial nessas três categorias.

    O mapa que os registros não mostram

    Os dados do levantamento revelam uma distorção significativa entre posse e controle da terra. Em 2017, estabelecimentos agrícolas com mais de mil hectares já ocupavam cerca de 45% da área agrícola paulista. Mas os imóveis rurais nessa mesma faixa de tamanho representavam apenas 21% do território usado para agricultura no estado.

    A diferença entre esses dois números evidencia o fenômeno: proprietários reúnem mais da metade do espaço controlado por esses megaempreendimentos em propriedades menores, sob um único administrador, por meio de contratos de arrendamento.

    Por que a cana exige estar perto

    A lógica do arrendamento tem raízes na própria biologia da cana-de-açúcar. Diferentemente da soja ou da laranja, a cana precisa ser processada em até 50 km do local de colheita. Caso contrário, perde qualidade e aumenta os custos de transporte, comprometendo a viabilidade econômica da operação.

    Essa exigência logística obriga cada usina a formar um cinturão de cultivo ao seu redor, disputando as áreas disponíveis dentro desse raio. A expansão, portanto, ocorre menos pela abertura de novas fronteiras agrícolas e mais pela incorporação de terras já cultivadas nas proximidades.

    “Cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas”, explica Baccarin. “Os outros 40% são adquiridos de fornecedores e agricultores independentes.”

    A mecanização que expulsou os pequenos

    Um ponto de inflexão para o setor ocorreu em 2007, com a adesão das usinas ao Protocolo Agroambiental para o Setor Energético da Cana-de-Açúcar de São Paulo. O acordo estabelecia o fim da queima da palha da cana até 2017 e a substituição da colheita manual pelo processo mecanizado.

    A transição exigiu pesados investimentos em máquinas agrícolas e adaptações no manejo das lavouras, como o uso de novas variedades de cana e o cultivo em parcelas maiores para viabilizar a operação dos equipamentos. Entre 2007 e 2017, 84% das usinas cumpriram o compromisso. Mas apenas 36% dos fornecedores independentes conseguiram se adaptar no mesmo período.

    Para os pequenos produtores, o obstáculo era econômico. Uma única máquina colhedora processa centenas de milhares de toneladas por safra. Em uma propriedade de 200 hectares, por exemplo, comprar o equipamento seria inviável. Alugar uma colhedora era a única alternativa mas, ainda assim, insuficiente para competir com a escala das usinas.

    Proprietários de terra, moradores da cidade

    O estudo de Baccarin também mapeia uma transformação social. Após arrendar as fazendas, boa parte dos proprietários migrou para centros urbanos e passou a viver da renda do aluguel rural enquanto atua no comércio ou no setor de serviços. As gerações seguintes, formadas em profissões urbanas, mostram pouco interesse em retomar a atividade agrícola.

    “Os filhos e netos dos primeiros arrendatários já não têm vocação nem capital para a agricultura. Eles se desfizeram dos tratores”, afirma o pesquisador.

    O futuro da cana e da terra paulista

    O setor sucroalcooleiro, no entanto, enfrenta novos desafios. Um quarto do etanol brasileiro já é produzido a partir do milho, que rende 400 litros por tonelada, contra 80 litros obtidos da cana. Ao mesmo tempo, o consumo de açúcar desacelera nos países mais ricos, pressionado pela crescente consciência sobre os malefícios dos alimentos ultraprocessados.

    Essas tendências podem frear a expansão dos canaviais paulistas nas próximas décadas e reorganizar a estrutura fundiária do estado.

    Para Baccarin, a concentração do uso da terra traz ganhos de eficiência e redução de custos, mas levanta questões que exigem atenção pública. Entre elas estão a distribuição de renda no campo, a responsabilidade ambiental em áreas arrendadas e a necessidade de políticas que incentivem a diversificação produtiva em pequenas propriedades, como o cultivo de frutas e hortaliças e a recuperação de matas nativas e nascentes.

  • Expandir o cultivo de cana, milho e soja em terras degradadas pode triplicar produção de bioenergia

    Expandir o cultivo de cana, milho e soja em terras degradadas pode triplicar produção de bioenergia

    O Brasil possui 100 milhões de hectares (ha) de áreas de pasto degradados, equivalentes a quatro vezes a extensão territorial do Estado de São Paulo. Se pouco mais de 30% dessa área – 36 milhões de ha – fosse usada para expandir o plantio de cana-de-açúcar, milho e soja voltado, especificamente, para produção de bioenergia, seria possível gerar 6,8 exajoules (EJ) de energia por ano, equivalentes ao total de energia renovável produzida mundialmente hoje. O impacto ambiental seria neutro ou negativo, dependendo da região, porque o plantio dessas culturas energéticas nessas terras degradadas promoveria a fixação de carbono no solo.

    Pesquisadores do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), elaboraram as estimativas.

    Mário Murakami, diretor do LNBR, apresentou parte dos resultados do trabalho — já submetido para publicação — durante uma mesa-redonda sobre a bioeconomia como impulsionadora da neoindustrialização e da transformação ecológica da economia brasileira. O Evento aconteceu segunda-feira (17/11) em evento na Casa da Ciência, no Museu Emilio Goeldi, em Belém. E foi realizado paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).

    “A conversão dessas terras degradadas em lavouras de culturas energéticas pode ter impacto global. Vai contribuir muito para a transição energética do Brasil e do mundo para a bioeconomia. E atingir a meta estabelecida nessa COP de quadruplicar a produção de biocombustíveis globalmente até 2035. Incluindo biocombustíveis líquidos, biogás e hidrogênio de baixa emissão”, disse Murakami à Agência FAPESP.

    Método

    Para chegar à estimativa de 100 milhões de hectares de terras degradadas no país, os pesquisadores utilizaram imagens obtidas por meio de mapeamento de satélite de alta resolução e definiram uma série de critérios, como não estarem situadas em áreas de preservação ecológica, próximas de floresta nativa, de nascente de água ou na transição do Cerrado com a Amazônia.

    “Fomos bastante restritivos para garantir que essas áreas realmente não vão afetar o sistema hídrico, a disponibilidade de água e, muito menos, mata nativa, respeitando toda a legislação ambiental vigente”, afirmou Murakami.

    “Por isso que, do total de 100 milhões de hectares de terras degradadas, somente 36 milhões foram considerados para o plantio de culturas para produção de bioenergia. E os 64 milhões de hectares restantes poderiam ser resguardados para reflorestamento”, explicou.

    Além disso, a análise considerou a logística do cultivo dessas culturas energéticas em terras degradadas conforme a localização, para integrá-las às cadeias produtivas regionais de bioenergia.

    “Talvez em uma determinada região faça mais sentido cultivar milho e soja e em outra cana-de-açúcar. Isso tudo foi muito bem mapeado no trabalho com o intuito de indicar, especificamente, qual cultura se encaixa melhor em cada região do país. Uma vez que cada uma tem suas especificidades de restrições, oportunidades e vantagens”, disse Murakami.

    De acordo com o pesquisador, a área total de cultivo de cana-de-açúcar no Brasil hoje ocupa 9 milhões de hectares. A expansão do plantio dessa e de outras culturas energéticas nos 36 milhões de hectares de pastos degradados permitiria triplicar a produção de bioenergia no país.

    “O Brasil tem o potencial de triplicar sua produção de bioenergia usando somente uma pequena parcela das terras degradadas e mantendo mais da metade para o reflorestamento.”

    Vantagens comparativas

    Na avaliação do pesquisador, o Brasil apresenta uma série de vantagens comparativas que tornam o país um concorrente imbatível em matéria de bioeconomia. Uma dessas vantagens aparece no fato de que mais de 90% da energia elétrica do país vem de fontes renováveis, enquanto no restante do mundo predomina o uso de fontes não renováveis.

    Foto: Divulgação – Biosul

    A disponibilidade dessa energia elétrica renovável permite gerar hidrogênio para produzir combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Uma alternativa ao querosene de aviação tradicional, produzido a partir de fontes renováveis como óleos vegetais, gorduras animais, resíduos agrícolas e lixo, sem despacho fóssil. Ou seja, com pegada de carbono zero, avaliou Murakami.

    “O Brasil é o único país que consegue produzir hidrogênio de baixo carbono sem despacho fóssil, porque usa energia renovável para isso. O mundo inteiro vai depender de despacho fóssil adicional para produzir hidrogênio, que é um insumo central para produzir SAF”, comparou.

    Biomassa

    Outra vantagem do país é a disponibilidade de biomassa lignocelulósica. O país produz hoje mais de meio bilhão de toneladas desse insumo, que não compete com alimento. Desse total, 200 milhões de toneladas estão disponíveis na indústria. Já prontas para serem biotransformadas e convertidas em escala para produção de combustíveis, nutrição animal, cosméticos ou em qualquer molécula obtida hoje por meio do petróleo, a partir de energia renovável, apontou Murakami.

    “Nenhum lugar no mundo tem essa biomassa cativa. Os Estados Unidos produzem muita biomassa, só que ela está disponível no solo das fazendas. No Brasil, essa biomassa já está na indústria, é limpa, abundante e de baixo custo. Isso permite reduzir em duas a três vezes o custo do produto final”, afirmou.

    Além disso, o país já possui toda uma cadeia produtiva instalada baseada em culturas de bioenergia, como a da cana-de-açúcar, sublinhou Murakami.

    “Esse é um grande diferencial e muda completamente o cenário. Não tem como competir com o Brasil em produção de bioenergia, em bioeconomia, com as vantagens comparativas que temos hoje.”

    Alguns dos obstáculos, contudo, para o país avançar nessa área são as tecnologias, em grande parte importadas, para desconstruir a celulose da biomassa. Que é extremamente recalcitrante à despolimerização biológica. Por isso, a missão do LNBR é codesenvolver e compartilhar riscos com a indústria nacional para desenvolver tecnologias que possibilitem a soberania tecnológica, explicou o pesquisador.

    “Nosso papel não é competir com as indústrias, mas dar opções de escolha de tecnologias nacionais ou importadas para elas.”

    Inspiração na biodiversidade

    Para superar as barreiras tecnológicas para conversão da biomassa disponível no Brasil em produtos de interesse econômico, os pesquisadores do LNBR têm procurado alternativas na biodiversidade brasileira.

    Por meio de trabalhos de bioprospecção, eles encontraram em amostras de solo recoberto por bagaço de cana-de-açúcar um novo filo bacteriano que permitiu mudar o paradigma do metabolismo da celulose, o polímero mais abundante da natureza.

    Por meio de análises realizadas em uma das linhas de feixe do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron do CNPEM – acelerador circular de partículas carregadas (elétrons) que gera uma radiação, chamada de luz síncrotron, que permite investigar a composição e a estrutura da matéria na escala dos átomos e das moléculas –, eles conseguiram elucidar o mecanismo da enzima e aplicá-la em escala industrial, em reatores de 300 litros.

    O artigo publicado em fevereiro deste ano na revista Nature apresentou o trabalho. (leia mais aqui)

    “Conseguimos mostrar que essa enzima representa uma das maiores revoluções nos últimos 20 anos em termos de aplicação industrial. Isso em comparação com outras descobertas de biocatalisadores. E que ela possibilita um ganho de mais de 20% [na conversão de biomassa]”, afirmou Murakami.

    “Isso é um exemplo concreto do valor da biodiversidade e por que é importante a preservação de florestas”, avaliou.

    A equipe integrou o resultado à plataforma de produção de coquetel enzimático mantida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). E está disponível para os cientistas, que podem codesenvolver e melhorar a tecnologia.

    Elton Alisson, de Belém | Agência FAPESP

  • Açúcar e etanol: entenda os bastidores da nova tarifa americana

    Açúcar e etanol: entenda os bastidores da nova tarifa americana

    Questões fundamentais para o desenvolvimento da produção canavieira no Brasil foram debatidas na segunda edição do Cana Summit. Promovido pela ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil), o evento aconteceu no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil), em Brasília e reuniu mais de 600 produtores e representantes do setor sucroenergético de diferentes regiões do País.

    Durante os dois dias de evento, foram realizados painéis com temas estratégicos para o setor, com a presença de autoridades políticas, especialistas nacionais e internacionais, além de representantes de países produtores de cana, como Colômbia, México e Austrália.

    A proposta foi discutir políticas públicas, tendências do mercado, desafios ambientais e outras questões cruciais para o setor. O Agro em Campo fez  uma entrevista exclusiva com José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana. Acompanhe.

    O que representa a realização do 2º Cana Summit em Brasília?

    Estamos em Brasília para fincar a nossa bandeira, trazer nossas demandas e agradecer por tudo o que a cana significa para nós. Reunir 600 produtores do Brasil inteiro é um grande desafio, mas também demonstra a força do setor. Este evento só foi possível graças ao apoio dos nossos patrocinadores, que estão ao nosso lado na luta pelos interesses do produtor de cana. Eles conhecem nossos desafios e compartilham da nossa dedicação à terra e à produção.

    Como o evento reflete a importância da cana no Brasil?

    Tivemos 600 inscrições para este evento, o que reforça a relevância do setor. Muitas vezes, dentro do próprio mercado, não temos plena consciência da representatividade da cana. Cerca de 35 a 40% da produção nacional vem de fornecedores independentes, e precisamos garantir que suas necessidades sejam reconhecidas. São milhares de famílias e trabalhadores que dependem da cana e são fundamentais nesse processo.

    Qual é a relevância política desse evento em Brasília?

    Este evento marca mais uma vez a presença do produtor rural junto ao parlamento brasileiro. Aqui discutimos não apenas riscos e oportunidades, mas também as dificuldades enfrentadas pelos produtores. Levamos nossas pautas ao cenário nacional para buscar soluções e fortalecer a interlocução com os tomadores de decisão.

    Quais temas foram debatidos durante o evento?

    Discutimos vários aspectos importantes, como mercado, concentração de cana nas usinas e entre produtores, sucessão familiar e rentabilidade da cultura. Essas discussões serão levadas para as associações, onde poderemos aprofundar os debates e estruturar projetos de ação em âmbito local.

    José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana. Foto: Pedro H. Lopes
    Como foi a participação internacional no evento?

    O painel internacional, conduzido pela Organização Internacional do Açúcar, trouxe uma perspectiva ampla, incluindo experiências da Austrália e da Colômbia. Isso reforça a importância do Brasil no mercado global. No entanto, temos um desafio: apenas 40% dos produtores brasileiros estão representados, enquanto em outros países esse percentual chega a 90 ou 95%. Precisamos fortalecer essa representatividade para viabilizar um crescimento sustentável.

    Qual a importância de manter essa conexão com os parlamentares?

    Estar em Brasília é essencial para fortalecer nossa relação com os parlamentares e mostrar a relevância da canavicultura brasileira. Nosso objetivo é trazer os principais desafios do setor para a agenda política, garantindo que os produtores tenham mais voz e mais viabilidade para continuar produzindo com qualidade e eficiência.

    Quais são as perspectivas para a próxima safra?

    Temos uma expectativa de safra menor em relação ao ano passado. Em 2023/2024, colhemos 658 milhões de toneladas. A safra que fechamos agora, em 2024/2025, ficou em torno de 618 milhões, e a próxima deve ficar entre 598 e 600 milhões de toneladas. Como as safras são muito próximas, é importante esclarecer esses números para evitar confusões.

    O que esperar da nova safra: mais açúcar ou mais etanol?

    A expectativa é de uma safra mais açucareira. As usinas investiram bastante para concentrar a produção de açúcar, porque o preço está melhor. Antes, o mix era de 56% a 57%, agora pode chegar a 62% ou até 63%. Como muitas usinas já travaram 70% dos preços, deve ser uma safra com muito açúcar — se o clima ajudar e não houver grandes problemas industriais. Já, para o etanol, o milho deve suprir parte do que não vier da cana.

    Como o cenário internacional pode impactar o mercado brasileiro de açúcar?

    Primeiro, é importante avaliar todos os países exportadores de açúcar. Observamos isso com clareza, e ficou evidente que Austrália e México não estavam presentes. O México, por exemplo, exporta cerca de 5 milhões de toneladas de açúcar para os Estados Unidos, sendo o principal fornecedor. Os EUA, por sua vez, não vão aumentar sua produção interna, então, com as tarifas recíprocas aplicadas, esse açúcar chega lá sendo sobretaxado em 10%. Isso com certeza vai impactar o consumidor final. A grande questão é: até que ponto esse consumidor vai pagar por isso?

    Sobre o cenário internacional e política tarifária do governo Trump. Como o Brasil está posicionado frente a essa política tarifária?

    Na lista que temos, que veio desde o governo Trump, essa taxação recíproca ficou em 10%, e o Brasil está entre os países com as menores taxas. Mas a grande discussão é: como os produtos que contêm açúcar, como refrigerantes e doces, vão reagir a isso? O consumo de açúcar nos Estados Unidos é muito diferente do nosso — eles usam muito mais. Aqui no Brasil, o mercado interno consome no máximo 1 milhão de toneladas; o restante, cerca de 34 milhões, vai para exportação. As indústrias americanas que dependem de açúcar, como as de refrigerantes e confeitaria, devem pressionar o governo, pois esses custos vão subir e isso pode gerar um efeito inflacionário.

    E sobre o etanol, o que podemos esperar?

    O impacto é outro. Os EUA não conseguem produzir todo o açúcar que consomem, mas o etanol, sim, porque produzem a partir do milho. Então, o que pode acontecer é uma migração para o uso de glucose de milho, um substituto parecido com o mel. Isso pode acontecer na indústria alimentícia. Vai acontecer já? Acho difícil, mas é um impacto possível, e temos que estar atentos.

    A política de carbono da Califórnia influencia esse cenário?

    Sim, a Califórnia tem uma política clara nesse sentido. Mesmo com o etanol sendo mais barato lá, eles importam o nosso por causa da menor intensidade de carbono. Não é só o preço que pesa, é a questão ambiental. Mas o comportamento do consumidor é complexo. Se aumenta 10%, será que as empresas conseguem repassar isso para o consumidor? Será que elas perdem margem? Esse ajuste costuma acontecer de forma lenta, com redução de volumes exportados até o mercado se ajustar.

    A tarifa de 10% imposta pelos EUA ficou dentro do esperado?

    Eu esperava um percentual pior, algo em torno de 18%. Os EUA fizeram uma avaliação completa: inflação, negociação, competitividade. Quando temos custos baixos de produção e somos competitivos na exportação, conseguimos entrar nesses mercados. O problema é quando somos usados como moeda de troca em acordos comerciais, e é isso que a gente quer evitar.

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  • Cana Summit encerra segundo dia com debates sobre mercado, governança e políticas públicas

    Cana Summit encerra segundo dia com debates sobre mercado, governança e políticas públicas

    O 2º Cana Summit, realizado pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, foi encerrado na tarde desta quinta-feira, 3, com dois painéis de debate, a assinatura de um convênio com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a apresentação da Carta de Brasília. O documento elaborado pela Orplana traz diretrizes para as autoridades políticas visando o reconhecimento do produtor de cana e sua inclusão em políticas públicas do setor.

    A primeira atividade do dia foi a assinatura do convênio com a Embrapa, que contou com a participação de Silvia Massruhá, presidente da empresa; Gustavo Rattes, presidente do Conselho Deliberativo da Orplana; José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana; Ana Euler, diretora executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa; Alexandre Alonso Alves, chefe-geral da Embrapa Agroenergia; e Juliana Evangelista, chefe-adjunta do Centro de Pesquisa da Embrapa.

    Ana Euler – Diretora Executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia Embrapa
    Silvia Massruha, presidente da Embrapa
    Gustavo Rattes, presidente do Conselho Deliberativo da ORPLANA. Foto: Pedro H. Lopes/Agro em Campo

    “Somos procurados por diversas associações que nos trazem problemas para serem estudados dentro da propriedade do produtor. Com essa parceria, poderemos implementar ações de acordo com as demandas específicas de cada um. Por esse motivo, trouxemos nossa melhor parceria para firmar esse convênio, a Embrapa”, afirmou José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana.

    Painéis de debate no segundo dia do Cana Summit

    Após a assinatura do convênio, teve início o primeiro painel do dia, “O Mercado de Etanol e Dinâmica na Comercialização da Cana-de-Açúcar”. Participaram da discussão Bruno Rangel Geraldo Martins, presidente da Coplana; Márcio Meloni, diretor comercial e de varejo da Copercana; Marcos Farhat, diretor-presidente da Coplacana; e Matheus Kfouri Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus. A moderação ficou a cargo de João Rosa, sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos.

    cana summit
    Primeiro painel do dia. Foto: Pedro H. Lopes/Agro em Campo

    O painel abordou a participação dos fornecedores na moagem da cana no Centro-Sul, perfil dos produtores, desafios na gestão e fluxo de caixa, projeções para a safra 2025/2026, precificação do etanol e do açúcar, atuação das cooperativas, dificuldades na captação de recursos, custos de produção, planejamento financeiro, sucessão familiar e impactos climáticos como seca e estiagem.

    Segundo painel do dia. Foto: Pedro H. Lopes/Agro em Campo

    Um dos momentos mais aguardados do evento foi a revisão e discussão do Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana), entidade que busca equilibrar o relacionamento entre produtores e indústrias. Foram debatidos temas como custos de produção e investimento, modelos de contratos, transparência e auditoria, automatização, eficiência, taxa de juros, governança independente e previsibilidade do setor.

    Apresentação da Carta de Brasília

    No encerramento do evento, Bruno Gracia Moreira, diretor tesoureiro da Orplana, apresentou a “Carta de Brasília”. O documento aponta diretrizes voltadas às autoridades políticas e destaca cinco pontos principais:

    • – Aproximação entre políticos e produtores;
    • – Priorização do etanol em todo o Brasil. Aumentando o consumo de etanol hidratado em todo território nacional através de parcerias;
    • – Garantia jurídica para uma regularização fundiária que garanta o patrimônio privado e o direito do produtor;
    • – Inserção do produtor de cana-de-açúcar nas políticas públicas, voltadas à sustentabilidade, rentabilidade, reciprocidade e acesso aos programas nacionais que envolvem o setor sucroenergético.
    • – Garantir ao produtor sua defesa nos seus direitos negociais, facilitando e incentivando o empreendedorismo.

    “Demonstramos com a Carta de Brasília que estamos presentes no espaço político. E atentos a todas as demandas e movimentos que envolvem direta ou indiretamente o setor sucroenergético”, frisou Bruno Moreira.

    Bruno Garcia Moreira apresenta Carta de Brasília. Foto: Pedro H. Lopes/Agro em Campo

    O Cana Summit reuniu mais de 600 canavicultores de diferentes regiões produtoras do país, além de representantes do setor sucroenergético, especialistas e autoridades. Para discutir desafios e perspectivas da cadeia produtiva e se consolida como um dos maiores eventos do setor no Brasil.

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  • 2º Cana Summit começa hoje em Brasília

    2º Cana Summit começa hoje em Brasília

    Nesta quarta-feira, 2 de abril, o Cana Summit 2025 inicia sua segunda edição no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. O evento, promovido pela ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil), reunirá especialistas, produtores e autoridades até quinta-feira, 3 de abril, para discutir o futuro da canavicultura e do setor sucroenergético.

    Durante os dois dias, nove painéis trarão debates sobre temas cruciais, como políticas públicas, inovação, mercado global e o papel dos municípios no apoio aos produtores. Representantes de países como Colômbia, México e Austrália trarão uma visão internacional sobre os desafios e oportunidades do setor.

    Abertura e programação

    A abertura oficial ocorre às 8h do primeiro dia, marcando o início das discussões. As atividades seguirão até as 18h na quarta-feira, enquanto na quinta-feira o evento será realizado das 9h às 13h30.

    A ORPLANA, que representa mais de 12 mil produtores de cana por meio de suas 35 associações, busca fortalecer o diálogo e promover soluções estratégicas para impulsionar a produção canavieira no Brasil. O Cana Summit é uma plataforma essencial para discutir os rumos do setor e garantir sua competitividade no mercado global.

    Foto: Pedro Henrique Lopes – Agro em Campo

    Para mais informações, acesse o site oficial do Cana Summit para detalhes sobre a programação e participação: www.canasummit.com.br

    O Agro em Campo está presente no evento. Teremos conteúdo exclusivo durante a semana.

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  • CTC busca startups para desenvolver tecnologia para cana

    CTC busca startups para desenvolver tecnologia para cana

    O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) abriu um processo de inovação aberta em parceria com a Venture Hub para criar soluções tecnológicas voltadas à cana-de-açúcar.

    Áreas estratégicas para a cana

    A iniciativa busca startups para atuar em quatro áreas estratégicas. São elas: sensoriamento remoto e imagens de satélite, visão computacional e drones, modelos de inteligência artificial com múltiplas entradas e mapeamento de áreas no setor sucroalcooleiro.

    Em geral, o programa foca em startups “deeptechs”, que desenvolvem inovações para desafios ambientais e sociais, e em “ICTs”. Ou seja, empresas que criam soluções a partir de pesquisas científicas. Segundo José Eduardo Azarite, vice-presidente de Inovação Corporativa da Venture Hub, os desafios propostos pelo CTC orientarão a seleção das startups participantes.

    Posteriomente, as empresas escolhidas trabalharão diretamente com as equipes técnicas do CTC. Caso a companhia identifique potencial na solução desenvolvida, poderá realizar uma prova de conceito para validar sua eficácia. De acordo com Camilla Dojicsar Macedo, gerente executiva de tecnologia da informação do CTC, as inovações não beneficiarão apenas o centro, mas também outros players e a comunidade corporativa envolvida.

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  • Controle de plantas daninhas e custos de produção de cana em 2025

    Controle de plantas daninhas e custos de produção de cana em 2025

    O controle de plantas daninhas e os custos de produção estão no centro das discussões sobre a safra 2025 de cana-de-açúcar. A Taranis do Brasil, especialista no combate a pragas, deficiências nutricionais e doenças por meio de inteligência artificial, promoverá um debate sobre o tema na 9ª edição do Datagro – Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol. O evento acontece nos dias hoje (12) e amanhã (13) de março, em Ribeirão Preto (SP).

    Durante um almoço VIP, a empresa apresentará a palestra “Controle de plantas daninhas e o custo de produção de cana-de-açúcar”, ministrada por João Rosa, sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos. Ou seja, o  objetivo é discutir soluções inovadoras para aumentar a produtividade e reduzir gastos no setor.

    Além disso, para o gerente-geral da Taranis, Fábio Franco, a participação no evento reforça a importância da tecnologia para a competitividade do mercado. “O Datagro é uma oportunidade estratégica para interagir com produtores, executivos e líderes do setor. Nossa meta é mostrar como a inteligência artificial pode otimizar a próxima safra e tornar o setor mais eficiente e sustentável”, destaca Franco.

    Segundo ele, o evento também marca o início do planejamento anual do setor sucroenergético. “A escolha do tema e do palestrante reflete esse cenário. Para garantir um mercado forte, é essencial investir em qualidade e no controle de plantas daninhas, doenças e deficiências nutricionais”, afirma.

    Tecnologia a serviço do campo

    A Taranis emprega equipamentos de alta precisão para monitoramento agrícola. Câmeras com tecnologia própria e patenteada, instaladas em drones e aeronaves Cessna 172, captam imagens de lavouras em larga escala. Em resumo, cada avião consegue mapear até 2.000 hectares por dia, com resolução capaz de identificar 100 espécies de ervas daninhas, além de doenças e deficiências nutricionais.

    Os dados coletados são processados por inteligência artificial e disponibilizados na plataforma da Taranis, permitindo análises detalhadas e tomadas de decisão mais rápidas. “Drones e aviões são utilizados conforme o tamanho e a topografia da área, garantindo cobertura eficiente. Nossa frota monitora até um milhão de hectares anualmente”, ressalta Franco.

    A 9ª edição do Datagro reúne os principais agentes do setor para debater desafios e estratégias da nova safra. Ou seja, o evento se consolidou como um dos mais importantes encontros do setor sucroenergético no Brasil.

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  • Vendas de etanol no Centro-Sul crescem 2,07% em janeiro de 2025

    Vendas de etanol no Centro-Sul crescem 2,07% em janeiro de 2025

    As vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul do Brasil apresentaram um desempenho positivo em janeiro de 2025, totalizando 3,06 bilhões de litros. Esse volume representa um crescimento de 2,07% em comparação ao mesmo período da safra 2023/2024, conforme dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

    No mercado interno, as vendas de etanol hidratado atingiram 1,83 bilhão de litros, com um crescimento de 3,90% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o etanol anidro registrou um aumento ainda maior, somando 1,09 bilhão de litros e um avanço de 5,34%. Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, destacou que “na segunda quinzena de janeiro, o volume de etanol hidratado vendido superou 1 bilhão de litros pela primeira vez nesta safra, o maior valor desde a segunda quinzena de julho da safra 2019/2020”.

    Acumulado da safra e impactos na produção

    Desde o início da safra 2024/2025 até 1º de fevereiro, a comercialização totalizou 29,83 bilhões de litros, representando um crescimento acumulado de 10,73%. O volume de etanol hidratado chegou a 19,21 bilhões de litros (+18,18%), enquanto o anidro somou 10,62 bilhões de litros (-0,60%).

    Rodrigues explicou que a oferta de etanol cresceu apesar da retração na moagem devido ao aumento na produção a partir do milho e à redução nas exportações do biocombustível. “Esses fatores permitiram um avanço significativo nas vendas no mercado interno”, afirmou.

    Desempenho da moagem e produção

    Na segunda quinzena de janeiro, as unidades do Centro-Sul processaram apenas 239,37 mil toneladas de cana-de-açúcar, uma queda significativa em relação às 709,8 mil toneladas do mesmo período da safra anterior. No acumulado desde o início da safra até 1º de fevereiro, a moagem totalizou 614,16 mil toneladas.

    A produção de açúcar na segunda quinzena foi limitada a apenas 7,3 mil toneladas. No entanto, a fabricação total desde o início da safra alcançou 39,80 milhões de toneladas, uma queda de 5,52% em comparação com o ciclo anterior.

    Produção aumentada de etanol a partir do milho

    O destaque ficou por conta da produção de etanol a partir do milho. Na segunda quinzena de janeiro, foram produzidos 387,67 milhões de litros desse biocombustível. Desde o início da safra até agora, a produção totalizou 6,78 bilhões de litros. Isso representa um aumento significativo de 31,23% em relação ao mesmo período do ano passado.

    Rodrigues ressaltou que a produção atual já supera o volume total registrado durante toda a safra anterior. “Estamos estabelecendo um recorde na produção de etanol a partir do milho no Centro-Sul”, concluiu.

    Com essas informações e dados positivos sobre as vendas e produção do etanol no Brasil, o setor se mostra otimista para os próximos meses.

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  • Síndrome da Murcha da Cana avança no Brasil

    Síndrome da Murcha da Cana avança no Brasil

    A Síndrome da Murcha da Cana tem se tornado uma preocupação crescente entre os canavicultores brasileiros, com a Companhia Agronômica de Campinas e o Centro de Tecnologia Canavieira, em parceria com a Syngenta, buscando alternativas para mitigar seus impactos. Estudos recentes indicam que a doença pode reduzir a produtividade dos canaviais em até 45%, afetando diretamente o índice TCH (Toneladas de Cana por Hectare) e comprometendo a qualidade da matéria-prima.

    Na safra 2023/24, diversos estados produtores relataram perdas significativas nas lavouras devido à síndrome. Embora a doença tenha sido identificada na década de 1960, sua gravidade aumentou nos últimos anos. Temos registros em estados como Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Mato Grosso e Tocantins. Os sintomas incluem colmos murchos ou secos e coloração avermelhada ou marrom glacê.

    Diagnóstico e resposta ao problema

    Thales Barreto, gerente de marketing de produtos fungicidas da Syngenta, enfatiza que a complexidade do diagnóstico e a falta de variedades resistentes exigem uma resposta rápida e coordenada de todos os setores envolvidos na cadeia produtiva. “Precisamos unir pesquisa e estratégias de manejo eficazes, como corte antecipado e controle químico, para mitigar os impactos da síndrome”, afirma.

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    Desde 2021, grupos de consultores técnicos e pesquisadores têm monitorado áreas afetadas para entender as causas da doença. Levantamentos iniciais apontam que fatores bióticos, como fungos patogênicos — incluindo Pleocyta sacchari, Fusarium spp. e Colletotrichum falcatum — são os principais responsáveis pelas perdas. A Orplana reporta que essas perdas podem chegar a 45% em algumas regiões.

    Consequências para a indústria

    A Síndrome da Murcha da Cana impacta diretamente a produção de açúcar e etanol, reduzindo os níveis de sacarose e comprometendo o desenvolvimento das plantas. Estima-se que cerca de 30% da área cultivada com cana no Brasil, aproximadamente 3 milhões de hectares, já esteja afetada. Eventos climáticos extremos também têm contribuído para a evolução da doença.

    Para enfrentar essa situação crítica, diversas instituições estão se mobilizando para encontrar soluções. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) está realizando pesquisas sobre combinações de fungicidas para combater o problema. Enquanto isso, recomenda-se que as canas afetadas sejam colhidas rapidamente para minimizar as perdas.

    Com o avanço da síndrome e seus impactos já sentidos nas lavouras, especialistas alertam que é necessário um esforço conjunto para garantir a sustentabilidade da produção de cana-de-açúcar no Brasil. A colaboração entre instituições de pesquisa e produtores será essencial para desenvolver estratégias eficazes que assegurem a saúde dos canaviais e a continuidade da produção no setor sucroalcooleiro.

    A Síndrome da Murcha da Cana representa um desafio significativo para os canavicultores brasileiros. Com perdas potenciais elevadas e um cenário climático adverso, é crucial que o setor se una em busca de soluções inovadoras para mitigar os efeitos dessa doença e garantir a produtividade nas lavouras.