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  • Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    Produção de café canéfora avança em novas regiões brasileiras

    O cultivo de café canéfora, que abrange as variedades robusta e conilon, está se expandindo rapidamente no Brasil e ganhando espaço em regiões fora de seu berço tradicional, o Espírito Santo. O país, atualmente segundo maior produtor mundial dessa espécie, vem reduzindo a distância em relação ao Vietnã, líder global do segmento.

    De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais e Mato Grosso registraram forte crescimento na produção desde 2020. O movimento reflete os preços elevados e o aumento do consumo mundial de cafés diferenciados, fatores que motivam agricultores a apostar no canéfora.

    “O cenário é favorável para que esse avanço continue”, afirma Ricardo Schneider, presidente da Câmara de Café de Minas Gerais. Ele destaca que a demanda aquecida e a disponibilidade de áreas agrícolas impulsionam o ritmo de expansão. Analistas acrescentam que a melhora na qualidade dos grãos tem reforçado o interesse das torrefações e exportadores.

    Minas Gerais amplia aposta no canéfora

    Conhecido como o principal produtor de café arábica do país, Minas Gerais também começa a se destacar na produção de canéfora. A safra mineira deve alcançar 602,2 mil sacas de 60 quilos em 202. Um salto de 94% em relação a 2020, segundo dados da Conab.

    Mato Grosso mira produtividade de Rondônia

    O Mato Grosso, referência na produção de grãos como soja e milho, agora mira o exemplo do vizinho Rondônia para aumentar sua produtividade no café robusta. “Nossa meta é elevar a média atual de 23 sacas por hectare para o nível de 50 sacas obtido em Rondônia”, explica Dalilhia Nazare dos Santos, engenheira agrônoma da Empaer-MT.

    A Conab projeta que o estado colha 298,7 mil sacas neste ano, ante 158,4 mil em 2020. O avanço confirma o movimento de diversificação agrícola no Centro-Oeste.

    Ceará e Norte entram no mapa do café

    O café canéfora também começa a ganhar espaço no Norte e Nordeste do país. O Ceará, por exemplo, testa o cultivo de conilon e robusta amazônico, variedade tradicionalmente produzida em Rondônia. A produção combinada de Ceará, Acre e Pará deve chegar a 118,7 mil sacas em 2026. Quase o triplo do registrado em 2020.

    “Esperamos alcançar cerca de mil hectares de café conilon até 2026, com potencial para atingir 5 mil hectares”, afirma Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo do Agronegócio do Ceará. Ele ressalta que a proximidade de portos e infraestrutura logística coloca o estado em posição estratégica para exportar.

    Com o arábica ainda como principal variedade, o Brasil reforça sua posição de destaque no cenário internacional ao diversificar sua produção de canéfora. O país se consolida como competidor direto do Vietnã, ampliando a oferta para atender à crescente demanda global por robusta e conilon, usados em cafés solúveis e espressos.

  • Crescimento da exportação de cafés especiais: oportunidades para micro e pequenos produtores

    Crescimento da exportação de cafés especiais: oportunidades para micro e pequenos produtores

    O mercado de cafés especiais está em ascensão, e micro e pequenos produtores brasileiros têm a chance de expandir seus negócios por meio da exportação. Segundo um estudo da consultoria Brainy Insights, o setor deve atingir um valor global de US$ 152,69 bilhões até 2030, com uma taxa média de crescimento de 12,32% ao ano. Essa tendência positiva impacta diretamente os pequenos produtores, que representam 80% da produção total de cafés especiais no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

    Atualmente, os grãos classificados como “cafés especiais” correspondem a aproximadamente 20% da safra brasileira. Safra estimada em cerca de 58 milhões de sacas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2023-2024. Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), destaca que “a tendência deste segmento é só crescer. Há uma demanda por cafés especiais no mundo e, ao agregar valor ao café nacional, é possível ganhar uma fatia maior desse mercado.”

    Valorização da origem e sustentabilidade

    O café está seguindo um caminho similar ao do vinho, valorizando e certificando a origem, o processamento e as características dos grãos. As duas espécies mais relevantes economicamente são o café Arábica (Coffea arabica), que representa mais de 55% da produção mundial, e o café Canefora (Coffea canephora). Os grãos especiais, geralmente cultivados em pequenas propriedades, oferecem aos produtores a oportunidade de agregar valor e acessar mercados internacionais.

    Brasil fechou parceria para fornecer café para grupo chines.

    O consumo global de cafés especiais tem crescido desde os anos 90. Vinícius Estrela, diretor executivo da BSCA, explica que essa evolução ocorreu em ondas. A primeira foi a industrialização do café, seguida pelo consumo em cafeterias e a preocupação com a sustentabilidade da produção. Atualmente, vivemos a quarta onda, que valoriza cafés especiais com altas pontuações e novos perfis sensoriais.

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    Minas Gerais é o maior produtor de grãos especiais no Brasil, enquanto a produção de café Canefora tem se expandido nos estados de Rondônia e Acre. Os principais países importadores de cafés especiais brasileiros incluem Estados Unidos, Canadá, China, Coreia do Sul, Japão, Espanha, Alemanha, Itália e Emirados Árabes.

    Parceria com a China

    Recentemente, o café brasileiro tem conquistado o paladar dos consumidores chineses. Em comemoração aos 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e China, o grupo Luckin Coffee, líder em cafeterias na China, se reuniu com a ApexBrasil para fortalecer a parceria na comercialização do café brasileiro. A iniciativa visa promover e apoiar pequenas empresas produtoras de cafés especiais, ampliando sua presença no comércio internacional.

    A valorização da origem, a certificação de qualidade e as práticas sustentáveis são fundamentais para conquistar novos mercados e garantir a competitividade no cenário global.