Tag: cadeia produtiva sustentável

  • Parceria transforma conservação do Cerrado em negócio com cultivo de gergelim

    Parceria transforma conservação do Cerrado em negócio com cultivo de gergelim

    A Legado Verdes do Cerrado firmou parceria com a Concepta Ingredients para cultivar gergelim em áreas agrícolas já usadas durante a entressafra. Dessa forma, o projeto pretende unir agricultura, conservação ambiental e indústria sem abrir novas áreas de plantio.

    A reserva fica em Niquelândia (GO), pertence à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e é administrada pela Reservas Votorantim. Segundo as empresas, trata-se da primeira Reserva Privada de Desenvolvimento Sustentável do Cerrado no Brasil.

    Cultivo na entressafra

    A parceria ocupará áreas da reserva que já recebem atividade agrícola. Assim, o gergelim será plantado no intervalo entre as safras, período em que essas áreas ficam ociosas.

    Com essa estratégia, o projeto busca aumentar o aproveitamento da terra e reduzir a pressão por novas áreas de cultivo. Além disso, a atividade pode gerar receita adicional para a operação agrícola do território.

    Desde 2017, o Legado desenvolve ações de conservação e protege cerca de 27 mil hectares de vegetação nativa do Cerrado. A proposta combina, portanto, produção agrícola, conservação da biodiversidade, pesquisa científica e desenvolvimento de novos negócios, conceito conhecido como múltiplo uso da terra.

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    Da colheita à indústria

    Após a colheita, a Concepta processará o gergelim para produzir óleo destinado às indústrias de alimentos, cosméticos, produtos farmacêuticos e ingredientes naturais. O processamento também vai permitir rastrear a origem da matéria-prima e agregar valor ao produto cultivado na reserva.

    Além disso, a Concepta planeja aproveitar os subprodutos do gergelim e transformá-los em novos insumos para aplicações industriais. Para o produtor rural, o modelo amplia as possibilidades de uso de áreas já cultivadas e aproxima a produção agrícola de mercados industriais específicos.

    No entanto, as empresas não informaram a área destinada ao cultivo, o volume estimado de produção nem os valores previstos para a nova cadeia.

    Rastreabilidade e conservação

    Para Leandro Faria, gerente-geral de Sustentabilidade, Segurança e Meio Ambiente da CBA, a parceria pode ajudar a ampliar cadeias ligadas à bioeconomia. Segundo ele, ao conectar o gergelim cultivado no Legado à capacidade industrial da Concepta, a iniciativa mostra que uma reserva privada pode funcionar como plataforma de origem, rastreabilidade e inovação para ingredientes de alto valor agregado.

    “A parceria com a Concepta demonstra o potencial do Legado Verdes do Cerrado e da estratégia da CBA para dar escala sustentável a novas cadeias da bioeconomia […] sendo um caminho viável e rentável para a conservação do Cerrado”, afirma Faria.

    Assim, a iniciativa pretende beneficiar diferentes etapas da cadeia: a produção terá origem identificada, enquanto a indústria contará com matéria-prima rastreável.

    De acordo com as empresas, o aproveitamento de áreas já utilizadas para agricultura pode reduzir a necessidade de conversão de novas áreas. Ainda assim, os resultados ambientais e econômicos dependerão da execução da parceria e dos indicadores que virão a ser divulgados.

    Um modelo pensado para replicar

    Segundo Tatiana Motta, coordenadora de Projetos e Carbono da Reservas Votorantim, o território funciona como espaço de teste para modelos que combinam conservação e produção. Para ela, a cadeia de gergelim reforça esse potencial, pois estrutura uma produção com origem rastreável no Cerrado e amplia oportunidades para a indústria e para negócios ligados à conservação.

    “O Legado Verdes do Cerrado mostra que a conservação pode ser estruturada como uma plataforma de soluções. O território reúne biodiversidade, pesquisa científica, produção responsável e governança para testar modelos replicáveis em áreas privadas”, explica Motta.

    O projeto também dialoga com as diretrizes do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, política que busca aproximar ciência, inovação, preservação ambiental e inclusão social, além de integrar setores como agricultura, indústria e biocombustíveis.

    Aproveitamento integral do gergelim

    A parceria prevê o uso de diferentes partes do gergelim: a Concepta produzirá o óleo e dará novos destinos aos subprodutos. Esse processo pode reduzir perdas e aumentar o valor gerado por cada volume de matéria-prima, ainda que as empresas não tenham detalhado quais insumos resultarão dos subprodutos nem quais mercados os receberão.

    Segundo André Sabará, CEO da Concepta Ingredients, a empresa busca construir cadeias produtivas com retorno econômico e impacto ambiental positivo. Para ele, o futuro da produção sustentável passa pela integração entre agricultura e inovação, ao mesmo tempo que protege um dos biomas mais importantes do Brasil.

    Conheça o Legado Verdes do Cerrado

    O Legado ocupa 32 mil hectares pertencentes à CBA, dos quais cerca de 80% mantêm vegetação nativa do Cerrado. A reserva fica a aproximadamente três horas de Brasília e possui dois núcleos: Engenho e Santo Antônio Serra Negra.

    No núcleo Engenho nascem os rios Peixe, São Bento e Traíras, responsáveis pelo abastecimento público de Niquelândia (GO). A área também abriga a sede do Legado e reúne, em 23 mil hectares, pesquisas científicas, educação ambiental, produção de plantas e projetos de reflorestamento. Outros 5 mil hectares são destinados à pecuária, à produção de soja e à silvicultura.

    Já o núcleo Santo Antônio Serra Negra possui 5 mil hectares de Cerrado nativo preservado, parte deles às margens do Lago da Serra da Mesa.

    As empresas por trás da parceria

    A Concepta Ingredients desenvolve ingredientes naturais e tecnológicos para diferentes setores industriais, com produtos orgânicos e convencionais. A empresa mantém ainda o Programa Bio Abundância, voltado à capacitação de famílias e à conservação indireta de áreas em diferentes biomas brasileiros. A fábrica fica em Valinhos (SP), ocupa 7.800 metros quadrados, tem acesso a rodovias e aeroportos e conta com certificação FSSC 22000, norma de segurança de alimentos.

    Fundada em 1955, a CBA atua da mineração à fabricação de produtos de alumínio, incluindo reciclagem, e afirma produzir 100% da energia elétrica que consome a partir de fontes renováveis. A companhia fornece soluções para os setores de embalagens, transportes, automotivo, construção civil, energia e bens de consumo. Listada na B3 sob o código CBAV3, integra o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e registrou, em 2025, receita líquida de R$ 8,8 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 1,1 bilhão.

    Já a Reservas Votorantim integra o portfólio da Votorantim S.A., administra cerca de 130 mil hectares e desenvolve projetos de economia verde e soluções baseadas na natureza, com atuação em crédito de carbono, reserva legal e biodiversidade. Fundada em 2015 e lançada ao mercado em 2022, a empresa trabalha com projetos baseados no uso múltiplo da terra.

  • Brasil é o maior produtor de borracha natural da América Latina

    Brasil é o maior produtor de borracha natural da América Latina

    O Brasil é atualmente o principal produtor de borracha natural da América Latina, com uma produção estimada em cerca de 463 mil toneladas na safra 2023/2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado de São Paulo lidera a produção nacional, respondendo por aproximadamente 65% do total, seguido por outros estados como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Tocantins e Pará. Apesar do volume significativo, o país ainda importa entre 40% e 50% da borracha consumida internamente, devido à demanda crescente e desafios na expansão da produção.

    A borracha natural é extraída principalmente por seringueiros, trabalhadores tradicionais que coletam o látex das seringueiras na Amazônia e em outras regiões produtoras. Esses extrativistas desempenham papel fundamental na cadeia produtiva, associando a atividade à preservação ambiental e à economia sustentável, especialmente em áreas de floresta nativa.

    Preço de referência da borracha natural sobe 3,7% em maio de 2025

    O preço de referência para importação da borracha natural registrou alta de 3,7% em maio de 2025, passando de R$ 13,21/kg em abril para R$ 13,70/kg, conforme análise conjunta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Instituto de Economia Agrícola (IEA-SP). A valorização ocorreu mesmo com a cotação dos contratos na bolsa de Cingapura subindo modestamente 0,9%, enquanto o dólar apresentou queda de 2%, cotado a R$ 5,67. Um fator determinante para o aumento do preço foi o forte crescimento do frete internacional, que subiu 106,7%, enquanto o frete interno manteve-se estável.

    O índice de referência da borracha natural atingiu 162,09 pontos em maio, com alta de 2,3% em relação ao mês anterior, refletindo a conjuntura global de oferta e demanda, além dos custos logísticos.

    Produção nacional em São Paulo cresce, mas enfrenta desafios

    A safra de borracha no estado de São Paulo, maior produtor do Brasil, deve alcançar 266 mil toneladas na temporada 2024/2025, um crescimento estimado de 8,8% em relação à safra anterior, segundo o IEA. No entanto, o setor enfrenta adversidades como condições climáticas desfavoráveis, escassez de mão de obra qualificada e impactos dos incêndios ocorridos em 2024, que atingiram áreas de seringais. A Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) estima que a produção pode sofrer redução de até 20% devido a esses fatores.

    Foto: Divulgação Mercur

    A atividade exige mão de obra especializada, pois a extração do látex requer técnica precisa para não danificar as plantas e maximizar a produção. A valorização dos preços da borracha, que subiu 118% em um ano, tem animado produtores e pode ajudar na recuperação da força de trabalho do setor.

    Projeto Borracha Nativa da Mercur fortalece cadeia sustentável na Amazônia

    Há 15 anos, a empresa Mercur desenvolve o Projeto Borracha Nativa, que adquire borracha natural diretamente de seringueiros e comunidades indígenas na Amazônia Legal, fomentando uma cadeia produtiva sustentável que alia justiça socioeconômica, preservação ambiental e valorização cultural. Em 2024, o projeto adquiriu 11,7 toneladas de látex extraído em oito territórios do Pará e Rondônia, incluindo Reservas Extrativistas e Terras Indígenas, e já acumula 75 toneladas desde seu início.

    Foto: Divulgação Mercur

    A Mercur paga até quatro vezes mais pelo látex amazônico em relação ao mercado convencional, incentivando a economia da floresta em pé. Parte dessa borracha é utilizada na fabricação de produtos como artigos escolares e materiais de fisioterapia. Em 2024, a empresa lançou a Borracha Nativa da Amazônia, produto 100% feito com látex amazônico e que traz QR Code conectando consumidores às histórias e territórios de origem, em parceria com a rede Origens Brasil®.

    Segundo Jovani, comprador da Mercur, “essa iniciativa aproxima quem compra de quem produz, reforçando a importância da floresta viva para o futuro de todos”.

    Apesar dos desafios, a valorização dos preços e iniciativas sustentáveis como o Projeto Borracha Nativa indicam caminhos promissores para a recuperação e fortalecimento da borracha natural no Brasil. A produção nacional ainda precisa superar limitações estruturais e ampliar investimentos para reduzir a dependência das importações e atender a uma demanda global crescente.

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