Tag: café e mudanças climáticas

  • Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Risco de um super El Niño aumentou? Novas previsões indicam aumento do aquecimento no Pacífico

    Novas previsões climáticas divulgadas em maio aumentaram a preocupação de especialistas sobre a formação de um El Niño forte nos próximos meses. Apesar disso, cientistas alertam que ainda é cedo para afirmar que o fenômeno atingirá níveis extremos, conhecidos informalmente como “super El Niño”.

    O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos elevou o status para “alerta de El Niño” e apontou 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho de 2026. Além disso, a probabilidade de ele continuar ativo até o início de 2027 chega a 96%.

    Modelos meteorológicos internacionais também passaram a indicar um aquecimento mais intenso das águas do Pacífico tropical. Segundo análise da Climatempo, o fenômeno deve atingir pelo menos intensidade forte.

    Mesmo com os novos alertas, pesquisadores pedem cautela. A cientista atmosférica Kimberley Reid explicou que previsões feitas nesta época do ano ainda apresentam muitas incertezas.

    “O histórico mostra que previsões feitas nesta época do ano ainda carregam incertezas importantes”, afirmou à BBC.

    O que é o El Niño?

    O El Niño é um fenômeno climático natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em várias partes do planeta.

    Enquanto o El Niño aquece as águas do Pacífico, o La Niña provoca o efeito contrário, com temperaturas mais frias do que a média.

    Anomalia de temperatura no Oceano Pacífico. Valores em graus Celsius — (Dados divulgados pelo CPC/NOOA em 11/05/2026)

    Segundo especialistas, os sinais atuais já mostram um aquecimento consistente no oceano. A NOAA informou que o aquecimento das águas subsuperficiais aumentou pelo sexto mês consecutivo.

    O pesquisador José Marengo afirmou que o fenômeno realmente está se formando, mas destacou que ainda não é possível prever sua intensidade final.

    “Neste momento, o que podemos dizer é que o El Niño está se configurando, sim, e que esperamos talvez uma intensidade moderada a forte. Mas ainda é muito cedo para afirmar que será um super El Niño ou o pior do século”, disse.

    Possibilidade de “super El Niño”

    Meteorologistas monitoram especialmente a região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas permanecem mais de 1,5 °C acima da média durante vários meses, o evento costuma ser considerado muito forte.

    Modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo já indicam possibilidade de aquecimento acima de 2,5 °C até o outono no hemisfério norte. Algumas projeções mais extremas sugerem temperaturas superiores a 3 °C.

    Mesmo assim, os cientistas reforçam que previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade”.

    Quais podem ser os impactos?

    Especialistas alertam que um El Niño forte pode elevar ainda mais a temperatura global e aumentar o risco de recordes de calor em 2027.

    Além disso, o fenôeno costuma provocar secas severas em países como Austrália, Indonésia e Filipinas. Já regiões da América do Sul, especialmente Peru e Equador, podem enfrentar chuvas intensas e enchentes.

    No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam clima mais quente e seco.

    Segundo nota técnica do Cemaden, o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos no Sul do país. Ao mesmo tempo, Norte e Nordeste podem sofrer com seca e incêndios florestais.

    Marengo afirmou que autoridades já deveriam iniciar medidas preventivas: “Independentemente de o El Niño ser moderado, forte ou muito intenso, nós teremos impactos”, destacou. “Ainda não sabemos exatamente a magnitude, mas já conhecemos, com base em eventos anteriores, quais regiões podem ser mais afetadas.”

  • Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Estudo prevê clima de deserto em metade do Nordeste até 2100

    Um estudo apresentado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, projeta que até o final do século o Nordeste brasileiro poderá ter até 99% de seu território sob condições áridas e semiáridas. O levantamento, divulgado no Boletim CEPAS na COP30, indica que o fenômeno da desertificação tende a se intensificar nas próximas décadas, especialmente no interior cearense, caso as emissões de gases de efeito estufa sigam em alta.

    Projeções alarmantes

    Com base em 19 modelos climáticos globais (CMIP6), o estudo avaliou a evolução das classes climáticas de Thornthwaite — que medem o equilíbrio entre temperatura e umidade — sob dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o de altas emissões (SSP5-8.5).

    Os resultados mostram que, mesmo com ações moderadas de mitigação, a área classificada como árida deve saltar de 3% para 26% do Nordeste até 2100, enquanto o semiárido avançará de 43% para quase 60%. Em um cenário extremo, de altas emissões, o quadro é ainda mais grave: o território árido pode alcançar 56,7% da região, e o semiárido, 42,4% — o que representa 99% da área total.

    “O futuro está sob disputa e a COP30 é uma arena importantíssima desta batalha”, afirma o relatório. “O planeta e o semiárido nordestino podem ser diferentes, com menos estresse hídrico, dependendo das decisões tomadas pelos Estados e coletivos humanos.”

    Impactos no Ceará e no semiárido

    O Ceará deve sentir os efeitos antes do restante da região. O estudo aponta que áreas hoje subúmidas — como os sertões dos Inhamuns, o Cariri e o médio Jaguaribe — tendem a se tornar semiáridas já nas próximas duas décadas. “O Ceará apresenta antecipação e intensificação da aridização em relação ao conjunto do Nordeste”, destaca o documento. “Os refúgios altimétricos e litorâneos resistem por mais tempo, mas encolhem e se fragmentam até 2100.”

    Entre as consequências diretas estão a redução da recarga subterrânea, o aumento da intermitência dos rios, a pressão sobre reservatórios. Por fim, a queda na produtividade agrícola. O avanço do clima seco também ameaça a biodiversidade e amplia a vulnerabilidade de comunidades rurais.

    Voz dos cientistas

    Para o professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o quadro exige urgência. “Identificar as possibilidades e limites de adaptação dos sistemas humanos e naturais em nosso semiárido é uma tarefa urgente”, afirma.

    Foto: Wilson Dias – Agência Brasil

    O engenheiro José Kerlly Soares de Araújo, pesquisador do grupo de risco climático da Universidade Federal do Ceará, reforça a gravidade das projeções: “O avanço da aridez, mesmo sob cenários moderados, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas antecipatórias e inovar em tecnologias de uso eficiente da água.”

    Chamado à ação

    Além disso, na avaliação do diretor do CEPAS, Francisco de Assis de Souza Filho, o Nordeste é hoje “a fronteira climática do Brasil”. Ele defende que a gestão hídrica precisa se tornar adaptativa, integrando ciência, políticas públicas e comunidades locais.

    O boletim encerra, portanto, com três recomendações principais para os debates da COP30, que será realizada em Belém:

    1. Reconhecer que o processo de aridização é antecipado e amplamente corroborado por evidências científicas;

    2. Basear as respostas em ciência e gestão integrada dos recursos hídricos;

    3. Planejar a adaptação de forma territorial, com foco especial no semiárido nordestino.

    “Os sistemas de recursos hídricos devem se preparar para maior pressão de escassez”, conclui o estudo. Ou seja, “A adaptação precisa ser rápida, integrada e territorialmente focalizada.”

  • Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Parceria entre Cecafé e Emater-MG promove sustentabilidade na cafeicultura brasileira

    Uma parceria estratégica entre o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) promete transformar a cafeicultura brasileira com foco em sustentabilidade e combate às mudanças climáticas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (1º), durante as celebrações do Dia Internacional do Café.

    A iniciativa integra o Programa Construindo Solos Saudáveis e está alinhada ao tema proposto pela Organização Internacional do Café (OIC) para 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O mote reforça a importância da cooperação em toda a cadeia produtiva para garantir sustentabilidade ambiental e prosperidade econômica.

    Culturas de cobertura são chave para regeneração do solo

    O projeto prevê a implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades cafeeiras do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro. Nessas áreas, será testada e difundida a técnica de cultivo de plantas de cobertura nas entrelinhas do café, prática que melhora significativamente a saúde do solo.

    “Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, explica Silvia Pizzol, diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé.

    Estudo comprova potencial de sequestro de carbono na cafeicultura

    A técnica já foi validada cientificamente pelo estudo “Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais”, conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) em parceria com o professor Carlos Cerri, da Esalq/USP. A pesquisa integra a agenda de carbono do Cecafé.

    Os resultados impressionam: a manutenção do solo coberto, combinada com outras práticas conservacionistas, resulta em um balanço negativo (sequestro) de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica cultivado ao ano. Os dados demonstram o potencial concreto da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos do aquecimento global.

    “Os resultados desse trabalho são uma evidência concreta do potencial da cafeicultura regenerativa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, afirma Silvia Pizzol.

    Da teoria à prática: ações no campo começam agora

    A parceria entre Cecafé e Emater-MG viabilizará a transição dos conhecimentos científicos para aplicação prática nas lavouras. A Emater-MG contribui com sua expertise técnica e capilaridade estadual, enquanto os exportadores associados ao Cecafé apoiam a mobilização dos produtores.

    Entre as ações previstas estão dias de campo focados em manejo sustentável, assistência técnica especializada aos cafeicultores, análises detalhadas de solo e biomassa, mobilização de produtores e elaboração de relatórios técnicos baseados nos resultados das Unidades Demonstrativas.

    Mercado e produtores se beneficiam da agricultura regenerativa

    Bernardino Cangussú Guimarães, coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, destaca que a iniciativa responde às demandas crescentes do mercado internacional por produtos sustentáveis.

    “Ao unir conhecimento técnico, engajamento dos produtores e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa. Que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura”, comemora o coordenador.

    A colaboração marca um momento importante para o setor cafeeiro brasileiro, unindo esforços para construir uma cadeia produtiva mais justa, resiliente e ambientalmente responsável. E garantindo a sustentabilidade da atividade para as próximas gerações.