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  • China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    China aposta em cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro

    O café especial produzido por mulheres brasileiras vai ganhar espaço no mercado premium da China. A cooperativa Expocacer firmou um acordo com a empresária chinesa Jian Xueya, conhecida no Brasil como “Dona Jane”, fundadora da marca Lady Coffees, para exportar lotes exclusivos de cafés cultivados por produtoras associadas.

    A iniciativa busca fortalecer a presença do café brasileiro no mercado asiático e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho feminino na cafeicultura nacional. Cada embalagem comercializada na China levará o nome da produtora responsável pelo lote, aproximando os consumidores da origem do produto.

    Cafés especiais terão identidade das produtoras

    Segundo a empresária Jian Xueya, a proposta é destacar a história de cada mulher que participa da produção dos cafés especiais brasileiros.

    Além da venda ao consumidor final, parte dos lotes será distribuída para cafeterias chinesas por meio de um parceiro local especializado em torrefação, ampliando a presença dos cafés brasileiros no segmento de alto valor agregado.

    Quatro produtoras participam da primeira exportação

    Os primeiros embarques incluem cafés produzidos por quatro cooperadas da Expocacer:

    • Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio;
    • Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal;
    • Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara;
    • Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

    Os lotes foram selecionados para atender a um pedido específico da importadora chinesa, que buscava cafés delicados e com diferentes perfis sensoriais para atender públicos distintos no país.

    De acordo com Sandra Moraes, gerente de Cafés Especiais da Expocacer, a diversidade de sabores e aromas foi um dos fatores decisivos para a escolha dos produtos.

    Consumo de café cresce na China

    Embora o consumo per capita ainda seja inferior ao registrado em mercados tradicionais, a demanda por cafés especiais cresce rapidamente na China, impulsionada principalmente pelos consumidores mais jovens e pela busca por bebidas de maior qualidade.

    Para Sandra Moraes, esse movimento representa uma oportunidade importante para ampliar a presença do café brasileiro no país asiático.

    Segundo ela, a valorização de produtos premium abre espaço para que os cafés especiais brasileiros conquistem novos consumidores e fortaleçam sua participação em um dos mercados mais promissores do mundo.

    Estratégia aposta no segmento premium

    Jian Xueya afirma que a estratégia da Lady Coffees é posicionar o café brasileiro em um nicho premium, acompanhando a mudança no perfil de consumo dos chineses.

    Historicamente, o mercado local esteve concentrado em bebidas com leite e preparações adoçadas. No entanto, cidades como Xangai vêm registrando aumento do interesse por cafés puros e de maior qualidade.

    Segundo a empresária, o objetivo é oferecer um produto diferenciado, focado em excelência, mesmo com preço mais elevado.

    Programa fortalece protagonismo feminino

    O interesse pelos cafés produzidos por mulheres surgiu em 2022, durante uma visita da empresária à Expocacer, quando conheceu o programa Elas no Café.

    A iniciativa reúne atualmente 140 produtoras, que representam cerca de 20% do quadro de associados da cooperativa. Juntas, elas produzem aproximadamente 534 mil sacas de café em uma área de 13,4 mil hectares.

    O programa busca ampliar a participação feminina na cafeicultura, incentivar a produção de cafés especiais e agregar valor à origem dos grãos.

    China ganha importância para o café brasileiro

    A China vem ampliando sua participação entre os principais compradores do café brasileiro.

    Segundo dados do Cecafé, o país importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos em 2025, volume equivalente a 2,8% das exportações brasileiras do produto. Com esse desempenho, o mercado chinês passou a ocupar a décima posição entre os principais destinos do café nacional.

    O novo acordo firmado pela Expocacer reforça essa tendência e evidencia o potencial dos cafés especiais produzidos por mulheres brasileiras para conquistar espaço em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

  • Café em sachê: a nova forma de consumir café que atrai o público jovem

    Café em sachê: a nova forma de consumir café que atrai o público jovem

    A Cafellow nasceu na internet, cresceu no digital e, na última quarta-feira, decidiu sair da tela. A marca levou o Fellow Criativo, seu café especial em sachê, para duas das ruas mais movimentadas de São Paulo: a Faria Lima e a Rua dos Pinheiros. A ação marcou o retorno do produto ao mercado, com degustação gratuita e uma experiência interativa para quem passava por ali.

    A estratégia pode parecer contraditória para uma marca que se define como nativa digital. Mas foi exatamente essa tensão que a Cafellow quis explorar.

    “Como somos uma marca nativa digital, pensamos em uma experiência offline que permitisse que o maior número possível de pessoas tivesse contato com o produto. Foi uma forma de inovar na maneira de apresentar o café e criar uma conexão real com o público.”

    Quem falou foi Paula Veloso, fundadora e CEO da Cafellow. Ela estava lá, acompanhando cada copo servido e cada reação de quem parava para experimentar.

    Ação marcou o retorno do café especial em sachê e atraiu até consumidores que já conheciam o produto.

    O dado que mais chamou atenção no dia

    Entre os que pararam e provaram, um comportamento se repetiu ao longo do dia: quem já conhecia o Fellow Criativo voltou. Não chegou por acaso. Foi até a ação de propósito, para experimentar de novo.

    “O mais interessante foi ver que muitas pessoas que já conheciam o produto fizeram questão de ir até a ação para experimentar novamente, e todas comentavam que o café está ainda melhor do que lembravam.”

    Esse tipo de comportamento importa. Em lançamentos e relançamentos, o desafio maior quase sempre não é conquistar novos consumidores, mas reconquistar quem já experimentou e seguiu em frente. O fato de clientes antigos terem buscado ativamente a degustação sugere que a reformulação do produto criou uma razão concreta para voltar.

    O que é, afinal, um café em sachê?

    A Cafellow se apresenta como pioneira no Brasil na criação de café especial em sachê. O formato funciona por infusão: ao adicionar água quente, o sachê desempenha o mesmo papel do filtro no coador tradicional. O resultado é um café coado, sem bagunça e sem equipamento extra.

    O material dos sachês é feito de fontes vegetais!

    A proposta resolve um problema real de parte do público urbano: o café de qualidade costuma exigir tempo, equipamento e paciência. O sachê elimina a fricção sem abrir mão do grão especial. É o mesmo princípio que tornou o saquinho de chá universal, aplicado a uma cultura que no Brasil é muito mais profunda e exigente.

    Praticidade, sustentabilidade e uma geração que quer as duas coisas

    O posicionamento da marca mira consumidores que cresceram acostumados a exigir conveniência, mas que também passaram a questionar o impacto do que consomem. A Cafellow aposta em praticidade e sustentabilidade como parte da mesma proposta, sem tratar os dois como valores em conflito.

    Conectar a tradição cafeeira brasileira a uma linguagem contemporânea é, de certa forma, a tarefa mais difícil nesse caminho. O Brasil tem uma relação histórica e afetiva com o café coado na hora, no coador de pano, no filtro de papel. Chegar com um sachê e dizer que o resultado é equivalente exige prova. Foi exatamente isso que a ação de rua foi buscar.

    Por que ir para a rua funciona quando o produto precisa ser provado

    Nenhuma campanha digital substitui a experiência sensorial de provar um café. O cheiro, a temperatura, o corpo na boca: esses elementos não cabem em um stories, por melhor que seja o conteúdo. A Cafellow parece ter entendido isso e usou o retorno do Fellow Criativo como oportunidade para colocar o produto em evidência da forma mais direta possível.

    A recepção positiva ao longo do dia e o comportamento dos consumidores que voltaram especificamente para provar de novo indicam que a aposta fez sentido.

  • Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Se alguém te dissesse que um quilo de café feito a partir de fezes de pássaro custa R$ 1.530, você provavelmente acharia que é exagero ou pegadinha. Porém, esse é o preço real do Jacu Bird Coffee, o café exótico produzido na Fazenda Camocim, nas montanhas do Espírito Santo, a partir de grãos catados manualmente do cocô da ave jacu. O pacote de 250 gramas sai por R$ 382 e encontra comprador dentro e fora do país.

    Há quase vinte anos, a presença do jacu na lavoura acendeu o sinal de alerta. A ave, que pode chegar a 85 centímetros de comprimento e vive de frutos, começou a atacar os cafezais da fazenda. O dono, Henrique Sloper, lembra que o primeiro impulso foi tratar o animal como praga. “Vimos uns 30 jacus comendo café e nos preocupamos em chamar Ibama, chamar todo mundo. ‘O que a gente faz?’ Não tem o que fazer, pensamos em tentar aproveitar isso de alguma maneira”, contou.

    O problema que virou solução

    A “virada de chave” veio em 2008, quando a fazenda decidiu se inspirar no Kopi Luwak, o famoso café da Indonésia produzido a partir das fezes de civetas, pequenos mamíferos. A partir dali, o que era sinal de prejuízo começou a ser tratado como oportunidade, com direito a certificação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e status de produto orgânico e biodinâmico.

    O processo é totalmente manual. O jacu come o café maduro e, cerca de 40 minutos depois, elimina os grãos praticamente inteiros, em blocos que lembram um pé de moleque. Funcionários da fazenda percorrem a área recolhendo os resíduos a mão, separam os grãos e levam para secagem. Depois da estufa, o café passa por uma câmara fria, onde fica até um mês a temperaturas de até 25 graus negativos. Na sequência, vem a seleção por tamanho, cor e qualidade, para só então seguir para torra, moagem e preparo.

    O resultado é um café com baixo teor de cafeína, porque a ave consome cerca de 70% da substância durante a digestão. É justamente esse processo incomum, somado ao trabalho intensivo, que ajuda a explicar o preço salgado. “É um processo caro de fazer, não existe máquina de processar resíduos de pássaros”, resume Sloper.

    Quanto vale o exótico na xícara?

    Quando você compara o valor do Jacu Bird Coffee com o mercado tradicional, a diferença assusta. Uma saca de 60 quilos de café arábica comum hoje gira entre R$ 1.700 e R$ 1.900, dependendo da região. Nos cafés especiais, mesmo os mais premiados do país, o número continua bem abaixo do que o jacu entrega.

    Em dezembro, um leilão da BSCA com 30 lotes vencedores do Cup of Excellence Brazil 2025 arrecadou cerca de R$ 1,79 milhão, o que equivale a aproximadamente R$ 15 mil por saca de 60 quilos, ou R$ 250 o quilo. Na prática, o quilo do café de fezes de jacu custa cerca de seis vezes mais do que alguns dos melhores cafés especiais brasileiros. E, se você olhar para fora, a discrepância aumenta: na Inglaterra, o mesmo café chega a ser vendido pelo equivalente a R$ 9 mil o quilo.

    Apesar de ocupar um nicho minúsculo dentro da produção da Camocim, o impacto financeiro é relevante. Em cada safra, saem da fazenda cerca de três toneladas do café do jacu, dentro de um total de 230 toneladas de café produzidas. O suficiente para abastecer mercados exigentes como Japão, França e Inglaterra, além de um público brasileiro disposto a pagar caro pela experiência.

    O jacu como “funcionário” da agricultura regenerativa

    Para além do lado exótico, o jacu virou peça de comunicação da fazenda sobre práticas de agricultura regenerativa. Sloper costuma dizer que o animal cumpre três funções na propriedade: funciona como alarme de colheita, selecionador e replantador. Se o jacu está comendo, é porque o café está no ponto. Ao escolher os melhores frutos, ele faz uma pré-seleção natural. E, ao voar e defecar pela mata, ajuda a espalhar sementes e nutrientes.

    O produtor, no entanto, não pretende colocar o café do jacu em competições ou provas com pontuações tradicionais, como acontece com outros especiais acima de 80 pontos. “O custo de produção é altíssimo. Não faz sentido botar em competição, e não faz sentido dar nota, porque é exótico. Da mesma forma que não faz sentido eu fazer muita conta [sobre os custos], porque se eu fizer, [possivelmente] eu não faria isso”, afirma. Para ele, o produto serve também como vitrine de um sistema de manejo em área de regeneração, onde a presença da ave deixa de ser problema e passa a compor a lógica do negócio.

    O que isso acende de alerta para o agronegócio?

    Ainda que o Jacu Bird Coffee seja um caso extremo, ele joga luz em tendências que interessam ao produtor rural que está atento ao mercado. De um lado, mostra como nichos ultrasegmentados, baseados em narrativa forte e diferenciação sensorial, conseguem multiplicar o valor por quilo em relação ao café comum. De outro, escancara como o consumidor global está disposto a pagar caro por histórias de origem, biodiversidade e produção alinhada à agricultura regenerativa.

    Para quem vive do agro, o recado é direto: inovação não está só na máquina nova ou na variedade mais produtiva. Às vezes, começa em algo que parece problema, como um bando de jacus atacando o café, e termina em um produto que custa seis vezes mais que os grãos campeões do país.

  • Arábica ou Robusta? Entenda a diferença entre os tipos de café e como escolher o melhor grão

    Arábica ou Robusta? Entenda a diferença entre os tipos de café e como escolher o melhor grão

    O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por cerca de 33,3% de toda a produção global. Só no primeiro quadrimestre de 2026, o país enviou ao exterior 13,81 milhões de sacas, gerando uma receita de US$ 5,23 bilhões, segundo o Observatório do Café. Apesar disso, grande parte dos brasileiros desconhece o básico sobre o produto que está entre as bebidas mais consumidas no país, ficando atrás apenas da água.

    É nesse contexto que o Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, ganha relevância. A data serve como convite para entender o que há dentro da xícara.

    Arábica x Canéfora/Robusta: qual a diferença?

    O ponto de partida para quem quer entender o universo do café é conhecer as duas espécies mais comuns: o Arábica e o Canéfora, também chamado de Robusta ou Conilon. A explicação é de Joshua Stevens, co-fundador e coffee hunter do Café Cultura.

    O Arábica é a espécie mais cultivada no mundo e se destaca pelo perfil sensorial mais complexo. Isso se deve ao seu cultivo em altitudes superiores a 800 metros, onde a temperatura mais baixa, a maior umidade e a menor incidência de luz direta fazem com que os grãos amadureçam lentamente. O que resulta em sabores mais elaborados, com notas que vão do frutado ao floral, além de acidez equilibrada e doçura natural.

    Já o Canéfora/Robusta cresce em altitudes inferiores a 600 metros e apresenta características distintas: menos açúcar, corpo mais intenso e praticamente o dobro de cafeína em relação ao Arábica. Por essas razões, é amplamente utilizado na produção de cafés solúveis e em blends de espresso.

    Joshua Stevens apresenta os principais aspectos de cada tipo. Foto: Divulgação.

    “O Arábica é um café com perfil de sabor mais delicado, muito utilizado em cafeterias especiais. Já o Robusta tende a ser mais forte e amargo, e é mais encontrado em cafés solúveis ou blends para espresso”, explica Stevens.

    Café tradicional x café especial: o que muda na prática?

    Os chamados cafés tradicionais, aqueles vendidos em supermercados em pacotes de 250g ou 500g, são misturas de diferentes tipos de grãos, que podem incluir tanto Arábica quanto Canéfora/Robusta, ou uma combinação dos dois. O problema, segundo o especialista, está na qualidade do que vai para o pacote.

    “Esses produtos podem conter grãos verdes, defeituosos e outras impurezas. A torra excessiva e a moagem muito fina são estratégias usadas para mascarar esses defeitos. É por isso que não se encontra café tradicional em grãos no supermercado”, aponta Stevens.

    Os cafés especiais seguem um caminho oposto. Para receber essa classificação, os grãos precisam atingir pontuação acima de 80 pontos em uma escala sensorial de até 100, avaliada por especialistas certificados. O resultado é uma bebida com sabores limpos, doçura natural e aroma marcante e com origem rastreável.

    Por onde começar no mundo dos cafés especiais?

    Para quem está dando os primeiros passos, a recomendação de Stevens é começar com um café de torra média. “Se você está acostumado com o café tradicional, que é mais amargo, comece com um especial de torra média, que apresenta notas achocolatadas e corpo mais denso. Aos poucos, vá explorando diferentes origens e métodos de preparo, como o coado, a prensa francesa ou o espresso”, sugere.

    Para difundir essa cultura, o especialista tem realizado workshops sobre tipos de café em lojas do Café Cultura, com a primeira edição realizada na unidade flagship da rede, no bairro de Moema, em São Paulo.

  • Cafés especiais: empresas brasileiras chegam à final do Sustainability Awards da SCA

    Cafés especiais: empresas brasileiras chegam à final do Sustainability Awards da SCA

    Duas empresas brasileiras do setor de cafés especiais chegaram à fase final do Sustainability Awards 2026. O prêmio é promovido pela Specialty Coffee Association (SCA). E busca reconhecer organizações inovadoras com impacto positivo em toda a cadeia produtiva do café. A Fazenda Califórnia, de Jacarezinho (PR), e a SMC Specialty Coffees, divisão de cafés especiais da Cooxupé, de Guaxupé (MG), ambas associadas à Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), concorrem na categoria “For-Profit”.

    A SCA destaca que os finalistas não apenas enfrentam os grandes desafios da indústria, mas também colaboram além de fronteiras geográficas, culturas e funções dentro da cadeia do café, compartilhando aprendizados em benefício de todo o setor.

    Quem mais disputa o prêmio

    Na categoria “For-Profit”, as brasileiras concorrem com outras cinco organizações: Amavida Coffee & Trading Company, Coffee Circle, Paramount Coffee, Collab Coffee – Co-Roasting® e Mai Shayi Coffee Roasters Ltd.

    Na categoria “Non-Profit”, os finalistas são: Smithsonian Bird Friendly, TechnoServe, Slow Food Coffee Coalition, The Coffee Coalition for Racial Equity, Bean Voyage e Jamaican F&B Training Center – USAID.

    Como funciona a avaliação

    O processo ocorre em duas etapas. Na primeira, já concluída, uma equipe da SCA analisa todas as inscrições que atendem aos critérios do prêmio e seleciona os finalistas. Agora, um corpo de jurados formado por vencedores anteriores do Sustainability Awards avalia os finalistas e define os campeões.

    O anúncio dos vencedores acontece nas próximas semanas. A cerimônia de premiação ocorre em abril, durante a World of Coffee San Diego, nos Estados Unidos.

  • Conheça quem produz o melhor café de São Paulo

    Conheça quem produz o melhor café de São Paulo

    Ozico Pereira, 72 anos, e Pedrina Pereira, 70, agricultores de Barra do Turvo, interior de São Paulo, escreveram um novo capítulo na história da cafeicultura paulista. O casal, que trabalha junto há 50 anos, conquistou 91,10 pontos no 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, na categoria cereja descascado. Essa é a maior nota já registrada em todas as edições da competição.

    Foto: Gilberto Marques/SAA

    O recorde anterior pertencia a um produtor que alcançou 90,3 pontos em 2022. A pontuação do casal de Barra do Turvo ultrapassou todas as classificações tradicionais do setor.

    “O café gourmet varia de 80 a 85 pontos, enquanto o especial alcança de 85 a 90 pontos. Até então, não existia uma nota acima disso. De quatro anos para cá, os cafés que atingem acima desta pontuação recebem a classificação de extraordinário”, explica Rogério Sakai, especialista agropecuário da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

    Simplicidade e sistema agroflorestal garantem qualidade excepcional

    Pedrina Pereira, que cresceu na agricultura familiar e aprendeu o cultivo de café com o pai, atribui o sucesso à simplicidade do manejo. “Plantei as mudas de café, usei a roçadeira para roçar e realizei apenas duas capinadas. Não precisei de adubo, não precisei de nada”, conta a produtora.

    O casal cultiva aproximadamente 4 mil pés de café em uma área de 6 mil metros quadrados. A safra vencedora cresce há cinco anos em um sistema agroflorestal, que combina o cultivo de café com outras espécies vegetais.

    “Sofremos muito para chegar até aqui, mas agora colhemos os frutos. Ficamos muito felizes pela conquista deste prêmio”, celebra Pedrina.

    O casal inscreveu o café no concurso apenas para conhecer o funcionamento da competição, sem expectativas de vitória. “O prêmio me surpreendeu, pois nunca pensei que poderíamos ganhar. Com o reconhecimento, meus clientes aumentaram e as vendas de café cresceram. Também foi uma honra representar nosso município”, destaca Ozico Pereira.

    Parceria entre CATI e prefeitura impulsiona cafeicultura regional

    A CATI desenvolve um projeto em parceria com a prefeitura de Barra do Turvo desde 2012 para promover o cultivo do café arábica na região. “Desde então, apoiamos a prefeitura e os produtores nessa parceria para incentivar a produção local. Isso trouxe resultados como as premiações nos concursos de café dos anos anteriores e deste último ano”, ressalta Sakai.

    Juliana Cordeiro, presidente da Associação do Café e Cultura de Barra do Turvo, aponta a dedicação exclusiva como segredo do município nos últimos concursos. “Como somos pequenos produtores, conseguimos dar uma atenção especial a esse tipo de café. Colhemos somente em cereja e realizamos o trabalho de secagem com calma, o que resultou nesse café extraordinário”, afirma a presidente.

  • Conheça os três fatores que explicam a disparada do café

    Conheça os três fatores que explicam a disparada do café

    Um produtor de café brasileiro precisou de atendimento hospitalar após descobrir que vendeu sua colheita um dia antes do preço disparar ainda mais. O caso ilustra a volatilidade sem precedentes que domina o mercado cafeeiro mundial em 2025.

    Mauri Oliveira, 66 anos, proprietário da fazenda Campestre em Varginha (MG), compartilha a história durante os tradicionais passeios a cavalo sob a lua cheia que reúne cafeicultores da região. As conversas agora giram exclusivamente em torno dos preços extraordinários e suas causas.

    “Teríamos preferido não perder 40% da safra por causa da seca e que os preços não estivessem tão altos”, afirma Noemia Oliveira, 36 anos, filha de Mauri e agrônoma responsável pela propriedade. “Um mercado estável com o saco a 2.000 reais já garante bom lucro. A 3.000 reais, não temos café para colher.”

    Três anos de clima adverso esgotam estoques mundiais

    O preço do café atingiu US$ 445 por saca de 60 kg na Bolsa de Nova York em maio de 2025. O dobro do valor registrado um ano antes. Especialistas apontam três fatores principais para a alta histórica.

    Primeiro, três anos consecutivos de safras ruins esgotaram os estoques globais. A oferta mundial mal conseguiu atender à demanda em 2024. Secas prolongadas, ondas de calor e geadas cada vez mais frequentes reduziram a produção brasileira e vietnamita em 10 milhões de sacas — equivalente a 6% do consumo global.

    Brasil e Vietnã respondem juntos por metade da produção mundial de café. O Brasil sozinho abastece um terço do mercado global, posição que mantém há 150 anos.

    Na fazenda Campestre, a família Oliveira passou mais de 100 dias sem chuva em 2024. Em janeiro de 2025, ficaram 20 dias sem uma gota d’água. A produção, estimada em 90 sacas por hectare, caiu para 65.

    “Antes, chovia na hora certa, a partir de agosto”, explica Mauri. “Agora a chuva vem mais tarde e o sol está muito quente. Em 2021, uma geada atingiu e arruinou muita gente porque todos achavam que não haveria mais geadas.”

    Fundos de investimento transformam mercado tradicional

    O segundo fator que pressiona os preços representa uma mudança estrutural no setor. Fundos de investimento descobriram o café como ativo especulativo, distorcendo um mercado historicamente regulado por oferta, demanda e estoques.

    “Ninguém no mundo sabe o que acontecerá nos próximos meses”, alerta Chico Pereira, 58 anos, gerente de marketing da cooperativa Cocatrel, que movimentou 2,3 milhões de sacas em 2024. “Grandes fundos podem decidir amanhã que outra commodity tem melhor desempenho e migrar para ouro ou petróleo. Isso causaria uma queda muito acentuada.”

    Naiara Oliveira, 33 anos, filha mais nova de Mauri e responsável pelas finanças da fazenda, acabou de fazer um curso para entender melhor as flutuações internacionais. “Quem ganha muito dinheiro são os que negociam na bolsa”, observa ela, que acompanha os preços diariamente pelo celular.

    Mateo Martínez, fundador da Xorxios, empresa que atua nos principais mercados globais de café especial, confirma a distorção. “Tradicionalmente, a bolsa refletia oferta e demanda, mas isso não acontece mais. Os fundos de investimento estão injetando muito dinheiro no café e distorcendo os preços. Não há justificativa técnica para esses aumentos.”

    Guerra comercial adiciona volatilidade extrema

    O terceiro fator surgiu em agosto de 2024, quando os Estados Unidos, principal destino do café brasileiro, impuseram tarifas de 50%. As exportações brasileiras para o mercado americano caíram pela metade da noite para o dia. A Alemanha emergiu como alternativa imediata.

    Qualquer choque desse tipo repercute por toda a cadeia produtiva, da fazenda da família Oliveira às cafeterias de Madri, Malmö ou Kyoto.

    A incerteza generalizada provocou mudanças no comportamento do mercado. Produtores correm para enviar cargas às cooperativas em busca de segurança, enquanto multiplicam-se relatos de roubos de café nas fazendas.

    China impulsiona demanda global

    A descoberta do café pela China, onde o chá dominava o mercado de bebidas, multiplicou a demanda global. O país já figura como sexto maior consumidor mundial, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Na Espanha, o consumo per capita atingiu 550 xícaras anuais, duas por dia. O café registrou o maior aumento de preço entre todas as bebidas no país em 2025: alta de 15% entre janeiro e julho, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

    Apesar dos preços elevados, o consumo continua crescendo. De cada 100 xícaras consumidas na Espanha, 66 acontecem em casa e 34 em bares e cafeterias.

    Nova geração moderniza produção brasileira

    Nas fazendas brasileiras, a nova geração implementa inovações para enfrentar os desafios climáticos. Noemia Oliveira incorporou práticas de agricultura regenerativa na propriedade da família: fertilizantes naturais, menos pesticidas, plantas intercaladas que fornecem nitrogênio e capturam dióxido de carbono.

    “Queríamos ir além do tradicional”, explica a agrônoma. “Agora sabemos que essa mistura de plantas entre as fileiras de cafeeiros nos ajuda a bloquear o vento, evitar danos de pragas e reduzir o risco de doenças.”

    A mecanização trouxe ganhos significativos. Uma colheitadeira substitui 50 trabalhadores diaristas na propriedade Pinheiros, de André Casotti Brito, 31 anos. A máquina opera 24 horas por dia em três turnos, descansando apenas aos domingos.

    Carlos Henrique de Carvalho, 69 anos, agrônomo da Embrapa (empresa pública de pesquisa agrícola), desenvolve novas variedades de café mais resistentes. O laboratório em Varginha criou, por meio de clonagem, 40 variedades que vivem mais, produzem mais e resistem melhor a fungos.

    “Estamos procurando variedades que suportem melhor o estresse térmico”, explica Carvalho. “Mas quando atinge 38 graus Celsius, não há nada que possamos fazer.”

    Café especial ganha prestígio na Europa

    Do outro lado do Atlântico, o café vive momento diferente. Na Espanha, consumidores aprendem a apreciar a bebida sem açúcar.

    “Até pouco tempo atrás, era uma bebida amarga mascarada com açúcar e leite”, observa Marisa Baqué, provadora de café e dona do BB’s Café no País Basco. “Muito desse amargor vem de métodos de preparo ruins e torra excessiva. Agora, mais de 90% da clientela aprende a descobrir as notas do café sem açúcar.”

    O segmento de café especial cresceu 15% na Espanha em 2023. Especialistas estimam crescimento anual de 10% nos próximos anos. As vendas online de café personalizado, com rastreabilidade completa da origem, cresceram 20% em 2023 e mantiveram trajetória ascendente em 2024 e 2025.

    Marcos Zoya, formador de baristas que já treinou cerca de 700 profissionais desde 2015, acompanhou a sofisticação crescente dos consumidores. “Hoje os jovens perguntam se o café foi fermentado com ou sem oxigênio, por 24 ou 48 horas. Estamos numa fase de descoberta.”

    Mercado concentrado, futuro incerto

    Na Espanha, dois gigantes ainda dominam o mercado: Nestlé (Nescafé, Nespresso) controla 29,6%; JDE (Jacobs Douwe Egberts), com marcas como Saimaza e Marcilla, detém 9,5%.

    O café pronto para beber em todas as variedades — sem açúcar, com proteína, descafeinado — cresce 3,7% ao ano no país.

    Mateo Martínez, da Xorxios, prevê que os preços cairão em dois ou três anos. “A questão é se as pessoas podem continuar pagando mais pelo café de qualidade. O senso comum me diz que já estamos num ponto de ruptura.”

    A indústria absorveu quase todo o custo aumentado até agora, mas a crise prolongada pode tornar inevitável que novos aumentos afetem ainda mais os consumidores.

    Enquanto isso, na fazenda Campestre, a família Oliveira finaliza os preparativos para a colheita. Milhares de pés de café, mais altos que um adulto, sobem em fileiras sinuosas por colinas suaves ao longo de 150 hectares.

    Mauri Oliveira e seus amigos cafeicultores mantêm o ritual mensal: a cada lua cheia, cavalgam pelas trilhas conversando sobre preços, clima e incertezas. A história prova que ninguém deixa de beber café por causa do preço. As pessoas beberão menos, ou de qualidade inferior — mas continuarão bebendo.

  • Natal da roça: plataforma conecta consumidores direto com agricultores

    Natal da roça: plataforma conecta consumidores direto com agricultores

    A Emater-MG criou o site ÉdoCampo há alguns anos, e agora a plataforma digital virou uma vitrine estratégica para quem quer fugir dos presentes convencionais neste Natal. A campanha lançada neste fim de novembro aposta numa ideia simples: conectar consumidores direto com produtores rurais mineiros.

    São 120 agricultores e estabelecimentos cadastrados que oferecem aproximadamente mil produtos diferentes. Queijos artesanais que ganharam prêmios importantes, cafés especiais que colocam Minas no mapa mundial, cachaças envelhecidas, doces caseiros, artesanato e até cosméticos naturais. Tudo isso chega na porta de casa, em praticamente qualquer canto do país.

    “A gente começou uma campanha bem legal de Natal, mostrando várias opções de presentes que vem da agricultura familiar. Quem quiser acompanhar as novidades é só seguir o Instagram @edocampooficial”, conta Thiara Viggiano, coordenadora técnica estadual da Emater-MG que toca o programa.

    Histórias que temperam a comida

    Maria Virgínia Guimarães produz temperos e antepastos em Casa Branca, um distrito tranquilo de Brumadinho. Há dez anos ela trabalha com produtos naturais, sem aqueles conservantes industriais que enchem os rótulos de nomes impronunciáveis. “Seria incrível se as pessoas conhecessem essa linha neste Natal. Os temperos tem usos bem diferentes na cozinha, e os antepastos são perfeitos pra quem vai receber visita ou montar uma ceia especial”, ela sugere com aquele entusiasmo de quem realmente acredita no que faz.

    Todos os produtos que aparecem no ÉdoCampo passaram por habilitação sanitária, seja federal, estadual ou municipal. A Emater-MG não apenas disponibiliza a plataforma mas também presta assistência técnica pros agricultores participantes, garantindo que eles produzam seguindo as melhores práticas.

    “O site tá crescendo bastante. Recentemente lançamos seções novas: uma pra turismo rural e outra pra compras no atacado, a ‘Compre Mais, Pague Menos’”, explica Thiara. A coordenadora também destaca uma novidade que deve animar muita gente: produtos selecionados agora tem frete grátis pro Sul e Sudeste quando a compra passa de R$ 150 do mesmo produtor.

    As compras funcionam de forma bem simples: você escolhe os produtos, paga com cartão de crédito ou Pix, e espera chegar em casa. Nada de complicação.

    Um presente que alimenta histórias

    Enquanto os shoppings lotam e as lojas virtuais bombardeiam emails promocionais, o ÉdoCampo aposta numa proposta diferente. Cada queijo, cada pote de geleia, cada saco de café especial carrega junto a história de quem produziu. É agricultura familiar encontrando espaço num mercado que costuma favorecer as grandes marcas.

    Pra quem já cansou de dar perfume importado ou eletrônico que vai ficar obsoleto em dois anos, presentear com comida de verdade pode ser aquela escolha que surpreende. E de quebra, você ainda ajuda famílias que vivem do campo a fortalecer seus negócios.

    Serviço:

    Site: ÉdoCampo (plataforma da Emater-MG)

    Instagram: @edocampooficial

    Produtos: queijos, cafés, cachaças, doces, artesanato, cosméticos

    Frete grátis: Sul e Sudeste para compras acima de R$ 150 do mesmo produtor

    Pagamento: Cartão de crédito e Pix

  • Cafeicultura 4.0: Brasil mostra força e tecnologia na COP 30

    Cafeicultura 4.0: Brasil mostra força e tecnologia na COP 30

    O aroma de café tomou conta da COP 30. Na sexta-feira (14), o Pavilhão AgroBrasil, do Sistema CNA/Senar, abriu espaço para o café nacional brilhar. A Solenidade da Cultura Cafeeira reuniu quem faz o setor pulsar, de produtores a líderes de grandes instituições.

    Ademar Pereira, vice-presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, puxou o tom do encontro. Contou a história da cafeicultura brasileira, que virou referência mundial. “Ter esse espaço de debate mostra o valor de um setor que evoluiu, se profissionalizou e hoje une sustentabilidade e produtividade”, afirmou.

    A conversa seguiu quente. Vinicius Estrela, diretor da BSCA, lembrou que o sucesso dos cafés especiais veio da união. Silas Brasileiro, do CNC, alertou: o mundo muda com o clima e o café precisa se adaptar. Já Marcos Matos, da Cecafé, foi direto; sustentabilidade exige ação coletiva, crédito e apoio político.

    A indústria também falou. Celírio Inácio (Abic) defendeu o compromisso com tecnologias limpas e qualidade total. Aguinaldo Lima (Abics) ressaltou a força da cadeia e o potencial da agricultura regenerativa. Vanúsia Nogueira, diretora da OIC, levou o discurso além: “O café brasileiro precisa se afirmar no cenário global”. Andrea Illy, da Illycaffè, completou: regenerar o solo é regenerar o futuro do café.

    Painel 1 — Tradição e inovação lado a lado

    No painel “Tecnologia que transforma – Raízes que preservam”, histórias de vida se misturaram a ciência e modernidade.

    Carmen Lúcia Chaves Brito, da BSCA, falou de suas raízes em Minas: 17 anos à frente da gestão familiar. Isabela Pessoa, da Coopric (BA), defendeu capacitação e sucessão rural como pilares do futuro.

    Do Norte, Deigson Bento contou a própria jornada; largou a cidade para continuar o legado dos avós no cultivo de robustas amazônicos. Cada fala reforçava a mesma ideia: o café é mais que negócio, é herança viva.

    Ademar Pereira voltou ao palco com uma certeza: o setor virou a chave. Sustentabilidade econômica, gente no campo e aprendizado com o Senar sustentam o novo momento da cafeicultura.

    Painel 2 — Confiança do campo à xícara

    À tarde, o painel “Confiança do campo à xícara” mostrou que sustentabilidade tem provas, não promessas. Marcos Matos (Cecafé) detalhou programas de clima, carbono e boas práticas, lembrando a necessidade de comunicar o que o Brasil preserva.

    Vinícius Estrela reforçou o papel dos cafés especiais em certificação e ESG. “A rastreabilidade virou marca registrada do nosso café”, disse. Silas Brasileiro apresentou o programa “Produtores de Água”, que recupera nascentes e valoriza o manejo hídrico.

    Fechando, Celírio Inácio falou de certificação e pureza no café torrado. E Aguinaldo Lima completou sobre a agenda sustentável no café solúvel. Tudo conectado. Do produtor ao consumidor. Da roça à xícara.

  • Mineiro se torna uma das seis Lendas do Café Especial no mundo

    Mineiro se torna uma das seis Lendas do Café Especial no mundo

    O cafeicultor brasileiro Luiz Paulo Dias Pereira Filho entrou para a história do café especial mundial ao ser nomeado uma das seis primeiras “Lendas da Excelência” pela Alliance for Coffee Excellence (ACE). A honraria inédita será celebrada durante a cerimônia de premiação do Cup of Excellence, marcada para 1º de novembro, às 9h30, no Diamond House, em São Paulo.

    O título criado em 2024 pela ACE reconhece produtores que mantêm padrões excepcionais de qualidade de forma consistente, combinando inovação e dedicação ao longo de anos de participação no Cup of Excellence, principal competição global de qualidade do setor cafeeiro.

    Trajetória de excelência e compromisso social

    Natural de Carmo de Minas (MG), região da Mantiqueira conhecida pela produção de cafés especiais, Luiz Paulo acumula 23 vitórias no Cup of Excellence. Sua família detém ainda o recorde histórico da competição no Brasil: 95,85 pontos conquistados por Francisco Isidro Pereira em 2005.

    “Essa honraria prova que o Brasil é referência em café especial, muito além de ser apenas em café commodity. Temos uma história de quase três séculos com a cafeicultura, marcada por investimentos constantes, inovações tecnológicas e respeito aos recursos naturais e às pessoas”, declarou o produtor.

    A ACE destacou que as “Lendas da Excelência” não apenas produzem cafés extraordinários, mas lideram transformações sociais em suas comunidades. Segundo a entidade, esses produtores investem em programas educacionais, projetos de sustentabilidade e mentorias que fortalecem a próxima geração de cafeicultores.

    Intercâmbio global e inovação

    Luiz Paulo atribui parte de seu sucesso ao conhecimento adquirido em viagens internacionais e intercâmbios com produtores de outros países. O cafeicultor já visitou o Japão 35 vezes e mantém relacionamento com agricultores de praticamente todas as nações produtoras de café.

    “Descobrimos novas formas de cultivo, tendências de consumo e trazemos essa experiência aos cafés especiais do Brasil. Nosso país está em posição de destaque no cenário global do café especial”, afirmou.

    Aos 30 anos, em 2011, Luiz Paulo tornou-se o presidente mais jovem da história da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), sendo reeleito em 2013.

    As seis lendas mundiais do café especial

    Além do brasileiro, completam a lista inaugural das “Lendas da Excelência”:

    • Benjamin Paz (Honduras) – 5 vitórias no Cup of Excellence
    • Juan Diego De La Cerda (Guatemala) – 13 vitórias
    • Ernesto Menéndez (El Salvador) – 5 vitórias
    • Manuel Antônio “Toño” Barrantes (Costa Rica) – 10 vitórias
    • Olman Valladarez (Nicarágua) – 14 vitórias

    Com o título “hors-concours”, Luiz Paulo não poderá mais competir no Cup of Excellence, consolidando seu legado como referência mundial na produção de cafés especiais de alta qualidade.