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  • CNA critica suspensão de tarifas antidumping no leite em pó

    CNA critica suspensão de tarifas antidumping no leite em pó

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou forte insatisfação com a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de não aplicar, de imediato, medidas de defesa comercial contra a importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

    O governo reconheceu oficialmente a prática de dumping, mas ainda assim optou por suspender a aplicação das tarifas recomendadas tecnicamente. Dessa forma, o setor produtivo permanece exposto a práticas desleais de comércio já devidamente comprovadas pela CNA ao longo do processo investigativo.

    A suspensão, por sua vez, foi motivada por preocupações do governo com possíveis reflexos negativos na economia.

    Além disso, as importações atingiram novo recorde em 2026: Argentina e Uruguai responderam por 90% dos 604 milhões de litros equivalentes importados, a preços com distorções de até 60%.

    Avaliação de interesse público

    Para suspender as tarifas, o mecanismo adotado foi a abertura de uma avaliação de interesse público, por meio da qual o governo analisará os impactos econômicos e diplomáticos com os parceiros do Mercosul.

    Em contrapartida, a CNA rebate os argumentos utilizados para a suspensão. A entidade destaca que corrigir práticas desleais não trará efeitos negativos ao consumidor, uma vez que o leite em pó está excluído do escopo da investigação quanto ao preço ao consumidor final. Por isso, essa categoria representa peso diminuto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — apenas 0,2% na média dos últimos cinco anos.

    Assim, após o resultado da 237ª reunião do Gecex, ocorrida na quinta-feira (28), a CNA reafirmou seu compromisso de continuar trabalhando para reverter o cenário e garantir a efetiva defesa comercial da produção nacional de leite.

    “A luta ainda não acabou, seguiremos dialogando com o governo para conquistar a legítima defesa comercial para nossos produtores de leite”, afirmou o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Jônadan Ma.

    Linha do Tempo do Caso

    • Agosto de 2024 — A CNA protocola petição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando investigação de dumping na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai.
    • Dezembro de 2024 — O governo acata o pedido, com base nos indícios levantados pela CNA. Os dois países estariam vendendo leite em pó mais barato no Brasil do que em seus próprios mercados, caracterizando, portanto, a prática de dumping.
    • Agosto de 2025 — O MDIC altera entendimento vigente há mais de 25 anos, alegando que o leite fluido dos produtores não seria similar ao leite em pó. Em resposta, a CNA apresenta novas provas e um parecer internacional atestando que a mudança de entendimento “não faz sentido do ponto de vista da defesa comercial e de políticas públicas”. Junto à FPA, FPPL e outras entidades, a CNA se reúne com o MDIC para contestar a decisão.
    • Outubro de 2025 — O presidente da CNA, João Martins, reforça pessoalmente o pedido ao ministro Geraldo Alckmin: “Agora é hora de agir com responsabilidade e sensibilidade”.
    • Dezembro de 2025 — Em importante vitória para o setor, o vice-presidente Geraldo Alckmin anuncia a retomada da investigação após acatamento do recurso da CNA.
    • Abril de 2026 — O Departamento de Defesa Comercial (Decom) do MDIC publica Nota Técnica com Fatos Essenciais, apontando margens de dumping de até 60% para a Argentina e 50% para o Uruguai.
    • Maio de 2026 — Na 237ª reunião do Gecex, o dumping é reconhecido e as tarifas são aprovadas. No entanto, o governo suspende os efeitos e abre avaliação de interesse público.
  • Presidente da CNseg defende PPP para destravar seguro de exportação

    Presidente da CNseg defende PPP para destravar seguro de exportação

    Em audiência pública no Senado, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, defendeu nesta terça-feira (7) que a parceria público-privada é a chave para destravar o Seguro de Crédito à Exportação (SCE). A ferramenta é vital para proteger empresas contra a inadimplência internacional e ganha novas regras com a Medida Provisória (MP) 1309/2025, do Plano Brasil Soberano.

    Oliveira destacou que o Brasil utiliza muito pouco esse instrumento comparado a seus concorrentes. “A MP permite a construção de uma parceria de tal forma que não só o setor público, mas também o setor privado possam efetivamente dar as mãos para fomentar esse instrumento, que é de suma importância para a nossa economia”, afirmou durante o debate.

    Modernização do seguro de crédito à exportação

    O apoio do setor segurador à MP se baseia na criação de um modelo de gestão mais robusto para o SCE. O novo modelo tem dois pilares principais:

    • Acesso ampliado: o texto prevê a utilização do canal de distribuição das seguradoras privadas, o “balcão”, para levar o crédito oficial a mais empresas, especialmente Micro e Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), aumentando significativamente a capilaridade do produto.
    • Melhor governança: a medida estabelece mecanismos de transparência sob supervisão da CAMEX. E garante segurança jurídica para os agentes públicos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), limitando punições a casos de dolo ou erro grosseiro.

    Essas mudanças posicionam o seguro como um pilar fundamental para aumentar a competitividade das exportações brasileiras. Permitindo que empresas explorem novos mercados com maior segurança contra riscos comerciais e políticos.

    Plano Brasil Soberano

    A MP 1309/2025 integra o Plano Brasil Soberano, uma resposta de emergência do governo federal aos impactos das tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no final de julho. O plano, que direciona R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para crédito com juros reduzidos, estrutura-se em três eixos:

    • Fortalecimento do setor produtivo, com linhas de crédito, flexibilizações tributárias e modernização de fundos garantidores.
    • Proteção aos trabalhadores, com a criação de uma câmara para monitorar o nível de emprego nos setores afetados.
    • Diplomacia comercial e multilateralismo, para ampliar e diversificar os mercados de exportação, reduzindo a dependência do comércio com os EUA.

    Debates no Congresso Nacional

    A comissão mista que analisa a MP ouviu, em outras audiências, preocupações sobre os desafios práticos do plano. O relator, senador Fernando Farias (MDB-AL), manifestou preocupação com o acesso dos pequenos produtores às linhas de crédito. “A medida do governo foi muito boa e nós temos dinheiro pra proporcionar isso. Agora, como chegar no pequeno?”, questionou.

    Representantes de setores como frutas, pescados e madeira alertaram para a burocracia e a dificuldade de redirecionar produtos desenvolvidos especificamente para o mercado americano. Por outro lado, debatedores em outra ocasião ressaltaram que o Plano Brasil Soberano tem um papel crucial em ajudar o país a abrir novos mercados, diversificando seus destinos de exportação.

    A audiência desta terça-feira também contou com representantes de entidades como a CNI, CNA, Abipesca, Abimci e Abrafrutas, indicando o amplo interesse do setor produtivo na medida.

  • Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas de 50% dos EUA

    Brasil inicia processo de reciprocidade contra tarifas de 50% dos EUA

    O Itamaraty comunicará oficialmente ao governo Donald Trump nesta sexta-feira (29) o início do processo de reciprocidade comercial. A medida responde ao tarifaço de 50% que os Estados Unidos impuseram a produtos brasileiros.

    O Ministério das Relações Exteriores acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior) na quinta-feira (28). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou o início das consultas e investigações necessárias para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.

    Governo avalia formato do comunicado oficial

    O governo brasileiro ainda define se enviará o comunicado pela embaixada americana em Brasília ou diretamente a Washington. O aviso abre espaço para manifestação do governo Trump e permite diálogo diplomático a qualquer momento.

    Integrantes do governo, sob sigilo, afirmaram que o processo deixa brecha para manifestações americanas durante a investigação. O governo brasileiro mantém diálogos diplomáticos e não se recusa a negociar os termos comerciais.

    Camex terá 30 dias para análise técnica

    A Câmara de Comércio Exterior produzirá um relatório técnico em até 30 dias. O documento analisará se as medidas americanas se enquadram na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso e sancionada por Lula neste ano.

    Caso a Camex conclua pela aplicação da legislação, um grupo específico sugerirá contramedidas econômicas. As retaliações podem incluir comércio de bens, serviços e propriedade intelectual.

    Integrantes do governo alertam que a tensão pode se acirrar conforme avança no Congresso Nacional o debate sobre regulação das big techs.

    Ministros defendem início imediato do processo

    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu ao presidente Lula para dar início ao processo. O chanceler argumentou que o processo é longo e dividido em etapas, justificando o começo imediato.

    A conversa sobre o tema envolveu os ministros do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais: Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda).