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  • Como biochar e hidrogel estão transformando a cajucultura no Nordeste

    Como biochar e hidrogel estão transformando a cajucultura no Nordeste

    Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) encontraram uma saída tecnológica acessível para um dos maiores gargalos da cajucultura no Semiárido: a alta mortalidade de mudas na fase de implantação dos pomares.

    Em experimentos com irrigação de salvação, técnica emergencial usada em períodos críticos de seca, o uso de hidrogel garantiu a sobrevivência de 100% das mudas do clone BRS 226 e reduziu os custos de irrigação em 46%. Já o biochar (biocarvão) melhorou a qualidade e o tamanho do pedúnculo, parte do caju conhecida popularmente como maçã.

    Os estudos integram uma linha de pesquisa sobre condicionadores de solo, insumos que melhoram as propriedades físicas, químicas e biológicas do terreno, como estratégia de adaptação às mudanças climáticas na região.

    Mortalidade de mudas: um gargalo técnico e econômico

    Embora o cajueiro tenha reputação de tolerante à seca, o primeiro ano de implantação do pomar é crítico. As mudas enxertadas chegam estressadas da mudança do viveiro para o campo e enfrentam solos arenosos (Neossolos Quartzarênicos) com baixa retenção de umidade, em uma região onde a estação chuvosa é imprevisível em início, quantidade e distribuição.

    “Essa mortalidade tem sido um gargalo técnico e econômico na implantação dos pomares. Tem impacto na produtividade porque requer investimento na aquisição de mudas de reposição e retrabalho no campo”, afirma o pesquisador Rubens Sonsol, responsável pelos estudos.

    Os produtores podem perder até metade das mudas nessa fase. Um prejuízo que recomeça a cada novo plantio.

    Hidrogel: 55 litros por ano bastam para salvar as mudas

    Em experimento com irrigação de salvação, o polímero hidrofílico, um gel agrícola capaz de absorver e liberar água gradualmente para as raízes, demonstrou resultado expressivo. A dose ideal, de 29,56 gramas por cova, manteve todas as mudas do clone BRS 226 vivas com um consumo de apenas 55 litros por planta ao ano.

    A irrigação de salvação convencional recomenda 25 litros por semana. Com o hidrogel, esse volume caiu para 55 litros no ano inteiro.

    Sonsol alerta, porém, para um limite importante: doses acima de 29,5 gramas elevam a demanda hídrica, porque o polímero passa a reter a umidade de forma a torná-la menos disponível para as raízes. O excesso, portanto, produz efeito contrário ao desejado.

    Biochar quadruplica a sobrevivência em condições de sequeiro

    Outro experimento simulou condições extremas de escassez hídrica para avaliar diferentes doses de biochar na sobrevivência de mudas dos clones CCP 76 e BRS 226 no primeiro ano. A aplicação de quatro quilos por cova elevou a taxa de sobrevivência de 26%, resultado do grupo controle, para 68%.

    Uso de biochar melhorou vários parâmetros da produção irrigada de caju, resultando em frutos maiores e mais doces. Foto: Rubens Sonsol

    O biochar é um carvão produzido pela queima controlada de resíduos orgânicos em baixa presença de oxigênio (pirólise). Sua estrutura porosa retém água e nutrientes e ainda melhora a fertilidade do solo, favorece microrganismos benéficos, reduz a acidez e sequestra carbono.

    Uma das vantagens práticas destacadas pelo pesquisador é a acessibilidade do processo: o material pode ser produzido na própria propriedade rural, com resíduos da poda dos cajueiros, em fornos de tijolos rústicos (tipo caieira), sem tecnologia sofisticada.

    Pedúnculo mais doce e mais pesado no clone BRS 226

    Os estudos avançaram para avaliar o biochar em plantas adultas e irrigadas dos clones BRS 226 e CCP 76, os mais cultivados no Ceará. Os resultados variaram significativamente entre os dois genótipos.

    No BRS 226, o aumento das doses de biochar produziu crescimento linear e significativo no peso médio do pedúnculo. Com 4 kg por planta, o clone alcançou peso de pedúnculo semelhante ao do CCP 76, cerca de 140 gramas. O CCP 76, por sua vez, não apresentou alteração no peso do pedúnculo com o tratamento.

    O biochar também tornou o pedúnculo do BRS 226 mais doce e menos ácido. O dado tem relevância comercial: esse clone é valorizado pela tolerância à seca, mas tradicionalmente produz pedúnculos de menor apelo no mercado em comparação ao CCP 76. Com a melhora no perfil sensorial, o BRS 226 passa a competir em nichos de maior valor agregado, como sucos e doces artesanais, o que pode reduzir o desperdício de bagaço e aumentar a renda do agricultor.

    “A eficácia do biochar é dependente do genótipo, o que significa que as recomendações de manejo devem ser específicas para cada clone”, destaca Sonsol.

    Condicionadores de solo como resposta às mudanças climáticas

    Para o pesquisador, o principal significado dos estudos é estratégico: demonstrar que tecnologias de baixo custo e fácil acesso permitem ao cajucultor do Semiárido usar a água com mais eficiência e reduzir sua vulnerabilidade ao clima.

    “A utilização dos condicionadores de solo surge como uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas, permitindo o uso mais eficiente da água de irrigação”, conclui Sonsol.

    O que são condicionadores de solo?

    Condicionadores de solo são insumos que melhoram as propriedades físicas, físico-químicas e biológicas do solo. Entre os que favorecem a retenção hídrica, destacam-se o biochar e o hidrogel.

    • Biochar (biocarvão): carvão produzido pela queima controlada de resíduos orgânicos com pouco ou nenhum oxigênio (pirólise). Sua estrutura porosa retém água e nutrientes. E contribui para a fertilidade do solo, a atividade de microrganismos benéficos, a redução da acidez e o sequestro de carbono. Produtores podem fabricá-lo na propriedade com resíduos de poda, usando fornos de tijolo tipo caieira.
    • Hidrogel (polímero hidrofílico): material sintético ou orgânico capaz de absorver grandes volumes de água e liberá-la gradualmente para as raízes. Quando o solo recebe chuva ou irrigação, o polímero absorve a água; depois, libera a umidade conforme a planta necessita.
  • Conheça o poder do caju e saiba como cultivá-lo facilmente

    Conheça o poder do caju e saiba como cultivá-lo facilmente

    O caju, símbolo do sabor brasileiro, combina nutrientes poderosos e facilidade de cultivo. Rico em vitamina C e antioxidantes, o fruto reforça o sistema imunológico e ainda pode ser plantado em quintais e pequenas propriedades, especialmente em regiões de clima quente e ensolarado.

    O caju se destaca pela alta concentração de vitamina C, compostos fenólicos e carotenoides, substâncias que combatem os radicais livres e ajudam a proteger as células contra o envelhecimento precoce. Esses antioxidantes equilibram o organismo diante de fatores como poluição, estresse e exposição solar.

    A castanha de caju também oferece gorduras boas, vitamina E e minerais como zinco e selênio, aliados importantes para fortalecer as defesas naturais do corpo. O consumo regular do fruto e de seus derivados pode contribuir para uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes.

    Popularidade crescente e versatilidade econômica

    A busca por alimentação saudável impulsiona o consumo de frutas antioxidantes, e o caju ganha destaque por unir sabor e praticidade. Além do suco e da polpa congelada, o fruto origina doces, geleias, bebidas fermentadas e a castanha, que tem alto valor comercial e amplia a renda de produtores locais.

    Foto: Embrapa

    Pesquisas agrícolas investem no aprimoramento de variedades com mais antioxidantes e maior produtividade, estimulando tanto a produção nacional quanto a exportação da castanha.

    Como plantar caju em casa

    Cultivar caju em casa é mais simples do que parece. O cajueiro prefere temperaturas elevadas, boa luminosidade e períodos secos curtos. Condições típicas do Nordeste e de regiões interiores de outros estados. Em quintais pequenos, o cajueiro-anão precoce é a melhor opção, pois tem porte reduzido e frutifica cedo.

    Passo a passo básico para o cultivo:

    • Escolha um local ensolarado com solo bem drenado e acesso à água.
    • Utilize mudas enxertadas e saudáveis, adaptadas ao clima regional.
    • Abra covas de cerca de 40 cm e misture matéria orgânica na terra.
    • Plante a muda centralizada e compacte levemente o solo.
    • Mantenha a irrigação nas primeiras semanas, sem encharcar.
    • Faça podas leves e adubações periódicas para estimular a produção.

    Com esses cuidados, o cajueiro cresce vigoroso e oferece frutos por muitos anos, somando sabor, saúde e bem-estar ao dia a dia.

    O conjunto de nutrientes e o valor ecológico do cultivo explicam por que o caju ganha espaço em quintais urbanos e na agricultura familiar. Cultivar essa árvore é mais do que plantar uma fruta. É garantir uma fonte natural de vitaminas e um exemplo de sustentabilidade no próprio lar.

  • Mudanças climáticas ameaçam futuro do caju no Nordeste brasileiro

    Mudanças climáticas ameaçam futuro do caju no Nordeste brasileiro

    O avanço do aquecimento global representa uma ameaça crescente para a agricultura do Nordeste brasileiro, região que pode enfrentar transformações drásticas em suas principais culturas até 2070. Pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que culturas tradicionais da região, incluindo o caju, enfrentarão cenários climáticos cada vez mais desafiadores nas próximas décadas.

    Caju no pé

    Segundo estudos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Nordeste sofrerá impactos significativos com o aumento das temperaturas. As projeções climáticas simularam cenários futuros para 2020, 2050 e 2070, revelando um quadro preocupante para a agricultura regional.

    Agricultura nordestina sob pressão climática

    A região do agreste nordestino, responsável pela maior parte da produção regional de milho, e a área dos cerrados nordestinos — sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia — poderão estar entre as mais atingidas, conforme apontam os dados da Embrapa.

    O Nordeste sofrerá perda significativa na produção de milho, arroz, feijão e algodão, alterando profundamente a geografia agrícola da região. A mandioca, cultura essencial para a alimentação local, corre o risco de desaparecer do Semiárido nordestino devido ao aumento das temperaturas.

    Resiliência do cajueiro em questão

    Paradoxalmente, o cajueiro tem demonstrado características de resiliência que podem ajudá-lo a enfrentar parte desses desafios. Durante a seca severa que afetou o Nordeste entre 2012 e 2017, o cajueiro-anão desenvolvido pela Embrapa mostrou resistência à escassez hídrica e ao ataque de pragas como a mosca-branca.

    Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, explica que enquanto outras frutíferas necessitam de altas quantidades de água, o cajueiro consegue produzir bem com uma precipitação anual entre 600 e 800 milímetros.

    A planta possui mecanismos fisiológicos únicos. Diferente de muitas espécies cujas folhas caem para evitar perda de água, o cajueiro mantém a folhagem verde, reduzindo a transpiração sem interromper a fotossíntese.

    Desafios recentes já impactaram produção

    Os últimos anos já demonstraram a vulnerabilidade do setor. Nos últimos dez anos, a produção brasileira anual de caju declinou a uma taxa de 4,96%. Entre 2012 e 2018, houve uma redução da área colhida de cerca de 20%, em função da deficiência hídrica causada por uma estiagem histórica no Nordeste.

    A cultura do cajueiro é explorada por aproximadamente 170 mil produtores, em mais de 53 mil propriedades, dos quais 70% são pequenos agricultores com áreas inferiores a 20 hectares. A atividade gera em torno de 250 mil empregos diretos e indiretos na região.

    Tecnologia como solução

    Para enfrentar os desafios climáticos, a Embrapa desenvolveu 13 clones de cajueiro, sendo 11 voltados especificamente para sistemas de cultivo sem irrigação. O clone CCP 76, mais utilizado no Nordeste, produz até 1.200 kg de castanha e 9.600 kg de pedúnculo por hectare. Enquanto o BRS 226 e o Embrapa 51 podem ultrapassar 1.600 kg/ha em condições ideais de manejo.

    O pesquisador Saavedra destaca que no contexto das mudanças climáticas, onde a tendência é que algumas regiões tenham maior redução de chuvas, o cajueiro se sobressai como uma planta resiliente e bem adaptada.

    Zoneamento como ferramenta de planejamento

    Reconhecendo os riscos climáticos, o cultivo do caju passou a contar com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), publicado no Diário Oficial da União. A ferramenta indica, por município, os períodos mais adequados para o plantio, considerando características do clima, tipo de solo e ciclo de desenvolvimento da planta.

    Marlos Bezerra, coordenador do Zarc Caju, explica que pela primeira vez foi utilizada uma metodologia padrão para identificar as regiões aptas para o cultivo do caju, demonstrando inclusive a possibilidade de cultivo em novas áreas, como nos estados de Mato Grosso e Tocantins.

    Banco genético como seguro para o futuro

    Em Pacajus, no Ceará, o Banco Ativo de Germoplasma de Cajueiro (BAG Caju) é mantido há mais de 50 anos. E concentra a maior coleção de variabilidade genética da espécie no mundo, com mais de 700 acessos. Esse acervo funciona como um seguro para o futuro. Conservando material genético que permite ao Brasil desenvolver variedades mais resistentes a pragas, doenças e mudanças ambientais.

    Um estudo publicado na revista PLOS One analisou como as condições de cultivo de café, castanha de caju e abacate mudarão nos próximos 30 anos. A pesquisa indicou um cenário complexo, com algumas regiões perdendo aptidão para essas culturas enquanto outras podem se tornar mais favoráveis.

    Para o café, a área potencial de cultivo deve reduzir de 11% a 12% até 2050. E de 22% a 30% até 2070, considerando os cenários de menor e maior aumento nas temperaturas do planeta.

    A adaptação do setor agrícola às mudanças climáticas exigirá investimentos em pesquisa, desenvolvimento de novas variedades, adoção de técnicas de manejo sustentável e planejamento estratégico de longo prazo. O futuro da cajucultura e da agricultura nordestina como um todo dependerá da capacidade de combinar tradição com inovação científica.

  • Nova cultivar promete dobrar produção de caju no Ceará

    Nova cultivar promete dobrar produção de caju no Ceará

    A Embrapa Agroindústria Tropical apresenta em dezembro de 2025 o clone de cajueiro BRS 805, uma cultivar que promete transformar a cajucultura cearense. A nova variedade oferece produtividade duas vezes superior à cultivar CCP 76, atualmente a mais plantada no país. O edital para aquisição dos propágulos será publicado em 12 de janeiro de 2026.

    O desenvolvimento do BRS 805 começou no início dos anos 1990, segundo Dheyne Melo, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical e coordenador do Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro. Pesquisadores selecionaram uma planta em experimento realizado em fazenda no município de Pio IX, no Piauí.

    “As castanhas foram colhidas para produção de progênies. O experimento foi instalado no Campo Experimental de Pacajus, onde selecionamos uma das plantas filhas, identificada como PRO 805/4”, explica Melo. A equipe clonou essa planta para avaliação e comparação com outros materiais genéticos.

    Desde 2003, o clone passou por avaliações em condições de sequeiro na região litorânea cearense. Os testes ocorreram em Pacajus, Cruz (a partir de 2011) e Itapipoca (desde 2015). Os resultados demonstraram desempenho superior e consolidaram o BRS 805 como alternativa de alta rentabilidade.

    Produtividade alcança 1.800 kg de castanha por hectare

    O BRS 805 alcança produtividade média de 1.800 quilos de castanhas por hectare entre o quinto e o sétimo ano de idade. Esse resultado representa o dobro da média obtida pelo clone CCP 76 no mesmo período.

    Foto: Embrapa

    A produção anual de pedúnculo também impressiona: 23,8 toneladas por hectare, igualmente o dobro do clone testemunha. Para Melo, a alta produtividade se soma à maior segurança fitossanitária.

    “O clone demonstra resistência ao mofo-preto, antracnose e septoria, enfermidades que prejudicam a cultura”, destaca o pesquisador.

    Clone apresenta resistência superior a doenças comuns

    Marlon Valentim, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, observou que o BRS 805 tolera melhor o oídio quando comparado ao CCP 76. O oídio representa a pior doença da cajucultura brasileira.

    Essas características resultam em menor necessidade de fungicidas, o que reduz custos de produção e oferece maior segurança alimentar ao consumidor.

    Luiz Serrano, também pesquisador da Embrapa, recomenda maior espaçamento no cultivo. As plantas apresentam porte intermediário, atingindo entre 3 e 4 metros de altura e até 7 metros de envergadura.

    O formato da copa, tipo taça compacta, torna o clone excelente para áreas mecanizadas. Tratores circulam livremente sem quebrar ramos produtivos das plantas.

    Mercado receberá castanhas de alta qualidade industrial

    O BRS 805 oferece produto de excelente aceitação no mercado de processamento. As castanhas apresentam massa média de 10 gramas, semelhante às do clone BRS 226, bem cotadas no mercado.

    As amêndoas são classificadas como tipo LW ou W210 (entre 181 e 210 amêndoas por libra-peso), com rendimento industrial médio de 23,2%.

    Foto: Embrapa

    O pedúnculo exibe coloração vermelha intensa e formato cônico (piramidal) de bom tamanho. O teor de Vitamina C é cinco vezes superior ao da laranja: 270 miligramas por 100 gramas de polpa. O produto é recomendado principalmente para processamento industrial.

    Comercialização começa por edital público

    A Embrapa direcionará o BRS 805 aos viveiristas de mudas de cajueiro com registro ativo no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). O processo inicial de comercialização ocorrerá por edital de oferta pública, no qual a empresa licenciará propágulos do clone para os viveiristas selecionados.

    “Sempre recomendamos que o produtor diversifique seu pomar. Caso novas doenças ou pragas cheguem, ele contará com clones mais resistentes ou tolerantes, evitando perda de produção”, afirma Melo.

    Cajucultura enfrenta momento decisivo

    José Roberto Vieira, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical, aponta que a cajucultura passa por momento de inflexão.

    “Temos dois caminhos. O primeiro consiste em continuar no modelo semiextrativista, com baixa produtividade (menos de 500 quilos de castanha por ano), alta variabilidade genética, baixo rendimento de amêndoas e baixo aproveitamento de pedúnculo”, explica.

    O segundo caminho envolve adotar tecnologias para alcançar o modelo de alto rendimento. “Nesse modelo, preconizamos produtividade de castanha superior a 1.500 quilos por hectare/ano, uniformidade de castanha, alto rendimento de amêndoas e alto aproveitamento de pedúnculo (superior a 50%)”, detalha Vieira.

    Segundo o pesquisador, embora o investimento inicial seja maior, o valor se dilui com a produtividade por hectare. “O custo é menor por quilo de castanha produzida. Se incluirmos o pedúnculo nessa conta, em municípios como Severiano Melo e Apodi, no Rio Grande do Norte, o custo de produção cai ainda mais”, argumenta.

    Ceará lidera produção nacional com crescimento de 61% em 2024

    O Brasil produziu 161.014 toneladas de castanha de caju em 2024, o maior resultado desde 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento em relação a 2023 foi de 38%.

    O Ceará, maior produtor nacional, aumentou sua produção em 61%, passando de 63.256 toneladas para 101.930 toneladas. O Piauí, segundo colocado, registrou crescimento de 25%, saltando de 20.992 toneladas para 26.172 toneladas. O Rio Grande do Norte, terceiro lugar, produziu cerca de 21 mil toneladas nos últimos dois anos.

    Foto: Embrapa

    O rendimento médio nacional, que calcula a produção de castanha em quilogramas por hectare, cresceu 30%. Em números absolutos, variou de 271 kg por hectare em 2023 para 358 kg por hectare em 2024.

    Bela Cruz lidera a produção cearense de castanha em 2024, seguido de Beberibe, Ocara, Cascavel e Aracati. Todos os municípios se localizam em áreas litorâneas, as mesmas onde a Embrapa avaliou o BRS 805.

    Programa de melhoramento oferece 14 clones para diferentes necessidades

    O BRS 805 é o décimo quarto clone do Programa de Melhoramento Genético da Embrapa lançado no mercado. Cada clone possui características e destinações diferentes, atendendo demandas de produtores e indústrias, além de especificidades de clima e solo.

    Os clones de cajueiro da Embrapa produzem com ou sem chuvas. Enquanto outras frutíferas necessitam de altas quantidades de água, o cajueiro produz com precipitação anual entre 600 e 800 milímetros. Em anos de elevados déficits hídricos, esses materiais genéticos se mantêm produtivos. O cajueiro também proporciona renda no período oposto ao da quadra invernosa, contribuindo para o desenvolvimento da classe média rural.

    O CCP 76, um dos primeiros clones da Embrapa, é o mais plantado no Nordeste e no Brasil. Devido ao sabor agradável e qualidade do pedúnculo, é o preferido para produção de caju de mesa, com produtividade de 9.600 quilos de pedúnculo por hectare. O desempenho na produção de castanhas varia entre 600 kg (sem tratos culturais) e 1.200 quilos (com tratos culturais) por hectare.

    Materiais genéticos selecionados em regiões extremamente secas do Semiárido suportam bem solos arenosos e ácidos. Entre esses clones destacam-se o BRS 226 e o Embrapa 51, que alcançam entre 1.200 e 2.000 quilos de castanhas por hectare em condições ideais de manejo.

    Tanto o BRS 226 quanto o Embrapa 51 comprovaram resistência hídrica durante a grande seca da última década. Em tempos de urgência climática, essa vantagem é estratégica para a agricultura no Semiárido.

  • Cajueiro-anão revoluciona agricultura do nordeste

    Cajueiro-anão revoluciona agricultura do nordeste

    A tecnologia desenvolvida pela Embrapa Agroindústria Tropical está transformando a realidade da agricultura familiar no Semiárido nordestino. O cajueiro-anão, resistente à escassez hídrica e ao ataque de pragas como a mosca-branca, provou sua eficiência durante a devastadora seca que atingiu o Nordeste entre 2012 e 2017, quando outras culturas foram completamente destruídas.

    Com produtividade superior a 1.000 quilos de castanha por hectare – mais que o dobro da média nacional de 358 kg/ha – essa inovação não apenas garante renda aos produtores, mas também contribui decisivamente para a permanência das famílias no campo.

    Segredo da resistência está na fisiologia única

    O diferencial do cajueiro-anão reside em seus mecanismos fisiológicos únicos. Enquanto a maioria das plantas perde folhas para economizar água durante períodos secos, o cajueiro mantém sua folhagem verde, reduzindo a transpiração sem interromper a fotossíntese – processo vital para sua sobrevivência.

    “Poucas espécies frutíferas conseguem produzir em pleno período seco. O auge da produção do caju acontece no segundo semestre, justamente quando a maioria das plantas da Caatinga está em baixa atividade metabólica”, explica Marlos Bezerra, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical.

    A planta desenvolveu ainda a capacidade de otimizar a absorção de água do solo e aproveitar a umidade da madrugada, característica das noites mais amenas do sertão nordestino.

    13 clones desenvolvidos para máxima produtividade

    O Programa de Melhoramento Genético da Embrapa já lançou 13 clones no mercado, sendo 11 de cajueiro-anão especificamente recomendados para a produção de castanha e pedúnculo. Estes materiais são mais produtivos, resistentes a doenças e perfeitamente adaptados às condições climáticas e de solo do Semiárido.

    O clone CCP 76, mais plantado no Nordeste, é recomendado para cultivo no Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e regiões com características similares. Devido ao sabor excepcional do pedúnculo, tornou-se preferido para produção de caju de mesa, alcançando impressionantes 9.600 quilos de pedúnculo por hectare e 1.200 quilos de castanha.

    Foto: Acervo Embrapa

    Outros destaques incluem o BRS 226, com produtividade de 1.200 kg de castanhas por hectare, e o Embrapa 51, que pode atingir até 1.650 kg/ha em condições ideais de manejo – quase cinco vezes a média nacional.

    Rio Grande do Norte: recomeço após a devastação

    A produtora Najara Melo, que administra 1.400 hectares dedicados à cajucultura, vivenciou na pele os benefícios da tecnologia. A seca do início da década passada e o ataque da mosca-branca destruíram 95% dos cajueiros gigantes de sua propriedade.

    Produtora Najara Melo, do Rio Grande do Norte. Foto: Embrapa

    Em 2016, a família apostou no replantio com clones de cajueiro-anão, adotando práticas adequadas de manejo: podas sistemáticas, nutrição balanceada, controle preventivo de pragas e mecanização. Os resultados surpreenderam: “Conseguimos alcançar 2 mil quilos de castanha por hectare em anos bons”, celebra Najara.

    Piauí: transformação de 165 famílias

    Na região de Picos, 165 famílias de cinco municípios elevaram significativamente sua produtividade graças aos clones da Embrapa. Segundo Jocibel Belchior Bezerra, presidente da Cooperativa Central de Cajucultores do Piauí (Cocajupi), a revolução foi total.

    Jocibel Belchior Bezerra, presidente da Cooperativa Central de Cajucultores do Piauí (Cocajupi) – Foto: Divulgação Cocajupi

    “Antes, com cajueiros gigantes, esperávamos cinco anos para a primeira colheita. Hoje, com dois anos, o pomar já começa a se pagar”, destaca Bezerra. A produção média atual de 500 quilos de castanha por hectare, mesmo considerada pequena para o potencial da cultura, garante rentabilidade pelo aproveitamento integral do pedúnculo.

    Sustentabilidade e mudanças climáticas

    No contexto das mudanças climáticas globais, o cajueiro-anão emerge como solução estratégica. Enquanto outras frutíferas demandam grandes volumes de água, o cajueiro produz satisfatoriamente com precipitação anual entre 600 e 800 milímetros.

    “No Nordeste, desenvolvemos clones para produção em sistema de sequeiro, com alta performance produtiva que pode superar os parâmetros definidos pela pesquisa”, afirma Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical.

    A cultura também contribui para a sustentabilidade ambiental. As árvores reflorestam áreas degradadas, convivem harmoniosamente em consórcio com abelhas (prática adotada em 80% dos pomares), melhoram a polinização e reduzem o uso de defensivos.

    Aproveitamento integral maximiza lucros

    O conceito de uso integral revolucionou a cajucultura brasileira. Diferente do cajueiro comum, que atinge até 20 metros e dificulta o aproveitamento do pedúnculo, o cajueiro-anão permite colheita manual completa.

    Foto: Acervo Embrapa

    Hoje, produtores comercializam:

    • Castanha (produto principal)
    • Pedúnculo como caju de mesa
    • Suco industrial
    • Cajuína e derivados
    • Bagaço do pedúnculo
    • Líquido da Castanha de Caju (LCC)
    • Biomassa das podas

    Pesquisas avançam para produtos de maior valor agregado, incluindo corantes naturais e fibras para a indústria alimentícia.

    Patrimônio genético de mais de 50 anos

    O Banco Ativo de Germoplasma de Cajueiro (BAG Caju), mantido em Pacajus (CE) há mais de cinco décadas, concentra a maior coleção de variabilidade genética da espécie mundial, com mais de 700 acessos.

    “É um seguro para o futuro. Conserva subsídios genéticos que permitem ao Brasil enfrentar pragas, doenças e mudanças ambientais”, explica Ana Cecília de Castro, curadora do BAG.

    A capacidade de adaptação do cajueiro a climas áridos e sua vasta variabilidade genética são aspectos fundamentais para aumentar a resiliência do bioma Caatinga frente às mudanças climáticas.

    Com investimentos em tecnologia e gestão adequada, a cajucultura posiciona-se como alternativa estratégica para a agricultura do Semiárido, unindo sustentabilidade, geração de renda e expansão de mercados para as próximas gerações.

    Sobre a tecnologia:
    • Desenvolvedor: Embrapa Agroindústria Tropical (CE)
    • Produtividade: até 1.650 kg de castanha/hectare (média nacional: 358 kg/hectare)
    • Resistência: seca, pragas e doenças
    • Tempo para produção: 2 anos (cajueiro comum: 5 anos)
    • Aproveitamento: integral (castanha + pedúnculo + subprodutos)
  • Produção de caju garante renda a agricultores familiares no Piauí

    Produção de caju garante renda a agricultores familiares no Piauí

    O Piauí se destaca como o segundo maior produtor de caju do Brasil. A cultura ocupa mais de 50 mil hectares e atinge mais de 100 municípios no estado. A Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) investe forte no fortalecimento da cajucultura para garantir renda aos agricultores familiares. Para isso, a SAF planeja entregar 800 mil mudas de caju até o final de 2025, para plantio e reposição da área.

    José Augusto de Sousa, agricultor familiar em Jaicós, diz que o caju transformou sua vida. Ele planta cajueiros desde 2014 e vende o caju e a castanha em feiras, fábricas e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Segundo ele, o trabalho com o caju é a principal fonte de renda da família. “Com a SAF doando as mudas, conseguimos plantar, colher e vender. Depois que entramos no PAA, nossa renda melhorou bastante”, afirma.

    José Augusto relata melhoria na renda após ser beneficiado com distribuição de mudas de caju pela SAF. Foto: Geirlys Silva / SAF

    O superintendente de Ações de Apoio à Agricultura Familiar da SAF, Clébio Coutinho, explica que a secretaria atua para ampliar a área plantada e gerar emprego e renda. Até 2025, a SAF vai distribuir 1,8 milhão de mudas no estado, sendo 400 mil entregues em 2023 e 2024, e 800 mil previstas para este ano. O programa conta com recursos do governo estadual, federal e emendas parlamentares.

    Viveiros

    Além disso, a SAF vai entregar quatro viveiros de mudas de caju, ligados a jardins clonais, para garantir mudas de qualidade. Dois viveiros estão em fase avançada de conclusão, em Jaicós e Pio XIX. Outros dois serão implantados em Teresina e Eliseu Martins, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

    O projeto inclui capacitação para estudantes e produtores dos territórios Entre Rios e Chapada das Mangabeiras, por meio das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Segundo Clébio, a estratégia visa aumentar a produção de mudas de qualidade não só no semiárido, mas também na região de Picos, berço da cajucultura no Piauí.

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  • Hub Caju – plataforma online sobre cajucultura será lançada hoje

    Hub Caju – plataforma online sobre cajucultura será lançada hoje

    Produtores e técnicos terão acesso a informações valiosas sobre a cajucultura com o lançamento do Hub Caju, uma plataforma virtual que oferece orientações sobre todas as etapas dessa atividade produtiva.

    A nova ferramenta integra a plataforma Ater+ Digital, que reúne conteúdos sobre cadeias produtivas alimentares e temas transversais, visando apoiar os serviços de assistência técnica e extensão rural.

    O Hub Caju será apresentado hoje, 30 de outubro, durante o seminário técnico Caju Conecta. O evento reunirá representantes de diferentes estados produtores em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

    Objetivo da plataforma

    O objetivo do Hub Caju é facilitar o acesso a conhecimentos e orientações técnicas sobre o cultivo e a produção de caju. Os conteúdos foram elaborados com base em pesquisas e com uma linguagem acessível. E abordam recomendações tecnológicas para garantir uma produção de qualidade.

    A plataforma está organizada em menus que abrangem todo o sistema de produção, incluindo plantio, manejo, colheita, pós-colheita e processamento.

    Os usuários poderão obter informações desde a escolha da área e dos clones de cajueiro-anão adequados até o processamento do pedúnculo e da castanha. O Hub Caju apresenta a cajucultura por meio de microtextos, vídeos, áudios, aplicativos, publicações, infográficos e cursos, todos facilmente compartilháveis.

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    Ana Cristina de Carvalho, coordenadora do Hub Caju e pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical, ressalta que a equipe criou a plataforma Ater+ Digital para enfrentar a fragilidade no acesso à assistência técnica no Brasil. “Segundo dados do IBGE, apenas 18% dos agricultores familiares brasileiros têm acesso a esses serviços”, lembra ela. A iniciativa visa aumentar a cobertura desse tipo de assistência e facilitar a interação entre instituições de pesquisa e técnicos.

    Apoio e parcerias

    Aline Teixeira, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria Tropical, acredita que o Hub Caju democratiza o acesso às tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para a cajucultura. “O produtor poderá acessar todo esse conhecimento qualificado pelo smartphone, impulsionando o desenvolvimento do setor”, afirma.

    Teixeira também ressalta a importância da parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) para aproximar técnicos e produtores. “Estamos trabalhando para ampliar a rede de colaboradores qualificados e enriquecer o conteúdo da plataforma”, conclui.

    O lançamento do Hub Caju representa um avanço significativo na disseminação de informações técnicas essenciais para os produtores de caju no Brasil.

  • Vespa: inimiga natural da Broca-das-Pontas do cajueiro

    Vespa: inimiga natural da Broca-das-Pontas do cajueiro

    Uma descoberta da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aponta o uso de vespas parasitoides do gênero Goniozus legneri (Hymenoptera: Bethylidae) como opção biológica para controlar a praga conhecida como broca-das-pontas (Anthistarcha binocularis) do cajueiro.”Essa é uma das piores ameaças à cultura, uma vez que ocorre nos ramos frutíferos, inviabilizando a formação de frutos”, afirma a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical Nívia Dias. O resultado, publicado no estudo “Primeiro registro do parasitoide Goniozus legneri (Hymenoptera: Bethylidae) sobre a broca-das-pontas do cajueiro no Brasil”, abre caminho para o fortalecimento de práticas de controle biológico na cajucultura brasileira, aliando saúde e sustentabilidade aos sistemas de produção. “As pulverizações com produtos químicos podem não atingir a broca-das-pontas, pois, na fase larval, ela fica alojada no interior do ramo floral. A identificação de agentes de controle biológico que possam contornar essa dificuldade é crucial para o desenvolvimento de programas de manejo de pragas da cultura do caju”, explica Nívia Dias.

    Potencial para controle biológico

    Divulgação – Embrapa/Ariane Soares

    Segundo a pesquisadora, as vespas parasitoides são pequenos insetos que desempenham um papel crucial no controle natural de pragas. “Elas recebem essa classificação porque colocam seus ovos dentro do inseto hospedeiro (pragas prejudiciais à agricultura), matando-o. Geralmente, são altamente especializadas, com espécies diferentes para pragas específicas e, por isso, muito eficazes na redução da população de insetos nocivos, sem prejudicar insetos benéficos, animais e o meio ambiente”, afirma.Nívia Dias defende o controle biológico como uma estratégia promissora a ser utilizada no manejo integrado de pragas (MIP) do cajueiro. “Os inimigos naturais são grandes responsáveis pela mortalidade natural em agroecossistemas, favorecendo a manutenção do equilíbrio ambiental”, salienta. A pesquisadora explica que, além da identificação do parasitoide, é preciso investir em pesquisas para conhecer o seu comportamento em condições de laboratório. “Isso nos oferece respostas sobre a taxa de parasitismo e o potencial para controlar a praga”, acrescenta.

    Primeiro registro no Brasil

    Divulgação – Embrapa/Ariane Soares

    Para identificar a espécie de vespa com maior potencial de controle da broca-das-pontas, foram coletadas 93 lagartas em plantas de cajueiro que apresentavam o sintoma clássico do ataque da praga — orifício com excrementos fecais resultante da alimentação das lagartas.”Esse é o primeiro registro dessa espécie de parasitoide no Brasil e, consequentemente, também o primeiro registro de sua associação com a broca-das-pontas na cultura do cajueiro”, comemora Nívia Dias. A pesquisadora reitera a relevância do controle biológico como a técnica mais segura contra pragas e doenças. “Trata-se do método mais sustentável dentro do manejo integrado de pragas. Não apresenta riscos, pois é algo que ocorre de forma natural e específica na interação entre insetos”, observa.