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  • Búfalos invadem 12% da maior reserva biológica de Rondônia

    Búfalos invadem 12% da maior reserva biológica de Rondônia

    No Vale do Guaporé, oeste de Rondônia, cerca de 5 mil búfalos pisam sobre solos que não são os seus. Eles secam lagoas, expulsam espécies nativas, assustam aldeias indígenas e resistem há mais de 70 anos a todas as tentativas de controle. Em maio de 2026, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) autorizou o ICMBio a retomar o abate experimental dos animais — desta vez de helicóptero. O problema, porém, está longe de acabar.

    Tudo começou em 1953, quando o então Território Federal do Guaporé comprou 36 búfalos da Ilha de Marajó, no Pará, para abastecer a Fazenda Pau D’Óleo. Com o abandono da propriedade, os animais escaparam, encontraram um ambiente fértil e, sem predadores naturais, simplesmente nunca pararam de se reproduzir.

    Hoje o rebanho ocupa aproximadamente 96.622 hectares dentro da Reserva Biológica do Guaporé. Isso é o equivalente a 12% de toda a unidade de conservação. O ICMBio estima 4.782 animais na área, mas o Ministério Público Federal (MPF) projeta um cenário ainda mais grave: sem intervenção, o número pode chegar a 50 mil até 2030.

    Uma máquina de destruição ecológica

    Os búfalos não são apenas numerosos, são destrutivos de forma sistemática. Pesados, com cascos largos e comportamento gregário, eles compactam o solo, desviam cursos d’água e pisoteiam a vegetação dos campos alagados, ecossistema único que mistura características da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado.

    Os dados mostram o tamanho do estrago: nos últimos 34 anos, a superfície de água na área de transição ecológica caiu 48%. O cervo-do-pantanal, espécie ameaçada de extinção, compete diretamente com os búfalos por espaço e recursos hídricos. E perde.

    Além dos danos físicos ao ambiente, pesquisadores do ICMBio alertam para um risco menos visível. Segundo a analista ambiental Wilhan Cândido, a mudança ecológica provocada pelos bubalinos pode facilitar a dispersão de vírus, bactérias, fungos, protozoários e parasitas. “O impacto pode ser muito maior do que está visível. Podemos estar vendo só a ponta do iceberg”, disse ela.

    Perigo para quem vive na floresta

    O problema não afeta só a fauna e a flora. O povo indígena Tupari relatou à Justiça que os búfalos se aproximam cada vez mais das aldeias, colocando em risco crianças, idosos e moradores. Essa foi uma das razões que levou o TRF1 a considerar urgente a retomada dos abates em maio de 2026.

    Além da ameaça física, a situação gera riscos sanitários para comunidades que vivem próximas à reserva. E pode manchar a reputação da pecuária rondoniense no mercado externo, como aponta o próprio MPF na ação civil pública.

    Por que não dá para soltar ou vender os animais?

    A pergunta parece óbvia: por que simplesmente não retirar os búfalos vivos? A resposta está na geografia e na biologia. A reserva fica em uma região de acesso extremamente difícil, especialmente durante as cheias. Não existe logística viável para transportar milhares de animais de grande porte por aquele terreno.

    Pior: como o rebanho cresceu sem qualquer controle sanitário por décadas, a carne não tem certificação e não pode ser aproveitada para consumo. Isso torna o abate a única saída técnica viável. Mesmo que ela gere controvérsia.

    Abate de helicóptero e batalha judicial

    O ICMBio realizou os primeiros abates experimentais entre 16 e 20 de março de 2026, com controladores de fauna do Exército Brasileiro e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Dias depois, o MPF pediu a suspensão das atividades, alegando falta de um plano formal de controle e de consulta prévia às comunidades indígenas e quilombolas.

    A Funai também entrou no debate, defendendo que o abate permanecesse suspenso até a realização de consulta livre e informada com os povos tradicionais, como prevê a Convenção 169 da OIT.

    O TRF1, porém, reconsiderou. Em meados de maio, o tribunal autorizou a retomada do projeto-piloto, reconhecendo seu caráter científico e a urgência da situação. Especialmente após os relatos do povo Tupari. A nova fase prevê o abate de aproximadamente 10% do rebanho, com equipes sobrevoando a reserva em helicópteros e realizando disparos durante o voo.

    Lei existe desde 2016, mas o problema, persiste

    O Estado de Rondônia não pode dizer que não sabia. Em 2016, o então governador Confúcio Moura sancionou a Lei nº 3.771, que estabeleceu diretrizes para manejo, controle e erradicação dos búfalos na reserva.

    O MPF aponta que o Estado é o principal responsável pelo problema, já que os animais escaparam justamente da Fazenda Pau D’Óleo, propriedade pública estadual. Por isso, a ação civil pública pede que Rondônia pague R$ 20 milhões por dano moral coletivo, com o valor destinado à recuperação ambiental da área.

    O setor produtivo toma posição

    A polêmica em torno dos abates chegou também ao setor bubalino organizado. A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) divulgou nota oficial em que reconhece os impactos ambientais da situação, mas faz questão de separar os animais do Guaporé da bubalinocultura produtiva nacional.

    Segundo a entidade, os búfalos da reserva têm origem nas iniciativas de introdução produtiva dos anos 1950. Com o abandono da Fazenda Pau D’Óleo, parte do rebanho passou a se reproduzir sem qualquer manejo, controle sanitário ou acompanhamento zootécnico. Algo que a ABCB afirma não ter relação com a atividade organizada que representa.

    “A situação registrada em Rondônia não representa a bubalinocultura brasileira conduzida de forma técnica, produtiva e responsável”, diz a nota. A associação defende que o caso exige “avaliação técnica, critérios científicos, respeito à legislação ambiental e protocolos adequados de bem-estar animal”, com atuação coordenada dos órgãos competentes.

    A ABCB também se ofereceu para contribuir tecnicamente com o debate, por meio do compartilhamento de conhecimento sobre manejo de bubalinos. O setor tem razões econômicas claras para se distanciar do caso: o MPF já alertou que a proliferação descontrolada dos animais pode prejudicar a credibilidade da cadeia pecuária de Rondônia no mercado externo.

    O que vem a seguir

    O projeto-piloto em andamento não é a solução definitiva, mas apenas o primeiro passo para construir um plano de erradicação em larga escala. O ICMBio precisa, com os dados do abate experimental, definir os métodos mais eficientes e ambientalmente seguros antes de avançar sobre o restante do rebanho.

    O prazo dado pela Justiça Federal é de 14 meses para execução das medidas , levando em conta que parte do ano a região fica inacessível por causa das cheias. Enquanto isso, os búfalos continuam se reproduzindo.

  • Caçador americano morre pisoteado por 5 elefantes durante safari

    Caçador americano morre pisoteado por 5 elefantes durante safari

    Um caçador experiente dos EUA encontrou um fim trágico na floresta africana. Ernie Dosio, de 75 anos, morreu atacado por uma manada de elefantes durante safari no Gabão. O incidente expõe os perigos imprevisíveis de caçadas legais em áreas selvagens.

    Tragédia no parque nacional

    Ernie Dosio participava de uma caçada licenciada no Parque Nacional de Lopé-Okanda, no Gabão. O grupo buscava antílopes raros, como o duiker de dorso amarelo, e bufalos-anões. Tudo custava cerca de 30 mil libras esterlinas. De repente, cinco elefantes fêmeas com um filhote surgiram da vegetação densa. Eles atacaram sem aviso.

    O guia profissional foi jogado ao chão e desarmado. Dosio, armado apenas com um rifle leve para presas menores, não resistiu. A morte veio rápida, sob as patas dos animais. A Collect Africa Safaris, operadora do tour, confirmou o fato e organizou o repatriamento do corpo aos EUA.

    “Enquanto estavam na floresta, Ernie e seu caçador profissional surpreenderam cinco fêmeas de elefante da floresta com filhotes e, sentindo-se ameaçados, os elefantes os atacaram imediatamente.” — Caçador aposentado na Cidade do Cabo, em entrevista ao jornal britânico The Mirror.

    Foto de arquivo – Ernie Dosio, em 2014
    Imagem: Reprodução/bobbyhansensafaris.com

    “Ernie havia agendado uma caçada de búfalos anões da floresta e duikers, em particular o duiker de dorso amarelo, e sob leis rigorosas de licenciamento ele não podia levar suas próprias armas”, afirmou o mesmo caçador.

    Veterano das caçadas troféu

    Ernie Dosio era dono da Pacific AgriLands Inc, empresa ligada à gestão de vinhedos na Califórnia. Entusiasta, colecionava troféus em casa. Suas salas exibiam centenas de animais empalhados, incluindo elefantes de caçadas passadas. Aos 75 anos, ele optou por uma caçada seletiva na floresta pluvial. No entanto, elefantes protegidos transformaram o passeio em fatalidade. Familiares e amigos lamentam a perda de um apaixonado pela aventura.

    Morte de Ernie Dosio expõe perigos.          Imagem: Reprodução/Flickr

    “Ernie realizava um evento de caridade lá todo mês, onde comida era servida aos membros das lojas Elk e cidadãos respeitáveis da comunidade”, afirmou um amigo à imprensa britânica.

    O corpo do caçador vai ser repatriado para a Califórnia, com apoio da embaixada dos EUA no Gabão. A informação foi relatada por pessoas próximas à família.

    Licenças de caça e elefantes-da-floresta no Gabão

    Caçadas no Gabão seguem regras rígidas locais sobre armas e espécies permitidas. Um caçador aposentado defendeu as atividades do grupo. “Embora muitos discordem da caça de grandes animais, todas as caçadas de Ernie eram estritamente licenciadas e legais, e registradas como conservação no controle do número de animais”, afirmou ele.

    O Gabão abriga uma das maiores populações de elefantes-da-floresta do planeta, com cerca de 50 mil animais. Esse número representa aproximadamente 60% da população remanescente da espécie. A concentração eleva os riscos em safáris na região.

    Riscos em safáris africanos

    Incidentes assim não são isolados na África. Elefantes protegem crias com fúria extrema em habitats densos. Caçadores pagam fortunas por licenças legais, mas a natureza ignora regras. No Gabão, o parque Lopé-Okanda abriga populações ameaçadas, elevando tensões.

    Operadoras como Collect Africa enfatizam guias treinados. Ainda assim, ataques surpresa persistem. Para turistas e caçadores, o alerta é claro: o luxo esconde perigos letais.

  • Operação Feira Virtual do Ibama: redes sociais viraram palco para caça

    Operação Feira Virtual do Ibama: redes sociais viraram palco para caça

    Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou mais de R$ 835 mil em multas para combater crimes contra a fauna em Pernambuco e na Paraíba. A Operação Feira Virtual, realizada no início de novembro, autuou 11 pessoas e expôs uma prática criminosa que se beneficia da internet: um dos investigados usava perfis em redes sociais para exibir vídeos de caça e abate de animais silvestres, incentivando publicamente as ilegalidades.

    As equipes do Ibama percorreram municípios de Pernambuco (Arcoverde, Águas Belas e São José do Belmonte) e da Paraíba (Barra de São Miguel). Durante as ações, os fiscais lavraram 18 Autos de Infração por crimes como caça profissional, maus-tratos, exploração de imagem de animais em cativeiro ilegal e comércio de produtos usados na caça.

    Apreensões expõem gravidade dos crimes

    As fiscalizações resultaram na apreensão de 21 animais. Dentre eles, estavam 19 animais silvestres nativos, incluindo papagaios-verdadeiros, jabutis e pássaros, além de dois animais exóticos da espécie ring-neck. Os agentes também confiscaram duas armas de caça, 104 coleiras para cães de caça e 6 quilos de chumbo, material usado para fabricar projéteis ilegais para carabinas de pressão.

    Um dos autuados, que fabricava e vendia esses projéteis, publicava vídeos dos abates. Em um dos registros, um veado-catingueiro foi morto com um disparo a 55 metros de distância.

    Além das autuações presenciais, o Ibama emitiu cinco notificações determinando a remoção de centenas de vídeos e imagens que mostravam caça, maus-tratos e cativeiro ilegal. A medida visa cortar pela raiz a divulgação e a possível monetização de conteúdos que incentivam crimes ambientais.

    Ibama atuou em PE e PB para reprimir caça ilegal, cativeiro e maus-tratos a animais silvestres – Foto: Amaro Fernandes/Ibama/PE

    Os animais silvestres resgatados já retornaram a áreas de soltura compatíveis com seu habitat. Já os animais exóticos seguiram para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Pernambuco, onde recebem cuidados veterinários antes de uma destinação adequada.

    A Operação Feira Virtual continuará em outras regiões do país. Para denunciar a venda ilegal de animais, a população pode ligar para a Ouvidoria do Ibama no telefone 0800 061 8080.

  • Influenciadores digitais são alvo de operação do Ibama

    Influenciadores digitais são alvo de operação do Ibama

    Uma operação do Ibama no Acre desarticulou uma rede de crimes ambientais que usava redes sociais para promover a caça, a captura e a venda ilegal de animais silvestres. A ação, batizada de “Operação Feira Virtual”, resultou na aplicação de mais de R$ 430 mil em multas.

    Foto: Ibama/AC

    A força-tarefa partiu de um extenso trabalho de inteligência digital. Agentes do Ibama monitoraram grupos e perfis em plataformas online que divulgavam livremente vídeos de maus-tratos, abate e comercialização de espécies nativas da Amazônia. Esse monitoramento permitiu que os fiscais identificassem e localizassem os responsáveis.

    Com apoio da Polícia Federal, as equipes cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados, muitos deles considerados “influenciadores” no meio da caça ilegal. Durante as diligências, os agentes coletaram provas materiais e digitais, incluindo imagens e vídeos que mostravam a morte de animais como paca, cateto, tatu, jacaré-açu e aves silvestres. As provas também confirmavam a promoção de rifas e torneios clandestinos de caça.

    Multas e impacto ambiental

    O Ibama aplicou multas que somam R$ 430 mil. Os autos de infração citam crimes como morte e captura de animais sem autorização, maus-tratos, uso comercial de imagens de fauna em cativeiro e exploração de imagens em unidades de conservação sem permissão. Os fiscais também apreenderam uma “câmera trap” instalada irregularmente dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, equipamento usado para registrar imagens de animais de forma ilegal.

    Os vídeos analisados revelaram o uso de armadilhas e técnicas de caça predatória, agravando o impacto negativo sobre populações de fauna já vulneráveis.

    Além das medidas repressivas, o Ibama realizou ações de educação ambiental com a comunidade local. O objetivo foi alertar a população sobre os graves riscos e prejuízos ecológicos causados pela caça e pelo tráfico de animais silvestres. Reforçando a importância da conservação da biodiversidade amazônica.

  • Onça-pintada é flagrada arrastando boi no Pantanal

    Onça-pintada é flagrada arrastando boi no Pantanal

    Uma onça-pintada (Panthera onca) foi flagrada nesta terça-feira (20) arrastando a carcaça de um boi por um rio no Pantanal, um dos maiores biomas do Brasil e reconhecido pela sua rica biodiversidade. O momento impressionante foi registrado por Branco Arruda, renomado guia de turismo e documentarista da vida selvagem pantaneira, conhecido nas redes sociais como @arrudabranco.

    A protagonista da cena é Ti, uma onça-pintada já conhecida na região por sua força e comportamento marcante. O animal surpreendeu turistas e pesquisadores ao arrastar uma presa que pesa aproximadamente o dobro do seu próprio corpo. Um feito que evidencia a força e habilidade do maior felino das Américas.

    O registro reforça a importância do Pantanal como habitat essencial para a onça-pintada, espécie considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O flagrante também destaca o papel do turismo responsável e da documentação científica para a valorização e proteção da fauna brasileira.

    De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a presença da onça-pintada é um indicador da saúde dos ecossistemas do Pantanal, ressaltando a necessidade de esforços contínuos para a conservação do bioma e de suas espécies emblemáticas.

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