Tag: caminhoneiro

  • Safra recorde de soja causa filas de 30 km no porto de Miritituba (PA)

    Safra recorde de soja causa filas de 30 km no porto de Miritituba (PA)

    O escoamento da safra recorde de soja do Brasil enfrenta um gargalo logístico em Miritituba (PA), um dos principais polos de transporte fluvial do país. Milhares de caminhões aguardam para descarregar grãos nos terminais da região, refletindo as dificuldades de infraestrutura que ainda comprometem a eficiência do agronegócio brasileiro.

    https://www.instagram.com/p/DVVqvXnkgBd/

    Neste início de colheita, motoristas relatam filas que ultrapassam 30 quilômetros, formadas por veículos vindos principalmente do Mato Grosso, estado responsável pela maior parte da produção nacional. O problema ocorre em meio a uma safra histórica, estimada em 180 milhões de toneladas, grande parte destinada à China.

    “Está uma vergonha aqui em Miritituba”, afirmou o caminhoneiro Jeferson Borges da Silva, que percorreu 1.200 quilômetros para entregar a carga. “Nós já estamos há dois dias na fila, e este ano foi o pior.”

    Protestos agravam gargalos no escoamento da soja

    Enquanto os caminhoneiros enfrentam longas esperas, protestos de comunidades indígenas em Santarém (PA) aumentaram a pressão sobre o sistema logístico. Os manifestantes ocuparam um terminal da Cargill em fevereiro, em ato contra o projeto de dragagem e ampliação da navegação na Bacia Amazônica.

    A ação levou o governo federal a revogar um decreto que simplificava o processo de ampliação das hidrovias da região, gerando incerteza entre os exportadores de grãos.

    Segundo o caminhoneiro Wellington Bressan, o medo de mais interrupções acelerou a chegada de motoristas a Miritituba. “O caminhoneiro vive de comissão. Se trabalha, ele ganha. Por isso todo mundo correu pra cá antes que parasse tudo”, relatou.

    A Cargill confirmou a suspensão temporária das operações em Santarém durante os protestos, mas afirmou nesta semana que está retomando as atividades. Em nota, a companhia agradeceu a “resiliência” dos colaboradores e reforçou o compromisso em transportar alimentos de forma segura e confiável.

    Estrutura precária limita crescimento do corredor logístico do Norte

    Para o pesquisador Thiago Pera, especialista em logística da Universidade de São Paulo (USP), a revogação do decreto atrasa os avanços necessários para melhorar o corredor de exportação do Norte, considerado estratégico para ampliar a competitividade do agro brasileiro.

    “O cenário está cada vez mais desafiador”, avaliou Pera. “A dragagem dos rios permitiria a passagem de embarcações maiores o ano todo, o que reduziria a dependência do transporte rodoviário e os custos de frete.”

    Atualmente, cerca de 60% das exportações agrícolas do Brasil utilizam caminhões. A falta de pátios adequados para estacionar os veículos agrava o problema. “Como é que você vai colocar mil caminhões num pátio que só comporta quinhentos?”, questionou a caminhoneira Sonia da Silva.

    Empresas como Cargill, Bunge e Amaggi operam os terminais fluviais de Miritituba, que movimentam cerca de 12 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho.

    Com o avanço da colheita, especialistas alertam que o país precisa acelerar investimentos em infraestrutura e planejamento logístico para evitar que o escoamento do recorde produtivo se transforme em caos nas estradas e portos.

  • Greve de caminhoneiros fracassa: plataforma de fretes confirma operação normal no Brasil

    Greve de caminhoneiros fracassa: plataforma de fretes confirma operação normal no Brasil

    A greve de caminhoneiros convocada para esta quinta-feira não teve adesão expressiva e manteve o transporte rodoviário de cargas funcionando normalmente em todo o Brasil. A conclusão é da Fretebras, maior plataforma online de cargas e fretes da América Latina, que monitora em tempo real o setor logístico nacional.

    Com 130 mil motoristas ativos diariamente e mais de 60 mil cargas transportadas, a plataforma funciona como termômetro preciso da atividade rodoviária no país. O acompanhamento detalhado das operações revelou que o movimento grevista não conseguiu impactar o sistema logístico brasileiro.

    Métricas comprovam normalidade nas estradas

    A análise técnica da Fretebras demonstra estabilidade completa nos principais indicadores do setor. Os dados abrangem todo o território nacional, incluindo os corredores logísticos estratégicos para o abastecimento do país.

    Os números não deixam dúvidas sobre a normalidade operacional: o volume de publicações de fretes manteve-se estável em todas as regiões, sem variações significativas. A atividade dos caminhoneiros na plataforma seguiu o padrão habitual, com buscas por fretes, cliques e contatos dentro da média histórica.

    Preços estáveis indicam oferta normal de transporte

    Um dos indicadores mais sensíveis para detectar paralisações é o preço médio do frete por quilômetro. Durante a greve fracassada, não houve aumento nos valores praticados nos principais corredores logísticos do país – evidência clara de que não faltaram veículos disponíveis para o transporte.

    A liquidez do mercado também permaneceu inalterada. O percentual de fretes com pelo menos um contato e o tempo médio para conexão entre caminhoneiro e embarcador seguiram os padrões regulares, confirmando que a cadeia de suprimentos brasileira não sofreu interrupções.

    Abastecimento nacional garantido

    A amplitude dos dados monitorados pela Fretebras, que representa parcela significativa do transporte rodoviário nacional, permite concluir que a paralisação não obteve mobilização suficiente para criar gargalos logísticos ou comprometer o abastecimento brasileiro.

    A estabilidade operacional registrada em todas as métricas demonstra que o setor de transportes manteve seu funcionamento pleno, garantindo a distribuição de mercadorias e produtos essenciais para a população em todo o território nacional.