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  • Cabras sobem em árvores e cena impressiona o mundo

    Cabras sobem em árvores e cena impressiona o mundo

    Imagine olhar para uma árvore e ver dezenas de cabras equilibradas nos galhos. A cena parece editada ou até surreal. No entanto, ela acontece de verdade, e há séculos.

    No sudoeste do Marrocos, as chamadas cabras-árvore se tornaram um fenômeno natural que intriga moradores, turistas e pesquisadores.

    Além disso, o comportamento não é recente. Registros mostram que essas cabras já sobem em árvores há centenas de anos.

    O segredo está na árvore de argan

    O motivo por trás dessa cena curiosa é simples: comida.

    As cabras são atraídas pelos frutos da argan tree, uma árvore típica da região. Esses frutos são ricos em nutrientes e extremamente valorizados, tanto pelos animais quanto pelos humanos.

    Por isso, os animais escalam os troncos e se equilibram nos galhos para alcançar os melhores pontos. Mesmo em alturas consideráveis, elas demonstram agilidade impressionante.

    Equilíbrio surpreende especialistas

    Apesar do peso e da aparência pouco “atlética”, as cabras conseguem se movimentar com precisão entre os galhos.

    Isso acontece porque possuem cascos adaptados e excelente senso de equilíbrio. Assim, conseguem distribuir o peso e se apoiar em áreas pequenas sem cair.

    Foto de Wolfgang Kaehler LightRocket, Getty Images

    Além disso, especialistas explicam que esse comportamento é aprendido. Ou seja, cabras mais jovens observam as mais velhas e repetem o padrão.

    Fenômeno impacta até a economia local

    Curiosamente, o hábito das cabras influencia até a produção de óleo de argan, um dos produtos mais valiosos do Marrocos.

    Após consumir os frutos, os animais eliminam as sementes. Essas sementes são coletadas, limpas e utilizadas na produção do óleo, muito usado na culinária e na indústria cosmética.

    Além disso, o fenômeno virou atração turística. Visitantes viajam só para registrar a cena das cabras nas árvores.

    Nem tudo é tão natural quanto parece

    Apesar da fama, nem sempre as cenas são espontâneas. Em algumas regiões, pastores colocam cabras nas árvores para atrair turistas.

    Isso gera debate entre ambientalistas. Por um lado, a prática movimenta a economia local. Por outro, levanta preocupações sobre o bem-estar animal. Ecologistas dizem que fazer cabras ficarem em árvores de argan por horas é ruim para os animais e para as árvores.

    Um espetáculo curioso da natureza

    Ainda assim, quando ocorre de forma natural, o fenômeno continua sendo um dos mais curiosos do mundo animal.

    A combinação entre adaptação, instinto e necessidade mostra como os animais encontram soluções surpreendentes para sobreviver. Mauro Belloni, um estudante visitante da Itália que parou na árvore de Benaddi, parece ao mesmo tempo atordoado e perplexo ao observar a cena. “É incrível. Eu pensei que as cabras eram falsas quando vi fotos delas. Mas elas são reais, na verdade estão posando”, admirou-se.

    Por fim, as cabras que sobem em árvores provam uma coisa: a natureza sempre encontra formas de surpreender, mesmo quando parece impossível.

  • Ilha da Trindade: vegetação cresce 1.400% após remoção de cabras invasoras

    Ilha da Trindade: vegetação cresce 1.400% após remoção de cabras invasoras

    A Ilha da Trindade, localizada a 1.160 quilômetros da costa do Espírito Santo, vive um processo extraordinário de regeneração ambiental. Após quase três séculos de devastação causada por cabras introduzidas na região, o ecossistema insular demonstra notável resiliência, com expansão de 1.468% da cobertura florestal em apenas três décadas.

    Foto: Marinha do Brasil

    Estudos conduzidos pelo Museu Nacional da UFRJ revelam que a vegetação nativa está se recuperando sem intervenção humana desde 2005, quando os últimos animais invasores foram eliminados. A pesquisadora Márcia Gonçalves, do Laboratório de Fitogeografia Insular e Montana, integrou a equipe de monitoramento em 2023 e acompanha de perto a transformação da paisagem.

    O monitoramento sistemático iniciado em 2014 documentou a evolução de áreas que haviam se tornado verdadeiros desertos de pedras. Utilizando sensoriamento remoto e comparação de imagens históricas, os cientistas mapearam o ressurgimento gradual da flora endêmica.

    A cobertura florestal passou de menos de 5% para aproximadamente 15% da área original, representando 65 hectares recuperados. A vegetação rasteira apresentou crescimento ainda mais expressivo, expandindo-se em 325 hectares, um aumento de 319%.

    Espécies endêmicas escapam da extinção

    O impacto das cabras foi devastador para a biodiversidade única da ilha. Algumas espécies vegetais que existem apenas em Trindade foram reduzidas a menos de dez indivíduos. Atualmente, essas mesmas espécies já contam com populações de aproximadamente cem exemplares, segundo os pesquisadores.

    As áreas verdes sobreviventes se concentravam apenas nos pontos mais elevados e inacessíveis da ilha, como a floresta de samambaias gigantes, onde os animais invasores tinham dificuldade de chegar.

    Publicação científica documenta transformação

    Os resultados dessa pesquisa foram publicados em julho de 2025 no Journal of Vegetation Science. O estudo, que conta com participação de Felipe Zuñe, Ruy José Válka Alves e Nílber Gonçalves da Silva, além de Márcia Gonçalves, recebeu o título que traduz o fenômeno observado: da perturbação à recuperação ambiental.

    A equipe pretende continuar o monitoramento e fazer projeções para a cobertura vegetal até 2125, permitindo compreender melhor a dinâmica de regeneração em ambientes insulares isolados.

    Legado histórico de devastação ambiental

    A introdução das cabras em Trindade remonta ao ano de 1700, quando o astrônomo Edmond Halley, conhecido pela descoberta do cometa que leva seu nome, deixou os animais na ilha durante viagem à Ilha de Santa Helena. O objetivo era garantir fonte de alimento para possíveis náufragos, conforme explica Paulo Câmara, professor do Departamento de Botânica da UnB.

    A estratégia, comum na época das grandes navegações, revelou-se desastrosa para o frágil ecossistema insular. As cabras consomem praticamente todas as partes das plantas, incluindo raízes, sementes e frutos, além de causar danos pelo pisoteio constante.

    Erradicação levou décadas para ser concluída

    Especialistas estimam que a população de cabras chegou a 800 indivíduos, além de centenas de ovelhas, burros e outros animais domésticos. Ruy Valka Alves, professor do Museu Nacional, participou das primeiras iniciativas de erradicação e alertou as autoridades sobre o risco de esgotamento dos recursos hídricos da ilha.

    As tentativas de remoção começaram em 1957, mas o relevo acidentado dificultava o acesso a diversas áreas. Em 2002, as equipes eliminaram apenas 200 dos 800 animais estimados. Somente em 2005, mais de três décadas após o início do projeto, elas removeram definitivamente os últimos caprinos.

    Transformação visível da paisagem

    A recuperação ambiental trouxe mudanças marcantes para Trindade. Uma cachoeira mencionada em registros históricos de 1600 voltou a aparecer após séculos desaparecida, evidenciando a restauração do ciclo hidrológico local.

    Mesmo com as transformações já observadas, a ilha ainda possui longo caminho pela frente. Antes da chegada de Halley, pesquisadores estimam que a floresta cobria 85% da área total. Atualmente, mesmo após o crescimento expressivo, a vegetação cobre cerca de 15% do território.

    O caso de Trindade ilustra os riscos das espécies exóticas para ecossistemas isolados. A capacidade de regeneração natural demonstrada pela ilha surpreende especialistas, considerando que ambientes insulares são particularmente sensíveis a perturbações.

    A pesquisadora Márcia Gonçalves enfatiza que o caso evidencia a necessidade de atenção redobrada com a introdução de espécies não nativas, reconhecidas como grandes causadoras de desequilíbrio ecológico.

    Acesso restrito e preservação

    A Ilha da Trindade é uma Área de Proteção Ambiental com acesso controlado pela Marinha do Brasil. O local abriga até 46 pessoas, entre militares e pesquisadores, que permanecem em turnos de até quatro meses. A viagem desde o continente leva quatro dias em embarcação da Marinha.

    Foto: Marinha do Brasil

    O arquipélago formado por Trindade e Martin Vaz representa o ponto mais distante do litoral brasileiro, integrando a cadeia de montes submarinos vulcânicos Vitória-Trindade. A região abriga biodiversidade única, com diversas espécies endêmicas encontradas exclusivamente naquele ecossistema.

  • Nachi: conheça as cabras dançarinas

    Nachi: conheça as cabras dançarinas

    As cabras Nachi, também conhecidas como “cabras dançarinas”, são uma raça originária do Paquistão. Elas se destacam pelo seu modo peculiar de andar, que lembra uma dança. O nome “Nachi” deriva justamente desse comportamento. Ao caminhar, esses animais balançam o corpo de forma rítmica, parecendo executar passos coreografados, o que chama a atenção de criadores e admiradores ao redor do mundo.

    Essa característica única tornou as cabras Nachi populares em concursos de beleza e elegância no Paquistão. Elas são avaliadas tanto pela aparência quanto pelo estilo de andar. A seleção genética ao longo dos anos reforçou esse traço, tornando-o um dos principais critérios para a valorização da raça.

    Sucesso nas redes

    Além disso, a aparência distinta das cabras Nachi, combinada com seu comportamento gracioso, contribui para que elas sejam frequentemente compartilhadas em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube, onde conteúdos visuais e curiosidades sobre animais ganham grande repercussão. A originalidade desse “passo de dança” é um diferencial que as torna facilmente reconhecíveis e admiradas. E ajuda a criar uma comunidade de fãs e criadores que valorizam essa raça.

    Originárias das regiões de Jhang, Multan, Bahawalpur, Muzaffargarh, Layyah e Bahawalnagar, essas cabras têm pelagem curta e áspera, geralmente preta ou preta com manchas brancas, e porte médio. Pesam cerca de 28–35 kg, e têm orelhas de comprimento médio, chifres pequenos e focinho reto.

    Além do aspecto visual, as cabras Nachi são criadas principalmente como animais de estimação ou para fins culturais, não sendo conhecidas por altas produções de leite ou carne, como ocorre com outras raças caprinas. Elas possuem porte médio, pelagem geralmente curta e variada, e se adaptam bem ao clima do sul da Ásia.

    Além disso, o fascínio pelas cabras Nachi vai além da utilidade agrícola. Elas são símbolo de tradição, beleza e singularidade no universo da caprinocultura. Especialmente no Paquistão, onde são motivo de orgulho regional e atração em feiras e festivais.

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  • Cabras que viveram 200 anos sem água deixam ilha na Bahia

    Cabras que viveram 200 anos sem água deixam ilha na Bahia

    Por mais de dois séculos, um rebanho de cabras resistiu como pôde no meio do nada, isolado na Ilha Santa Bárbara, no arquipélago de Abrolhos (BA). Sem água doce, sem cuidados humanos, sem trégua. Deixadas ali por navegadores coloniais como reserva de carne, elas sobreviveram ao sal, ao calor escaldante e à solidão — como se tivessem feito um pacto com o tempo.

    Agora, depois de mais de 200 anos, deixaram a ilha. Mas não por conta própria. Para viabilizar a ação, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) coordenou uma força-tarefa que envolveu a Embrapa, a Uesb, a Marinha e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), integrando esforços em prol da preservação ambiental e da pesquisa científica.

    As equipes realizaram três missões entre janeiro e março deste ano para retirar 27 cabras da Ilha Santa Bárbara, com apoio logístico da Marinha do Brasil. Desse total, 21 animais seguiram para o campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em Itapetinga. Atualmente, elas permanecem em quarentena, onde se adaptam ao novo ambiente, passam por isolamento. Afinal, jamais haviam tido contato com doenças comuns fora da ilha.

    A retirada marca um novo começo: o fim do impacto ambiental causado pelo pastoreio nas ilhas e o início de uma jornada científica. O solo destruído, a vegetação rarefeita e as aves marinhas impedidas de se reproduzir agora têm a chance de se recuperar.

    Foto: Reprodução Pesquisadores

    “É como se a gente tivesse achado um tesouro no meio do mar”, diz Ronaldo Vasconcelos, professor de Zootecnia da Uesb. Para ele, o que impressiona por exemplo é a resistência dos animais. “Imaginar um material genético que se desenvolveu em uma ilha sem água é algo extraordinário.”

    Estudo genético

    E é justamente isso que os pesquisadores pretendem investigar: os genes por trás dessa resistência extrema. Com apoio da Embrapa, os estudos querem identificar essas características genéticas para, no futuro, multiplicar o material, conservar sêmen e embriões e distribuir para pequenos produtores do semiárido.

    Num país onde a seca é uma velha conhecida, esse rebanho esquecido pode virar herói improvável da caprinocultura.

    Do outro lado, a ilha respira aliviada. Com os cascos fora do caminho, a esperança é de que a vegetação volte a brotar e as aves voltem a pousar. “Que a biodiversidade floresça ainda mais nos Abrolhos e que a pesquisa científica desenvolvida por instituições públicas do mais elevado nível encontre novas respostas para o desenvolvimento da caprinocultura brasileira”, celebrou Erismar Rocha, gestor do Parque Nacional Marinho de Abrolhos.

    Essas cabras, que um dia foram deixadas como estoque de carne, atravessaram os séculos com uma teimosia quase poética. Agora, seguem para sua segunda missão: ajudar o sertão a vencer a seca, onde cada pingo d’água vale ouro.

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