Tag: cafeicultura regenerativa

  • O novo negócio do agro regenerativo: fazendas que viraram point de observação de aves

    O novo negócio do agro regenerativo: fazendas que viraram point de observação de aves

    Áreas ambientais recuperadas em fazendas de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais estão sendo transformadas em destino de turistas e observadores de aves do Brasil e do exterior. A tendência foi discutida em live promovida pela Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura (FERA), em parceria com a Avistar e a Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS).

    Quatro produtores foram reunidos no encontro para mostrar, na prática, como a recuperação ambiental de suas propriedades foi transformada em negócio. Segundo eles, o modelo gera renda extra, cria empregos e valoriza a terra sem substituir a atividade produtiva original.

    Fazenda no Mato Grosso une pecuária, energia solar e turismo

    A Fazenda Anacã, em Alta Floresta (MT), é gerida há 12 anos por Fernão Prado, presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) da cidade, com base no uso múltiplo do território.

    “O turismo é feito pelas áreas de preservação permanente, sem precisar abrir uma porteira além do acesso principal. As trilhas viraram aceiros que ajudam na conservação da área”, explica.

    Uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) também foi criada na propriedade, assim como corredores ecológicos que conectam fragmentos de floresta antes isolados. “Temos pecuária na área aberta, 12 hectares arrendados para energia solar e, nas áreas verdes, o turismo de observação”, detalha Fernão.

    Oito empregos diretos já foram gerados pelo turismo na fazenda, segundo o produtor.

    Lodge no Mato Grosso une pesquisa e observação de vida silvestre

    O Jardim da Amazônia Lodge foi cofundado por Raquel Zanchet, diretora regional da TOVS no Centro-Oeste. A propriedade está situada em uma zona de transição entre Amazônia e Cerrado, o que favorece a diversidade de espécies, segundo ela.

    O empreendimento foi iniciado com o extrativismo de madeira e, depois, direcionado à piscicultura antes de chegar ao turismo. “Os peixes trouxeram mais aves, que atraíram muitos observadores. Foi assim que decidimos abrir um hotel”, conta Raquel.

    Três trilhas de observação do macaco-aranha, do jatobá e da lagoa são oferecidas hoje na propriedade, onde também é mantida uma estação de pesquisas própria.

    Cafeicultura regenerativa em Minas Gerais atrai fauna e visitantes

    O café de montanha é cultivado há 20 anos por Valmor Santos Filho em Bueno Brandão (MG). Desde 2017, a produção é feita em sistema agroflorestal.

    “Com esse trabalho de agricultura regenerativa, começaram a aparecer muitos bichos e pássaros, por causa da diversidade que criamos”, diz.

    A 160 km de São Paulo, produção de café, torrefação, consultoria e turismo sazonal são combinados hoje na propriedade. Colheita e torra são celebradas em turismos específicos, enquanto produtos artesanais locais, como queijo e geleia, também são comercializados.

    Pousada paulista vira destino internacional de observadores de aves
    (Foto: Reprodução/UNB)

    A Pousada da Fazenda, erguida sobre uma antiga fazenda de café do século 19 em Monte Alegre do Sul (SP), foi transformada por Luís Gonzaga Truzzi em point de observação de aves. Beija-flores passaram a ser alimentados na propriedade, e a chegada de espécies diferentes foi notada logo em seguida.

    Fotos foram divulgadas em sites especializados, o que atraiu outros observadores. “Nunca achei que fosse receber gente para fotografar aqui. Hoje vem gente do mundo inteiro: China, Vietnã, Estados Unidos”, conta.

  • Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Uma parceria estratégica entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) promete transformar a cafeicultura brasileira com foco em sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (1º), durante as celebrações do Dia Internacional do Café.

    A iniciativa integra o Programa Construindo Solos Saudáveis e está alinhada ao tema proposto pela Organização Internacional do Café (OIC) para 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O mote reforça a importância da cooperação em toda a cadeia produtiva para garantir sustentabilidade ambiental e prosperidade econômica.

    Culturas de cobertura são chave para regeneração do solo

    O projeto prevê a implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades cafeeiras do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro. Nessas áreas, será testada e difundida a técnica de cultivo de plantas de cobertura nas entrelinhas do café, prática que melhora significativamente a saúde do solo.

    “Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, explica Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé.

    Estudo comprova potencial de sequestro de carbono na cafeicultura

    A técnica já foi validada cientificamente pelo estudo “Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais”, conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) em parceria com o professor Carlos Cerri, da Esalq/USP. A pesquisa integra a agenda de carbono do Cecafé.

    Os resultados impressionam: a manutenção do solo coberto, combinada com outras práticas conservacionistas, resulta em um balanço negativo (sequestro) de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica cultivado ao ano. Os dados demonstram o potencial concreto da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos do aquecimento global.

    “Os resultados desse trabalho são uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, afirma Silvia Pizzol.

    Da teoria à prática: ações no campo começam agora

    A parceria entre Cecafé e Emater-MG viabilizará a transição dos conhecimentos científicos para aplicação prática nas lavouras. A Emater-MG contribui com sua expertise técnica e capilaridade estadual, enquanto os exportadores associados ao Cecafé apoiam a mobilização dos produtores.

    Entre as ações previstas estão dias de campo focados em manejo sustentável, assistência técnica especializada aos cafeicultores, análises detalhadas de solo e biomassa, mobilização de produtores e elaboração de relatórios técnicos baseados nos resultados das Unidades Demonstrativas.

    Mercado e produtores se beneficiam da agricultura regenerativa

    Bernardino Cangussú Guimarães, coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, destaca que a iniciativa responde às demandas crescentes do mercado internacional por produtos sustentáveis.

    “Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa. Que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, comemora o coordenador.

    A colaboração marca um momento importante para o setor cafeeiro brasileiro, unindo esforços para construir uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e ambientalmente responsável. E garantindo a sustentabilidade da atividade para as próximas gerações.

  • Cecafé discute resultados da cafeicultura regenerativa no Brasil

    Cecafé discute resultados da cafeicultura regenerativa no Brasil

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou de uma reunião técnica em Campinas (SP). O encontro integrou as ações do Grupo de Trabalho Brasil (GTB), da Plataforma Global do Café (GCP). Pesquisadores, técnicos e representantes da cadeia do café debateram práticas da agricultura regenerativa. Eles discutiram formas de monitorar os impactos no campo e avaliar os resultados.

    Indicadores de performance

    Durante o encontro, os especialistas analisaram indicadores de performance aplicáveis à cafeicultura regenerativa. Em geral, a proposta abrange quatro áreas principais: água, biodiversidade, solo e ambiente facilitador.

    A diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, Silvia Pizzol, destacou a relevância das contribuições. Segundo ela, a equipe da GCP Brasil vai consolidar as sugestões do grupo. “Os próximos encontros devem buscar o equilíbrio entre inovação e escalabilidade no campo”, afirmou Silvia. Ela ressaltou a importância das práticas regenerativas para a resiliência da cafeicultura brasileira. “Muitas dessas ações já ocorrem nas lavouras e têm alto potencial de expansão”, pontuou.

    Essas técnicas aumentam os serviços ecossistêmicos e reduzem impactos climáticos na produção de café. O Cecafé já comprovou os benefícios em estudos científicos. As pesquisas contaram com coordenação do professor Carlos Cerri, da Esalq/USP, e do Imaflora. Os estudos mediram a adicionalidade de carbono com base em práticas regenerativas.

    Entre as ações observadas estão o uso de matéria orgânica, cobertura vegetal no solo e insumos biológicos. Em resumo, todas favorecem a biodiversidade e reduzem emissões.

    Resultados no campo

    Em Minas Gerais, os resultados indicaram sequestro de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare ao ano. Isso ocorreu com a adoção das práticas sustentáveis no cultivo de café arábica.

    No Espírito Santo, os ganhos foram ainda maiores na cafeicultura de conilon. O balanço de carbono passou de -3,01 para -8,24 tCO₂eq/ha/ano, no comparativo entre manejo convencional e regenerativo.

    Esses dados reforçam o papel da agricultura regenerativa na mitigação climática e sustentabilidade da cadeia do café no Brasil.

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