A Bahia aposta na macaúba como vetor de inovação no agronegócio e na produção de biocombustíveis. O tema dominou reunião entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e a empresa Acelen nesta semana. O encontro integra o programa Mapa Conecta, do Ministério da Agricultura e Pecuária, que mapeia empresas, startups e tecnologias inovadoras para o desenvolvimento agropecuário no estado.
Na ocasião, a Acelen apresentou seu projeto de unidades agrícola e agroindustrial em implantação em Cachoeira e Mucugê. O investimento soma R$ 12 bilhões. A previsão da empresa é produzir 1 bilhão de litros anuais de diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2029. A escolha do Recôncavo baiano se deve às condições agronômicas favoráveis ao cultivo em larga escala da macaúba, palmeira nativa do Brasil com alto potencial para extração de óleo vegetal.
O secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Góis, aposta na expansão do projeto para outras regiões. “Podemos levar a iniciativa ao Vale do São Francisco, que já possui tradição na produção do fruto”, afirmou. Ele reforçou o objetivo da Seagri: “Queremos atrair parceiros que impulsionem o agro baiano, estimulando a produção agrícola e o avanço tecnológico. Isso fortalece uma cadeia produtiva estratégica para o PIB do estado e para a geração de emprego e renda.”
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Leonardo Ferreira, gerente de Relações Institucionais e Responsabilidade Social da Acelen, destacou o impacto da parceria. “O projeto gera valor no território baiano com soluções de baixo carbono e energia limpa. Também transforma áreas degradadas em territórios produtivos, posiciona a Bahia como líder na transição energética e promove inclusão socioprodutiva das comunidades.”
Tecnologia e inovação conectam projetos
A chefe de Gabinete da Seagri, Jorgete Oliveira, defendeu a integração entre iniciativas inovadoras. “Por meio do Mapa Conecta, a Seagri e o Mapa levantam empresas baianas com projetos inovadores, startups e tecnologias para o agro. A ideia é conectar essas iniciativas a grandes projetos estruturantes, como o da Acelen, fortalecendo o intercâmbio de conhecimento e soluções tecnológicas para o campo na Bahia.”
A consultora de Inovação Agropecuária do Mapa, Patrícia Fonseca, acrescentou: “Essa parceria com a Acelen permite que experiências desenvolvidas por instituições baianas em tecnologia e inovação sejam aplicadas pela empresa e disseminadas em outras unidades no país.”
Por que a macaúba é estratégica
A macaúba (Acrocomia aculeata) se destaca pelo alto rendimento de óleo vegetal para biocombustíveis e pela grande capacidade de absorver gás carbônico da atmosfera. Estudos mostram que os combustíveis derivados da macaúba podem reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis. O cultivo também favorece a cobertura vegetal, a conservação do solo, a recuperação de mananciais hídricos e serve de alimento para aves e animais nativos.
Atualmente, o Brasil mistura 14 litros de biodiesel a cada 100 litros de diesel comercializados. Esse mercado movimenta cerca de 9 bilhões de litros por ano. A demanda tende a crescer: o setor de aviação civil planeja utilizar 480 bilhões de litros de SAF até 2050, o que pode triplicar o consumo de óleo vegetal nos próximos 25 anos.
Diante desse cenário, a macaúba surge como alternativa estratégica para o futuro dos biocombustíveis no país, aliando alta produtividade por hectare e sustentabilidade.


