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  • Cafeicultura em Rondônia cresce 543% em produtividade

    Cafeicultura em Rondônia cresce 543% em produtividade

    A Embrapa divulgou estudo que mapeia o crescimento acelerado da cafeicultura nas Matas de Rondônia e apresenta números que desafiam o modelo tradicional de expansão agrícola. A produtividade nos cafezais da região saltou de 7,8 para 50,2 sacas por hectare entre 2001 e 2023, enquanto a área cultivada encolheu de 245 mil para apenas 60,6 mil hectares no mesmo período.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    O levantamento “Perfil socioeconômico e produtivo dos cafeicultores da região das Matas de Rondônia” abrangeu 15 municípios que respondem por 75% da produção estadual de café robusta. Esses municípios obtiveram, em 2021, o registro de Indicação Geográfica do tipo denominação de origem para o grão produzido na região.

    Pequenos produtores lideram crescimento com alta rentabilidade

    Mais de sete mil produtores cultivam café em propriedades com média de 28,6 hectares, onde os cafezais ocupam cerca de 3,4 hectares. A rentabilidade do negócio surpreende: cada saca de 60kg custa R$ 618 para produzir e os produtores vendem por aproximadamente R$ 1.300.

    “Uma margem que tem ajudado a melhorar a vida de muitos produtores”, afirma Calixto Rosa Neto, analista da Embrapa Rondônia e autor do estudo. O impacto financeiro positivo reflete-se na redução da idade média dos cafeicultores, que caiu de 53 para 47 anos em 15 anos, demonstrando que jovens permanecem no campo.

    A pesquisa utilizou questionários aplicados com apoio do Sebrae-RO, além de dados do IBGE, Conab e informações coletadas por satélite. O trabalho integra o projeto CarbCafé, coordenado pela Embrapa Territorial (SP).

    Café representa 63% do PIB agrícola regional

    O Valor Bruto da Produção (VBP) do café representa, em média, 63,6% do VBP agrícola total nos 15 municípios das Matas de Rondônia. Os números evidenciam a importância da cafeicultura no desenvolvimento socioeconômico local.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    “Um ponto positivo encontrado foi o tempo de espera para comercializar a safra. A grande maioria espera por melhores preços. Isso reflete uma certa maturidade econômica dos cafeicultores”, explica o pesquisador Enrique Alves, coautor do documento.

    Mecanização e inovação transformam colheita

    Os produtores já utilizam mais de 200 máquinas colhedoras nos cafezais. A demanda crescente fez surgir empresas de aluguel de colhedoras de café semi-mecanizadas, serviço inexistente na região há poucos anos.

    “Esse é um dos sinais de que a cadeia produtiva está crescendo e se consolidando”, aponta Rosa Neto. Além da mecanização, os cafeicultores adotam fertirrigação, manejo específico de solos e plantas, adubação correta e podas nos períodos recomendados.

    A revolução tecnológica começou há mais de dez anos com o plantio de cafeeiros clonais desenvolvidos especialmente para a região, híbridos de robusta e conilon conhecidos como Robustas Amazônicos.

    Internet chega a 97,7% das propriedades rurais

    O salto na conectividade impressiona: em 2017, o Censo Agropecuário do IBGE registrou apenas 9,2% de propriedades conectadas nos 15 municípios. Sete anos depois, 97,7% dos produtores entrevistados têm acesso à internet.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    “A falta de conectividade afeta a administração da lavoura e é um dos motivos que provoca a evasão de jovens do campo. Por isso, esse alto índice de acesso à internet é uma excelente notícia”, revela Rosa Neto. Os produtores usam a tecnologia principalmente para comprar insumos, comunicação e comercialização da produção.

    Falta de mão de obra temporária preocupa setor

    A escassez de trabalhadores temporários representa um dos principais gargalos. Os cafezais demandam grande número de empregados durante os três meses de colheita, período em que cada vez menos pessoas aceitam trabalhar, independentemente da remuneração oferecida.

    “A mecanização pode ajudar a resolver parte do problema, ela substitui até cerca de 50% da mão-de-obra, mas ainda haverá um efetivo considerável a ser suprido”, prevê Rosa Neto. Desde 2011, a cafeicultura regional perdeu aproximadamente 20 mil trabalhadores.

    Setor precisa desenvolver colhedoras específicas para Robustas

    Os Robustas Amazônicos necessitam de máquinas colhedoras próprias. Enquanto plantas arábicas possuem um único caule, os robustas têm vários caules, impedindo que as duas espécies compartilhem o mesmo equipamento de colheita.

    Gestão financeira ainda é informal

    Dos produtores entrevistados, 61% declararam não fazer registro financeiro algum. Apenas 6,6% usam planilha eletrônica para organizar as finanças e 35% anotam receitas e despesas em cadernos.

    O custo médio de produção informado pelos produtores foi de R$ 17,8 mil por hectare. No entanto, a maioria não inclui nesse valor a mão-de-obra familiar, depreciação de equipamentos e custo da terra.

    “É comum contratar empregados temporários com almoço incluso. No entanto, o custo dos alimentos e a hora da cozinheira não entram na conta”, exemplifica Rosa Neto.

    Mudanças climáticas ampliam período de irrigação

    As alterações climáticas já obrigam produtores a adaptar práticas agrícolas. Os períodos de seca aumentaram significativamente, estendendo a necessidade de irrigação de três para cinco meses.

    Foto: Enrique Alves /Embrapa

    “Isso significa aumento no custo de produção, especialmente em energia elétrica, e, o mais preocupante, necessidade de maior suprimento de água”, alerta Rosa Neto. O analista cita produtores do noroeste do Mato Grosso que não conseguiram irrigar porque os rios secaram.

    Cafezais sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem

    Estudo publicado pela Embrapa em 2024 comprovou que os cafezais das Matas de Rondônia sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem. A cafeicultura regional contribui significativamente para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

    Entre 2020 e 2023, sete dos 15 municípios da região das Matas de Rondônia alcançaram desmatamento zero. Na região inteira, a pesquisa encontrou traços de retirada de áreas florestais em menos de 1% da área total ocupada pela cafeicultura.

    Mais da metade dos territórios dos 15 municípios somados mantém cobertura florestal, totalizando 2,2 milhões de hectares com vegetação nativa. As terras indígenas preservam 56% dessa floresta, ou 1,2 milhão de hectares.

    “Esse café está se consolidando como produto de alta qualidade, que promove o desenvolvimento social em pequenas propriedades e comunidades tradicionais e que ainda ajuda a manter a floresta Amazônica”, declara Enrique Alves.

    O pesquisador destaca que o café, apesar de estar entre as três principais culturas agronômicas do estado, ocupa apenas 0,8% da área das Matas de Rondônia, região que responde por 75% da produção estadual.

  • Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Uma parceria estratégica entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) promete transformar a cafeicultura brasileira com foco em sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (1º), durante as celebrações do Dia Internacional do Café.

    A iniciativa integra o Programa Construindo Solos Saudáveis e está alinhada ao tema proposto pela Organização Internacional do Café (OIC) para 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O mote reforça a importância da cooperação em toda a cadeia produtiva para garantir sustentabilidade ambiental e prosperidade econômica.

    Culturas de cobertura são chave para regeneração do solo

    O projeto prevê a implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades cafeeiras do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro. Nessas áreas, será testada e difundida a técnica de cultivo de plantas de cobertura nas entrelinhas do café, prática que melhora significativamente a saúde do solo.

    “Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, explica Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé.

    Estudo comprova potencial de sequestro de carbono na cafeicultura

    A técnica já foi validada cientificamente pelo estudo “Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais”, conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) em parceria com o professor Carlos Cerri, da Esalq/USP. A pesquisa integra a agenda de carbono do Cecafé.

    Os resultados impressionam: a manutenção do solo coberto, combinada com outras práticas conservacionistas, resulta em um balanço negativo (sequestro) de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica cultivado ao ano. Os dados demonstram o potencial concreto da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos do aquecimento global.

    “Os resultados desse trabalho são uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, afirma Silvia Pizzol.

    Da teoria à prática: ações no campo começam agora

    A parceria entre Cecafé e Emater-MG viabilizará a transição dos conhecimentos científicos para aplicação prática nas lavouras. A Emater-MG contribui com sua expertise técnica e capilaridade estadual, enquanto os exportadores associados ao Cecafé apoiam a mobilização dos produtores.

    Entre as ações previstas estão dias de campo focados em manejo sustentável, assistência técnica especializada aos cafeicultores, análises detalhadas de solo e biomassa, mobilização de produtores e elaboração de relatórios técnicos baseados nos resultados das Unidades Demonstrativas.

    Mercado e produtores se beneficiam da agricultura regenerativa

    Bernardino Cangussú Guimarães, coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, destaca que a iniciativa responde às demandas crescentes do mercado internacional por produtos sustentáveis.

    “Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa. Que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, comemora o coordenador.

    A colaboração marca um momento importante para o setor cafeeiro brasileiro, unindo esforços para construir uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e ambientalmente responsável. E garantindo a sustentabilidade da atividade para as próximas gerações.

  • São Paulo Coffee Festival: Cafés da Região Vulcânica são destaque na feira

    São Paulo Coffee Festival: Cafés da Região Vulcânica são destaque na feira

    A Região Vulcânica, formada por uma caldeira extinta há cerca de 80 milhões de anos, continua surpreendendo o mercado de cafés especiais. Durante o São Paulo Coffee Festival 2025, um dos destaques foi a Loja Vulcânica, empório digital que atua como ponte entre o consumidor e os pequenos produtores da região. Fundada em 2022, a marca aposta na curadoria de cafés arábica produzidos exclusivamente em altitude, com foco na sustentabilidade e no desenvolvimento territorial.

    A seguir, Filipe Ferreira Figueiredo, proprietário da Loja Vulcânica, da cidade de Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais, fala sobre a importância da feira, os diferenciais do terroir e os princípios que norteiam o trabalho da marca.

    Como a Região Vulcânica influencia na qualidade do café?

    É uma região com solo diferenciado por causa da atividade vulcânica de milhões de anos atrás. Esses minerais no solo e a altitude criaram um microclima muito especial, ideal para o cultivo do café arábica. Esse terroir é o que dá identidade única aos cafés da região.

    Quantos municípios fazem parte dessa indicação geográfica?

    São 12 municípios no total, divididos entre o sul de Minas Gerais e o nordeste paulista. É uma área que vem sendo estruturada como uma indicação geográfica, com uma identidade própria e protegida.

    O que a Loja Vulcânica trouxe para o festival este ano?

    Trouxemos duas linhas principais: cafés prontos, direto dos produtores, já embalados, e também a nossa linha própria, feita com curadoria de grãos crus. Nesse caso, nós mesmos fazemos a torra e garantimos a qualidade final.

    Qual o papel da loja nesse ecossistema?

    A Loja Vulcânica é um empório online que nasceu da paixão pelos produtos regionais. Atuamos conectando consumidores a pequenos produtores com responsabilidade, inclusão social e sustentabilidade.

    Há foco em algum tipo específico de café?

    Sim. Por conta da altitude da região, lá só se produz café arábica. É uma produção exclusiva, que garante sabores mais refinados e complexos.

    Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    Quais os valores que a marca defende?

    Sustentabilidade, transparência, inovação, inclusão e cooperativismo. A gente quer ir além da venda de café – buscamos valorizar o trabalho artesanal e a tradição da cafeicultura passada de geração em geração.

    A feira tem sido importante para a marca?

    Sem dúvida. A gente participa ano após ano e tem conquistado espaço. É uma grande oportunidade para mostrar o valor da Região Vulcânica e fortalecer a identidade dessa origem.

    Como vocês veem o futuro da Região Vulcânica?

    Estamos construindo um futuro sustentável para a cafeicultura local. Queremos criar novas oportunidades com ética, inovação e respeito ao meio ambiente. O objetivo é tornar a região cada vez mais reconhecida pela excelência dos seus cafés.

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