Tag: calor extremo

  • Alface sobe até 90% e seca muda mercado de alimentos na Europa

    Alface sobe até 90% e seca muda mercado de alimentos na Europa

    A alface virou um dos principais símbolos da crise climática que atinge a agricultura europeia neste verão.

    No Reino Unido, a combinação de seca prolongada e calor intenso derrubou a produção da hortaliça, reduziu a oferta no mercado e fez o preço no atacado subir cerca de 90%. O cenário levou redes de supermercados, distribuidores e restaurantes a recorrerem a fornecedores da Espanha para manter o abastecimento.

    O problema ocorre justamente no período em que o país normalmente concentra sua produção de verão, diminuindo a necessidade de importações.

    Calor interrompe o desenvolvimento das plantas

    A falta de chuva chegou em um dos momentos mais importantes do ciclo das hortaliças.

    Embora muitos produtores utilizem sistemas de irrigação, a escassez de água reduziu a capacidade de manter o solo úmido durante as sucessivas ondas de calor.

    Como consequência, parte das plantações apresentou crescimento irregular, folhas menores e perda de qualidade comercial.

    Em diversas propriedades, agricultores passaram a colher menos unidades por hectare, reduzindo a oferta disponível para o mercado.

    Espanha volta a abastecer o Reino Unido

    Diante da quebra de safra, distribuidores precisaram reorganizar rapidamente a cadeia de abastecimento.

    Em vez de comprar a produção britânica, empresas voltaram a importar alface cultivada na Espanha, país acostumado a produzir em condições de temperaturas mais elevadas.

    A mudança representa uma situação incomum para esta época do ano, quando a maior parte da demanda costuma ser atendida pelos agricultores locais.

    Além da Espanha, fornecedores da Holanda também passaram a complementar o abastecimento de algumas regiões.

    Preços sobem e pressionam toda a cadeia

    A alta da alface não ocorreu de forma isolada.

    O tomate acumulou aumento superior a 60% no mercado atacadista britânico. A batata também ficou mais cara, enquanto outras hortaliças apresentam tendência de valorização caso o tempo seco continue.

    Para supermercados e restaurantes, o aumento dos custos representa um desafio adicional justamente durante o período de maior consumo de saladas e refeições leves no verão europeu.

    Ao mesmo tempo, produtores enfrentam despesas maiores com irrigação e redução na produtividade.

    Agricultura sente os efeitos das mudanças climáticas

    Plantação de Alface
    Foto: Embrapa/Italo Ludke

    Especialistas avaliam que episódios de calor extremo tendem a se tornar mais frequentes nas próximas décadas.

    As hortaliças estão entre as culturas mais sensíveis às variações de temperatura porque dependem de grande disponibilidade de água e apresentam ciclos curtos de desenvolvimento.

    Quando o solo perde umidade rapidamente, as plantas reduzem o crescimento para preservar energia. Como resultado, a produtividade cai e parte da produção perde valor comercial.

    Esse comportamento já preocupa agricultores em diferentes regiões da Europa.

    Supermercados pedem medidas ao governo

    A crise mobilizou produtores, indústrias e grandes redes varejistas.

    Mais de uma centena de empresas do setor alimentício solicitaram ao governo britânico medidas para fortalecer a produção nacional e reduzir a vulnerabilidade provocada pelos eventos climáticos extremos.

    Entre as reivindicações estão investimentos em infraestrutura hídrica, ampliação da capacidade de armazenamento de água e incentivos para tornar a agricultura mais resiliente.

    O objetivo é diminuir a dependência de importações durante períodos de clima severo.

    Brasil acompanha o cenário

    Embora o problema esteja concentrado na Europa, o mercado brasileiro observa a situação com atenção.

    Além disso, oscilações na oferta internacional podem alterar fluxos comerciais, influenciar preços e criar oportunidades para exportadores de alimentos.

    Além disso, a sequência de eventos extremos reforça um alerta que também vale para o Brasil: investir em irrigação, manejo da água e adaptação das lavouras tornou-se uma estratégia cada vez mais importante para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

  • Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    O verão de 2026 está impondo um dos maiores desafios já enfrentados pela agricultura britânica. A combinação de calor extremo e escassez de chuvas comprometeu a produção de hortaliças em diversas regiões do Reino Unido, reduziu a oferta de alimentos e obrigou supermercados, restaurantes e distribuidores a recorrerem às importações justamente no período em que o país costuma abastecer o próprio mercado.

    Os efeitos já chegaram às prateleiras. Segundo representantes do setor ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, os preços no atacado dispararam nas últimas semanas. O tomate ficou mais de 60% mais caro, a alface americana registrou alta próxima de 90% e a batata acumula valorização superior a 40%.

    O cenário também preocupa autoridades, varejistas e produtores, que classificam a atual temporada como uma das mais difíceis das últimas décadas.

    Brócolis perde metade da produção

    Entre as culturas mais afetadas está o brócolis. Em algumas propriedades, a produtividade caiu cerca de 50%, consequência direta das temperaturas elevadas e da falta de água para irrigação.

    David Simmons, produtor da Riviera Produce e integrante da diretoria da Brassica Growers’ Association, afirmou ao The Guardian que os agricultores passaram a unir duas cabeças de brócolis para atingir o peso mínimo exigido pelo mercado.

    “O Reino Unido enfrenta uma grande escassez de brócolis neste momento. Estamos importando produtos da Espanha e da Holanda para atender aos pedidos”, afirmou.

    Segundo ele, a preocupação agora se concentra na couve-flor, que também pode apresentar redução significativa de oferta nas próximas semanas caso o clima permaneça seco.

    Importações voltam ao centro do abastecimento

    A queda da produção obrigou distribuidores a fazer um movimento considerado incomum para esta época do ano.

    Tradicionalmente, durante o verão, boa parte das hortaliças consumidas no Reino Unido é produzida internamente. Desta vez, porém, empresas voltaram a comprar grandes volumes na Espanha para evitar desabastecimento.

    Tim O’Malley, presidente da distribuidora Nationwide Produce, afirmou ao The Guardian que a situação é mais grave do que muitos consumidores imaginam.

    “A situação é pior do que o público imagina. Estamos ficando sem água”, disse.

    Segundo o executivo, verduras folhosas, alface americana e brócolis foram as culturas mais prejudicadas. Mesmo enfrentando temperaturas elevadas, produtores espanhóis conseguem manter parte da produção graças à infraestrutura de irrigação desenvolvida ao longo de décadas.

    Cenouras enfrentam o pior ano da história

    A situação também preocupa os produtores de cenoura.

    Rodger Hobson, agricultor de Yorkshire responsável por cerca de 4% da produção britânica da cultura, classificou 2026 como o pior ano já registrado em sua propriedade.

    “É de partir o coração e para o bolso”, afirmou ao The Guardian.

    Segundo Hobson, temperaturas acima de 25°C já reduzem significativamente o desenvolvimento das plantas. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, praticamente todo o crescimento da cultura é interrompido.

    Caso não ocorram chuvas consistentes nas próximas semanas, a produção nacional poderá acabar meses antes do previsto, obrigando o país a ampliar as importações durante a primavera europeia.

    Colheitas antecipadas preocupam agricultores

    Além das hortaliças, outras culturas também apresentam perdas importantes.

    A safra inglesa de ervilhas caiu cerca de um terço em relação ao esperado. Já a colheita de cereais começou mais cedo do que o habitual, reflexo direto das altas temperaturas e da rápida perda de umidade do solo.

    Produtores estudam adotar variedades mais resistentes ao calor, semelhantes às cultivadas no sul da Europa. No entanto, representantes do setor defendem que apenas mudanças tecnológicas não serão suficientes.

    Entre as principais reivindicações está o aumento dos investimentos em reservatórios para armazenar água das chuvas do inverno e da primavera, garantindo irrigação durante os meses mais secos.

    Supermercados cobram ação do governo

    A preocupação extrapolou o campo.

    As maiores redes varejistas do Reino Unido, juntamente com fabricantes, distribuidores e atacadistas de alimentos, enviaram um documento ao governo britânico alertando que incêndios florestais, secas prolongadas e eventos climáticos extremos passaram a representar uma ameaça concreta à segurança alimentar nacional.

    As empresas defendem políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção doméstica e à redução da dependência das importações.

    Calor atinge toda a Europa

    Os impactos não se restringem ao Reino Unido.

    Diversos países europeus registram perdas em culturas como trigo, batata, tomate e oliveiras, pressionados pela combinação de seca prolongada, incêndios florestais e sucessivas ondas de calor.

    Especialistas avaliam que a tendência aumenta a volatilidade do mercado internacional de alimentos e pode influenciar o comércio agrícola nos próximos meses, principalmente se as condições climáticas extremas persistirem até o fim do verão no Hemisfério Norte.

  • Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    As ondas de calor que atingem a Itália em 2026 já afetam diretamente a produção do Parmigiano Reggiano, queijo com mais de 800 anos de história e um dos símbolos gastronômicos mais conhecidos do país.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Gelisite/Flickr

    Temperaturas acima de 40 °C fazem as vacas comerem menos, permanecerem mais tempo deitadas e produzirem menos leite. Essa combinação preocupa produtores, fabricantes e administradores dos armazéns responsáveis pelo envelhecimento do queijo.

    A indústria do Parmigiano Reggiano movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e sustenta milhares de empregos na Itália. A Reuters mostrou, em reportagem publicada em 13 de julho de 2026, como o calor extremo passou a pressionar toda a cadeia produtiva, da fazenda ao armazém.

    Calor acima de 40 °C reduz em até 10% a produção de leite

    Há cerca de 50 anos, os agricultores da região da Emília-Romanha abriam as janelas dos celeiros apenas durante as noites de verão. Hoje, essas mesmas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger o gado das temperaturas recordes que atingem a região.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Crissy Terawaaki/Flickr

    Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, afirma que o calor compromete tanto a qualidade quanto a quantidade do leite. As vacas passam mais tempo deitadas nos períodos mais quentes e reduzem o consumo de alimento, o que pode derrubar a produção de leite em até 10%.

    O impacto preocupa porque o Parmigiano Reggiano usa apenas três ingredientes:

    • Leite cru de vaca
    • Sal
    • Coalho

    Portanto, qualquer redução na oferta de leite interfere diretamente no ritmo da fabricação.

    Produtores só podem fabricar o autêntico Parmigiano Reggiano em cinco províncias italianas, a maioria delas na Emília-Romanha, e precisam alimentar as vacas exclusivamente com capim e feno cultivados dentro dessa área autorizada. Períodos prolongados sem chuva representam, portanto, outra ameaça à cadeia produtiva: sem água, o capim não cresce, o que compromete a produção de feno e reduz ainda mais a quantidade de leite disponível para o queijo.

    Ventiladores e nebulizadores fazem os custos dispararem

    Para reduzir a temperatura dentro dos celeiros, os produtores instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, medidas que ajudam a proteger os animais, mas que também aumentam significativamente o consumo de energia elétrica.

    Os gastos também cresceram nos depósitos onde as rodas de queijo permanecem durante a maturação, processo que dura pelo menos 12 meses e que, em alguns casos, se estende por três anos ou mais. Durante todo esse período, as instalações precisam manter temperatura e umidade controladas.

    Mais de 500 mil rodas aguardam maturação em depósitos climatizados

    Dois grandes depósitos especializados guardam mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, em um estoque avaliado em mais de 300 milhões de euros. A Magazzini Generali delle Tagliate, unidade ligada ao banco Credito Emiliano, opera as estruturas, localizadas nas províncias de Reggio Emilia e Modena.

    Segundo o diretor Giancarlo Ravanetti, o consumo diário de energia aumentou cerca de 30% durante os picos de calor de 2026. Para conter os custos, a empresa modernizou os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhorou o isolamento dos edifícios e ampliou a geração de energia renovável.

    Tecnologia e tradição protegem a qualidade do queijo

    Produtores e especialistas apelidaram coletivamente esses armazéns climatizados de “Banco do Parmigiano”. As instalações combinam tecnologia moderna e métodos tradicionais de inspeção. Assim, cada roda passa por controles rigorosos de qualidade durante a maturação, incluindo exames de raio X que ajudam a identificar defeitos internos.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Scott Dickey/Flickr

    Além disso, especialistas também batem pequenos martelos nas peças e analisam o som produzido, técnica que permite detectar falhas surgidas durante o envelhecimento. Ravanetti reforça que o trabalho humano continua essencial para garantir a qualidade final do produto.

    Tarifas dos EUA agravam o cenário para as exportações

    As exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano em 2025, com os Estados Unidos como principal mercado internacional. Mas esse mercado ficou mais instável: no fim de 2025, novas tarifas elevaram a carga tributária total sobre o queijo importado nos EUA para 25%, com possibilidade de novos aumentos.

    Diante da incerteza regulatória, importadores americanos suspenderam pedidos no início de 2026 para avaliar o impacto das tarifas e das pressões econômicas. Assim, essa decisão ajudou a derrubar em 10% o volume de vendas da Itália em 2025.

    Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas da GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, afirma que eventos climáticos mais intensos podem elevar ainda mais os custos e afetar a quantidade e a qualidade do leite nos próximos anos.

    O que pode acontecer com o Parmigiano Reggiano nos próximos anos?

    O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos e representa uma das tradições alimentares mais conhecidas da Itália. As ondas de calor mostram que até processos preservados por séculos podem enfrentar dificuldades diante de temperaturas extremas, secas e agora também de barreiras comerciais.

    Portanto, produtores precisam equilibrar tradição, tecnologia e custos crescentes para manter a fabricação do queijo. Ganzerli resumiu a preocupação do setor com uma declaração direta:

    “Não queremos ser a última geração a comer esse queijo.”

  • Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    As primeiras notícias não vieram das plantações nem dos rebanhos. Vieram dos aviários.

    Em poucos dias, granjas de diferentes regiões da França começaram a registrar uma sequência incomum de mortes de frangos. À medida que o calor aumentava, as temperaturas permaneciam elevadas mesmo durante a madrugada e, pouco a pouco, milhares de aves deixavam de resistir. Em algumas áreas, o número de animais mortos cresceu tão rapidamente que a estrutura responsável pelo recolhimento das carcaças entrou em colapso.

    Como resultado, o problema ganhou dimensão nacional e passou a simbolizar uma crise que já alcança boa parte do campo francês. Reportagem publicada pelo jornal Le Monde mostra que a onda de calor provocou perdas expressivas na avicultura, afetou a produção de leite, castigou lavouras e obrigou agricultores a rever, mais uma vez, como enfrentar um clima que se tornou menos previsível.

    Milhraes de frangos na França
    Reprodução: ciwf.fr

    Embora as autoridades ainda consolidem os levantamentos, entidades do setor afirmam que a mortalidade registrada nas granjas está entre as mais severas associadas a episódios recentes de calor intenso no país.

    O calor chegou antes do esperado

    O verão europeu sempre exige atenção dos produtores rurais, mas, neste ano, o calor apareceu mais cedo e com intensidade acima da média em várias regiões francesas.

    Além disso, dias consecutivos de temperaturas elevadas foram seguidos por noites abafadas. Para a avicultura, essa combinação costuma ser uma das mais difíceis de enfrentar. Sem o resfriamento natural durante a madrugada, as aves permanecem sob estresse por muito mais tempo.

    Foi justamente esse cenário que se repetiu nas principais áreas produtoras.

    Na Bretanha, região que concentra grande parte da produção francesa de frangos, produtores passaram a relatar perdas em diferentes sistemas de criação. Ao mesmo tempo, à medida que os dias avançavam, aumentava também a dificuldade para retirar rapidamente os animais mortos das propriedades.

    Segundo o Le Monde, algumas autoridades locais autorizaram medidas excepcionais para evitar problemas sanitários, incluindo o enterramento das carcaças em determinadas situações. A decisão foi tomada porque o volume de aves mortas ultrapassou a capacidade operacional das empresas encarregadas da coleta.

    Por que as aves sofrem tanto com o calor

    Entre os animais criados para produção de alimentos, poucos reagem tão rapidamente ao calor quanto as aves.

    Diferentemente dos bovinos e dos suínos, elas praticamente não conseguem dissipar calor pela pele. Como não transpiram, dependem da respiração para tentar reduzir a temperatura corporal.

    Quando o ambiente permanece muito quente, o organismo acelera a frequência respiratória. Ao mesmo tempo, o consumo de ração diminui e a necessidade de água aumenta. Se o calor persiste por muitas horas, especialmente sem alívio durante a noite, o sistema deixa de compensar o excesso de temperatura. É nesse momento, portanto, que cresce o risco de hipertermia e de mortalidade.

    Por isso, ondas de calor prolongadas costumam atingir primeiro a avicultura. Mesmo granjas equipadas com ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento evaporativo podem enfrentar dificuldades quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.

    O prejuízo vai além da perda dos animais

    A morte das aves representa apenas parte do problema.

    Cada lote perdido interrompe o ciclo de produção, reduz a oferta de carne de frango e aumenta os custos das granjas. Além do impacto econômico direto, os produtores precisam lidar com questões sanitárias, logística para retirada das carcaças e limpeza completa das instalações antes da chegada de um novo plantel.

    Foi justamente essa sequência de desafios que chamou a atenção na França. Em diversas propriedades, o esforço deixou de ser apenas salvar os animais que ainda permaneciam vivos. Além disso, passou a incluir medidas emergenciais para evitar que o acúmulo de carcaças provocasse novos riscos à saúde animal e ao meio ambiente.

    Enquanto isso, a previsão de novas temperaturas elevadas mantinha produtores e autoridades em estado de alerta. Com isso, a preocupação já não se limitava aos aviários. Aos poucos, outros setores da agricultura francesa começavam a sentir os efeitos da mesma onda de calor.

  • Florada saudável fortalece produção de laranja no campo

    Florada saudável fortalece produção de laranja no campo

    O avanço das altas temperaturas e os períodos prolongados de estiagem têm aumentado a pressão sobre a citricultura brasileira. Em meio ao cenário de instabilidade climática, produtores passaram a buscar estratégias para reduzir perdas na florada e garantir a manutenção da produtividade dos pomares. Durante a 51ª Expocitros, realizada entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (SP), a Fortgreen apresentou tecnologias voltadas ao manejo fisiológico das plantas para minimizar os efeitos do estresse hídrico e térmico.

    Segundo o gerente comercial da empresa, Silvio Cezar Gregório, os impactos do calor excessivo atingem diretamente o desenvolvimento fisiológico dos citros. Como consequência, ocorre o abortamento das flores e a queda prematura dos frutos, comprometendo a produtividade final do pomar.

    “A planta entra em um processo de oxidação e cria hormônios que causam o abortamento das flores. Cada flor que a planta deixa de segurar representa uma laranja a menos dentro da caixa”, afirma.

    Ainda de acordo com o executivo, o problema se intensificou nos últimos anos devido às oscilações climáticas provocadas por fenômenos como El Niño e La Niña. O cenário, segundo ele, tem levado muitos produtores a reconsiderarem áreas de cultivo em busca de regiões menos suscetíveis às temperaturas extremas.

    Entre os destaques levados para a feira estão as tecnologias Black Gold e CoMoNi Dry, utilizadas em conjunto durante o período de florada e fixação dos frutos. O manejo busca reduzir o chamado estresse oxidativo da planta, diminuindo a produção hormonal ligada ao abortamento floral.

    “O objetivo é mitigar esse estresse fisiológico justamente na fase mais importante da cultura, que é o nascimento da fruta”, explica Gregório.

    Manejo exige atenção desde a pré-florada

    O gerente destaca que o momento de aplicação varia conforme a variedade cultivada. Enquanto algumas laranjas possuem ciclo precoce, outras apresentam desenvolvimento tardio. Por isso, o manejo precisa ser ajustado de acordo com o estágio fisiológico de cada pomar.

    “A recomendação normalmente ocorre na pré-florada, na flor aberta e também no fechamento do chumbinho, que é o terceiro estágio”, detalha.

    Além da redução das perdas provocadas pela seca e pelo calor, a empresa afirma que os produtores conseguem observar ganhos em uniformidade e qualidade da produção. Dados acompanhados em propriedades comerciais e em instituições de pesquisa indicam incremento de produtividade entre 15% e 20% com o uso das tecnologias.

    “A gente procura validar as soluções com consultorias, instituições de pesquisa e faculdades antes de levar a tecnologia ao campo”, ressalta.

    Gregório pondera, no entanto, que o manejo fisiológico não atua sozinho. Segundo ele, o equilíbrio nutricional e o controle fitossanitário continuam indispensáveis para alcançar altos índices produtivos, principalmente em regiões de maior déficit hídrico.

    Entre os desafios enfrentados atualmente pela citricultura também estão doenças que comprometem o desenvolvimento dos pomares e elevam os custos de produção. Nesse cenário, o produtor passou a adotar um manejo cada vez mais técnico e integrado.

    “Não basta apenas nutrir. Hoje estamos muito dependentes das condições climáticas. É preciso trabalhar solo, nutrição e sanidade da planta de forma equilibrada”, diz.

    Rentabilidade impulsiona profissionalização do setor

    Além das tecnologias voltadas à florada, a Fortgreen também apresentou outros produtos do portfólio durante a Expocitros. A programação do estande contou ainda com a participação do engenheiro agrônomo e consultor Leandro Fukuda, sócio-proprietário da Farm Atac, que conduziu um bate-papo técnico sobre manejo avançado de pomares cítricos.

    Para Gregório, o atual cenário climático acelerou a profissionalização da atividade. Segundo ele, o citricultor passou a atuar cada vez mais como empresário, com maior controle sobre custos, produtividade e planejamento de investimentos.

    “O produtor sabe exatamente quanto custa produzir uma caixa de laranja. Hoje, produzir bem significa garantir rentabilidade, independentemente das oscilações de preço do mercado”, conclui.

  • Calor extremo ameaça produção global de alimentos e coloca bilhões em risco

    Calor extremo ameaça produção global de alimentos e coloca bilhões em risco

    O calor extremo está colocando os sistemas alimentares globais sob forte pressão, afetando diretamente a produção agrícola, a pecuária e a pesca, segundo alerta da Organização das Nações Unidas (ONU). O fenômeno já compromete os meios de subsistência de mais de 1 bilhão de pessoas em diversas regiões do planeta.

    De acordo com relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o aumento da frequência e intensidade das ondas de calor está levando o abastecimento de alimentos “ao limite”, tanto em áreas terrestres quanto marítimas.

    Impactos na agricultura e no trabalho rural

    O estudo aponta que agricultores podem enfrentar condições inseguras de trabalho por até 250 dias ao ano em regiões já quentes, como sul da Ásia, África Subsaariana e partes da América Latina. Nessas áreas, o calor extremo dificulta atividades ao ar livre e reduz a capacidade produtiva.

    A produtividade das lavouras também sofre impactos diretos. A maioria das culturas agrícolas apresenta queda de rendimento quando exposta a temperaturas acima de 30 °C. Entre os principais efeitos estão o enfraquecimento das estruturas celulares das plantas e a produção de toxinas.

    Em algumas regiões, a produção de milho já caiu cerca de 10%, enquanto o trigo registra reduções semelhantes. A tendência é de agravamento, especialmente com o aumento da temperatura global acima de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais.

    Pecuária e pesca também sofrem perdas

    Na pecuária, o estresse térmico começa a afetar animais a partir de aproximadamente 25 °C. O calor intenso reduz a produção de leite e compromete sua qualidade, diminuindo os níveis de gordura e proteína.

    Além disso, suínos e aves, que não possuem mecanismos eficientes para dissipar calor, enfrentam riscos como falência de órgãos, problemas digestivos e choque cardiovascular, elevando as taxas de mortalidade.

    Nos oceanos, as ondas de calor marinhas também causam prejuízos significativos. O aumento da temperatura reduz o oxigênio dissolvido na água, provocando mortalidade em massa de peixes e queda nas populações.

    Falta de adaptação agrava riscos

    O relatório destaca que muitos dos impactos poderiam ser reduzidos com medidas de adaptação. Sistemas de previsão meteorológica e alertas via celular, por exemplo, podem ajudar produtores a se prepararem para eventos extremos.

    Especialistas defendem investimentos em tecnologia, capacitação e sistemas de alerta precoce para reduzir perdas. Sem adaptação, o calor extremo pode levar à expansão de áreas agrícolas, aumentando o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa.

    Sistemas alimentares mais vulneráveis

    Outro ponto de atenção é a fragilidade dos sistemas alimentares modernos, que dependem de poucas culturas e de insumos como fertilizantes. Esse modelo reduz a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos.

    Especialistas sugerem a diversificação da produção agrícola e a adoção de práticas mais sustentáveis, incluindo a integração entre lavoura e pecuária, além da recuperação de áreas com vegetação e sombra.

    Riscos econômicos e sociais

    O impacto das altas temperaturas vai além do campo. A possibilidade de falhas simultâneas nas colheitas pode afetar preços, cadeias de abastecimento e economias inteiras.

    Trabalhadores rurais e pescadores artesanais estão entre os mais vulneráveis, especialmente mulheres e idosos. Organizações internacionais defendem medidas como compensações financeiras, alívio de dívidas e regras mais rígidas de proteção contra o calor.

    Mudanças climáticas exigem ação global

    Embora os efeitos mais severos sejam sentidos em regiões tropicais, países desenvolvidos também devem enfrentar consequências, como alterações no uso da terra, escassez de água e instabilidade na produção.

    Especialistas alertam que a adaptação tem limites. A solução de longo prazo envolve reduzir o uso de combustíveis fósseis, acelerar a transição para energias renováveis e ampliar investimentos em práticas agrícolas resilientes ao clima.

  • Calor faz batata-baroa “cozinhar” no solo no Espírito Santo

    Calor faz batata-baroa “cozinhar” no solo no Espírito Santo

    Um caso incomum de degradação térmica em batata-baroa foi registrado no município de Alfredo Chaves (ES), onde o agricultor Elson De Nadai perdeu 60% da produção devido a temperaturas acima de 30°C e 22 dias consecutivos sem chuva. O fenômeno, nunca antes documentado no estado, ocorreu quando o calor elevou a temperatura do solo, “cozinhando” os tubérculos antes da colheita.

    A batata-baroa, adaptada ao clima ameno da Serrana capixaba (temperaturas ideais entre 10°C e 25°C), enfrentou condições extremas em março de 2025. A irrigação diária não foi suficiente para mitigar os efeitos do calor, que acelerou a fermentação e apodrecimento das raízes.

    Foto: TV Gazeta

    Segundo João Medeiros, engenheiro agrônomo do Incaper, o calor favoreceu a proliferação de microrganismos e fungos, contaminando a plantação. “Uma vez que uma raiz é atingida, o processo se espalha rapidamente”, explicou. O produtor relatou que áreas com maior exposição solar (8 horas diárias) tiveram perdas mais significativas.

    Variedades e estratégias

    De Nadai cultiva duas variedades:

    • Catarina (alta produtividade, colheita entre 8 e 12 meses), desenvolvida pela Embrapa para atender demandas comerciais.
    • Precoce Capixaba (resistente a mudanças climáticas, colheita entre 9 e 16 meses), que reduziu parcialmente as perdas.

    O prejuízo ainda não foi quantificado, mas a redução na oferta já impactou o mercado. “Antes, comercializávamos 20 a 30 caixas semanais; hoje, não atingimos esse volume”, destacou Medeiros. A seca prolongada e ondas de calor reforçam a necessidade de adaptação de práticas agrícolas às mudanças climáticas.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pesquisa deve impulsionar a produção do Ovino Pantaneiro
    + Agro em Campo: Produtor rural deve adotar cautela com crédito e juros altos, alertam especialistas

  • Calor extremo ameaça produção de laranjas e limões

    Calor extremo ameaça produção de laranjas e limões

    A citricultura paulista, uma das mais importantes do mundo, enfrenta um grande desafio com o avanço das altas temperaturas. Dados do Centro de Estudos Avançadas em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) indicam que as condições climáticas adversas podem comprometer a produção de laranjas e limões na safra atual e impactar a próxima temporada.

    Na última safra, os produtores do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais colheram mais de 307 milhões de caixas de laranja. No entanto, o aumento da temperatura e a falta de chuvas adequadas têm afetado principalmente as variedades colhidas mais tarde, como a laranja Valência. Esses frutos estão apresentando calibres menores do que o ideal para o consumo in natura. Muitas vezes, a indústria destina esses produtos à moagem, o que reduz a rentabilidade dos produtores.

    Os preços da laranja e do limão Tahiti continuam em queda. A laranja destinada à indústria foi negociada a R$ 68,18 por caixa de 40,8 kg, com um recuo de 1,57% nos últimos cinco dias. No mercado in natura, a variedade Pera caiu de R$ 94,24 para R$ 88,73 por caixa, uma desvalorização de 5,85%.

    Soluções para reduzir impactos da seca

    Diante das previsões climáticas desafiadoras, a adoção de tecnologias inovadoras para conservação da umidade e manejo sustentável do solo pode ser crucial para garantir safras mais produtivas e rentáveis. Estratégias que aumentem a retenção hídrica são fundamentais para preservar a qualidade dos frutos e reduzir os impactos da estiagem.

    “A falta de umidade e o calor excessivo afetam diretamente o desenvolvimento das frutas, comprometendo sua qualidade e reduzindo a produção. O produtor precisa adotar estratégias que ajudem a minimizar os impactos climáticos e garantir a rentabilidade da safra”, alerta Francisco Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Peso no bolso: preço do café pode subir ainda mais
    + Agro em Campo: Programa Amigos da Onça promove coexistência na Caatinga

  • Impacto do calor extremo na produção de ovos

    Impacto do calor extremo na produção de ovos

    O calor extremo registrado nos últimos meses têm impactado significativamente a produtividade das aves, afetando a oferta e elevando os preços dos ovos no Brasil. Diante desse cenário, a nutrição adequada se torna uma aliada essencial para minimizar os efeitos do calor excessivo e manter a saúde e o bem-estar dos animais.

    A produção de ovos no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos, com 2,8 bilhões de dúzias produzidas entre janeiro e setembro de 2024, um aumento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2023. No entanto, o calor extremo tem reduzido a capacidade de postura das aves, resultando em menor oferta e aumento nos preços. Janeiro de 2025 foi o mês mais quente da história, com temperaturas frequentemente acima dos 30°C nas principais regiões produtoras.

    O preço médio da caixa com 30 dúzias de ovos extra branco em Bastos, um dos principais polos produtores de São Paulo, atingiu R$ 194,16 no atacado até 14 de fevereiro, um aumento de 36,5% em relação a janeiro e de 17,4% em relação ao mesmo período de 2024. Além do calor, outros fatores como a demanda elevada durante a Quaresma e o aumento nos custos de produção também contribuem para o encarecimento dos ovos.

    Nutrição como estratégia de mitigação

    Diante desse cenário desafiador, estratégias nutricionais são fundamentais para mitigar os impactos negativos das altas temperaturas. O uso de aditivos nutricionais pode contribuir para o equilíbrio do organismo das poedeiras, promovendo melhor desempenho e resistência ao estresse térmico. Aditivos como probióticos e minerais orgânicos podem auxiliar na manutenção da saúde intestinal e na redução do estresse das aves, garantindo maior produtividade.

    “A demanda dos consumidores levou a adaptações nos sistemas produtivos, incluindo a redução do uso de antibióticos. O CLOSTAT®, por exemplo, equilibra a microbiota intestinal das aves, melhora o desempenho e contribui para a manutenção da saúde intestinal, fator essencial para que os animais expressem seu potencial produtivo”, explica Gisele Neri, zootecnista e gerente de produtos da Kemin.

    Dicas para consumidores

    Embora os consumidores não possam identificar visualmente se os ovos vieram de aves bem nutridas, algumas características podem indicar a qualidade dos ovos:

    • Casca resistente: Indica bom aporte de minerais.
    • Odor neutro: Ausência de cheiro forte ou desagradável.
    • Selo de certificação: Garante controle rigoroso de qualidade e sanidade.
    • Verifique a embalagem: Armazenamento correto e ausência de rachaduras.
    • Data de validade: Ovos mais frescos garantem melhor qualidade nutricional.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Perigo: surto de febre do Oropouche avança
    + Agro em Campo: Amendoim: aumenta demanda por soluções em nutrifisiologia

  • Calor extremo desafia o agronegócio

    Calor extremo desafia o agronegócio

    O aumento das temperaturas no Brasil tem se tornado um dos maiores desafios para o agronegócio, com especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Agronômico (IAC) alertando que esse cenário deve se intensificar nos próximos anos. O calor extremo registrado nos primeiros meses de 2025 têm preocupado pesquisadores e produtores, que enfrentam dificuldades com a irregularidade das chuvas e o aumento da temperatura média.

    Segundo dados do Posto Meteorológico “Jesus Marden do Santos”, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP), a temperatura média em fevereiro foi de 25,5°C, acima da média histórica. As máximas chegaram a 35-37°C em algumas regiões, impactando diretamente o desenvolvimento das culturas e reduzindo o potencial produtivo.

    Impactos no agronegócio

    O setor cafeeiro é um dos mais afetados pelas temperaturas elevadas. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que a combinação de chuvas abaixo do esperado e calor intenso prejudicou a formação dos grãos na safra atual. Outras culturas como hortaliças e grãos também são afetadas pela falta de água adequada.

    A previsão é que as ondas de calor continuem intensificando-se, reforçando a necessidade por estratégias eficientes para mitigar os impactos climáticos. A avicultura brasileira também sofre com as altas temperaturas, que comprometem a saúde das aves e reduzem sua produtividade.

    Tecnologia como solução

    Diante desse cenário desafiador, tecnologias inovadoras estão sendo adotadas para otimizar o manejo da água e melhorar a saúde do solo. Produtos como os desenvolvidos pela Hydroplan-EB ajudam na eficiência hídrica ao maximizar a absorção da água pelas plantas durante períodos críticos.

    “Essas soluções são fundamentais para reduzir consumo excessivo de água enquanto evitamos perdas nas lavouras”, destaca Loremberg Moraes, diretor da Hydroplan-EB. “Melhoramos significativamente tanto na absorção quanto na retenção no solo.”

    A combinação entre tecnologia avançada e boas práticas agrícolas pode não apenas mitigar os impactos negativos do calor extremo. Mas também construir um setor mais sustentável para enfrentar os desafios futuros.

    Com mudanças climáticas cada vez mais imprevisíveis, adaptar-se já não é uma escolha; tornou-se uma necessidade vital para garantir alimentos saudáveis em abundância no futuro.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Azeite de oliva. Mapa divulga nova lista de marcas impróprias para consumo.
    + Agro em Campo: Epagri pesquisa uso do bagaço de maçã na pecuária de corte