Tag: Caça ilegal

  • Operação flagra caça ilegal e pesca predatória

    Operação flagra caça ilegal e pesca predatória

    A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) realizou, na última semana, uma operação de fiscalização no extremo sul do estado para combater crimes ambientais, com foco em caça ilegal, queimadas e pesca predatória. As ações ocorreram nos municípios de Bom Jesus, Cristino Castro, Redenção do Gurguéia, Morro Cabeça no Tempo e Curimatá.

    Durante a operação, as equipes ambientais intensificaram orientações sobre o uso irregular do fogo, em um período de altas temperaturas e elevado risco de incêndios florestais. Além da abordagem educativa, os agentes realizaram apreensões, autuações e encaminhamentos à delegacia.

    Caça ilegal: homem preso e armadilhas apreendidas

    No combate à caça predatória, um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo em Morro Cabeça no Tempo. Já na zona rural de Redenção do Gurguéia, fiscais localizaram diversas armadilhas usadas para capturar animais silvestres como tatu, veado e caititu. Também foi apreendida uma carabina de pressão de alta precisão, utilizada para abater aves de grande porte.

    Outro ponto crítico foi a identificação de um incêndio florestal em área rural de Redenção do Gurguéia, visível da BR-135. Com apoio de imagens de satélite, a Semarh constatou a queima de aproximadamente 230 hectares de vegetação nativa em uma propriedade rural já identificada. O caso segue sob investigação.

    Pesca predatória: barramentos e redes bloqueiam rio Gurguéia

    Na fiscalização pesqueira, a Semarh encontrou cerca de 20 barramentos construídos no leito do rio Gurguéia. Desses, dez estavam ocupados por redes de pesca irregulares, que bloqueavam praticamente toda a largura do rio. Três pescadores foram autuados. E o valor total das multas chegou a R$ 15 mil. A equipe apreendeu e destruiu aproximadamente 900 metros de redes.

    O gerente de fiscalização da Semarh, Renato Nogueira, destacou que as ações têm foco preventivo e educativo, mas sem abrir mão do cumprimento da legislação ambiental.

    “Essas ações possuem caráter preventivo e educativo, mas quando encontramos ilícitos ambientais, adotamos todas as providências necessárias para garantir o cumprimento da legislação e a preservação dos recursos naturais”, afirmou Nogueira.

    Ele acrescentou que as operações continuarão ao longo de todo o ano, abrangendo também o combate ao desmatamento, mineração ilegal e a apuração de denúncias ambientais em várias regiões do Piauí.

  • Operação Feira Virtual do Ibama: redes sociais viraram palco para caça

    Operação Feira Virtual do Ibama: redes sociais viraram palco para caça

    Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou mais de R$ 835 mil em multas para combater crimes contra a fauna em Pernambuco e na Paraíba. A Operação Feira Virtual, realizada no início de novembro, autuou 11 pessoas e expôs uma prática criminosa que se beneficia da internet: um dos investigados usava perfis em redes sociais para exibir vídeos de caça e abate de animais silvestres, incentivando publicamente as ilegalidades.

    As equipes do Ibama percorreram municípios de Pernambuco (Arcoverde, Águas Belas e São José do Belmonte) e da Paraíba (Barra de São Miguel). Durante as ações, os fiscais lavraram 18 Autos de Infração por crimes como caça profissional, maus-tratos, exploração de imagem de animais em cativeiro ilegal e comércio de produtos usados na caça.

    Apreensões expõem gravidade dos crimes

    As fiscalizações resultaram na apreensão de 21 animais. Dentre eles, estavam 19 animais silvestres nativos, incluindo papagaios-verdadeiros, jabutis e pássaros, além de dois animais exóticos da espécie ring-neck. Os agentes também confiscaram duas armas de caça, 104 coleiras para cães de caça e 6 quilos de chumbo, material usado para fabricar projéteis ilegais para carabinas de pressão.

    Um dos autuados, que fabricava e vendia esses projéteis, publicava vídeos dos abates. Em um dos registros, um veado-catingueiro foi morto com um disparo a 55 metros de distância.

    Além das autuações presenciais, o Ibama emitiu cinco notificações determinando a remoção de centenas de vídeos e imagens que mostravam caça, maus-tratos e cativeiro ilegal. A medida visa cortar pela raiz a divulgação e a possível monetização de conteúdos que incentivam crimes ambientais.

    Ibama atuou em PE e PB para reprimir caça ilegal, cativeiro e maus-tratos a animais silvestres – Foto: Amaro Fernandes/Ibama/PE

    Os animais silvestres resgatados já retornaram a áreas de soltura compatíveis com seu habitat. Já os animais exóticos seguiram para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Pernambuco, onde recebem cuidados veterinários antes de uma destinação adequada.

    A Operação Feira Virtual continuará em outras regiões do país. Para denunciar a venda ilegal de animais, a população pode ligar para a Ouvidoria do Ibama no telefone 0800 061 8080.

  • Ibama autua influenciador digital por divulgar caça ilegal na Bahia

    Ibama autua influenciador digital por divulgar caça ilegal na Bahia

    Uma operação do Ibama no sertão da Bahia resultou na autuação de um influenciador digital por divulgar vídeos de caça ilegal em suas redes sociais. O homem, com mais de 180 mil seguidores, foi identificado após fiscalização e monitoramento das publicações que exibiam práticas ilegais contra a fauna silvestre. A abordagem ocorreu no município de Canarana (BA).

    Durante a ação, os fiscais não encontraram armas nem animais silvestres com o influenciador, mas o multaram por promover e incentivar a caça, proibida pela legislação ambiental brasileira. As multas somaram R$ 11,5 mil. Após a notificação, o infrator removeu todas as publicações relacionadas. O caso segue para as autoridades competentes, que conduzirão as investigações.

    Foto: Tadeu da Costa Silva/Ibama

    Em uma ação paralela na mesma região, fiscais do Ibama atenderam denúncias sobre a manutenção ilegal de animais silvestres em cativeiro. Em duas residências distintas, eles encontraram 12 pássaros engaiolados, entre eles 2 periquitos-da-caatinga, 2 galos-de-campina, 2 coleirinhos, 2 periquitões, 1 baiano, 1 bigodinho, 1 sofrê e 1 tico-tico-rei cinza.

    O Ibama devolveu parte dessas aves à natureza em áreas específicas de soltura. Equipes do órgão ambiental encaminharam as aves feridas ou em reabilitação ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Salvador (BA). As multas aplicadas, considerando caça ilegal, manutenção em cativeiro e maus-tratos, totalizaram R$ 24 mil.

  • Projeto monitora 27 onças-pintadas ameaçadas pelo desmatamento no Norte de Minas

    Projeto monitora 27 onças-pintadas ameaçadas pelo desmatamento no Norte de Minas

    Pesquisadores monitoram desde meados de 2024 as onças-pintadas e pretas que habitam o Cerrado nativo do Norte de Minas. O projeto “Onças – Guardiãs do Grande Sertão Veredas” utiliza armadilhas fotográficas distribuídas em 93 mil hectares, área equivalente a três vezes o tamanho de Belo Horizonte.

    O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) viabiliza a iniciativa com recursos de medidas compensatórias, por meio do Semente, núcleo que incentiva projetos sociais e ambientais. A organização não-governamental Onçafari executa o trabalho de campo.

    A equipe já identificou 27 onças-pintadas na região, sendo seis com pelagem preta. O coordenador do projeto, biólogo Eduardo Fragoso, destaca que a região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas possui uma das maiores proporções de onças melânicas do mundo.

    “As onças-pintadas e pretas são a mesma espécie. A diferença na cor ocorre devido a uma mutação genética. As pintas existem embaixo da pelagem negra, mas não é possível vê-las a olho nu”, explica Fragoso.

    Nascimento de trigêmeos marca quinta fase do monitoramento

    A quinta fase do projeto registrou o nascimento de filhotes trigêmeos de uma onça-pintada. A equipe acompanha a mãe dos filhotes desde 2019, quando ela nasceu na região do Parque.

    Foto: Onçafari

    Dois biólogos e dois assistentes de pesquisa compõem o time que monitora a área mineira. As armadilhas fotográficas captam imagens e vídeos automaticamente ao detectar movimentação. O Parque Nacional Grande Sertão Veredas abrange 230 mil hectares entre Minas Gerais e Bahia.

    Desmatamento transforma Cerrado em ilha isolada

    O projeto revela que as onças permanecem exclusivamente nas áreas de Cerrado nativo. Imagens de satélite mostram que o bioma natural se transforma em uma ilha cercada por pastos e lavouras.

    “As onças-pintadas não andam nas lavouras nem nas pastagens. Elas não saem do Cerrado”, afirma Fragoso. O biólogo aponta o desmatamento como a maior ameaça aos animais.

    O confinamento em espaços cada vez menores força as onças a cruzarem com animais da mesma família. Esse isolamento genético causa doenças consanguíneas e problemas reprodutivos que comprometem a preservação da espécie.

    Corredores ecológicos podem garantir sobrevivência dos felinos

    Os pesquisadores propõem a criação de corredores ecológicos de mata nativa. Essas passagens permitiriam que as onças circulem livremente por territórios extensos e encontrem outras populações da espécie para reprodução.

    “As onças-pintadas e pretas precisam de áreas gigantescas para viver. Ao entendermos o comportamento desses animais e o ambiente necessário para eles, ajudamos a proteger o meio ambiente, as onças e todos os outros bichos que convivem no mesmo bioma”, explica o coordenador.

    Os pesquisadores classificam as onças como “espécie guarda-chuva”. No topo da cadeia alimentar, elas controlam as populações de outras espécies e mantêm o equilíbrio ecológico dos ecossistemas onde vivem.

    Caça ilegal ameaça presas naturais e gera conflitos

    A presença de caçadores representa outra ameaça significativa. Os caçadores matam tanto as onças quanto os animais menores que servem de alimento para os felinos.

    “Sem as presas naturais, as onças podem atacar animais de criação na região, como o gado, gerando conflito com os moradores”, informa Fragoso.

    A equipe aplica questionários nas comunidades tradicionais do entorno do Parque para identificar os principais conflitos entre a população local e as onças. Em um ano, os pesquisadores aplicaram cerca de 80 questionários e pretendem chegar a 100.

    As respostas coletadas complementarão as ações educacionais ambientais realizadas com as comunidades locais. O trabalho busca promover a convivência pacífica entre humano