Tag: cafeicultura mundial

  • Evento une Brasil, EUA, Colômbia e Vietnã para debater rumo do café

    Evento une Brasil, EUA, Colômbia e Vietnã para debater rumo do café

    Representantes do maior mercado consumidor de café do planeta se juntam a líderes de dois dos principais países produtores do grão nos dias 20 e 21 de agosto, em Vitória, no ES. 

    O Vitória Coffee Summit 2026 reunirá autoridades de todo setor cafeeiro do Brasil, Estados Unidos, Colômbia e do Vietnã. O objetivo é debater os rumos da cafeicultura mundial.

    O Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV) organiza o evento, que recebe nesta edição Bill Murray, presidente da National Coffee Association (NCA), entidade que representa a indústria e os importadores de café dos Estados Unidos. Também participam Francisco Gómez, presidente do Conselho da Associação Colombiana de Exportadores de Café (Asoexport), e Nguyen Nam Hai, presidente da Vietnam Coffee-Cocoa Association (VICOFA), principal entidade do setor cafeeiro vietnamita.

    Encontro reúne consumidor e maiores produtores

    Marcus Magalhães, curador técnico do evento e uma das principais referências em inteligência de mercado para o setor, destaca o ineditismo do encontro em território nacional. Pela primeira vez no Brasil, representantes do principal mercado consumidor de café, os EUA, se reúnem com líderes dos três maiores produtores mundiais: Brasil, Colômbia e Vietnã.

    O presidente do CCCV, Fabrício Tristão, lista os temas que vão nortear os painéis do evento. O cenário geopolítico internacional, os efeitos do El Niño e das mudanças climáticas, o andamento da colheita brasileira, a busca por novos mercados internacionais, a sustentabilidade, as boas práticas agrícolas e as transformações nos hábitos de consumo.

    “O café vive um momento de transformação profunda. O mercado internacional mudou, o consumidor mudou e a dinâmica dos negócios também mudou. Hoje, não basta produzir bem. É preciso compreender cenários, antecipar movimentos e construir conexões estratégicas.”

    Executivos de peso confirmam presença

    Magalhães também ressalta a participação de nomes relevantes da indústria, como Tina Cação, diretora de Vendas da JDE Peet’s Brasil. A empresa figura entre as maiores companhias de café do mundo e detém marcas como L’OR, Pilão, Café do Ponto, Caboclo e Pelé.

    Como agência da Organização Internacional do Café (OIC), o CCCV certifica a origem das exportações do Espírito Santo, maior produtor nacional da variedade conilon e estado que também expande o cultivo do café arábico.

    A entidade elabora estatísticas de exportação e de preços praticados no estado, realiza a cotação diária do café e oferece cursos de classificação e degustação. São iniciativas que reforçam a qualificação técnica e o fortalecimento da cadeia produtiva capixaba.

    Serviço

    • Vitória Coffee Summit 2026

    • Datas: 20 e 21 de agosto

    • Local: Cais das Artes, Enseada do Suá, Vitória (ES)

  • Brasil lidera debates da cafeicultura global no 10º Coffee Dinner & Summit

    Brasil lidera debates da cafeicultura global no 10º Coffee Dinner & Summit

    Com público estimado em 2 mil pessoas de 35 países, o 10º Coffee Dinner & Summit reuniu representantes de toda a cadeia produtiva do café na cidade de Campinas (SP), entre os dias 2 e 4 de julho. Promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o evento foi realizado no Royal Palm Hall e discutiu os principais desafios e oportunidades da cafeicultura mundial. 

    No total, 83 painelistas nacionais e internacionais trouxeram reflexões estratégicas sobre temas como comércio global, sustentabilidade, direitos trabalhistas, clima, consumo, geopolítica e gargalos logísticos.

    “Tivemos dedicação e esforço coletivo hercúleos de toda equipe e da organização para que essa fosse, e foi, a maior edição nos 20 anos de história do nosso evento”, afirmou Márcio Ferreira, presidente do Cecafé. “Realizamos um trabalho muito grande e meticuloso para escolher painelistas, palestras técnicas e reservadas, as muitas reuniões de negócios e institucionais, enfim… O Brasil, enquanto maior produtor e exportador e segundo maior consumidor mundial, precisa protagonizar o debate global sobre o setor e o Coffee Dinner & Summit tem esse propósito.”

    Para Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, o evento reforçou o papel do Brasil no centro das discussões globais. Ele destacou o debate sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos, o impacto das novas regulações da União Europeia, como o EUDR, as mudanças climáticas e o novo perfil do consumo mundial de café, cada vez mais influenciado por questões ESG e geopolíticas. 

    “Quando surgem novas regras e desafios climáticos, o setor é afetado de uma mesma forma, como um todo. E o nosso evento proporcionou uma união de todos os segmentos, o que é crucial, pois, unidos, trabalhamos de uma forma muito mais inteligente”, pontuou.

    Logística em alerta

    Um dos principais temas em debate foi o esgotamento da infraestrutura logística brasileira. Segundo Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, o sistema portuário nacional está no limite da capacidade, o que gera prejuízos à cadeia do agronegócio. 

    “O sistema portuário está esgotado, o que afeta o desempenho do setor e cria dificuldades ao comércio exportador brasileiro, principalmente das cargas que demandam contêineres para embarque, como café, algodão, açúcar, carnes, frutas, entre outras, gerando milhões de dólares em prejuízos aos exportadores”, afirmou.

    O Cecafé trouxe ao evento representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, da Autoridade Portuária de Santos (APS), do governo do Espírito Santo, além de empresas privadas como MSC, BTP e JDE. 

    “A defasagem da infraestrutura portuária e os entraves na logística são problemas intrínsecos nossos. Precisamos alinhar o debate entre os entes públicos e privados para buscarmos os melhores caminhos”, completou Heron.

    Trabalho decente e pacto nacional

    A sustentabilidade e o respeito aos critérios ESG também estiveram no centro do evento, com foco especial na promoção do trabalho decente. Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, ressaltou a importância do engajamento da cadeia cafeeira com boas práticas laborais.

    “Tivemos a oportunidade de mostrar, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Embaixada da Alemanha no Brasil e a Associação Alemã de Café, como múltiplas ações, que visam promover o trabalho decente, coexistem no Brasil e como a cafeicultura brasileira está em um nível amadurecido de diálogo social”, disse. 

    Durante o evento, o Cecafé aderiu ao “Pacto pela Adoção de Boas Práticas Trabalhistas e Garantia de Trabalho Decente na Cafeicultura no Brasil”, assinado por Márcio Ferreira e pelo ministro Luiz Marinho.

    Premiações e homenagens

    Durante a cerimônia de encerramento, o Cecafé entregou prêmios às empresas que mais se destacaram no último ano. A OFI foi reconhecida como “Destaque Exportador”, a 3Corações como “Destaque Torrefação”, a Cacique – Louis Dreyfus Company como “Destaque Solúvel” e a Cooxupé com o “Destaque Cooperativismo”, em sintonia com o Ano Internacional das Cooperativas, declarado pela ONU.

    Também foram homenageadas empresas como Grupo Tristão (90 anos) e NKG Stockler (80 anos), além de parceiros institucionais: ApexBrasil (promoção internacional), Embrapa (pesquisa e inovação) e FPA (trabalho político). Os governos do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, assim como o Ministério da Agricultura e Pecuária, também receberam condecorações pelo apoio ao evento.

    Evento Carbono Zero

    Comprometido com práticas sustentáveis, o Cecafé compensou 9,8 toneladas de CO2 emitidas durante os três dias de evento, por meio do plantio de 69 árvores nativas em Áreas de Preservação Permanente na Fazenda do Lobo, produtora de cafés especiais em Três Corações (MG). A neutralização foi reconhecida com o Selo Verde da startup Ecooar Biodiversidade.

    Sucesso mundial

    Vale reforçar que o Coffee Dinner & Summit é um dos principais fóruns globais da cafeicultura, realizado bienalmente. A 10ª edição, com o tema “O futuro do fluxo do comércio: protagonismo e liderança dos cafés do Brasil”, reuniu líderes do setor, representantes governamentais e especialistas para debater os rumos da cafeicultura diante de desafios econômicos, climáticos e regulatórios.

  • Mercado do café se adapta a nova era de exigências ESG

    Mercado do café se adapta a nova era de exigências ESG

    O 10º Coffee Dinner & Summit deu início à programação desta quinta-feira (3) com o painel “CEO’s & Lideranças do Agronegócio Café Global”, reunindo executivos de grandes multinacionais e representantes do setor produtivo para discutir o cenário atual da cafeicultura mundial. O painel foi marcado pelo encontro entre visões internacionais e a perspectiva nacional sobre os rumos do setor.

    Participaram da mesa Carlos Alberto Santana Jr. (EISA e Cecafé), David Neumann (Neumann Gruppe), Nicolas A. Tamari (Sucafina), Teddy Esteve (Volcafé) e Ben Clarkson (Louis Dreyfus Company). 

    Em entrevista ao Agro em Campo, Carlos Alberto Santana Jr., diretor comercial da EISA e conselheiro do Cecafé, avaliou positivamente o painel e destacou os dois grandes produtos gerados por um evento como esse: conexões e conhecimento.

    “Um seminário sempre tem dois produtos: o networking que é fornecido para quem está participando e informação. E, nesse sentido, eu particularmente fiquei muito satisfeito com o primeiro painel. Nós tínhamos nada menos do que um terço do negócio mundial aqui representado, com quatro grandes multinacionais, que trouxeram muita informação positiva”, afirmou.

    Consumo segue em alta

    Segundo Santana, embora os preços tenham caído recentemente no mercado internacional, o painel demonstrou que o consumo segue aquecido.

    “Os preços vêm caindo recentemente e isso dá uma sensação de que exista um problema de consumo. E não foi o que nós sentimos aqui hoje. No mercado, os preços estão altos e isso cria um efeito de grandes exportações. O mundo inteiro vem com exportações muito altas, mas o que nós aprendemos aqui é que o nível de estoque está baixo.”

    Conforme a explicação do conselheiro do Cecafé, se o estoque do mercado comprador está baixo mesmo diante das grandes exportações feitas pelo mercado produtor, o sinal é de que o consumo está alto. 

    Sustentabilidade e desafios regulatórios

    Durante o painel, os executivos também discutiram os impactos das novas regulamentações internacionais, especialmente as exigências da União Europeia em relação à rastreabilidade e às práticas ESG. Santana destacou que o Brasil está pronto para responder a esses desafios.

    “O Brasil está extremamente bem preparado. Eu diria que o mérito é do próprio rural, que vem fazendo a lição de casa. Entretanto, nós abordamos um pouco disso aqui. O que faz do nosso negócio ser tão interessante é um pouco essa questão de multicultura. Essa questão do blend, o que trouxe esse mercado ser do tamanho do que é hoje, muito provavelmente é a possibilidade de você ter cafés sendo produzidos nas montanhas da América Central, da África, da Ásia e, obviamente, o Brasil vai continuar um líder do setor produtivo do café.”

    Ele também pontuou que o país tem responsabilidade global ao compartilhar boas práticas com outras regiões produtoras. 

    “Entretanto, de alguma maneira nós também temos um pouco de responsabilidade de dividir boas práticas agrícolas que nós temos aqui com os produtores, por exemplo, na África, onde nós temos um dos grandes problemas mundiais que é a migração forçada.”

    Brasil se consolida como protagonista no mercado

    Na entrevista ao Portal Agro em Campo, Carlos Alberto Santana Jr. reforçou ainda que o Brasil continua sendo o principal protagonista da cadeia global do café, unindo produtividade, qualidade e responsabilidade ambiental.

    “Nós somos o segundo maior consumidor do mundo e o principal exportador do mundo. Nós precisamos valorizar muito o principal protagonista da cadeia, que é o produtor rural. Ele vem fazendo a lição e em investimentos constantes, com muito destaque no ganho de produtividade. E isso torna o Brasil um player diferente no mercado mundial, com muita competitividade.”

    Para ele, a jornada brasileira deve seguir unindo responsabilidade com educação do consumidor. 

    “Obviamente, nós precisamos seguir produzindo com responsabilidade. E isso, de alguma maneira, também focar na qualidade. Ninguém gosta de consumir algo ruim. Então essa jornada de educação do consumidor, do que é o bom café, precisamos seguir com ela.”

    O conselheiro do Cecafé defendeu ainda que os preços se equilibrem de forma justa ao longo da cadeia. 

    “Obviamente, os preços precisam encontrar um equilíbrio que seja sustentável também para o consumidor. Precisa remunerar o produtor, a cadeia toda, mas que seja também sustentável para os consumidores.”