O camarão figura entre os frutos do mar preferidos dos brasileiros, mas o preparo ainda gera dúvidas na cozinha. Muita gente erra na limpeza e descarta partes que concentram sabor e nutrientes. Fábio Sussel, pesquisador científico do Instituto de Pesca (IP), uma das sete unidades da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, reuniu orientações para mudar esse cenário.
Uma limpeza bem-feita mantém a qualidade do camarão sem prejudicar sabor ou textura, segundo Sussel. O processo exige a retirada do trato digestório, a popular “veia” do camarão, e cuidados no descongelamento e no armazenamento, sempre respeitando a cadeia do frio.
“Conhecendo a matéria-prima, fica fácil entregar qualidade em termos de sabor e textura. Meu trabalho é entender profundamente o camarão e mostrar como preservar essa qualidade desde o processamento até o preparo”, explica o pesquisador.
Cabeça e carcaça concentram até 30% do sabor
Muita gente descarta a cabeça e a carcaça do camarão durante a limpeza. Sussel discorda dessa prática: essas partes concentram grande parte do sabor do animal e rendem caldos, molhos e risotos mais saborosos.
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo
“A cabeça não é lixo. Ela concentra muito sabor e pode ser utilizada em diferentes preparos. Respeitar os animais de produção também significa aproveitar integralmente aquilo que foi produzido”, afirma.
A cabeça representa cerca de 30% do peso total do camarão. Descartá-la aumenta o desperdício de alimentos e desperdiça uma matéria-prima valiosa para a gastronomia. O caldo extraído dessas partes agrega aroma e intensidade às receitas. E ainda reduz a necessidade de temperos industrializados.
Pesquisas miram produção e consumo consciente
O Instituto de Pesca conduz as orientações dentro de pesquisas sobre qualidade do camarão cultivado e processamento do alimento. O trabalho integra estudos sobre carcinicultura brasileira, entre eles o projeto “Viabilidade Técnica e Econômica da Produção de Camarão Marinho Longe do Mar”, que avalia sistemas intensivos de recirculação de água e tecnologias adaptadas ao interior do país.
Além de avançar na produção, as pesquisas também ampliam o conhecimento da população sobre boas práticas de manipulação, conservação e aproveitamento do camarão. A meta é contribuir para uma alimentação mais sustentável e reduzir o desperdício de alimentos nas cozinhas brasileiras.
A aquicultura brasileira já produz cerca de 230 mil toneladas de camarão marinho por ano, enquanto a pesca extrativa soma aproximadamente 60 mil toneladas. Esse crescimento da produção aquícola amplia a oferta de proteína de qualidade no país e reforça a importância de difundir conhecimentos que garantam o melhor aproveitamento do alimento até a mesa do consumidor.
A produção mundial de animais aquáticos atingiu um novo recorde de 195 milhões de toneladas em 2024, impulsionada principalmente pela expansão da aquicultura. Os dados integram o relatório O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura 2026 (SOFI), lançado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na última terça-feira (16), durante a Conferência Our Ocean, realizada em Mombaça, no Quênia.
No mesmo período, o comércio internacional de produtos aquáticos,incluindo animais e algas, US$ 186 bilhões, envolvendo 230 países e territórios. No cenário global, a América Latina e o Caribe se destacaram como um dos principais exportadores líquidos do setor, acumulando um superávit comercial de US$ 21 bilhões em 2024.
“A região desempenha um papel fundamental no abastecimento de produtos da pesca e da aquicultura para os mercados globais, apoiada por ecossistemas marinhos altamente produtivos e por um setor aquícola em rápido crescimento”, afirma Rene Orellana Halkyer, Diretor-Geral Adjunto e Representante Regional da FAO para a América Latina e o Caribe.
A região exportou US$ 27 bilhões em produtos de animais aquáticos e importou US$ 6 bilhões no mesmo período, totalizando 6,4 milhões de toneladas exportadas. Isso é o equivalente a 15% das exportações globais do setor. As principais culturas responsáveis por esse desempenho foram a anchoveta peruana e chilena, destinada à produção de farinha e óleo de peixe, o camarão cultivado no Equador e o salmão chileno.
Pesca de captura lidera a produção regional
Em 2024, a América Latina e o Caribe responderam por 9% da produção mundial de animais aquáticos, percentual semelhante ao da Europa, mas bem abaixo da Ásia, que concentrou 72% do total global. A pesca de captura dominou a produção regional com 13 milhões de toneladas, 75% do total, sustentada em grande parte pelo altamente produtivo Sistema da Corrente de Humboldt, ao longo da costa oeste da América do Sul. A região detém 15% do total mundial de 92 milhões de toneladas produzidas pela pesca de captura, o que a coloca como o segundo maior polo global, atrás apenas da Ásia.
O Peru liderou a pesca de captura regional em 2024, com 5,7 milhões de toneladas, ocupando a quarta posição no ranking mundial. O Chile ficou em segundo na região e décimo no mundo. Após a forte queda provocada pelo El Niño em 2023, a anchoveta (Engraulis ringens) se recuperou com vigor: as capturas saltaram quase 65%, de 3,5 milhões para 5,7 milhões de toneladas. A espécie representa cerca de 5% da produção global de pesca de captura e permanece entre as mais importantes do mundo. O relatório destaca que as capturas regionais oscilam de forma significativa em função das condições oceanográficas ligadas ao fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS).
Aquicultura cresce acima da média mundial
Embora ainda represente uma fatia menor da produção total, a aquicultura avança rapidamente e já responde por aproximadamente 25% da produção regional de animais aquáticos. Espécies de alto valor, como salmão e camarão, puxam esse crescimento. A produção aquícola na América Latina e no Caribe cresceu em média 7,2% ao ano, acima da média mundial de 4,9%. Portanto, passando de 0,8 milhão de toneladas em 2000 para 4,4 milhões de toneladas em 2024.
O crescimento concentra-se na América do Sul. Chile (1,4 milhão de toneladas), Equador (1,2 milhão) e Brasil (0,9 milhão) responderam, juntos, por 79% da produção aquícola regional em 2024. Os países da região também ampliam o cultivo de algas, com destaque para Chile, Venezuela e Brasil.
Pesca marinha emprega mais de 3 milhões na região
Globalmente, cerca de 65,3 milhões de pessoas trabalhavam no setor primário da pesca e da aquicultura em 2024. Na América Latina e no Caribe, o setor emprega mais de 3 milhões de pessoas,5% do total mundial, sustentando comunidades costeiras e rurais. A pesca marinha responde por 73% dos empregos no setor primário da região. A pesca de pequena escala também cumpre papel essencial na nutrição, na segurança alimentar e na identidade cultural de comunidades costeiras e insulares.
Apesar de ocupar a segunda posição entre as maiores regiões produtoras, a América Latina e o Caribe registram consumo de alimentos aquáticos abaixo da média mundial. Em 2023, a disponibilidade per capita foi de 10,1 kg, ante uma média global de 21,1 kg. Desde 2000, a disponibilidade total cresceu, mas em ritmo modesto, 1,8% ao ano. Portanto, resultando em ganhos per capita de apenas 0,8% anuais.
Projeções apontam crescimento de 26% na aquicultura até 2034
A produção de animais aquáticos deve crescer 8% até 2034, impulsionada principalmente pela aquicultura, que projeta expansão de 26%. A América Latina e o Caribe devem manter a segunda posição entre as maiores regiões produtoras, com participação de cerca de 5% na produção aquícola global.
“O trabalho da FAO na região mostra que a Transformação Azul pode gerar resultados concretos para as pessoas, as economias e os ecossistemas. Portanto, fortalecendo cadeias de valor e melhorando a nutrição em comunidades vulneráveis”, conclui Orellana Halkyer.
A produção de camarão em águas interiores ganha espaço no Piauí como alternativa para diversificação da renda rural e fortalecimento da aquicultura. O tema reuniu especialistas, produtores e técnicos no I Seminário de Carcinicultura em Águas Interiores, realizado em maio, em Parnaíba (PI).
Promovido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o evento destacou soluções sustentáveis, inovação tecnológica e estratégias para expandir a atividade no estado.
O seminário ocorreu na Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) e reuniu cerca de 300 participantes, entre produtores rurais, pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes de empresas do setor aquícola.
A programação incluiu palestras, mesas-redondas e um Dia de Campo. Os debates abordaram temas como manejo produtivo, cultivo em água de poço salobra, políticas públicas de incentivo, desenvolvimento regional e experiências práticas da carcinicultura familiar.
A 7ª Superintendência Regional da Codevasf, responsável pela organização, conduziu as discussões com apoio do escritório técnico da companhia em Parnaíba.
O superintendente regional da Codevasf, Anderson Oliveira, ressaltou o papel estratégico do seminário para o setor.
“O encontro fortalece a troca de conhecimentos e amplia a difusão de experiências sustentáveis. Reunimos diferentes atores para discutir caminhos que gerem mais renda e desenvolvimento para os produtores piauienses”, afirmou.
Carcinicultura em águas interiores mostra potencial de expansão
Durante o evento, especialistas destacaram o potencial da carcinicultura em águas interiores como alternativa viável no Nordeste, especialmente em áreas com disponibilidade de água salobra.
A atividade tem avançado com o uso de tecnologias adaptadas e sistemas produtivos mais eficientes, o que amplia as oportunidades para pequenos e médios produtores.
Produtor relata experiência com água de poço salino
Um dos destaques do seminário foi a apresentação do produtor Giuseppe da Silva, presidente da Associação dos Produtores Rurais da Planície Litorânea. Ele compartilhou a experiência com a carcinicultura familiar no litoral do Piauí.
Segundo o produtor, o principal desafio no início foi a falta de conhecimento técnico sobre a atividade. “A Codevasf teve papel fundamental. Com apoio técnico, estruturamos o projeto e hoje já estamos no quinto ciclo de produção”, relatou.
Giuseppe explicou que análises da água e o aproveitamento de uma estrutura já existente para piscicultura viabilizaram a adaptação do sistema. “O que começou como teste virou fonte de renda. Identificamos que a água tinha potencial e conseguimos inserir a atividade na propriedade”, disse.
Além das atividades teóricas, os participantes realizaram uma visita técnica a unidades de produção. A iniciativa permitiu acompanhar, na prática, sistemas de cultivo em águas interiores e ampliar o intercâmbio de conhecimento entre produtores, técnicos e instituições.
A carcinicultura ganhou destaque no Piauí durante o I Seminário de Carcinicultura em Águas Interiores. O evento ocorreu nesta semana na UFDPar, em Parnaíba. Ele reuniu especialistas, gestores e produtores do setor aquícola.
O encontro discutiu a expansão da criação de camarão para o interior do estado. O foco principal ficou no semiárido e no sul do Piauí. A iniciativa também buscou fortalecer a produção em águas interiores e salobras.
A Codevasf promoveu o seminário em parceria com universidades e instituições públicas. A Adapi participou ativamente das discussões. O evento também contou com apoio de entidades ligadas ao setor produtivo.
O Piauí possui apenas 66 quilômetros de litoral. Esse fator torna a interiorização da atividade estratégica. Por isso, especialistas defenderam o avanço da produção no interior.
No semiárido, a água de poços apresenta alta salinidade. Além disso, a vazão é considerada adequada para o cultivo de camarão. Esses fatores favorecem a expansão da atividade aquícola.
No sul do estado, os rios Gurguéia e Parnaíba ampliam as possibilidades de produção. Esses recursos hídricos reforçam o potencial da região. Assim, o setor ganha novas áreas de desenvolvimento.
Durante o seminário, os participantes também destacaram o policultivo. Esse sistema integra a criação de camarão e tilápia. Ele aumenta a produtividade e diversifica a renda dos produtores.
A Adapi participou com técnicos da área de sanidade animal. Entre eles estiveram Idilio Moura e Janílson Lima. Eles acompanharam os debates ao longo dos dois dias de evento.
Os participantes discutiram sanidade animal, produção e comercialização. Eles também abordaram a expansão da cadeia produtiva. O encontro reforçou a importância da organização do setor.
Instituições como Embrapa, IFs, UFDPar, UFC e UFPE participaram do evento. O IBGE e outras entidades públicas também estiveram presentes. Produtores e estudantes completaram o público.
Para os organizadores, a integração entre instituições e produtores é essencial. Essa união pode gerar empregos e renda, além de fortalecer o desenvolvimento econômico do Piauí.
O produtor rural José Ivaldo Oliveira trocou a agricultura pela criação de camarão há 11 anos, em Pernambuco. Desde então, ele transformou a atividade em uma fonte sólida de renda. Atualmente, ele produz cerca de duas toneladas por semana, com apoio do filho, o engenheiro de pesca Emerson Oliveira.
Além disso, a família encontrou em Feira Nova, no Agreste setentrional, condições ideais para o cultivo. Assim, José Ivaldo se tornou o primeiro produtor de crustáceos do município. A experiência abriu espaço para o crescimento da atividade na região.
Segundo Emerson, o sistema utiliza o chamado camarão cinza, muito valorizado no mercado nacional.
“Esse é o camarão cinza, camarão de praia. É o maior camarão produzido aqui no Brasil e é muito versátil com as características zootécnicas dele. Se adapta muito bem às nossas condições, tanto às condições de água quanto também de qualidade do solo”, afirmou.
Além disso, o produtor projeta ampliar a produção nos próximos meses. “Até o final do ano, a nossa previsão é de 13 toneladas”, destacou Emerson. Para a comercialização, o camarão precisa atingir pelo menos 10 gramas, peso mínimo exigido para venda.
Por outro lado, a atividade segue em expansão no município. Hoje, Feira Nova reúne cerca de 20 produtores. Juntos, eles alcançam aproximadamente 200 toneladas, segundo dados da Secretaria de Agricultura local. Dessa forma, a carcinicultura se consolida como uma atividade econômica relevante na região.
Integração do setor no Nordeste e no Piauí
Além do avanço em Pernambuco, o setor também se fortalece em outras regiões do Nordeste. No Piauí, especialistas e produtores discutem a expansão da criação de camarão para o interior do estado. Durante seminário recente em Parnaíba, instituições como Adapi, Codevasf e universidades destacaram o potencial do semiárido. Assim, a atividade avança como alternativa de renda, inovação e desenvolvimento regional no Nordeste.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu cerca de 1,2 tonelada de camarão congelado irregular no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). A ação foi divulgada na última sexta, mas ocorreu em 19 de abril e foi conduzida pela Unidade Técnica do Ibama no município.
A carga saiu de Santa Catarina e seguiria para Manaus (AM). Durante a fiscalização, agentes identificaram falhas na documentação apresentada, que não informava o nome científico das espécies e não correspondia ao volume transportado.
De acordo com o Ibama, parte do produto inclui camarões de espécies nativas com pesca proibida, o que agrava a infração ambiental.
O responsável pela carga recebeu dois autos de infração que somam R$ 61,6 mil. O Ibama aplicou as penalidades com base no Decreto nº 6.514/2008, que prevê sanções para transporte e comercialização de pescado sem comprovação de origem legal, além da venda de espécies capturadas ilegalmente.
Os fiscais apreenderam aproximadamente 1.250 quilos de camarão, avaliados em cerca de R$ 60 mil. A carga estava armazenada em 50 caixas de isopor, com pacotes de 5 quilos de “camarão colinha eviscerado”.
O Ibama considera estratégica a fiscalização no Aeroporto de Guarulhos para combater o transporte irregular de recursos pesqueiros pela malha aérea. A falta de comprovação de origem compromete o controle ambiental e sanitário, além de ameaçar a sustentabilidade dos estoques pesqueiros e a saúde pública.
O Ibama mantém ativa a Operação Decapoda desde o início do defeso do camarão e já apreendeu mais de 3 toneladas do crustáceo pescado ilegalmente na região Sul e Sudeste do país. Todo o produto em condições sanitárias adequadas foi encaminhado a instituições sem fins lucrativos.
A operação fiscaliza o cumprimento da Portaria SAP/MAPA nº 656/2022, que proíbe a pesca de camarão entre 28 de janeiro e 30 de abril nos cinco estados, com o objetivo de garantir a reprodução das espécies e a reposição dos estoques pesqueiros.
Arrasto de fundo está proibido sem exceções
Durante o defeso, a legislação veda qualquer pesca com redes de arrasto de fundo que tenha como alvo as espécies protegidas. Independentemente da justificativa apresentada pelo pescador. Como essa técnica impacta diretamente os camarões em período reprodutivo, a paralisação é total.
O instituto também esclarece um ponto que tem gerado confusão entre pescadores: a Portaria MPA/MMA nº 14/2024, que regulamenta a pesca de lula, não autoriza o arrasto de fundo durante o defeso do camarão. A captura de lula deve ocorrer exclusivamente por métodos de menor impacto ambiental, conforme o ordenamento pesqueiro vigente.
Desinformação alimenta descumprimento das regras
O Ibama identificou a circulação de interpretações equivocadas sobre a legislação, o que contribui para infrações durante o período de defeso. Pescar com arrasto nesse período configura infração administrativa, conforme o Decreto nº 6.514/2008. E pode caracterizar crime ambiental, nos termos do artigo 34 da Lei nº 9.605/1998.
O instituto também aponta outro problema: embarcações da frota artesanal operando em modalidade proibida dificultam a fiscalização ao servir de cobertura para infratores que capturam camarões e lulas ilegalmente.
Competência federal e respeito à legislação
O Ibama reafirma que sua atuação é técnica e imparcial, baseada na legislação vigente. O instituto respeita normas estaduais compatíveis com a Constituição Federal, mas destaca que a regulamentação da pesca marítima é competência da União, conforme a Lei nº 11.959/2009.
Portanto o cumprimento do defeso é essencial para a sustentabilidade da pesca e para garantir condições justas aos pescadores que respeitam as normas.
A aquicultura do Espírito Santo começa a diversificar sua produção com uma espécie pouco conhecida fora do meio técnico: o camarão-gigante-da-Malásia (Macrobrachium rosenbergii). O crustáceo, um dos maiores camarões de água doce do mundo, vem ganhando espaço em áreas rurais afastadas do litoral e mostra bom potencial econômico para produtores locais.
Em 2024, o Espírito Santo produziu 11,35 toneladas da espécie, concentradas em poucos, porém estratégicos municípios. Governador Lindenberg liderou com 7,5 mil quilos, o equivalente a 66,1% da produção estadual. Ibiraçu ficou em segundo lugar, com 2,95 mil quilos (26%), enquanto Alfredo Chaves e Marilândia completaram o ranking com 500 quilos (4,4%) e 400 quilos (3,5%), respectivamente.
O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, destaca que a atividade oferece uma alternativa sólida para os produtores do interior. “Trata-se de uma criação que diversifica a renda, aproveita bem a água doce e amplia as oportunidades no campo. Portanto, é um exemplo de como a inovação pode gerar valor e desenvolvimento no interior do Estado”, afirmou Bergoli.
O camarão-gigante-da-Malásia se diferencia dos camarões marinhos por completar a fase de engorda em água doce. A espécie pode atingir mais de 30 centímetros, apresenta bom rendimento de carne e tem alta aceitação gastronômica, o que desperta o interesse de mercados regionais e especializados.
Devido à boa adaptação a viveiros escavados, a espécie pode ser integrada a propriedades rurais já consolidadas, ampliando a geração de renda e fortalecendo a produção sustentável. O crescimento acelerado e o sabor valorizado tornam o cultivo uma oportunidade atrativa para pequenos e médios aquicultores.
Capacitação e manejo técnico garantem bons resultados
Segundo a engenheira de pesca da Secretaria da Agricultura (Seag), Naessa Martins, o sucesso do cultivo depende de acompanhamento técnico e qualificação do produtor. “O monitoramento constante é essencial, desde a implantação até a despesca. Assim, a formação adequada garante boas práticas de manejo, reduz perdas e melhora o desempenho produtivo”, explicou.
Apesar de concentrada em poucos municípios, a produção do camarão-gigante-da-Malásia mostra que a aquicultura capixaba está em expansão e vai além do cultivo tradicional de peixes. Longe do mar, nos tanques e viveiros do interior, surge um novo símbolo de inovação e diversificação no campo capixaba.
Você já imaginou saborear um peixe com gosto de camarão? Parece improvável, mas essa experiência gastronômica existe e está disponível no litoral brasileiro. O peixe trilha, também conhecido como salmonete, conquista cada vez mais adeptos pela combinação única de sabor marcante, preço acessível e versatilidade na cozinha.
Abundante na costa brasileira, a trilha ainda permanece pouco conhecida entre os consumidores locais. Enquanto isso, na Europa, principalmente em Portugal e Espanha, o peixe figura como iguaria presente em restaurantes sofisticados e receitas tradicionais do dia a dia.
Por que a trilha tem gosto de camarão
Pequeno e levemente rosado, o peixe trilha é um peixe de água salgada que acompanha os cardumes de camarão. A origem do nome vem justamente desse comportamento característico: a trilha segue os rastros dos crustáceos no fundo do mar, facilitando o trabalho dos pescadores que buscam camarões.
O segredo do sabor está na alimentação. A trilha se nutre principalmente de pequenos crustáceos, incluindo camarões e siris. Essa dieta rica em crustáceos influencia diretamente o sabor de sua carne, resultando no característico gosto de camarão. A carne branca, macia e delicada apresenta um toque adocicado que remete aos frutos do mar, tornando o peixe uma opção perfeita para quem aprecia esse tipo de gastronomia.
Além da alimentação, o ambiente aquático também contribui para o perfil sensorial único da trilha. As águas costeiras brasileiras, ricas em nutrientes, proporcionam condições ideais para que o peixe desenvolva essas características marcantes.
Características e valor nutricional
A trilha possui corpo alongado com escamas prateadas e coloração que varia do rosa ao alaranjado. O peixe apresenta carne firme com poucas espinhas intramusculares, o que facilita o consumo e a prepara uma opção atraente para quem prefere pescados de fácil manuseio.
Do ponto de vista nutricional, a trilha oferece benefícios importantes. Em uma porção de 100 gramas, o peixe fornece aproximadamente 90 calorias e 20 gramas de proteínas. A carne contém ácidos graxos ômega-3, que auxiliam na redução dos níveis de colesterol e gordura no sangue, diminuindo os riscos de doenças cardiovasculares e derrames.
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo
A baixa quantidade de gordura total (apenas 1 grama por 100 gramas) torna a trilha uma escolha adequada para quem busca uma alimentação equilibrada sem abrir mão do sabor.
Onde encontrar e como comprar
Para quem mora no litoral, encontrar trilha costuma ser relativamente simples. O peixe aparece com frequência em mercados especializados em pescados, feiras locais e peixarias. Consumidores de cidades mais distantes do mar podem buscar o produto em supermercados que trabalham com pescados frescos ou fazer encomendas em estabelecimentos especializados.
Na hora da compra, alguns sinais garantem o frescor do produto. Escolha sempre peixes com olhos brilhantes e salientes, guelras de coloração avermelhada e cheiro suave de mar. A textura da carne deve apresentar firmeza, sem áreas amolecidas ou manchas escuras.
Atualmente, muitos estabelecimentos oferecem a trilha já espalmada (limpa e aberta), facilitando o preparo. A versão congelada a vácuo também mantém alta qualidade e pode ser uma alternativa prática para quem não encontra o peixe fresco com facilidade.
Receitas simples para preparar a trilha
A versatilidade da trilha na cozinha permite diversos métodos de preparo. O peixe fica delicioso grelhado, frito, assado ou em moquecas. O sabor naturalmente marcante dispensa temperos complexos, valorizando preparações mais simples.
Trilha grelhada
Para uma opção leve e saudável, a trilha grelhada realça o sabor natural do peixe. Tempere os filés com sal, pimenta-do-reino e suco de limão, deixando marinar por 15 minutos. Misture azeite extra virgem com alho picado e ervas frescas como tomilho e alecrim. Pincele essa mistura sobre os filés e grelhe em frigideira antiaderente ou grelha por cerca de três minutos de cada lado, até ficarem dourados e bem cozidos. Sirva com arroz branco e legumes grelhados.
Trilha frita crocante
Para quem aprecia preparações mais tradicionais, a trilha frita oferece textura crocante por fora e maciez por dentro. Limpe bem o peixe, tempere levemente com sal e passe na farinha de trigo. Frite por imersão em óleo bem quente até dourar completamente. Sirva com limão e molho tártaro.
Moqueca de trilha
Para um prato mais encorpado, a moqueca valoriza o sabor do peixe com ingredientes aromáticos. Tempere as postas com sal, pimenta e limão, deixando marinar por 20 minutos. Em uma panela, faça camadas com cebola fatiada, pimentões coloridos e tomates picados. Coloque as postas por cima, adicione alho picado, leite de coco e azeite de dendê. Tampe e cozinhe em fogo médio por aproximadamente 20 minutos. Finalize com coentro fresco e sirva com arroz branco e farofa.
Uma alternativa econômica aos frutos do mar
O preço do camarão frequentemente inviabiliza o consumo regular desse crustáceo tão apreciado pelos brasileiros. A trilha surge como alternativa econômica, oferecendo experiência sensorial semelhante por um valor significativamente menor. O custo-benefício torna o peixe acessível para preparações do dia a dia, sem comprometer a qualidade ou o sabor.
Especialistas em gastronomia recomendam a trilha como opção para quem deseja variar o cardápio de pescados. A carne delicada e o sabor característico agradam diferentes paladares, desde os mais exigentes até aqueles que estão começando a incluir mais peixe na alimentação.
Para quem ainda não conhece essa iguaria do litoral brasileiro, experimentar a trilha pode ser uma grata surpresa. E para aqueles que já apreciam o peixe, a variedade de preparações possíveis garante que cada refeição possa oferecer uma experiência diferente, sempre mantendo aquele sabor inconfundível que lembra o camarão.
Uma comitiva italiana esteve no Piauí durante a Missão Empresarial Itália-Brasil para o Setor de Pesca e Aquicultura, promovida pela Porto Piauí e a Italian Trade Agency (ITA). O grupo visitou a Companhia Porto Piauí, em Luís Correia, e conheceu a Estação de Aquicultura da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), em Parnaíba, além de uma fazenda de camarão no município de Ilha Grande.
Foto: Secom PI
Na Estação de Aquicultura, o professor Josenildo de Souza e Silva apresentou tecnologias de baixo custo desenvolvidas para melhorar a produção de pescado. Especialmente para pequenos produtores. A visita destacou o potencial científico e tecnológico do Piauí na área.
Em Ilha Grande, a comitiva observou as técnicas de carcinicultura em água doce aplicadas na criação do camarão-cinza, espécie predominante na região. A produção de camarão no Piauí teve um crescimento de 23% entre 2023 e 2024, gerando R$ 85 milhões em receita.
O analista de comércio internacional da ITA, Antônio Monge, ressaltou as oportunidades de intercâmbio educacional e tecnológico entre Itália e Brasil. Com o Piauí como destaque na pesquisa para o setor de pesca e aquicultura. Segundo Monge, o trabalho desenvolvido no estado pode ser incorporado a cursos de formação na Itália, fortalecendo a cooperação entre os países.
“Vai ser um prazer muito grande fazer uma ponte entre os grupos portuários italianos interessados em investir aqui”, afirmou Monge, entusiasmado com as perspectivas e o potencial do Piauí para futuros investimentos.