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  • Além dos palcos, Shakira investiu no agro para impulsionar o café da Colômbia

    Além dos palcos, Shakira investiu no agro para impulsionar o café da Colômbia

    Enquanto milhares vão às praias do Rio para ver Shakira cantar, um detalhe passa longe dos holofotes: a artista já está mexendo na cadeia do café colombiano muito antes de qualquer show. A cantora deixou de ser só consumidora de café e virou investidora em um grande negócio que conecta sua fama à vida de milhares de pequenos produtores rurais.

    Ao apostar na High Brew Coffee, uma marca de café gelado em lata sediada em Austin, nos Estados Unidos, Shakira decidiu que parte do lucro das vendas voltaria diretamente para as famílias de caficultores da Cooperativa Los Andes, no interior da Colômbia.

    Do camarim ao agronegócio

    Shakira conheceu o café gelado durante a turnê mundial El Dorado, quando a bebida virou item fixo no camarim dela. O produto, com seis sabores diferentes, conquistou a equipe e despertou na própria cantora uma visão de negócio.

    Em entrevista à revista Forbes, a colombiana explicou o que a atraiu na marca: “Comecei como fã da marca. Tínhamos um estoque do café no meu camarim durante a turnê. Eu acho que é um momento empolgante para poder fazer investimentos em empresas inovadoras que dão mais importância aos valores do consumidor. A High Brew usa grãos de café premium da Colômbia e coloca a qualidade em primeiro lugar”.

    A decisão não foi apenas financeira, mas também de identidade: Shakira viu na High Brew uma forma de valorizar a agricultura de seu país natal, enquanto ampliava sua presença em um mercado que cresce rápido no formato de ready‑to‑drink e bebidas prontas para consumo.

    Cooperativa Los Andes

    O grande diferencial que atraiu Shakira para a High Brew está na cadeia de suprimentos. A empresa usa grãos de café arábica premium produzidos pela Cooperativa Los Andes, sediada na região de Antioquia, na Colômbia.

    A cooperativa reúne cerca de 3.600 membros que, juntos, gerenciam mais de 86 mil acres de fazendas de café. Esses produtores vivenciaram crises históricas, incluindo dívidas pesadas e problemas de gestão, mas seguem na luta para manter a produção e a qualidade.

    Ao se tornar investidora e embaixadora da marca, Shakira fez questão de que parte dos lucros das vendas das latas de café revertesse diretamente para essas famílias.

    Colômbia, Brasil e o peso do café no mundo

    A iniciativa de Shakira ganha ainda mais peso quando se olha para as estatísticas globais. A Colômbia é uma das maiores potências cafeeiras do planeta e a maior fornecedora mundial de café arábica lavado, conhecido pela suavidade e alta qualidade.

    Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que a produção colombiana atingiu cerca de 13,8 milhões de sacas de 60 quilos, representando cerca de 8% de toda a produção mundial. O país fica atrás apenas do Vietnã, com aproximadamente 17% do mercado, e do líder absoluto, o Brasil, responsável por cerca de 35% do café produzido mundialmente.

  • Café em perigo: gangues atacam fazendas que abastecem Starbucks e Nestlé

    Café em perigo: gangues atacam fazendas que abastecem Starbucks e Nestlé

    As regiões cafeeiras dos Andes colombianos, responsáveis por produzir alguns dos grãos mais valorizados do planeta, vivem sob crescente ameaça de grupos armados. Fazendas que fornecem café para gigantes como Starbucks e Nestlé têm sido alvo de assaltos sistemáticos e extorsões, comprometendo a segurança de uma indústria vital para a economia do país.

    A deterioração das condições de segurança nessas áreas estratégicas levanta alertas sobre o futuro do café colombiano no mercado internacional e suas consequências para milhões de consumidores em todo o mundo.

    Qualidade do café exportado está em risco

    O aumento da violência nas zonas produtoras pode impactar diretamente a qualidade e a regularidade do fornecimento de café colombiano. As interrupções causadas pelos ataques afetam desde a colheita até o transporte dos grãos, criando incertezas para empresas que dependem da consistência do produto.

    Grandes marcas globais utilizam o café colombiano como componente essencial de suas misturas premium. Qualquer instabilidade na produção pode forçar essas empresas a buscar fornecedores alternativos ou lidar com aumentos de custos que eventualmente chegam ao consumidor final.

    Fazendas certificadas escondem abusos trabalhistas

    Paralelamente à questão da violência armada, denúncias recentes expõem violações de direitos trabalhistas em propriedades que ostentam selos de sustentabilidade. Trabalhadores rurais relatam condições precárias, jornadas excessivas e falta de equipamentos de proteção em fazendas que fornecem café para programas éticos das multinacionais.

    A descoberta dessas práticas abusivas em fazendas certificadas levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização e auditoria utilizados pelas empresas compradoras para validar suas cadeias de fornecimento.

    Grupos armados intensificam atuação nas zonas cafeeiras

    Embora paramilitares e ex-guerrilheiros tenham presença histórica nas áreas rurais colombianas, autoridades locais confirmam um recrudescimento das atividades criminosas nos últimos trimestres. Os ataques não se limitam às fazendas: transportadores e intermediários também são alvos frequentes, criando um clima de insegurança generalizada.

    Exportadores do setor alertam que, sem intervenção efetiva do governo colombiano, a situação pode se tornar insustentável. Levando ao abandono de propriedades e à migração de trabalhadores para centros urbanos.

    Multinacionais prometem melhorias, mas efetividade é questionada

    Em comunicados oficiais, representantes da Starbucks e Nestlé afirmam estar comprometidos com a segurança dos produtores e a rastreabilidade ética de seus grãos. As empresas mencionam investimentos em programas de desenvolvimento comunitário e parcerias com organizações locais para fortalecer a proteção dos trabalhadores.

    Especialistas em comércio internacional, no entanto, destacam que declarações de compromisso precisam vir acompanhadas de ações concretas e mensuráveis. Eles também afirmam que a transparência nos processos de certificação e a responsabilização de fornecedores que violam direitos humanos são essenciais para restaurar a confiança na cadeia produtiva do café colombiano.

    Crise pode redefinir mercado global de café premium

    A conjuntura atual nas regiões cafeeiras da Colômbia representa um ponto de inflexão para o mercado internacional. Assim, caso a violência continue e as condições de trabalho não melhorem, compradores globais podem decidir reavaliar suas estratégias de fornecimento, o que pode favorecer outros países produtores.

    Para a Colômbia, que construiu sua reputação global com a qualidade de seu café, o debate envolve não apenas a economia, mas também a preservação de um patrimônio cultural reconhecido mundialmente.